[Música] boa noite a todos a todos eu queria convidar para compor a mesa primeiro há uma das diretoras do filme que é na taxa média na grande área e o filme é um um equívoco é aquilo que dá uma falha que no cartaz onde é porque o filme é dar na taxa média e do lula carvalho que está aqui presente também queria convidar o mundo também para participar por favor - o doutor daniel lopes defensor público domingo o índice pmi momento do processo [Aplausos] e também para compor a mesa queria convidar assim a ana paula
oliveira na paulo obrigado pela presença [Aplausos] [Música] o bom é que eu acho que é a terceira vez que eu vejo esse filme ea cada vez que hoje eu gosto mais isto eu gosto mas não sofro mais acho que nós todos que já vimos o filme mais uma vez cada vez é sempre uma experiência nova nelma é um modo diferente dever de ouvir e hoje principalmente porque esse ano passado aqui na escola da magistratura né na emenda é esse esse evento aqui hoje ele integra o chamado fórum permanente que tem o nome de o fórum
de política e justiça criminal que é um fórum que integra a escola da magistratura e que foi criado esse ano quem presídios fórum é o desembargador paulo baldez que não pôde comparecer talvez ele venha mais tarde e me pediu então para coordenar que essa mesmo fico muito honrado com essa com esse convite do paulo baldez de estar aqui na imagem aliás novamente na emerj depois de uma ausência de dois anos agradeço a presença dos maiôs il darlan que faz parte da existência democrático no poder judiciário e de e integrante do da associação juízes para a
democracia jd que tem feito nos últimos anos um um papel importante nessa existentes especialmente a partir desse ano de 2009 já passa palavra inicialmente a a natasha depois ao lula e agradecendo a natasha e da disponibilidade dela de trazer do filme de comparecer então muito obrigado natasha uma honra uma alegria apesar do filme ucr alegre mas é uma grande honra várias ameaças contar aqui com a sua presença e com o seu filme do lula boa noite a todos obrigada pela presença quero agradecer muito disse-me-disse jogador sérgio verani é uma grande referência para qualquer pessoa que
estuda assassinatos cometidos pelas para o estado né de autor de o primeiro livro sobre o sistema que o rio de janeiro assassinatos em nome da lei uma pesquisa feita ainda no período militar né sobre os primórdios é dessa ordem de serviço de 1969 que criou chamados 'autos de resistência' e previa a não prisão em flagrante de policiais que cometeram homicídios então eu estou nessa pesquisa histórica e pesquisa de processos nada da década de 70 é uma grande referência para todos nós que militamos nessa luta contra a desumanização de pessoas acusadas de terem atentado contra a
polícia na eth também é uma satisfação muito grande ver se esse debate cine debate como parte do fórum permanente presidente o doutor baldez porque em 2009 quando eu comecei a pesquisar é a tramitação de homicídios que os poucos 9 2% que tem uma denúncia e vão parar na justiça né eu comecei a fazer pesquisa de campo nas vagas dos tribunais do júri e o desembargador valdés era é do 2º tribunal do júri e foi muito atencioso permitiu que a gente tivesse acesso a todos os os casos né então deu uma ótima entrevista pra gente é
me lembro dele a dignidade com que ele preside as audiências inclusive em caso de como naquela audiência em que existem algumas perguntas que violam os direitos dos familiares né pergunta que não tem nada a ver com os fatos né mas perguntas que são feitas pela defesa o desembargador baldez sempre pediu a defesa se ater aos fatos nunca permitiu que família nenhuma passasse mal ali no segundo tribunal né então sempre interview de uma maneira democrática porque existem formas de você fazer a defesa sem violar os direitos humanos do outro então ele sempre teve muito cuidado com
isso é não atou ele hoje em dia faz parte do comitê estadual de prevenção e combate à tortura como representante do tribunal de justiça também uma grande alegria que o tribunal de justiça faça parte do comitê de prevenção à tortura e além de outras pessoas que são parte dessa resistência dentro do direito como a doutora daniela prado que já foi coordenador da audiência de custódia é uma perspectiva organizadora da custódia de simone shriver que é já exibe o nosso filme no centro cultural justiça federal na faculdade de direito da unic e rio são pessoas que
dentro do direito tem uma preocupação muito grande nerd pensar qual é o papel dos operadores do direito diante dessa política de segurança pública que a aposta não só é com essa virada de governos de direita mas há 30 anos né a política de segurança pública que tem a morte como uma forma de controle social de pessoas negras e pobres nas favelas então se um som são referências dentro do direito né de qual é o papel de cada magistrado cada promotor cada defensor diante dessas pilhas de inquéritos e processos que chegam diariamente aos seus seus gabinetes
na em suas mesas né como olhar para aqueles papéis sem desumaniza as pessoas que estão colocadas naqueles papéis como números né registros de ocorrência que tem números eu me lembro nem é como como é difícil pesquisar justiça né quando fui fazer a entrevista com o doutor baldez ele falou olha não é com alegria que eu te digo isso mas eu não tenho condições que o que a gente perguntava como é que a gente tenha acesso ao homicídio é que a gente sabe qual é o volume de homicídio praticado pela polícia que estão tramitando aqui nessa
vara isso é uma crítica que a gente ainda pode fazer o tribunal de justiça não é capaz ninguém é capaz de saber numa vara no cartório a porcentagem de casos cometidos pelas polícias não existe um marcador no tribunal de justiça é uma grande dificuldade dos pesquisadores é fazer o fluxo né ao longo do sistema de justiça a gente não registrou ocorrência na polícia civil a gente tem uma quantidade é uma categoria que hoje em dia o homicídio decorrente de intervenção policial já foi homicídio proveniente de auto de resistência no ministério público também não tem o
marcador no tribunal de justiça não tem o marcador é preciso modificar a forma de proteção de dados do tribunal de justiça para que a gente saiba o volume de casos que estão tramitando né que foi um crime cometido pelas polícias e mulher de maradona desfilando olha eu adoraria ter cidade partida mas o tribunal de justiça não tem ou não tem como saber então fazer pesquisa sobre essa temática dentro das instituições de justiça é um verdadeiro garimpo né então é muito me alegra está aqui hoje porque a gente vem fazendo há um ano uma série de
debates sobre o filme nas universidades nas escolas nas favelas já exibimos na seção de defensores já fizemos a estréia em parceria com a defensoria obra levou pra todos os as sessões do albedo do rio ministério público e exibiu a gente não tinha passado ainda dentro de uma instituição do tribunal de justiça então eu acho muito importante que a gente traga essa reflexão sobre os procedimentos cotidianos da justiça para dentro da justiça né é bem e aí a gente viu eu venho de uma trajetória acadêmica inicialmente nem fazendo pesquisa na área de antropologia do direito acompanhei
a tramitação desses casos né desde a delegacia passando pelas centrais de inquérito né com desfecho de arquivamento da denúncia é durante muitos anos né e faz toda a diferença a atuação de cada operador do direito do que vai acontecer com esses casos porque é bem os casos só saiu do esquecimento são dados de pesquisa não sabe os casos em geral não por acaso quando chegava para perguntar para dez operadores do direito nas varas criminais quais caso vocês conhecem são de homicídio praticado pela polícia com as casas que lembravam a chacina da coroa foi mondo do
cuca que está aqui que foi morto que tinha militância de familiares então céu é uma expectativa sobre o júri da coroa a chacina do borel que tem a militância dona dalva do borel homicídio é contra o jonathan que tenha a ana paula quer das mães de manguinhos os casos em que existe a militância de familiares são aqueles casos que têm uma investigação que deveria ser na verdade é a prática deveria haver investigação de todos os homicídios inclusive homicídio praticado pela polícia mas fazendo pesquisa das instituições é da polícia civil no ministério público a gente viu
que é determinada de mortes não são investigados não é isso assim saturação de significados de pesquisa qualitativa a gente fez pesquisas em algumas delegacias distritais em vários promotoria de investigação penal os casos ficam naquela ilha na verdade dentro de uma delegacia onde eu pesquisei eu sempre conto essas causas triste é na verdade eles eram separados da pilha de homicídio a sindicante do inquérito porque cada inquérito fica responsável é nas mãos de um sindicante que faz o trabalho cotidiano dos inquéritos não é uma prisão em flagrante não sei se todo mundo aqui tem alguns estudantes mas
homicídio praticado pela polícia em que ela alega legítima defesa a polícia vai fazer o registro as armas não são aprendidas na delegacia existe um auto de depósito em que o depositante na verdade é é o próprio que vai começar pelas armas é o próprio policial e as águas chegam meses depois se é que chegam ao instituto de criminalística carlos éboli a cena do crime feita como vocês viram em diversos casos aqui no filme né o normal neste caso infelizmente padrão é que a polícia alega um falso socorro é uma narrativa de que o suposto confronto
leva o corpo já morto no hospital então não tem perícia de local é a cena do crime feita muitas vezes de cápsulas na sua arrancada do local mesmo com o corpo na cena do crime é possível fazer uma uma perícia de local não existem marcas incentivo seja só existe sangue mas a prática cotidiana dentro das delegacias a dizer que aquela área uma área de risco então não é possível fazer uma perícia de local é quando a divisão de homicídios foi criado em 2011 aqui no rio eu tocava todos os homicídios ou menos homicídios proveniente de
autos de resistência foi preciso muita luta só depois recebi dos autos de resistência em 2015 depois fernando veloso foi depor na cpi que eles passaram a pegar casos é de 15 áreas integradas de segurança pública um total de 21 ou 22 delegacias ainda só da área central daqui do rio de áreas da zona sul que pouco têm casos de auto de resistência quando foi morto na favela de manguinhos por exemplo o caso vai para 21 de pia continua tendo é comparativismo entre a 21 dp e a opb de manguinhos continua havendo uma inércia nessas investigações
então a gente tem é falta de prestígio local falta de testemunhas à polícia civil sequer vai ao local é quem vai ao a delegacia são os familiares quando conseguem romper a barreira do medo quando eles têm movimentos sociais é de familiares amparando essa família que acaba de perder seu filho né literalmente essas pessoas que estão aqui hoje como o cuca como ana paula eles vão para a cena do crime para fazer o isolamento dos corpos para evitar que os corpos sejam retirados da cena do crime nela então eles fazem com que a polícia deveria fazer
nos fazem preservação do local de crime eles levam capitais para a delegacia ele leva já que a delegacia não vai à favela que disse que era de risco eles vão à delegacia então este poucos casos que vão ter uma investigação são esses dois por cento que mantém uma investigação e faz toda a diferença luta do promotor de ler aquele caso né e não somente da um despacho de uma promoção concedendo mais 90 120 dias já que no caso não teve um é uma resolução aquele inquérito né então eu fico vai ver o chamado pingue pongue
entre delegacia central de inquéritos que muitas vezes gera um arquivamento uma falta de provas inclusive grupo de apoio especializado em segurança pública do ministério público responsável por investigar os casos de homicídios praticados pela polícia baixou uma determinação que enquete mais antigos que 2012 devem ser arquivados todos teve uma promotora que se recusou a arquivar todos os inquéritos anteriores a 2002 ela foi retirada do gaeco e recentemente era inclusive uma promotora que atende os familiares com muito cuidado e tinha feito uma série de denúncias de casos de execuções sumárias nas favelas é até no grupo especializado
existe essa determinação então os bulls casos que chegam no tribunal de justiça os familiares está no tribunal de justiça é muito controverso porque finalmente o caso virou um processo isso é uma grande vitória né é para além da condenação que é muito difícil virar um processo em si é fruto de muita luta né mas quando começa o processo com doloroso esse processo para essas famílias é eu assisti isso fazendo pesquisa e b ea idéia do filme foi justamente trazer um pouco de como é para essas famílias viver esses é por dentro das engrenagens do sistema
de justiça em busca dessa é tão longe um com justiça é que demora tanto que tarda que machuca que a cada audiência nos faz relembrar de cada detalhe daqueles crimes nem quantas vezes ele tem que repetir a mesma coisa né enquanto o quanto isso é massacrante é para as famílias é bem tem muita gente pra falar aqui é eu não quero me estender muito mas dizer que é infelizmente a gente deixa a gente começou a fazer o filme deixa eu comecei a pesquisar esses casos há 12 anos atrás as coisas pioraram muito a gente está
neste momento com 15 mortos por dia pela polícia foram 1.075 pessoas mortas em casos em que a polícia adentrou à delegacia fez a cena do crime levou pro hospital e disse que atirou em legítima defesa e ataque a a multa que a droga está aqui o radinho né assistir kit flagrante que tinha dito que a gente sabe que a polícia tem quando não está plantando morto está vendendo de volta para o tráfico é foram menos 75 vezes que a polícia fez isso de janeiro a julho não existe não há nenhuma série histórica de dados em
país nenhum estado nenhum do mundo que tenha tantas pessoas mortas em nome da lei né em nome de uma suposta garantia da lei e da ordem de uma política de segurança pública já estava debatendo sobre isso agora é que muda a gente é um processo histórico de genocídio né pessoas foram às arquibancadas da áfrica né os burros negros sempre foram mortos sempre foram perseguidos a polícia militar foi criada para caçar escravos fugidos que muda com esse governo atual mudou que existe um sadismo e uma alegria com a morte a gente é a legitimação social e
cotidiana da morte ela já se dá pela sociedade pela mídia pelos operadores do direito né arquivarem a cada despacho que legitima que não olha pra que aconteceu naqueles casos né que são arquivados mas o que muda agora a gente tem ao vivo a comemoração da morte como aconteceu na semana passada com o governador wilson vice a gente tem é uma alegria e um desejo da morte e aí eu acho que a gente passou a da humanidade a gente passou é um outro ponto que é inominável e que é acho que é o máximo que a
gente chegou nessa política genocida essa falsa guerra às drogas e aí cabe a nós é eleitoreiro que tem muitas pessoas negras aqui nessa platéia me alegra muito que vocês estejam aqui espera que sejam todos os estudantes de direito que vão ocupar esses espaços que façam desse espaço do direito sua trincheira de luta também porque também uma vez vem no filme né quantas pessoas negras têm operadores do direito o único que tem é justamente o advogado dos policiais o batom é diz que é vítima de racismo no final das contas naquela audiência né claro ele massacra
as famílias mas ele foi vítima de racismo também ali então é muito difícil você ver o operador do direito negro nefp vocês ocupem esses espaços a gente tem que questionar todos os dias que a gente pode fazer com esse essa normalização essa legitimação das mortes processo de desumanização cotidiano que se dá né e tem muita coisa que a gente pode fazer e aí eu eu tenho aprendido a cada dia né com pessoas como ana paula como rafael que é prima do hilton que foi morto na chacina de costa barros cuca mono josenildo nessas pessoas o
cuca está aguardando há dez anos com juros e marcado a chacina da coroa quando seu irmão foi vitimado e o cuca se levanta todos os dias assim como ana paula eles vestem as camisas todos os dias pra dizer que eles e eles são a justiça aquele eles não aceitam que o estado incrimina os seus mortos netão se eles têm coragem nesse momento histórico mesmo com um fuzil apontado operações diárias cotidianas novas mortes eles têm coragem de se levantar o que nós vamos fazer nosso lugar de privilégio né não adianta a gente somente é perceber que
existe racismo estrutural a gente precisa ter práticas anti racistas que tipo de prática de vocês todos estão empreendendo diariamente em seus espaços né dentro do direito tem muito a ser feito especialmente nesse momento a gente tem a gente tem uma série de brigas estão sendo compradas dentro do direito já que o executivo eo legislativo estão perdidos a gente não tem espelho esperança um pouco dentro do direito né acho que daniel pode falar um pouco mais sobre isso mas enfim só deixar essa provocação aqui pra vocês agradeço muito mais uma vez pelo convite é uma honra
poder estar aqui hoje muito obrigada a palavra um co-autor do filme bruno carvalho boa noite na verdade você bem breve é a minha história de entrada nesse filme é porque eu faço cinema então aqui até diante das pessoas que estudam que estão mais diretamente ligadas à justiça ou esse assunto eu não anos no nosso exatamente a pessoa que faz parte disso que o que me chamou a atenção e acho que inicialmente me fez querer participar junto com natasha e ajudar ela fazer esse filme bom dia que ela chegou em casa contando que nessa pesquisa que
ela estava fazendo nas delegacias tinha uma pilha de de um inquérito em cast de inquérito civil como seu limitado mas tudo bem é que o poeta é essência das coisas e ela e ela dizia que na delegacia tinha uma pilha aa que as pessoas falam aqui há três dias e não importa e ficava ali jogado aquilo ali né e não virava nada então isso foi o que a mim é a questão da resistência entrou pra mim dessa maneira e eu acho eu pra eu tenho muita dificuldade de entender o sistema de justiça porque e até
no filme você vê a situação do shaman aonde ele chegou a ser preso e até quantas pessoas não tiver não estão lugar dele ou motos ou encarcerados ou criminalizados de alguma maneira é e que ele foi salvo por um por um vídeo de um celular que por coincidência por um milagre alguém estava o amigo dele que morreu estava fazendo mas o tempo todo tinha câmeras de do estado na viatura não consigo entender não entra na minha cabeça como é que a primeira coisa não ok dá a câmera do carro pra ver eu não consigo entender
não entra na minha cabeça com que porque na verdade só foi ouvir uma o material de uma prova em que é do estado que é paga pela gente que é uma lei e nem viu eu não consigo entender num momento na minha cabeça e no caso de ana paula né como ela diz também no filme é um policial que já havia cometido um assassinato c e estava de novo não é pra minha cabeça tenho muita dificuldade e eu tentei de alguma forma como é pequeníssima é é contribuição da minha profissão tentar fazer alguma coisa altura
de uma parede de uma situação tão grave tão tão séria e eu acho que o filme é também agradecendo também aqui o convite que lhe foi feito para chegar exatamente nesses lugares não só o público em geral mas principalmente nas instituições que estão mais diretamente ligada ao a questão da justiça ou de ensino no caso aqui de justiça de ensino eu espero que qualquer contribuição qualquer que seja qualquer mudança ou ajuda ou reflexão que isso possa causar é que aconteça né então é uma honra muito grande pra mim tá aqui na mesa com com eles
porque eu apenas uma pessoa que faz filme e ter a oportunidade de estar aqui e então vou passar a palavra que eu acho que tem muita muita sede aqui obrigado boa noite [Aplausos] essa palavra o defensor público doutor daniel love obrigado pela boa noite a todos e se todos agradeço o convite está aqui hoje é fazer debates sobre esse documentário sobre um tema tão importante inicialmente gostaria também de deixar o meu registro aqui para meu orgulho de poder participar com o professor sérgio verani que é uma grande referência pra mim pessoalmente no mundo do direito
e também nessa temática nesse assunto é autor de uma obra é fundamental assassinatos em nome da lei escrita na década de 80 é publicado na década de 90 eu tava revisitando a obra inclusive eu trouxe meu exemplar uno saiu esse meu pobre e que conta a história e ele pública ele fala porque o tema não perde atualidade e onde estamos hoje nem 2019 e vettel esse livro foi escrito já mais de 30 anos e hoje a gente vive o pior momento talvez em termos de violência no estado não é batendo todos os recordes de letalidade
policial então infelizmente esse tema não perde mas não perde a qualidade mas o sociais vienne desde sempre visionário tentando trazer visibilidade à luz desse tema é como uma prática ideologizado na verdade né mas que se esconde através de fórmulas jurídicas é padrão chavão é para dissimular o seu caráter ideológico que é naturalizado reproduzido pelos profissionais do sistema de justiça e confessou que também deixou um com a sua aposentadoria um grande legado jurisprudencial em defesa das liberdades humanas e da vida humana que meu nome com meu registro aqui do meu orgulho de estar participando que com
esse professor gostaria também de registrar minha indignação pela natasha o lula é de fazer esse registro histórico é que é levado para o mundo todo são vários festivais internacionais com esse filme é passado né é uma oportunidade né de visibilizar ação do tema de dar vez e voz às vítimas as pessoas que mais sofrem com essa situação é uma oportunidade também de um sistema de justiça se vê se observar como funciona como é que as coisas funcionam no sistema de justiça não muitos bichos e pessoas que não trabalham não conhecem têm uma certa ele a
realização é de como assistir a estes processos ocorrem e natasha magnet pesquisadora do assunto mais de dez anos pesquisando o assunto uma pesquisadora cineasta e militante de direitos humanos na participou de mol pesquisa muito importante que o professor michel misse chamado quando a polícia mata não é comum um filho de 10 anos né de 2001 2000 e 2000 e 2010 de mais 10 mil mortes praticadas pela polícia fazendo uma análise também dos inquéritos e dos processos dessas mortes e por último é mais ou menos importante claro registro na paula a verdadeira protagonista né desse filme
é dessa luta é uma mulher mãe vítima e militantes e defensores desumano e direitos humanos e pedagoga graduada e pedagoga da luta da vida quem sempre tenha um prazer de quando escutar sempre aprender sempre esperar quase todas a coragem toda sua força integridade e são essas pessoas que tinham a gente tem mais é é que aprender é bom é meu papel aqui né de e eu aceitei a natasha conseguiu convencer o pai de seu pai disso né eu também era só uma pessoa até tímida participar disso foi um pouco difícil mas enfim de alguma forma
você é este onde se esquece que está sendo filmada mas mas é o fim é dar visibilidade a um tema que é nunca perde a sua qualidade e isso é uma questão que é mais fácil mudar a lei é mais fácil a gente acabar com a ditadura a gente faz uma nova constituição mas a gente não consegue mudar nossa cultura acho que uma prova disso é que como a nossa transição para a democracia foi tão completa insuficiente e hoje regride a passos largos com várias chacinas ocorreram logo depois da constituição de 88 é vigário geral
já kharian do borel e volta redonda entre tantos outros e todos esses casos não é de uso da violência e aí é sempre como também tentando corrigir a gente não falar em violência policial somente na e violência do estado porque a polícia mata mas essas mortes são arquivadas pela pelo sistema de justiça são legitimados pelo sistema de justiça e com a pausa sociedade né com amplo respaldo social para isso então é a gente não mais do que apontar o dedo pra alguém a gente precisa se reunir se responsabilizar e ver qual é o nosso papel
é nessa engrenagem da ses morte que acontece hoje em níveis absurdos são absurdos os níveis de natalidade da polícia do rio de janeiro ganhou um chavão dizer que a polícia do rio que mais mata logo depois em seguida que a polícia que mais morre mas é não existe uma assimetria nisso né a polícia mata muito mais do que morre estava fazendo as contas com a natasha que é durante a exibição é felizmente esse ano nós tivemos uma redução é número geral de homicídios no número de morte policiais o que não tem nada a ver com
o aumento da letalidade policial não existem algumas insinuações ele é leviana certa forma desonestidade intelectual você fazer essa correlação goiano é possível atribuir nenhuma ação do estado com redução de letalidade policial somente o aumento da letalidade mais isso já vem sendo ventilado e essa questão da violência que não é somente policial porque há a polícia não mata muito porque ela é mal treinada a polícia não mata muito porque a dirigir individuais de conduta a polícia mata muito porque isso que se espera dela e hoje mais do que nunca se estimula que ela mate seja porque
há-de entende que isso é uma forma de me cível de combate à criminalidade e eficiente e combate à criminalidade o que também não é verdade mas o fato é que nós aceitamos disse isso as análises land porquê disso porque só conseguem é acontece isso transcende muito direito né 100 das nossas raízes históricas culturais e de como o sistema de justiça não está imune a isso né a essas influências né de uma sociedade ainda muito marcada pelo racismo estrutural institucional e e várias outras formas que impactam esses processos nã os casos que não são investigados com
a devida diligência nos homicídios que a não existem perícia de local de crime e as perícias são mal realizadas net os casos não são é tem um mínimo de esforço por parte daqueles que são responsáveis pela investigação e aí de lego para os familiares realizarem investigações diligências conseguir testemunhos os casos que muitas vezes as famílias são revitimizadas né porque são tratadas que a primeira coisa nesse caso como disse preocupa é saber quem é a vítima o que ela fazia se a estudar se ela trabalhava se tinha envolvimento a gente já chegou num nível né a
gente vê chama de doutrina ao ípsilon nessas declarações o governador de sentido de que se está com um fuzil tem que atirar na cabeça e isso é legal né isso é a gente chama isso é execução sumária mas isso tem um amplo respaldo social né as pessoas não está com fuzil tem ano só que a mensagem que está embutida nisso é que você tem um governador que já foi juiz que já foi defensor público que está ultrapassando a fronteira da legalidade está estimulando o uso da da força nível letal o uso de arma de fogo
foi melhor na cabecinha para manter a margem de dúvida ou seja está estimulando a execução sumária ele está tornando o ato de tirar uma vida a um nível de aceitação muito amplo não que o ministério público vai denunciar alguém que esteja confuso o mesmo tenha sido executado assim se a pessoa tem envolvimento e dificilmente vai haver uma denúncia isso já é prática onde estão e justiça o que se quer com esse discurso na verdade é ampliar o nível de legitimação de violência estatal de modo que não caibam qualquer possibilidade de responsabilização dos agentes e muito
menos da addax das pessoas que têm ocupam posições de poder de decisão na cadeia de comando então é uma das várias a abordagem que a gente pode ter sobre esse filme né assim a questão da dag as drogas chamada guerra de drogas na política de guerra às drogas é o carro chefe é a força motriz da política criminal brasileira que impacta não é tanto no alto nível de letalidade policial como no encarceramento em massa e aí a gente vê só porque a guerra às drogas não é de guerra e 6 contra as drogas né é
uma enganação até o pelo nome não é guerra porque é mas aqui né win de níveis de violência são totalmente desproporcionais e não é contra as drogas né é contra os pobres né o transfor analisar guerra às drogas com relação aos seus objetivos declarados ela é grande um grande fracasso não reduzir o consumo não afetou a distribuição dia/ae gerou um aumento encarceramento absurdo aumento da violência e letalidade policial é ou seja para todos os fins que elas se pretendia combater ela foi um fracasso mas porque ela continua em vigor e cada vez mais todas as
operações praticamente policiais das chamadas incursões nas ações violentas da polícia são a repressão ao tráfico de droga a repressão tranquila e e aí você tem a apreensão de drogas e você tem morte de criança morte mulheres vítimas de bala perdida e fecha o posto de saúde a suspensão de aula tudo isso pra em prol da saúde pública é uma piada né é uma piada mas mão pra alguém deve estar funcionando é porque pra se tantos efeitos negativos e ela continua em vigor pra alguém do hospital auferindo algum benefício econômico político para ela continuar com tanta
força com tanto é boa na nossa sociedade mas é o carro viu e até mostra um caso que é totalmente um ponto fora da curva é um caso cinematográfico é do caso do chão am e do alana dois meninos brincando e por acaso estão filmando com celular no momento e por acaso você tem viatura câmeras nas viaturas policiais né existe uma lei estadual desde 2009 que obriga que todas as viaturas policiais deveriam ter câmeras hoje menos de 10% das viaturas policiais têm câmeras ea defensoria pública tem uma ação civil pública que tem uma liminar que
obriga o estado a realizar licitação para implementar as listas às câmeras ao estado não tem dinheiro ao ano passado a intervenção federal injetou 1 bilhão e 300 milhões em segurança pública no rio de janeiro existe alguma licitação para implementar com planta câmeras nas viaturas policiais não é um caso totalmente atípico por conta dessas câmeras não e o que tinha acontecido nesse caso aí talvez isso é tempo passou um pouco despercebido o chao am alan faleceu na logo depois e um xamã foi conduzido para o hospital estava sob custódia foi feito um auto de prisão em
flagrante dele e ele só não foi levado ao presídio com a alta para o hospital porque a família descobriu o vídeo no celular ea situação virou se fosse seguir o seu rumo natural muito provavelmente ele seria condenado e na sentença constaria a evocação a súmula 70 na aac a interpretação que se faz dela é de palavra do príncipe policiais e quase como uma verdade absoluta invertendo a presução de inocência então é a acho que todos esses é são vários pontos de vista que a gente pode analisar no filme né é acho que estamos a falar
em genocídio não é exagero acho que já vários autores né somente a criminologia negra mas não somente tecnologia negro que já se refere o que acontece no brasil a violência do estado como genocídio então é um crime contra a humanidade êêê que a gente no do sistema de justiça está diretamente implicado com relação a isso obrigado antes de passar a palavra na paula aí eu peço licença para também fazer algumas observações talvez mais ligados ao passado eu estava observando no filme até perguntei na taxa mas como é que você filmou aquilo não era um filme
ou até na senda do dos policiais pegando corpo da pessoa morta e achará um pano vermelho e foram eles que chama estão fazendo um documentário e um sobre as operações deles é assim e é um inimigo do do adonis do piloto vazou para a mídia promoção direitos humanos então aquela cena muitos impressionante né porque é como se o corpo fosse um lixo não era exatamente sobre isso né aliás já houve uma outra uma chacina agora eu não me lembro se já tem muito tempo deve ter base um dos 20 mais de final mais de 20
anos com certeza os 30 anos em que os corpos foram jogados no caminhão de lixo era um 12 corpos é nova brasília foi a favela foi um foram acho que três corpos foram colocados num caminhão de lixo de ter realmente era o isso não era por isso que é um dia no sítio nem contra conta determinadas pessoas aquele grupo de pessoas que são os negros de escolas enfim é um horror nem isso sim dá esse episódio da ponte que daniel também lembrou é do governador pulando de alegria mas não é só o governador as pessoas
e também atual jindonel se menos um eu vi um alguém escrever num menu como assim muito pode ficar alegre porque foi morta uma pessoa é um momento muito muito muito difícil do ponto de vista humano né mas eu estava lembrando que isso do auto de resistência com quem eu trabalhei durante muito tempo que fiz um trabalho sobre isso o emprego do auto de resistência começa exatamente em 69 a 50 anos são 50 anos 50 anos assim que passou muita diferença não é e foi aí eu digo isso nesse livro lembrado pelo daniel obrigado pelas suas
gentilezas assim foi uma portaria mais ou menos do que uma portaria uma ordem de serviço da superintendência da polícia judiciária do antigo estado da guanabara de 2 de outubro 69 não foi uma ordem de serviço não era nem secretário de segurança era do superintendente da polícia judiciária dizendo que dessa data em diante de 2 de outubro 69 quase 50 anos estava dispensada a lavratura do auto de prisão em flagrante nos termos do artigo 292 do código de processo penal se artigo 292 da lei processual penal que fala que quando a resistência à prisão o policial
pode usar da força claro pode pegar a pessoa marcava algema mas e aí lavrou um auto que se chama auto de resistência usou de força para conter a resistência na fuga na prisão não pode matar só pode matar quando a legítima defesa em uma situação concreta de legítima defesa e aí é curioso que foi então no auge da ditadura poucos meses antes em 31 de agosto 69 foi o outro golpe dentro do golpe junta militar assumiu o governo naquela naquele momento de doença do costa e silva os três ministros que instauraram aí o governo da
junta militar durante bastante tempo é é por isso que isso vem logo depois essa portaria daqui do estado da guanabara em dois meses depois três meses depois desse dessa junta militar iniciar um processo de legislação a favor do capital eu estava lembrando que tinha uma lei eu não sei se pegou isso acho que sim vara cível foi pouco de um ano de várias ivo então mas havia se negócio da alienação fiduciária e que preencheria pessoa na aliança que lhe o contrato de não devolver o carro era prevê prisão quer a prisão civil era incondicional até
pela condição de 46 a iss é um é um decreto de 69 logo depois que eu tinha data que isso é direto e 69 decreto lei 911 1º de outubro que 69 da alienação fiduciária era um terror é um tempo de terror né o ai 5 foi no final de 1 68 um tempo absoluto de terror e esse terror é concretizado aqui no estado da guanabara só que o o o cruel que é cruel isso com a história né é que 60 anos depois aí houve a redemocratização constituição de 88 fez 40 anos nisso é
40 outubro então 40 anos democratização eleições para prefeito governador presidente mas em relação a esse extermínio produzido pelo auto de resistência ou com base no auto de resistência isso não mudou há 60 anos fez se uma prática de extermínio era um momento de auge da ditadura da repressão máxima e isso permanece não só permanece mas permanece com mais intensidade o filme termina com um da dona de fevereiro de 2018 isso foi o era foi o o mês em que houve mais mortes não agora em julho e julho foram 194 mortes produzidas pela polícia e até
julho foram 1000 mil 74 mil 74 mortes legalizadas se possa dizer legalizadas convencial legalizadas pelo ministério público e pelo poder judiciário porque como disse ana paula no filme todos têm as mãos sujas de sangue o daniel também falou isso não é só o o policial que atira que mata não não o governador de incentivo é isso o presidente da república que incentiva os seus os anteriores os secretários de segurança os comandantes dos batalhões o promotor quando pede o arquivamento o juiz conta arquiva todos esses têm as mãos sujas de sangue não é só o policial
que atira ele aquele que está ali na frente né então isso é um terror 60 anos passados eu estava lembrando também eliete presente aqui a nossa querida amiga eliete que participou da resistência contra a ditadura tem um livro belíssimo sobre 68 e depois meus sobre 68 amanhã a data de 40 anos da lei da anistia exatamente 40 anos né só que aquilo por qual se lutava que era neste ampla geral e irrestrita ela só foi ampla geral e irrestrita para o torturador e é uma coisa só para já estou encerrando aqui mas estava comentando com
natasha quando eu cheguei ali na sala do café semana passada houve uma grande decisão então o que eu considero histórica do tribunal federal de recursos da região aqui do rio em que foi o voto condutor dessa decisão foi da desembargadora simoneschi ryder que a nossa vida nossa companheira também do da associação juízes para a democracia e reconheceu num processo lá de petrópolis o ministério público federal fez uma denúncia contra o estuprador que o seqüestrador e torturador da presa política inês etienne romeu que foi estava presa lá sequestrada na chamada casa da morte de petrópolis e
hoje petróleos rejeitou essa esse início do processo considerando que a anistia a lei de anistia também era aplicado ao torturador e que esses crimes que estariam prescritos né o ministério público federal recorreu eu sou julgado na semana passada aqui no tribunal federal de recursos o relator manteve essa decisão ea segunda esmagadora a votar que foi a simone será e votou no sentido de e aí é um foto lindíssimo assim é um é é uma tem uma fundamentação histórica e e e reconhece que a anistia não se aplica torturador a lei da anistia não sei se
isso embora o supremo tribunal federal numa decisão uma decisão por ozzy uma decisão sem fundamento jurídico de 2010 há nove anos atrás o supremo tribunal federal reconheceu em interpretou a lei da anistia embora a lei de anistia não diz expressamente que ela se aplica a torturador que seria incompatível torturador não pode ser anistiado e o o supremo tribunal federal reconheceu isso é uma decisão e eu estou hoje convencido de que por causa dessa decisão do stf de 2010 o extermínio teve um homem muito maior porque não só no sentido de incentivar e essas mortes é
como também de elogiar torturador ninguém pode elogiar torturador elogiar torturador constitui crime um crime previsto no código penal que é o que o presidente fez que é o que o governador faz incentivando aí essa matança na então essa decisão da semana passada eu considero que ela é uma decisão histórica né e é possível que e é claro que vai ter recurso no stjd certa mas a gente confia em que essa decisão seja mantida é porque para tentar respirar um pouco um mínimo de estado democrático de direito né é então assim para encerrar o ano curiosamente
a estou falando muito já vou ter um fim à história então só pra voltando à questão do auto de resistência é curiosamente o primeiro auto de resistência que foi feito aqui no rio foi 69 logo depois dessa portaria dessa ordem de serviço foi realizado por um conhecido policial mariel mariscot que compunham um grupo criado pelo general frança que eram os homens os 11 homens e outro quero o grupo especial de combate à delinqüência em geral tão mariel considerado um herói na parte com 69 depois ele acabou sendo processado foi condenado de foi morto depois também
né mas gera uma situação de início de aplicação desses autos de resistência então isso é um horror nem me causam um mais do que um espanto aterroriza a nós todos né eu está hoje eu soube de mandar um artigo que saiu na folha de são paulo agora esqueci quem é o autor acho que é um economista que é chama se o seu que godín ele falando sobre a estupidez o círculo da estupidez e por acaso eu tinha e lindo agora semana passada um texto belíssimo de um escritor alemão ele na verdade ele austríaco mas escreveu
o alemão e na língua alemã e.on e viveu na alemanha muitos anos que é o roberto museu m o s&l ele morreu 43 mas ele tem uma obra simm belíssima e ele tem um texto deixa o pequeno mas que é maravilhoso que se chama assim sobre a estupidez que eu acho assim que um texto que tem 36 1936 ali no meio da guerra na área já no nazismo mas ele fala isso eu acho que a gente estava vivendo esse momento aí que o museu observou lá em 36 cidades estupidez e estupidez e um fuzil eu
lembrei desse trecho dele porque ele fala que a estupidez a estupidez na sua prática conduz e realiza a brutalidade a brutalidade do policial que é ação pessoal dele mas não é só são pessoal b é na verdade uma ação coletiva dessa estupidez aí general de sábado então a gente tem que lutar contra muitas cores e finas são muitas lutas né e aí como como diz ana paula acho que foi assim que será dona paula no fim eu notei que assim eu já tinha ouvido da outra vez que eu vi além de se ter dito todos
fixa e todos têm as mãos sujas de sangue né e o que é esta nós né a nós resta se jogar na luta eu acho que não há saídas em se jogar na luta não resistindo aí a essa estupidez generalizada e do hoje usada e que parece que tá mandando no mundo e que pode tudo né então passa agora com muita felicidade aí pra ouvir mais uma vez a ana paula e obrigado pela sua presença [Aplausos] essa aí é boa noite a todos eu quero agradecer o convite pra tá aqui companhias compondo essa mesa né
é o lugar lugar de fala né da mulher mãe preta pobre favelado demora mas chega ea gente deve agarrar essa oportunidade com toda toda a nossa força mostrando que somos resistência e que vamos seguir na luta é ter um filho arrancado da gente da forma que eu tive o meu filho arrancado de mim tantas outras mães faveladas periféricas têm seus filhos arrancados é uma é uma coisa que é como se a gente tivesse que aprendera a a viver de novo né e a gente vai aprendendo [Música] mas é a gente não consegue sozinho a gente
precisa do apoio da força das outras pessoas é tramitada aqui hoje ocupando o lugar aqui nessa mesa nessa escola tem uma sim uma significância enorme porque quando meu filho foi assassinado é ouvir as investigações o caso e quando eu recebi a notícia de que o caso do jonathan tinha chegado ao tribunal de justiça eu que nunca tinha colocado os pés num tribunal de justiça eu é no áudio da minha ignorância eu achava que ali eu encontrar realmente a justiça lá se vão 15 anos até agora eu não conhecia a justiça em praticamente mais de um
ano que estou aguardando a a marcação da data do júri popular mais de um ano eu aguardo teve uma audiência que foi r julgamento de um recurso do réu é que foi adiado porque o advogado do réu foi sem a gravata então assim são vários os deboches sabe a nossa dor com a dor do familiar que a dor de uma mãe de um pai que que tem um filho arrancado dessa forma e mas quando eu consigo forças tratar aqui hoje sentada nesse lugar para mais uma vez assisti ao filme não que essa realidade esteja longe
de mim é direto né vivenciei isso acordada com o helicóptero blindado da polícia de um tiros tudo isso mas aqui é como eu já falei outras vezes é pra mim é uma forma de estar fazendo justiça para o jonathan porque cada vez que eu visto essa camisa aqui com a foto dele é como se eu é esfregar a si mesmo na cara da sociedade o quanto de orgulho que eu tenho de ser a mãe dele e que é podem me tirar tudo mas nunca vou me tirar o direito deu certo continuar sendo a mãe dele
e é muito revoltante china a palavra é revoltante quando a gente chega naquele lugar que é o judiciário ea gente vê os policiais assassinos fazendo cara de vítima e ali a gente percebe que quem tá sendo julgados são os nossos filhos não tem como dizer que num não existe um conceito não existe um racismo quando as perguntas é direcionadas à nóis testemunhas é a tinha tráfico de drogas na favela onde você mora tem tráfico de drogas aonde o a vítima foi morta foi próximo à boca de fumo isso é muito revoltante mas eu não desisto
eu não posso desistir porque além do jonas hoje eu eu luto em prol de outros filhos filhos esses que as mães não não têm é condições de saúde mesmo de estar nessa luta de travar essa luta porque não é uma luta fácil é uma luta muito árdua e a gente encontra todo momento todo momento a gente encontra em todos os lugares e temos lugares mesmo de militância de luta a gente vê ali escancarado o racismo todo preconceito que é direcionado a nós e preconceito e se que quem é que nos leva à morte né mas
eu falei para mim mesma e prometido meu filho que ele não seria apenas mais um número para a estatística de violência e hoje eu tenho consciência de que quando eu levanto a minha voz não é só em prol de justiça por jonathan é dado força mesmo com outras mães e têm muitas mães que o que assim como eu hoje só estão de pé por conta que se agarraram nessa luta é quando eu tenho que que é um para uma mãe que acabou de perder um filho quando eu tenho que falar direcionar a palavra de força
dessa mãe e quando elas a primeira coisa que geralmente as mães perguntam é aí mas no caso do seu filho aconteceu o policial está preso houve justiça e aí o que eu falo pra essa mãe preciso falar alguma coisa pra que ela é e se sinta fortalecido para que ela não desanime que eu vou falar pra pra que essa mãe não desanime hoje eu aprendi porque como doutor daniel falou aqui na taxa também a gente aprende todos os dias juntos lado a lado e eu aprendi que é o que eu devo o que eu sempre
falo para as mães é a justiça só mas nós mesmas a justiça é você cada vez que você vestir a camisa com a foto do seu filho cada vez que você é outros lugares falar a gente vai estar fazendo a justiça é muito importante é a gente poder é tá é fazendo isso porque eu vejo eu sinto né como uma forma de continuar exercendo minha maternidade para o meu filho é é como se eu continuar se cuidando do jonathan então isso pra mim é muito importante essa luta é importante às vezes as pessoas perguntavam você
tá você é movida pelo ódio pela revolta se eu fosse movida pelo ódio pela revolta eu acho que eu nem estaria aqui de pé já estaria do e cido teria morrido com tantas outras mães mas o que o que me move é o amor é não to romance utilizando nem tenho porquê mas eu acredito sim no amor comum é um sentimento capaz de transformar é capaz de de mudar as pessoas e quando natasha é falou pra mim fez a proposta do filme foi exatamente nessa parte que eu pensei que a gente pensou juntas porque é
isso as pessoas estão ali na sua rotina diária néné seus trabalhos mecânicos e às vezes é não tem esse olhar né o ser humano ea importância desse filme é é isso é que as pessoas possam ter esse momento d é é de se sentir um pouco assim o espero né assim como eu espero que todos vocês o filme é longo mas é eu espero que que vocês não saiam daqui da mesma forma que vocês entraram que que vocês é tenham se sentido tocados mas que esse toque silva é pra alguma mudança né gente vocês estão
vendo aqui uma mãe que mesmo despedaçada mesmo sem um pedaço dela tá aqui eu tento de alguma forma deixar alguma contribuição ao pormenor que seja eu acho que todos aqui nessa sala devem assumir as responsabilidades também chamar a responsabilidade para si a gente precisa se concientizar disso que as vidas que estão sendo terminadas só nossa responsabilidade também é quando a gente vê é isso tudo que está acontecendo aplausos quando uma pessoa é é morta é é isso isso é assustador sáb e quando eu falo que o judiciário tenho as mãos sujas sujas com 11 sangue
dessas pessoas não só o judiciário não só não só a grande mídia que fica aí né fazendo o que elas fazem mais uma copa célula da sociedade nec bate palma quando esses corpos sol é estirados têm responsabilidades com isso também então a gente precisa se olhar e e tentar essa transformação tem que vir a partir de nós mesmos porque não vai ser governado governantes num vai ser ninguém a transformação tem que vir da gente ea gente tem que se concientizar que vidas dependem das nossas atitudes e é o que eu espero é que cada um
aqui possa assumir o seu papel é diante dessa sociedade que statham é adoecida é isso [Aplausos] [Música]