Bom dia, moçada! Tudo bem? Espero que sim.
Sejam bem-vindos de volta! Baita prazer falar com vocês hoje, com mais uma meditação estóica. Dia 22 de fevereiro.
Espero que todos estejam em paz e com saúde. Sempre que não tiverem, que estejam lidando bem com isso da melhor maneira possível, estoicamente, como nós temos treinado aqui. Hoje, com uma meditação, nós vamos sair daquela tríade clássica dos filósofos estoicos tardios, né, do período romano: aqui, Epicteto, Marco Aurélio e Sêneca.
E hoje nós vamos falar de um trecho extraído de Plutarco sobre Catão, o Jovem. Não confundir com Catão, o Velho, que é bisavô do Catão, o Jovem. Catão, o Jovem, foi um importante político romano.
Conta-se que ele era uma espécie de antítese de Júlio César, pois Catão o Jovem era um estoico. Era um homem de um caráter absolutamente inquebrantável, um homem de uma moral ilibada e uma referência, né, do ponto de vista do proceder nas suas atuações políticas. Enfim, era uma baita referência no mundo romano antigo.
Plutarco faz um comentário sobre ele que é muito interessante, intitulado pelos nossos autores de "Aquilo sobre o que é melhor calar". Cito Plutarco, Plutarco que é o autor de "Vidas Paralelas", né, que contempla uma série de comentários históricos sobre figuras extraordinárias da antiguidade. Então, quem nunca leu, fica a recomendação: "Vidas Paralelas" de Plutarco.
Pois bem, cito Plutarco: "Catão fazia o tipo de discurso público capaz de comover as massas, acreditando que a filosofia política adequada cuida, como qualquer grande cidade, de manter elemento belicoso. " Então, Catão, de fato, tinha a fama de ser um grande orador, de ser alguém que articulava muito bem as palavras, especialmente diante das massas; ele sabia se expressar muito bem. Mas Catão nunca foi visto praticando o discurso na frente de outros e ninguém jamais o ouviu ensaiar uma fala.
Ele sempre chegava na frente das pessoas, pronto! Ele sempre meditava, por assim dizer, às escondidas, antes sobre aquilo que ele iria falar. Se ele tinha, de fato, algo a dizer, se ele não tinha algo a dizer a respeito de um determinado tema, de uma determinada posição, de uma determinada questão política, ninguém jamais o ouviu ensaiar uma fala.
Quando lhe disseram que as pessoas o censuravam por seu silêncio, nos momentos em que ele optava pelo silêncio, especialmente ele, um orador famoso e célebre, ele respondeu: "Melhor que não censurem a minha vida. Só começo a falar quando tenho certeza de que não é melhor calar o que tenho a dizer. Quando eu tenho certeza de que falar é melhor do que calar sobre um determinado tema.
" Enquanto eu estava lendo aqui essa meditação, essa reflexão, eu me lembrei de uma palavra; eu até coloquei aqui para vocês, que é uma palavra muito cara à filosofia antiga: Ethos, em grego. Está escrito aqui em cima, aqui. Ethos está transliterado, né?
Quando eu coloco em caracteres latinos a palavra grega Ethos, que nós poderíamos traduzir por costume, hábito, né? Dependendo do contexto, vai aparecer traduzido de uma maneira ou de outra: costume ou hábito, ah, que vai dar ética. Por que que nós estudamos a ética?
Que nós estamos estudando a ética estóica, né? Os melhores caminhos para nós termos uma boa vida, uma vida virtuosa, uma vida feliz. Isso é ética: é refletir sobre os melhores costumes, os melhores hábitos.
Por que que me veio essa palavra? Porque isso é muito caro aos estoicos e, às vezes, isso nos escapa, de que isso aqui de nada vai adiantar se a gente não treinar e saber que no treino nós erramos, saber que no treino nós nos desviamos. Acontece, às vezes, no treino: você vai colocar uma carga maior do que você realmente suporta ou menor do que você realmente suporta.
Então, você vai perceber que pode um pouco mais; às vezes, você faz o movimento inadequado. Mas é preciso criar o hábito, é preciso criar um reflexo do agir corretamente. Isso é costume, isso é treino.
No momento em que você é testado, você simplesmente se retrai, vai pro seu espaço de ensaio, por assim dizer. Eu gosto dessa imagem: vai pro seu espaço de ensaio. Às vezes, a vida nos obriga a atuar praticamente sem ensaios o tempo inteiro.
Mas não é sempre assim e, frequentemente, eu me coloco em cena sem me preparar minimamente. Isso diz respeito às pequenas e às grandes coisas da vida: não se coloque em movimento sem refletir um pouco sobre aquilo que vai ser objeto de ação lá no palco, lá na frente das pessoas. É fácil agir, dizem os nossos autores: simplesmente mergulhe de cabeça.
É mais difícil parar, fazer uma pausa, pensar: "Não, ainda não tenho certeza de que preciso fazer isso. Não tenho certeza de que estou pronto. " Puxa, mas estão me pressionando, estão falando que se eu não fechar esse negócio hoje, estão dizendo que eu vou perder a chance.
Não! Hum, eu não entro nessa. .
. nesse vórtice cheio de adrenalina e emoções. Eu não entro nesse furacão de paixões e caprichos que não me permitem tomar a melhor decisão.
Vocês não terão isso de mim. Não venham aqui falar alguma coisa a respeito. Não, não, eu nem pensei o suficiente a respeito disso para me manifestar.
Eu não vou me expor dessa maneira, a não ser que você me dê o tempo necessário para eu refletir a respeito e dizer algo que faça sentido, em oposição ao que agora se me apresenta como uma alternativa. Muito melhor: ficar calado ou não fazer nada. Quando Catão entrou na política, muitos esperavam dele feitos rápidos e grandiosos, discursos empolgantes, condenações estrondosas, análises sábias.
Ele estava ciente dessa pressão, dessa expectativa que existia com relação a ele, uma pressão que existe em todos nós, em todos os momentos, em graus diversos. Nossa, eu espero sempre algo extraordinário saindo da boca do sujeito. Eu espero sempre a melhor.
. . A ação, espero, sempre e, às vezes, pressionados por essa expectativa de terceiros, a gente sai fazendo coisas que não precisaríamos fazer ou dizendo coisas que não precisaríamos dizer.
Ele resistiu. É fácil condenar, sentar com a multidão e com o nosso ego; em vez disso, ele esperou e se preparou. Analisou seus pensamentos, certificou-se de que não estava reagindo de maneira emocional, egoísta, ignorante ou prematura.
Não é prematuro agir de modo como eu estou agindo em relação a uma determinada coisa; não é prematuro chamar uma pessoa para conversar a respeito de um tema sobre o qual não meditei. Só depois falaria, quando tivesse certeza de que suas palavras eram dignas de ser ouvidas. Para fazer isso, é necessário ter consciência, uma consciência que é resultado de costume, de hábito, de etos.
Crie esse etos para você, crie o seu espaço de ensaio. É necessário que paremos e avaliemos a nós mesmos com honestidade. Em alguma situação da minha vida, eu já aceitei um cargo ou uma posição profissional ou um convite para os quais eu deveria ter dito não, se eu tivesse pensado com maturidade, sem correria, sem querer responder aos anseios de terceiros em relação à minha vida.
Com o tempo, eu fui aprendendo a ser mais maduro nesse sentido. — Nossa! Olha, eu sou um baita vendedor da empresa.
Você vai ser promovida, vou te dar um cargo de gerência. — Nossa, então agora eu já vou lá pegar o cargo de gerência. — Cuidado!
Você acha que você vai ser um bom gerente? — Nossa, mas como assim? Você vai.
. . não, pera aí, eu sou um grande vendedor.
Será que não é melhor eu continuar sendo um grande vendedor em vez de passar para um cargo administrativo que talvez não seja o melhor para mim, do ponto de vista da minha natureza, do que eu gosto de fazer, do que eu faço bem? Você é capaz de fazer isso: se questionar honestamente antes de se manifestar e antes de agir pressionado pelo ambiente, pelos caprichos. Não é simples fazer isso; não é simples, mas você certamente extrairá daí os melhores resultados, como Catão o jovem extraiu dali os melhores resultados como orador na sua carreira política.
Beijo grande, vocês! A gente se encontra aqui amanhã para mais uma reflexão estóica. Tenham um excelente dia!