Eu fiz medicina, né, eh, na ERGE, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro. E desde o início, no, no terceiro ano, eu assisti uma palestra do professor Osvaldo Saí e ele falava ser e estar consciente. me lembro essa palestra assim que não era nem ainda na época da psiquiatria, mas eu fui ver a tal palestra e aquilo me deixou absolutamente fascinada quando ele começou a fazer a diferença eh do ser consciente e do ter consciência, que eram coisas diferentes, estados, níveis de de lucidez e a coisa da tomada de consciência do ser humano.
E aquilo me fascinou quando acabou a palestra, foi no início do terceiro ano, eu fui atrás dele, eu falei assim: "Posso estagiar com você? " Aí ele falou assim: "Mas como assim? Você você ainda tá na clínica?
" Eu falei: "Não tô, mas eu posso arrumar um horário". Aí ele: "Mas por que que você quer estagiar comigo? " "Porque eu gostei do jeito que você falou sobre o ser humano, sobre o comportamento.
" Aí ele falou: "Tá bom, então me procura lá na na psiquiatria, no ambulatório, no dia tal". E aí cheguei lá, achei que ia estagiar dentro do ambulatório. Nada.
Ele falou: "Você quer mesmo estagiar? " Eu falei: "Quero muito. " Ele me botou para estagiar com ele num hospital em Jacaré Paguá, que eram 100 pacientes internos, assim, aqueles excluídos, aqueles jogados lá e que a família pouco aparecia, muitos pacientes crônicos e ali foi a maior escola que eu pude ter na minha vida.
Que legal. E aí eu falei assim, ele falou assim, depois de 8 meses eu estagiando lá, ele um dia falou assim: "Vamos, vamos almoçar? " Eu falei: "Vamos".
Aí nós fomos almoçar, ele falou assim: "Você tem uma coisa chamada efeito chamã". Aí eu falei: "O que que é isso? " Ele falou: "Efito chamã é uma coisa que a gente não explica muito.
Algumas pessoas têm, outras não têm". Por exemplo, eu não tenho. Ficou fácil.
Ficou fácil. Não sou eu. Mas você tem.
Eu vi aqueles pacientes que ninguém chegava perto chegarem até você. Eu vi você contornar situações incontornáveis dentro daquele hospício. Ele ainda falou assim: "Eu vi você se divertir todas as vezes dentro dali e eu me lembro que um dia tava muito calor e eu botei todo mundo na piscina.
Aham. A direção ficou enlouquecida. Eu falei: "Não, gente, pode deixar.
Vou tirar um por um, a gente vai medir 5 minutos. " Aí sai, sai. É 1000, né?
Tinha que ter uma ordem. Sim. E aí quando ele falou isso, ele falou assim: "Isso é muito bacana, você vai fazer uma carreira brilhante".
Eu não entendi muito bem o que que ele falava com isso. Saí dali, eh, fui trabalhar, trabalhei em pronto socorro, trabalhei em hospital, dando plantão, comecei um consultório que depois também um outro grande psiquiatra chegou para mim: "Olha, se quando você se formar eu te empresto, eu tenho uma sala sobrando. " Eu nem sabia como fazia, que foi o Calubi Araújo, né?
já se foi. E aí eu fui, usei a sala e comecei a atender do jeitinho que eu podia e tirava dúvida com com Osvaldo, com Calbi. Eles sempre muito dispostos assim.
E aí chegou uma uma época que eu já tava tendo consultório, já vivia do meu consultório direitinho dos plantões. E aí eu resolvi escrever um livro que foi o Mentes Inquietas, que foi o primeiro, todo mundo acha que que veio depois. Não, ele foi o primeiro.
Foi o primeiro mesmo. E aí ele ficou um ano porque não tinha nenhuma editora que quisesse publicar. Eu sabia que era aquilo que eu tinha para falar, né?
Que legal. E aí fui num num num sem censura e lá tinha um cara que falou assim, Luis Frankenberg, que era um economista, ele tava lançando um livro dele que era sobre economia. Ele falou assim: "Vai lá na minha editora porque você fala muito bem, você escreve do jeito que você fala".
Aí eu falei: "Não sei, mas posso tentar". Aí eu levei o livro, assinei um contrato que na época era terrível mesmo o contrato. Eu jamais assinaria aquele contrato hoje.
Ele era unilateral. Exatamente. Não era um contrato, né?
Era um distrato para mim, um contrato para lá. Aí eu só sei que, mas eu tava super animada, levei o livro, faz parte do processo. A gente tem que tá animado, né?
e levei o livro do Mentes Inquietas e o cara olhou e falou assim: "Isso aqui não tem p nem cabeça, isso aqui não vai vender". Isso falei: "Mas é o que eu tenho. Você falou que eu podia escolher o tema".
Escolhi. Aí ele: "Não, não. Vamos fazer o seguinte, leva isso embora e vamos fazer um sobre compulsão de compras".
Eu falei: "Não, mas esse tá pronto". Uhum. Aí ele falou: "Não, não".
Aí eu falei: "E naquela época não tinha essa coisa. Eu tinha assinado o contrato, tinha um com eles, não tinha digitalizado nada disso. Sua cópia, a minha cópia tava em casa.
Aí eu falei: "Posso ver o contrato? " Aí ele falou: "Pode. " Aí pediu lá.
Um cara muito arrogante, um cara que fumando xuto na minha cara, jogando bafo de xuto na minha cara, totalmente deselegante. Mas eu ali quietinho, eu falei: "Bom, se só tem essas duas cópias, se eu rasgar aquela cópia, acabou, eu tô livre". E foi isso que eu fiz.
Quando ele trouxe, eu falei, "Deixa eu só dar uma olhada". No que foi dar uma olhada, eu rasguei, o homem ficou enlouquecido. Ainda peguei o zipo dele, né?
Aquele isqueiro que tava acendendo o charuto e queimei. Que sensação. O homem mandou chamar o segurança, o segurança e fala: "Bote ela daqui para fora".
Aí eu falei: "Não pode deixar, eu tô indo". Aí o segurança fazia assim, eu não vou nem lhe tocar. Eu falei: "Não preciso, eu tô aí, não tem problema".
Ele falou: "Você nunca mais entra no mercado de livro, você nunca mais. " Eu não sei que e ele era, ele era inglês. Sim.
E eu falei: "OK, não tem o menor problema". Aí quando eu cheguei em casa, eu falei assim: "Puxa, Deus, obrigada. Você me libertou, né?
Ele não podia me processar nem nada porque ele não tinha nem a prova". Aí eu parei e falei assim: "Mas agora eu vou eu vou publicar esse livro". Aí eu tinha um Peugeozinho 205.
Eu tenho até medo de perguntar os anos, o ano que isso aconteceu mais ou menos, né? Isso. Olha, o Mes Inquetes foi lançado em 2000 e um, mas isso tudo vinha acontecendo desde o final de 1989, 2000.
Então ele ficou ali parado esse tempo. E aí eu vendi esse pejãozinho, fui numa gráfica, eu falei: "Quantos livros dá para fazer com esse dinheiro? " Literal.
Aí o cara, olha, dá para fazer 5. 000 unidades. Aí eu falei: "Tá bom".
Então fiz. Não tinha noção de nada, gente, de porque assim, hoje quando alguém lança um livro, se faz 1000 cópias se você espera alguma coisa do livro, se vende, né? Que você tem uma boa expectativa.
Você não cria, você não cria um estoque de 5. 000 livros se você não tem a percepção. Aí eu só sei que aquilo foi chegando na minha casa.
A minha casa não tinha onde pôr. Chegou um ponto que eu já tava pagando pra gráfica. Eu não aguento mais esse livro.
Eu estava pagando pra gráfica estocar, ficar de depósito. E aí um um fui no, eu morava na na Gávia, aí eu fui no na Letra de Expressões, que era uma livraria maravilhosa no baixo Leblom, que era 24 horas, a gente se encontrava com as pessoas. Era uma época que o Rio de Janeiro era Rio de Janeiro, então a gente ia para lá porque tinha recital de poesia, tudo de madrugada, porque os insis encontravam no baixo Leblon.
E aí eu cheguei pro pessoal da Letra Expressões que eu conheci os donos, falei: "Eu posso deixar uns livrinhos aqui? " Aí deixei lá oito livrinhos. Aí fui na livraria Argumento, que era aquela livraria que sempre aparecia nas novelas do Manoel Carlos ali no Leblon.
Posso deixar aqui, Marcos, o dono de lá? Pode. Não sei quê.
Aí eu deixei lá numa quinta-feira, quando foi na segunda seguinte, no na letra de expressões, me liga uma mulher da produção do Jô Tana, Beatriz, aqui quem tá falando eh Annique, não sei quê. Sim. Aí eu falei: "Oi, querida, como é que você tá?
" Tá aí ela: "Não é que a gente tá chamando senhora, o Jô teve, pegou seu livro na letra expressões, tá lhe chamando. " Tá, tá, tá, tá, tá. Não acredito.
Aí eu olhei assim, falei assim, desliguei o telefone, falei: "Isso é trote de amigo, né? " Aham. Eu falei: "Isso é amigo que sabe que eu botei o livro lá e tá me dando tr.
Desliguei, desliguei na cara da mulher". Falei: "Mas eu já sei até quem é". Eu falei: "Isso é coisa, isso é coisa de Andreia, né?
" Aí eu falei, a mulher foi, ligou de novo. Ela falou: "Doutora, caiu a ligação". Eu falei: "Não, agora é sério.
É da produção do Jô". Eu falou: "É da produção do Jô". Senhora quer ligar para cá?
Eu falei: "Quero". Aí me deu o telefone, liguei e ela atendeu. Ela: "Tudo bem, doutor?
" Falei: "Não, tá tudo bem. Desculpa ter desligado na sua cara. Desculpa, eu achei que era uma brincadeira.
Não, ela riu, não sei quê". E isso foi na na semana que seguinte eu já tava indo pro pro Jô. E aí eu vou te dizer uma coisa, eu não tinha noção do que que era fazer um Jô.
Eh, eu não tinha noção. Eu sim, de um dia pro outro, você imagina, a gente tava naquela época de começando internet, que é muito diferente de hoje em dia, porque hoje você viraliza com uma, duas, três coisas, você se torna um pseudo conhecido e tudo mais. Naquela época você não tinha esse tipo de acesso nem pagando todo o recurso que você quisesse.
Não tinha, não tinha surreal, não era surreal. Eh, então quando eu fui ao J numa inocência, falei: "Ah, tá, tá". Falei, falei umas barbaridades que hoje fico olhando, falei: "Que impulso, né?
Que pessoa impulsiva. Que pessoa impulsiva". No dia seguinte entraram 1500os no meu consultório e ali foi era 1500 por dia.
Tum tum tum tum. Ninguém mais sabia o que fazer, como responder. Foi uma loucura.
maior dificuldade de um TDH na vida em geral depende, porque assim, nenhum TDAH é igual ao outro. O critério pra gente tratar não é se é TDH ou não, é o quanto ser TDH traz sofrimento e limitações. E dentro do ser TDH, quais sintomas que incomodam?
É a impulsividade jogando os relacionamentos ladeira abaixo, é a desatenção, gerando desorganização, falta de planejamento? É a inquietação fazendo que uma pessoa não consiga, por exemplo, é ao cinema porque não consegue ficar dentro de uma sala de de filme por duas horas, não consegue ver um filme em casa, não consegue assistir uma série porque a inquietação é tamanha que ele tem que estar o tempo todo se mexendo. Tudo pode ser prejudicial, mas tudo tem jeito.
Tudo tem que ser organizado. Agora, sem o conhecimento de si, do seu funcionamento e aonde pega para você o TDH, ninguém vai poder te ajudar. Por isso que você tem que ter conhecimento.
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