Oi, eu sou Gustavo Cunha e hoje é dia de eu e você descobrirmos porque Invencível, a animação do Prime Vídeo, é tão espetacular e também é muito mais do que aparenta ser na superfície. A primeira coisa que eu gostaria de ir ressaltar aqui é que o Prime Vídeo da Amazon conseguiu estabelecer um marco no que diz respeito às histórias de super-heróis, se colocando um passo adiante em relação ao que nós temos visto nos últimos anos, com a Marvel imprimindo um modelo e o resto dos grandes estúdios do planeta tentando desesperadamente copiar esse modelo. Antes que você me pergunte, isso não é um vídeo de jabá da Amazon, certo?
Ninguém tá me pagando pra falar isso. Mas eu estou fazendo esse vídeo não apenas porque Invencível foi uma grata surpresa pra mim, que eu infelizmente não acompanhei desde o começo, cheguei totalmente atrasado, e por isso eu não fiz vídeos acompanhando os episódios. Mas porque essa fórmula da animação, que é baseada em um quadrinho criado em 2003 pelo Robert Kirkman, o mesmo criador de The Walking Dead, reforça a fórmula que fez de The Boys, também da Amazon, um sucesso estrondoso no mundo inteiro.
Porque os caras subvertem o gênero dos super heróis, pra trazer narrativas muito ousadas, novas, com questionamentos mais adultos, tirando esses personagens daquele maniqueísmo engessado dos personagens da Marvel e da DC, onde tudo é preto ou branco, com muito pouco espaço pra meios termos, pra jogar todo mundo numa grande e nebulosa área cinzenta. Não me entenda mal, eu adoro a estrutura das histórias da Marvel e da DC, você sabe disso, mas pra que o gênero dos super-heróis sobreviva, é preciso que, além delas, venham outras narrativas, pra atrair mais pessoas. E é justamente por isso que eu tenho que fazer esse registro do quão feliz eu fico de ver que o Prime Vídeo da Amazon tá concentrando os seus esforços nesse tipo de narrativa, de The Boys e Invencível.
É fantástico porque quando você começa a assistir a animação, você não dá nada por ela até o fim do primeiro episódio. É tudo propositalmente lugar comum, e até mesmo o traço do desenho não parece ser grande coisa. Tudo parece extremamente genérico e eu me lembro de pensar que não ia gostar daquela série.
Até o momento em que o Omni-Man entra, no fim do episódio, na base dos Guardiões Globais e promove um banho de sangue que deixaria o George R. R. Martin orgulhoso!
Velho, aquilo é um soco no estômago. Naquele momento eu estava totalmente entregue, entendendo porque tinha tanta gente me falando dessa série no Instagram. E a construção desses personagens é simplesmente fantástica.
Nós sabemos desde o primeiro episódio que o Omni-Man é um vilão, mas, mesmo assim, lá no fundo, a gente fica torcendo ao longo dos próximos episódios pra que aquele massacre brutal dos Guardiões Globais tenha algum tipo de justificativa, embora, lá no fundo nós saibamos que não tem. Nós acompanhamos uma boa parte da vida do Mark antes de a tragédia se abater sobre ele, e nós sabemos o tempo todo que esse momento vai chegar, talvez no próximo episódio, ou, mais tardar, no outro. E nós sabemos que, quando isso acontecer, o mundo dele vai simplesmente se desfazer e ele nunca mais vai se recuperar.
E é justamente por isso que nós nos identificamos tanto com ele. Porque nós estamos prestes a ver a morte derradeira da inocência a qualquer momento. Nós antecipamos o trauma que o personagem vai viver e já nos compadecemos de antemão disso.
Mas é claro que nada poderia nos preparar para o que aconteceu no final das contas, no último episódio. Essa é uma animação absurdamente violenta, mas toda essa violência está completamente a serviço da narrativa. Quando o Omni-Man resolve que aquele filho criado pelos costumes da Terra precisa de uma lição sobre o que, verdadeiramente, é ser um Viltrumita, ele literalmente arrasta o Mark para uma espiral de destruição justamente pra mostrar o quanto as vidas dos seres humanos são irrelevantes.
Nem mesmo The Boys conseguiu ser tão violento nessa abordagem, até por ter um elemento um pouco mais presente de comédia. Já que eu citei o Geroge R. R.
Martin, ele costumava dizer que pra fazer uma boa história você não pode ter pena dos seus personagens. Se você se lembra do casamento vermelho de Game of Thrones, você sabe exatamente a que ele estava se referindo. E o Robert Kirkman parece ter aprendido muito bem a lição.
Não apenas pelo estado em que o Mark termina o último episódio, mas pelas pessoas que são pegas pela destruição do terceiro ato. O que é aquela cena do prédio caindo, enquanto o Mark tenta salvar uma mãe e uma filha da morte? A cena é construída pra mostrar um dos maiores clichês das histórias de super-heróis, quando o protagonista encontra forças que ele próprio desconhece pra salvar pessoas inocentes de uma situação impossível.
É basicamente o nascimento do herói. Mas aqui, os caras simplesmente destroçam esse clichê. O prédio desaba e mãe e filha morrem no fim das contas.
E o Mark ainda termina com uma parte do braço daquela pobre mãe inocente segurando a mão dele. Velho, é brutal! E o Omni-Man, não satisfeito, literalmente esfrega a cara do filho nos corpos dos passageiros de um trem, que vão se desfazendo feito gelatina à medida em que vão colidindo com o corpo invulnerável do Mark.
Então, nós temos toda a fantasia dos super-heróis, de pessoas que podem voar, aguentar tiros de tanques de guerra, mas, ao mesmo tempo, nós somos lembrados o tempo todo de como a vida é algo frágil, que pode terminar num piscar de olhos. O que torna a vida tão valiosa pra mim e pra você é justamente o que torna ela tão desprezível pra alguém como o Omni-Man, praticamente imortal e invulnerável. Enquanto isso, no meio do caminho a gente tem o Mark, invulnerável e imortal, tendo descoberto a monstruosidade do pai e a realidade de que ele, invariavelmente, vai ver todas as pessoas que ele ama morrerem, enquanto ele permanece eternamente jovem.
O que antes era um sonho compartilhado por todo adolescente normal, acordar um dia e descobrir que tem super-poderes, se revela pro Mark um pesadelo, a certeza de que ele vai terminar sozinho de um jeito ou de outro. E, como se tudo isso não bastasse, a primeira temporada termina com a promessa de que o Omni-Man vai voltar, acompanhado de tropas viltrumitas, com a crença dele nos propósitos tirânicos desse povo renovada. E não apenas isso, a chegada do Allen, o alien, no finalzinho desse episódio oito, alarga ainda mais esse universo, porque nós agora sabemos que diversos mundos ao redor do cosmo, a Coalizão de Planetas, estão de saco cheio do comportamento valentão dos Viltrumitas e estão organizando um contra-ataque.
Na verdade, agora que eu fui atrás dessa história e comecei a ler o que provavelmente vão ser as próximas temporadas, a única coisa que eu posso adiantar para você sem ser um spoiler, é que a história fica bem mais cósmica daqui para frente, e para mim isso é totalmente excelente. Infelizmente, qualquer outra coisa que eu vá comentar aqui sobre o que acontece a partir do fim desse episódio 8 poderia ser uma pista sobre as viradas da história, que são surpreendentes. Só para você ter uma ideia, Invencível foi publicado por quase 10 anos, então tem muita coisa ainda para acontecer.
E eu não vou estragar as surpresas. E uma outra grande vitória pela qual Invencível, e também The Boys, precisam ser celebrados é o fato de que essas séries fazem com que o grande público, aquele público que não consome quadrinhos, tome conhecimento de outros personagens e outras histórias que não sejam apenas Marvel e DC. Você entende como isso é importante para a saúde desse nicho de super-heróis que nós tanto adoramos?
Além disso, esse tipo de história, um pouco mais cerebral, pode ser um meio para estabelecer reflexões sobre assuntos delicados que precisam ser discutidos. É claro que várias histórias da Marvel e da DC também tocam nesses pontos algumas vezes. E, nesse sentido, eu vou citar a série do Falcão e do Soldado Invernal, que trouxe uma reflexão muito bacana sobre o racismo e a representatividade nesse momento tão conturbado que os Estados Unidos vivem.
Assim como acontece como a ficção científica, que traz todo aquele verniz de ciência, se passando em realidades alternativas, planetas nos confins do universo ou no futuro distante, para falar sobre assuntos delicados e servir como um reflexo da nossa sociedade, essas histórias de super-heróis podem ser um veículo para esse mesmo tipo de reflexão. Porque se você tirar toda a pancadaria, os uniformes chamativos, o sangue espirrando para toda parte e os super poderes, Invencível se torna pura e simplesmente uma história sobre amadurecimento, sobre a passagem para vida adulta, quando nós descobrimos que os nossos pais não são tão perfeitos quanto nós pensávamos que eles eram. É sobre crescer e descobrir que você está sozinho no final das contas, que você vai ser o responsável por manter o seu mundinho seguro de agora em diante, tendo que matar no peito todos os desafios que vierem pela sua frente.
Essa é uma sensação que pode ser aterrorizante. E isso é simplesmente fantástico, porque mostra o quão rico esse nicho das histórias de super-heróis pode ser. O Robert Kirkman, aliás, é um cara que sabe explorar muito bem essas histórias como metáforas da vida real.
Além de Invencível, ele também criou The Walking Dead, como a gente já citou. Mas ele também tem vários outros trabalhos que seriam fantásticos se ganhassem uma adaptação do Prime Vídeo, como Oblivion Song, por exemplo. Nessa história, dez anos atrás uma fenda interdimensional se abriu inexplicavelmente bem no meio da Filadélfia.
Num piscar de olhos, mais de 300 mil pessoas simplesmente desapareceram, elas foram levadas para uma dimensão paralela, um mundo alienígena cheio de monstros assassinos. Mas não foi só isso, esse evento, conhecido como a Transferência, foi basicamente uma troca. Como se tudo isso não bastasse, uma parte dessa dimensão paralela veio parar bem aqui no nosso mundo, transformando o centro da cidade da Filadélfia num cenário apocalíptico e horripilante, cheio de criaturas sedentas de carne humana.
Quando o exército conseguiu finalmente dominar a situação, cientistas descobriram que aquelas 300 mil pessoas que sumiram não tinham simplesmente morrido e também não tinham se transformado naqueles monstros. Elas estavam presas do outro lado, naquela outra dimensão, à mercê de todos esses perigos. Os dois primeiros volumes desse quadrinho já saíram aqui no Brasil em português, em capa cartão.
Se você tiver interesse eu vou deixar o link para você conferir o melhor aqui embaixo, na descrição do vídeo, certo? E se você já está ansioso para a próxima temporada de Invencível, fique sabendo que uma forma de aliviar essa ansiedade é apertando no botão do like para fazer com que o YouTube saiba que outras pessoas também podem se interessar por esse vídeo. Tá, isso é mentira, você não vai se sentir menos ansioso por causa disso, mas você vai ter contribuído para uma boa causa, que é deixar o Tata menos ansioso.
Já vou deixar outros dois vídeos muito legais aqui que eu tenho certeza que você vai curtir demais! Vejo você muito em breve, cara, até lá fica com Deus, permaneça bem, permaneça seguro! Uma vez mais, muito obrigado e até a próxima!