Esse é um daqueles assuntos interdisciplinares que podem inclusive virar questões importantes lá dentro da prova do Enem. Muitas vezes abordado de maneira completa lá na química, mas abandonado pelos professores de biologia. Eu tô aqui para falar sobre chuva ácida.
O meu nome é Guilherme, eu sou professor de biologia e te convido. Vem comigo. [Música] Tatada.
Então, o que que é uma chuva ácida? Olha a definição que eu trouxe aqui para vocês, ó. Qualquer tipo de precipitação, que pode ser na forma líquida, como chuva, pode ser neve, pode ser partículas secas, pode ser neblina, aliás, partículas secas, vamos lembrar, pode ser cinzas que se espalham em cima de uma superfície que depois mais tarde em contato com a água, vão formar compostos ácidos.
Só que tem um detalhe, essa precipitação tem que ter um pH, por definição, abaixo de 5,6. Por que, profe? Se substâncias ácidas é abaixo de sete, porque toda chuva é naturalmente ácida.
Presta atenção nisso, no final a gente vai falar uma coisinha importante para vocês. Mas toda chuva é ácida. Por que, profe?
Porque a água da atmosfera, a água da nuvem reage com gás carbônico e forma ácido carbônico, que deixa o pH da chuva já abaixo de sete. Vamos lembrar que na escala de pH abaixo de sete é ácido. Quando esse pH é mais ácido do que o convencional, quando ele fica abaixo de 5,6, aí a gente diz que temos um fenômeno aí de chuva ácida.
Muito bem. Do ponto de vista da química, e você tem essa aula lá na química, os profs vão bater muito em cima das reações. Vamos falar de inox, vão falar de processos de oxidação, de formação dos ácidos, vão caracterizar os ácidos como fortes, como fracos.
Esse não é o meu papel na aula de biologia. Eu vou mostrar sim essas reações para vocês, porque elas são importantes, mas a gente tem que bater principalmente em cima de causas e consequências das chuvas ácidas. Causa e consequência.
cause consequência, porque isso é uma abordagem importante do ponto de vista da pessoa, do cidadão que quer compreender o mundo, mas é importante também para prova do Enem, pro vestibular. Então, vamos lá. Principais causas de uma chuva ácida, queima de carvão e de petróleo, carvão mineral em especial, tá?
Vamos lembrar que carvão mineral é queimado nas chamadas termoelétricas. Vamos lembrar que na Europa esse sistema de produção de energia por meio de termoelétrica foi muito utilizado. E aí a gente teve muita chuva ácida na Europa, gente, na Grécia lá, o Partenon, aquelas esculturas todas de mármore lá, tudo corroendo por causa de chuva ásta, as florestas do centro da Alemanha lá, aquela floresta negra sendo dizimada por causa de chuva ácida.
Muito bem. Isso por quê? que a gente tinha essas termoelétricas em grande atividade.
Lá no carvão mineral, a gente tem esse composto aqui, ó, que é a pirita, o Fe ferro com dois enxofres, beleza? É o dissolfeto de ferro. Esse é o composto, tá?
Pirita, dissulfeto de ferro. E esse composto quando entra em combustão, ele libera esse enxofre aqui. Esse S ele vai ser liberado, que vai reagir com oxigênio, vai formar outros compostos ali que eu vou mostrar para vocês.
Mas esse é um dos vilões, o enxofre, tá? Petróleo quando queimado também vai liberar um pouquinho de enxofre. Beleza?
Veículos automotores a combustão. E aí você já começa a pensar um pouquinho no processo de mitigação desse processo. Como assim, profe?
Como é que você mitiga um efeito de chuva ácida? Tratando dos problemas, tratando das causas. Você não tem mais uma terma elétrica é super importante nesse sentido.
Você não usar tantos derivados de petróleo é super importante nesse sentido. Agora, os veículos automotores pode ser uma pegadinha para você, porque a gente tende a achar que é a combustão da gasolina, que é a combustão do etanol, que vai provocar a formação desse composto aqui, ó, esse NO. Esse óxido de nitrogênio, professor, não é isso?
Não é isso, cara. Por quê? Porque o etanol ele só tem hidrogênio, ele só tem oxigênio, ele só tem carbono.
Se você pegar a gasolina sua maneira pura, ela é um hidrocarboneto, ela é hidrogênio e carbono. Da onde que vai vir esse nitrogênio? Quando você queima a gasolina, quando você queima o etanol, não libera nitrogênio.
O detalhe é que dentro de um motor as temperaturas atingem assim níveis altíssimos, até 2000º de temperatura. E essa temperatura altíssima depende no seu processo de combustão de ar atmosférico. Então você precisa, presta atenção, do combustível e você precisa também do ar atmosférico, porque ali tem oxigênio para fazer esse processo de combustão.
Só que tem um detalhe, 78% da nossa atmosfera é composta de gás nitrogênio N2. E quando esse N2 em altíssima temperatura reage nesse processo de combustão, é que a gente forma esses óxidos de nitrogênio. Então o processo de formação do NO não é em função do combustível e sim do processo de funcionamento dos veículos automotores à combustão.
Nesse sentido, o que que vale a pena, a gente, ô, substituir esses veículos à combustão por veículos elétricos. É bem provável que nunca ninguém te falou a respeito disso. Por que que a gente fala?
Ah, mas é legal para evitar a emissão de gases poluentes na atmosfera, evitar o efeito estufa, evitar o a liberação de carbono, reduzir a combustão de combustíveis fósseis. Mas tem um outro detalhe importante. A gente quando troca um carro de matriz a combustão por um carro elétrico, a gente evita a liberação desses óxidos de nitrogênio e que vão fazer com que a gente tenha menos incidência de chuva ácida ou uma menor acidificação da atmosfera.
Isso é muito importante. Outra coisa que daí a gente não tem muito como controlar é a questão dos vulcões, né? Você não pode ir lá no Chile, lá no vulcão Pu e dizer: "Ó, cara, você não entra mais em erupção, tá?
Isso não existe como a gente fazer". Mas é uma das causas também de chuvas ácidas, inclusive daquilo que a gente chama de partículas secas. Quando o vulcão entra em erupção, muita partícula seca vai ficar na atmosfera.
Que que é uma partícula seca? Aquilo que não é chuva, tá? Partículas secas que vão se depositando em cima de superfícies.
Às vezes cobrem com cinzas, grandes áreas e aí quando chove acidifica todo o solo, né? Um negócio bem desgraçado. Quais são as consequências desse processo?
morte da vegetação, seja por ação direta da chuva sobre as folhas. Então, as folhas começam, né, em função do ácido morrer. Imagine, esse ácido é prejudicial à saúde da planta em si, mas também e muito, tá, em função da acidificação do solo.
O solo muito ácido não é propício ao desenvolvimento da vegetação, dos fungos que são necessários ao solo, das bactérias que são necessárias a esse solo, de uma gama de insetos que vivem nesse solo, de alerídios, como é o caso de minhocas, que também vivem nesse solo. Então tudo isso começa a penar em função da chuva ácida e também a morte dos corpos d'água. Rios e lagos são muito afetados em função das chuvas ácidas.
Isso destrói toda uma cadeia alimentar. Então, às vezes você vê uma água límpida, bonitinha, você olha assim: "Nossa, que água limpinha, num local ela está extremamente ácida e não permite a proliferação de nenhum tipo de microrganismo que seja necessário a um desenvolvimento maior da cadeia alimentar. E sem esses microrganismos, você não tem toda uma cadeia, você não vai ter os seres produtores, não tem os consumidores primários nem secundários.
E aí você não tem peixe, não tem crustáce, não tem mais nada. Isso é um efeito muito grave da chuva ácida também. Agora vamos para um pouquinho de química.
Dá uma olhada nesse negócio aqui, ó. Basicamente, você entendeu que a chuva ácida é causada por enxofre ou por nitrogênio. E a gente tem três etapas que são importantes para cada um desses compostos, tá?
Com relação a enxofre, etapa número um, que é o processo de combustão. Depois que esse enxofre foi liberado aqui da pirita, tá? Liberou, ele vai reagir com oxigênio e vai formar esse composto SO2.
Beleza? Isso em função da combustão. Esse S2, duas moléculas de SO2 aqui vão reagir com oxigênio num processo oxidativo formando 2SO3.
Você tem que decorar essas reações, cara. São reações extremamente simplificadas, com balanceamento também muito simples, mas quem explora melhor isso são os professores de química. Terceira reação e a mais importante de todas, o S3 que foi formado aqui, ele vai reagir com água e vai formar H2SO4.
Aqui eu acho que é importante você lembrar, o composto formado em uma chuva ácida derivada do enxofre é o ácido sulfúrico, que você já tá cansado de saber que é um ácido forte para caramba. Beleza? Agora as três etapas em relação ao nitrogênio.
Nitrogênio atmosférico mais oxigênio, especialmente lá nos veículos automotores, em alta pressão, em alta temperatura, vai formar óxidos de hidrogênio, duas moléculas DNO. Essas duas moléculas DNO podem reagir com oxigênio. E inclusive a gente tem catálise desse processo feito pelo ozônio, inclusive, tá?
Mas vai formar aqui, ó, dois compostos de NO2. Maravilha. E esse N2 vai reagir com água, formando dois ácidos diferentes.
O ácido nítrico, que é forte, que é importante nesse sentido de chuva asta, e também o ácido nitroso, que eu nem anotei aqui para vocês, porque ele é um ácido mais instável e fraquinho, tá? Instável quer dizer o quê? Que ele vai reagir e ele vai formar depois ácido nítrico também.
Beleza? Então, o importante para nós é o ácido nítrico. Maravilha.
Detalhe importante, tá? Guarda esse bizu que eu aprendi com o professor Marcelão da química. Toda chuva é ácida, mas nem toda chuva é chuva ácida, porque toda chuva tem pH abaixo de sete, mas nem toda chuva tem um pH abaixo de 5,6.
Fica esperto nessa dica e eu tenho um recado final para você agora. Parabéns por chegar no final da nossa aula. Presta atenção no que eu vou te dizer.
Para de se preocupar com a velocidade do seu progresso. Se preocupe muito mais com seguir em frente. O teu tempo vai chegar.
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