[Música] Eu gostaria muito de poder olhar cada um de vocês e perguntar cadê a diversidade a Unicamp desde 2019 tem recebido estudantes indígenas e estudantes de camadas populares ingressantes por modalidades étnico raciais e por um vestibular indígena específico E aí eu fico com uma interrogação bem grande Cadê os meus parentes indígenas nessa plateia onde está a representatividade dos povos indígenas onde está a representatividade dos outros estudantes que estão aqui e que fazem parte desse corpo Universitário eu estou falando para quem irei eu representar na minha fala como a gente vai falar sobre diversidade se a
diversidade não está representada em nos Bancos que estão vazios um dia na Unicamp eu presisei um diálogo de um guardinha do Bandejão na fila do Bandejão com uma pessoa e ele dizia assim lindamente uma tentativa de portunhol Olá que tal bienvenida e a pessoa à minha frente disse assim muito obrigada muita gentileza sua E ele curiosamente disse assim nossa você fala minha língua ela disse sim por que você acha que eu não falaria porque você é diferente diferente por quê Ah você parece Colombiana Você parece peruana E aí ela disse essa pessoa disse assim por
quê que eu pareço Colombiana por que que eu pareço peruana pelos meus traços de fato eu sou uma estrangeira dentro do meu país porque eu sou indígena então tudo que é de fora tudo que é estrangeiro ainda que seja aquela aquele paizinho bem lá do lado porque nós temos o privilégio de duas regiões no norte que fazem fronteira com outros dois países Nós temos duas tríplices Fronteira valoriza-se O que é de fora mas não valoriza-se o que é daqui eu sou mundurucu E aí As pessoas olham para mim e dizem É verdade perguntam né É
verdade é verdade o quê É verdade que vocês andavam pelados lá é verdade que vocês Eh desculpa eu não tô conseguindo colocar mas enfim é verdade que vocês eh comem isso comem Aquilo sim é verdade desculpa não vai eu tinha preparado uma coisa bem bonita para vocês verem que eu sou Colombiana eu sou peruana eu sou indígena eu sou brasileira eu tô aqui para falar diversidade sobre diversidade perguntar para vocês estamos de fato incluindo a diversidade nos lugares por onde passamos estamos falando sobre diversidade nos empregos né porque isso é um evento que fala sobre
futuro é um evento que fala sobre humanidade que fala sobre a nossa construção humana que fala sobre a proteção à natureza a proteção Nossa e a proteção ao outro a universidade ela tem trazido muito essa questão da diversidade que tem sido muito lindo a Unicamp Ela Tem trabalhado muito essa questão da diversidade mas os meus parentes indígenas que chegam eu e tantos outros estudantes que vem dos extratos sociais mais diversificados da sociedade brasileira sofrem preconceito ainda sofrem sofrem exclusões dentro dos grupos de trabalho que são feitos organizados dentro das disciplinas de seus cursos são indígenas
que ainda sofrem porque o professor pergunta você tá entendendo o que que é o conhecimento o conhecimento é só o ocidentalizado o que vem de fora o estrangeiro o que produzimos nós povos originários porque se fala muito dos nossos ancestrais das sociedades antigas das civilizações antigas das de lá e as nossas e os nossos ancestrais somos ancestrais vivos e estamos aqui para falar para vocês dessa importância de valorizar a identidade brasileira porque não é só a identidade indígena nós somos brasileiros nós valorizamos o que tem aqui então quando eu entro na universidade e as pessoas
me perguntam você é colombiana e quando eu falo sou indígena e ela diz Nossa mas você parece ser uma estrangeira nós somos eu quero saber se essa plateia me representa se essa plateia quando sair daqui no final desse dia vai ter eh um sentimento de transformação e o que que vocês vão levar desse dia hoje eu fui convidada para falar sobre diversidade e eu particularmente me sinto incomodada em não ver a diversidade nesse lugar porque na Unicamp nós nós temos aproximadamente 500 é um número que eu tô chutando mas temos aproximadamente 500 estudantes indígenas de
50 e uma etnias do Brasil quantos de vocês já chegaram em um indígena e perguntaram qualquer coisa sobre ele com com com a simples vontade intenção de conhecer de aprender e de incluir Por quê a gente precisa viver nesses espaços a gente está vivendo em aldeias multiétnicas a cidade de Limeira é um lugar que tem indígenas isso bem antes dos indígenas chegarem na universidade Quem de vocês conhecem um indígena poucas pessoas Nós temos muitos indígenas na universidade aqui em Limeira aproximadamente 75 estudantes eu estou falando para quem porque eu queria que os meus parentes indígenas
estivessem aqui me assistindo para entender a importância de ocupar esses espaços porque a gente não sai das nossas aldeias Porque somente porque a Universidade de uma vaga permanecer é também ter a sua inclusão a partir da da interação das outras pessoas aceita porque quando a gente vem para cá a gente tá trazendo tudo que é nosso a gente vem aldear e aí quando eu chego num lugar assim antes de mais nada eu gostaria de falar que a minha fala era totalmente diferente dessa e eu estou improvisando mas eu tô fazendo isso do fundo daqui da
minha experiência da minha trajetória porque nós estamos aqui somos completamente invisibilizados nós estamos aqui e ninguém nos enxerga e continuamos seguindo por que que vocês estão aqui eu tenho a minha motivação e ocupar esse espaço agora falando sobre diversidade é perguntar para vocês quantos de vocês promovem a diversidade promove a inclusão nos lugar lugares por onde vocês Vocês passam nos Espaços onde vocês estão inseridos quantos de vocês hoje vão sair daqui pensando nossa eu acho que eu deveria conversar mais com o meu vizinho porque a diversidade não é só do do não indígena pro indígena
do não indígena pro não pro negro a diversidade não é isso a diversidade é é a a superação de um um obstáculo em que você aceita as pessoas do jeito que elas são que você não vai lá lembrar de um indígena só no dia do índio o índio da Xuxa sabe que quando você olhar você vai dizer Nossa eu conheço aquele indígena eu conheço aquele povo não apenas por curiosidade mas porque vocês estão em lugares onde essas pessoas também estão nós somos indígenas e estamos aqui eu sou munduruku e não lembrem de mim só por
conta do Daniel mundurucu porque ele é um intelectual indígena que tem um caminho lindo e de resistência de luta em favor da diversidade em favor de levar os conhecimentos indígenas os conhecimentos do povo dele porque na universidade a gente não precisa aprender só o o o o conhecimento ocidental o do estrangeiro a gente precisa aprender sobre nós a gente precisa entender que esse é o nosso lugar e que é isso que a gente tem que fazer da valorização da identidade brasileira não tô pedindo a valorização da minha identidade indígena porque isso eu já faço eu
faço inclusive ocupando esse espaço porque é uma uma realidade possível a partir da abertura da Universidade pra gente estar aqui e aí eu proponho que a gente reflita sobre esse nosso local de fala sobre esse nosso local de que a gente ocupa de trabalho de representante de donos de patrões de empregadas de mulheres de professores de homens de adolescentes de universitários porque não é ocupar é ter a qualidade da ocupação desse espaço nós indígenas negros mulheres mães estamos aqui eu sou edlene eu sou indígena do povo mundurucu sou filha do Rio Negro no Amazonas de
Uma cidadezinha lá na beira do rio eu tô aqui morei Limeira H um tempo e hoje falar ocupando esse espaço da Universidade que jamais eu havia pensado em ocupar para mim é um privilégio e para mim é uma conquista muito grande porque eu olho para trás e eu vejo toda a caminhada todo o percurso que eu tive cada um de nós aqui podemos olhar para trás e ver o que somos agora né como a palestrante anterior falou o presente se torna passado o tempo todo mas a gente precisa do passado para nunca esquecermos quem somos
porque os nossos ancestrais inclusive estiveram aqui antes de nós e nós não chegamos sempre estivemos então valorizar valorizar a identidade do outro indígena ou não indígena a luta do outro o permanecer a diversidade a inclusão de fato é isso que o meu estar aqui na frente de vocês nesse tapete vermelho bonito significa então eu vos peço vamos lá incluir vamos conversar com o outro vamos nos apropriar daquilo que é nosso e o que é nosso a nossa identidade brasileira porque já diz o o a frase né que tá sempre nos nos posts das redes sociais
se você não tem sangue indígena no seu corpo você tem nas mãos eu tenho certeza absoluta que esse sangue indígena que nutre esse chão essa terra que é Nossa ele certamente trará algum aprendizado para todos nós e que a gente habite esse planeta que a gente cuide dessa terra que a gente feche os nossos olhos e nos conecte com esse chão trazendo de volta o resgate das nossas raízes das nossas raízes ancestrais porque todos nós independente do lugar de onde viemos temos a nossa ancestralidade E é isso que faz a diferença no tratamento com o
outro quando a gente de fato coloca a diversidade e a inclusão dessa diversidade em prática eu sou edlene E mais uma vez eu sou mundurucu e é um prazer estar aqui com vocês muito [Aplausos] [Música] obrigada e