O uso da barba entre os romanos era uma prática que variou bastante de acordo com a classe social, o período e até a influência de outros povos, especialmente os gregos. Embora fosse relativamente comum em determinadas camadas da sociedade, em especial entre filósofos, artistas e agricultores, a elite romana e a maioria das legiões preferiam o estilo de rosto sem barba. Esse padrão estético que se tornou dominante entre os romanos tem as suas raízes em uma série de fatores culturais, históricos e até militares.
Durante o fim da República Romana e os primeiros tempos do império, muitos romanos viam a barba como algo pertencente a classes mais baixas ou a grupos considerados mais rústicos. Isso se devia em parte à forte admiração dos romanos por figuras históricas, como principalmente Alexandre Grande, que ao contrário de outros homens gregos da época, que cultivavam longas barbas como um símbolo de sabedoria e masculinidade, Alexandre sempre estava barbeado. A imagem de Alexandre foi amplamente reverenciada pelos generais romanos, que viam nele uma figura idealizada de poder e liderança.
Inclusive, generais famosos, como Pompeu Grande, Júlio César e Marco Antônio, por exemplo, adotaram estilo sem barba, que passou a ser um sinal de status, sofisticação e até disciplina militar. Esse modelo foi gradualmente adotado pela elite romana, que se opunha uso de barba como uma característica de culturas estrangeiras, principalmente a grega, que ainda valorizava a barba como um símbolo de respeito e sabedoria. Ao longo dos séculos, o padrão sem barba se consolidou entre os romanos, sendo refletido em estátuas e retratos de figuras importantes, como os imperadores, que eram retratados com rosto limpo.
Isso era visto como um símbolo de moderação, controle e distinção, virtudes altamente valorizadas na sociedade romana. O barbeiro, que era chamado em Roma de Tom Sor, desempenhava um papel crucial na sociedade romana. Muitos romanos, em especial os da classe alta, contratavam barbeiros para garantir que sua aparência estivesse sempre impecável.
E as barbeiarias eram locais de socialização, onde os homens discutiam política, filosofia e até negócios. O ato de se barbear em Roma, no entanto, não era uma tarefa simples. Poetas latinos, como Ovídio e Juvenal, descreviam o ato de se barbear como um processo lento, delicado e muitas vezes até doloroso.
As lâminas usadas para se barbear, apesar de afiadas, frequentemente se desgastavam rapidamente e isso tornava o ato mais difícil e desconfortável. Inclusive, para muitos jovens romanos da classe alta, o primeiro ato de se barbear era um evento tão importante que se fazia um ritual conhecido como Depositio Barbie. Esse ritual era realizado normalmente aos 21 anos de idade e simbolizava a transição da juventude para a vida adulta.
Durante essa cerimônia, pequenas mechas de cabelo eram colocadas em um recipiente especial e oferecidas ao deus Júpiter como um sinal de respeito e agradecimento. Com a ascensão do Império Romano, em especial durante o reinado de imperadores como Augusto até Trajano, o estilo sem barba continuou a ser uma norma, reforçado pelo próprio poder imperial. No entanto, uma mudança significativa aconteceu com o imperador Adriano, que foi o primeiro a adotar a barba de forma mais pronunciada, o que representou uma grande virada nos padrões estéticos de Roma.
Adriano, que tinha uma forte admiração pela cultura grega e pela filosofia helênica, começou a usar a barba, uma tendência que ele provavelmente adotou como uma forma de se alinhar aos ideais gregos, onde a Bárbara era associada a homens sábios, filósofos e intelectuais. Mas pode ser também que ele tenha adotado a barba para esconder alguma cicatriz no rosto. Só que independente da razão, a partir de Adriano, a barba se tornou uma característica mais comum entre os imperadores romanos.
O novo estilo de Adriano foi amplamente seguido pelos imperadores depois dele. A partir do seu reinado, quase todos os imperadores, incluindo figuras como Antonino Pio, Marco Aurélio e Séptimo Severo, foram retratados sem barba, algo que se tornou uma marca registrada dos governantes de Roma. Mas então, me diz aí, se você vivesse naquela época, você ia preferir aderir ao modelo sem barba ou com barba?
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