Olá, pessoal! Sejam todos bem-vindos. Hoje, eu quero falar e concluir um ciclo sobre as virtudes, que é a quarta aqui na ordem que eu estou propondo.
A quarta virtude é a virtude da Justiça. Para mim, na minha maneira como me organizo, eu enxergo ela como uma virtude que, evidente, ninguém precisa. .
. ah, não, agora já desenvolvi muito a virtude da Prudência, agora já desenvolvi muito bem a Temperança, agora eu desenvolvi muito bem a Fortaleza, agora vou começar a ser justo. E quantas era injustiça para todo mundo?
Era fazer coisas erradas! Veja, por enquanto, tá? Deixa eu.
. . né, aqui, me tornei um cara forte, agora vou ter força para devolver o troco que me deram errado, agora vou ter força para pagar o que eu prometi para os outros, agora eu vou ter força para cumprir os combinados, agora vou ter força para ter consideração com as pessoas e não chegar uma hora e meia atrasada sem necessidade, e assim por diante.
É evidente que não. Nós somos criados desde muito novos com vários conceitos, várias atitudes que estão relacionadas à virtude da Justiça. Os bons pais cobram isso dos seus filhos.
Uma vez, o cara chega em casa com uma bola nova. O pai e a mãe perguntam: "Essa bola é de onde, cara? " "Ah, não, vi a bola parada na rua, não tinha ninguém, eu peguei a bola.
" "Não, mas pera lá, essa bola é de alguém! " "Ah, mas se eu não pego, o outro pega. " "Olha, meu filho, o outro é outro.
E aí, eu não sei o que o pai do outro ensinou para ele. Tu não é o dono dessa bola, tu vai pegar e vai deixar aquela bola lá no lugar que ela estava, certo? Cada um cuida da sua consciência.
" Ou então, esse pai vai propor uma outra solução que permita que o dono dessa bola apareça e recupere o que é dele. Então, esse tipo de coisa, nós somos criados com coisas assim, né? Eu recordo de coisas assim na minha infância.
Provavelmente, você recorda na sua também de como nossos pais nos ensinaram a dar aquilo que é justo para as pessoas, a cumprir os combinados, né? A não pegar nada que não é nosso, a ajudar as pessoas que, talvez por alguma injustiça, se encontrem privadas de alguma coisa importante para a vida, para a dignidade. Certo?
As pessoas causam toda uma comoção: "Sei lá, ah, seu Fulano foi prejudicado por tal pessoa", ou "a gente sabe que fizeram uma maldade para ele, agora tá faltando tal coisa, sofreu uma injustiça. " Ah, não! Seu Fulano acaba sendo um objeto, mais ainda, claro, da misericórdia, da ajuda, da boa vontade das pessoas.
Mesmo ali nas bem-aventuranças, tá? É interessante, se você deseja aprofundar esse tema das virtudes, vale a pena dar uma olhada, certo? Nos primeiros versículos do capítulo quinto de São Mateus, aonde nosso Senhor acaba fazendo o famoso discurso das bem-aventuranças, o sermão das bem-aventuranças, né?
Aonde ele vai falar: "Bem-aventurados", e vai falar uma série de coisas. A gente já falou dos bem-aventurados puros de coração, ajuda a gente a pensar com bastante detalhe sobre a questão da temperança, né? Bem-aventurados os que têm sede e fome de justiça, porque serão saciados, né?
É esse trecho que eu queria pescar para nós agora. É fome e sede de justiça. A injustiça é uma das coisas que causam mais uma óbvia revolta no homem comum.
E não é que o homem comum não seja injusto sempre, mas não é tão fácil assim a gente refere a nós os pecados que nós observamos fora de nós. Mas, se a gente vê um fraco tendo algo que é seu por direito roubado por um forte. .
. Se a gente vê que uma pessoa tinha direito a uma ajuda do governo ou de outra instituição e não recebe, sempre existem as histórias intermináveis de gente que precisa de uma ajuda, por exemplo, no Sistema Único de Saúde, que não recebe e até morre esperando essa ajuda. Ainda que eu faça ressalvas em vários contextos, né?
O SUS funciona e dá certo, e tudo mais, mas realmente o fluxo, a procura é enorme e, às vezes, nem todos os lugares são bem administrados, né? Todas essas coisas causam nas pessoas uma revolta imediata. Lembro de uma época que houve até uma série, né, de uma emissora brasileira, que era as pessoas encenando situações de injustiça diante de alguém e aí verem o que acontecia.
Algumas vezes, a pessoa reagia, levantava, ia lá tentar defender, né, o ator que simulava estar sendo injustiçado. Ficava na dele, não vou me meter, não é problema meu, e assim por diante. E depois, um momento muito bacana para quem ajudou e muito constrangedor para quem ficou na sua, né?
Era lá o repórter: "Ah, você sabia que aquela situação, a moça que estava sendo agredida. . .
Ela é uma atriz! " Claro que ela não foi verdadeira. Mas por que você não ajudou?
Certo, e aí é engraçado, né? É interessante que dá para dar milhões de respostas mal-educadas para quem faz uma pergunta dessas, mas é um questionamento verdadeiro. Nós mesmos nos questionamos: "Puxa vida, eu vi uma pessoa precisando de ajuda ou precisando de alguém que a defendesse, não defendi, né?
Fechei a porta, fui adiante, fiz de conta que não vi. " Ninguém se sente muito orgulhoso de si mesmo por causa disso. E se se sente?
Via de regra, são pessoas que têm um problema de caráter, um desvio de caráter, né? Então, dessa forma, acho que podemos já concordar. Acredito que vocês concordam comigo que.
. . A injustiça é algo que causa uma comoção, tá?
E aí nós falamos de vários tipos de injustiça e assim por diante, que é uma coisa que eu não quero espraiar muito para não me alongar demais. Tá, mas fato é que a justiça, de maneira muito simples, é tentar perceber o que é de cada um por direito, né? Ou seja, nem sempre, e geralmente, a gente pensa em questões materiais com isso, mas não é só questões materiais, né?
Por exemplo, vamos pensar aí, né, o filho e o pai: o filho tem o direito, né, de ser auxiliado pelo seu pai, orientado pelo seu pai, protegido pelo seu pai e sustentado pelo pai, até o momento em que, dentro do razoável, ele não tenha condições de se sustentar, tá? É claro que se uma pessoa é muito mais velha que 18 anos e ela ainda não tem essas condições, pode haver alguma dificuldade também na personalidade dessa pessoa, né? Mas, via de regra, é isso, certo?
Quais são os deveres do filho, né? Escutar o pai, obedecê-lo, respeitá-lo, obedecê-lo em tudo que não for crime ou pecado, né? Respeitá-lo, certo?
Falar bem dele, tá? Não fazer críticas levianas, procurar dar-lhe alegrias, certo? Ingratidão por tudo que o pai faz por ele e assim por diante, tá?
Então, nós temos esse quadro, por exemplo, de justiça, e daqui falamos de várias coisas que não são mensuráveis. Como é que eu mensuro o respeito, né? "Ah, vou te dar uma tanto quantidade; você tem direito a tanta quantidade de respeito.
" Isso não existe. É uma atitude que eu tenho que ter para com aquela pessoa, porque que é, por exemplo, meu pai, tá? E assim por diante.
E a justiça, dentro do pensamento cristão, tá, a última palavra em relação à atitude virtuosa entre uns e outros, nós sabemos que várias condições que estão ligadas à fragilidade humana demandam uma transcendência da justiça. E o que a gente chama de transcender a justiça? E veja bem, transcender a justiça não é ser injusto com pretexto para isso ou com justificativa para isso, tá?
O que alguns relacionam com a coisa da Justiça da Misericórdia não é passar por cima do direito dos outros, é dizer que não se foi feito nada, é dizer que não tem problema quando tem problema, sim, e assim por diante. "Ah, tô sendo misericordioso, mas não é misericórdia. " Tá?
Mas a misericórdia olha para a pessoa que está diante de mim, que é culpada, que precisa, sim, restituir algo a alguém que tirou, ou seja, essa pessoa culpada fez algo de mal que merece uma punição, certo? E assim por diante, certo? Mas eu olho que aquela pessoa, se ela for punida na proporção que ela merece, ou se eu simplesmente entregá-la à punição sem procurar ajudá-la ou fazer qualquer outra coisa para que a punição não acabe a destruindo, certo?
Eu olho para aquilo ali e digo assim: "Não, olha, mais importante do que a culpa é a pessoa. " Tá? Então, assim, a minha pergunta é como eu consigo, né, dar a esse homem o que ele merece, que é a punição, né, que é a multa, que é qualquer coisa assim, tá?
E, ao mesmo tempo, com isso, com a punição, não perder a pessoa punida, né? Não perder a alma, não perder o ânimo da vida, não perder a vida dela. Mesmo aí entra uma coisa que nós, né, muito polêmica dentro do campo da moral, certo?
Que é a questão da pena de morte, tá? Então, ou seja, a pena de morte, para muitos, é criticada do ponto de vista que ela parece não fazer sentido quando eu reconheço que o bem da vida é um valor que sobrepõe, né, a qualquer outro bem natural, tá? E eu tenho outros meios de remediar os males causados ou que podem ser causados por aquela pessoa.
Dentro desse contexto, para muitos, né, não faz sentido, é contra, né, o bem próprio das ações humanas, tá? E perpetuar a pena de morte, por exemplo, tá? Por quê?
Porque eu olho para a pessoa e vejo o bem dela. Eu não quero a aniquilação dela. Sim, ela tem que ser punida, sim, ela tem que ser presa, sim, ela tem que ser multada, sim, qualquer coisa, mas ela, né?
Ela em si não é um mal. Mal são as atitudes dela, talvez má é a disposição dela, mas ela em si não é um mal e parece que em alguns contextos e algumas concepções acerca da pena de morte, o sujeito, ao cometer um erro, acaba se tornando um mal em si mesmo, o que não pode ser concebido, certo? Então é isso, não é nas polêmicas acerca da pena de morte.
É isso aí mesmo, não de forma alguma, em nenhum lugar e assim por diante, tá? Isso aí é, nem me, nem presumo que eu tenha sequer a capacidade ideal para tratar de um tema tão difícil, né? Claro que a gente tem alguma coisa para falar, algumas ideias que acabam iluminando a questão, mas, e disso a dar a resposta para isso aí vai mais longe e não dá para.
. . Para aqueles que são católicos, com o magistério da Igreja, é praticamente proíbe a pena de morte, certo?
Ah, dá a entender pelos textos do catecismo que, olha, pena de morte é a última das últimas questões, muito específicas, um cenário de guerra, alguma coisa do tipo, né? Eh, por exemplo, esse tipo, mas isso eu estou inferindo aqui, porque dentro do catecismo da Igreja Católica nem sequer levanta essa questão. Ah, essa e aquela atitude.
. . É claro que isso pode ser encarado, eu particularmente não sei isso, tá?
A pena de morte como mal intrínseco para alguns. Tá? É meio complicado, e eu não saberia dizer.
Mal intrínseco é aquilo que a matéria é: ela é sempre má, né? Independente de qualquer atenuante, de qualquer coisa desse tipo, tá? Porque entenda bem: a pena de morte não é legítima defesa.
Como é legítima defesa? É legítima defesa do indivíduo. Estou num contexto onde eu sou abordado violentamente por alguém; eu percebo que eu não tenho como, né, parar esse agressor.
Injusto, né? Em proporção, a injustiça que ele pode querer cometer comigo pode sim significar ou a minha morte, ou um ferimento grave, ou isso para alguém que está sob a minha responsabilidade. E aí, então, eu tenho uma ação que pode levar esse homem à morte, sendo que eu também não pensava nisso, sendo que não é o meu objetivo.
Não é matar ninguém, é realmente impedir um agressor. Isso é legítima defesa, certo? Agora, outra coisa muito diferente é você prender, né?
Você neutralizar a ação de um sujeito, você impedir que ele continue cometendo o mal, e mesmo assim decretar como punição para ele a pena de morte. Tá? Existe aí uma diferença bastante clara, certo?
Esse tipo de coisa, tá? Então, a justiça vai ser transcendida. Voltando ao nosso assunto — pequena digressão, voltando aqui, né?
— pela questão da misericórdia. Por quê? A misericórdia vai ser aquilo que, no homem, né, eu vou olhar não somente para o erro do sujeito, mas para a miséria em que ele se encontra a partir desse erro, ou a miséria que levou ele ao erro, que está ali fazendo o sujeito estar diante de mim como culpado, tá?
Então, não tem o que fazer. Ou eu perdoo esse cara, né, misericordiosamente, se o perdão compete a mim, né? E se o que eu estou perdoando eu realmente tenho alçada para perdoar, tá?
Eu perdoo esse cara para que esse cara possa seguir avante, certo? Mas só para dizer, gente, isso é um favor, sim e não. Nós temos que pensar, às vezes, de uma chave menos individualista, de que o problema, né, sei lá, de qualquer pessoa é exclusivamente dela, tá?
Não! Eu deveria ter preocupação e solicitude com os problemas dos outros, certo? Então, assim, outras pessoas estão diante de mim.
Eu também deveria estar ali me desdobrando para procurar ajudá-las, tá? E eu olho que o único jeito desse sujeito retomar a vida dele e fazer o que precisa é se eu perdoar aquilo que hoje ele deve. Uma parábola famosíssima sobre isso é sobre o servo mau, né?
Não sei se é o servo mau; tem uma parábola dos dois servos. Uma coisa assim: que é um servo que deve milhões, é perdoado pelo senhor e coloca na cadeia um amigo que devia cem reais para ele, certo? Então, isso não pode acontecer.
Não é que a misericórdia é para uma meia dúzia de desgraçados que não conseguem dar conta da própria vida, tá? A misericórdia é algo da qual todos os seres humanos dependem, porque Cristo vai deixar isso muito claro. Aqui eu remonto, sobretudo como história de sabedoria, independentemente do credo que você tenha.
Os caras estão prontos lá a apedrejar uma mulher em flagrante adultério, certo? E Cristo diz: "Olha, quem não tiver pecado, ó tudo bem, quem não tiver pecado, que tira a primeira pedra. " Você entendeu?
Todos nós temos uma dependência da misericórdia para poder seguirmos em frente, porque senão, né, nenhum erro nosso seria perdoado, certo? Ou todo erro que nós cometemos aceitaria uma punição; e algumas vezes pode ser que essa punição significasse a aniquilação da pessoa, certo? Então, essa questão da misericórdia não tem nada a ver com, né, levar na maciota gente culpada ou impunidade; não tem nada a ver com isso, certo?
Mas é realmente não transformar, né, o sujeito, certo, no erro que ele cometeu, tá? E para ter, né, misericórdia, eu tenho que sempre lembrar que a misericórdia não pode partir de uma premissa injusta, certo? Ou seja, vamos imaginar assim: ah, não, eu acho que todas as pessoas têm que ter tal e tal coisa à sua disposição, certo?
Ótimo! Você vai ter que dar isso para todo mundo. O que você vai fazer para dar isso para todo mundo?
Eu vou lá e vou prejudicar tal pessoa que produz ou que faz possível esse bem que eu acho que todo mundo tem que ter. Calma, calma lá! Então, tu vai tirar daquilo que é justo que o outro tenha para tentar, misericordiosamente, ajudar a outra pessoa, tá?
Gente, aqui, por favor, eu não estou fazendo referência, claro, que para alguns tá soando como a maneira como alguns estados totalitários, né, por exemplo, de esquerda, as experiências aí, né, marxistas, comunistas, fazem. . .
pá, pá, pá. Isso aconteceu em vários contextos, mesmo políticos, que é a questão da planificação da economia. E aí você, né, acaba entrando em regras muito, muito básicas da economia e começam a acontecer processos de escassez e assim por diante, tá?
Mas nem é isso que eu me refiro. Eu me refiro bem àquela coisa, né, de senso comum: eu não posso, para vestir um santo, desvestir o outro. Então, o princípio, né, da misericórdia está estribado, está lastreado numa atitude justa.
Eu não posso obrigar o outro a abrir mão do que é dele, por direito. Eu posso, talvez, argumentar com ele, dizendo assim: "Cara, vem comigo! Vamos pegar, é tudo bem, é nosso, é nosso sim, é nosso tempo, é nosso privilégio ou é nosso direito, ou é nosso qualquer coisa, mas vamos pegar um pouco disso aqui que a gente tem, que mesmo não tá nos fazendo falta, de qualquer uma dessas coisas que eu citei, de qualquer bem, né, e assim por diante, e vamos tentar ajudar esse cara.
" Não é pelo fato de que ele merece, mas porque ele é uma pessoa. Né? E é claro, por eficácia pessoal, evidente essa ideia, né?
Da ajuda aos demais, ela não há nenhum mal em que eu, né, procure privilegiar aqueles que mais conseguem fazer, né, coisas boas com aquilo que lhe é a ele dado. Não é que não é para ajudar as pessoas. Ah, não!
Esse aqui é um cara que administra mal o que dão para ele de ajuda. Bom, né, ajudando também o cara, não, não vamos deixar ele na pior, mas é evidente que a gente pode sim olhar com um olhar bem especial para aquela pessoa que, né, aproveita os dons da misericórdia e acaba, com isso, melhorando bastante, tá? E aí vamos entrar em casuísmos que não nos levam a nada.
Ah, mas se o cara usa tanto, né, algum recurso que lhe dão e anda mal, deve continuar ganhando? Deve ser deixado ao léu. Evidente, né, gente, que as coisas são bem complexas se a gente vai olhar caso a caso, tá?
Mas que dizer isso, né? Não podemos cair na esparrela de achar que vamos conseguir produzir uma sociedade misericordiosa passando por cima dos direitos das pessoas, né? Tampouco também vamos conseguir formar uma sociedade misericordiosa ignorando a lei natural ou as dinâmicas naturais, certo, das várias ciências e artes que têm por aí, tá?
Eh, mas sim, sem a transcendência da misericórdia do perdão, né? Tem processos de conflitos entre nações, entre grupos, entre categorias sociais, né? Ou ainda classes sociais que são, eh, são insolucionáveis.
Ou seja, se algum lado não fizer algum tipo de sacrifício, né? Eh, o caminho para a solução de diversos quadros difíceis, né? Não, não, não tem, não se vê perspectiva de resolução.
Agora, eu não posso tirar dentes com o pescoço dos outros, né, pessoal? Isso aí tem que ficar muito claro. Eh, realmente, se eu estou querendo sacrificar, eu tenho que sacrificar o que é meu, né?
Tenho que procurar sacrificar o que é meu. Claro que daí, quando o contexto é o mundo da sociedade, da economia, a isso se encontram as vertentes. Não, mas é do cara, mas foi surrupiado por um sistema que age assim, assim, assado.
Não! Essa ideia de sistema é uma falácia. Bom, vocês já entenderam, né?
Aí entra o mundo dos temas, das visões filosófico-políticas e tudo mais. Não é disso que a gente tá falando, certo? Eu tô falando na nossa vida bem comum, de todos os dias, pão, pão, queijo e queijo.
Eu não posso lá pegar o lanche do coleguinha e dar pro necessitado que tá ali, né, na porta da minha escola. Eu tenho que pegar, então, o meu lanche. E aí, então, meu lanche, eu vou lá e dou pro necessitado, né?
Aí depois, o meu colega fica ele, o necessitado, claro, bem menos necessitado que, por exemplo, um pedinte, né? Mas eu tô lá comendo o meu lanche bem belo, certo? E aí eu fiz lá a caridade com o que era dos demais.
Não é assim que funciona, certo? Mas, de fato, é um convite, né, a sobretudo amar o bem verdadeiro que existe em cada situação e o bem verdadeiro que é cada pessoa, tá? Esse discernimento prudente e, a partir disso, uma vez salvaguardado aquilo que é de cada um por direito, então começar a pensar se podemos, então, fazer atos de generosidade que vão para além da justiça e colocam na jogada o remédio da misericórdia, que às vezes é o único remédio para a vida, para contextos, para conflitos e assim por diante, certo?
Para quem é católico, não preciso nem dizer, né, gente? O pessoal foi salvo pela misericórdia. O pessoal, eu me incluo dentro também, né?
Para quem acredita, fomos salvos pela misericórdia, né? Eh, não, o homem não merecia, né, o que Deus fez por ele na ordem da graça. Deus faz, né, gratuitamente, porque é Deus, porque é amor, porque ama e quer salvar o ser humano, tá?
E isso serve de paradigma para várias situações. Infelizmente, é isso, muitas situações hoje se complicam, né, em diversos contextos porque ninguém quer ceder, ninguém quer pegar um pouco do que é seu para compartilhar com os demais, tá? Então, é isso.
Mas, novamente, eh, mais uma vez, nunca é de mais repetir: a justiça é o lastro certo para as ações misericordiosas. A justiça é o lastro da misericórdia. A justiça é o lastro do sacrifício.
A justiça não existe, eh, conflito entre misericórdia e justiça; existe a transcendência da justiça na misericórdia. Está bem? Então, eu vou ficando por aqui.
Não deixem de curtir, né, essa aula se gostaram e também de compartilhar com quem você sabe que gosta desse tema. E, se não é inscrito no nosso canal, não deixem de se inscrever, certo? Eu vou ficando por aqui.
Na nossa próxima série de conversas, quero falar um pouco com vocês sobre discernimento, discernimento e como a gente pode aprofundar esse aspecto tão importante da virtude da prudência. Mas eu fico por aqui. Até a próxima!
Tchau, tchau!