Nativas compartilhadas, que o prazer que continuarão tendo, Fernanda Maia, que a balada conta pra nós um pouco da criação do grupo e do Núcleo Experimental de Teatro a partir do GTA. Então, vamos lá, Fernanda, conta da nossa história do Núcleo Experimental de Teatro! Pois é, nós saímos de Sorocaba com o GDA, como Grupo Drmático Alternativo, viemos para São Paulo, fizemos muito, fizemos várias temporadas aqui.
E aí, um grupo de teatro é uma coisa que vai sendo forjada pelo tempo, né? Essa parceria tem 27 anos, 40 anos, não é? E nós não estávamos nessa atividade, ficando em cartazes, e aí nós recebemos o convite para trabalhar no Teatro Augusta.
O Teatro Augusta, na época, estava começando o Núcleo Experimental. O José teve essa ideia, inclusive, de oferecer o teatro. E aí o teatro, assim: "Vamos fazer um núcleo aqui de teatro experimental".
Por que experimental? Porque a gente queria trabalhar com outras possibilidades, como também de interação com música, teatro, outros tipos de exploração de textos novos. Não fazer só o teatro comercial, mas um teatro investigativo, como investigação de linguagem.
Também, obviamente, resultava em trabalhos em peças que ficavam em cartazes, que eram montadas, mas que era um trabalho de pesquisa investigativa. Ficamos um tempo lá no Teatro Augusta, montamos "Candidato Berganti", "Choque", foi um espetáculo que rodou o país. Foi tratado lá no Teatro Augusta, em qualquer fase, em outros teatros em São Paulo.
Montamos uma demanda que a gente tinha, muito de Sorocaba, a gente queria montar "A Senhora dos Afogados", ainda com músicas, né? Então, fizemos aqui "O Senhor advogado" de Nelson Rodrigues, com músicas brasileiras. O espetáculo também foi ao Rio de Janeiro e ficou muito tempo em cartaz em São Paulo.
E, por uma série de questões práticas também, a gente acabou saindo do Teatro Augusta. O que era o Núcleo Experimental do Teatro Augusta virou simplesmente Núcleo Experimental. Nós tínhamos necessidade de ter um local, um espaço onde nós pudéssemos trabalhar, ensaiar, nosso material de produção.
Então, nós alugamos uma sala, uma pequena sala na Rua Major Sertório. Aqui embaixo, essa sala não existe mais; ela foi demolida. Hoje, ela é um estacionamento.
Então, durante alguns anos, nós ficamos nessa sala. Nós colocamos dinheiro nisso, nós pagávamos aluguel para poder ensaiar, para poder dar oficina, para poder ter o nosso espaço de criação e pesquisa. Tínhamos nosso escritório de produção lá.
E aí, num certo momento, nós percebemos que as pautas de teatro estavam caríssimas. Então, para ir pro teatro, precisava pagar muito uma pauta. Nesse momento, a gente sentiu que, com esses preços das pautas de teatro, a gente conseguiria uma sede onde pudéssemos nos apresentar também.
E aí, o Zé teve a ideia de procurar um galpão, um lugar onde a gente pudesse ter um escritório, onde pudéssemos ter as nossas oficinas, o nosso local de ensaio, onde pudéssemos guardar o nosso cenário. Porque a gente pagava lugares pra guardar o cenário. E aí nós achamos um lugar na Barra Funda, onde fundamos o Teatro do Núcleo Experimental, né?
É um teatro pequeno, de 65 lugares. Este ato tem sete anos; ele foi inaugurado no dia 8 de março de 2012. No dia 6 de maio de 2012, eu perdi minha mãe e estávamos em cartaz com a primeira peça, que entrou em cartaz, que foi "As Troianas - Vozes da Guerra", que falava sobre as mulheres, né?
Nós fizemos uma pesquisa muito linda; as mulheres eram os prisioneiros de guerra. E eu fiz um apanhado de canções, funções domésticas, canções das mulheres que eram cantadas em países que foram assolados por guerras no século 21. As mulheres cantavam em japonês, em grego, entre muitos idiomas.
E a gente fez esse trabalho, que foi muito lindo e inaugurou o teatro, o Teatro do Núcleo Experimental. Mas, como eu tinha perdido minha mãe dois dias antes da estreia, eu nunca mais consegui assistir a essa peça. Eu nunca mais vi.
Eu trabalhei com ela, nós saímos, estreitamos no SESC, na Avenida Paulista, fizemos, fomos para festivais, fomos para a Neve. Aí, quando a peça estreou, eu falei: "Eu venho, eu faço o aquecimento das atrizes, eu passo o repertório, faço o meu trabalho. " E, na hora que elas começaram a apresentar, só ficava no café.
Netinho ficava fora da sala, eu não consegui mais ver direto e ouvir as músicas pela porta. Ouvi as músicas, e aí eu vi que ela estava cantando. Eu sabia que eu tinha que corrigir, trabalhar no dia seguinte, mas eu não consegui mais ver a peça.
Esse espaço, ele começou de uma maneira muito pouco pretensiosa, sabe? A gente falou: "Bom, tem recurso para um ano, mas vão ficar um ano neste teatro. Então, daqui a um ano, desapega, porque nós não temos limpa.
" Mais do que isso. Só que aí a gente se inscreveu em uma coisa muito importante aqui para São Paulo, e eu acho que é muito importante para qualquer lugar: um projeto, uma política pública chamada "Fomento ao Teatro", da Prefeitura Municipal de São Paulo. É uma política pública que destina recursos para um projeto.
Então, você apresenta o projeto para a Secretaria da Cultura. Esse projeto pode durar de seis meses a um ano. Nós apresentamos um projeto de um ano, e esse projeto pode contar com a manutenção.
Através desse projeto, muitos grupos tiveram as suas séries. São Paulo floresceu como a terra do teatro de grupo, né? Então, esse teatro que podia ter uma data para terminar, pra fechar, para dar um fim ao ano, ele continua por mais um ano porque nós fomos contemplados com esse projeto.
O aluguel está alugado, ele é um galpão. Na Rua Barra Funda, 637, embaixo do prédio, uma monja, né? Foi a uma gráfica lá e, aí, nós temos mantido esse espaço.
O teatro já tem sete anos e ele tem sido lembrado como um dos lugares, um dos pontos de cultura importantes da cidade de São Paulo. Ele é um espaço que já tem um público. As coisas que estão.
. . Nós começamos a abrir para outros grupos também, porque a gente não pode manter o espaço e o teatro.
Hoje, ele é mantido de que maneira? Com oficinas que nós damos. Eu, Zé e Aranha, que é uma grande preparadora de atores.
Aquele de São Paulo, acho que eu, o Fábio Randi, o convite. . .
Hoje, o Frango Barros, que é dominador, tal. Então, o francês. .
. Todo o projeto de luz, nós temos mais de 100 refletores, tem pouco. .
. Tem material de luz ali, muito bacana. Nós fomos construindo esse espaço e sempre pensando: "Bom, esse ano é a última e eles.
. . " Isso, ele conseguia ficar mais um ano, né?
Teve um ano que a gente pensou: "Agora não dá, agora a gente vai ter que fechar. " Aí, vamos ver se a gente. .
. Temos um acervo enorme de figurinos, enorme. A gente tem mais de três mil peças, que a gente consegue.
. . Roupas que já caíram, as pessoas lá, tal.
Fantasia de baiana. Minha filha não tem onde guardar, e eu, que todas as copas de futebol. .
. Fiz uma limpeza no guarda-roupa. Tomamos office.
Enfim, a gente foi recolhendo essas peças, porque essas peças de roupa, cenário, mobiliário. . .
Tinha mobília e objetos de cena. Não sei, fazer um bazar para a gente continuar solteiro. Fizemos um bazar, a gente também não tinha mais espaço pra lá, né?
Era tanta coisa a jogo que nós não. . .
Não vamos vender, então fizemos um bazar, conseguimos angariar fundos para ficar mais um tempo por causa desse bazar, né? E, aí, continuando com. .
. Quando a gente faz um projeto de patrocínio, a gente destina uma parte desse patrocínio para o aluguel da sala. E, aí, um dos momentos muito marcantes desse teatro foi quando a gente conseguiu.
. . Foi um divisor de águas na cidade de São Paulo montar um musical, um blog chamado "Original, o Musical", dentro desse teatro de 65 pessoas.
Aquilo virou uma febre, as pessoas se apegam para assistir todas as sessões, lotadas assim: fila, fila, fila! Esgotava! Porque, nessa época, os musicais estavam muito em moda em São Paulo, mas os grandes musicais, com orçamentos muito grandes, de milhões e tal, com os famosos e tal.
E a gente se inscreveu também em uma política pública chamada Prêmio Renato e nós conseguimos montar esse musical com 15 atores, 5 músicos, com uma equipe de sonorização, com 200 mil reais. Não sei, até hoje não sei como já fiz esse musical. Seu interesse não foi tido como o melhor musical em cartaz em São Paulo naquele ano, foi em 2015.
Então, esse espaço, aí, ele está. . .
Ele tem tido um papel marcante na cena paulistana. Atualmente, nós também alugamos a pauta. A gente pra outros grupos vão pra lá porque perceberam que o espaço é um espaço importante, que existe uma procura do público, né?
Existe uma. . .
uma coisa. O público sabe que o que vai para o teatro tem qualidade, né? A gente tem uma curadoria que seleciona os espetáculos.
Agora, nós estamos lá com o espetáculo "Casas Submersas", da Velha Companhia, né? E esse espetáculo não lhe abriu as portas para uma série de pequenos musicais de pequeno e médio porte que também estão ganhando espaço que, em São Paulo, né? Neste momento, são as peças que você está envolvida.
O Gum fez a direção musical desse espetáculo da Denise Fraga chamado "Eu de Você", que está em cartaz no Teatro Vivo. Tivemos uma encomenda muito interessante de transformar "Chaves", o ídolo que estreou há 35 anos no Brasil, num musical. Criação do Roberto Gomes Bolanhas, não é?
É um comediante que eu acho que é um palhaço mexicano. Então, nós tivemos essa demanda e esse grupo do filho. .
. Hoje, ele é gerido pelo filho do Roberto Gomes Bolanhas. O filho, veio, a família veio do México, assistiu a esse musical e ficou encantada, se emocionou e fez a direção musical e o texto.
Estou trabalhando, fiz. . .
Acabei de fazer um texto também para uma fundação de Campos do Jordão, que está montando um musical sobre Santos Dumont. Existe uma fundação chamada Lia Maria Aguiar, que tem uma produção de musicais, de uma escola de musicais. Então, eles contratam atores paulistanos, atores com bastante experiência e bons atores, eles levam para contracenar com seus alunos.
É um espetáculo que deve estrear agora em novembro, no dia 22 de novembro, vai fazer uma temporada em Campos do Jordão e depois nem para São Paulo. Chama "Além do Ar". Escrevi esse roteiro.
Que mais? Tenho dado oficinas, fui envolvida nesse projeto de formação de professores de arte-educação e estamos prospectando as coisas para o ano que vem, né? Esse ano teve "Cangaceiras", que foi com as cenas, as guerreiras do sertão, que foi muito incrível e prospectando novas possibilidades para o ano que vem.
Ainda não saberia dizer exatamente o que temos. Estamos com várias coisas engatilhadas e vamos ver o que vai decolar. Prova que vem é.
. . Eu não preciso perguntar a você se você é uma pessoa realizada na sua função, a gente já sabe que você é muito feliz aqui, se faz dedicada, envolvida.
Então, é de uma. . .
Como se diz assim. . .
Antes de nós fecharmos, não é? Essa é a nossa conversa. Já o Ceará.
. . Sem dúvida, por que você gostaria ainda de dizer para nós?
É muito curioso, a gente fala assim: "Eu sou uma pessoa. . .
" Realizada sempre alguma coisa além para se realizar. Eu acho que eu sou a pessoa a se realizar. Eu estou muito feliz com o que estou fazendo, muito feliz, muito contente.
Estou muito feliz de estar onde estou, convivendo com as pessoas com quem convivo. É, acho que eu achei os meus pares lidando com coisas criativas. Eu tenho uma.
. . cada vez que eu entro no teatro novo, eu vou trabalhar, né?
Porque já trabalhei em muitos teatros aqui em São Paulo, né? O teatro que eu frequentava, o espectador aí olhava. A nossa cultura é incrível trabalhar com este ato, e depois voltei a trabalhar naquele teatro, com aquelas pessoas, com outras pessoas, pessoas que foram meus mestres, Nephu, dirigir pessoas que foram meus mestres.
Então, isso é um privilégio muito grande. Eu tenho por hábito, cada vez que eu entro em um teatro novo, fazer uma oração em agradecimento por trabalhar num lugar tão incrível, tão mágico. Tanta gente trabalha onde não gosta, por mil motivos, porque às vezes nem descobriu ainda o que quer, o que gosta, por falta de opção.
E eu também fui trazida a este lugar por uma questão de necessidade. Eu fui, as oportunidades foram aparecendo, e eu precisava delas. Eu precisava.
E o cheiro do meu pai, que dizia: "Sapo não pula por boniteza, pula por precisão. " Eu acho que, pela precisão, eu fui colocada nesse lugar de criação, onde eu posso me expressar através da palavra, onde eu posso expressar através da música. Aquela criança, né, que nasceu na cidade do interior, sendo menina numa sociedade repressora, porque vivia uma ditadura e machista, porque nós vivemos numa sociedade machista.
Aquela menina que ia. . .
muito pode falar, né? Ela pode falar agora, ela pode ser ouvida agora. Naquela época, não era muito ouvida.
Não, tão já que ela não era muito ouvida, foi Milena, foi o vi, foi ouvir, foi escutada. Show, já que ninguém escuta, deixou lei e fechou os. Deixa escutar também em nós.
Foi muito importante ouvir, foi muito importante ler e ver o que as pessoas fizeram. Foi muito, foi muito importante, né? Eu sinto muita tristeza por estarmos vivendo no momento em que os artistas são marginalizados, em que a arte é colocada não em segundo plano, mas como uma inimiga da sociedade.
É por um estado promover um perverso, né? Isso lamento muito e eu acho que isso contribui muito para que eu não me sinta realizada, mas com um trabalho muito grande a ser feito, e principalmente no sentido de acolher os jovens que queiram trabalhar com arte. Eu acho que, nesse lugar, nesse país, com esse.
. . como a gente vive, ter jovens que queiram trabalhar com arte é obrigação da gente.
Eu quero agradecer muito, porque foi uma honra, não é? Um prazer, uma delícia, receber você na minha casa e ganhar uma jericã e perfumado. E eu espero que esse trabalho ganhe horizontes, mundo, novas paragens.
E quem foi, tenho certeza que ele está fazendo muita gente me apaixonar. Agradeço muito. Muito obrigado pelo seu carinho constante.
Desde que conheço você, sempre foi muito receptivo, carinhoso, uma pessoa tímida e muito pela sua inteligência e sensibilidade, por todos os trabalhos que estão sendo feitos. Obrigado por isso que você tem feito para todos nós, acima da nossa sociedade.