"Felipe, você viu a Paola Carosella falando do seu vídeo sobre o TikTok no DiaCast? Minuto 26:08. " Pô, eu não vi não.
Será que eu consigo ver aqui? Pô, eu fiquei curioso agora. Falou que é 26:08, é isso?
(PAOLA CAROSELLA) Eu mandei outro dia, pra ela, um vídeo do Felipe Neto, onde ele explic -- Caraca! Cravado, maluco! (PAOLA) Ele fez um vídeo muito bom, onde ele fala sobre a preocupação dele (PAOLA) com o "attention span" das pessoas, e os Shorts, e o.
. . e o TikTok, né, (PAOLA) e essa coisa de um conteúdo banal total, e ninguém mais produzir conteúdo e ninguém mais ter tempo de (PAOLA) se dedicar a.
. . esperar pras coisas acontecerem, né, pro plot (PAOLA) virar e chegar em algum lugar, e que não tudo tenha que acontecer em segundos.
(PAOLA) Falou que ela achou muito bom e mandou pra todos os amigos, pra eles, pra eles, é. . .
(RAFA) Refletirem. (PAOLA) tirarem o TikTok do telefone. É um negócio o celular, né.
(PAOLA) Ela tem que desligar em determinada hora do dia, já não pode mais, não pode dormir com o celular do lado, não pode. . .
(GABIE) Uhum. (PAOLA) Mas, tão começando também as conversas com amigos, os, os. .
. (PAOLA) os interesses desde outros lugares, sabe? Sei lá, namorado, namorada, aquela coisa.
(PAOLA) Então. . .
"ai, alguém vai me ligar. " Aí, outro dia eu percebi que tava começando a ter uma. .
. (FELIPE) Isso é difícil, tá? (PAOLA) vertigem, de novo.
"Eu mandei uma mensagem mas não me respondeu. Eu mandei uma mensagem mas não me respondeu. " (PAOLA) Aí, eu falei: "aqui temos uma situação, né, que precisamos conversar disso aqui.
" (PAOLA) Então, eu conversei muito com ela sobre isso, é. . .
sobre não dar tanta importância, (FELIPE) Isso é sério! (PAOLA) sobre essa coisa da mensagem ser "responde ou não responde," estar ligado com o celular o dia inteiro, (PAOLA) de como isso é ruim. Mas, eu acho que o que eu faço, no lugar de falar tanto sobre aquilo e tirar o celular, (PAOLA) o que eu tento é dar por outras coisas, onde ela precise concentrar a atenção por mais tempo.
(PAOLA) Então, uma aula de piano de uma hora e meia. (PAOLA) Você precisa ficar sentado uma hora e meia na aula de piano. Fazer.
. . lixar madeira.
(PAOLA) Fazer um trabalho de marcenaria, onde você vai ver a peça (PAOLA) sendo construída ao longo do tempo. Assistir filmes longos, de duas horas e meia, (FELIPE) Vai fazer cadeira! (PAOLA) onde você tem que assistir o filme.
Eu acho que ter esses outros lados, sabe? (GABIE) Uhum. (FELIPE) Maluco, eu amo a Paola.
Muito bom, muito bom, muito bom. Primeiro: tá certa, muito certa mesmo. Segundo: muito bom mandar a filha fazer uma mesa, né?
"Vai fazer uma mesa de reunião, isso! Tô precisan. .
. mamãe tá precisando de uma mesa de reunião! " Muito bom, maravilhoso.
Agora eu quero ter filho só pra isso. Pô, a parada que ela falou tá certíssima. A gente virou uma sociedade da.
. . da pressa.
É a sociedade do cansaço, é a sociedade da estafa mental. E nós próprios fizemos isso. A sociedade, coletivamente, aceitou uma imposição de vício, em respostas imediatas pro nosso cérebro se sentir satisfeito.
Então, se a pessoa não responde na hora, a gente já tá. . .
já ativa os gatilhos de ansiedade. Se o vídeo demora um pouco mais pra chegar no ponto onde eu quero que ele chegue, já dispara 800 gatilhos de ansiedade. Se o filme que eu tô assistindo tem uma condução um pouco mais lenta, o diálogo, por técnica do diretor e tudo mais, já dispara meus gatilhos de ansiedade.
E todo mundo meio que foi aceitando que isso é o novo normal. Isso não é o novo norm. .
. não pode ser o novo normal. Não é à toa que a gente tem os índices de suicídio aumentando, disparando já, em níveis exorbitantes.
A gente tem que começar a encontrar aonde tá a origem desses problemas, e atacar a origem desses problemas, ao invés de só sentar em cima do "não, eu sou ansioso. Não, eu tenho ansiedade. Não, eu tenho mesmo, eu não, não gosto de ver filme sem ser acelerado.
É, não gosto. Não, não gosto quando não me respondem rápido. " Porque isso começa a evoluir e progredir pra uma parada que daqui a pouco você tá numa situação crítica, porque você sentou confortavelmente no "ah, eu sou assim mesmo.
" E não é, você não é assim! Quais foram os processos que te desencadearam a estar inserido nessa sociedade do cansaço? Como é que cê chegou até aqui?
Então, o primeiro passo, que eu converso muito com pessoas, e eu tento ao máximo entender e compreender, porque a minha área de expertise é a comunicação digital. Primeira coisa que eu percebo, olhando mesmo, observando, de ponto de vista observador, é que. .
. não vou dizer grande parte. Uma quantidade significativa de pessoas que se dizem ansiosas, e que não conseguem mais ver série direito, ver filme direito, conversar direito.
Não conseguem mais estar presentes no momento, que não conseguem deixar isso aqui, ó! De lado um pouquinho. Só um pouquinho, assim, de lado, e aproveitar uma conversa, aproveitar um livro, aproveitar um filme, aproveitar qualquer coisa, uma boa música.
Essas pessoas que não conseguem mais viver dessa forma, que ouvem música e pulam a música! Mano, a música tem dois minutos, vagabundo! E cê pula a p**** da música, cara!
No meio! Porque tu tá tão ansioso, tão desesperadamente ansioso, que cê não consegue não ouvir logo a próxima. E cê senta no "não, mas eu sou assim mesmo, sou, sou eu.
" Não é você, inferno. Uma quantidade bizarra de pessoas que estão assim estão viciadas em TikTok, ponto! Observem, perguntem.
Perguntem pras pessoas, p****. Não tira a minha palavra, não, pergunta! Vai pesquisar você próprio, vai interagir com pessoas e descobrir.
Por que que as pessoas. . .
por que que há uma correlação entre as duas coisas? Porque a timeline infinita de vídeos curtos é viciante, e o vício condiciona o cérebro. O vício se torna uma compulsão, a compulsão condiciona seu cérebro.
Então, se o TikTok te dá prazer a cada 10 segundos, e você passa horas dentro daquela merda, você vai ficar ansioso, porque você acostumou seu cérebro, você condicionou seu cérebro que o entretenimento tem que te liberar dopamina a cada 10 segundos. Senão, é chato. Senão, é entediante.
Então, deletem esta merda do celular de vocês! Deletem! "Ai, Felipe, como você é radical.
" Cara, cê entendeu que esta bosta não te traz. . .
Existe conteúdo bom? Claro que existe. Menos de 1%, mas com certeza existe.
Existem criadores ótimos no TikTok. Eles não precisam do TikTok. Se todo mundo agora, coletivamente, abandonar o TikTok, quem tem talento de fato vai continuar dando certo, porque vai pra outras plataformas, inclusive, pra plataformas que pagam direito, que dão de fato dinheiro pra esses criadores.
Então, não é como se essas pessoas dependessem do YouTube pra sobreviver, porque quem tem talento de fato não vira dependente única e exclusivamente do TikTok. Pode crescer em outros lugares, pode se dar bem no Instagram, pode se dar bem no Twitter, pode se dar bem no YouTube, pode se dar bem em outros lugares. Então, o que que tu tá perdendo se tu deletar essa bosta do teu celular?
Que que cê tá perdendo? Nada, tá perdendo nada! TikTok não te informa, não te educa, não te traz coisa realmente construtiva pra tua vida.
Não é como se você fosse ficar fora dos assuntos que tão bombando. Você não vai saber a dancinha. Na próxima festa, quando tiver cinco pessoas fazendo aquela babaquice de ficar fazendo assim, você não vai saber.
É só isso que cê vai perder! Então, deletem esta merda do celular de vocês, porque não é possível que um bagulho que está adoecendo todo mundo, gerando uma geração de pessoas ansiosas, não seja confrontado e publicamente desafiado por outras entidades, por outros pesquisadores, por cientistas, e etc. Deletem o TikTok da vida de vocês.