Brasil de fato [Música] entrevista Olá está começando mais um bdf entrevista no programa de hoje vamos ouvir a conversa com o jornalista Leonardo sacamoto a mais de duas décadas ele está à frente da repórter Brasil uma das principais organizações de combate ao trabalho escravo contemporâneo no país este ano o jornalista lançou o livro escravidão contemporânea a obra reúne textos de especialistas no assunto do mundo todo um dos temas da entrevista foi o lançamento do livro confira as motivações para publicar O livro é assim a ideia eu fui convidado pel contexo para escrever um livro sobre
trabalho escravo contemporâneo como eu tô há 21 anos em cima disso e o último livro que eu tinha lançado sobre o tema acho que era de 2005 né então Poxa lá se vão 15 anos já né então a tava na hora de lançar um outro livro E aí me convidaram só que eu falei o seguinte falei olha eu poderia escrever um livro inteiro mas é muito eu acho muito mais rico muito mais plural se ah ao invés de eu fazer um livro sozinho né sobre isso sobre a sobre a questão que a gente pudesse fazer
um livro sobre um livro que marcasse a a que que mostrasse diferentes pontos de vista de diferentes especialistas sobre o tema daí eh é diferente que o pessoal falar ah organização de artigos não aí o que aconteceu eu eu fiz um a estrutura do livro e eh di Vou escrever uma parte mas eu vou convidar para escrever determinados os capítulos né os capítulos seguintes V vou convidar pessoas que são especialistas dentro e fora do Brasil e aí sai o livro né o livro ele não é um apanhado de artigos o livro ele é uma ele
ele foi pensado né naquela escritura ele foi pensado com capítulos uma forma de uma sequência ah lógica e didática paraas pessoas né pro leitor comum entender o que que é o problema como o problema eh eh surgiu Quais são as causas as consequências os impactos pra sociedade pra economia pro meio ambiente Ou seja a gente pensou Capítulo a Capítulo né de forma que as pessoas pudessem compreender então aí nasceu o livro ou seja um trabalho O trabalho deção foi meio grande porque se alinhavar tudo né numa numa sequência no processo tudo levou mais de de
1 ano e meio para trabalhando em cima mas acabou saindo eu acho que ele tem tudo para ser modesta parte uma obra de referência né para as pessoas que quiserem entender o tema As pessoas quiserem incl se aprofundar no tema para quem já conhece um pouco é uma obra de referência o combate ao trabalho escravo no Brasil e no mundo o Brasil ele é o o país com o melhor sistema de combate o trabalho escravo ele é um país referência né os diferentes governos que governo Fernando Henrique teve o mérito de de começar governo Lula
eh ampliou aprofundou o combate e e ele vem ele vem se mantendo até agora até o governo do bolsonaro vem se mantendo então Eh o Brasil ele é uma referência Global apesar do Trancos e Barrancos apesar do sistema ter uma série de problemas mas ele é uma referência Global eh num num crime que ele eh acho que era atualmente a a estimativa das Nações Unidas é que haja 40,3 milhões de pessoas avisad em todo mundo Produzindo um lucro anual de 150 Bilhões de Dólares né então é claro que é um é um é um problema
global é um problema que é a que tem um padrão de de de exploração um padrão de de de roubo e dignidade de liberdade eh mas também vai se adaptando às realidades de cada país né tendo características específicas NS diferentes países Só que todo esse trabalho escravo é até importante ter uns capítulos que é bem relevante que é da coban mcgregor da fabila são duas pesquisadoras duas professoras que se dedicam profundamente ao tema fora do Brasil eh na Inglaterra e na Suíça que eh que trabalh mostrando como o trabalho escravo contemporâneo tá conectado a essas
redes de produção globais né como o trabalho escravo contemporâneo ele não pode ser visto simplesmente como uma ocorrência perdida num nos rincões do mundo mas não ela tá inserida na rede de produção Global não significa que a economia do mundo Depende do trabalho escravo mas o trabalho escravo está na economia do mundo está em redes de produção está em redes de comercialização ela na verdade faz parte inclusive em vários pontos você temos por exemplo trabalho escravo extraído minérios de trabalho escravo vamos dier uma TV tem o trabalho escravo eh que ocorre na extração de minérios
os componentes TV na África tem trabalho escravo na montagem de determinado na produção de determinados componentes na Ásia e depois você tem por exemplo a o empacotamento a o a Sending a montagem do produto final da TV etc e tal eh no continente americano na América do Sul com trabalho escravo Então você tem ocorrência de trabalho escravo às vezes dois três continentes diferente na mesma cadeia produtiva então se a exploração do trabalho escravo ela é Global né E ela alimenta uma rede Global ã é claro que o combate ao trabalho escravo também precisa ser Global
né a gente fala de globalização de de comércio mas a gente também tem que falar de globalização do combate a trabalho escravo e é importantíssimo ressaltar que em vários países do mundo a se houve um surgimento de leis se o sistema melhorou de combate a trabalho escrave se é um sistema que combate trabalho escravo e tráfico É porque também você teve uma uma uma rede internacional que fez flir informação muitos debates muita discussão eu tô puxa Desde 2005 2006 eu tô visitando uma série de país falando discutindo ou por representando a organização que coordena Repórter
Brasil ou ah como membro como Conselheiro das Nações Unidas né do fundo para formas contemporâneas escravidão ou de outras acentos que eu tive na ONU então para discutir isso para procurar soluções para construir soluções coletivas né o Brasil ele acabou fornecendo subsídios para diversos países como Estados Unidos Inglaterra Austrália França para construir seus projetos próprios que em alguns casos melhoram o instrumento Brasil ou vão por outro caminho então existe um sistema global que precisa ser levado em consideração e que sim você não a cada país tem que fazer sua parte mas o sistema como um
todo tem que fazer sua parte ou seja a gente precisa avançar para um para uma responsabilização da dessas cadeias das empresas que se beneficiam do trabalho escravo ã através da das Nações Unidas a debate sobre isso em Genebra ah sobre a questão da da responsabilidade obrigatória vinculante né Uhum ah para que as pessoas empresas sejam obrigadas a se comportar seguindo padrões de direitos humanos internacionais mas é claro que o debate é muito difícil e muito difícil não só por países por países grandes né que não querem ver suas empresas punidas né e muitas vezes o
Brasil também não quer então é complicado mas a gente vai ter que avançar sempre nesses dois nesses dois cenários tanto Nacional quanto internacional o Brasil pode ser exemplo para o combate ao trabalho escravo eu acho que a há uma abertura para uma troca de experiências Brasil aprendendo O que há do lado de fora e fora aprendendo o que é o lado de dentro agora Tem certas coisas que são na verdade o caso brasileiro ele é visto muitas vezes como um caso muito difícil de ser replicado na sua totalidade é claro que algumas algunas experiências né
Alguns alguns elementos são T sido eh estudado tem sido buscando replicar como por exemplo a lista suja do trabalho escravo que é o cadastro de empregadores flagrados cometendo esse crime criada pelo governo em 2003 né que é um é um cadastro uma lista de empregadores flagrados com trabalho escravo que é um instrumento importantíssimo para garantir transparência né Para que o setor produtivo brasileiro inclusive Olhe veja o que está acontecendo possa tomar medidas né Eh pro gerenciamento do risco para para tudo isso mais então Ou seja a lista surja ela é dada ela é busca ser
copiada né tudo com um instrumento de Transparência importantíssimo agora é claro que tem limitações porque por exemplo a o Brasil ele tem um sistema de fiscalização um sistema de fiscalização eh do trabalho eh que apesar também de de tá perdendo o número de de de profissionais que tá reduzindo o número de profissionais que tá tendo problema para repor essa quantidade que tem problemas de recursos para fiscalização ano a ano apesar disso ele ainda tem um sistema forte de fiscalização que é a base do combate trabalho escravo no Brasil ou seja a verificação de denúncias e
o resgate de trabalhadores onde foi constatado o trabalho escravo então o Brasil tem né Tem mais de 2000 fiscais de trabalho atuando nacionalmente e isso Isso é uma uma diferencial com muitos lugares em outros países você tem a figura do auditor fiscal do trabalho sim mas não eh como no Brasil Diferentemente do Brasil que ao mesmo tempo você tem nós temos também eh outros lugares os fiscais de trabalho não existindo né ou existindo numa função diferente então a base do combate trabalho escravo no Brasil que é exatamente a execução a colocar em prática a lei
n pessoal chama de Law enforcement colocar em prática a lei através de funcionários públicos em outros países você não tem então Então muitos países tem que adotar por exemplo o combate a trabalho escravo partindo da ação de empresas né as empresas sendo eh eh instadas a demonstrar compromissos ou combater esse esse esse problema Ou seja é eh por quê Porque você às vezes não tem dados de fiscalização você não tem dados de libertação de trabalhadores então é uma é complicado não é assim simples né É uma situação cada país do mundo tem as suas peculiaridades
então a a reprodução do modelo brasileiro depende bastante da dessas características agora é mais do que a reprodução O interessante é que cada país eh consegue inspirar-se na nos exemplos dos anteriores então por exemplo a lei australiana é muito inspirada na lei inglesa que é muito inspirada na lei americana eh na le iiana digo Só que cada país acaba fazendo uma coisa diferente né acaba avançando em relação ao seu ao antecessor né acaba evoluindo Então eu acho que tem espaço para muita coisa eu acho que o essa troca internacional é é muito útil mas a
gente precisa avançar sim numa questão de responsabilização as empresas internacionais que lucram com a questão do trabalho escravos contemporâneos precisam sim ser responsabilizados está ouvindo a entrevista com o jornalista Leonardo sacamoto militante no combate ao trabalho escravo desde 1999 este ano ele lançou o livro escravidão contemporânea que reúne textos de especialistas no assunto do mundo todo o contexto de lançamento do livro é não é importante dizer que o pessoal fala assim não isso aqui é uma obra para bater no governo bater no Gover S um alra para contar uma história uma para contar a história
do combate escravidão contemporâneo no Brasil a gente tem uma o Brasil ele foi Claro vítima de mais de 300 anos de de trabalho escravo Ah no modelo Colonial Imperial E é claro que isso nos deixou marcas né Mas é claro que uma parte daquele trabalho escravo ele se ele ele ele que existia naquela época ele se ele se mantém não mais através da nuen do estado o estado não garante mais a propriedade de uma pessoa por outra mas ele eh manteve-se situações que ã são semelhantes ao trabalho escravo daquela época ou seja análogas ao trabalho
escravo daquela época porém sem mais o direito de propriedade esse trabalho escravo contemporâneo apesar de ser alvo de de de livros técnicos jurídicos Você tem uma Você tem uma expressão muito grande disso você tem uma uma discussão muito grande dentro da área técnica e jurídica Você tem muitos juizz muitos Procuradores muitos advogados que escreveram livros sobre isso agora a questão de como o risco se coloca pra sociedade de uma maneira Amp que inclui a questão jurídica mas não se resume a ela é o que a gente pretende gente pretende contar a história que a gente
conta conta a história do trabalho escravo contemporâneo no Brasil né como ele se mantém hoje baseado no que ele se mantém hoje qual que é a qual que é a a no que que ele se baseia a quem ele traz a lucratividade a gente conta porque na prática o trabalho escravo ainda existe o que que é feito para combater E por que que é tão difícil combater também o trabalho escravo contemporâneo para isso né a gente tenta mostrar grosso modo a gente também tenta mostrar no livro Uma coisa que é eh o trabalho escrav contemporâneo
muitas vezes é visto como uma doença que tem que ser erradicada porque ela sobreviveu à expansão do capitalismo e na verdade na verdade o trabalho escravo contemporâneo ela acaba se tornando ela acaba sendo na prática uma ferramenta que determinados Empreendimentos dentro do capitalismo usa usam para eh se expandir ou para obter maior lucratividade né ela não é um um ela não é um desvio do sistema ela é uma ferramenta do sistema uhum esse que é o ponto ah mas na época antigamente não era diferente mas é lógico eu já tive várias discussões com professores de
Economia que falam Ah mas é bobagem se o trabalho escravo fosse o padrão a economia não funcionava sim mas o trabalho ela escrav ela lateral para determinadas atividades ele não é central e nem pode ser Central sim e ele é diferente do trabalho escravo que havia na época da do da Colônia do império o trabalho escravo Ah mas não havia capitalismo tal pode até discutir isso mas a questão não é a questão é que é um trabalho escravo diferente é um trabalho escravo diferente o o capitalismo ele tem uma característica muito boa rambur já dizer
isso que ele n da expansão ele vai ele vai na verdade eh encontrando as realidades né externas a ele trazendo Essa realidade para dentro inclusive eh eh eh eh e utilizando recursos dessas realidades eh através da sua ressignificação ele transforma Pega essas formas de exploração e utiliza elas não mais na lógica antiga mas numa lógica de acúmulo né ou de acúmulo ou de expansão então a ideia dessa dessa Ou seja a questão do trabalho escravo contemporâneo eh e acho que o tema central aqui o trabal escravo ele não é doença ele é sintoma sim ele
não é uma doença ele é um sintoma não é que uma doença que ser erradicada el é um sintoma sintoma de que o corpo não tá legal e o corpo não tá legal é a sociedade a sociedade o modo de produção o modelo de desenvolvimento e essa é a é a é o termo mais importante trabalho escravo é sintoma de um modelo de desenvolvimento com problemas né E é isso que vem precisa ser combatido então ah precisa ser combatido o pessoal que é escravizado em nome do Progresso né ou seja aí nome do lucro os
autores do livro A gente chamou especialista por exemplo o o o André Roston que abre com a história ele foi coordenador da da fiscalização do trabalho escravo no Brasil por muitos anos uma pessoa que entende muito ele fez um capítulo bem humano para tentar explicar o que que é Ah o que que é na prática flagrar trabalho escravo depois o Mike dwit que é o que foi diretor da aner International uma das principais Homes do mundo de combate trabalho escravo a mais antiga na verdade é a mais antiga organização não governamental de direitos humanos do
mundo né Tem quase 200 anos né e é é é uma on que é tão absurdo que é uma on que ajudou a ao combate ao trabalho escravo Transatlântico no Brasil lá na ter 200 anos sabe é uma pessoal que tá aí há muito tempo já e tal fo da Internacional ele ajuda explicar como é que a as leis do mundo evoluíram para proibir o trabalho escravo né Ricardo Rezende que é o ele é um dos maiores especialistas também no país ele é padre foi da comissão para sala da terra é ligado a trabalhou na
Amazônia durante década durante ditadura é exatamente combatendo trabalho escravo sendo ameaçado de morte Mas ele também é antropólogo e professor da do frj Então hoje né então ele ele mostra como o como a lei aura não foi capaz de de erradicar essa outra forma de escravidão nós temos depois e pessoas do mundo Jurídico Thiago Cavalcante ele é ele é ele é Procurador do trabalho coordenou o combate trabalho escravo no Ministério Público do Trabalho Ele explica o que que é juridicamente as leis que que é feito para combater o Renato bign que é um auditor fiscal
do trabalho né também foi ele é um dos criadores do combate trabalho ele é o criador do combate trabalho escrava do setor texto no Brasil ele é ele é ele fala como é que Mas também ele é doutor pela Universidade por por tá tá na que universidade complutense de Madrid e ele é ele atua ele mostra o que como é que os outros países vem fazendo para combater o trabalho escravo nas suas Áreas daa fam a gente também trouxe a cobama Gregor e a fabila mieres que acaba explicando como é que a falta de liberdade
na relação trabalhista né e com a falta Liberdade nessas cadeias produtivas ajuda a explicar um pouco a questão no trabalho escravo no Brasil e no mundo né o o Kevin Bales que ah o Xavier plar que é também coordenador da da comissão passar da terra tá também é francês é Frei dominicano mas ao mesmo tempo é formado pela ciência em Paris né e e e trabalha gera estatísticas anualmente do combate do trabalho escravo junto com a Natália suzuk ele eh mostra o perfil Quem é esse sujeito quem é a pessoa escravizada no Brasil né Eh
trata um perfil detalhado daí Kevin B que é o maior depois o Kevin B que é o maior especialista em trabalho escravo no mundo né Ele é considerado o maior especialista ele lançou o último livro dele tinha lançado da relação do trabalho escravo e do meio ambiente trabalho escravo e mudanças climáticas aí ele traz essa discussão para dentro porque é uma coisa que as pessoas não percebem mas trabalho escravo é usado para eh atividades ligadas ao trabalho escravo acabam contribuindo com o aquecimento global então ele traz essa essa discussão para dentro e eh depois por
fim a a a Raí Alves né que também ela foi da ela foi representante da OAB na comissão nacional para erradicação do trabalho escravo mestre em direito né E ela eh ela analisa o racismo né no trabalho exato contemporâneo né Eh Porque apesar da de você não ter mais o condicionante da cor da pele para escravizar alguém na prática temos uma maioria de negros uma maioria muito maior de negros escravizados do que a maioria de negros da cidade brasileira por quê Porque você tem na verdade uma dívida estó que não paga que faz com que
hoje se escraviza o pobre mas o pobre é negro como combater o trabalho escravo eu acho que a gente tem que tem tem que ter duas coisas eu acho que a gente tem que ser eh ligeiramente Não muito né mas claro mas ligeiramente pessimista na análise na avaliação né mas temos que ser otimistas na ação né acho que tem que fazer essa dobradinha porque senão também é aquela coisa ficar naquele otimismo desenfreado não tudo vai ser lindo vamos dar os braços o mundo vai assim aí você se decepcionar rápido e isso sai fora eu tô
eu eu eu atuo no combate do trabalho escravo cubro acompanho milito tudo desde 1999 então isso lá se vai já 21 anos né Ah acho que todo mundo que tá no combate trabalho escravo ele só continua durante tanto tempo assim por conta de uma certa desconfiança sabe de uma coisa do tipo nós temos que Celebrar as nossas vitórias nós temos que Celebrar nossas conquistas elas acontecem dizer que nada mudou aí vem o pessoal que acaba por exemplo acabou de entrar ou tá há pouco tempo atuando no tema fala não nada mudou nos últimos 20 anos
é caa de uma ofensa o movimento social porque se as coisas mudaram se um pouco essas coisas mudaram todos esses anos foi exatamente porque as pessoas resolveram não ficar de mãos eh braços cruzados e resolveram fazer a diferença então sim o combate a trabalho escravo eh mudou a gente nos últimos no último qu de século né porque nesse ano nós celebramos 25 anos do sistema de combate trabalho escravo né ser uns 25 anos da do nascimento dos grupos móveis de fiscalização do ministério do trabalho agora eh mudou sim mas é claro que falta muito mudar
eu acho que a gente tem que vê a história não como uma linha reta as pessoas na verdade gostam elas passam pelos bancos escolares Mas elas acabam esquecendo da do processo di dialético sabe da as coisas vê e vão você conquista você tem retrocessos a história num caminha em linha reta né a história não acabou e nem linha reta né a gente tem uma eh conquistas retrocessos conquistas retrocessos isso vai isso vai agindo tipo eu não talvez a gente não veja o fim do trabalho escravo no mundo no nosso tempo de vida mas eu acho
até porque também é o seguinte a gente consegue reduzir significativamente o o trabalho escravo mas eh a gente não consegue zerar porque zerar demandaria inclusive mudanças estruturais na própria no próprio no próprio sistema né você tem que eh como eu falei o trabalho escravo ele é antigo mas o trabalho esc contemporâneo ele é uma consequência também do capitalismo então é claro que é difícil não vai não vai dizer ah eh eh as coisas são vão acabar de uma hora para outra não vai levar tempo agora é possível pergunto é possível erradicar o trabalho escravo é
possível erradicar o trabalho escravo é possível passo aqui é possível sim agora só que tipo não queiram isso agora no mundo é claro a gente tem que continuar lutando para impedir que as pessoas seja escravizada continuar lutando para que a fiscalização continue libertando as vítimas e continuar lutando para mudar o sistema que acaba garantindo que o trabalho escravo continua existindo só que a gente tem que estar em mente que a gente tá num processo no meio de um processo em que você tem um uma um um reconhecimento da Extrema direita no mundo e isso tem
se levado em consideração né tipo não tô falando Ah o trabalho escravo ele tá ligado à extrema direita de certa forma porque o que acontece você tem O quê você tem uma a tentativa de enfraquecer o estado e o estado os estados nacionais são eh os atores fundamentais desse processo pessoas falar ah são as empresas não são os estados né é a fiscalização Então o que acontece fiscalização não só porque tem a gente tá falando de fiscalização fiscalização parece que é uma se a gente só D força pra fiscalização eh O resultado vai ser o
que um estado ah o trabalho escrava é um problema de polícia não não é é um problema principalmente do que você tem uma Miria de um Rosário de pessoas pobres né que que na verdade aceitam esse tipo de trabalho são empurrados para esse tipo de trabalho para essas condições de trabalho porque elas não têm outras opções de vida sim então você tem que em primeiro lugar o Brasil e acho que o Brasil avançou muito no combate do trabalho escravo através da da de você botar a lei e em prática né de você fiscalizar de você
punir economicamente ainda falta bastante não tem tanta gente na cabia pro trabalho escravo mas pelo menos tem muita gente que foi eh punido economicamente por trabalho escravo seja por boicote seja por ação do Ministério Público só que o que a gente precisa agora é avançar em uma coisa que é pouco a gente avançou mas avançou pouco que é a questão da do do você melhorar a qualidade de vida das pessoas para que elas não precisem procurar ah saídas que muitas vezes coloca em risco sua dignidade você acabou de conferir a entrevista com o jornalista Leonardo
sacamoto a mais de duas décadas ele está à frente da repórter Brasil uma das principais organizações de combate ao trabalho escravo contemporâneo no país este ano o jornalista lançou o livro escravidão contemporânea a obra reúne textos de especialistas no assunto do mundo todo para conferir mais entrevistas como essa acesse o Brasil de fato entrevista no Spotify vai no Deer ou no iTunes ou inscreva-se no nosso canal no YouTube para receber as notificações apresentação e reportagem Nara Lacerda edição André parochi e Lucas Weber coordenação Camila Salmo direção Beatriz pascoalino e Nina Fideles Brasil de fato entrevista
[Música]