Fala pessoal, sejam muito bem-vindos a mais uma aula de exame psíquico na prática. E hoje a gente vai falar sobre a função do pragmatismo. Essa função que é uma das menores aí do nosso exame psíquico, é uma função mais cutiha.
Entretanto, entretanto, ela é uma função muito importante porque ela tá aí alterada em quase todos, senão em todos os transtornos mentais. E a gente vai seguir aquela famosa divisão didática. Primeiro a gente explica o que que é pragmatismo, depois a gente te mostra como é que ele está alterado e como é que você vai avaliar ele.
E por fim a gente te demonstra ou demonstra em um exame psíquico aplicado ali em um ator, ou seja, uma simulação que a gente fez com nossos atores, tá certo? Isso é o creme de lacreme. Isso aqui é o apogu psíquico quer te mostrar, tá certo?
Então pessoal, bora nessa. Sem mais delongas. Vamos falar aqui sobre pragmatismo.
Basicamente o que que é o pragmatismo? Pragmatismo é a capacidade que você tem de executar, realizar, ou seja, pôr em ação aquilo que você planejou. Ou seja, a gente tá falando de uma função aqui que é justamente você transpor aquelas funções ou uma organização psíquica para o mundo, botar em prática, botar em ação, botar em movimento.
Para isso, obviamente, você tem que primeiro querer e você tem que estar com a mínima organização mental para executar ou realizar aquilo. De certa forma, o pragmatismo ele é uma medida indireta da função psíquica como um global, como um todo. Porque pro pragmatismo ele tá bom, meio que todas as funções psíquicas, eles têm que estar de uma certa maneira operando ali em uma certa harmonia, em uma certa unidade e diria em uma certa até normalidade.
Então, por isso que o pragmatismo ele é tão importante que a gente sempre deve avaliá-lo, apesar de ser uma função pequena, não deve ser negligenciada. E o pragmatismo guarda isso, tá? É basicamente executar o planejado, ou seja, pôr em ação.
E o que que isso tem a ver com a nossa prática? Toda vez que você pega lá, por exemplo, DSM, que você vai ler inclusive as definições dos transtornos mentais, você sempre vai ver ali que nas aqueles últimos critérios tem assim, isso dá um prejuízo de funcionalidade. Então, tem um certo tipo de prejuízo na vida do paciente, nas relações, no trabalho, tá?
O que que isso basicamente quer dizer? Claro que não se restringe a só o pragmatismo, mas o pragmatismo ele está talvez uma peça central nesse ponto. Ele é um medidor indireto da funcionalidade do paciente.
Porque veja só, para você tá trabalhando, para você ter certa agência sobre o mundo ou transformar o mundo conforme a sua vontade, você tem que estar com o seu pragmatismo organizado. Ou seja, dificilmente você vai dar o diagnóstico de transtorno mental até mesmo pela definição mais simplificada ou reducionista aí do DSM, sem ter uma alteração no pragmatismo. Por isso que ele é uma medida direta da funcionalidade.
E pessoal, como que você avalia o pragmatismo? Basicamente você vai perguntar pro paciente quais são os interesses dele, quais são os objetivos dele e você vai ver se aquele interesse objetivo, ou seja, uma função abstrata e que tá ali no, entre aspas pensamento ou psiquismo ou espírito, leia assim dele, se aquilo bate com comportamentos adequados na realidade, ou seja, se o paciente ele tá tomando ações, se ele tá se comportando ou se ele tá executando de acordo para cumprir ou de uma maneira adequada para aqueles interesses e objetivos. Se tiver acontecendo essa concordância, essa concomitância, beleza, o pragmatismo está OK, está planejado, está, desculpa, está preservado, mas se isso não tá correndo, isso existe uma alteração do pragmatismo.
E as alterações do pragmatismo, elas são sempre quantitativas. Não existem alterações qualitativas do pragmatismo e as alterações vão ser basicamente uma baixa ou pouco pragmatismo, ou seja, pouca execução. E isso a gente dá o nome de hipopragmatismo, que é o mais comum, tá?
Aí na maioria dos transtornos mentais, ou às vezes até um apragmatismo que com certeza denota uma maior gravidade. Onde é que você vê isso? às vezes, por exemplo, num quadro de catatonia grave, às vezes num quadro de esquizofrenia grave, num quadro de mania grave, num quadro de melancolia grave, num quadro de demência grave, de algum transtorno orgânico grave ou de qualquer transtorno no geral que impeça o paciente de ser um agente executor no mundo.
Ele vai ficar de uma certa forma aí sem conseguir realizar seus planos. Vai ficar um pouco mais dando um nome bonito, tá certo? desprendido, desancorado, desenraizado da realidade ou do mundo ou dos planos do mundo.
Usa esses vocabulários bonitos, ajudam bastante, viu? Beleza? E pessoal, uma coisa que é muito importante, tá certo?
A conação ela tem que tá íntegra, ou seja, o paciente ele tem que ter um certo tipo ali de vontade ou então ele tem um certo tipo de querer, tá certo? Para ele executar, primeiro ele tem que querer. Se ele tem um prejuízo no querer, a gente vai basicamente botar mais isso na conta da conação, mas mesmo assim a gente registra no exame psíquico que o paciente ele tá com hipopragmatismo ou com apragmatismo, tá certo?
Então vocês acham que entenderam muito a importância dessa função psíquica e você vai ver justamente se os interesses e os objetivos do paciente batem com as ações que ele tá fazendo. Então é uma função assim que eu diria bem prática mesmo. E vamos passar aqui para justamente analisar como que é esse pragmatismo na prática, ou seja, utilizando aqui exemplos mais reais, tá certo?
Então primeiro a gente vai ver aqui um paciente que ele tem. Esse paciente fictício é um médico que ele tá tentando estudar para concurso e ele tem ali suas estratégias para fazer isso. Porém, contudo, todavia, você vai ver que o próprio funcionamento do TDH, ele atrapalha esse médico de se organizar.
Então, você vai ver que ele tem vontade, ele tem algumas estratégias. Entretanto, na hora de planejar e executar, ele não consegue. Então, é muito comum às vezes, a gente vê pacientes com TDH que ele tem um hipopragmatismo e é assim que você vai descrever, é assim que você descreve inclusive a procrastinação desses pacientes.
E fica muito bonito aqui nesse vídeo porque a gente consegue capturar isso. Muito bem. Vou aqui dar um play para vocês verem e aí a gente analisa em conjunto como se fosse vestibular, assim, uma coisa mais resumida.
E aí eu tô conseguindo um pouco mais. >> E junto com essas aulas mais curtas, você tem outra estratégia, por exemplo, você tem uma rotina de estudos ou não? >> Eu coloquei um alarme, isso daqui tem funcionado para mim.
Coloquei um alarme assim 15 horas, que é para mim, é bom, que é sempre depois do almoço e aí eu consigo, tô fazendo assim essa didática comigo, toca o alarme, eu vou. Só que a questão é que eu sempre deixo pra última hora. É um padrão meu, eu deixo pra última hora as coisas.
por exemplo, tenho um TCC, um trabalho para entregar só no final do mês, eu espero chegar só ao final do mês. Aí chega no no na reta final, me atrapalho todo, me entrego mal ao trabalho, enfim. >> Tudo bem.
Assim, você tá me dizendo que nos assuntos acadêmicos você sempre foi alguém que rolou, que deixou pr pra última hora, mas se se estende para outras esferas na sua vida ou ou não? >> Acho que assim, se eu eu tô cansado, entendeu? Se a minha mente tá exausta, aí isso acaba complicando tudo.
Por exemplo, chegar em casa, eh, eu tenho uma parceira, né, a gente é noivo e aí às vezes eu sinto que, tipo, ela tá falando comigo e eu não tô ali, entendeu? É como se tivesse só o carca, o corpo ali, a minha mente é em outro lugar e isso causa uma confusão, isso tem que causar um estresse, >> certo? E isso que você falou de deixar tudo para o último e eh momento, por que você costuma fazer isso?
Não seria melhor planejar? >> Então, eu acho que é quando bate essa ansiedade, né? Tá faltando, tá faltando pouco.
Então aí eu vou e eu faço, mas aí fica tudo atropelado e o trabalho acaba não ficando tão bom, né? Então >> assim, se você tem tempo para fazer alguma coisa, você posterga e quando você tenta fazer parece que sua mente esvazia, viaja, vai para outro lugar. >> Exato.
É assim, me complico todo. Eu tô ali fazendo alguma coisa, aí de repente eu penso no vídeo do YouTube que eu vi sobre computadores, ou senão tô ali, aí eu penso no plano da academia que eu tava fazendo, progredindo. Ou às vezes eu tô na academia, eu tô pensando no trabalho que eu tenho que fazer.
Então assim, eu não tô naquele lugar, vai abrindo umas telas mentais assim que eu me perco. Bom, pessoal, esse aqui é um excelente exemplo para você ver como que a distração do TDH, ou seja, a hipotenacidade da atenção e às vezes a hipervigilância ou uma atenção mais flutuante, mais distraída, pode atrapalhar o paciente a fazer suas coisas. Então você vê, ele deixa pra última hora, ele procrastina demais e quando ele vai fazer, ele faz tudo meio que mal feito.
Aqui os planos, objetivos, interesses, eles não estão batendo muito bem com o que ele deseja, o que ele espera ou então pelo menos o comportamento que ele tem. E aí a gente vai dar basicamente aqui um achado de hipopragmatismo para ele. Eu acho que esse exemplo aqui ilustra muito bem.
E a gente tem um outro exemplo também que é belíssimo, porque você pode pensar assim: "Bom, mas às vezes um paciente ele pode estar com a vontade diminuída, pode estar quer sem fazer as coisas e isso pode estar afetando o pragmatismo, sim, mas o contrário não é necessariamente verdade. Então aqui tem um paciente em mania, esse paciente em mania barra hipomania, ele tá fazendo várias coisas. Ele tá hiperbúlico, ou seja, ele tá com a vontade dele aumentada, ele tá com o drive aumentado, ele tá com mais vitalidade, mais energia.
Entretanto, como ele tem uma certa superficialidade e uma hiperpresentificação no mundo, ele não consegue ter o certo tipo de calma ou depósito em cada ação ou em cada objetivo para ganhar profundidade. Ou seja, ele vai fazer várias coisas, não vai fazer nada direito, vai ficar meio ali desalinhado, meio de mal jeito. E isso também é um hipopragmatismo, apesar de ser hiperbúlico.
A gente vai ver, ilustrar muito bem esse caso aqui com esse exemplo, mas vejam o quanto que isso é bonito e também quanto isso é interessante para você ver que uma coisa não necessariamente aumento da vontade vai deixar mais fácil, então vai realizar as atividades de uma maneira mais ali funcional, tá? E esse paciente ele tem um prejuízo no pragmatismo e tem um prejuízo funcional. Bora ver.
Certo? Enfim, de fato, assim, Marcos, parece que você tá muito bem energizado, você tá com muita vitalidade e as pessoas assim que costumam sentir isso, né, às vezes elas fazem várias coisas. Você tem feito um pouco essas várias coisas ou não?
>> Ah, último mês, por exemplo, eu comprei uns quatro, cinco cursos. Tô fazendo esses cursos. Eu faço curso de marmita, peguei um curso de dramaturgia russa, que é o curso para caramba.
Quero fazer um negócio. >> Você gastou muito dinheiro nesses cursos? Gastei, gastei uns R$ 10.
000. Nossa, nem saber disso, >> mas acho que é dinheiro que volta, né? A gente não leva nada dessa vida.
Então, pensei em aproveitar e o livro também, o livro vai trazer um retorno, vai ser bom demais, tá tudo aqui já. Com tudo isso assim que você tá fazendo, eu acho que não tá sobrando muito tempo assim para as relações ou eu tô errado. >> Tá errado.
Tá errado. Tá. Eu há umas semanas atrás aí eu precisei sair, gastar assim, precisava, né, suar um pouco, denunçar.
Fui pra balada, paquerei, fiquei com uns caras. Aí também até levei um >> bom, veja um exemplo aqui que esse paciente ele tá fazendo várias coisas. Ele tá escrevendo um livro, ele comprou aí 10 cursos para fazer, ele tá saindo para balado, mas veja que apesar de est com a vontade aumentada, ele basicamente não tá fazendo nada direito.
E aqui a funcionalidade dele está com um certo déficit ou prejuízo. E você poderia simplesmente anotar que ele tá com hipopragmatismo. Pessoal, isso aqui é psicopatologia descritiva, tá certo?
Isso aqui é só o topo ou a capa do iceberg, usando aquela aquele clichê tá sempre batido. Se você quiser ter mais conhecimento sobre icebag como um todo, ou seja, passar como que você vê isso na clínica, como que você pergunta pros seus pacientes e também assim ter uma conexão mais estrutural, ou seja, dando sentido para aqueles todos os sintomas. Eu convido vocês a conhecerem o nosso curso de psicopatologia, que a gente deixa aqui sempre disponível nos links aqui.
Você pode acessar aqui embaixo e aí você vai ser direcionado pro curso. Lembrando que é um curso bem completo, ele tem certificado pelo MEC. Você também vai ter acesso à nossa comunidade de alunos.
Lá dentro tem monitores para tirar suas dúvidas, dúvidas não só do curso, mas também dúvidas que você tem de casos e lá sempre vai ter essa pegada com atores, com simulação. É um curso lindo, tá certo? que é um curso fundamental para quem quer ser um bom profissional e para quem também quer ter segurança na hora de diagnosticar.
Fiquem à vontade, espero que tenham gostado e a gente se encontra em mais uma aula ou então em mais um vídeo sobre exame psíquico. Um abraço, até já.