Oi Viviane Vieira do Amaral 45 anos Thalia Ferraz 23 Evelaine Aparecida Ricardo 29 anos Lone Priebe de Almeida 74 anos Ana Paula Porfírio dos Santos 45 EA lineares 38 anos em comum essas mulheres têm o fato de terem sido mortas assassinadas por serem mulheres elas são os mais recentes rostos do feminicídio no Brasil por envolver uma juíza que era Viviane essa situação e seja ou até mesmo manifestação no STF sobre tudo isso a partir de agora vamos falar com Marina Ganzarolli que a advogada mestre pela USP idealizadora do movimento contra assédio sexual Mitchel Brasil aqui
o do meu bom dia e já agradeço Bom dia como vai Marina Oi bom dia bom dia Cris Bom dia a todos a todos que nos ouvem bom vamos começar a Marina é perguntando porque afinal de contas com todos os casos acontecendo ganhando cada vez mais repercussão porque a imprensa amido de uma forma geral tem coberto mais esses casos inclusive chamando adequadamente pelo nome que tem que chamar que é feminicídio por quê que o assassinato de mulheres continua acontecendo no Brasil o Paul infelizmente esse quadro esse triste quadro de violência contra a mulher que vimos
no natal é a realidade da mulher brasileira todos os dias o Brasil continua sendo o quinto país do mundo em feminicídio é o assassinato da mulher simplesmente por ser mulher assassinato esse que majoritariamente ocorre em virtude de uma situação de violência doméstica violência doméstica que vai se escalonando Né nenhuma violência em um relacionamento abusivo é ele ele começa com a violência física com a violência a com agressão com lesão corporal começa a obviamente com o ciúmes ele começa a com a desqualificação a violência moral a violência psicológica a violência patrimonial a violência sexual e então
a violência física a mente é nenhuma dessas mulheres que perdeu a vida no dia25 né o no dia 24 ali no Natal estava pela primeira vez sofrendo na violência do marido EA o feminicídio Apesar natureza do que você disse peço perdão Impossível por racional desculpa como você disse a conscientização cresceu muito né Então temos agora vemos uma mobilização maior da esfera pública da população uma maior como são maior clamor Popular que não são isolados né vamos lembrar agora esse mês a morreu o homicida né Nunca mais nos empresário os homicida o Doca Street sem que
foi aí que o na o autor de uma violência em violência típica desta como feminicídio muitos anos atrás e que foi um caso que a net antes da Lei Maria da Penha né antes da hashtag todas leque que ainda bem hoje ajudam essa mulher essa menina encontrar mais informações já foi um caso que mobilizou esfera pública que Revoltou a população obviamente hoje a gente vê é esse acompanhamento né da população da esfera pública muito maior em relação à violência contra a mulher mais a gente continua tendo altíssimos e esses né Essa realidade é a realidade
que nós a gente especialistas na área enfrentamos todos os dias Então na verdade a gente fica até difícil dizer feliz mas a gente fica contente que tenha um maior acompanhamento dessas situações agora talvez por situações como essa não é de que são situações diferença de classe de raça então é uma juíza né e as pessoas e a violência contra a mulher Apesar que a gente tem avançado muito como você mesmo é observou agora as pessoas se importam mais noticiam mais a gente ainda tem uma série de Mitos que circundam esse tipo de violência não é
mitos que estão aí construídos na no imaginário de cada um de nós de cada um de nós é que são aí é frutos né dessa diferença dessa desigualdade de poder estrutural que existe na nossa sociedade entre homens e mulheres a qual denominamos machismo essa diferença desigualdade de poder que ela não é só na área da violência lá em todas as esferas da vida das mulheres nós ganhamos trinta por cento ao menos do que os homens nos mesmos postos de trabalho nós somos 52 por cento da população brasileira não representamos nem quinze por cento das cadeiras
do congresso nacional mas a desigualdade de poder a você reflete e a sua a sua face mais sombria e também mais visível é aquela naquela que nós dizemos apd oi oi seeberg né é a violência contra a mulher EA violência doméstica e familiar contra a mulher que infelizmente do Brasil tem índices alarmantes e vimos crescer durante a pandemia por causa da pandemia não porque a pandemia aumentou as condições a oportunidade em que essa conduta criminosa acontece que é onde no momento de convívio familiar Ou seja no período noturno e aos finais de semana nas datas
comemorativas a gente já havia um aumento do índice de violência nessas oportunidades isso não muda né no contexto da pandemia pelo contrário é os índices aumentam exatamente por causa de uma condição de isolamento que aumenta a condição na oportunidade em que esse crime acontece que infelizmente é dentro do Lar lembrando que hoje para a mulher brasileira tanto para ela a ser assassinada quando ela apanhar quando pela sofrer um estupro uma violência sexual o lugar mais perigoso e para uma menina uma mulher brasileira é dentro do domicílio sobre isso é que você menciona da pandemia é
eu eu fiz parte fácil né na verdade é de um grupo de jornalistas do Brasil todo e a gente fez um monitoramento dos casos de violência contra mulher e o feminicídio porque muito bem pontuado por você é um ciclo de violência que infelizmente se encerra com a morte com assassinato dessas mulheres e foi curioso porque houve um comportamento interessante curioso dos casos houve no início um aumento grande depois um arrefecimento ali no meio junho julho uma revestimento dos números dos casos dos registros Mas isso não significa obviamente que esses casos não estivessem acontecendo aí a
minha pergunta para você é a seguinte é dessa dificuldade de mencionar principalmente com Secretaria de Segurança Pública e todo que existe é diferença e para o estado por exemplo é para qualificar para quantificar determinado tipo de violência contra a mulher a estados por exemplo que não separam homicídios comuns em que a vítima é mulher e o feminicídio que é muito bem colocado no começo e agora por você é o feminicídio é um crime clássico em que a a mulher é morta pela condição de mulher E aí minha pergunta é essa dificuldade de mencionar os dados
acaba impactando uma deficiência em políticas públicas um pouco mais eficientes e efetivas com certeza terá Com certeza é essa essa sequência de Mitos lá que circundam ainda violência contra mulher o primeiro mito é o da vítima ideal é que as pessoas têm uma ideia de que a vítima de violência doméstica é uma mulher placa uma mulher suscetível a mulher que não têm a coragem necessária para sair daquele relacionamento uma mulher sem acesso à informação com baixa escolaridade para baixo poder aquisitivo por exemplo que ela não tem nem condições econômicas de buscar uma ajuda sendo que
não né esse é um mito na a violência contra a mulher ela é inscrito assista ela acontece obviamente ela atingir majoritariamente as mulheres negras e periféricas ela acontece em todos os lares com todas as mulheres a mesma coisa o agressor as pessoas têm uma ideia né de que esse agressor de mulheres ele é um monstro ele é um cara que agressivo com todo mundo ele é um cara muitas vezes pensamos na violência sexual né ele é um cara esquisitão ele é um cara Soturno que veste preto é cinco que não é o agressor sexual de
mulheres o agressor doméstico de mulheres ele é um cara o pai de família que frequenta o seu culto Igreja a né o seu o Palio parça do futebol de quarta-feira o seu vizinho que é super simpático de falar bom dia boa tarde boa noite né então esses mitos eles dificultam muito a conscientização a divulgação de informações essa coisa do nomear é alguma coisa que a gente melhorou muito nos últimos anos porque o tempo atrás eu lembro que eu tava fazendo mestrado Agora eu tô no trabalho mas quando estava fazendo o meu viciado a gente fazia
uma série de buscas né Por notícias feminicídio e a gente não consegui achar feminicídio quando a gente colocava a gente falou vamos dizer assim as manchetes né feminicídio você colocar feminicídio só saiam coisas acadêmicas pesquisas aí você colocava é inconformado com isso e o ciúme formado com aí você preenche Olha fica a critério do freguês e inconformado com o término do relacionamento e inconformado com a saúde Bosque inconformado com o ciúmes inconformado com Érico você botar Vale qualquer coisa depois de conformado com inconformado com homem mata mulher é então não tinha feminicídio não diga homicídio
não tinha a palavra machismo não é da matéria né assim um cara ele teve ali umas cinco bem né ele teve ali um bater um raio na cabeça dele e o controle ele matou a mulher do nada sei que sabia que ele aconteceu coitado né dele não tipo mente né gente é um tema muito pesado mas é o ciclo da violência ele tem um escalonamento né o feminicídio é um tipo de crime é a gente disse que é um tipo de crime evitável é então eu consigo é uma morte evitável se existe uma intervenção do
estado da política pública de segurança da política pública de saúde da política pública de assistência social que faz a inter é uma avaliação mais gestão deste risco né então toda mulher que está numa situação de violência ela tem que passar por uma avaliação de risco é porque a gente tem diferentes momentos esse ciclo a gente pode ter uma situação em que essa mulher está mais próxima do feminicídio é Falta muito pouco para esse para esse homem na matá-la e situações que ainda estão no início desse ciclo então o aumento de fazer essa intervenção Ele é
super importante é porque a gente tem é importante lembrar que a mulher que sofre violência doméstica ela não quer se livrar do marido ela não quer se livrar do do pai dos filhos dela do cara que subiu ao altar com ela ela quer se livrar da violência é então a mulher que gosta de apanhar mulher de bandido é não ela ela volta para casa porque ela acredita que ele vai mudar ela acredita que ele vai melhorar ela acredita que ele pode ser um pai melhor e que a família pode alcançar uma bom então ela inclusive
foi ensinado aqui essa é uma responsabilidade dela né manter a família unida então ela vai voltar para essa residência é e ela vai voltar ela vai continuar sofrendo violência porque depois da violência vem aquilo que a gente chama de fase de lua de mel é esse homem ele pede desculpa ele dá flores ele compra chocolate ele fala que não vai fazer terapia que ele vai conversar com o pastor compadre que ele vai resolver é ela acredita obviamente E aí eles retomam as relacionamento e a coisa vai degringolando novamente a violência psicológica a humilhação a desmoralização
vai colocando essa mulher para baixo vai acabando com a última dela até um novo episódio de violência física e a cada vez que esse ciclo dá a volta é a violência é mais grave então o que a gente avaliou os riscos né Gente olha para esses indicadores de risco para esses inibidores também risco né os indicadores de letalidade você tem situações por exemplo veja eu gosto de dar esse exemplo que as pessoas elas a violência doméstica é só olho roxo mas eu vou dar só com os exemplos rápidos para você imaginar como você pode fazer
uma pessoa se sentir completamente ameaçada sem encostar a mão nela você pode dar um murro numa porta você pode quebrar um jarro de vidro na parede você pode partir uma mesa na metade você pode pegar uma cadeira e quebrar uma cadeira numa mesa você pode torturar um animal de estimação da frente dessa pessoa veja todas as ações eu não encostei a mão nessa mulher ainda né então a mulher que sofre uma violência é quando a gente chega nesse triste deslinde né Desse neste desse texto do ciclo da violência que é o homicídio que é o
feminicídio ela já passou por todas as violências é então a intervenção eficaz do Estado deixou de acontecer naquele Ciclo Sem Já chegou no último E aí então assim é essa conscientização ela é esses índices eles mostram ainda a ineficácia do estado brasileiro em responder a violência baseada no gênero a gente tem uma legislação que é uma das melhores do mundo isso não sou eu que não tô falando Ah o não considera a Lei Maria da Penha o terceiro Marco de enfrentamento à violência doméstica e familiar do mundo o que é o melhor o melhor os
melhores né a gente pede aí para Espanha para Argentina apenas em legislação em legislação então marco regulatório a gente tem o gargalo tá onde tá na aplicação é tá na aplicação E aí do que a gente precisa para aplicar a lei para fazer com que ela funciona a gente fica de capacitação a gente precisa de uma política de saúde estruturada a gente precisa de Agentes que tenham com sensação de gênero não só no judiciário Mas também da polícia na saúde na assistência social é e a gente tem um governo que é reduziu de 180 é
a casa do cento e tantos milhões pelo Ministério das mulheres enfrentamento à violência contra a mulher para 40 né então a gente tá falando que o sucateamento da estrutura pública do executivo Federal é que cuida dessa política que cuida dessa agenda é que vem aí um desmanche é constante Já e já menos uns quatro anos três anos né sendo constantemente é vilipendiada ali e o orçamento reduzidíssimo é a gente tem inclusive uma legislação que foi picotada Além de Maria da Penha ela é de 2006 até o governo bolsonaro ela sofre uma alteração uma única alteração
Legislativa depois de 2018/19 de Janeiro 2019 até agora Ela já sofreu uma seis alterações e esse a 31 e muitas vezes alterações focadas aonde não está o problema né então eu vi o CNJ ontem é respondendo a ao feminicídio da magistrada natal é então esse divulgar fizeram uma reunião de emergência a conselheira a agora esqueci o nome dela mas aconselha apresentou ontem aí o resultado desse comitê de emergência algumas medidas que o CNJ sugere não Conselho Nacional de Justiça sugere aí para aqui avancemos no enfrentamento à violência contra mulheres e as medidas do CNJ elas
caem muito no lugar comum que muitas vezes os parlamentares cai é você tem o feminicídio de repercussão aí já saiu um monte de Deputado falando não projeto de lei aqui aí você vai ver os projetos de lei a mesma coisa você me J aumenta a pena e aumenta a Pena de não ser o que aumenta a Pena de não sei o que aumenta a gente gargalo não tá na justiça terminal há muito tempo Quantos homens no Brasil são presos estão presos porque eu Letícia doméstica eles são presos no descumprimento de medida protetiva sim que exato
exato que inclusive nesse caso da juíza Viviane isso também chamou atenção né acabou sendo bastante um ponto focal Porque ela tava com a medida protetiva em vigor e tinha dispensado a escolta Salvo engano a dois meses algo assim porque não se sente mais ameaçada exatamente isso que você tá falando é a sensação né Eu acho que a coisa arrefeceu E aí que quando a essa esse quando você fica distraído né distraída como eu costumo dizer é que essas coisas acontecem e aí a minha pergunta aproveitando esse gancho é como resolver O que é essa questão
da fiscalização porque eu tô entendendo aqui pela nossa conversa que existe um problema na fiscalização do cumprimento da medida né Marina com certeza com certeza não acredita ter uma ideia a gente descobriu a lei é lei tem 14 anos né de 2006 a gente descobriu que só no Estado de São Paulo tá falando Então veja só que é uma realidade que muda de estado para estado que como é importante lembrar que a Justiça Criminal a justiça de família ela é Estadual Então você tem aí uma série de regras né que mudam não a lei não
muda mas a a estrutura do Judiciário ela varia de estado para estado só para dar o exemplo aqui do Estado de São Paulo a gente descobriu que a Polícia Militar do Estado de São Paulo não possuía registro eletrônico de medida protetiva de urgência há 4 anos atrás nos matos cinco anos atrás o máximo ontem descobriu isso ontem né então o que aconteceu o cara que sua medida protetiva a mulher ganhava a medida protetiva de distância contra o seu agressor é uma ganhava literalmente um papel intimação certo dizendo que a medida protetiva tinha sido deferida ela
dobrava esse papelzinho guardava na carteira andava com ele o cara aparecer na casa dela ligava para a polícia e falava Oi policial tudo bom e mostrava e contava toda a história de novo então vamos dizer se tem uma blitz da lei seca na esquina da casa dessa mulher dessa dessa criança e aí ele o cara é parado não aparecia por policial militar aqui fosse levantar ali e a capivara dele que cara tinha uma medida protetiva ali daquela região não tinha nenhum registro era literalmente responsabilidade da mulher vítima carregar e estar viva né ou consciente para
dizer que e ativa sim né que tem isso também ela pode ficar não consciente né no momento em que a polícia chega é então o que ele vai falar olha tem uma medida protetiva é uma situação de violência doméstica né então isso a gente descobriu fazendo reuniões é intersetoriais na judiciário Ministério Público defensoria polícia e a gente descobriu que eles não tinham acesso a essa informação um cara conseguia puxar ali se ele tinha um BO de furto de margarina mas não conseguia puxar se o cara que é uma medida protetiva ativa de ameaça à vida
né de uma mulher e uma criança então e aí novamente né a a violência doméstica violência sexual ela tem uma dinâmica específica que é a relação entre vítima e agressor a gente não tá falando de qualquer agressor é o pai dos seus filhos é o seu ex-marido o seu esse companheiro a pessoa com que você viveu dividiu intimidade por anos por décadas E aí então essa chave às vezes é muito ignorada pelas pessoas que você falasse nada às vezes eu penso assim ela vai sair você pega e sai nossa primeira vez que levou um tapa
na cara sai de casa não é tão simples não porque no caso da juízes fica muito claro né porque a vem uma história posterior de que a filha fez um pedido também falando não papai não é bandido sim tem uma mãe quer ser responsável por ter enviado o papai para a prisão sim porque a culpa não ficar isso minha mulher ela que apanhou E no fim ela que mandou o meu pai para prisão né Então veja a narrativa não é papai bateu na mamãe foi preso é uma mãe mandou comprar na prisão ele vai é
bandido então assim a filha falando de um papai não é bandido né mamãe tá tudo bem Tem como vamos deixar papai visitar então assim veja não é qualquer pessoa te pedindo isso é sua filha se você não quer destruir papai você não queria que papai tivesse é te tocado a mão entendeu Você não queria nem que só fica tivesse visto que ele se socou a mão né as mulheres geralmente ela tem que eu inclusive e preservar a história para não traumatizar mais ainda as crianças como se as crianças já não soubesse de tudo é uma
pesquisa nos Estados Unidos que eu acho que é excelente que ela mostra a extensão do trauma cerebral causado nas crianças que são eu nem gosto dessa expressão vítimas indiretas de violência doméstica eu acho que não tenho vítima indireta violência do Mané vish entrava no ar Você tá no domicílio que tem violência você é uma vítima direta ainda que eu não seja você que teve apanhando diretamente até porque é esse essa violência psicológica essa violência moral que é total né é a criança ela sente isso ela absorve isso então É mas essa pesquisa especificamente eram com
criança e ainda não sofriam a violência física efetivamente efetivamente a mãe sofria ou avó ou a tia alguém dentro do Whats e aí eles fazem uma análise análise assim sem você consegue evidência a gente exame ressonância magnética não tenho que falar então eles observavam atividade cerebral dessas dessas crianças e elas observavam que a extensão do trauma é do dano o dano traumático da experiência da violência doméstica era equiparável na ressonância cerebral ao trauma observava veu em soldados homens adultos que tinham passado dois anos no front de guerra da França São então se você não Observar
se ele é dadas as medidas proporcionais do tamanho do cérebro obviamente tamanho do cérebro de uma criança menor do que o tamanho saiu de um adulto é a aos exames é um iguais a criança vítima de violência doméstica tamanho foi 20 A Pesca e o cara que tava no numa situação traumática de guerra é então assim só para dar um exemplo do quanto isso afeta não só as mulheres quando a gente está fugindo violência doméstica a gente está falando de toda criança brasileira porque vamos lembrar são as mulheres que cuidam das crianças da família do
Lar São mais de cinquenta por cento né 53 por cento das famílias brasileiras são mães solo né lares compostos por uma mulher e crianças Então esse é o modelo de família no Brasil do ponto de vista estatístico da família tradicional brasileira né que o presidente do Brasil é 14 milhões de brasileiros que sequer tem o nome do pai na certidão né hoje a gente está falando de uma de uma atividade né de um trabalho é que recai sobre as mulheres né Então as mulheres cabe a né a proteção né e o cuidado dessas crianças né
então quando a gente tem uma mulher vítima de violência doméstica a gente tem muito provavelmente crianças vítimas indiretas É porque ela Muito provavelmente é responsável pelo cuidado das crianças né então e dos idosos e das pessoas com deficiência e de pessoas acamadas ou adoentados por exemplo né então quando a gente por exemplo calcula o prejuízo financeiro que é a violência doméstica seja para a empresa pela quantidade de dias média que uma mulher tem que sair mais cedo ou deixa de trabalhar em virtude da violência existem pesquisas que mostram esses números é realmente absurdo o prejuízo
que as empresas e que o a economias tem com a violência doméstica mas é importante lembrar que esse não é um prejuízo apenas econômico né esse é um prejuízo um dano social porque a gente não tá falando só dessa vida a gente está falando de várias vidas que dependem dessa sendo em volta de uma mãe com certeza tem ali toda uma estrutura familiar que depende desta mãe da subsistência dela da Saúde Mental dela né para sobrevivência então a necessidade de termos a discussão por exemplo debate de gênero nas escolas a ver exatamente daí como é
que eu consigo como estado fazer uma intervenção de política pública adequada para evitar uma morte que é evitável se eu tenho uma escola que faz um acompanhamento Total dessa criança Ela sabe que tem uma situação de violência doméstica ela vai acionar o Cras o funcionar um creas ela vai conversar com essa mulher né então talvez se não é não seja uma mulher que desatar aberta aí a rede de assistência social ela vai conversar então com um tutor uma tutora um psicólogo olha vamos pensar porque a gente tá falando que eles muitas vezes quando a gente
faz plano de segurança para essas mulheres a gente está falando de coisas simples que podem salvar a vida dessa mulher às vezes é uma coisa assim é quantas portas tem na sua casa para onde você vai sair correndo é o seu companheiro destruiu o seu celular você tem número anotado no papel para poder ligar para pedir ajuda exato Luciano já sabe o que tá acontecendo você tem o dinheiro reservado porque destruiu o celular vai pedir o Uber como tem sim me pediu o aplicativo como vai sair chamar um táxi não sei eu vou secar mas
aqui onde eu tô você achar um táxi então assim aí outra tem um hoje ou vai pegar um ônibus trl da passagem dela da criança sendo os documentos uma trouxinha do documento que ela passa a mão e pega e sai correndo então muitas vezes são coisas perguntas simples do Olha onde que tá onde que violência acontece acontece sentar o cômodo tá tá o cômodo tem acerta em arma branca nesse cômodo eu estamos falando da cozinha tem que sacar a cozinha né então é não é coisas as coisas simples mesmo plano que você conhece ele ele
é ele pergunta ele pergunta o dia a dia dela sim você pode salvar a vida dela exato pode decidir entre o salvamento e a morte né agora para gente encerrar a gente falou um pouco de lei a gente falou um pouco desse dessa rede de apoio né esse planejamento todo queria saber como que você avalia é essas medidas e esse debate é de focar no agressor né então numa mudança de mentalidade ou mais que isso o momento focado ao agressor Esse é o princípio que rege qualquer atendimento acolhimento de violência seja ela doméstica seja elas
sexual qualquer violência baseada no gênero são dois princípios Cris ele tem que ser focado no agressor mais Centralizado na vítima o que eu quero dizer com isso quem dá o tom do processo do que acontece no processo a o objetivo do processo ele tem que ser proteger a mulher é porque muitas vezes as pessoas vêm principalmente os agentes de segurança eles vêm assim ai ai tem que fazer b o tem que ligar para polícia tem que sair da casa tem que pedir o divórcio a mulher ela não tem que ou deve fazer nada ela pode
quando informado empoderada dos direitos dela ela consegue fazer a melhor decisão para ela a melhor decisão para mim ou a Justiça Criminal necessariamente talvez não seja dela e não adianta eu querer vir com uma resposta que ela ainda não tá pronta Porque ela vai voltar é então é importante lembrar aqui no centro do atendimento é a mulher O interesse é o dela que tem que ser protegido é muitas vezes as pessoas perdem isso de foco fica nessa coisa ai é tem que pegar o cara coloca o cara na cadeia assim que não vai porque o
cara réu primário ele ele vai apresentar Bom Comportamento então assim é a realidade do prende não é a realidade da violência doméstica tá a prisão na violência doméstica ela acontece normalmente no descumprimento de medida protetiva E aí qual que é o problema Qual que é o outro princípio o foco no agressor por quê Porque ainda que o centro do meu processo o interesse a ser protegido seja o da vítima o da criança o da mulher o da família o foco do meu processo tem que ser o agressor não me em qual a profissão da vítima
quantas vezes ela já transou com outras pessoas ou com quem ela criança o deixa de transar quando ela largou o companheiro no largou companheiros ela traiu ele se ela não traiu ele o que a profissão o que que ela faz ficar deixa de fazer se ela é boa mãe na sua opinião ou não o quando a gente tá julgando quando ele está enfrentando um caso de violência doméstica o que nos importa é o comportamento do agressor Qual que é o padrão de comportamento dele quando ele bate quando e o que ele faz como ele trata
as crianças como ele trata a mulher é o que que é quais os horários em que ele apresenta essa conduta então assim é o foco é ele não ela porque nada no comportamento dela vai resolver o problema né muitas vezes as pessoas ficam mais assim buscando no comportamento da mulher algo que justifique a violência então é mais que que ela fez né a ver isso inclusive no judiciário é recentemente uso Stallone uma audiência de família né E foi a percutido aí é que a Lei Maria da Penha Não deveria ser aplicada no caso porque ninguém
apanha sem ter feito nada é uma visita do juiz falou não vou audiência sem é e E aí ele foi a é Ótimo exemplo porque ele mostra muito bom muito bem um gargalo que novamente o poder público e também o judiciário deixam de observar é importante lembrar que a Lei Maria da Penha na verdade ela não é aplicada na sua integralidade no Brasil porque uma das coisas que a Lei Maria da Penha sala é que o ao tribunal né é o juizo onde esse caso vai ser julgado ele tem que ser híbrido ele tem que
ser tanto criminal quanto Cível de família porque o problema para mulher ele é um só ela tá apanhando e ela precisa regulamentar a pensão as visitas ela precisa formalizar o de vó bom então tem tanta parte de família quando a parte criminal da lesão corporal vão dizer que ela sofreu Então esse problema é um problema só para ela né só para o direito que ele é um problema separado se tem a parte criminal e a parte cível e a Lei Maria da Penha ela juntou ela falou assim não pra violência doméstica tudo vai ser numa
vara só no juízo só porque o problema da mulher é um só o único estado que aplica Isso é uma Grosso do Sul nenhum outro estado tem várias a híbrida de violência doméstica Então o que acontece a juíza da violência doméstica que recebe a capacitação né que tem sensibilização em questões de gênero que é treinada para isso etc e tal é que tem um investimento do Judiciário nessas Barras ela só faz a parte criminal e a parte de família vai para as varas de família que não recebem esse treinamento e que estão na verdade muito
mais numerosas que as áreas de violência doméstica é então novamente o CNJ bem ontem né e fala vamos capacitar os juízes os agentes que e nas varas violência e as varas de família que estão todos os dias decidindo sobre o destino de famílias e de mulheres com situações de violência doméstica elas também não precisam dessa capacitação a gente não precisaria navegar de aplicar a Lei Maria da Penha de fato de termos uma uma competência híbrida né Então essa ideia de focar busca na mulher do que o normal você vê muito intervenção né da Polícia chega
numa situação de violência isola o cara e vai conversar com a mulher como se fossem coisas distintas exato exato Pergunta para ela que ela vai explicar o que que tá acontecendo se der então assim é essa ideia de que o foco está na vítima no comportamento da vítima é é muito vermelha ainda muito Imaginário das pessoas novamente aquela ideia do mito né do que que é a vítima ideal do que que é o agressor ideal é uma coisa de audiência sexual suas acha que o estuprador é o cara que vai te jogar no terreno baldio
no beco e vai te estuprar e não Às vezes você tá dormindo do lado dele exatamente de trabalho de faculdade é o vizinho é o tio o pai o padrasto irmão cunhado primo né esse é o agressor sexual estatisticamente falando entendeu uma mulher aí quando as pessoas são lá e Mas por que que não gritou e a reação natural a reação normal é não gritar primeiro que a pessoa não está esperando aquilo segundo que a pessoa que ela ama que ela conhece normalmente é uma adolescente nós estamos falando basicamente de violência que só contra criança
e adolescente setenta por cento dos estupros no Brasil são contra menores de 17 cinquenta por cento contra menores de 13 e aí novamente a o que que ela fez a ela deu a entender ela ela bebeu ela usou uma saia curta ela foi para uma festa Gente esse discurso não é de focar no comportamento da vítima e não do agressor as pessoas acham que aí nossa mimi o mundo ficou muito chato não pode mais fazer piadinha gente isso de fato se reflete nas versões Com certeza nunca vou esquecer o avô um senhor de mais 70
anos falando numa audiência ele tinha ele tinha estuprado a neta dos 4 aos 10 e ele falava audiência prejuízos A menina anda de shortinho na casa para lá e para cá é aquela é que que ela achou que ia acontecer o senhor você tem que tá falando da Meta não é isso assim essa ideia ela continua né na cabine e continua sendo esse reflexo na prática do patriarcado do machismo que a gente ainda tem muito que combater E com isso quero agradecer muito a participação da Marina Ganzarolli advogada mestre pela USP e idealizadora do importante
movimento contra assédio sexual o mito chegou Brasil que eu vou falar depois Marina para minha mãe ela me trocar meu nome por Cristo que você achou que eu tenho cara de crise em Mari lá mas é isso aí eu tô tô apaixonada pela Tereza Cristina que eu vi o Teresa e eu já coloquei um quilo tenho problema você me perdoa magina mas olha isso muito obrigado aqui pela participação na rádio Brasil atual na TV ter e até uma próxima e um bom 2021 para você apesar de tudo bom Obrigada querida bom dia a todos e
a todas tchau tchau tchau você está ouvindo jornal Brasil atual é e as notícias que os outros não dão