bom dia boa tarde boa noite eu me chamo Fabiano Lacerda E você tá no contras fluxo se você já viu alguns Episódios anteriores Você já viu que estamos aqui de casa nova aqui na R5 agora E hoje nós vamos falar sobre a voz de quem [Música] escuta eu tenho uma surpresa para você no final desse Episódio então fica até o final e se durante o episódio fizer sentido para você já vai comentando a seja bem-vinda aí ao contras fluxo mais uma vez né então eu sou Raissa Lima que tá tendo a honra de ser convidada
aqui para esse podcast para esse projeto lindo para falar de um tema que surgiu sozinho né a voz de quem escuta ele foi ele foi um projeto que diferente de muitos outros que eu planejei construir criei eu senti e aí eu precisei narrar eu precisei falar da minha voz e a voz de quem escuta tamb o outro lado o nosso lado o lado dos terapeutas o lado dos cuidadores né então a ideia que eu tenho trabalho com prevenção de suicídio né Eu sou uma psicóloga especialista em prevenção do suicídio então toda a minha prática se
construiu entre outras coisas relacionadas com manejo de pessoas de pacientes que tinham comportamento suicida que lidavam com sofrimento Agudo profundo e nessa trajetória eu fui percebendo como isso afeta a gente né Quais foram os aprendizados que eu tive nessa história sobre mim e sobre todos nós né que decidimos ganhar a vida cuidando de pessoas escutando pessoas e que precisamos ter a nossa voz escutada então muita coisa eu elaborei fui construindo e aqui estou aqui pra gente começar a falar sobre isso e como é na prática mesmo trabalhar nessa linha tão tên né que na prevenção
o suicídio como é para você é só é Setembro que você trabalha muito interessante a pergunta do Setembro porque esse ess é um tema que eu trabalho todos os dias a estudo prevenção do suicídio há 7 anos acredito eu trabalho intensamente na clínica nos últimos 4 anos eu atendi mais de 600 crises Suicidas e aqui sem exagero Tá tô nivelando por baixo porque foi uma uma conta que eu fiz mas mais do que número a gente tá falando de 600 experiências 600 experiências com pessoas em profundo sofrimento que tavam ali No Limiar entre a vida
e a morte entre o tolerável tolerável e que evocaram em mim também esse limar do que que eu sentia e eu eu entendi que existiam vários polos mas tem dois muito nítidos para mim que trabalhar com prevenção do suicídio vai evocar a sensação de onipotência e de impotência né tem uma psicóloga maravilhosa de referência Karina fukumitsu ela fala que a impotência é a justa medida para Balancear a onipotência de achar que a gente consegue salvar alguém e aí aí tem momentos onde você faz um manejo de crise de uma pessoa que tá em risco de
suicídio e essa pessoa sai daquela crise você pensa eu sou o melhor terapeuta do mundo e você é seduzido pela ideia que é muito divulgada de que você está ali para salvar a vida de pessoas que prevenção do suicídio é salvar a vida né e é o lugar do Salvador é um lugar muito sedutor é um lugar que a gente olha e diz Poxa eu consigo salvar uma vida Olha que coisa né E aí chega outro dia onde você se depara com uma impotência enorme de uma série de coisas que estão causando sofrimento pro seu
paciente que você não consegue mudar não consegue mudar porque a gente fala de uma vulnerabilidade social uma vulnerabilidade da nossa sociedade em si que coloca o sujeito num lugar que você não tem poder nenhum de tirar uma vulnerabilidade que tá relacionada com uma história de vida pautada em traumas e você não consegue voltar no tempo para proteger esse sujeito então o que que você faz quando a única coisa que você consegue fazer é tá ali é tá ali dividindo o sofrimento com o sujeito e aí você percebe o quanto você não dá conta não dá
conta de salvar não dá conta de mudar e você vai pro outro polo da impotência do medo da culpa da angústia da dúvida em relação a você como profissional enquanto quando você tá no outro Polo você pensa Poa eu sou excelente eu sou um profissional excelente eu consigo Olha o que que eu faço de diferença e eu digo que os dois polos eles são desafiadores e a gente vai viver a gente vai sentir quando eu trago isso eu trago isso quando eu falo de prevenção do suicídio para outros colegas né quando dou treinamentos nenhum dos
polos é proibido eles são verdadeiros e a gente vai sim se sentir onipotente a gente vai sim se sentir impotente e quando a gente consegue aceitar isso reconhecer e entender o que que aquilo significa a gente por olhar pro Nosso Sentimento consegue também enxergar o nosso paciente autorizar ele olhar pro sentimento dele também a gente não pode se negligenciar nessa história acho que é isso prevenção do suicídio é está o tempo inteiro tendo que olhar pro outro para você e para a equação que é dessa interação entre vocês dois e é desafiador mas é maravilhoso
eu acho que é essência da humanidade a essência do que a gente tem como sujeito acho que é o suprassumo da Psicologia nessa sua fala me faz lembrar de algumas coisas que eu ouvi na faculdade né a posição neutra que o psicólogo tem que ter né que não pode chorar que não Pode emitir tantas emoções e gente aqui eu tô falando da faculdade mas na verdade isso não foi dito ó você não pode chorar mas de forma intrínseca tava ali falando que a gente tinha que estar numa posição neutra e o que você me traz
aí na fala são polos totalmente diferentes e não a neutralidade como é que você vê isso o psicólogo de fato ele tem que tá numa posição neutra eu convido todo mundo que tem um crp ou que queira ter um crp a pesquisar no nosso código de ética a palavra neutralidade E aí já adianto o resultado vocês não vão encontrar a palavra neutralidade não vai ter em lugar nenhum que o psicólogo tem que ser neutro e isso é importante da gente entender porque essa fantasia vem aí de uma tradição que a gente tem da Clínica né
E até a gente precisa entender também uma questão cultural né a psicologia a prática Clínica Ela é construída ali na Europa vem de outra cultura e a gente tem uma diferença aqui quando a gente vem pro Brasil a gente precisa olhar para esse recorte também mas mais do que isso a neutralidade ela é utópica Ela não se sustenta porque se a gente tem uma fantasia de neutralidade a gente tira humano se a gente cria um psicólogo pelo pela Inteligência Artificial talvez a gente consiga uma neutralidade Mas no geral ela é o top E se a
gente tenta sustentar algo que é irreal a gente vai estar na condição de um terapeuta que não existe e a gente vai estar o tempo inteiro se deparando com isso porque se eu sou tenho que ser neutro Por que que isso tá me tocando tanto então eu vou esconder porque eu tenho que atingir esse ideal de neutralidade e essa neutralidade não tem como acontecer e é por isso que eu digo é justamente o nosso lugar humano A nossa condição humana que faz com que a gente possa trabalhar com o outro humano não e a neutralidade
a gente precisa entender no seguinte né não é que eu vá tá ali com as minhas crenças com a minha fé com tudo o que eu acredito e tentar impor isso pro paciente nesse sentido a gente precisa ter ali uma diferenciação do paciente né porque eu vou olhar pro que eu tô sentindo eu vou separar o que eu tô sentindo do que o paciente tá trazendo entender o que é que é sobre mim e entender o que é sobre essa interação e usar isso a favor do paciente mas compreender de que eu vou se sentir
que eu vou ser afetado sim que as coisas vão doer porque tem histórias que se você ouvir sem ser afetado por elas você não consegue imagina uma pessoa chegar para você e trazer uma uma experiência de total desumanização de violência que causa indignação e tem que causar indignação e você fica passivel em relação a isso Às vezes a gente precisa se indignar junto com o paciente às vezes a gente precisa verbalizar o contto aquela situação é sim injusta e poder oferecer essa indignação humana que às vezes todo o ambiente em volta não consegui oferecer uhum
Às vezes a gente precisa sim trazer o nosso sentimento e em relação a isso do choro é para mim Particularmente eu acho que a gente tem que entender o seguinte não dá pra gente se desesperar junto com o paciente nas situações porque a nossa postura é outra mas eu lembro Uma uma sessão eu não costumo chorar em situações tristes né mas uma coisa que me emociona muito é quando eu vejo alguém que tava saiu de um lugar de desespero de desesperança total em relação à vida e eu consigo escutar essa pessoa narrar um outro lugar
né eu pde ouvir de uma paciente em mim assim eu rezava todo dia para não acordar Viva no dia seguinte para morrer no dia seguinte e hoje e a gente fez essa trajetória juntas na sessão né esse essa retrospectiva e hoje eu não sei se eu vou ter tempo de vida para fazer tudo que eu quero e poder olhar para essa transformação escutar isso na sessão a gente fez essa retrospectiva eu chorei horrores nessa sessão e ela chorou de um lado eu chorei de outro porque eu vi eu vi essa transformação eu estive lá nos
momentos de dor da história eu sustentei eu sustentei esse essa pessoa essa mão que ela precisava eu estive ali Firme com ela mas no momento onde foi o sentido da coisa foi poder se emocionar porque é uma coisa que gera emoção é poder ver vida que surge diante da dor não tem como você não poder sentir isso você não poder colocar isso porque a emoção é necessária tristeza a raiva angústia o medo todos esses sentimentos são humanos são necessários e não tem como a gente ajudar o paciente a reconhecer isso se a gente tem que
negar isso na gente quando a gente fala de neutralidade nesse momento aqui da nossa fala a gente fala muito dentro de uma bolha dentro do Set terapêutico né mas a gente sabe que outras coisas interferem nisso Parece que só o lado do paciente é que é aceitável essa interferência das coisas que estão acontecendo na vida dela ali fora da bolha do Set terapêutico né E quando a gente olha pro terapeuta né pro psicólogo pro psicanalista o que é que você teria para m falar sobre isso sobre esses fatores externos né porque você me falou dos
fatores internos e os fatores externos que interferem também nessa não neutralidade né um dia ruim um dia que eu briguei com meu marido com minha esposa com meu namorado com meu pai com minha mãe um outro trabalho que eu tenha o que que você tem a me dizer sobre isso e é justamente por essa sua pergunta que a gente fala do quanto a ideia de neutralidade é problemática porque o o que é neutro é sempre neutro não reage tá ali numa condição inerte Então as coisas acontecem em volta elas não não impactam né E as
coisas impactam na gente justamente pela nossa condição de humanidade então por exemplo vão ter momentos onde a gente precisa entender o que que a gente dá conta e o que a gente não dá conta não no lugar de fracasso porque a gente não dá conta de um lugar não dá conta de ser terapeuta naquele dia mas para um lugar de respeito porque percebe o seguinte quantos de nós a gente trabalha na nossa prática mostrando pro paciente que tá tudo bem não dá conta tá tudo bem pedir ajuda que precisa colocar limites E aí parece que
a gente tem que estar sempre bem Então vão ter momentos onde o correto o a não negligência é não estar presente é poder dizer eu não consigo te atender agora eu espero que amanhã eu consiga te atender e eu tenho combinado com meus pacientes que é o seguinte né porque eu sou psicóloga Mas tem dias onde eu não tô bem Uhum E eu combino com esses pacientes especialmente aqueles que T dificuldade de mostrar quando eles não tão bem de colocar limite que suportam tudo que tentam fazer tudo que atropelam os seus limites e o limite
ele é importantíssimo pra nossa integridade psíquica e eu falo para esses pacientes diz olha se tiver algum momento onde eu não tiver bem psicologicamente emocionalmente eu não tiver bem para te atender ou por um cansaço ou por alguma coisa que eu aconteci eu vou te dizer isso eu vou te dizer que eu não tô muito bem naquele dia bem o suficiente para ser sua terapeuta e eu vou remarcar com você eu não vou dar uma desculpa de uma dor de barriga de alguma coisa física porque a gente legitima o sofrimento físico mas o psíquico a
gente não legitima parece que tá ok dizer que tá com dor de cabeça dizer que teve alguma coisa física mas parece que a gente não pode dizer eu não estou bem e eu falo isso pro paciente porque eu digo para te autorizar também a não estar bem emocionalmente e eu digo isso olha eu não tô muito bem hoje isso aconteceu em alguns poucos momentos mas eu podia dizer Olha eu não tô muito bem tô passando por uma coisa pessoal não vou est bem 100% para te atender como você merece Uhum E assim que der eu
vou fazer essa esse ajuste e é muito interessante a recepção dos pacientes porque eles conseguem te ver de um lugar humano e isso também coloca eles num lugar de dizer olha essa pessoa pessoa que talvez seja a minha referência ali de de cuidado que às vezes né a gente cria essa ideia do modelo de saúde mental meio fantasioso do terapeuta mas essa pessoa também pode ter dias ruins e se essa pessoa pode ter dias ruins e ainda assim não ser um fracasso como eu às vezes Considero que ter um dia ruim é ser um fracasso
então eu também posso E aí a gente autoriza nada mais forte do que o exemplo é é é fantástico ouvir isso de você porque eu tô vivendo isso nos meus primeiros passos aí na na minha clínica né quem não sabe gente nesse momento que a gente tá gravando eu tenho poucos meses ainda de crp Então eu tenho os primeiros tem os primeiros passos aí e já passei por situações não muito graves mas eu precisei de fato remarcar a minha consulta e eu eu me achei uma fraude porque eu não tinha uma desculpa plausível como um
problema físico ou qualquer outro plausível que não seja emocional eh mas aí eu eu minha me assumir e disse não eu tenho que acolher isso aqui e comuniquei ao meu paciente algo bem parecido com o que você disse aí e é importante a gente Trazer isso à luz né Porque de fato essa neutralidade não existe assim neutralidade né Eh da gente não ser humando A não ser que se fôssemos máquinas né e ainda assim máquina precisa de descanso e manutenção é Observe então quando a gente olha para isso e é bom te ouvir disso porque
eu achei muito importante poder falar sobre esse ponto e é interessante a repercussão dessas falas quando a gente fala desse lugar porque parece que tá todo mundo em segredo escondido sofrendo e a gente não fala disso como PC porque em todas as situações onde a gente se reúne para falar de saúde mental a gente tá falando das pessoas que a gente cuida muito pouco a gente tem o momento para parar para falar sobre tá e a gente por exemplo né eu tive num evento onde se falou sobre o impacto da pandemia como é que a
psicologia poderia estar em função do Cuidado das pessoas que foram impactadas pela pandemia E era uma mesa todo mundo falando das pessoas do que a psicologia e eu achei muito interessante porque em momento nenhum a gente apareceu pareceu que éramos pessoas ali que por algum motivo Foram as únicas que não viveram a pandemia não foram impactadas por ela e aí a minha pergunta a minha participação foi assim gente quem foi aqui que passou pela pandemia levanta a mão obviamente todo mundo levantou era um evento de Psicologia eu falei vocês perceberam que a gente fala do
outro que foi impactado a gente não fala da gente Porque como foi atender no meio do Caos quando a gente estava vivendo o mesmo caos como foi atender quem tava em luto quando a gente também tava vivendo o luto como foi atender quem tava vivendo solidão quando a gente estava isolado na clínica então a gente também passou por isso e não tem como a gente não olhar para esse fenômeno Especialmente quando enquanto está todo mundo no caos você precisa ser o ponto de equilíbrio e onde é que você vai poder vivenciar experienciar E assumir que
o caos também afeta você porque na e e é interessante como se passa isso e se atravessa paraa vida pessoal e a gente vai meio que sem entender que esse lugar não é nosso a gente não consegue sair e aí Os estudantes desde o momento que eles entram passam no vestibular de piscologia eles começam a ouvir quear mas você estudando de piscor você não pode você não pode sentir você não pode brigar você não pode se estressar você perde né você vira um um inteligên artificial no momento você entra no no curso de psicologia você
não pode mais nada e aí a gente sem saber que isso não tá OK Fica compra essa ideia idealizada e tenta sustentar ela e tenta dizer não mas eu preciso ser o ponto de equilíbrio por exemplo ao ponto de se perder alguém na família tem uma experiência de luto e as pessoas esperarem que você acolha a família não você tem que estar desesperado junto você tem que estar vivendo junto chorando junto Porque isso é a coisa saudável de se fazer não é o saudável a gente est o tempo inteiro numa postura sem emoção neutra isso
não é saudável se você tá numa situação que pede desespero que pede sofrimento tristeza e você não pode sentir E demonstrar isso isso é adoecedor chega a ser quanto nós somos colocados nesse papel desde o período da faculdade né que a gente não pode derramar a gente não pode sofrer a gente não pode se perder no meio do caminho e é batido tão pouco na tecla que a gente precisa se cuidar também né pouco se fala né Eh que a gente tem que fazer terapia também que a gente tem que fazer também o nosso cuidado
de saúde mental e também supervisão né na minha concepção meio terrorista né desculpa Mas na minha concepção meio terrorista acho que a gente deveria ser obrigados né Assim não tem não tem como crp saber se a gente tá fazendo terapia ou não mas deveria ter alguma forma né de forma utópica aí mas a gente comprovar que a gente tá cuidando da nossa saúde mental né é muito complexo isso da gente pensar em relação até a própria terapia como quando a gente escuta tem que fazer terapia porque você tem que tá bem para cuidar do outro
e aí eu tento desorganizar essa lógica no sentido de que não tem que fazer terapia porque você Você merece porque você merece estar bem para você porque senão a gente também entra num lugar de uma ferramenta que precisa estar afiada para a sua função não eu entendo o que você tá falando não e não discordando de você porque eu vou concordar com você agora entenda eh é porque até quando a gente escuta sobre Isso pensa um pouco quando a gente escuta sobre isso a gente não escuta que tem relação com estar bem para cuidar do
outro e aí parece também a ideia da terapin um dia né tem que estar com a terapia em dia parece que por estar com a terapia em dia a gente vai tá bem também o tempo inteiro e talvez não às vezes a terapia vai ensinar a você a entender os momentos onde você não tá bem e lidar com eles e eu acho que a gente tem que sim eh já eu já senti exatamente a mesma coisa que você já me indignei já queria que todo mundo tivesse em terapia mas aí a gente vai olhar para
um outro problema por exemplo né a nossa profissão ela carece de tanta coisa ela tá começando tanto ela tá no início ela tá engate tanto que a gente ainda tá ali vai cai para um lado cai pro outro tenta levantar tropeça porque e eu vi né Vivi ali eu fui eu fui formada pelo ProUni uhum e tive colegas tive na faculdade onde tinha fiéis proun e tal e a galera não tinha grana às vezes para ir pra faculdade a galera não tinha grana para comer né e onde é que essa galera vai fazer terapia e
quem é que vai pagar a terapia dessas pessoas e mais do que isso porque a gente precisa lutar por psicólogos no SUS sabe por quê Porque quando a gente pensa em acesso à terapia a terapia ela é elitizada ela é mas a gente puxa também pra gente no sentido de que a gente tem que fazer atendimento gratuito a gente tem que fazer atendimento voluntário atendimento social só que aí a gente tira também o foco do Governo e da Saúde Mental como um direito público porque a gente assume uma parcela disso e é importante ter uma
consciência social mas a gente também precisa entender que era para ser de tal forma que esse estudante de Psicologia vai poder fazer terapia e ele não ele não precisa pensar eu tenho que escolher entre conseguir pagar minha comida e pagar e também esse profissional de Psicologia precisa poder ser valorizado para cobrar um peço justo uhum ou para ser pago pelo sistema de saúde para estar fornecendo um serviço para o o pro público geral sabe então a gente tem uma camada aí também que a gente precisa olhar Acho sim que quem precisa quem não só quem
precisa né eu falo que todo mundo merece fazer terapia não sei se todo mundo precisa mas todo mundo merece e eu acho que é muito difícil você conseguir dar conta do lugar de terapeuta sem você fazer terapia e não e não tem relação só com ah cuidar das minhas questões de separar do paciente tem relação que é difícil para caramba ser psicólogo cara é difícil para caramba atender tá na terapia no lugar do terapeuta é muito difícil e se você não tem um suporte para conseguir dar conta disso para conseguir falar do que te afeta
por exemplo trabalhando com prevenção do suicídio o medo do paciente se matar o medo a angústia a sensação de impotência onde é que você vai falar disso Claro tem a supervisão que vai olhar disso do lugar de terapeuta e é importante para olhar para essas questões mas tem o lugar pessoal do que que essa sensação de impotência Te toca de quando você era criança de quando você tentava ajudar alguém da sua família e você não conseguia ajudar é esse lugar que dói a gente precisa olhar para isso na terapia uhum porque não dá pra gente
cuidar do outro de um lugar onde a gente não foi cuidado não dá para dar alguma coisa que a gente não tenha e se você tentar fazer isso você pode até conseguir por um tempo mas você vai se esvaziar tanto você vai se exaurir tanto isso não é justo com você Você tem uma frase de Jung que diz assim né Você só leva o seu paciente até onde você já foi né ah essa frase de Jung Eu Sempre tentei saber de quem era essa frase é deung maravilha então é isso você não tem como levar
a pessoa num lugar onde você não foi e a gente precisa pensar sabe nisso a gente precisa fornecer inclusive e democratizar a psicologia para que todo mundo consiga ter acesso Uhum mas eu acho que também tem um polo de que fazer terapia não é fácil fazer terapia é dolorido é doloroso é desafiador remexe entendeu Eu tenho um dia para fazer terapia que tem umas horas de distância entre o horário da minha terapia e o resto porque eu preciso poder ir no fundo do poço voltar às vezes digerir aquilo e Terapia não é só dor também
não terapia também é acolhimento também é Acalanto Só que eu acho que sim eu acho que a gente tem uma ideia inclusive fantasiada sobre a terapia pra própria psicologia né de que a terapia esse lugar onde você vai conseguir dar conta de tudo ou que a terapia esse lugar que vai te analisar que vai enfim tem uma coisa meio fantasiosa né sobre o que é a terapia ou que a terapia é só conversar eu acho muito engraçado quando vem isso e a gente fala mas terapeuta só conversa e tal e eu fico pensando porque é
muito diferente você tá conversando com amigo na numa mesa do bar tá falando dos problema tá fofocando E você tá sustentando a escuta daquilo que aquela pessoa tá falando e pensando a conexão com aquela história que ela falou hoje com a conexão do que ela disse na terceira sessão com o sofrimento dela de quando ela era criança com o objetivo dela frustrado de quando ela era adulto Teco que você leu F tem te assim durante gente a energia psíquica que gasta se a gente fosse um computador quando a gente tá fazendo terapia sabe quando o
computador começa o ventiladorzinho rodando lá CPU no máximo se terapeuta é isso é tá no mais intenso é o seu computador rodando quem mexe com computador quem é Gamer no máximo possível de um jogo pesado enquanto você tá fazendo upload de um vídeo então assim é mais ou menos isso isso é tudo acontecendo ao mesmo tempo um monte de aba aberta e você tentando conectar dar uma travada tem que ser isso ser terapeuta não é fácil não é fácil a gente precisa entender isso e volta é por isso que a gente não pode achar que
a gente vai ser neutro a gente não pode achar que não vai afetar a gente que não vai sobrecarregar a gente que não vai doer porque vai e aí a gente precisa olhar onde é que isso me toca porque tem momentos que vai tocar numa coisa Nossa já teve um momento muito específico Ah que eu tava atendendo um caso de muita ambivalência de muita de muita angústia desse desses pacientes esses pacientes muitas vezes alguns deles vão Atacar você como terapeuta E aí se você não tá divertido para entender separar o que é do paciente O
que é seu mas principalmente para entender quando alguma coisa que o paciente trouxer numa tentativa até de romper aquela relação que é uma relação saudável porque ele não é acostumado a ser cuidado assim e pode ser insuportável ser cuidado pode ser insuportável receber afeto receber carinho receber Cuidado se E aí o paciente pode tentar te atacar E e em todos os lugares possíveis né até numa tentativa de se proteger daquela relação que é tão próxima que pode ser ameaçadora e às vezes ele vai conseguir E se ele conseguir te atacar E te machucar num lugar
que tá vulnerável seu isso tem que ser uma pista para você cuidar na sua terapia uhum isso não pode ser um lugar onde você precisa est Poxa me atacou eu sou um péssimo terapeuta N pode até sentir isso tá tudo bem el fala na tua terapia porque é um ponto vulnerável e quando a gente é machucado a gente precisa de cuidado especialmente não dá para você cuidar do outro quando você tá ali machucado verdade você precisa cuidar disso então acho que a terapia ela também é importante nesse sentido Poxa me tocou de onde é que
vem isso vem da briga que eu tive com a minha mãe quando eu tinha 3 anos Sei lá sabe o negócio assim você olha me senti do mesmo jeito onde aqui vou levar pra minha terapia vou ver se eu consigo dar conta de seguir esse atendimento vou entender o que se significa pro paciente vou voltar e é isso Prometemos um segredo aqui no início desse Episódio né já que estamos chegando no fim que tentão a gente conta agora você conta eu conto não você conta né Tá eu recebi algumas mensagens hum hum perguntando ai por
você não faz um podcast Precisamos de mais podcasts e muita gente que já vinha no meu pé H um tempão sobre um podcast né E aí graças a você o seu convite lindo a gente combinou de fazer esse projeto da voz de quem escuta como um podcast podcast do espaço em parceria com contras fluxo ou um projeto do contras fluxo em parceria com espaço Comigo tudo junto e a gente vai fazer uma dinâmica de alguns Episódios ódios que vão ser disparados por crônicas Crônicas de uma terapeuta voz de quem escuta é o projeto de um
livro que eu tô construindo de um livro ilustrado quem já me segue acompanha os textos é uma mistura dessa coisa do texto da poesia da elaboração que como diria clariss Lispector eu escrevo para salvar a vida de alguém talvez a minha própria vida escrever sempre foi o meu eu lírico é o meu parceiro de vida desde que eu me entendo por gente desde que eu aprendi a segurar uma caneta elaborar o que eu sinto isso me sustentou como terapeuta e eu acho que essa elaboração essa essa relação que eu tenho com as palavras também traduz
os sentimento dos meus colegas dos terapeutas que estão aí nesse Brasil nesse mundo e eu vou trazer isso com muita verdade cada crônica se construiu em uma experiência que eu tive na vida uma experiência como terapeuta como pessoa e a gente vai disparar isso para falar dos percalços dos Desafios das Pedras no Caminho do Caminho das Pedras de ser terapeuta e eu vou fazer isso aqui no contras fluxo com convidados que tem alguma relação com o conteúdo que eu vou trazer que vai ser surpresa e vai ser uma crônica nova cada semana com uma elaboração
do nosso lugar e da nossa jornada como pisis que fantástico vai ser lindo vai ser lindo vocês V emocionante vocês vão amar vão amar ri quem quer te encontrar como é que faz para te encontrar @ espaco porque sim o cedila underline Amarelo ou se pesquisar Raísa Lima com Y só você vai me encontrar e a gente vai estar juntos aqui acho que esse episódio e e a ideia é que seja uma experiência Viva por porque a ideia do crônica de uma terapeuta é que não foi um livro que eu parei para escrever foi um
livro que foi sendo escrito durante a minha jornada porque cada crônica surgiu de uma experiência né tem a ideia da da Pérola que nasce quando um grão de areia vai entrando na Ostra ali e cada um cada perolinha nasceu de uma experiência então A ideia é poder construir trazer e dar luz jogar luz nesse lugar que fica escondido que a gente tem vergonha que a gente tem medo de falar que é a nossa humanidade que a dor a voz a delícia de ser psicólogo e eu acho que eu Trazer isso aqui com de um jeito
que dificilmente vocês vão ver em algum outro lugar vai ser lindo vai ser lindo se esse episódio fez sentido para você vai ser muito importante pra gente que você comente que você curta que você compartilhe né que você escolha o o que você quiser fazer disso aí mas vai ser muito importante se você fizer todos sobretudo se você se inscrever no canal tá bom hoje ficamos por aqui obrigada [Música] h [Música]