uma coisa sobre comunidade que eu deixei de propósito para esse vídeo é justamente o fato de que uma comunidade ela se constitui antes tudo no momento presente o que eu quero dizer com isso não é que a gente não tem memória que a gente finge que o passado não aconteceu e aquilo não é essencial pra gente não não não nada disso na verdade é só que muitas vezes naquela compreensão de Justiça meio punitiva a gente só olha pro passado pro que aconteceu e pro que né que essa pessoa merece em relação à aquilo que acon
seu e quando a gente pensa numa comunidade a gente tá pensando essencialmente no nosso presente no aqui e agora quem que sou eu aqui e agora por isso que a comunidade sempre vai se constituir no presente mas isso tem uma implicação eh que é muito direta que é o seguinte se a comunidade é feita no presente eu me responsabilizo também no aqui agora então eu nunca vou dizer assim Ah não isso aqui eu só vou fazer quando mudar o governo ou quando o país for outro ou quando as condições parentais se é uma comunidade eu
me preocupo com ela agora na pesquisa que eu fiz na Minha tese doutorado quando eu entrevistei alguns atores de uma comunidade específica em Contagem eh um deles me falou uma coisa que eu queria reproduzir para vocês e isso foi uma fala do Zé gordo ele falou na comunidade não existe maçã podre isso que você chama por exemplo de uma maçã podre falando isso em relação a uma pessoa da unu que tinha dito que garotos que se envolvia no tráfico de droga seria aspas maçã podre que a gente teria que cuidar e ele falou na comunidade
não tem maçã podre isso que você chama de maçã podre às vezes é o filho do meu vizinho é meu sobrinho ou é mesmo meu filho na comunidade a gente cuida de cada um no aqui e agora na comunidade a gente não importa o desafio que seja a gente se importa com aqu sujeito Com tudo o que pode acontecer e a gente entende que a gente só é porque ele também é então a gente se relaciona e se responsabiliza no aqui e agora na comunidade an an de tudo a gente cuida Mas por que que
eu deixei isso para falar nesse seg do vídeo na verdade porque no primeiro eu queria simplesmente contextualizar a comunidade e nesse momento agora eu queria introduzir as perguntas base da Justiça restaurativa segundo RZ e para mim falar dessas perguntas é muito claro uma distinção entre as perguntas base da Justiça tradicional mais punitiva que seriam perguntas voltadas ao passado e da Justiça restaurativa que são perguntas voltadas ao presente e futuro por isso que ela tem tanto esse cuidado de comunidade E aí eu queria mostrar para vocês e o que eu vou falar tá aqui nesse livro
do Howard Zé naquele pequeno livro justiça restaurativa que é publicado pela pala Tena no Brasil na coleção teoria e prática isso tá na página 33 em que ele tem uma imagenzinha aqui tentando trazer o que seria Então essas perguntas de base da justiça restaurativa e da Justiça que ele chama de retributiva Justiça Criminal a justiça punitiva basicamente seria o seguinte E aí a gente pode pensar no modelo criminal mas eu vou trazer essas perguntas pro nosso cotidiano por exemplo pra nossa escola ou para as nossas relações mais Base Normalmente quando a gente tem essa visão
mais tradicional né retributiva a gente geralmente pensa o seguinte qual norma foi infringida quem fez isso né quem violou essa Norma o que essa pessoa merece a gente vai ter isso por exemplo num relacionamento que a gente tem com alguém uma amizade eh qual norma foi infringida vamos dizer que o meu amigo falou mal de mim no espaço contou um segredo que que tinha me prometido que ia guardar para si ou fez alguma outra coisa E aí então ser a norma foi essa né A confidencialidade quem infligiu foi essa pessoa o que que essa pessoa
merece ou ainda a gente pode pensar num erro de comportamento num escola quem que cometeu o erro né qual que seria o erro quem que cometeu o que essa pessoa merece qual punição qual castigo essa pessoa merece essa perspectiva mais tradicional que a gente tá acostumado chegar até aqui pensando Justiça o que a justiça restaurativa né busca fazer se trocar as lentes é a gente inverter essas perguntas então para o Howard Zé dentro desse trocar as lentes a primeira pergunta seria quem sofreu algum dano aqui justamente porque a gente precisa estancar o sangue essa a
coisa mais importante eh Quais que são as necessidades dessa pessoa né O que é que essa pessoa precisa agora para se recompor e só depois de quem que é a eventual obrigação de suprir essas necessidades essas três perguntas que o Howard Z traz para esse livrinho elas são três perguntas de muita muito básicas muito simples e aos poucos a gente foi desenvolvendo isso um pouco mais na própria teoria da justiça restaurativa esse aqui é um livro introdutório básico é muito importante mas que tem suas liações Então hoje em dia a gente geralmente pensa o seguinte
a primeira pergunta restaurativa seria quem que teve alguma algum sofreu algum dano Teve alguma necessidade afetada ameaçada quem que teve alguma coisa aqui que a gente precisa cuidar e a gente realmente pergunta na Perspectiva dessa pessoa o que que ela precisa porque que seria importante nesse momento para ajudar nessa composição de danos nesse cuidado e aí a gente vai para poder fazer essa pergunta a gente pergunta em seguida quem que pode ter alguma responsabilidade e quem que essas pessoas aqui que estão envolvidas gostariam de trazer para est junto em relação à comunidade e aí a
gente só depois vai perguntar qual que seria eventualmente o método que a gente usaria na situação concreta eventualmente se a gente for trabalhar essa questão mais para frente com alguma prática restaurativa mas de antemão se a gente pensar simplesmente num num dia a dia numa lida restaurativa de cara a gente já perguntaria Quem que tá sendo al um aspecto tocado por esse fato o que que essas pessoas precisam o que a gente pode fazer agora nesse exato momento para contribuir para isso Para apoiar para tá aqui né nesse dentro desse lugar de um apoio quem
que poderia ter alguma responsabilidade o que que essa pessoa né pode ter passado pela cabeça pode ter contribuído dela também para ter agido dessa maneira como que essa pessoa também pode se engajar E aí a gente pode tentar trabalhar isso aqui a ponto da gente restaurar da gente construir novas possibilidades para que a gente tenha uma experiência de satisfação