Acho que tem dois motivos da gente ter escolhido trabalhar com a onça. Primeiro que para fins de ecoturismo é como se fosse o nosso leão brasileiro, né? Ou seja, as pessoas vão pra África para ver o leão, não para ver a zebra.
Mas muito mais do que isso, a onça tá no topo da cadeia alimentar. Então, preservando a onça, a gente tá preservando o bioma todo, desde as florestas e e todos os animais que existem aqui. Bom, Safari é uma organização sem fins lucrativos que eu fundei há 14 anos e o objetivo inicial era estimular o ecoturismo aqui no Brasil através do avistamento de onças pintadas e do desenvolvimento socioeconômico das comunidades locais.
Quando eu fundei o Onfari, meu sonho era só ver uma onça pintada. Hoje é relativamente normal e se ver uma onça. Praticamente todos os hóspedes que vão lá conseguem ver onça.
Esse modelo de habituar animais selvagens para que o turista possa ver, a gente tá tentando inovando e trazendo esse modelo de reservas privadas sustentáveis pro Brasil. É, eu acho que os incêndios é a coisa mais triste que eu que eu já vi na vida. Aqui na Santa Sofia, no ano passado, chegou uma frente de incêndio, tinha 12 km de extensão.
E hoje aqui na Santa Sofia a gente tem um centro de reintrodução, não só para onça pintadas. Então a gente tem vários tipos de recintos para aves, para onças, animais como antas, e queixadas. Alguns animais que não tem não teriam perspectivas para voltar pra natureza, hoje com o trabalho da reintrodução, eles têm o resgate da melancia.
A gente tava num transporte de onça pintada com o nosso recinto aqui da Santa Sofia e ela tava ali bem debilitada, deitada, não conseguia andar. A gente resgatou ela e teve que fazer transplante de pele nas patas e tudo isso. E hoje ela já tá boa, só que ela ainda é muito filhote para poder soltar na natureza.
Ao longo dos anos, eh, principalmente com a vinda de outros parceiros da preservação, a gente começou a comprar áreas e montar um grande corredor. Hoje a gente tem um corredor ecológico de 430. 000 ha, como se fossem arcas de Noé, vamos dizer, no futuro, acho que aqui a gente vai ter muitos bichos, né?
E da onde vão sair animais para repovoar outras áreas onde tão sobre uma ameaça muito grande com o impacto ser humano.