[Música] [Aplausos] [Música] [Aplausos] você está ouvindo o história [Música] FM história da psiquiatria Você já pensou em aprender sobre a história do campo desse Campo que é a psiquiatria que é tão importante no mundo contemporâneo e que claro levanta muitos Debates e polêmicas também eu sou igles Rodrigues e hoje para falar sobre o assunto eu convidei Ana Terra de Leon a quem eu passo a palavra para se apresentar para vocês então Ana seja bem-vinda ao stor FM Fique à vontade para se apresentar pro pessoal Olá pessoal bom dia boa tarde boa noite Qualquer que seja
o turno do dia que você vai ouvir este Episódio o meu nome é na terra de Leon Eu Sou historiadora professora de história eh me formei pela Universidade do Estado de Santa Catarina aesc eh e depois eu fiz um mestrado também em história pela Universidade Federal de Santa Catarina e eu também tenho uma pós-graduação em linguagem e poética da dança pela Furb que não é nem um pouco relevante pro assunto de hoje mas que eu gosto de falar porque eu me orgulho muito desta multidisciplinaridade do meu currículo eh eu venho trabalhando com história da psiquiatria
desde a época da graduação e Nos últimos anos venho oferecido cursos livres acerca desse tema dialogando bastante com as pessoas neste mundo selvagem da internet e hoje vou discutir um pouquinho eh das minhas pesquisas com vocês muito obrigada iis pelo espaço e espero que vocês gostem do que a gente vai conversar hoje então é isso vamos conhecer um pouco mais da história da psiqui Depois que eu falar para vocês da nossa campanha na [Música] po afinal de contas é a campanha da AP que financia esse podcast como eu sempre digo aqui mas é sempre bom
repetir porque pode ter alguém chegando novo né a nossa campanha do apoia financia o história FM e você pode apoiar com qualquer valor em apoia.se bar obrigahistória qualquer valor a partir de R 2 como é que funciona você entra no ap faz o seu cadastro faz o apoio no nosso projeto escolhe o método de Pagamento tipo boleto cartão etc e aí todo mês você recebe a cobrança automática no cartão ou você recebe boleto para pagar e a partir de R 2 por mês você já financia esse projeto você tem o seu nome lido aqui quando
você é novo apoiador tem acesso ao mural com as novidades lá na po R 5 por mês você ouve os Episódios com antecedência R 10 por mês você tem acesso aos roteiros do histó FM os roteiros das perguntas que estão sendo postados aos poucos e os Nossos novos apoiadores e apoiadoras São Gustavo Alencar Dionísio tesluk Indiamara deone Rafael Barone S Klein eice Souza Ian Schneider Vinicius Carvalhos cib Correa Jessica gorgel erbach Lucas Pinheiro Luiz mora Evely Pacheco Fábio Diniz Mariana Queiroz e Cristiano Lima Muito obrigado pessoal são vocês que financi esse projeto se você quiser
financiar também é só acessar apoia.se barria e fazer a sua colaboração Ou se quiser fazer de outro Jeito sem as recompensas você pode fazer isso Pela chave P leitura obrigahistória @gmail.com [Música] d a senhora que trabalhou tantos anos com a loucura como é que a senhora vê a loucura é apenas uma questão médica ou é muito mais do que isso creio que é muito mais que isso se há muitos casos que se enquadram no modelo médico outros grande número extrapolam do modelo médico tantas são as diferenças que existem Entre aqueles rotulados de [Aplausos] [Música] loucos
bom eh o objetivo desse Episódio É apresentar um Panorama a respeito da história da psiquiatria desde as origens passando pelo Brasil a gente vai entrar na tua pesquisa também mais adiante e eu queria entender também um pouco a metodologia que a história pode oferecer para contribuir para o debate que tá Crescendo nos últimos anos que é a questão da Saúde Mental enfim tem bastante assunto hoje e para começar eu queria te perguntar qual é a definição de Psiquiatria e é importante né a gente tocar nesse assunto porque muita gente confunde psicologia e psiquiatria né então
qual é a definição exatamente de Psiquiatria e essa definição ela foi sempre a mesma Olha sinceramente essa pergunta é muito difícil de responder e já vou começar sendo meio polêmica Eh e dizer que eu acredito inclusive que se você perguntar para muitas pessoas da psiquiatria e da Psicologia elas Talvez tenham dificuldade de responder também e talvez não saibam responder né Eh de maneira geral e tentando não me comprometer muito a princípio né a diferença fundamental é que a psiquiatria se pretende a ser uma especialidade da Medicina enquanto a psicologia é uma área completamente diferente né
que tem um desenvolvimento Que muitas vezes evidentemente vai conversar com a psiquiatria mas que é completamente diferente e independente né Hã ambas lidam com aspectos que normalmente são entendidos como subjetivos da experiência humana mas enquanto a psiquiatria de uma maneira geral vai Observar isso enquanto algo do campo do corpo biológico pensando o transtorno Então como algo que escapa o funcionamento normal o funcionamento esperado do cérebro e Trabalhar principalmente com vias medicamentosas a psicologia embora também possa partir do mesmo princípio né e isso vai depender das abordagens né ela vai se preocupar em observar e intervir
atuando no comportamento eh pela via da fala então ela vai se apoiar numa terapêutica da fala e e ou né no acompanhamento do quadro do paciente ou dos grupos de pacientes ou clientes ou analisando se for alguém orientado pela psicanálise por exemplo ou usuário enfim O nome né que o profissional for for dar para isso e geralmente o acompanhamento periódico né geralmente é semanal ã na psiquiatria Aí a gente vê uma uma diferença até de atuação esse acompanhamento semanal por exemplo não é muito comum ele funciona como a maioria das clínicas médicas né Ah se
você tem um problema de um sistema x sei lá sistema digestivo e aí você vai ao médico dali algumas semanas você tem um retorno para trazer exames para ele Acompanhar o caso mas não é um acompanhamento semanal do seu quadro etc etc agora me comprometendo um pouco mais eu falei que eu não ia me comprometer mas aí agora eu vou me comprometer e oferecendo uma visão que parte de uma interpretação que é particular minha mas que também é partilhada com outros estudiosos do tema eu poderia dizer que atualmente e como t dos últimos 150 anos
pelo menos a psiquiatria se concentra em transformar aspectos do que a gente Convencionou chamar nos últimos anos de saúde mental em questões ligadas ao campo do biológico perceba que eu tô chamando de transformar né e não simplesmente de descobrir porque eu tenho o entendimento de que existe uma produção aí né que não é simplesmente uma uma coisa que eu observo e descrevo tal qual ela é existe uma construção aí a gente vai falar um pouquinho disso mais paraa frente então nesse sentido a clínica as terapêuticas As instituições Psiquiátricas vão ser mais focadas na atuação com
medicamento com a própria internação e com a tipificação dos comportamentos como sintomas de transtornos né o que eu tô querendo dizer com isso é que do ponto de vista da prática da psiquiatria pelo menos aquela que é hegemônica né as questões de saúde mental elas estão localizadas num num léxico elas são explicadas por um por um vocabulário que se dá em termos de respostas neurais de Explicações de características cerebrais em relação de causalidade geralmente até aparecem explicações que no campo formal se apresentam como multifatoriais por exemplo a gente tem o manual diagnóstico estatístico de transtornos
mentais que guia boa parte né da atuação dos psiquiatras hoje em dia é um um um manual que é produzido por uma associação que chama Associação americana de psiquiatria mas que tem correspondência inclusive com Psiquiatras pesquisadores de outras áreas do mundo e que tem uma abrangência bem grande assim muita gente usa hoje em dia esse manual né lá vai aparecer que os transtornos são multifatoriais mas a gente vê que o privilégio das análises costuma ser na articulação de um discurso e de que vai incidir sobre as intervenções né sobre a realidade biológica do sujeito é
evidente que existem inúmeras formas de atuação da psiquiatria né e os psiquiatras nos seus Consultórios e nos nas instituições que eles atuam nas suas pesquisas enfim eh vão ter outras outros tipos de abordagem um exemplo histórico é a Niz da Silveira né sobre quem a gente vai comentar um pouquinho mais na frente eh e também psiquiatras que vieram depois dela e se aportaram e se aportam até hoje né na atuação dela com a arte como um alicerce da prática mas aqui eu tô falando evidentemente de uma tendência mais hegemônica eu digo que essa questão ela
É difícil de de responder justamente porque como eu disse lá no início ela é um pouco difícil até mesmo para psiquiatras e psicólogos né É difícil para eles nesses últimos anos principalmente que eu venho conversado muito com psicólogos e psiquiatras né venho dado muita aula para esses profissionais é difícil para eles muitas vezes definir o seu objeto né na psicologia Inclusive a gente vê uma variedade de abordagens que vai Justamente responder de formas diferentes essa mesma pergunta o que é a psicologia né E sobre o que que ela se preocupa a depender da linha vai
se dizer que é o estudo do comportamento ou que é o o estudo da mente ou da subjetividade E por aí vai né e cada um desses entendimentos transforma não só o fazer como a produção de conhecimento né em algo completamente diferente rolando inclusive várias discordâncias bastante acirradas para usar um eufemismo entre As diferentes abordagens né ao algumas abordagens inclusive nem partem por exemplo né da dicotomia entre mental e corporal rejeitando uma ideia de que se trata de um estudo da mente por exemplo né eles entendem isso como um mentalismo e que isso seria um
problema só que mesmo abordagens que concordam nesse sentido vão achar soluções diferentes para este problema né então basicamente você me botou numa sinuca de bico mas eu espero ter respondido mais ou menos a Questão e eu acredito que ao longo do restante da nossa conversa o entendimento pelo menos do que é a Psiquiatria e quais são as preocupações da psiquiatria vai vão ficar mais explícitos e aí agora a gente começa entrar nessa parte mais histórica mesmo porque eu queria entender a origem da psiquiatria e talvez uma maneira de se fazer isso seria talvez perguntar a
partir de personagens históricas não sei mas eu sou Leo no assunto né e para mim É um pouco difícil saber por onde começar mas eh eu queria entender assim é é correto afirmar que a história da psiquiatria tá relacionada com alguma nova forma de encarar o que popularmente a gente conhece como loucura seria esse caso né E quando a loucura por assim dizer eu não já honestamente eu não sei se o termo loucura é usado hoje Se entrou em desuso mas eu vou usar porque é mais didático para quem tá ouvindo né enfim e aí
eu queria saber quando é que A loucura deixou de ser uma questão e ou religiosa ou moral e passou a ser vista como uma questão medicinal uma questão de saúde a gente usa assim a palavra Lou cura pensando ela como um fenômeno social né que é partilhado por diversas por diversas sociedades né ou melhor dizendo ele é encontrado em diversas sociedades e ele é caracterizado em diversas sociedades de formas diferentes né nem toda a sociedade que teve ou que tem e a identificação de de sujeitos Loucos digamos assim ela vai ter um entendimento médico ou
da loucura como uma doença né Nós vamos ter entendimentos religiosos como você colocou Morais né Eh inclusive convivendo com com entendimentos médicos né Eh então a gente pensa a loucura assim como essa categoria mais abrangente vai ter vai haver autores que não vão trabalhar com essa categoria Mas eu particularmente acho que ela é muito útil principalmente se a gente quiser Fazer uma discussão ã comparativa ou trazendo diferentes exemplos de diferentes contextos ou até mesmo na longa duração né Porque para mim E aí eu H tô muito filiada aos escritos foco chanos sobre a história da
psiquiatria né Eh para mim a gente deslocar o sentido de transtorno por exemplo que a gente tem hoje em dia para sei lá antiguidade é uma coisa que não faz sentido porque as coisas não estavam sendo entendidas como um transtorno Estavam sendo entendidas nos diversos territórios né Eh de formas diferentes então a a palavra loucura né o termo Loucura me parece ã ser mais correto pra gente pensar esse fenômeno num geral aí Claro cada contexto específico vai ter uma forma de encarar esse fenômeno que pode ser medicinal ou não E aí entrando mais na tua
pergunta assim mesmo né Eh que só fazer um comentário ali sobre a tua dúvida Inicial eh mas entrando na tua pergunta enfim geralmente a gente Adota assim esse esse esquema explicativo né de que em algum ponto pelo menos na história ocidental E aí aqui a gente pode botar aspas no nesse termo né E pode problematizar esse termo até 2025 mas no que a gente convencionou chamar de Ocidente né ou parte de nós eh Sim a gente poderia dizer que esse esquema explicativo de que eventualmente a loucura Deixa de ser algo meramente religioso ou moral né
ou os dois eh e passa a entender como um problema médico Ele tá correto mas evidentemente que esse processo não é tão linear assim na prática e eu penso que essa é uma explicação esquemática que a gente adota para expressar um processo que é muito mais complexo né como eu disse anteriormente cada localidade vai ter a suas formulações históricas do fenômeno evidente que o surgimento dos discursos científicos que medicalizando a loucura convivem com outras concepções do fenômeno que foi uma coisa que eu Comentei anteriormente também um exemplo legal que eu gosto de dar eu falo
muito sobre isso com os meus alunos é o do trabalho conjunto do Fran fanon né que é muito famoso pelas pelos seus escritos críticos ao colonialismo críticos ao racismo e que tentam ã dar conta inclusive da dimensão psíquica do racismo né Eh e que a gente tem que lembrar que era um psiquiatra né que atuou como psiquiatra junto com o Jacques azul não sei se é assim que se Pronuncia mas vai assim mesmo e o François Sanchez eh eles têm alguns textos juntos né porque eles atuaram juntos em alguns hospitais ali da região do norte
da África notadamente Argélia e Tunísia e eles têm alguns textos que estão presentes naquele livro alienação e liberdade que foi publicado pela u editor em 2020 né Eh eles T textos ali da década de 50 em que eles falam um pouco sobre as comunidades muçulmanas tanto árabes quanto a azir sobretudo na Região do magrebe como eu tava falando antes e a forma como eles abordam a loucura né segundo a observação desses psiquiatras Geralmente os episódios de loucura nessas sociedades nesses grupos são vistos como influências espirituais de entidades externas ao sujeito e eles caracterizam essas influências
inclusive como gênios provavelmente uma referência aos jeans né enfim eles fazem isso colocando em oposição ao que eles chamam de modo ocidental de lidar com a doença Mental que apesar de ver sim a loucura como uma patologia ou seja algo como do domínio médico essa patologia não exclui uma intenção consciente ela não é vista necessariamente como o o o fundo de uma atitude agressiva ou inapropriada que esse indivíduo possa vir a ter Então no que eles chamam de modo ocidental de lidar com a loucura apesar da patologização não se coloca essa patologia como uma justificativa
para aquela idade por exemplo aquilo foi algo Que o sujeito fez e se tende a excluir esse sujeito né eu diria que isso não se dissipou mais de 70 anos depois Hoje em dia a gente ainda tem essa atitude em relação à loucura né mas enfim voltando Diferentemente Então desse modo ocidental fanon e os seus os seus companheiros né percebem que a atitude do magrebino em relação à loucura é de não só não excluir o louco do grupo como de não responsabilizar o sujeito pelos pelos transtornos que ele causa né então Passada a influência do
gênio sobre ele ele volta à posição que ele inicialmente ocupava no grupo mesmo que tenha sido necessário sei lá conter ele fisicamente amarrar né entendido que era necessário Enfim então é sempre bom lembrar que não necessariamente a medicalização é positiva né ó a polêmica ou um progresso no sentido linear da coisa né é a partir desse momento né do momento em que os hospícios surgem que eles vão ficando cada vez mais lotados com o passar dos Anos foi sob o domínio da loucura medicalizada que barbacena por exemplo foi possível né que talvez seja o caso
mais famoso eu tô dizendo tudo isso porque essa medicalização da loucura geralmente é vista pelas pessoas em geral como algo Positivo né E porque a gente costuma tratar essa medicalização como uma uma descoberta científica eh no mesmo nos mesmos termos que a descoberta da gravidade ou de um cilo ou de de um vírus e etc né Eh e é por isso que eu Gostaria de oferecer essa outra visão pra questão né de que a loucura apesar de não excluir aspectos biológicos né Nós temos um corpo nós temos necessidades fisiológicas a gente constitui uma espécie nós
respiramos nos alimentamos nós nos reproduzimos E por aí vai mas ela não é um fenômeno puramente biológico né Eh a loucura ela é também e talvez sobretudo historicamente situada né né E aí entra a importância inclusive de a gente ter Historiadores historiadoras discutindo a questão da loucura um outro exemplo de como esse processo não é linear é o caso da literatura do tratamento da histeria no Brasil no final do século XIX início do XX tem duas professoras seu não me engano as duas já são aposentadas que eu gosto muito porque elas têm uma produção brilhante
assim acerca desse tema que são a Magal go vea Engel e a Maria Clementina Pereira Cunha né gosto de citar esses clássicos assim da história Da p no Brasil porque eu sinto que eles são estudos muito bons muito sólidos e que permanecem atuais e pertinentes né Eh sobretudo para quem quer aprender metodologia a gente vai conversar um pouquinho sobre isso mais mais tarde né Eh mas então o que essas autoras observam e elas sustentam com trabalho muito minucioso assim de de de seleção de fontes é que o entendimento médico sobre a histeria formaliza alguns preceitos
e preconceitos né Morais Acerca das relações de gênero como aspectos biológicos seja pela via da explicação da histeria como uma doença relacionada ao útero e que portanto naquela época né Seria algo lido como exclusivamente feminino do campo das mulheres porque o entendimento né do que era ser mulher estava relacionado a a certos determinantes biológicos né seja pela via da explicação neurológica que permitia então que se identificasse a esia em homens né mas as mulheres mesmo Assim elas eram os alvos privilegiados dessa doença porque eles acreditavam que ela era biológica né a mulher era biológica e
moralmente mais frágil Eh aí elas vão trazer vários exemplos tem um exemplo muito interessante no trabalho espelho do mundo da Maria Clementina Pereira Cunha que ela fala de uma moça que foi internada pela polícia porque ela foi pegar o trem com roupas aspas de homem a gente não sabe se é uma questão de expressão de gênero dela não dá para Saber assim pelo pelo que a professora coloca no livro Ou se era simplesmente sei lá ela tentando viajar sozinha sem ser importunada né mas o fato é que isso foi visto como você veja um sintoma
de histeria um sintoma de uma doença de algo que tava sendo eh eh descrito como algo orgânico então é importante que a gente Observe que mesmo que haja uma medicalização da loucura né A gente vai ver que a medicalização a patologização e a moralização não são mutuamente Excludentes né Inclusive a literatura fala fala muito em tratamento moral nesses primórdios do alienismo ou prot psiquiatria né a gente vai falar um pouquinho mais detalhadamente sobre isso mais adiante mas mas é correto sim ou pelo menos me parece correto a gente dizer que existe uma medicalização da loucura
ali na Europa no final do século XVI e no início do século XIX né E que evidentemente vai e e Influenciar os países colonizados como é o caso do Brasil mas é bom ressaltar que esse processo não termina aí Ele tá em constante construção até a atualidade né E que esse tratamento moral né ele consiste em todo um sistema terapêutico né Se a gente for pegar o Felipe Pinel como um exemplo né que é um psiquiatra quer dizer um Alienista francês do final do século XVII início do XIX para ele o confinamento e o isolamento
do doente vão ser fundamentais porque ao mesmo tempo em que você afasta ele do ambiente Costumeiro você consegue oferecer medida eh de segurança pra sociedade né então você consegue observar ele num lugar digamos assim neutro nos preceitos de ciência da época a neutralidade era um ponto muito importante né em que ele não tem a influência do meio em que ele vive né E ao mesmo tempo você protege o corpo social da presença daquele daquele indivíduo problemático né Eh e isso fazia a parte da tal da terapêutica moral né Mas a gente pode falar um pouco
Mais sobre isso mais adiante espero respondido a pergunta Sim sim e você já cantou a bola pra minha próxima pergunta né porque eu queria saber um pouco mais sobre o trabalho desse francês do Felipe Pinel que me parece que é a ele atribuído o desenvolvimento do começo da psiquiatria na forma que a gente conhece hoje né E aí eu queria saber se se isso faz sentido se de fato o Pinel ele foi Pioneiro em alguma coisa e qual abrangência do trabalho dele em termos De influência e tal perfeito eu pessoalmente não gosto muito dessa coisa
de ficar procurando Pioneiro né já deve ter dado para perceber mas existe um consenso sim em torno do Pinel né e ele faz sentido então não vou ser a chata aqui ele faz sentido né mas claro como o pinu nós temos outros nomes né em outros territórios da Europa mais ou menos na mesma época né Vale lembrar que o Pinel ele era francês e a França influencia muito a produção De Patria ou de prot psiquiatria ou de alienismo aqui no Brasil nos primórdios né do alienismo no Brasil então me parece eu vou usar a palavra
natural mas espero que vocês entendam Em que sentido eu tô usando mas me parece um pouco natural que a gente Force essa barra assim de que ai o Pinel é o pai da psiquiatria Tá mas é bom a gente ter a noção de que entre o século XV e início do XIX vai ter outros caras e aí nesse momento histórico são caras mesmo né Mulheres dificilmente iam ter acesso a uma forma médica nessa época né não tenho conhecimento disso mas enfim hã como sei lá o vichenzo karud na Itália o William chuk na Inglaterra que
inclusive é citado no livro do Foucault história da loucura o Benjamin Rush nos Estados Unidos e mesmo na própria França a gente tem outros nomes atuando junto com o Pinel e às vezes até tendo brigas teóricas como é o caso do do jeanpierre George cabanis e Também tem o Josef dacan Mas de fato as mudanças que o pinu e o seu grupinho sua Patotinha de alienistas realizam em bicetre e em sal petrier inauguram um novo modos operand digamos assim né no sentido da da institucionalização da loucura né e que depois inclusive vai ser generalizado no
Brasil aliás de novo o helenismo brasileiro do século XIX é bastante afrancesado por isso é importante que a gente se volte para esses nomes franceses tá como muitas Disciplinas da época inclusive né mas enfim esse é papo para outro para outro podcast eh mas eu não tô certa se a despeito do piné ser chamado de pai da psiquiatria em muitos Livres o piné de fato inaugura a psiquiatria propriamente dita sabe eu acho que a gente ainda tá eh no domínio do alienismo do que o Foucault chama de prot psiquiatria ainda que já estejamos no domínio
de uma medicina eu acho importante a gente fazer um pouco essa distinção entre Alienismo e psiquiatria porque o alienismo pelo menos esse francês ele tá muito mais no cerne de um entendimento sobre a razão muito próprio então do Iluminismo e do paradigma ali da Revolução Francesa né E muito relacionado portanto à à possibilidade do exercício de cidadania então o status de alienado da Razão Vai colocar esse louco Nesse contexto num espaço de incapacidade pro exercício da Cidadania né Eh é portanto da vida política e Jurídica Então esse entendimento ele vai se mesclar a medicina e
me parece que essa chave de leitura ela é importante para pensar em passes que se sustentam até na nossa contemporaneidade né do ponto de vista da capacidade ou incapacidade jurídica de exercer os direitos e deveres da vida civil né e do que hoje a gente entende como e pessoa com transtornos mentais ou pessoa com deficiência e que na época tinha outras configurações mas historicamente a gente Tem um processo que é conhecido como gesto de pinu né ele teria Então desacorrentado os loucos nos porões dos hospícios e oferecido um tratamento Digno e democrático nos termos da
revolução né Revolução Francesa só que agora aqui eu vou citar mais mais fortemente o Michel Foucault né que ele aborda esse período de emergência da do alienismo e reserva uma boa parte do do livro dele né o história da loucura para falar a respeito do pinu especificamente E os seus colegas né Eh o que ele observa é que esse gesto de Pinel tá amparado no humanismo Iluminista numa nova relação com a razão que opera mudanças assim basais né na na noção de loucura que é onde vai se apoiar a medicalização do fenômeno que eu abordei
lá no início né Eh ele tem essa espécie de contr gesto que é justamente uma espécie de barganha com a humanidade desse sujeito internado então é mais ou menos menos assim você vai ser Desacorrentado sim na medida em que obedecer os meus comandos na medida em que for e pouco a pouco deixando de manifestar a sua loucura esse que é o tratamento moral inclusive que Eu mencionei anteriormente então todo mundo pinta o Pinel assim todo mundo né na na na na história oficial da psiquiatria pinta o Pinel como ess cara que libertou os loucos mas
quando a gente olha pras fotos as coisas são um pouquinho eh um pouquinho diferentes mas novamente eu Acho que a gente pode com certas ressalvas atribuir ao Pinel e aos seus companheiros sim a inauguração se não da psiquiatria de uma [Aplausos] protsaude lugares que se transformaram em verdadeiros campos de concentração Este é um dos pavilhões do antigo colônia que foi o maior hospício do [Aplausos] [Música] Brasil especialmente a partir do século XIX a gente vê um certo florescimento de várias áreas das ciências a gente vê desenvolvimento mais apurado de metodologias científicas a gente tem muitos
avanços em nas diferentes áreas das ciências só que diferentes áreas das ciências também cometeram erros grosseiros e quando a gente fala de ciência no século XIX e até mesmo parte do século XX a gente tem que falar sobre Darwinismo Social e sobre Eugenia né que São falhas também né Desse desenvolvimento científico e claro a gente pode entrar na discussão que ah a ciência ela tá sempre se revisando ela tem que estar sempre aberta ao questionamento porque ela não pode ser dogmática etc e e é ótimo que seja assim e tal Mas independente dela poder se
revisar de vez em quando a cência também comete alguns erros né Então é eu queria relacionar isso com a questão da psiquiatria para saber e que relação que Que essas esses campos essas pseudociências né tipo darvino social e a Eugenia tiveram com a psiquiatria ou né ou vice-versa a psiquiatria bebeu dessas dessas coisas enfim o que que a gente pode falar sobre essa relação aí a gente começa a entrar mais propriamente nos temas que eu pesquiso e a coisa para mim pelo menos fica mais interessante ainda que fique mais desgraçada eh antes da teoria eugênica
propriamente dita a gente vai ter as Tais das teorias Da degeneração tem uma professora que eu gosto muito que fala sobre isso de maneira brilhante que é a professora Sandra caponi e é a minha grande referência para abordar esse tema é importante a gente pensar que quando a gente fala de tratamento moral que eu tava caracterizando mais cedo ainda que haja uma dimensão ética minimamente envolvida o cabanis e o Pinel né que eram parceiros não tão necessariamente falando disso ainda que possam de novo Estar falando disso também mas eles estão falando Principalmente de uma dimensão
oposta barra complementar do Físico guardem essa informação agora existe uma diferença entre o cabanis e o piné quanto pro piné as questões da alienação não seriam redutíveis ao corpo físico biológico ao cérebro pro cabanis as coisas são diferentes a alienação se manifesta como deformação cerebral inclusive curiosamente o cabanis antecipa algumas das práticas da Frenologia né que são bem comuns na segunda metade do século XIX um homem à frente do seu tempo brincadeira eu odeio essa expressão odeio essa expressão Mas enfim pro cabanis aqui a gente tá falando de um autor né de um médico que
produz os escritos dele já na primeira década do século XIX né ali em 1902 a gente já tem coisas dele para ele o órgão cerebral era como se fosse um homem dentro do homem ou seja um homem interior Talvez ele seja um dos Primeiros Inclusive a pensar essa interioridade do que hoje a gente chama de mente né ou algumas pessoas vão chamar de mente que tem uma localização num aparelho orgânico percebe então ele também vai defender outra coisa importante a influência do clima sobre o temperamento e ele inclusive justificava opressões sistemáticas tiranias eh em certos
territórios né segundo esse entendimento para ele territórios de clima muito quente estariam fadados a Conflitos contínuos e governos despóticos por razões biológicas porque a interação entre o meio organismo mantinha Esses povos entre aspas selvagens é muito curioso Inclusive a gente notar né esse caráter Colonial das teorias psiquiátricas eh do século XIX como um todo e da primeira metade do século XX muito muito tranquilo a gente afirmar isso assim eh porque aqueles que eram na mesma época colonizados ou que sofriam com o julgo do imperialismo Propriamente dito eh mulheres crianças e loucos eram comparados na sua
instituição todos vistos como ou totalmente ou relativamente incapazes é uma articulação racista por Excelência né parte aí do do portanto do tal do racismo científico é sexista e é Colonial Há um só tempo é impressionante né só falta mais um para fechar os Cavaleiros do Apocalipse a gente encontra interpretações parecidas nas teses lombrosianos aqui eu tô me Referindo ao Cesar Lombroso que provavelmente os ouvintes já conhecem né E já ouviram falar é um antropólogo criminal italiano que inclusive foi muito influente entre a segunda metade do século XIX e a primeira metade do XX aqui no
Brasil né um dos lombrosianos mais famosos do Brasil Talvez seja o Raimundo Nina Rodrigues né que possuí uma uma atuação que a intersecciona né a a medicina legal com a psiquiatria no decorrer do século XIX o alienismo então Vai se transformando em Psiquiatria propriamente dita né E aí nessas nessas leituras sobre a loucura os psiquiatras vão fazer uso da anatomopatologia que é uma prática que surge em medicina analisando os corpos das pessoas mortas né Então a partir da dissecção de cadáveres e é a partir disso que a gente vai ter inclusive um monte de descoberta
científica super importante né até hoje eh na psiquiatria como que anatom patologia vai ser usada Eles vão buscar sinais físicos de degeneração psíquica então notem que existe uma interioridade da dimensão cerebral mas ela possui uma relação com o corpo e com a parte externa do corpo né então os médicos procuravam sinais físicos de defeitos de conformação que é a tal da degeneração então vocês podem imaginar que os sinais físicos vão estar relacionados a características de povos que eram racializados então ah coincidentemente tô sendo ir ônica né Coincidentemente um nariz largo uma boca carnuda Eh aí
certas distâncias entre os olhos o formato da cabeça vão ser eh justificados como sinais de degeneração né e e o inclusive o o benedict Augusto Morel né ou Morel se a gente quiser brasileir para ficar mais fácil que é um dos seus Pioneiros né um dos Pioneiros da da da da teoria da generação era psiquiatra então na realidade não é possível pelo menos no minha no meu entendimento a gente falar de uma coisa Sem falar da outra eem se tratando de Brasil os nossos primeiros hospitais vão ser construídos justamente em 1852 coincidentemente que é a
mesma época que o Morel publica o Tratado de degenerescência físicas intelectuais e Morais da espécie humana e as causas que produzem estas variantes doentias são a tradução livre de um título muito longo né ele foi esse esse livro foi publicado em 1857 né E essas obras esses atores históricos franceses são bem importantes Como eu já disse antes né pra gente entender o início do do alienismo da psiquiatria no Brasil né Eh voltando a citar a professora Sandra caponi grosso modo então a gente poderia caracterizar a degeneração como uma decomposição das faculdades mentais e da moral
que poderia ser percebida através dos comportamentos e das características físicas desses indivíduos né Eh e o efeito da degeneração é um processo civilizador deficiente de novo né Retomemos aquilo que eu tava falando do do caráter Colonial da psiquiatria né Eh então certos grupos étnico-raciais vão apresentar mais propensão mais propensão para desenvolver doenças mentais Vícios e hábitos degenerados aí a gente também inclui aqui o jogo a vadiagem né que vinha sendo criminalizada inclusive no Brasil e até a criminalidade de uma maneira geral mas também a prostituição né Eh Inclusive tem um documento muito legal que é
um um texto do Lima Barreto Em que ele descreve h o pátio do hospício Nacional de alienados e fala um pouco da experiência dele como como alguém que foi internado né Ele ele passou por duas internações e numa delas ele foi levado ao hospital pela polícia né porque existe essa essa confluência da atuação da polícia com a psiquiatria né e ele fala muito sobre o fato de que boa parte dos internos são pessoas pretas e como a polícia é responsável ã pela pela institucionalização de Certos grupos sociais né alguns tipos específicos de imigrantes especialmente do
leste europeu trabalhadores sindicalizados provenientes da Itália e da Alemanha e obviamente negros né Eh aí conectem os pontos a gente tá falando de início do século XX já né num país que tinha passado quase 400 anos escravizando africanos que foram sequestrados da sua origem né Eh e os seus descendentes também que se sustentou em diversas teorias racistas Para justificar essa prática né que era a base da nossa economia e ã a gente vai ver isso respingar inclusive na produção científica e fundamentar a continuidade de certas opressões ainda que a escravidão formalmente já não fosse mais
permitida né Eh mas Voltando à teoria da degeneração a gente a gente tem duas grandes interpretações sobre a degeneração uma de que ela se dá de nascença e uma de que ela se dá de forma adquirida hã todas elas vão se Relacionar com a noção de herança mórbida eu não vou entrar em detalhes aqui mas nesse sentido era era fundamental então prevenir certos hábitos degenerados tipo o consumo de drogas em geral e Álcool eh e o contágio por e o que hoje a gente chama de infecções sexualmente transmissíveis né como por exemplo a sífilis na
época era uma grande preocupação né então eles acreditavam que algumas coisas que podem ser adquiridas acabam hã digamos assim Manchando a linhagem e pessoas que não eram degeneradas passam a ser aí percebam que daí a gente tem meio passo pras teorias eugênicas né que vão ganhar muito escamento inclusive aqui no Brasil as teorias eugênicas elas são mais do final do século XIX né Eh e elas ganham muita força no início do século XXX tá inclusive as as políticas públicas de psiquiatria da década de 40 a gente vai falar um pouquinho mais sobre isso mais tarde
elas são bastante baseadas em Eugenia tá eh então na psiquiatria brasileira o que eu noto É que na verdade a Eugenia quando a psiquiatria de fato se estabelece ali no início do século XX ela é a base da atuação dos psiquiatras né Eh só para ser esquemática e para fins didáticos eu vou resumir a ideia de Eugenia como uma busca pelo melhoramento da raça a partir da seleção genética dos indivíduos às vezes separando os grupos problemáticos em instituições próprias é o caso da Psiquiatria né que faz então o isolamento desses indivíduos dentro de instituições para
que eles não possam se reproduzir né Eh trabalhando pela moralização desses desses indivíduos inclusive o controle ou ou em alguns casos a gente vai ter a Eugenia negativa né que que geralmente aparece na literatura que é essa essa Eugenia do extermin propriamente dito h eu vou parar por aqui nessa caracterização porque quando a gente tiver falando um Pouco mais sobre a minha pesquisa eu vou retomar o ponto da Eugenia mas basicamente é isso e não tem como a gente separar a história da Eugenia da história da psiquiatria né a história da psiquiatria ela é muito
ligada às teorias da degeneração e depois a Eugenia né encre milhares de mulheres nuas lá abandonados fazendo cidade ao ar livre com todo mundo igual igual bicho mesmo entrou lá só sai quando morre né aqueles Muros enorme não tem como você fugir lá né então lá era um celeiro então de todo mundo que era doente mental ou entre aspas excluído a [Aplausos] [Música] sociedade eu queria começar agora a focar na questão da psiquiatria no Brasil de como ela chegou aqui como que ela se desenvolveu e E para isso a gente pode falar sobre a institucionalização
né E como esse modelo foi aplicado aqui E aí eu queria saber se você acha que se é um bom começo para falar de Brasil né começar por aí se você pode explicar pra gente o que que isso quer dizer na prática né certo eu vou tentar ser breve nessa nessa resposta porque a gente vai conseguir caracterizar a institucionalização ao longo de toda a nossa conversa mas sim quando a gente fala de surgimento da psiquiatria ou do alienismo no Brasil a gente tá Falando exclusivamente de instituições Psiquiátricas hospitalares né a prática psiquiátrica ela era totalmente
pautada na institucionalização né prática da Clínica liberal em Psiquiatria ela é um pouquinho posterior pelo menos aqui no Brasil né E ela também vai ser hã uma prática muito voltada pras elites né Eh pra classe trabalhadora para os pobres enfim a o contato com a psiquiatria vai se dar via Hospital Psiquiátrico né e e a institucionalização tem bastante a ver Com aquilo que o Pinel tinha colocado como Paradigma e que eu falei anteriormente né por isso que eu volto a dizer é correto Sim a gente dizer né que existe a um uma espécie de pioneirismo
do do pinu e uma influência do pinu na psiquiatria como um tudo né ainda que a gente possa fazer ressalvas e eu as fiz hã e é essa ideia de que nós precisamos tirar esse sujeito adoecido porque daí agora a gente entende isso como uma doença do convívio social porque ele é Perigoso para si e para os outros porque nós precisamos de um ambiente neutro para observar o desenvolvimento dessa doença e portanto o para que a gente possa desenhar uma intervenção sobre essa doença né Eh e para que a gente possa reeduc tá-setrata-seda educação Muitas
vezes passava pelo trabalho forçado dentro das instituições psiquiátricas eh Então essa institucionalização ela tem a ver com a disciplinarização pro trabalho e aqui a Gente nem precisa entrar no conceito foco Tiano de disciplina a gente pode inclusive pensar a disciplina eh como ela aparece nos textos do Tompson por exemplo né Eh ou em trabalhos h de diversos marxistas né de pensar Então essa disciplina pro trabalho não é à toa que o Hospital Psiquiátrico ele surge no período que ele surge né ele surge hã junto com revolução industrial no caso do Brasil com o o estabelecimento
do capitalismo propriamente dito aqui né Então existe uma relação bastante interessante da psiquiatria com a gestão dos improdutivos né geralmente é dessa forma que aparece na literatura eh e vale dizer né que essa institucionalização ela não se dá somente via psiquiatria né se a gente observar a história das prisões eh a regularização do ensino em diversos países elas vão estar todas no bojo de um mesmo projeto de sociedade né então eu acho que é muito muito pertinente Sim A gente falar sobre sobre a institucionalização porque como eu disse anteriormente ela é o espaço privilegiado de
atuação da psiquiatria pelo menos eh nesse nesse primeiro momento seja no Brasil seja em qualquer outro país que tenha se constituído em que tenha se constituído a psiquiatria bom a gente vai falar da tua pesquisa no próximo bloco mas eu queria trazer um ponto para cá porque pode ser interessante em um uma parte da tua Pesquisa você faz uma citação do Lima Barreto contando que ele era atendido por um médico chamado Henrique de Brito be roxo uma questão que seria interessante para você trazer para nós é a respeito do preparo das pessoas que trabalhavam nesses
espaços para além dos médicos quais eram as funções e as obrigações de quem trabalhava nesses espaços que tratavam pessoas com questões de saúde mental essa pergunta é ótima é muito legal você ter trazido ela Porque na verdade tirando os médicos em geral as pessoas que trabalhavam nos hospitais psiquiátricos e faziam às vezes de enfermeiro ou de enfermeiras na realidade não possuiam formação e ã por exemplo no caso do colonia Santana né que é o hospital que eu estudei ele já é um hospital da década de 40 eh mesmo o médico o único médico contratado nos
primeiros 10 anos de funcionamento do hospital que era o diretor ele não era psiquiatra ele era sanitarista que Era uma uma especialidade muito importante no governo Vargas inclusive né Eh mas enfim voltando paraa tua pergunta Tem vai vai haver hospitais inclusive que a em que a presença do médico é praticamente nula ela é uma uma formalidade digamos assim para aquilo possa funcionar e para que possa ser chamado de instituição médica né inclusive é importante a gente até problematizar eu não vou entrar nesses pormenores aqui porque daí são Discussões mais específicas da da da área né
mas isso nos permite inclusive problematizar aquilo que a gente vinha falando até então sobre medicalização da loucura né porque existe de fato uma uma medicalização pelo menos do ponto de vista de um discurso técnico-científico que vai embasar o surgimento de uma série de instituições e que vai justificar a institucionalização que a gente estava comentando agora a pouco mas quando a Gente olha pras Fontes históricas para Como se desenvolve a atuação dentro dos hospícios a gente vê que eu adoro essa frase eu sei que ela deixa muita gente de cabelo em pé na prática a Teoria
é outra agora vai ter gente ouvindo que vai infartar mas mas é que existe de fato é um um abismo entre algumas práticas e o que estava sendo colocado na teoria né Eh esse Abismo nem sempre está onde as pessoas acham que ele está mas a gente já vai conversar sobre isso Mais à frente bom eh Essa realidade então né de pessoas que não tem a menor formação para lidar com pessoas que estavam sendo vistas como doentes que estavam sendo vistas como sujeitos que precisavam de atenção médica essa realidade ela vai se fazer presente até
a década de 70 na maioria dos hospitais psiquiátricos né se vocês tiverem a oportunidade de ver o documentário que foi feito né Eh sobre o hospital colônia de Barbacena o holocausto brasileiro né Que é baseado no livro da Daniela arbex que tem o mesmo nome vocês vão ver essa realidade lá também eu estudei a partir do contato com as fontes e de trabalhos de outras pessoas que estudaram a história do hospital Colônia Santana eu vi o mesmo Panorama O que que a gente tem no hospital Colônia Santana por exemplo até a década de 60 o
que eles vão chamar de práticos que são em geral homens muito fortes que t a capacidade de fazer o que o nome técnico é Contenção mecânica ou seja segurar os pacientes e forçá-los a tomar medicação forçá-los a se alimentar quando necessário quando eles se recusam a se alimentar forçá-los a tomar água forçá-los a ir pra cela né enfim e em muitos hospitais a gente vai ter diversas irmandades diferentes eh da Igreja Católica notadamente as freiras aqui no Colonia Santana novamente só para dar um exemplo a gente tem A Irmandade da Divina Providência que eram Freiras
eh de uma irmandade que vem da da Alemanha inclusive eh no texto da Maria Clementina Pereira Cunha o espelho do mundo ela fala um pouco sobre a questão dos trabalhadores do hospício também para quem tem interesse assim em em entender um pouco melhor com um pouco mais de detalhe como que era eh essa idade que tipo de trabalho eles desenvolviam recomendo fortemente a leitura do do texto dela né E aí Claro a gente vai ter os médicos né muitos Formados em Psiquiatria mas muitos também formados em outras áreas notadamente o sanitarismo né E a gente
vai falar um pouquinho mais sobre política pública de psiquiatria mais paraa frente né então não vou não vou tocar nesse ponto agora mas basicamente é isso assim era uma instituição que se dizia especializada mas que na prática muitas vezes não oferecia um atendimento especializado de fato e bom você já Cantou essa bola você já mencionou ele mas eu quero trazer ele de novo porque eu acho que a gente deve dedicar uma pergunta para esse caso porque esse caso ficou muito reconhecido né com o livro da Daniela Depois virou documentário que é o hospital colônia de
Barbacena e pensando como historiadores aqui né O que que essa experiência de Barbacena pode falar para PR a gente a respeito do papel que a psiquiatria tinha no Brasil e de como a Eugenia tava inserida nesse Processo e para no caso assim o pessoal que tá ouvindo talvez não conheça esse caso não vai parar o episódio no meio comprar o livro Liro e voltar então assim se tu puder pelo menos dar uma pinceladas assim um Panorama do que que é esse caso de Barbacena porque que ele ficou famoso e tal enfim Com certeza Barbacena é
uma cidade de Minas Gerais né em que a gente tem um dos maiores hospitais do Brasil e aí fica aquela ã eu chamo ironicamente de olimpíada de Desgraça né pra gente saber qual que foi o maior hospício da América Latina se foi Barbacena se foi o jueri enfim para mim à Não me interessa tanto saber qual foi o maior até porque a gente ainda não tem trabalhos e o suficiente pra gente saber ã Quantos pacientes tinha em cada hospício Qual a área construída de cada hospício etc etc pra gente poder fazer essa comparação e tirar
de fato qual que era o maior né mas ele é visto lido muitas vezes caracterizado como o maior Hospício do Brasil e às vezes da América Latina né então o que nos cabe saber é que era um hospício muito grande né e Barbacena foi inaugurada em 1903 né então já estamos falando aí de século XX né inicinho Liv do século XX mas eu gosto de salientar duas coisas primeiro Barbacena não foi um caso isolado né nós tivemos hospícios muito parecidos em diversos lugares do país inclusive já nessa época Ainda que não representassem propriamente uma política
Pública federal a gente só vai ter uma política pública federal para pensar psiquiatria a partir do governo Vargas né Eh ou uma tentativa né Mas a gente pode falar sobre isso mais tarde e eu gosto de salientar o fato de que Barbacena é um caso muito curioso porque já na época ali da superlotação inacreditável do final da década de 60 início de 70 Barbacena começa ser denunciado e Barbacena é Denunciado e se produz muita matéria jornalística e inclusive um documentário sobre Barbacena eh mas de novo quero frisar que por exemplo na época que eu que
eu trabalhei com salvaguarda de acervo né trabalhei com salvaguarda do Acervo do antigo Hospital Colon Santana que hoje em dia é o Instituto de psiquiatria de Santa Catarina trabalhei entre 2012 e 2015 né num projeto do qual pretendo falar mais tarde eu trabalhei com a Salvaguarda de 20.000 prontuários que a gente conseguiu preservar desse Hospital entre 1940 e 1980 muita coisa provavelmente se perdeu né Eh mas percebam a gente tá falando de instituições mesmo em Santa Catarina e mesmo mesmo Colônia Santana né que foi o hospital que eu estudei sendo um pouco menor em relação
a Barbacena nós estamos falando da casa dos milhares aqui né das dezenas de milhares de pacientes internados né Eh se a gente olhar pro Nordeste como um todo a gente vai ver a mesma coisa né se a gente olhar para outros estados aqui do Sul se a gente olhar para pro hospício São Pedro de Porto Alegre por exemplo a gente vai ver a mesma coisa e E por aí vai né Se a gente for pro Norte Com certeza vamos encontrar a mesma coisa lá na colônia Juliano Moreira por exemplo que fica no Pará eu não
tô querendo aqui de forma alguma gente por por favor não entendam dessa forma minimizar o horror que foi Barbacena Barbacena Realmente foi um caso assustador né é impressionante ã a gente que é Historiador não gosta de avaliar moralmente os eventos históricos né mas não não tem outra outra coisa pra gente dizer né É impressionante a crueldade né dessa instituição mas o que é mais curioso para mim de Barbacena é justamente isso né Essa notoriedade que a a superlotação os abusos as mortes elas ganham já ali na década de 70 que é inclusive quando a gente
tem os Marcos Dos movimentos de Trabalhadores de saúde mental denunciando as condições horríveis dos hospícios brasileiros na época e aí ã em 78 o Hiran Firmino faz é um Jornalista ele faz uma série de reportagens pro Jornal Estado de Minas em que ele vai denunciar a Barbacena pro Grande público e depois vem o documentarista eu vcio o ratom que faz produz um documentário chamado em nome da razão é facilmente acessível ali ao público na internet dá para ver ele na Íntegra e esse documentário foi exposto durante o Terceiro Congresso Mineiro de psiquiatria que foi realizado
em 1979 em Minas Gerais e nesse congresso Franco basaglia estava presente e ele inclusive visitou o hospício de Barbacena e quando ele retorna de Barbacena né do do hospício de Barbacena e vai falar com a imprensa ele chama aquilo de campo de concentração ele fala hoje eu Visitei um campo de concentração e aí eles colocam isso né nas manchetes isso também ajuda A dar mais notoriedade ainda pro caso né já que a gente tá falando de uma de um de um médico né que tem uma notoriedade internacional o Franco basag para quem não sabe né
pros ouvintes eh eventualmente desavisados ele é o grande nome do que a gente chama de psiquiat tria democrática italiana que foi um dos grandes responsáveis né junto com outros como como a própria Franca basaglia né que era esposa dele mas também um venturine Enfim uma série de outros Médicos né e e Trabalhadores de saúde mental que vão realizar um uma negação do Hospital Psiquiátrico na verdade vão conseguir fechar vários hospitais psiquiátricos na Itália e na década de 80 eles conseguem baixar uma lei que é a lei 180 que prevê o fechamento dos hospitais psiquiátricos e
a substituição por outros serviços né inclusive inspira a luta antimanicomial brasileira e a reforma psiquiátrica brasileira né então Barbacena é muito notável por isso né Porque é um caso que ganhou repercussão no estado de Minas primeiramente e depois Nacional mas demorou alguns anos para que algo fosse efetivamente feito para mudar a realidade de Barbacena e isso é muito comum na real em Porto Alegre eu eu fui orientando de uma de de uma professora lá na UDESC durante a graduação que chama-se Viviane Trindade Borges e ela tem um trabalho muito interessante que é o mestrado dela
corresponde ao o mestrado dela que Chama-se loucos nem sempre mansos em que ela Analisa um processo de reforma psiquiátrica de tentativa de desinstitucionalização do final da década de 70 início de 80 se eu não estou enganada que também tem a ver com as denúncias que o hospício São Pedro de Porto Alegre recebeu nessa época então percebam a gente tá falando de um momento década de 70 80 em que começam a ver denúncias do Estado deplorável que as pessoas em que as pessoas se Encontravam dentro dos vários hospitais psiquiátricos do Brasil e começa a ter timidamente
aqui ali né reformas ã isoladas né Eh nós temos algumas práticas em Barbacena que são muito chocantes como por exemplo a venda de cadáveres né Eh nós temos notícias de que no hospital Colônia Santana por exemplo os cadáveres eram doados de forma irregular para universidades né Nós não sabemos nós não temos registros como se tem em Barbacena registros Escritos da venda de cadáveres de partes de Corpos né mas nós sabemos que essa prática ela era feita també no Colô Santana por conta dos relatos dos primeiros enfermeiros que entraram na Instituição os enfermeiros de Formação né
então isso me leva a crer que não é uma exclusividade de Barbacena que isso talvez fosse uma prática comum em hospitais psiquiátricos em geral principalmente nesses maiores né E aí a gente consegue dimensionar um pouco do Quanto essas vidas né dessas pessoas elas eram no esquema explicativo da psiquiatria como elas valiam menos digamos assim né do que outras um outro ponto que é interessante de salientar e que tem uma relação querendo ou não né com a questão da da Eugenia Inclusive é o fato de que se a gente obser oberva por exemplo as fotografias que
aparecem lá no no holocausto brasileiro né o document tanto no documentário quanto no livro do Daniel arbex eh a maioria das pessoas que tão que aparecem naquelas fotos Ali são pessoas pretas então a gente vê que existe uma espécie de gestão racial da população uma gestão racial dos indesejáveis outra questão que eu acho que a gente pode ligar com a questão da Eugenia E aí eu eu fecho a minha minha fala sobre isso é o fato de que muitos bebês que acabavam nascendo das internas eram retirados de suas mães no entendimento em partes de Que
elas não teriam condições de cuidar porque elas deveriam permanecer internadas Mas também como uma reverberação pelo menos no meu entendimento das teorias eugênicas do início do século XX de que a as influências externas elas aumentam as chances da manifestação da degeneração então haveria uma chance pelo menos essa é a minha interpretação da questão Ok haveria uma chance de essas maior de essas crianças desenvolverem loucura Caso fossem criadas pelas suas mães né por isso a separação então a gente vê só para eu trazer algumas pinceladas né a gente vê muitas remanescência né Eh da Eugenia sim
no exemplo de Barbacena né que é um exemplo bastante característico de algo muito maior que eram as políticas públicas e também a prática nas instituições privadas de psiquiatria dessa época se você quiser colaborar com o históri FM você pode fazer isso via PX Usando a chave leitura obrigahistória @gmail.com e assim você colabora para manter esse projeto Educacional gratuito no ar e bom a gente teve essas experiências negativas né como é o caso de Barbacena aqui no Brasil mas a gente tem Digamos que o nosso lado bom que é por exemplo trabalho da n da Silveira
aí eu queria pedir para você explicar pro pro pessoal que tá ouvindo Quem foi a Nisa da Silveira as contribuições dela pra Psiquiatria se as coisas mudaram ou não depois da implementação das técnicas dela se ela o a influência dela se limitou ao Brasil ou se chegou a reverberar fora do Brasil também enfim certo é interessante você mencionar a Dra Niz e Eu tenho um entendimento sobre essa história que geralmente as pessoas faz as pessoas torcerem um pouquinho o nariz mas vamos lá é eu não tô sozinha não tem problema Fi à vontade se quiser
descer o sarrafo na Nise fica à vontade Tá Não não vou descer jamais o o sarrafo na Nise porque ela de fato era maravilhosa eu sou meio fã Girl assim da Nise da Silveira e mas assim eu não tô sozinha também no meu entendimento A esse respeito tem um pesquisador bem dedicado à trajetória da da Niz que se chama Walter Melo que sustenta minha argumentação então vou falar a minha argumentação aqui tá de qualquer forma para eu garantir a honestidade intelectual que eu devo a vocês ouvintes Né É bom lembrar que eu não sou uma
grande estudiosa da obra da Niz e eu não vou entrar em super detalhes sobre a atuação dela se vocês tiverem interesse de um Panorama mais pormenorizado e rigoroso eh sobre a trajetória dela e a influência dela no Brasil eu sugiro fortemente o livro mania de liberdade Nise da Silveira e humanização da saúde mental no Brasil do antropólogo Felipe Magaldi tem uma entrevista da Niz da década de 80 de e de 1986 se eu não me Engano em que ela ela já tá velhinha assim eh perguntam para ela e eh se o trabalho dela foi reconhecido
né pelos pares dela e ela fala não não foi reconhecido nessa época Como eu disse ela já estava bem velhinha né ela nasceu em 1905 em em em Maceió ela veio a falecer em 99 né Eh e e ela já tinha passado né Por toda a trajetória ali dela né E ela entendia naquele momento 1986 que o trabalho dela ainda não tinha sido reconhecido que não vinha sendo Aplicado na psiquiatria brasileira tá guardem essa informação então basicamente só para dar uma mini biografia da da da Niz né E pelo menos do ponto de vista da
atuação profissional ela eh se graduou em medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia inclusive ela era a única mulher er da turma cá entre nós essa mulher deve ter comido pão que o diabo amassou durante a faculdade nem banheiro tinha não tinha banheiro feminino na faculdade De medicina Porque mulher não estudava Medicina né tiveram que abrir um banheiro específico para ela né porque Óbvio imagina né nesse contexto que mulher vai se sentir segura compartilhando o banheiro com todos os outros homens né que provavelmente eram extremamente hostis com ela eh depois ela já atuando no Rio
de Janeiro né ela viaja pro Rio de Janeiro ela é presa Porque ela tinha livros subversivos comunistas marxistas no quarto que ela Morava né no hospício Nacional de alienados que era onde ela trabalhava uma enfermeira denunciou ela inclusive fofoca histórica eh parece que teve uma paciente da Niz que ficou sabendo que essa enfermeira específica tinha ocasionado a prisão da da da da Niz e desceu sarrafo nessa enfermeira né para vocês verem como ela era uma pessoa querida entre as pessoas que ela tinha a incumbência de de atitude correta atitude corretíssima atitude Corretíssima Inclusive a Niz
fala olha só né para você ver geralmente a psiquiatria caracteriza o esquizofrênico como alguém que é embotado emocionalmente Ou seja que não afetivamente né que não apresenta atitudes de afeto bom se isso não é uma atitude de afeto não sei o que que é né mas enfim eh ela tinha sido inclusive militante do Partido Comunista acho que ela ficou uns do anos como militante mas nessa época que ela foi presa em 1936 Ela já tinha sido desligada da organização Ela só volta a atuar como médica né em 1944 e nesse em entre 36 e 34
as práticas psiquiátricas dentro do hospital tinham se tornado super violentas todas baseadas em ciência tá todas baseadas em ciência nenhuma delas fugia do que se tinha de mais científico em Psiquiatria na época mas eram muito violentas né Eh como por exemplo as convulso terapias né né a mais famosa Talvez seja o famoso eletrochoque né ou seja eletroconvulsoterapia mas a gente tinha outros tipos de terapêuticas como a lobotomia por exemplo que vocês já devem ter ouvido falar né ou psicocirurgia E aí eu acho que é o que que o ponto mais interessante do trabalho da Nise
da Silveira é o fato de que apesar de ela ter essa formação médica então de ela ser uma psiquiatra o que me parece é que tudo que ela conquistou enquanto êxito e boas Práticas vai se dá justamente porque ela se negou a fazer tudo que era mais psiquiátrico que tinha para fazer na época então o o foco da Nise era uma atuação que consistia em pensar o fazer artístico como uma possibilidade de acessar o inconsciente de acessar ali o material substrato daquela perturbação mental né E daí se aproximar do paciente e realizar uma terapêutica né
E na verdade ela nem chamava de paciente ela chamava de cliente porque ela queria Inclusive quebrar um pouco essa lógica médica a gente pode problematizar até 2064 o nome cliente mas por enquanto vamos que vamos né então a arte aí né nesse contexto Ela não é uma forma de passar o tempo dentro do hospital algo que seria inclusive super manicomial né ou mesmo uma possibilidade de inserção social como aparece em muitos equipamentos do SUS inclusive atualmente mas uma terapêutica propriamente dita né Eh E aí muitas pessoas vão se filiar o Trabalho da Niz em diversos
lugares Né desde desde que ela come essa a ficar mais famosa Mas na minha concepção E aí é nessa hora que as pessoas torcem o nariz para mim e não me parece que existiu uma mudança sistemática após a atuação dela até porque não me parece que era a intenção dela criar uma uma metodologia fechada né mas de qualquer forma é a partir dessa recusa então né da psiquiatria hegemônica que o trabalho dela floresce Então ela começa a fazer Oficinas de pintura de teatro de escultura imagina gente já no final da década de 40 e em
1956 surge a famosa Casa das Palmeiras que é um centro de acolhimento Pioneiro no atendimento de egressos do sistema e de internamentos psiquiátricos então Eh e mesmo depois na na ela se aposenta em 1975 mesmo depois da aposentadoria ela segue produzindo segue atuando sempre com foco na arte na subjetividade a a obra dela muito alicerçada em termos Teóricos pela leitura deum né Eh da psicologia analítica e depois no aprofundamento da obra do Espinoza então o o a atuação dela assim é bem multidisciplinar né Tem um relato que ela deu pro Ferreira gou acho que na
década de 80 inclusive que eu acho muito bonito né em que ela fala que quando ela volta a trabalhar no Hospital Psiquiátrico o médico que tava encarregado de mostrar para ela a atualização das das terapêuticas fala Para ela apertar o botão para dar o Eletro choque em um paciente e aí ela fala eu não vou apertar e aí ela diz aí começou a rebelde Então ela é muito admirável assim ela é uma mulher que fundamentou a obra dela num numa espécie de humanismo radical digamos assim né E ela com certeza inspirou vários trabalhadores hoje em
dia eu posso citar de cabeça o Vitor por Deus que atua no atua no Rio de Janeiro mas o que me parece como eu ia dizendo antes é que Justamente pela pela natureza digamos assim das formulações dela ela não quis dar uma forma muito fechada pros métodos dando espaço pra criatividade para que as pessoas pudessem agir no contexto de acordo com o que aparece e tudo mais né e bom isso não significa que não haja pessoas que que perpetuem o trabalho dela a visão dela né o que eu quero dizer com isso é que infelizmente
a gente não poderia falar pelo menos na minha visão que na nossa reforma Psiquiátrica por exemplo a Nise é um alicerce pras práticas ainda que ela seja constantemente evocada como uma figura importante como uma heroína aí eu não sei várias possibilidades que eu fico pensando assim será que é porque ela era mulher e aí a gente pensa mais as contribuições dos homens será que é por causa de uma dificuldade metodológica será que é por conta de interpretações diferentes sobre o o espaço que o fazer artístico tem que Ocupar nos dispositivos de saúde Eu sinceramente não
sei com com precisão qual desses aspectos é o mais importante ou Se algum desses aspectos é o mais importante mas eu acho que são perguntas que me parecem importantes de de de fazer sabe isso me faz pensar um pouco na questão da aplicação de métodos relacionados ao Paulo Freire na Educação Básica que tipo assim o Paulo Freire é esse essa figura máxima na pedagogia no Brasil todo mundo na pedagogia conhece Ele sabe frente verso Mas eu vejo que na hora de colocar isso em prática na Educação Básica muitos professores não conseguem colocar E aí eu
fico eu tô aqui ouvindo você falar isso e eu fico pensando que embora sejam situações diferentes talvez a dificuldade de um possa ajudar a responder a o porquê da dificuldade do outro assim no sentido de que às vezes a gente sabe a parte teórica e na hora de colocar em prática sei lá se é a estrutura da Instituição se é que não houve preparo suficiente de dos profissionais ou talvez até houve mas aí o profissional começa a se chocar com desafios estruturais e vai perdendo o ímpeto de de tentar aplicar essa mudança não sei eu
vou deixar isso aqui em aberto só cantei essa bola porque eu acho que tem pano pra manga aí para investigação do Futuro Talvez aí você que tá ouvindo isso aqui possa fazer uma boa tese de doutorado em cima desses temas aí com Certeza e eu acho a analogia perfeita iis assim eu acho que como você falou né são áreas de atuação diferentes mas eu eu vejo uma semelhança muito muito grande assim né me parecem processos pelo menos primos vai E aí por fim eu gostaria inclusive de mencionar aqui uma outra personagem que é um pouco
esquecida nessa história história toda que é a Dama do Samba A Ivon Lara que trabalhou lado a lado com a Niz só que enquanto o trabalho da nizi era mais Voltado predominantemente as artes visuais a Ivon Lara que era uma sambista né ela era também enfermeira de formação e foi uma das primeiras terapeutas ocupacionais do Brasil formada inclusive na década de 40 pela Niz a então a a Ivone Lara trabalhava com música né trabalhava muito a Musicalidade com com os clientes né porque elas não chamavam de pacientes e ela é uma das pioneiras das práticas
de desinstitucionalização no Brasil porque conversando com alguns Dos internos ela ia vasculhando a história pessoal deles e indo atrás das famílias para que eles fossem reintegrados a sociedade para que eles não precisassem mais morar no hospital e ela teve muitos os êxitos nessa prática ela ia até a casa dos sujeitos internados criava conexões com os grupos nos bairros as famílias né os grupos que eles pertenciam fora da instituição Para viabilizar a saída deles de lá de fato tem um trabalho muito legal sobre a Atuação dela que é de uma pesquisadora maa burns burs ela tem
uma dissertação de Mestrado em antropologia sobre isso que vale muito a pena conferir o nome é nci para sonhar e cantar gênero projeto e mediação da na traj hisória de Dona e von Lara né Vale mencionar aqui que e dona e von Lara eram um uma mulher negra e que as narrativas de sobre a história da Saúde Mental principalmente fora da historiografia escrita por historiadores propriamente ditas né muitas vezes à ignora os debates de raça né então não é à toa que a dona Ivon Lara muitas vezes passa passa esquecida também tem o fato de
que ela era enfermeira ela não era méd n e a gente privilegia a trajetória de médicos enfim tem uma série de fatores que contribuem para esse escanteio digamos assim da dona Ivon Lara e aí por isso eu quis trazer só a menção a ela aqui a atuação dela para vocês quem tiver curiosidade ir atrás porque é muito Interessante da Silveira foi uma médica psiquiatra que utilizou a arte para se comunicar com os pacientes e os ajudar a interagir com o mundo eu compreendo as pessoas e os animais que estão doentes pobres que sofrem eu me
identifico com eles sinto-me um [Música] [Aplausos] [Música] deles bom até aqui a gente fez um um balanço histórico né sobre a Psiquiatria E tal como é que essa ciência se desenvolveu no Brasil e a aí eu queria entrar um pouco na na questão da tua pesquisa porque eu acho que é o teu teu background vai ajudar muito quem tá ouvindo e eventualmente quer pesquisar o assunto ou talvez assim só quer saber como é que se pesquisa né então primeiro eu queria saber quais os tipos de fonte que tu usou na tua pesquisa e como é
que foi a aproximação tua com esse tema eu usei De Tudo não mas falando sério Eh o meu trabalho de pesquisa como eu disse anteriormente foi com Hospital Colônia Santana que é um Hospital Psiquiátrico aqui da Grande Florianópolis eh localizado no município de São José foi inaugurado na década de 40 em 1941 e eu comecei a ter contato com as fontes do meu trabalho já no início da graduação na UDESC que foi onde Eu me formei tem um projeto que chama-se arquivos marginais coordenado pela professora que Eu já citei anteriormente Viviane Trindade Borges o projeto
segue na ativa inclusive eles TM um podcast muito legal sobre eh narrativas eh histórias escritas de si de pessoas que foram eh presas na penitenciária de Florianópolis vale muito a pena dar uma conferida e nesse projeto eu não sei dizer com detalhes como é que tá sendo agora eh fica aí a sugestão de convidado I para para né Trazer Alguém do projeto porque é um Projeto muito legal mas na época pelo menos a gente trabalhava com a salvaguarda do Acervo do hospital com Sana depois a gente começou a trabalhar com acervo da da penitenciária também
trabalhe trabalhamos com um acervo de um antigo leprosário né um hospital para hansenianos que era o hospital colônia Santa Teresa e eu transitei entre essas três instituições só tema leve só tema tranquilo aqueles temas assim para você falar né no almoço de domingo né pessoa Perguntar o que que você trabalha Ah eu trabalho com Hospital Psiquiátrico prisão e antigos leprosários e aí eh a gente trabalhava então com salvaguarda da acervo que constituía-se de prontuários de pacientes né E aí aqui eu tô falando especificamente do Hospital Psiquiátrico prontuários de pacientes livros médicos então Eh livros de
medicina mesmo assim né do século x20 eh livro ata de reunião de enfermagem livros de ocorrência né porque essas Instituições Elas têm esses cadernos em que se Anota tudo que tá acontecendo na na Instituição né ah Fulano fugiu fulano se recusou a tomar um remédio Fulano fulana jogou a calcinha no telhado essas coisas que acontecem dentro de Hospital Psiquiátrico né a gente trabalhou então com a catalogação desse acervo também e a partir daí eu comecei a pensar em vários problemas de pesquisa então falando da pesquisa mais propriamente né Eh embora TCC em geral não conte
né Porque TCC não é que não conta a que é horrível falar isso mas é no mundo acadêmico em geral se se dá Pouca Bola para TCC Mas apesar disso eu a minha pesquisa ela começou já no final da graduação né lá no meu TCC eu já tenho várias ã várias coisas que eu acabei inclusive reaproveitando para fazer a dissertação depois no TCC eu usei imprensa oficial eh que falava sobre a inauguração de várias instituições daquela época né Porque eu queria entender qual que era o discurso do Estado né sobre Psiquiatria e sobre a loucura
eu utili utilizei relatórios de funcionamento do do Hospital Psiquiátrico utilizei legislação muito importante a gente pensar a legislação quando a gente tá falando de instituição psiquiátrica utilizei alguns escritos médicos então artigos de médicos eh relatórios em geral assim né e utilizei um documento chamado plano Hospitalar psiquiátrico que era um documento do do Ministério da Saúde sobre a situação e eh da do atendimento psiquiátrico no Brasil naquela época e também dava e eh trazia propostas pra ação né E aí na dissertação eu trabalhei com esses documentos de novo eu revisitei esses documentos e adicionados a esses
a essa tipificação aí de documentação toda que eu comentei eu trabalhei com alguns pouquíssimos prontuários de pacientes né então Percebam a gente tá falando de documentação oficial mesmo né documentação de estado Fontes escritas não não trabalho com fonte imagética eh algumas dessas fontes de fácil acesso inclusive o tal do plano hospitalar psiquiátrico e alguns questionários eh eh do Ministério da da educação e da saúde pública eu peguei no acervo online do cpdoc Então são de fácil acesso eh alguns foram no arquivo Estadual de Santa Catarina mas alguns apenas Entrando em contato com a instituição e
em são são documentações com dados sensíveis então pra gente fazer esse tipo de pesquisa a gente precisa passar pelo comité de ética em pesquisa né das das Universidades da Universidade na qual a gente tá tá estudando mas basicamente Esse é o o o tipo de documentação com a qual eu trabalhei né é uma documentação que como toda documentação tem os seus desafios específicos né notadamente se inteirar Da linguagem científica médico-científica e legal da época que a gente tá estudando né É É bem desafiador porque a gente acaba esbarrando em outras áreas né que não a
história e áreas com uma linguagem bem hermética né então principalmente no início assim é bem desafiador mas com uma boa orientação eu tive uma ótima orientação especialmente durante o processo ali de de participação no projeto arquivos marginais né na figura da da Viviane a Gente consegue superar os desafios não sei se eu responde a pergunta mas é basicamente isso então a tua dissertação de Mestrado ela aborda essas questões envolvendo Eugenia psiquiatria políticas públicas e focando aqui no caso de Santa Catarina né Você pode explicar melhor Quais foram as políticas adotadas pelo governo Catarinense nesse recorde
que você estudou e você sabe me dizer se é possível traçar um paralelo com a questão Nacional nesse mesmo período o Que acontecia aqui ajuda a explicar o que acontece no resto do país claro e com certeza né o meu trabalho justamente se pauta em pensar como o surgimento né do hospital Colônia Santana ele é a expressão de uma política pública mais Ampla que era a política eh Nacional de Assistência aos psicopatas Este era o nome Olha que simpático né assistência aos psicopatas então percebam que aqui psicopata não era um diagnóstico específico mas era o
tratamento legal Dado pelo Ministério da Saúde eh entre meados da década de 30 e o início da década de 40 no Brasil eh o Estado de Santa Catarina me parece um espaço bem privilegiado assim pra gente pensar a adução de setas políticas de gestão da população desse período né Não só na psiquiatria em si mas também na segurança pública e na educação também assim como na medicina como um todo inclusive na mesma época que começa a construção do hospital Colônia Santana Ali né no município de São José começa a construção do hospital colônia Santa Teresa
que era uma colônia para hansenianos e o hospital Nereu Ramos que era destinado ao tratamento da tuberculose e de outras doenças infecciosas né o colônia Santa Teresa é inaugurado em 1940 o Colônia Santana em 41 início de 42 e o hospital nerano Nereu Ramos em 1943 Então são todos muito pertinho né E aí é muito interessante a gente notar Quais são os tipos de preocupação que a gente tá tendo nesse período histórico né rancenise que na época era chamada de lepra muitas vezes né A questão da loucura a questão de certas doenças infecciosas e a
gente tem também é um pouco anterior né precede o estado novo mas na década de 30 a gente tem inauguração da Penitenciária da Pedra Branca né então são instituições que fazem uma certa gestão da população e que estão mais ou menos interligados né Muitas pessoas que tinham passagem por exemplo pela penitenciária de Florianópolis tinham passagem também pelo pelo hospício Pelo hospital Colônia Santana então todos eles fazem parte de um um mesmo projeto de saúde pública pro estado né que tinham a ver com o higienismo da época pautado no que era entendido como sanitarismo nessa época
e Todas aquelas aquelas campanhas de nacionalização que a gente vai ter nesse momento histórico Então o que me parece É que a gente tem um um espaço privilegiado Aí no hospital PSI ári novamente de gestão dos improdutivos e inclusive isso aparece nas fontes históricas o que que aparece por exemplo lá no plano hospitalar psiquiátrico né que eu comentei anteriormente ah os psicopatas eles frequentemente não produzem por causa da sua dificuldade de se manter acorde às normas e códigos então eles além de não produzirem né eles ainda geram ônus pro estado porque Eles ficam eles precisam
ser internados nas instituições e geralmente eles ficam internados por muito tempo é muito engraçado né porque eles eles partem do princípio de que o problema é a pessoa e não a forma como eles estavam pensando tanto o fenômeno da loucura quanto as internações né Mas enfim vamos seguir o Bond E aí o que que se propõe do ponto de vista Nacional nessa época se propõe que o modelo paraa gente tratar essas pessoas né o modelo institucional que a Gente tinha que adotar era o tal do Hospital colônia o que que é o hospital colônia é
um hospital em que a base do tratamento é o trabalho Sobretudo o agrícola só que vai haver dentro da instituição uma uma divisão sexual do trabalho né então os homens eles vão trabalhar na roça e as mulheres vão trabalhar adivinha na cozinha com costura com a limpeza né é como se o hospital ele reproduzisse né Essa lógica que deveria ser a norma para aquela Sociedade ali por isso que a gente fala muito de gestão dos improdutivos né porque uma coisa acaba sendo ligada à outra né as mulheres então realizando isso que seri um equivalente ao
trabalho reprodutivo em casa e os homens né saindo para fora ou o a redundância né mas indo para o trabalho agrícola Mas de qualquer forma então o trabalho ele era visto como uma uma terapêutica e e esse trabalho era forçado é preciso que se diga E aí quando eu tô falando de Trabalho gente não tô falando de uma uma coisa como a gente poderia entender hoje em dia um trabalho terapêutico eh os números dos relatórios que a gente tem acesso lá no Arquivo Público é de tipo assim 10.000 Laranjeiras plantadas e eh centenas de quilos
de pão sendo produzido por ano né era era realmente uma produção que não só dava conta do do do sustento da instituição para que o estado não tivesse que gastar mais eh com essas pessoas mas mas que também Inclusive tinha um excedente que era desviado tá desviado paraas pessoas do bairro que começou a crescer em volta do hospital desviado por profissionais e enfim a corrupção nessas instituições ela é e é praticamente uma característica intrínseca né Por n razões ã então é preciso que a gente diga que isso não é uma coisa só do hospital Colônia
Santana ou só do hospital de Barbacena né percebam que a a gente tá falando de uma lógica que tá Presente inclusive enquanto tentativa de construção de uma política pública federal que até então não tinha sido feita quando a gente vai ter de fato uma proposta Federal Eu já falei isso antes mas eu vou frisar isso novamente né Eh de saúde do que hoje a gente poderia chamar de saúde mental que na época era chamado de higiene mental de novo muito pautado na lógica higienista que era eugênica inclusive nessa época vai ser justamente no governo Vargas
né Anteriormente a isso nós temos hospícios temos em vários lugares do Brasil Pernambuco Porto Alegre que eu já comentei Rio de Janeiro eh Minas Gerais São Paulo né mas não eram parte de uma política nacional então aqui que a gente vai ter nesse momento histórico né entre a década de 30 e 40 que a gente vai ter de fato a tentativa de articular uma política pública que fosse nacional e o hospital santano aqui de Santa Catarina ele vai ser inaugurado justamente nessa Leva né nessa levada aí nessa toada de um atendimento Nacional em em Psiquiatria
né antes do hospital Colônia Santana a gente tinha duas outras instituições que eram o hospício Oscar Schneider em Joinville que era uma instituição Municipal que foi fechada e transformada num campo de trabalho forçado destinado principalmente Até onde eu sei pelo menos aqueles que caíam naquela política do de de de perseguição que o Vargas vai adotar né de falantes Da língua alemã falantes da língua italiana né falantes enfim das línguas dos países correspondentes ao eixo da Segunda Guerra Mundial e depois ele vira um cemitério municipal e em Brusque a gente vai ter o Azambuja que era
uma instituição ligada a uma Santa Casa de Misericórdia ou algo equivalente a isso das Freiras da Irmandade da Divina Providência que também vai ser fechado e os pacientes vão ser realocados para o hospital Colônia Santana e junto com os Pacientes vem as freiras para trabalhar por quê Porque tinha uma Man cumun nação ali entre a família Ramos né especialmente a figura do Nereu Ramos e A Irmandade da Divina Providência né Elas também são responsáveis pela administração do Hospital de Caridade aqui de Florianópolis também do antigo Colégio Coração de Jesus que é um primeiro colégio para
meninas de de Florianópolis né da cidade de Florianópolis então elas tinham uma Certa influência né em várias instituições tanto de saúde quanto de ensino não só na grande Florianópolis mas em outros lugares do Estado como por exemplo Lages que é o lugar de onde oiro Ramos vem então daí vem a articulação né dele com essas com essa Irmandade eh e aí vocês percebam né nesses primeiros anos de instituição quem que vai administrar o hospital as freiras então é uma instituição que se pretende médica que se pretende muito moderna que tá Incluída aí numa política de
nacionalização do do do julu vá Vargas e tudo mais né mas que tem essas contradições aí né da presença das Freiras da Irmandade da Divina Providência de pessoas que não tinham nenhuma formação para cuidar do dos pacientes né e um médico que aparecia quando muito uma vez por mês porque além de ele ser o médico o único médico da instituição o diretor da instituição ele era secretário de saúde ele era diretor De mais uma porrada de outros hospitais e ele tinha que se dividir em todas essas funções né então como diz a minha mãe uma
grande pensadora contemporânea é o quadro da dor com a moldura do desespero rasguem os manuais de psiquiatria Leiam Machado de Assis seria mais proveitoso trocar certos tratados de psiquiatria pelos livros deste que é o maior escritor brasileiro de todos os tempos primeiro Grande Mestre de Psicologia suas obras analisam com mais Profundidade a alma humana quem quiser aprender Psicologia para valer deve ler Machado todo Delírio tem um sentido e cabe ao psiquiatra e ao psicólogo apurá-lo com a visão ou fato e sensibilidade afiados para compreender que método é [Aplausos] este e bom eh eu a partir
de tudo que a gente conversou aqui até o momento eh Dá para ver que é uma área muito rica para pesquisa e Tal né então eu queria te perguntar se você poderia comentar um pouco sobre e a atuação de historiadores nessa área ou talvez a a ausência de estudos de historiadores sobre essa área e tal então assim e o que que você recomendaria para quem tá ouvindo o programa E você acha que assim que seria útil para quem tá ouvindo isso aqui gostou da tua pesquisa gostou da ideia de de pesquisar esse assunto e que
é ir atrás enfim bom eh eu vou ser tentar ser Breve e um pouco mais genérica assim né Eh eu gostaria de lembrar aos ouvintes de novo eu tenho um compromisso muito sério com a honestidade intelectual de que eu não tô inserida no âmbito acadêmico desde que eu defendi a minha dissertação no início de 2020 né Eh tenho atuado bastante na internet e tudo mais então eu tenho medo de dar um um diagnóstico injusto da situação atual né mais recente da produção e sobre a história da psiquiatria no Brasil mas Até o momento da minha
pesquisa do fechamento da minha pesquisa a gente ainda tinha poucos historiadores eh falando de história da psiquiatria com em comparação com a quantidade de profissionais da saúde por exemplo das diversas áreas que falam de história da psiquiatria e da saúde mental que não é problema nenhum não é demérito nenhum é interessante que várias áreas se debrucem sobre a história da psiquiatria e da das questões envolvendo saúde Mental mas em muitos momentos vai faltar uma certa metodologia um certo cuidado com as fontes que é muito próprio da história e é normal que isso vai ficar faltando
né Eh mas de novo a gente também tem muitos trabalhos muito bons rolando assim desde a década de 80 né no campo da história da psiquiatria de maneira geral não só dentro da história um caso clássico é o do Freire Costa que é um psiquiatra inclusive que faz um uma análise muito Boa da assim chamada liga Brasileira de higiene mental que era uma associação eugênica que foi responsável por muito da produção teórica e atuação política ali do início do século XX né que eu comentei com vocês que culminou no paradigma eugênico Eh que que origina
essa política pública que em que tá ancorada né a emergência do hospital Colônia Santana Que chama-se história da psiquiatria no Brasil né Ele fala história hisória da psiquiatria no Brasil mas ele fala muito mais da liga Brasileira de higiene mental do que qualquer outra coisa então né a gente tem esse trabalho só para dar um exemplo de pessoa que não é de dentro da área da historiografia mas que faz um trabalho historiográfico exemplar né Eh aí dentro da história eu eu vou citar alguns nomes que eu acho interessantes de começar né a a a olhar
para além da Magali Engel e da Maria Clementina Pereira Cunha que eu comentei anteriormente ambas são Historiador né e da professora Sandra caponi que não é historiadora ela é filósofa e socióloga mas que faz um trabalho de recuperar algumas questões da história da psiquiatria que é muito interessante a gente tem aí historiadoras mesmo né a Iona wadi a professora Viviane que eu comentei anteriormente né Viviane Trindade Borges E também temos o Carlos Miranda o Ronaldo Jacobina e tantos outros na verdade que já se debruçaram né sobre a História da psiquiatria de dentro da história e
e quem quiser inclusive ter acesso ao trabalho desses historiadores e historiadoras pode me mandar um e-mail depois eu eu te passo o meu endereço ni para você disponibilizar pro pessoal que eu mando os drives todos né e agora eu acho que ã Ainda tem muito pouco Historiador e historiadora pesquisando isso né de novo eu não estou tão inserida assim no ambiente acadêmico então eu posso estar Eh sendo injusta pode ser que tenha surgido um Boom de pesquisas e eu não fiquei sabendo eu não vi mas mas né pode ter me escapado eh e eu acho
que isso se dá por diversas razões primeiro a linguagem né da psiquiatria as linguagens médicas elas são muito herméticas e elas dificultam um pouco o nosso acesso mesmo a esse tipo de fonte sem uma orientação se você tá numa universidade num programa de pós-graduação sei lá ou mesmo numa Graduação eh e não tem nenhum professor que pesquise isso fica muito difícil de Navegar por essas Fontes históricas né então tem essa questão primeiro de uma dificuldade de acesso por conta da linguagem a a outra é uma questão de acesso às Fontes né porque se a gente
for pesquisar institucionalização especificamente a gente vai ter que entrar nas instituições e não é tão fácil assim entrar no meu caso eu tinha um projeto da Universidade que me abria Essa porta com mais facilidade mas não são todas as Universidades que vão ter esse tipo de projeto né então tem uma questão e eh de um entrave mesmo de serem instituições de difícil acesso quem estuda prisão também esbarra o mesmo problema são instituições muito fechadas eh e existe uma desconfiança inclusive da atuação do do Historiador dentro dessas instituições eu falo isso com muita tranquilidade tá outra
questão é uma crença talvez de que é um tema Nichado ou seja Ah é uma coisa muito peculiar muito específica que não tem muita relação com outras coisas e aí eu acho que isso é simplesmente um um equívoco assim né porque eu espero que tenha dado para para para sacar assim por meio da minha arguição mas a gente não tem como pensar Eugenia no Brasil por exemplo sem pensar psiquiatria não tem como pensar raça no Brasil sem pensar psiquiatria né então eu acho que é urgente que a gente enquanto Historiador se volte para esse tipo
de de tema e aí a gente tem algumas possibilidades né para se aproximar desse tema a gente pode tanto tentar entrar nas instituições para ver como que elas se caracterizavam nos seus pormenores nas diferentes épocas e tentar entender as articulações entre prod científica práticas institucionais né E aí a gente vai observar várias Fontes médicas e a gente vai precisar mergulhar Nessa linguagem mesmo de cabeça e e se inteirar disso né E apesar do estranhamento Inicial que isso pode causar no Historiador e na historiadora a gente tem bastante literatura A esse respeito para nos aportar e
nós temos um trabalho inclusive dos pesquisadores da fio Cruz né que tem uma pós-graduação em história das Ciências da Saúde que facilita muito a gente ter a entrada nesses temas né como a gente pode também ir por uma outra via que é a de pensar Política pública né então você não necessariamente precisa entrar dentro de um Hospital Psiquiátrico por exemplo para fazer a história da psiquiatria você pode trabalhar com fontes que você consegue encontrar em Arquivo Público Instituto Histórico geográfico esse tipo de de instituição em que a entrada não é tão difícil assim aí vai
depender da administração local aí do lugar que você tiver e também também existe a possibilidade que é uma possibilidade Que muita gente agarra com unhas e dentes que é a da história oral né de fazer mesmo um um um rastreio digamos assim de pessoas ou que passaram pela experiência da internação ou que trabalharam instituições ou pessoas que atualmente fazem uso da rede de atenção psicossocial né do SUS e trabalhar com isso e as temáticas também são muito variadas você pode pensar saúde mental e Raça saúde mental e gênero saúde mental e mulheres Especificamente você pode
pensar saúde mental na periferia Então são articulações infinitas que a gente pode fazer com diversos temas e portanto articular diversas fontes diferentes né Eh eu faço aqui um clamor para que meus companheiros e companheiras historiadores historiadoras né se voltem para essa questão porque os debates de saúde mental como você colocou lá no início do episódio né e eles vêm se popularizando cada vez mais E eu acho que a nossa formação de historiadores e de historiadoras nos permite colaborar bastante com não só com o debate acadêmico como com o debate público e com o debate de
políticas públicas né porque eu particularmente tenho a minha atuação eh também política né envolvendo todas essas todo esse acúmulo de pesquisa que eu venho fazendo desde desde 2012 que foi com quando eu entrei pela primeira vez num Hospital Psiquiátrico das dezenas de milhares de Pessoas que vão ouvir esse episódio Talvez uma ou outra entre dessa área por conta desse Episódio né então vamos aguardar Quem sabe daqui a uns anos a gente receba uma mensagem sobre isso né vamos ver tomara e para terminar eu queria te perguntar o seguinte essas discussões sobre saúde mental nunca estiveram
tão em vogga quanto elas são hoje em dia a gente vê as pessoas conversando em redes sociais a gente vê eh pessoas tendo coragem de admitir os Seus diagnósticos que uma coisa que antigamente existia muito Tabu tem também o lado ruim disso que tem muita gente que fica se autod diagnosticando isso às vezes pode gerar algumas situações complicadas só que existe também todo um debate a respeito da medicalização quando se fala assim eu por exemplo tá eu eu já precisei tomar remédios eu já precisei tomar o prazolan PR PR ansiedade faz anos que eu não
preciso graças a Deus mas não sei nem Porque eu falei Graças a Deus eu sou ateu Mas enfim e eu tomo remédio pra insônia Eu já tentei largar as vezes não consigo e eu já me deparei com situação de ir numa farmácia e ter o farmacêutico me dizendo tipo não é eu vou fazer tu largar esses remédios te dando homeopatia e eu ficar tipo não falar muito mas por dentro eu ficar muito indignado assim sabe eu também ficaria que a Indústria Farmacêutica não sei o qu e a gente sabe que tem esse o o lado
Péssimo da Indústria Farmacêutica mas existe também a necessidade de alguns remédios para alguns casos enfim é um assunto muito polêmico então para terminar eu queria deixar assim em aberto para para ouvir a tua opinião e aí até agora a gente falou muito do que tá baseado nas tuas pesquisas agora é aquela pergunta mais de opinião profissional opinião de alguém que não é profissional da psiquiatria mas é profissional da história da psiquiatria Etc é como é que você vê esse debate em torno da medicalização que a gente tem hoje me botou na fogueira no final segura
rão vou vou segurar eu tenho tranquilidade para para segurar esse e esse debate de fato ele é muito polêmico e na verdade daria para fazer um episódio só sobre isso assim porque e eu acho que essa é uma das questões mais urgentes da da nossa contemporaneidade né Eu particularmente sou uma grande crítica da Medicamental muitas vezes as pessoas falam em medicalização e medicamentação como sinônimos a medicalização eu caracterizaria de maneira muito rápida como o o ato de transformar questões que até então não eram médicas em questões médicas então por exemplo a loucura foi medicalizada ela
em por muito tempo na Europa não era uma uma questão de ordem médica e ela passa a ser a partir do século XVI Então esse é um exemplo de medicalização a gente Medicalizacion então e aí é importante a gente observar que esse processo ele não é neutro aí eu vou invocar aqui a figura do meu careca preferido que é o Michel Foucault né esse não é só um processo relacionado a um saber científico propriamente técnico que que se tem acerca do parto mas também uma questão de poder né se a gente pensar por exemplo que
nos uns anos atrás agora não vou saber dizer quando eh os médicos obstétricos da Obstetrícia aqui da da Grande Florianópolis eles queriam Proibir a entrada de doulas nas salas de parto doulas para quem não sabe são profissionais que trabalham eh com o acolhimento da pessoa que tá parindo né então perceba que existe quando a gente tá falando de Medicina na verdade de qualquer disciplina a gente tá falando também de relações de poder aí mas a medicalização Na minha opinião pessoal embasada mas pessoal ela não é em si um problema ela é um fenômeno é vão
vir Cois coisas acopladas a ela e muitas vezes de fato vão ser horríveis mas ela não é em si um problema agora a medicamental iação ela é um problema porque a medicamental essa palavra difícil de falar 10 vezes seguidas bem rápido ela não é o simplesmente a medicação a medicação como tu muito bem pontuou ela vai ser necessária em muitos casos né e quantas vezes a gente que é acadêmico não não vai ter que recorrer a Ansiolíticos por exemplo ou a remédios para dormir como tu tava relatando né que é o teu caso então a
medicação ela é uma tecnologia como qualquer outra né E ela deve ser usada e quando bem utilizada ela garante inclusive que pessoas que em outros momentos históricos talvez passassem a vida inteira internadas elas não o sejam então a medicação em si o Ato da medicação não é um problema em si mas o que a gente chama de medicamental iação É o ato de a gente colocar a medicação como a primeira solução para uma questão de saúde mental que é a tendência hegemônica e é aí que mora a crítica quando ela é bem feita porque crítica
mal feita infelizmente sempre vai ter Então eu acho que o grande problema é que a crítica da medicamental muitas vezes é apresentada de uma forma muito vulgarizada porque eu entendo que a medicação pode ser um um recurso um poderoso aliado né tanto para casos mais Complexos quanto para casos um pouco mais rotineiros como por exemplo a questão do sono né agora uma coisa que é interessante de a gente observar também Em contrapartida é o fato de que em termos hegemônicos em Psiquiatria hegemônica não se discute os motivos pelos quais a gente dorme mal a gente
tá cada vez mais ansioso a gente tá cada vez mais deprimido etc etc como a psiquiatria vai pensar essas questões como eminentemente Biológicas a psiquiatria hegemônica ai mas eu conheço um psiquiatra que ele não faz assim legal que bom mas em geral a mais maioria não vai por essa linha Vai pensar o a questão do transtorno psiquiátrico primeiro né vai rapidamente capturar um um um comportamento como sintoma de um transtorno psiquiátrico e às vezes nem toda a ansiedade ela faz parte de um quadro de transtorno de ansiedade né isso inclusive quem diz não sou eu
uma psiquiatra chamada Ana Silva Miller E ainda por cima vai medicar como a primeira saída e ainda que a medicação ela possa apresentar de fato uma melhor para essa pessoa será que no longo prazo tratar essa essa essa ansiedade com a medicação é a única saída né Será que a gente não tem vários outros acompanhamentos que essa pessoa vai ter que fazer né claro geralmente o psiquiatra vai dizer que a pessoa tem que fazer atendimento psicoterapêutico também agora Quais são as condições que A gente tem para fazer isso então eu acho que toda a crítica
da medicamental ela tem que vir com todo esse contexto de a gente pensar não só ah a indústria farmacêutica quer que a gente tome mais remédio embora gente embora sim embora quando a gente Olhe eh os dados que a gente tem por exemplo na pesquisa do Robert Whitaker que talvez seja mais famosa né Eu não eu acho ele meio sensacionalista para ser bem sincera mas mas ele tem uma pesquisa bem Sólida sobre a relação entre a Indústria Farmacêutica e a associação americana de psiquiatria por exemplo que é quem faz o quê o manual de Diagnósticos
eh e a relação Então dessa organização com a Indústria Farmacêutica de fato existem vieses de confirmação e conflitos de interesses em muitas das pesquisas que comprovam a eficácia dos das dos medicamentos né então a gente precisa evidentemente ter um certo uma certa desconfiança mas não porque a Psiquiatria em si mas porque a produção de ciência em geral como como tu colocou mais cedo né iis ela tem ã certas implicações que vão esbarrar em dimensões éticas em dimensões de mercado e tudo mais eh e aí eh eu acho legal a gente olhar para algumas iniciativas como
por exemplo os grupos de assim chamados né dos que se auto intitulam Sobreviventes da psiquiatria Ou seja pessoas que tendo procurado ajuda psiquiátrica se viram com uma série de Problemas em decorrência do uso de medicação ou mesmo das internações né como que essas pessoas se colocam Qual que é a crítica que elas estão fazendo o que que elas estão demandando já vou dar o spoiler né que em geral é política pública né atendimento que seja de várias áreas e não só médica e também a observação do atendimento aos direitos básicos como moradia alimentação etc etc
e também o movimento internacional de ouvidores de vozes que são pessoas que Têm essa característica de ouvir vozes e Muitas delas não se vem como alguém que tem um transtorno psiquiátrico e oferecem saídas criativas e de ajudas de pares para lidar com essa questão porque nem sempre né vão dizer essas pessoas nem sempre ouvir vozes lhes traz algum prejuízo na maior parte das vezes o que traz o prejuízo é o fato de ter que conviver com outras pessoas que não ouvem vozes e chamam elas de loucas então eu trago esses dois exemplos aqui Só pra
gente ver como esse assunto ele ele é eh amplo como ele é e multifacetado e como ele é complexo mesmo e a gente não pode ficar caem opiniões rasteiras do tipo ah eu vou te fazer parar de tomar o remédio né quem tem que saber se você quer parar de tomar o remédio ou começar a tomar remédio é você né não é um farmacêutico né é você e os profissionais que estão te atendendo né Teu Psicólogo o teu psiquiatra o teu neuro né E isso tem que Ser sempre discutido com consentimento e e esclarecido da
pessoa que vai fazer o uso do remédio né e com o máximo de informações possíveis eu acho que sim nós temos uma tendência muito forte ao diagnóstico inclusive o tal do autodiagnóstico que para algumas pessoas é visto como uma saída do tipo assim ah eu não tenho acesso a Profissionais de Saúde então eu faço um autod diagnóstico para eu conseguir me entender Eu particularmente Sou bastante crítica a essa interpretação mas eu entendo de onde vem e por que as pessoas falam isso e a gente tem uma tendência atual cada vez maior de Med mentalização o
uso da medicação como uma primeira saída e eu vejo isso com bastante crítica com bastante preocupação dada a história da psiquiatria que eu acabei de contar aqui para vocês né Eh no entanto eu acredito que essa crítica tem que ser feita com muito cuidado inclusive eh para Preservar o entendimento das próprias pessoas que fazem uso da medicação ou que que recebem diagnósticos e que concordam eh com isso né Não sei se eu respondi outra pergunta mas mas eu acho que é por aí d o seu trabalho à frente do museu de imagens do inconsciente ele
foi bem compreendido bem aceito e reconhecido aqui no Brasil não por não sei por mas não foi reconhecido dizer as bases científicas Do seu trabalho nunca foram reconhecidas nunc foram reconhecidas [Aplausos] recomendações de leitura para quem ouviu até o final se interessou pelo assunto se você tivesse que recomendar aí um dois no máximo três livros para não se livro demais e não sobrecarregar os iniciados O que que você recomendaria eu vou recomendar o loucos e degenerados uma genealogia da psiquiatria ampliada da professora Sandra caponi em que ela Vai falar justamente sobre o desenvolvimento das teorias
da degeneração como elas desembocam na Eugenia e qual é a influência que isso vem a ter no manual diagnóstico estatístico de transtornos mentais também o texto que é um um formato livro da tese de doutoramento do Pedro Munhóz Clínica laboratório e Eugenia relações transnacionais entre Brasil e Alemanha agora não lembro o período exato mas é ali no início do século XX década de 30 40 e se você quiser ir para uma coisa mais teórica mas ainda com a pegada histórica eu sugeriria não poderia deixar de sugerir Michel ficou o poder psiquiátrico que é um curso
que ele deu no collegio de France entre 74 e 75 em que ele revisita algumas coisas que ele escreveu lá na história da loucura e ele fala ah aquilo ali que eu falei não era muito bem assim e aí ele vai lá retoma isso explica melhor né renova recicla os argumentos e começa a falar um pouco Dessa p mais pro final do 19 que começa a se aliar com as teorias da degeneração e que depois vai desembocar nas teorias eugênicas são estes E então é isso Ana tem alguma consideração final não tenho consideração nenhuma e
gostaria de agradecer pelo espaço né tô aí nas interwebs gente procurem né procurem meu trabalho eu dou cursos livres Eu ofereço grupos de estudo grupos de leitura eh e novamente fico o Convite né para quem tem um interesse na temática pode me mandar e-mail à vontade pode me mandar mensagem em privada nas redes sociais no Twitter no Instagram que eu respondo com maior carinho e envio bibliografia e tudo isso e a gente pode conversar sobre futuras pesquisas né Eh é isso quer passar o teu e-mail pro pessoal Claro meu e-mail é históriae saudemental @gmail.com tudo
junto perfeito então Então é isso gente muito obrigado por Terem ouvido até o final não se esqueçam que os livros que Ana mencionou aqui no finalzinho o nome deles vai est no post desse Episódio do nosso site historia fm.com não seja um desses preguiçosos que vem nas redes sociais me diz ah qual foi os livros citados no final eu sempre coloco no site para vocês acharem em questão de segundos Não seja esse tipo de preguiçoso que vem pedir o livro na rede social Beleza então tá lá no site histor fm.com e não se esqueçam Claro
de Apoiar o nosso trabalho em apoia.se bar obrigahistória Então é isso muito obrigado e até a [Música] próxima este podcast foi financiado por nossos colaboradores no apoia-se acesse apoia.se bar obrigahistória e contribua para manter esse projeto Educacional gratuito no ar esse podcast Foi editado por Samuel gambini Samuel gambini audio.com