O Concílio Vaticano II diz que "todos somos chamados à santidade", é uma vocação universal, é isso que nos diz a Lumem Gentium no capítulo 3º, mas se a nossa vocação realmente é a santidade, qual é o papel que as devoções realizam para nos levar até a santidade? É isso que nós gostaríamos de esclarecer com este pequeno vídeo. Bom, em primeiríssimo lugar, é necessário que você compreenda que quando nós falamos de devoção à Virgem Maria, quando falamos da Consagração à Virgem Maria, nós não estamos absolutamente falando de um ato mágico.
Esse é o primeiro extremo que nós temos que evitar, veja, algumas pessoas querem fazer com que a Consagração seja uma espécie de amuleto, ou seja, eu vou, coloco correntes, escapulário, medalhas, etc e esses simples atos devocionais onde eu pronuncio uma fórmula mágica de consagração à Nossa Senhora me garantem o céu e assim eu não preciso mudar de vida, eu não preciso me converter. Por outro lado, nós temos um outro extremo, as pessoas que acham que para eu ser um verdadeiro devoto de Nossa Senhora, um consagrado à Virgem Maria, eu já preciso ser santo, então, se eu ainda não alcancei a perfeição da santidade eu não vou me consagrar e, infelizmente, algumas pessoas consagradas corroboram e reforçam essa ideia dando a impressão de que eles são uma elite, uma casta, "Nossa, eu sou consagrado à Nossa Senhora, sou melhor do que todo mundo, você não é nada", nada mais triste e infeliz e nada mais desagradável para o coração de Nossa Mãe Santíssima que quer que todos, absolutamente todos, cheguem à sua vocação que é a vocação da santidade. Pois bem, então vamos lá, no que é que uma devoção pode nos ajudar para chegarmos no caminho da santidade?
Veja, em resumo, a santidade é a união da alma com Deus, é quando nós amamos e amamos Deus de todo coracao, com toda a nossa alma, com toda a nossa força e todo nosso entendimento. Quando estamos tão unidos a Deus e nós podemos dizer como São Paulo: "Vivo, mas não eu quem vivo, é Cristo que vive em mim", se São Paulo podia dizer isso, quanto mais a Virgem Maria podia dizê-lo, que não era quem vivia, era o próprio Cristo que vivia nela. Pois bem, nós queremos alcançar isso, nós queremos alcançar essa perfeição cristã, ou seja, esta santidade: que sejamos tão unidos a Jesus, tão unidos a Jesus que sejamos o que o esposo é para a esposa, um só corpo, uma só realidade, é isso que acontece com os santos.
Mas, para chegar lá, nós precisamos usar de meios humanos, é claro que os verdadeiros devotos são aqueles que já são santos, mas, nós que estamos iniciando, nós que estamos no princípio, somos principiantes, ainda estamos nos purificando, Deus nos atrai com vínculos humanos, como diz o profeta Oséias, Deus vai nos dando incentivos sensíveis, aumentando a nossa devoção, nos atraindo como o esposo atrai a esposa, mesmo que essa esposa no início seja infiel, mesmo que essa esposa no início seja imperfeita, mas, afinal, se Ele veio do céu para se entregar na Cruz, para morrer por nós, Ele realmente quer se unir a nós. Agora, quando nós olhamos para Jesus, infelizmente, por causa do nosso pecado original, nós temos um certo medo de nos entrarmos a Ele, você olha para a Cruz de Cristo e diz: "Senhor, seja feita a Vossa vontade", pode ser que você seja um bom teólogo, como eu, por exemplo, que estudei teologia, eu olho para a Cruz de Cristo e digo: "O amor de Deus é infinito, o amor de Deus é perfeito. Senhor, eu quero me unir ao Vosso amor, seja feita a Vossa vontade", mas sabe, quando eu olho com sinceridade dentro de mim, eu vejo que dou esse passo com a cabeça, mas meu coração esperneia, porque existe algo desordenado dentro de mim que tem medo da vontade de Deus e então, nós que somos principiantes, que ainda não somos santos e vemos que dentro de nós alguma coisa se retorne com medo da vontade de Deus, precisamos da devoção à Virgem Maria.
Quando nós nos entregamos a Ela, nós não entregamos somente a cabeça, a inteligência, entregamos também o coração porque ninguém tem medo de se jogar nos braços de uma Mãe bondosa e é por isso que Deus, para os principiantes, dá essas devoções e, muitas vezes, devoções sensíveis, sem que a gente caia em sentimentalismos, mas Deus nos ajuda, Deus vê a nossa fragilidade, afinal das contas, nós precisamos de incentivos, principalmente quando estamos no início, É assim que, ao apresentar a Verdadeira Devoção à Virgem Maria, São Luís nos recorda que, eu não preciso ser já santo para me consagrar à Nossa Senhora, ao mesmo tempo, eu não posso fazer a Consagração sem mudar de vida, então, são os dois extremos, a Consagração supersticiosa de quem não quer mudar de vida e a Consagração de quem diz "não, só sendo santo para eu me consagrar". Veja o que o próprio São Luís diz no número 99 do Tratado: "Confesso que para ser alguém verdadeiramente devoto da Santíssima Virgem, não é absolutamente necessário ser santo ao ponto de evitar todo pecado, conquanto seja este o ideal" - São Luís está dizendoL "Não estou reclamando, se você consegue evitar o pecado, Deus te abençoe, meu irmão", mas isso não é um pré-requisito necessário - "Mas é preciso, ao menos"- para não cair no outro extremo, do supersticioso - "nota-se bem, em primeiro lugar, estar com a resolução sincera de evitar ao menos, todo pecado mortal que ofende tanto a Mãe quanto o Filho", essa é a primeira coisa, evitar pecados mortais, pelo menos isso, o propósito, se você depois estiver caindo, mas você tinha o propósito, se arrepende, se confessa e volta ao caminho. E o segundo ponto: "Fazer violência a si mesmo para evitar o pecado", não basta só um propósito frouxo, é necessário que seja um propósito real, então, assim, nós vemos o quanto a devoção pode e deve nos ajudar no caminho da perfeição cristã.
A Consagração à Virgem Maria é um caminho principalmente para os iniciantes que precisamos das ajudas divinas que nos atraem com os vínculos humanos e maternos da Virgem Santíssima, para que nós. então, sem fazer do Tratado e da Consagração uma mágica, façamos o firme propósito de evitar o pecado mortal e de fazer um pouco de violência para mudar o nosso coração. Deus abençoe você.