Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meus queridos irmãos, iniciamos o tempo extraordinário do Tempo Pascal com a Oitava de Páscoa.
Nesses oito dias, a Igreja celebra uma semana inteira como um único dia, o dia da Páscoa. Até a liturgia é uma espécie de repetição do Domingo de Páscoa. Queremos aprofundar-nos nesse mistério central da nossa fé.
É importante entender que o que celebramos na Páscoa não é simplesmente a ressurreição de Jesus. Na Páscoa, celebramos uma passagem. É importante salientar esse caráter de passagem, senão terminamos perdendo parte do mistério.
São os dois lados de uma moeda: Paixão e Morte, e Ressurreição. É exatamente por isso que a Igreja celebra esse grande tempo litúrgico com dois tempos fortes, a Quaresma e a Páscoa, que, diminuídos, em miniatura, são a Sexta-feira Santa e o Domingo de Páscoa, ou seja, a dor, o pecado, a morte, a cruz, depois a redenção, a vida nova, a ressurreição, a salvação. Assim a Páscoa adquire o seu verdadeiro significado.
Algumas pessoas correm o risco de viver uma espécie de heresia. (Sim, desculpe-me usar essa palavra, mas é que a palavra ‘heresia’ quer dizer exatamente ‘escolha’. ) Querem escolher entre a cruz e a ressurreição, como se houvesse sentido falar de ressurreição sem antes viver realmente a cruz.
O Pe. Joseph Ratzinger, ou seja, o teólogo que depois se tornaria o Papa Bento XVI, diz em seu livro “Dogma e Anúncio” que não tem direito de cantar o Aleluia na manhã de Páscoa quem não chorou os seus pecados na Sexta-feira Santa. É exatamente essa a tônica espiritual dos dias da Oitava de Páscoa.
Sim, cantamos com grande alegria o Aleluia pascal, mas o cantamos e vivemos sabendo que a morte foi pisada pela morte do Cristo, que o demônio foi derrotado pela obediência de Cristo na cruz e que o pecado foi destruído. Por quê? Porque agora Cristo, obediente, inocente e imolado na cruz, triunfa para manifestar sua grande vitória.
Então, tudo o que iremos celebrar nesses dias só tem sentido se nós, com grande respiro, olharmos para o Tempo Pascal como a resposta de Deus às dores laboriosas, dores de um trabalho de parto, vividas durante a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. É por isso que Jesus ressuscitado, quando aparece, mostra suas chagas. Sim, tudo está perfeito, tudo está maravilhoso.
É vida nova. O corpo de Cristo está glorioso, Ele já não padece, já não sofre; é capaz de entrar em lugares fechados, de se transferir de Jerusalém para a Galiléia de repente, de se apresentar da forma que quiser… Mas, quando se apresenta, as chagas estão lá, chagas que são um sinal claro de que o Ressuscitado é o Crucificado e de que a morte foi vencida. Por isso podemos cantar o Aleluia.
Deus abençoe você. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.