19 de janeiro de 2017. O até então ministro da justiça Alexandre de Morais segue sua agenda de atividades rotineiras em Brasília. >> É um investimento de um lado, é na construção de novas unidades, unidades com segurança.
>> Ele ainda não sabe, mas nas próximas horas o destino trará o presente mais oportuno e sombrio de sua carreira. Um jatinho executivo decola do campo de Marte em São Paulo com destina ao litoral do Rio de Janeiro. O clima é instável, mas nada que preocupe um piloto com mais de 7.
000 horas de voo. A decolagem está aprovada. A aeronave não apresenta qualquer falha técnica.
Mas ao se aproximar de Parati, o trem de pouso é baixado. Os alertas da aeronave estão acionados. O avião está a 82 m de altura numa velocidade de 222 km/h.
O piloto decide fazer uma tentativa de pouso forçado, mas algo dá errado. >> Esse avião fazia que eu falo para vocês, ele estava fazendo uma curva. Fazia uma curva.
Aí quando ele fez assim, ele >> às 13:57 o avião atinge a água. Nenhuma das cinco pessoas a bordo sobrevive. Uma delas está em posse de documentos capazes de colocar políticos, empresários e até presidentes atrás das grades.
>> Ministro do STF, Teoriza Vask. >> Vas >> o corpo do ministro Teorizavas foi resgatado de dentro do avião que caiu no litoral de Parati. Mas é absolutamente necessário que o acidente seja investigado.
>> As vésperas de homologar delações capazes de implodir o sistema político, a morte de teoria deixou uma cadeira vazia. E, embora ninguém soubesse, ela já tinha dono, o responsável pelo funeral da liberdade no Brasil. Declaro empado no cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, sua excelência, o senhor ministro Alexandre de Moraes.
[Aplausos] [Música] So this is how Liberty dies thunders applause. [Música] Nos últimos anos, Alexandre de Morais concentrou em suas mãos um tipo de poder com que nem mesmo os maiores déspotas da história ousaram sonhar. com a conivência da mídia e de integrantes dos poderes judiciário e executivo, passou a fazer as mais criativas interpretações da Constituição para justificar abusos, arbítrios e ilegalidades.
De ofício, sem o aval do Ministério Público atropelando o Congresso, ele abre inquéritos intermináveis, acusa, investiga, julga e pune. Ainda tem muita gente para aprender e muita multa para aplicar. >> Com esse poder, ele não apenas derrubou perfis, derrubou redes sociais inteiras, calou opositores e usou a Polícia Federal como um braço pessoal de repressão, perseguindo jornalistas sem acusação formal pelo terrível crime de falar demais.
Morais bloqueou contas bancárias de empresários porque não gostou do conteúdo de um grupo privado de WhatsApp que eles mantinham. Censurou e prendeu parlamentares por exercerem sua função, parlar. Prendeu milhares de inocentes e destruiu suas famílias.
Negou o atendimento médico a presos políticos. Um deles virou símbolo dessa tragédia. Cleriston Pereira da Cunha anos e teve o mal súbito durante um banho de sol na manhã desta segunda-feira.
Cleriston tinha diabetes, hipertensão e usava medicamento controlado. O ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, não chegou a analisar o caso. >> Daniel Silveira, Débora Rodrigues, o número de vítimas da repressão do judiciário é enorme.
Tudo isso fez com que Alexandre de Morais, em julho de 2025, fosse incluído numa das listas mais temidas do planeta, a dos sancionados pela lei >> Magnitsk. Magní magní. >> Na companhia dos maiores torturadores, ditadores e psicopatas, Morais passou a ser reconhecido no mundo todo como um tirano, um violador de direitos humanos.
E nem isso foi suficiente para contê-lo. Em 11 de setembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão. Num julgamento fajuto, baseado num papel nunca assinado, inventaram uma trama, crimes inexistentes, sem provas, sem testemunhas, sem foro.
O circo inconstitucional, além de Moraes, reuniu o ex-advogado e o ex-ministro da justiça de Lula e teve transmissão ao vivo e os aplausos do sistema e os aplausos da mídia, uma mídia falida, vendida, que abandonou a verdade para propagar narrativas para servir ao dinheiro. Abra os olhos, desligue a TV, não aceite ser manipulado. Você tem o direito de buscar e saber a verdade.
Foi por isso que nós decidimos ir muito além das versões fantasiosas oficiais, organizando e documentando os fatos. Quem é Alexandre de Moraes? Quais são as suas ambições?
Quem são os seus aliados? Por que ele acumulou tanto poder? E, mais importante, o que ele precisou entregar em troca desse poder?
O que você vai ver agora é um dossiê, uma produção audiovisual que une documentos, pesquisas e fatos sobre o maior ditador da história da República Brasileira. Seja bem-vindo ao primeiro documentário oficial da Timeline. he [Música] 13 de dezembro de 1968.
Sob o regime militar, a economia brasileira começa a crescer, mas o preço é a liberdade. Insatisfeitos, brasileiros se opõem ao regime. Greves em fábricas, confrontos em universidades, protestos.
Tudo indica que algo grande está para acontecer. Ninguém sabe o que será, mas todos podem sentir. E então acontece.
Após ter ouvido os membros do Conselho de Segurança Nacional, resolveu baixar um ato institucional que tem como finalidade fundamental preservar a revolução de março de 1964, a fim de que possamos, saneando esse clima de intranquilidade que gera a desconfiança, o desconforto e procura de qualquer forma atingir o regime que precisamos defender, baixar um ato institucional. Naquela sexta-feira foi publicado o ato institucional número 5, um decreto que consolidaria o regime militar pela próxima década. Ninguém sabia ainda.
Mas naquela mesma noite, em uma maternidade da cidade de São Paulo, nascia um bebê que, por ironia do destino, estava destinado a instaurar um novo regime autoritário no Brasil. Filho de Leon Lima e Gláuscia de Almeida, Alexandre de Moraes era o segundo de três irmãos. Pouco se sabe sobre o ambiente familiar em que foi criado, mas observando suas ações em frente ao poder, é possível concluir que algo na infância o fez crescer com a personalidade diferente.
Em 2025, a psicanalista Marisa Lobo foi contratada para avaliar o possível perfil psicológico de Morais. Segundo ela, seu perfil comportamental observado se aproxima de padrões psíquicos associados ao autoritarismo, narcisismo e rigidez egoica. >> Todo narcisista passou por experiências de abandono, ou pelo menos se sentiu abandonado.
Pode ser que não tenha sido. >> O amor era direcionado pro outro, não deu certo, eu direcionei ele só para mim. O narcisista só enxerga ele, o bem dele, o que você pensa sobre ele.
>> O mundo da fantasia, onde tudo existe por minha causa, tudo existe porque eu estou nesse mundo. >> Eles se comunicam bem, eles sabem persuadir, eles são muito articulados na comunicação com outras pessoas. O judiciário que não é independente não tem o direito de ser chamado judiciário.
Eu posso garantir aos senhores e as senhoras que no Brasil o judiciário é independente e é corajoso. >> Imagine que este é você, um estudante do curso de direito da USP. Você é um dentre 50 alunos daquela turma.
Você não faz ideia, mas três dos seus colegas têm algo diferente por dentro, algo sombrio, uma necessidade de controle, uma ânsia secreta por atenção e a capacidade instintiva de manipular, mentir e ultrapassar limites para conquistá-la. Mas é claro, ninguém percebe. Afinal, eles são pessoas inteligentes, carismáticos, confiantes, sempre sabem o que dizer de forma eloquente.
Mesmo sem comprovação o diagnóstico clínico, segundo análises de especialistas em psicologia e psiquiatria, é plausível supor que Alexandre de Moraes era a um dentre os 6% de psicopatas ou narcisistas que se formaram no curso de direito da USP daquele ano. Mas esse era apenas o primeiro degrau de uma carreira movida por ambição. Ainda jovem, percebeu que cada novo diploma representava mais do que conhecimento.
era prestígio, era status. Então, mergulhou em especializações, mas ainda faltava algo. Morais queria poder.
No início da década de 90, com apenas 23 anos, passou em primeiro lugar no concurso para o Ministério Público de São Paulo. Era seu primeiro cargo de comando. Como promotor de justiça, tinha agora em suas mãos o poder de acusar, fiscalizar e destruir reputações.
Ao longo de uma década, construiu a reputação de xerifão, centralizador, autoritário e intolerante. Não era um operador da lei comum, era o personagem perfeito para o sistema, o Carrasco. >> Exatamente.
Para aplicar o que a Constituição determina, o que a lei determina. E é isso que eu vou fazer, aplicar a lei. Então não tem acordo.
Se >> como promotor, ele bebe de uma fonte viciante, sente o gosto embriacante de punir, de dobrar vontades, de calar e intimidar. Mas sua ambição não tinha limites e se quisesse adentrar nas verdadeiras estruturas de poder, teria de se tornar um deles, um político. Mas ninguém entra nesse clube sem alguém para abrir a porta.
É preciso um padrinho e Morais conseguiu o cara certo. E >> trabalho, competência, honestidade. No estado de São Paulo tem nome.
O nome é o governador Geraldo Al. Este grande líder, este grande líder nacional. [Música] São Paulo, maio de 2006.
>> Atentado aqui em Cobat na delegacia SED. Tem polícia ferido, tem polícia morto. Pelo amor de Deus.
>> Estoura uma guerra entre as forças policiais e o primeiro comando da capital. Tudo começou no dia 11 de maio com a transferência do líder da facção, o Marcola. Escutas telefônicas revelam que a facção planejava realizar rebeliões em massa durante o Dia das Mães.
No dia seguinte, 74 motins foram realizados em penitenciárias do estado. Delegacias, carros e bases das polícias e corpo de bombeiros foram atacados. >> Os ataques começaram na noite de sexta-feira, foram quase simultâneos.
Em 4 horas, 20 policiais foram assassinados e o número de mortes aumentou durante o fim de semana. >> Os eventos ficaram conhecidos como os crimes de maio. Foi a maior ofensiva já registrada por uma facção criminosa no Brasil até então.
Mas não foi um ataque repentino. O governo recebeu avisos claros antes de acontecer. Como integrante do primeiro comando da capital PCC, venho pelo único meio encontrado por nós para transmitir um comunicado para a sociedade, os governantes.
>> O PCC exigia melhores condições nos presídios. Estavam insatisfeitos com maustratos policiais e avisaram: "Se nada mudasse, o estado de São Paulo pagaria o preço. " Da semana de que você vai ver na rua, você não vai acreditar, cara.
Você não vai acreditar o que você vai ver na rua. É para acabar o estado de São Paulo. >> Na época o governador era >> e sua resposta às ameaças foi a mais catastrófica possível, >> porque daí o Alkm resolve.
Quando ele vê que é verdade, ele dá um tiro pela culatra. Acho que junto com as teclas dele pensam que espalhar os chefes, Tezinha, Geleia, >> Julinho, Carambola, iria enfraquecer a facção. >> Essa movimentação de preso já estava propriamente acordada com o governo do estado no sentido de movimentar aqueles líderes e uma parcela desse eh dessa facção criminosa.
>> Hum. Julim Carambola chega em Mato Grosso, já distribui lá o estatuto do PCC, já todo mundo vira PCC no Mato Grosso. Geleia no Rio de Janeiro já conhece Fernandinho Beiramar, já se juntam ali numa aliança, descobrem isso, mandam Geleia junto com Sezinha lá pro Paraná.
>> E claro que isso causou um um uma revolta no espírito desses indivíduos. O diretor ele tem esgota para a casa dele. Você não tem.
Nós tem gente na secretaria que puxa. Vou falar para você, nós tem gente na secretaria que puxa no computador, o lerí de vocês, cara. Tem o endereço de vocês tudo, cara.
>> Ave Maria. Tá desse jeito. >> O dinheiro compra tudo, cara.
>> Tá desse jeito, cara. >> Dinheiro compra tudo, mano. >> Não tem seu tempo.
Tem gente na secretaria. Na secretaria. [Música] [Aplausos] [Música] [Aplausos] Oh.
[Música] Hum, só pode ser coincidência. Durante os ataques mais brutais já registrados de uma facção no Brasil, um dos bandidos admite ter gente na secretaria na mesma época em que o secretário era ele, Alexandre de Morais. Isso não prova nada.
Não é como se Morais tivesse relação com o primeiro comando da capital. Mas por que então ele estava sempre por perto? Veja bem, o arquétipo Linha Dura que apresentou durante a promotoria foi o que levou Alexandre a se tornar homem de confiança de Alkmin, apadrinhado pelo governador, começou pela secretaria e rapidamente ganhou espaço nas estruturas do estado, o mesmo estado que encerrou os crimes de maio fazendo acordos com o PCC.
>> Ele, um representante da PM, representante da Secretaria de Administração Penitenciária e mais a advogada do Marcola. Todos foram até o presídio de presidente Bernardes num avião da Polícia Militar cedido pelo governo do estado. O Marcola foi retirado da cela.
[Música] O governo nega que o que houve acordo até hoje. Nega conveimência. >> Eu, se eu soubesse que era isso, eu não tinha dado entrevista porque não tem menorzinho.
>> A rota mandou um ladrão pro saco. Não dá 10 minutos. O subcomandante da rota me liga no telefone.
Governador tá me ligando, governador geral do Alkem está me ligando aqui pra gente sair do Paraisópolis. Nós tínhamos um policial baleado nosso lá dentro. Não há outra palavra que possa definir o que ocorreu dentro desse presídio, senão a palavra acordo.
A partir dali, o PCC percebeu que não era só mais uma gang, tinha controle não só de vielas e becos, mas também de estruturas de poder. Tinham agora influência política. Dali em diante, a facção se tornaria uma organização com ambições políticas, econômicas e institucionais.
A organização seria tão sofisticada que teria vários departamentos, como uma empresa. O novo modelo administrativo daria aos seus integrantes uma espécie de seguro com direito à assistência jurídica e funerária. >> A facção criminosa que age dentro e fora dos presídios agora criou uma sessão de recursos humanos.
Passa só o seu primeiro nome, Renato. A matrícula 655 103. Últimas cadeias.
CDP Vila Prudente, Lavina 3, CDP de Diadema. >> Mas se há algo em comum entre todas as grandes organizações é que elas não economizam em advogados. >> Mensagens que foram interceptadas pelos investigadores e publicadas na reportagem mostram planilhas com gastos anuais da facção com advogados.
Em 2014 foram R$ 2. 600. 000, >> mas o PCC não era o único crescendo naquela época.
Nos anos seguintes, aos crimes de maio, Alexandre de Moraes teve uma ascensão meteórica. Sob a tutela de Alkim, se tornou membro do Conselho Nacional de Justiça e avançou com novos cargos no governo Cassabe, outro aliado de Alkim. Ali se tornou peça-chave.
Acumulou quatro cargos ao mesmo tempo. Secretário de transportes, de serviços, presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego e também da SP Trans. Acumulou tanto poder que foi apelidado pela imprensa de supersecretário.
O motivo era simples. A máquina urbana que gerenciava sozinho, concentrava em suas mãos um orçamento colossal. Alexandre de Moraes está à frente da Secretaria Municipal de Transportes.
A pasta tem o terceiro maior orçamento da prefeitura. São Rhões400 milhões deais. >> Alexandre acumulava cada vez mais poder no setor de transportes de São Paulo, mas então, de repente, por algum motivo, ele larga tudo.
Abandonam a trajetória meteórica no poder público para abrir um escritório de advocacia na iniciativa privada. deixa para trás prestígio, influência e poder. Mas por que alguém faria isso?
Não é o que se espera de um indivíduo ambicioso, a não ser que tivesse enxergado uma oportunidade ainda maior. [Música] Bingo Transcooper. Uma empresa que operava linhas de transporte alternativa em áreas dominadas pelo crime organizado.
Uma cooperativa com mais de 120 processos nas costas. E quem assume todos eles? Alexandre de Morais.
O mesmo que até pouco tempo controlava a secretaria que regulava o sistema de transporte na cidade. O mesmo que, por coincidência, tinha poder direto sobre contratos e licenças desse tipo de cooperativa. Suspeito, sim.
Iegal? Não, mas tudo fica ainda mais estranho após um episódio em 2014. No dia 12 de março, uma operação do Departamento de Investigações Criminais intercepta uma reunião secreta na garagem da Transcooper.
Entre os participantes estão milicianos condenados por tráfico, integrantes do PCC conhecidos pela polícia e até mesmo Luiz Moura, exoragido da polícia e deputado do PT. O deputado participou de reunião onde estavam 13 integrantes do PCC. >> A Polícia Civil realizou uma operação na sede da cooperativa e deteve 40 pessoas.
Aquela foi a primeira peça de um dominó que resultaria na abertura de um inquérito escandaloso. >> No setor de transportes, a Polícia Civil descobriu que o primeiro comando da capital, PCC, estaria usando frotas de ônibus em nomes de laranjas para lavar o dinheiro do narcotráfico. Alexandre de Morais não quis dar entrevista.
>> Eis a linha do tempo. Final de 2010. Mora abandona seus cargos políticos na Secretaria Municipal de Transportes.
Janeiro de 2011, ele inaugura seu escritório de advocacia e é imediatamente contratado para assumir a defesa da Transcooper. Meados de 2014, a cooperativa começa a ser investigada por envolvimento direto com o PCC. E primeiro de janeiro de 2015, Morais volta para a política como secretário da segurança pública, já com seu escritório de advocacia fechado.
É claro, não há evidências de que ele tenha participado diretamente de atividades ilegais da Transcooper, mas é aquele velho ditado, tem bico de pato, penas de pato, pés de pato, mas diz que não é um pato. Porque imagine o seguinte, você é um executivo bem-sucedido, está acendendo rápido na carreira corporativa. Em poucos anos se tornou vice-presidente de uma grande corporação, mas sem qualquer motivo aparente, você decide largar tudo.
Abandona sua posição de prestígio para se tornar um faxineiro de um bar. Sua função é limpar a sujeira. Então, é claro, você precisa conhecer o estabelecimento suficiente para saber onde a sujeira está.
Mas certo dia, a polícia faz uma batida no local e nos fundos descobre uma sofisticada operação de tráfico de drogas. O bar era uma fachada. Você diz estar surpreso?
Diz que não sabia de nada. Afinal, é apenas o faxineiro. E o mais estranho, logo depois decide encerrar sua breve carreira na fachina para imediatamente voltar ao cargo de executivo, que por algum motivo ainda estava lá te esperando voltar.
Mas o hábito de jogar a sujeira daquele bar para debaixo do tapete te acompanha pelo resto da vida. O ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, manteve o sigilo do relatório produzido pela BIM, cujo conteúdo teria tentado ligar o magistrado ao PCC. >> Se olharmos no passado não tão distante, o PT também tentou ligar Alexandre de Morais ao PCC.
Existe um tweet que já foi apagado pelo partido que diz o seguinte: #ministrogolpista Alexandre de Morais advogou para o PCC e maquiou dados de letalidade policial. Veja aqui. >> De alguma forma, a reputação de Morais sempre sai intacta.
As coincidências se acumulam, mas as denúncias evaporam, inclusive aquelas feitas pelo PT, que um dia foi seu inimigo declarado, mas hoje apaga os rastros e muda de postura pela conveniência dos conchavos. E são justamente esses conchavos que catapultam morais rumo ao poder absoluto após um episódio inesperado. Tudo começa com uma invasão, um celular hackeado e um segredo que jamais deveria ter sido descoberto.
[Música] Mais de 3 milhões de pessoas, segundo a Polícia Militar dos Estados, foram às ruas de 250 cidades ontem para protestar contra presidente Dilma Roussef. Abril de 2016, o Brasil vive uma grande crise política. Jom Roussef está prestes a enfrentar um processo de impeachment no Congresso.
Após anos de escândalos de corrupção que conduziram o país à recessão econômica, a gota d'água se deu com a descoberta de pedaladas fiscais, manobras ilegais para maquiar o rombo nas contas públicas. >> As manifestações a favor do impeachment e contra a corrupção, o PT e o ex-presidente Lula, foram o maior ato político da história do Brasil. encheram de verde e amarelo as ruas de todas as capitais e do Distrito Federal.
>> Deputado Jair Bolsonaro do PSC, pela família e pela inocência das crianças em sala de aula que o PT nunca teve, contra o comunismo, pela nossa liberdade, contra o Fa de São Paulo, pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Russef. Como vota, deputado >> pelo exército de Caxias, >> pelo nosso Forç Amadas, por um Brasil acima de tudo e por Deus acima de todos. O meu voto é sim.
[Aplausos] >> O que ninguém imaginava é que nos bastidores a semente de uma crise muito pior estava sendo plantada. [Música] Na mesma semana em que o Congresso votava o impeachment, Marcela Temer, esposa do até então vice-presidente Michel Temer, recebe uma mensagem que mudaria o rumo do Brasil para sempre. [Música] [Música] É oficial.
A mulher do vice-presidente está sendo chantageada. De alguma forma, o chantagista tem acesso não somente a fotos íntimas, mas também arquivos, conversas pessoais e contatos, algo que poderia ser catastrófico para a imagem de Michel Temer, as vésperas de assumir o mais alto cargo da República. Mas ele tem um plano.
Preciso que resolva algo urgente. No dia 15 de abril, Alexandre de Morais, agora como secretário de segurança pública, é informado de que o celular de Marcela Temer foi hackeado e é encarregado pelo vice-presidente a encontrar o hacker. Não era um pedido qualquer, era uma grande oportunidade.
Não havia tempo a perder. Em poucas horas, ele já havia mobilizado uma força tarefa de 33 policiais para investigar o caso. Em questão de semanas, a polícia descobre a identidade do hacker, Silvonei José de Jesus Souza, um telhadista de 35 anos, sem qualquer histórico de envolvimento com tecnologia, que havia descoberto os dados de Marcela por acaso em uma HD pirata comprado no centro da cidade.
Morais não hesitou em agir. >> Idade Alfa, porta quase cedendo. Preparar a entrada.
>> Atenção, equipe dois pela lateral. Sem visual no segundo andar. >> 3 2 1.
Arrebenta. >> Poucas semanas após o início das investigações, uma operação cinematográfica na zona sul de São Paulo prende Silvonei. A ação mobilizou 40 policiais e 11 viaturas.
que cercaram as imediações da favela Eliópolis, onde o exelunatário residia. A operação acontece no dia 11 de maio de 2016. Coincidência ou não, um dia antes do fatídico evento que consagraria Michel Temer como novo presidente do Brasil.
Está encerrada a votação. Nós vamos proclamar o resultado. >> Resultado final no painel eletrônico do Senado.
Com 61 votos sim e 20 não, está caado o mandato da presidente Dilma Rusel. >> Condenada a perda do cargo de presidente da República Federativa do Brasil. Temer assume a cadeira e a primeira coisa que faz como presidente é demonstrar gratidão.
Nomeado ministro da justiça, Alexandre passa agora a comandar toda a máquina Federal de Segurança Pública. Controla a Polícia Federal, decide quem será punido e quem será protegido. Aliança com Temer marcava mais do que uma escalada exponencial de poder para Morais.
é o início da transformação de um operador político para um soldado obediente ao sistema. Um ano mais tarde foi revelado o processo de denúncia feito pelo Ministério Público de São Paulo, com trechos reais da conversa entre Silvonei e Marcela Temer. >> Achei que esse vídeo joga o nome de vosso marido na lama.
Quando você disse que ele tem um marqueteiro que faz a parte baixo nível? Pensei em ganhar algum com isso. >> Quer negociar o que comigo?
Isso é montagem. E aí, vai fazer o quê? Quer me encontrar?
>> Sabe que não é montagem, não tem cortes. Bandido, criminoso. Minha vida é limpa e basta.
Montagem. É montagem. Não tenho medo de você.
>> A jantagem contra Marcela nunca foi sobre fotos íntimas. Era sobre um áudio comprometedor em que ela admite práticas baixo nível de Michelle. A operação bem-sucedida conduzida por Alexandre de Moraes abafou o caso.
Foi o suficiente para demonstrar sua utilidade ao sistema, mas não o suficiente para livrar Temer do que acontecia em Curitiba naquele momento. >> Foram cumpridos três mandatos de prisão preventiva, três de prisão temporária e 12 força tarefa Lava-Jato do Ministério Público Federal ofereceram hoje em Curitiba denúncia contra 27 pessoas. Quase R bilhões de reais bloqueados.
>> Operação Lava-Jato da Polícia Federal derruba um assessor do ministro da previdência. >> Outra planilha encontrada pela Polícia Federal no escritório de Alberto Yusf mostra que grandes empreiteiras repassaram R 31 milhões deais para firmas controladas pelo >> etapa da operação Lava Jato. >> Operação Lava-Jato.
>> Quinta teve uma, sexta tem outra, teve outra. Essa semana vai ter mais. Quando vocês viram essa semana vão lembrar de mim agora.
Tudo começou em março de 2014, durante uma pequena investigação contra doleiros do Paraná. O esquema funcionava num posto de gasolina em Brasília. Ali se lavava de tudo.
Na lavanderia, roupas. No lava-jato, carros. E na Casa de Câmbio dos fundos, é claro, dinheiro.
Era um daqueles casos que começam como nota de rodapé de jornal local, mas aos poucos vai tomando proporções nacionais. O que a Polícia Federal encontrou ali era a ponta de um iceberg, um rastro de propina que conectava em priteiras, políticos e diretores da Petrobras a um esquema bilionário. Em pouco tempo, a operação batizada Lava-Jato levou a polícia até os peixes grandes, empresários, ministros, senadores, governadores.
Nenhum cargo era alto demais. A lista de políticos envolvidos era enorme. Enquanto isso, em Brasília, após o impeachment de Dilma, o PMDB de Michel Temer e o PSDB de Alkim, que até então se colocavam como rivais, decidiram se juntar.
Aliança não era só conveniência, era também autoproteção, porque quando as delações começam a acontecer, os esqueletos no armário ameaçam demolir a casa inteira. Ele me pediu 30 milhões de doação, >> propinas pagas pela Odebrecht para agentes públicos. >> Quando que surgiu esse assunto de propina entre o senhor e o senador Ren?
>> O PSDB entrou oficialmente na base aliada de Temer, ocupando ministérios e cargos. José Serra foi nomeado chancelé, Aloísio Nunes, relações exteriores e Alexandre de Morais parecia desempenhar um papel estratégico. Era o elo entre os dois blocos políticos.
Ele era útil ao propósito que unia o PSDB e o PMDB. >> Ele já foi chamado pela imprensa de o Pitbull de Temer e até de Robocop nas redes sociais. Comandar o Ministério da Justiça significava controlar a Polícia Federal, justamente aquela encarregada da Lava-Jato.
>> O novo ministro assume um papel fundamental no prosseguimento da operação Lava-Jato. Apesar de autônoma, a Polícia Federal é subordinada ao Ministério da Justiça. >> O real problema fica evidente logo no início do mandato, quando Alexandre deixa a vaidade escapar e faz uma declaração polêmica.
Pode chegar é apoio total Lava Jato. Tanto que falam, falam. E você vê sexta teve, quinta teve uma, sexta tem outra, teve outra.
Essa semana vai ter mais. Podem ficar tranquil. >> Confiamos no senhor.
Confiamos no senhor. Unidos e mobilizados. Unidos mobilizados.
>> Quando vocês viram essa semana vão lembrar de mim. É, >> de fato, já no dia seguinte, a Polícia Federal entra em ação. >> O ex-ministro dos governos Lula e Dilma, Antônio Palosse, foi preso hoje em São Paulo em mais uma fase da operação Lava-Jato.
>> O ex-ministro Antônio Palossi foi detido no apartamento dele, num bairro de classe alta em São Paulo. Os agentes também fizeram apreensões na residência do petista. era um ministro da justiça, antecipando uma operação sigilosa da Polícia Federal para ganhar capital político.
Pela primeira vez, ele sai enfraquecido do episódio. Aquilo escancarou a parcialidade de Morais e levantou um questionamento. Se ele era capaz de usar informações sigilosas da Lava-Jato para ganhar capital político, por não seria capaz de influenciar o curso da operação em favor dos seus aliados?
Era o cão leal do sistema, o Pitbull de Temer, comandando a polícia responsável por uma mega operação que lidava com políticos de alto escalão. Não se engane, Temer também tinha esqueletos no armário. Muitos de seus aliados e ministros estavam envolvidos até o pescoço na Lava-Jato.
>> O dinheiro apreendido na Bahia, num apartamento ligado ao ex-ministro de Temer, Gedel Vieira Lima, já passa de R2 milhões deais. Ministro dos governos, Dilm Temer, Henrique Eduardo Alves, foi preso hoje em Natal por corrupção e lavagem de dinheiro. >> Perto de completar seis meses na prisão, Eduardo Cunha viu o processo contra ele andar rapidamente nas mãos do juiz Sérgio Moro.
>> Sob vaias e gritos de protestos. >> Henrique Eduardo Alves foi levado de seu apartamento por agentes da Polícia Federal. >> Aos poucos, as delações conduziam à investigação até o atual presidente do Brasil.
Aos procuradores, o delator Márcio Faria relata ter participado de um encontro em julho de 2010 no escritório de Michel Temer em São Paulo. >> Nessa sala estava presente o Michel Temer, ele sentou na cabeceira como se fosse aqui. >> Eu sentei aqui, Rogélio aqui do lado de lá, Eduardo Cunha, o deputado Henrique Eduardo Also e o João Augusto mais atrás.
O encontro seria para acertar o repasse de 5%, o equivalente a R5 milhões deais sobre o valor de um contrato firmado com a Odebrest Engenharia Industrial. >> Temer citado, ministros próximos delatados. A blindagem política começava a trincar.
Freara a Lavajado estava se tornando prioridade número um para a casta política brasileira. E eles sabiam muito bem qual era o caminho para isso. Solução mais fácil era botar o Michel.
Mas eu sou o Renan que tá contra essa [ __ ] Um aborto que não gosta de Michel. Porque Michel Eduardo Ren esquece tá morto. [ __ ] é um acordo Michel um grande acordo nacional >> com supremo, com tudo, fazia todo mundo e parava tudo.
É. E aí pode ter limitar onde tá pronto para tudo. >> Logo no início do governo Temer, um escândalo envolvendo o novo ministro do planejamento revelou que o caminho para frear a Lava-Jato era conseguir influência no Supremo Tribunal Federal.
Em uma gravação vazada, Homero Jucá admite a estratégia. >> Ainda de acordo com o jornal, Já disse que caiu a ficha de líderes do PSDB sobre o potencial de danos que a operação Lava-Jato pode causar em vários partidos. Na gravação, ainda de acordo com o jornal, Já acrescentou que um eventual governo, Michel Temer, deveria construir um pacto nacional com o Supremo, com tudo.
E Machado disse que aí parava tudo. Jucá disse que havia mantido conversas com ministros do Supremo, mas não citou os nomes. Já afirmou que poucos no STF, aos quais não tem acesso e um deles seria o ministro Teoriza Vasque, a quem classificou de um cara fechado.
Aquilo evidenciava duas coisas. A primeira é que o STF era o caminho para estancar a sangria. A segunda é que havia um desafio a ser superado.
Um desafio chamado Teoriza Vask, ministro relator da Lava Jato no Supremo. Um dos poucos que não sorria para câmeras, não jantava com políticos e se recusava a ser chantageado. Com um perfil técnico e garantista, sua postura gerava respeito e temor.
A casta política estava claramente desesperada com os avanços da Lava-Jato. O problema é que o caminho para travar o processo passava por um homem que se recusava a negociar. 77 delações premiadas, mais de 200 políticos mencionados, governadores, senadores, ministros.
A maior delação da história estava no colo de Teoriza Vasque. Era uma corrida contra o tempo. De um lado, criminosos sem escrúpulos, dispostos a fazer de tudo para enterrar a operação.
Do outro, um juiz metódico, disposto a avançar o processo até as últimas consequências. Uma bomba relógio estava armada e a contagem regressiva já tinha começado. Numa publicação em redes sociais, Francisco Zavasque, o filho de Teori, demonstra genuína preocupação.
>> É óbvio que há movimentos dos mais variados tipos para frear a Lava-Jato. Penso que é até infantil imaginar que não há. Isso é que criminosos do pior tipo, conforme o Ministério Público Federal afirma, simplesmente resolveram se submeter à lei.
Acredito que a lei e as instituições vão vencer. Porém, alerto, se algo acontecer com alguém da minha família, vocês já sabem onde procurar. Teori sabia que estava correndo contra o tempo, então decidiu abrir mão das próprias férias para avançar os trabalhos da Lava-Jato.
Em dezembro de 2016, enquanto Brasília se esvaziava para o recesso de fim de ano, ele varava noites debruçados sobre pilhas de documentos, milhares de páginas sobre delações transcritas, centenas de nomes, governadores, senadores, ex-presidentes. Não era só mais um caso jurídico, era uma missão de vida. Em 18 de janeiro, Teori se encontra com o procurador geral Rodrigo Janor para discutir os últimos detalhes antes de homologar as delações.
A bomba relógio estava prestes a eclodir, mas então [Música] não vouar. Puxa, respira por isso aí. B na ponta.
Levanta aqui. Levanta aqui. Levanta aqui.
Levanta aqui. >> Puxa a corda. Puxa a corda agora.
Puxa a corda. >> Puxa a corda. >> Vamos adiantar porque ela apagou, hein?
>> O homem diz agora. Olha, >> o homem diz vamos adiantar que ela apagou. Naquela altura ela já tava morta.
Morre o ministro do Supremo Tribunal Federal, Teoriza Vasque. >> Ele que havia interrompido as férias para analisar o processo. >> Teoriza Vasque era no STF o relator da Lava-Jato, a maior investigação sobre corrupção de toda a história do país.
>> Com a morte do ministro, ainda não se sabe quem vai assumir as funções dele. aos familiares do ministro e dos demais integrantes do voo, meus sentimentos de pesar e associo-me a todos os brasileiros ao lamentar a perda de um homem público cuja trajetória impecável a favor do direito. >> Ele é preparado tecnicamente ele tá preparado para enfrentar qualquer um jurista.
de lá é que era um um trabalhador compulsivo. Ele sempre pretendeu ir para o Supremo. [Música] >> Foi tudo muito rápido, tudo muito estranho, tudo muito conveniente e não parava por aí.
>> Dois delegados da Polícia Federal foram assassinados numa casa noturna em Florianópolis. Um deles foi responsável pela abertura do inquérito que investiga a morte do ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavasque. >> Mas aparentemente aquilo não passou de uma sequência de coincidências.
O laudo técnico do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes não encontrou indícios de sabotagem. Não havia falha mecânica, nem falta de combustível na aeronave. O relatório final apontou como causa provável uma desorientação espacial do piloto, um piloto experiente com mais de 7.
000 horas de voo acumuladas. E enquanto o país ainda tentava entender as consequências do acidente, o sistema já se articulava para preencher o vácuo de poder. Uma vaga decisiva foi aberta na mais alta corte do país e o nome já estava lançado, Alexandre de Moraes.
Em apenas 4 horas após aprovação no Senado, o presidente Michel Temer nomeou hoje o jurista Alexandre de Morais como ministro do Supremo Tribunal Federal. A nomeação de Alexandre de Moraes, que será revisor da Lava-Jato no STF, foi contestada pelos senadores de oposição por causa da ligação do jurista com o governo federal. >> A votação secreta que confirmou Alexandre de Moraes no STF durou menos de uma hora.
A senadora petista GZ Hoffman foi a única falar como representante da bancada de oposição, contrária à indicação. Nós temos muita preocupação em relação à postura dele no Supremo, até porque o que nós observamos dele na ocupação de cargos que ele teve foi uma utilização partidária. Então isso nos preocupa bastante.
É, nós não precisamos de um Supremo mais partidarizado ainda. O senhor não se declarou impedido porque o senhor não pode, porque eles indicaram o senhor justamente pro senhor ser revisor da Lava Jato. >> Temer indicou Alexandre Moraes para vaga de juiz no Supremo.
Alexandre será o revisor dos processos da Lava-Jato. Alexandre é ministro da justiça de Temer. Temer citado 43 vezes em delação da Odebrecht na Lava-Jato.
Ministro tem foro privilegiado. Só pode ser julgado pelo Supremo. Se o Supremo Senado Temer e Alexandre levassem em conta a opinião do próprio Alexandre, ele não poderia ser ministro do Supremo.
A 7 anos, para se tornar doutor pela USP, Alexandre defendeu uma tese. Quem servisse a um presidente da República em cargo de confiança não poderia ser indicado para o Supremo pelo mesmo presidente. Isso para se evitar demonstração de gratidão política.
Boa noite, [Música] Senhor ministro, Em nome do Supremo Tribunal Federal, dou-lhes as boas-vindas na nossa casa. Desejo que seja um período de muito trabalho, fecundo para o Brasil. >> Para os cidadãos, >> entrem nos ônibus e saiam em paz.
O exército acatou a determinação do imperador Xandão Cabeça de Ovo e estamos aqui sem saber para onde vão nos levar. >> Que seja um tempo muito bom e muito virtuoso para Vossa Excelência e para todo o tribunal com ajuda que com certeza será muito grande de sua parte. Uma caixa pro outro canto.
Cara na minha perna. [Música] Não sabe o que é isso? Não >> é um relógio.
>> É um relógio. É. >> Tá certo.
Vai tirar, viu? Tenha fé. O novo ministro assumiu o papel de juiz, mas com a postura de um imperador.
Não foram necessários decretos ou tanques nas ruas. Bastou uma caneta. Pela primeira vez, Alexandre de Morais havia recebido uma que dispensava intermediários, que era independente de alianças ou autorizações vindas de cima.
Quem carrega essa caneta recebe um superper, o das decisões monocráticas. Com a cartada da urgência, os artigos 102 da Constituição e 21 do regimento interno do STF concediam a um único ministro o poder de suspender leis, paralisar investigações da Polícia Federal e travar políticas de um governo inteiro. Brechas da lei que poderiam facilmente ser utilizadas para decisões arbitrárias.
E foi exatamente isso que aconteceu. Um levantamento da agência pública revelou que entre 2017 e 2018 o STF já havia proferido 73 liminares monocráticas em ações de controle constitucional. Morais sozinho, assinou 25 delas.
1/3 das medidas autoritárias do Supremo pertencentes a um único homem. Em média era uma decisão por semana. Juristas começaram a utilizar um novo termo para descrever o que estava acontecendo.
Ministocracia. Quando a vontade de um ministro vale mais que a de todo o plenário. Morais bebia agora da fonte quase ilimitada de poder.
Eu disse quase, mas para ele ainda não era o suficiente. Hoje que o país é mais precisa, né, do Supremo Tribunal Federal, do Judiciário, né, como todo, é o papel de moderação, papel de árbitro entre os poderes. Até aqui, Alexandre tinha um grande poder, mas ainda estava preso às regras.
Na maioria das vezes, precisava que um caso caísse na sua mesa. Precisava de provocação. Ainda era apenas um dentre 11 ministros.
Mas isso muda em março de 2019. >> Resolve como resolvido já está. nos termos do artigo 43 e seguintes do regimento interno, instaurar inquérito criminal para a apuração dos fatos em infrações correspondentes em toda a sua dimensão.
Designo para a condução do feito o eminente ministro Alexandre de Moraes. Enquanto o país criticava o que ainda restava da Lava-Jato, o então presidente do STF, Dias Tófoli, decidiu abrir a investigação criminal mais criminosa da história. >> O presidente da Corte de Astofol anunciou a abertura de um inquérito para investigar a existência de fake news que atingem ministros e seus familiares.
Diastofol não explicou qual fato gerou essa investigação, porque o processo corre em sigilo, mas disse que notícias falsas e caluniosas atingem a honra e a segurança dos ministros. >> Justiça eleitoral, ela é criticada direto por nós. Por que que agora é crime criticar a justiça eleitoral?
De ofício, sem provocação da Polícia Federal, sem vítima definida, sem fato determinado, sem a distribuição natural da relatoria, ele entrega nas mãos de Morais um instrumento perfeito para o poder absoluto. >> Ele é investido da presunção de que ele é o especialista em segurança pública. >> O inquérito das fake news quebrava os pilares do processo penal brasileiro.
Uma investigação nascida da vontade do STF, conduzida por ele mesmo, contra quem ele quiser, pelos motivos que ele quiser. Uma aberração jurídica completa. >> Cabe a nós ficar de olho.
Eh, inquéritos não podem ser instrumentos políticos. >> A pergunta que eu faço é a seguinte: qual é o objeto da investigação? Quem ou o que será investigado?
considerando o fato exótico de que, por ofício, o órgão eh condenador, julgador abriu uma investigação, abriu um inquérito, qual é o objeto? Sem essa resposta, as liberdades individuais ficam sobr [Música] no Brasil. Semanas após a abertura do inquérito, veio o primeiro sinal de que aquele era o início de uma era sombria.
O amigo do amigo de meu pai. Este era o nome de uma reportagem que trazia à tona a relação entre o ministro Dias Toffoli e a Odebrecht, empreenditeira protagonista da Lava-Jato. Mas o cão leal do sistema estava de prontidão para agir em sua defesa.
Alexandre não pediu esclarecimentos, não contestou fatos, simplesmente determinou que tirassem do artagem de capa daquela edição da Cruoé. Pela primeira vez em décadas, a censura havia voltado ao Brasil e com ela o medo. >> O ministro Alexandre de Moraes cancelou os passaportes e bloqueou as contas bancárias dos jornalistas Paulo Figueiredo e Rodrigo Constantino.
>> O que ele tirou de mim não foi só o exercício da minha função, foi um valor inestimável. É toda a minha vida que tá. >> Posso confirmar que o meu passaporte foi cancelado, que as minhas contas bancárias, inclusive na pessoa jurídica, estão congeladas.
A jovem PAN está desde a última segunda-feira, sob censura instituída pelo Tribunal Superior Eleitoral. >> Seu canal do YouTube acabou de ser bloqueado no Brasil, igual do Rayan. >> Sério?
>> Aham. Cara, avisaram no chat aqui, não sei. Todo mundo que é contra o sistema vai preso por uma uma razão pífia tipo essa daí.
e não tem como recorrer e e chorar pra mãe. Dentre as incontáveis e já amplamente documentadas atrocidades, inconstitucionalidades e crimes de Alexandre de Morais, teve uma que serviu de base para a consolidação de uma ditadura no Brasil, a supressão da verdade, o controle sobre o discurso. A partir daquele ponto, o preço de se fazer jornalismo no Brasil ficou alto demais.
>> Em junho, completará dois anos que eu não vejo a minha família. Há dois anos atrás, a Polícia Federal invadiu minha casa quando meu filho Pedro estava na barriga da minha esposa com meses. E a segunda busca apreensão, a Polícia Federal invadiu minha casa mais uma vez.
>> Abre aí, abre aí, abre aí. >> É de novo. Meus advogados vão tentar ter acesso aos autos.
Isso é outro cap >> sigiloso. >> Sigiloso. >> A primeira foi pior porque eles colocaram armas em nossas cabeças, invadiram a nossa casa como se fôssemos criminosos, inclusive arrombando a porta da nossa casa.
Há dois anos eu não vejo a minha família e o Dia das Mães é sempre um dia muito difícil, mas nesses dias difíceis é importante você tomar uma atitude. E a minha é sempre continuar lutando pela liberdade, lutando pelo jornalismo livre. Não há democracia onde há presos políticos.
Não há democracia onde o jornalismo não é livre. [Música] [Música] [Música] esse documentário a que você acabou de assistir é o primeiro da timeline. A nossa ideia desde o início era resgatar o verdadeiro jornalismo, trabalhar com os fatos, com a busca da verdade, com a curiosidade, com a desconfiança, com as perguntas.
Infelizmente, grande parte da imprensa abriu mão disso tudo. >> A mídia de hoje não fala mais a verdade, não fala sequer aquilo que vê. E pior, ainda persegue os jornalistas que ousam falar a verdade.
E é por isso que a timeline está aqui nos Estados Unidos para que possamos ser livres e fazer um jornalismo que volta a falar aquilo que realmente está acontecendo. >> Resistir não é o suficiente. A Tamil também quer devolver a você aquela liberdade, aquela coragem e a honestidade que hoje, infelizmente, a mídia desistiu de entregar para você.
Para ser independente, um veículo de comunicação não pode depender de verbas públicas, de governos. Também não pode ter o rabo preso com patrocinadores poderosos que querem, por exemplo, interferir na linha editorial. Ou seja, a liberdade tem um preço e este preço é a independência.
Somente um jornalismo verdadeiramente independente pode trazer a você uma informação que não tem viés de interesses de terceiros, não. >> E quem mais iria se importar com isso senão você? E é para você que nós fizemos esse documentário.
Este documentário ao qual você acabou de assistir é apenas o primeiro. Nós queremos produzir vários documentários e também filmes de ficção. >> A Timeline quer expandir a sua capacidade de produzir documentários e filmes com investigações profundas, com informações que não são fáceis de obter e, obviamente, com um padrão de qualidade internacional.
E esse padrão custa caro. Mas quanto mais apoio tivermos, mais longe a gente pode chegar, mais pessoas nós podemos alcançar. Se você entende o que a gente faz, se você entende a nossa luta, aponte a câmera do seu celular pro QR code na tela.
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