Olá professoras e professores tudo bem com vocês eu me chamo Tatiana Lourenço eu componho a equipe da Educação Infantil aqui na Secretaria Municipal de Educação de São Paulo hoje eu tenho o prazer de entrevistar de conversar com a professora suia amal Melo conhecida da nossa rede Nossa assessora e temos a possibilidade a honra de dialogar sobre aspectos importantes que se relacionam à proposta pedagógica da nossa cidade específicamente da Educação Infantil vou contar para vocês um pouquinho quem é a professora Sueli a professora Sueli Amaral possui graduação em letras modernas pela Universidade Estadual Paulista mestrado em
educação pela Universidade Federal de São Carlos e doutorado em educação pela Universidade Federal de São Carlos também atualmente é professora aposentada da Faculdade de Filosofia e ciências da un e professora colaboradora do programa de pós-graduação em educação no mesmo campus tem experiência na área de educação com ênfase em educação infantil atuando Principalmente nos temas da teoria histórico-cultural educação infantil formação de professores relação teoria e prática e aquisição da escrita pro uma honra conhecê-la e uma honra tê-la aqui para conversar com a gente nesse encontro nos dando a possibilidade de aprender mais contigo Obrigada Tatiane eu
queria começar fazendo uma pergunta que acho que pode nos ajudar a pensar como é que a gente pode objetivamente efetivar A proposta curricular da nossa cidade acho que tem aspectos que podem dimensionar melhor eh o planejamento docente E aí queria então que a senhora pudesse de alguma maneira não sei se resumir mas contar pra gente como é que a gente pode contribuir paraas professoras e professores efetivarem essa proposta curricular que tá lá no nosso documento OK boa pergunta hã Eu tenho dito que o coração da proposta pedagógica da da Secretaria Municipal de Educação de São
Paulo paraa educação infantil eh e que vale dizer eh não não não é um um elemento específico da da proposta curricular dessa secretaria mas é o avanço do Desenvolvimento da Educação Infantil é para onde a gente ruma né então o coração dessa proposta é o movimento das crianças é um novo lugar PR as crianças no processo de aprender e quando a gente tá falando desse novo lugar estamos falando desde os bebês até as crianças de todas as idades inclusive entrando pelo P pelo Ensino Fundamental esse novo lugar eh Envolve o quê envolve um uma participação
na gestão da vida na escola um pensar junto um fazer junto um planejar junto um avaliar junto um decidir junto as crianças terem tempo para aprenderem a pensar eu acho que essa é a grande não sou só eu que penso isso um grande estudioso da Psicologia ilov ele diz que o papel da escola é ensinar a pensar e a gente faz isso desde que a gente entra em contato com os bebês né e ao longo da vida das escolar das Crianças então o esse novo lugar das crianças que pensam junto que decidem junto que ajudam
a fazer o planejamento do dia a pensar como vai ser a próxima semana o que que nós vamos fazer amanhã né O que que foi bacana fazer hoje né desde os processos então de planejamento até os processos de avaliação no final do dia que que a gente fez hoje que foi tão bacana como que a gente pode melhorar isso que a gente tá fazendo né então a gente também vai percebendo que aquilo que a gente entendia como conteúdo da Educação Infantil ele começa a ser revisto porque as conversas elas são pedagógicas né conversar com as
crianças é pedagógico Então esse lugar de sujeito que as crianças passam a ocupar e isso implica eh num novo lugar pro professor paraa professora também né um lugar de organizador dos espaços organizador dos os ambientes quando a gente tá falando de ambiente nós estamos falando de relações como é que esse professor Essa professora acolhe essa criança como é que escuta essa criança e o escutar nesse sentido de prestar atenção de conversar com ela de considerar aquilo que ela tá propondo as ideias que ela tem os interesses que ela vai apresentando né então como é que
esse educador esse professor Essa professora Ah como é que eles escutam e acolhem as as iniciativas das crianças os interesses das Crianças profess senhora trouxe exemplos da prática docente né da relação dessa professora com as crianças é a isso que a gente chama de pedagogia participativa é isso que a gente chama de pedagogia participativa que nós todos precisamos aprender né a partir de todos os estudos as pesquisas que se T feito sobre os processos de aprendizagem né O que a gente tem aprendido é que as crianças aprendem quando elas participam por inteiro do processo quando
elas estão inteiramente envolvidas no processo isso significa está envolvido com o corpo mas também está envolvido com o pensamento e também tá envolvido com a vontade com a emoção com desejo né então esse novo lugar do professor também implica em criar nas crianças a vontade de saber né então cada coisa nova que eu apresento cada situação nova cada elemento novo da cultura que eu trago eu preciso trazer de forma a encantar as crianças a criar nelas a vontade de querer mais de querer saber mais né ah esse novo lugar do professor então envolve a organização
dos ambientes com uma relação acolhedora e discuta a organização dos espaços de forma a que a criança chegue todos os dias na escola Olhe seja pro espaço externo seja pro Corredor da unidade seja PR pro espaço da sala de referência pro refeitório pro banheiro até pro banheiro como um lugar em uau aqui tem coisa bacana para eu descobrir aqui tem coisa bacana para eu fazer né então um espelho arrumado sob a forma de um mosaico em vez de ser um espelho retinho por exemplo né Eh como a gente tá acostumado a ver é um elemento
que busca a investigação das crianças né então assim organizar os espaços como ambientes investigativos de tal modo que as crianças cheguem todos os dias na nossa unidade já com querendo fazer alguma coisa já envolvido numa atividade envolvido numa atividade por quê porque alguma coisa que ele vai fazer com com sentido para ele querendo fazer né eu tenho dito inclusive que nessa opção que a gente tem feito de ter atender a todas as crianças de forma e pública e gratuita né O que é um uma um elemento muito importante para considerar como opção da política brasileira
nós acabamos por ter muitas crianças nas nossas salas então uma das formas de enfrentarmos essa essa questão de termos um número grande de crianças na sala é justamente a organização dos nossos espaços como ambientes investigativos né Por quê Porque as crianças vão sempre chegar com autonomia em relação ao professor ou a professora vão chegar já fazendo escolhas por H tomando iniciativas e resol e e e desenvolvendo atividades que são ao mesmo tempo processos de aprendizagem e processos de desenvolvimento porque todas as aprendizagens das crianças deflagram processos de desenvolvimento da memória da linguagem do pensamento ã
da percepção ã da Imaginação enfim as crianças precisam estar em atividade para isso é bastante certo que paraas crianças é uma escola muito mais agradável muito mais interessante ao desejo né de participar de uma escola configurada dessa forma mas na Perspectiva da professora e eu falo me colocando nesse lugar também né professora de educação infantil há 22 anos fazer essa transição para minha prática chegar nesse lugar é desafiador porque a gente precisa compreender isso que a senhora trouxe para nós mas eu preciso fazer um exercício de testar algumas possibilidades com as crianças com a organização
do espaço como é que a gente faz isso como é que a gente se ajuda nesse sentido isso ah quando a gente pensa nesse processo de mudança né de atualização da da nossa proposta pedagógica a gente não imagina que isso aconteça de um dia para outro né É sempre um processo de transição agora ele precisa começar né E quanto mais cedo a gente começa mais rapidamente a gente vai avançar e vai ter segurança para fazer isso né então acho que começar a organizar a sala de uma outra forma né primeiro assim quem sabe tirar algumas
mesas da sala para abrir um espaço para pensar a organização desse espaço de forma diferenciada né então assim um canto de leitura que seja realmente ocupe um espaço na sala com os livros com tapete no chão com umas almofadas enfim pensando em como que a gente pode ir organizando isso para ir criando nas crianças um hábito de ter livros em mãos né um hábito de foliar os livros né ah esse pode ser um espaço pra gente começar né a gente pode depo depois observando como as crianças estão ali criar um outro espaço e às vezes
a gente vai perceber que esses espaços novos eles chamam tanto a atenção das crianças que a gente precisa de espaços diversificados porque senão todas vão querer ir no mesmo espaço né É então a gente vai percebendo que a gente pode tirar mais algumas mesas e criar um segundo ambiente um ambiente em que a gente vai por exemplo montar um museu das coisas que a gente encontra né das Pedras diferentes que e e isso vai começando a criar nas crianças um espírito de investigação de pesquisa uma articulação entre o que acontece na escola e o que
eu faço lá fora porque as crianças vão sair da Unidade Escolar querendo ver querendo encontrar coisas buscando incomodando os parentes em casa a família para pesquisar coisas para trazer coisas pra escola né tudo ganha novo sentido né tudo G um novo sentido el fazer mais perguntas sobre as coisas né fazer mais perguntas pensar pensar nós estamos ensinando as crianças a pensar quando a gente faz isso e essa é a atividade mais nobre da educação infantil essa é a atividade mais nobre do professor e da professora e isso a gente aprende hoje com as pesquisas que
se vieram sendo feitas NS últimos três quatro décadas como máximo né pelo menos aqui entre nós brasileiros né Uhum que é o momento em que a gente começa a ter os cursos de pós--graduação e as pessoas começam a pesquisar e a gente começa a valorizar esse trabalho do professor que para fazer esse processo de transição também precisa documentar aquilo que ele vai vivendo registrar as mudanças que ele vai propondo e registrar a percepção que ele vai fazendo de como as crianças começam a se comportar de uma forma diferente Então essa é uma outra dimensão né
a senhora falou da organização do cotidiano da postura da professora e agora a gente já entra num outro num outro aspecto bastante importante para pensar que é o registro e a documentação pedagógica isso esse processo de autoformação do do educador do professor da professora quando a gente registra o que que eu fiz o que que eu pensei como que as crianças reagiram como que eu posso melhorar isso eu tô refletindo sobre a minha prática eu tô aprendendo sobre ela eu tô vivendo um processo em que eu própria Estou me formando à luz de tudo aquilo
que eu vou conhecendo que eu vou estudando que eu vou compartilhando com os meus colegas na escola né um outro elemento fundamental dessa ação do da professora do professor é a organização do tempo nós vamos percebendo que as crianças precisam estar em atividade elas estão em atividade quando elas escolhem quando elas deci deem aí o tempo ele pode ficar muito alargado contemplando O tempo das crianças que é diferente do tempo do adulto né a gente fala que é tá em atividade com intensidade né é diferente de eu pegar uma caixa e dizer agora é hora
de brincar de montar tudo daqui a pouco eu digo para agora é hora de sair pro parque para agora é hora de lavar as mãos é uma outra relação com o tempo né exatamente e nós a professora o professor nós todos que Estamos envolvidos com a educação na infância e que fomos formado como você disse né numa outra perspectiva sim e que de repente encontramos esse desafio né de atualizar a escola de modernizar a escola eh a gente vai ter na verdade no no processo de documentação de experimentação de invenção de ousadia né de transformação
da Mesmice que tem sido as nossas salas nós vamos ter nesse processo uma aliado nosso então é experimentar e ver eu não conheço nenhuma experiência em que a gente tenha começado a reformar o espaço a gente tem começado a ampliar os tempos garantido mais tempo livre para as crianças fazerem escolhas né Eu não conheço nenhuma experiência que tenha dado errado pelo contrário que a gente percebe é uma autodisciplina das Crianças mas não é uma autodisciplina silenciosa nem uma autodisciplina empobrecedor da experiência das crianças é uma autodisciplina que nasce do prazer de conhecer da vontade de
saber né Eu gosto muito de uma fala de uma professora Portuguesa que disse que as crianças não gostam de fazer trabalhinhos elas gostam de fazer coisas professora a senhora trouxe aí um aspecto interessante né As crianças não gostam de fazer trabalhinhos gostam de fazer cois e aqui no nosso diálogo A senhora foi falando em experiência vivência fazer coisas aprender a pensar isso se relaciona com alguns termos que a gente usa que estão presentes inclusive nos nossos documentos mas há dúvida H certa inclusive insegurança en quando a gente deve utilizar de forma adequada esses termos afinal
de contas proposta e atividade e aprendizagem e desenvolvimento vivência experiência como é que a gente O que que a gente deve sobre cada um desses conceitos e de que forma a gente eh utiliza eles e pratica né de forma adequada é então vamos lá ah quando as crianças estão em atividade sendo ativas né pensando junto sugerindo coisas tendo ideias ã tomando iniciativa de escolher um objeto para experimentar para inventar para enfim para explorar né ah as crianças estarão em atividade né atividade não é mais aquilo que o trabalhinho que a professora propõe né mas é
as coisas que as crianças começam a fazer quando elas têm tempo para fazer por isso o tempo livre é tão importante né E quando elas têm eh objetos disponíveis para experimentar então por isso o no ambiente escolar os as materialidades precisam estar todas disponíveis o tempo todo ao alcance das Crianças num lugar que deve ser bonito bem organizado né legível de tal modo que as crianças possam saber o que é que tem por ali disponível para ela né então Eh e nesse processo de experimentar com essa intensidade né não com a intenção do outro mas
com a própria intenção a criança ela está aquilo que a gente chama na teoria histórico cultural de ã vivenciando a vivência na Perspectiva da teoria histórico cultural ela é alguma coisa que a criança faz e ela sai diferente daquele fazer né Eh então é uma experiência emocional envolvida naquilo e que ela aprende e quando a gente fala em aprendizagem né a gente tem falado bastante que a aprendizagem promove desenvolvimento que que é essa aprendizagem não é sob forma de aula que as crianças aprendem né não é sob forma da explicação constante do adulto da fala
do adulto não é uma aula expositiva né não é de aula expositiva né É da é da experimentação dos objetos é do estar fazendo com emoção né Eh então a aprendizagem ela resulta da relação que a criança estabelece com os objetos com as situações ela é portanto fruto das relações não da fala do outro né da fala do educador o educador tem um papel importante de fazer boas perguntas para justamente levar as crianças a avançarem naquilo que estão fazendo repensarem aquilo que estão fazendo repensar um preconceito não deixar morrer a curiosidade n não deixar morrer
a curiosidade né então fazer boas perguntas né muito mais importante do que fazer aqui que a gente se acostumou a fazer na escola que é dar ordens para as crianças quando a gente dá ordem PR as crianças a gente tira elas da possibilidade de estar em atividade porque o elemento fundamental da atividade é o desejo a vontade a necessidade de fazer alguma coisa né obrigada pela resposta pro eu vou trazer então um outro termo um pouco complicado da gente dialogar sobre ele ultimamente e a gente sabe que a senhora pode nos ajudar a pensar sobre
isso e o termo alfabetização a gente não sabe se a gente esconde ele debaixo da mesa na educação infantil ou se a gente põe na mesa e conversa sobre ele para compreender que aspecto dessa linguagem da cultura escrita da linguagem escrita é importante na educação infantil como é que a gente aborda isso com as professoras e como isso se efetiva nas práticas cotidianas perfeito ah não a gente alfabetização é um processo longo que envolve eh os estudiosos TM mostrado que ele esse processo ele começa lá no gesto indicativo do bebê e ele vai se H
sofisticando né depois com a fala com o desenho com a brincadeira de faz de conta que são todas formas da criança ir percebendo e criando para si a gente não fala disso para ela porque não é assim que ela aprende mas ela vai construindo nas suas próprias experiências a ideia de signo de usar um objeto para representar outro então ela ela aponta usa a mão e o dedo depois que ela aprende que isso pode ter um significado a para indicar uma coisa que ela quer uma forma de comunicação é uma forma de comunicação com o
outro e é um é é o é o início do processo dos de utilização de signos né a fala outro desenho outro a brincadeira de faz de conta onde ela vai também mostrando eh como como é que ela interpreta as vivências que ela vai vendo as situações que ela vai conhecendo e na brincadeira de faz de conta inclusive ela ela forma e e e desenvolve uma função psicológica que é importante que é a o que a gente costuma chamar de função simbólica da consciência que é o que a capacidade da criança usar um objeto para
representar outro que isso significa do ponto de vista do desenvolvimento do pensamento um salto de qualidade super importante que eu acho que tá essa discussão tá feita nos documentos eh no currículo da cidade no currículo integrador mas hã ela precisa viver todas essas experiências não como etapas que uma termina e começa a outra acho que essas coisas elas vão transitando não é isso a gente vai vivendo essas experiências vai construindo esses significados ou esses signos como a senhora trouxe até chegar ao interesse e nesse processo ela vai convivendo com a cultura escrita que existe na
nossa sociedade e que não deve ser escondida dela né a a linguagem escrita é uma das linguagens com que a criança deve e pode conviver ela não é a linguagem mas ela é uma delas e o importante né que a criança precisa conviver com a cultura escrita Para justamente ir formando um sentido do para quee lesse para do por se lei se escreve eh que é fundamental para ela ir criando para si eh um desejo de ler e escrever mas não ler e escrever letrinhas mas ler e escrever ideias ler e compreender a ideia dos
autores que estão presentes nos textos ou seja se apropriar de verdade desse elemento que criado ao longo da nossa história nos últimos nos últimos poucos mil anos ela precisa eh eh conviver com esse objeto para ensinar pro cérebro que que eu faço com isso e a gente corre um risco sério acho que nós somos todos frutos desse equívoco dessa falta de pesquisa talvez que foi pensar que um objeto complexo como a escrita a gente divide em pedacinhos e a gente ensina primeiro o abecedário e hoje a gente percebe estudando tanto do ponto de vista da
linguística quanto do ponto de vista de como as crianças aprendem a gente percebe que o processo é inverso a gente precisa apresentar a escrita como um objeto cultural autêntico que a gente usa para fazer lista de coisas que a gente quer fazer na semana que vem escrever o que nós queremos fazer amanhã pra gente se lembrar escreve um bilhete para um colega que tá doente tá em casa vê o médico né anotar lá a vacina que ele tomou no posto de saúde ou a consulta que a mãe dele agendou pro próximo mês exatamente a gente
usa a escrita para facilitar a nossa vida né para nos comunicar com os outros que estão distantes ã para ler e conhecer as ideias e as informações de outros tempos outros lugares outras pessoas né Eh então a escrita precisa hoje a gente sabe que a escrita precisa ser apresentada pras crianças na sua função social então é uma grande revolução nesse processo Porque a gente não trabalha mais apresentando o o alfabeto porque quando a gente apresenta o alfabeto e estabelece uma relação entre o som e a grafia a escrita da letra O nosso cérebro para ir
e ele sai depois pelo mundo oralizados os o grafismo em sons e na verdade o que nós precisamos ensinar para nosso que frente a um texto ele busca ideias ele busca uma informação ele busca um sentimento Expresso pelo autor do texto e quando a gente escreve a gente não escreve sons a gente escreve ideias exato a gente escreve nossos sentimentos né e por isso é que quando a gente fala de Cultura escrita a gente a gente vive dois movimentos que são separados diferentes mas articulados na educação infantil a gente usa a cultura escrita para nosso
deleite e pra nossa pra nossa organização então a gente ã escreve cartas pros nossos correspondentes né uma turma de outra escola de outro bairro da cidade diferente a gente faz lista das coisas que a gente quer fazer a gente ouve histórias lidas e a gente enquanto ouve essas histórias lidas a gente vai imaginando as coisas que estão acontecendo Então a gente vai ensinando pro cérebro que na hora de um texto lido a gente tá buscando Quais são as ideias que estão lá presentes né Qual é a história que tá sendo contada isso não é som
isso são ideias né Isso são concepções são conceitos né e e quando a gente eh escreve a gente escreve também registrando o nosso desejo então na educação infantil nós educadoras professoras professores nós lemos para as nossas crianças e nós escrevemos o texto das nossas crianças nós fizemos um passeio a gente pode registrar esse passeio sob forma de um relato isso é fantástico isso é fantástico a gente viveu uma experiência bacana hoje lá no parque a gente pode escrever isso pra gente não se esquecer e mesmo não lendo essa ideia de quanto eles atribuem sentido à
cultura escrita mesmo não lendo como nós adultos Lemos eles levam as famílias do lado de fora se tá exposto lá o texto que foi construído com a professora e vão apontando e são capazes de lembrar de memória as palavras que Eles escolheram as ideias que estão postas ali né E aí tem um trabalho muito legal que é de que você tá mencionando aí eh de descoberta do texto as crianças vão lendo muito antes de ler os textos nas suas ideias então elas vão descobrindo palavras que elas já conhecem nesse processo elas vão se sistematizando para
si se constituindo leitores e escritores n se constituindo leitores e escritores e construindo uma sistematização de como se lê e se escreve É isso que nós precisamos ter no momento em que as crianças vão para ensino fundamental Não é o domínio de letras é a compreensão do sentido da escrita e nesse processo de compreender o sentido da escrita elas vão também porque Vão vivendo situações reais de escrita e de leitura elas vão formando para si a necessidade de ler e escrever que é o motor de todo o processo de apropriação da escrita quem aprende a
lei escrever é quem quer aprender a lei escrever a escrita como diz o vigot que não pode chegar pela mão do outro tem que ser ela tem que se constituir como uma vontade da Criança e ela se constituir como a vontade da criança nesse nessa nessas práticas né de fazer lista das coisas que nós queremos fazer de fazer lista das coisas que nós podemos fazer aqui na sala os inventários fazer uma lista de H projetos que a gente tem para desenvolver desenvolver um projeto de investigação com as crianças em que a gente vai consultar enciclopédias
livros do ensino médio eh de áreas diferentes para e constituindo esse conhecimento enfim quando a gente lida com o texto nas suas formas mais elaboradas professora quando esse conhecimento se descortina para nós quando a gente compreende como é que isso deve chegar até as crianças como é que a gente pode proporcionar isso que é um direito delas a gente entende que nada se relaciona por exemplo com atividades de cópia de preencher pontilhado no entanto a gente tem caminhado pelas unidades dialogado com professoras e visto que tem muita muitos processos que se iniciam pela escrita do
nome e aí a gente tem visto os os crachás a lista de nome das Crianças separados eh com destaque paraa Letra Inicial tudo escrito em caixa alta a gente sabe da importância de trabalhar com a escrita do nome tem um propósito para isso então queria que a senhora falasse um pouquinho sobre esse propósito e de qual a forma mais adequada se a gente usa tudo em caix alta se a gente faz de vermelho ou de rosa ou de laranja a letra inicial em destaque como é que a gente trabalha isso com as crianças isso bom
uma coisa que a gente descobre hoje estudando né a a a língua escrita é de que então acho que já mencionei isso sem ter dito mas que a língua escrita ela é visual ela não tem nada ver com a linguagem sonora a linguagem sonora é uma e a linguagem escrita é outra então hoje a gente tem certeza de que o esse processo de apropriação da escrita é um processo de olhar com olho e compreender com o cérebro e depois enunciar é esse o processo que a gente faz nós adultos quando lemos fazemos isso olhamos buscamos
uma referência no cérebro para compreender E aí enunciamos e a gente quer fazer o contrário com as crianças né então a gente vai percebendo que o crachá é elemento importante né alguns autores inclusive defendem fazer uma cerimônia para apresentação do crachá é o primeiro contato da criança com a escrita do seu nome agora nós fazemos aquilo de acordo com a a escrita usada na na nossa sociedade né Eh não tem nenum não tem destaque para nenhuma primeira letra porque a gente não vai trabalhar esse conceito de letra o primeiro conceito que nós vamos trabalhar com
as crianças é o conceito de texto de enunciado né que é a unidade mínima de significação da nossa língua quando a gente diz eu quero ganhar uma bicicleta de presente de Natal eu não digo e e e depois u né Eh Então essa é a primeira coisa né a gente escreve o nome da criança não precisa ser o nome inteiro pode ser só o primeiro nome para identificar ã e a gente escreve considerando as formas como se escreve né eu tenho uma amiga Poliana que é com 2 l y 2n enfim considerar essa essa não
correspondência entre o som e a escrita né Eh e uma coisa que a gente tem feito também de uma forma muito equivocada desconsiderando a capacidade das crianças é a escrita em caixa alta a gente não sabe na verdade quem que inventou essa história mas quem inventou essa história inventou considerando que era a forma mais fácil da criança reproduzir os movimentos e escrever né então primeira coisa na educação infantil as crianças não escrevem não copiam não escrevem não escrevem do seu jeito elas a escrita é visual elas precisam ter uma referência visual correta para elas escreverem
né por isso eu escrevo o nome dela do jeito que tá lá no registro de nascimento dela né Eh e eu uso a dupla caixa porque as crianças vão ao mesmo tempo aprendendo o que a como é que a gente usa a caixa alta na nossa língua a gente usa para para anunciar um nome a gente usa para anunciar o início de uma frase né então ao ao proporcionar paraas crianças a convivência com a dupla caixa elas vão percebendo né que que Penélope mesmo né ela vai perceber que tem um jeito de escrever o p
no início da da do nome mas tem um outro jeito de escrever lá no meio isso paraa criança não é um problema né quando a gente descobre que as crianças são capazes de estabelecer relações entre as coisas e aprender a gente vai descobrir que elas são capazes de estabelecer relações em entre as formas escritas que elas vão percebendo e elas irem sistematizando para si como é que se escreve e como é que como é que na língua portuguesa a gente escreve né Então tudo isso a gente pode mexer outra coisa que a gente eu percebo
que tem um equívoco quando a gente trata de linguagem escrita é escrever uma letra de cada cor na hora em que eu vou escrever lá o canto da leitura ou o canto da do brinquedo mais confunde do que ajuda né mais confunde do que ajuda né a criança vai enxergar a palavra como um todo é aí que ela vai começar a ler né acho que a senhora trouxe um aspecto fundamental confia na capacidade das crianças né esse é um elemento fundamental do trabalho atual com a educação das crianças pequenas a gente tem que confiar nas
crianças porque é assim que as crianças aprendem as crianças aprendem desde que elas nascem com as relações que elas vão estabelecendo ao redor com o som que ela ou ouve com alguém que fala com ela com o objeto que a gente aproxima dela o processo de aprendizagem começa aí e é essa aprendizagem essa relação que ela vai estabelecendo com as coisas e com as pessoas que vai movendo o desenvolvimento dela movendo a percepção movendo a daqu a memória vai criando uma memória daqui a pouco ela tem elementos de memória pela que ela precisa identificar verbalmente
e ela vai percebendo que nós falamos Ela também quer falar né É esse processo que ela vai vivendo eh de estar sempre em relação com as coisas com com com o entorno e de atribuindo ela própria um valor para tudo isso não é o valor que o adulto estabelece é o valor que ela vai atribuindo a partir do tipo de experiência que ela vai tendo do tipo de vivência que ela vai tendo é Outra experiência de vida né com sentido n não é uma experiência de vida que aliena nécia isso E é isso que tá
nas mãos de todos nós professores e professoras especialmente da Educação Infantil mas não só né de de de promover uma experiência tal né hoje fundamentada em em estudos em pesquisas Então a gente tem suporte para isso eh e de garantir formação a formação de de pessoas de uma nova geração de pessoas críticas autônomas que sabem fazer escolhas que sabem perceber a passagem do tempo que sabem planejar que sabem avaliar Enfim gente gente uma última pergunta pra gente finalizar pelo menos essa primeira etapa porque a gente teria muitas coisas para conversar ainda e a gente espera
que a gente siga nesse caminho e a senhora trouxe a a importância de mostrar paraas crianças que não tem o seu jeito mas que tem um jeito próprio de de lidar com a cultura escrita né então a gente de escrever a gente pode trazer referências boas referências pras crianças Então queria que a senhora conversasse um pouco com a gente sobre isso como é que a gente demonstra pras crianças que a gente tá mergulhado nessa cultura escrita de que tem boas referências pra gente entender como é que a gente escreve que não é do seu jeito
que também não é banir o erro porque o erro é um processo de reflexão também mas como é que a gente faz isso mas a criança não precisa inventar eu acho que na educação infantil A gente precisa estar empenhado em H formar nas crianças o sentido pra escrita então ela não precisa copiar ela não precisa escrever ela não precisa inventar se ela quiser escrever eu escrevo para ela olha é assim que se escreve ela vai ter a referência né do Da Da forma e ela vai a partir dali ela vai começar a ler em outros
lugares aquela forma que ela encontrar Borboleta né eu escrevo para ela borboleta e ela vai vai a partir dali ela ela vai ter elementos para começar a ler borboleta nos lugares que ela encontrar primeiro a gente ler muito antes da gente escrever né esse é um princípio outro princípio importante então é que a criança não precisa escrever né Eh E se ela quiser escrever eu crio a referência correta para ela e quando a gente tá falando disso eh não significa que a criança na hora que ela vai fazer a escrita de borboleta a partir da
referência que eu apresentei para ela ela vai fazer certinha Eu também não preciso me preocupar com isso num primeiro momento né se é uma criança de 4 anos que tá pelo no primeiro momento se aventurando a fazer a escrita de uma palavra eu não preciso ficar tão preocupada em corrigir Mas eu posso ficar atenta aos poucos eu vou dizendo para ela tá escrito tá tá da mesma forma observa aqui vou também constituindo para ela um outro elemento importante que é o a observação a concentração a atenção a a própria avaliação se ela tem a referência
e ela fez num primeiro momento ela não vai est preocupada ainda na avaliar escrev direito mas daqui a pouco eu posso começar a dizer para ela tá tá igualzinho né Eh então acho que que é isso no fundo o que a gente precisa ter é bom senso né eh de de de ter fundamento para aquilo que eu tô fazendo então se eu quero se eu quero e eu devo apresentar a cultura escrita para as crianças fazer de forma a que hoje a gente tem suporte para apresentar da melhor forma né para criar nas crianças o
desejo a necessidade de ler e de escrever isso é que vai mover o processo dela depois de apropriação da técnica né que na verdade se ela convive bastante com a cultura escrita em sala né Eh sempre na sua função social sempre quando fizer escrever a gente pode escrever ela vai chegar no ensino fundamental já com com uma apropriação da técnica bastante ah consistente né Eh mas elemento fundamental é é é esse processo né da criança poder ser ativa dela poder então expressar muito por escrito aquilo que ela pensa aquilo que ela tá sentindo aquilo que
ela aprendeu e a gente funciona como Escriba que escrevemos e depois Lemos para ela né eu me lembro sempre de um comentário de uma criança que com isso eu tenho certeza que destampou para ela também o que que era essa a escrita ela disse nossa você escreveu direitinho do jeito que nós falamos né então ela vai percebendo o o que que é escrita de verdade né a gente escreve as nossas ideias tal como a gente expressa essas ideias né aconteceu né Obrigada vi professora mais uma vez pela possibilidade do diálogo de aprender com a senhora
viu muito obrigada é sempre uma honra eu fico sempre devendo um monte de coisas que a gente podia conversar e tal A mas acho que tá perfeito Obrigada viu eu agradeço a participação de todos vocês eh nesse encontro E aí seguimos adiante aí com novas reflexões obrigada n