Desprezada pela própria família por estar grávida mulher é expulsa de casa no entanto quando a verdade veio à tona todos ficaram chocados Lúcia cresceu em uma casa que de certa forma já havia sido marcada pelo desamor antes mesmo de ela nascer seu pai Adalberto era um homem de olhar duro rosto sempre fechado e raramente sorria ele parecia carregar nas costas o peso de uma vida inteira de frustrações como se o mundo tivesse sido Injusto com ele desde o começo a relação de Adalberto com Lúcia era particularmente Cruel para ele Lúcia era quase um erro um
estorvo se algo dava errado em casa se as contas não batiam se algum problema surgia era em Lúcia que ele despejava toda a sua raiva e isso Começou desde que ela era pequena uma criança que só queria um pouco de carinho enquanto os irmãos de Lúcia Ricardo e Felipe recebiam atenção e a era diferente para ela Adalberto tinha Orgulho dos meninos eles sempre foram o futuro da família Os que fariam o nome da casa Felipe o mais velho era constantemente elogiado pela inteligência já Ricardo o mais novo era o esforçado aquele que sempre se dedicava
mas para Lúcia não havia Elogios não havia tapinhas nas costas não havia sorrisos para ela era invisível exceto quando ele precisava encontrar alguém para culpar Clarice a mãe de Lúcia estava sempre por Perto mas não fazia nada ela era uma mulher frágil de poucas palavras que parecia ter aceitado seu papel de espectador em sua própria vida clariss raramente olhava nos olhos de Lúcia quando Adalberto gritava ela baixava a cabeça suspirava e voltava aos seus afazeres talvez fosse medo talvez fosse resignação o que importava é que para Lúcia aquilo era devastador saber que sua própria mãe
não a defendia não a abraçava quando o pai a Tratava como um fardo doía mais do que qualquer palavra Cruel que Adalberto pudesse dizer Lúcia crescia assim sempre à margem sempre a que sobrava quando os irmãos estavam fora brincando ou estudando era ela quem ficava com as responsabilidades da casa Aos 8 anos já AJ dava nos afazeres domésticos lavava os pratos limpava os cômodos arrumava a bagunça que os outros faziam e se algo não saísse como a Dalberto queria uma panela queimada uma Mancha no chão lá vinha bronca Você não serve para nada ele dizia
apontando o dedo na sua cara os olhos cheios de fúria Lúcia ficava imóvel segurando o choro porque sabia que se chorasse a bronca seria pior e Clarice como sempre se escondia em algum canto fingindo que não ouvia as festas de família eram Outro ponto de dor para Lúcia quando se reuniam os tios e primos Adalberto fazia questão de exibir os filhos homens Felipe vai ser médico ele dizia Orgulhoso Ricardo é bom de contas vai ser um grande empresário e sobre Lúcia nada se alguém perguntava algo sobre ela ele respondia de forma seca Lúcia cuida da
casa só isso como se sua filha não tivesse sonhos vontades nada ela era apenas a garota que fazia as coisas funcionarem nos Bastidores uma figura invisível enquanto os holofotes estavam sempre nos irmãos aos poucos Lúcia foi aprendendo a calar se antes ela tentava se aproximar do pai Aos 10 anos já havia desistido parou de esperar qualquer palavra amá ou gesto de carinho não adiantava qualquer tentativa de se aproximar de Adalberto era rebatida com um olhar de impaciência ou um comentário ríspido você ainda tá aqui vai fazer alguma coisa útil Lúcia se tornava cada vez mais
fechada na escola não tinha muitos amigos não por ser tímida mas porque nunca acreditou que alguém gostaria de ficar perto dela afinal se Nem seu pai a Ava quem mais poderia querer sua companhia mesmo os momentos de brincadeira eram escassos para Lúcia enquanto os irmãos jogavam bola no quintal ou corriam pela rua ela estava sempre envolvida em alguma tarefa não porque quisesse mas porque essa era sua função era como se ela tivesse nascido para servir para ser a sombra dos irmãos invisível apenas fazendo o que lhe mandavam Ela sonhava claro como qualquer criança como momentos
de diversão com Liberdade Mas esses momentos pareciam sempre distantes quase inalcançáveis havia uma espécie de muro invisível entre ela e o mundo dos outros um dos poucos momentos de respiro de Lúcia era quando ela conseguia escapar para o quarto e ficava sozinha ela tinha uma boneca velha a única que havia ganho e mesmo não sendo tão bonita quanto as bonecas das outras meninas era o único consolo que tinha às vezes Lúcia ficava H sentada segurando a boneca conversando Com ela em sussurros como se fosse sua única amiga ali naquele pequeno Universo de faz de conta
ela criava histórias onde era amada onde tinha uma vida diferente onde seu pai abraçava e dizia que estava orgulhoso dela era a única forma que Lucia encontrava de escapar Nem que fosse por alguns minutos da realidade dura que vivia mas não era fácil cada dia era uma batalha silenciosa Adalberto tinha uma presença esmagadora Na casa mesmo quando não estava gritando ou criticando o silêncio dele pesava Lúcia sempre tinha a sensação de que ele estava apenas esperando um erro para despejar sua raiva e essa tensão constante fazia com que ela andasse na ponta dos pés como
se qualquer movimento errado pudesse desencadear uma explosão E o que mais a machucava era saber que por mais que ela se esforçasse por mais que fizesse tudo certo nunca era o suficiente se ela limpava a casa ele Encontrava um detalhe para criticar se cozinhava ele reclamava do tempero sempre havia algo errado aos olhos de Adalberto e Lúcia se acostumou com isso acostumou-se a ser a falha o problema com o tempo passou a acreditar que talvez fosse verdade talvez ela realmente não servisse para nada seus irmãos por outro lado não notar ou sear com o que
aconte eles estup demais com suas próprias vidas para perceber a dor silenciosa lcia Carreg F eic sa ri plan parauto enant lcia para pres em um ciclo de desprezo e rejei paraes como lcia era apenas a irmã que cuidava da casa que sempre estava por ali mas nunca realmente fazia parte de nada e assim os anos foram passando e Lúcia foi se acostumando à sua condição não havia expectativas não havia sonhos compartilhados com ninguém só havia o silêncio as tarefas diárias e a solidão Que acompanhava em cada canto daquela casa uma solidão que mesmo cercada
de gente parecia aumentar a cada dia quando Lucia entrou na adol ela sabia que sua vida seria sempre cheia de responsabilidades desde pequena ela Fazia tudo na casa lavava louça arrumava os quartos cozinhava Quando a mãe estava ocupada demais ou não queria fazer o jantar nada disso mudou quando fez 13 14 15 anos na verdade só ficou pior seus irmãos Ricardo e Felipe estavam Começando a se dedicar aos estudos e a sair mais com os amigos eles praticamente não ficavam em casa e isso deixava para Lúcia ainda mais tarefas agora além de cuidar das suas
obrigações precisava também arrumar a bagunça deles mas apesar de todo o peso que carregava dentro de casa Lúcia tinha um pequeno Refúgio um lugar onde ela se sentia um pouco mais leve sua amizade com Isabela Isabela era sua amiga desde a infância as duas cresceram na mesma rua e sempre Estudaram na mesma escola quando eram mais novas passavam o dia brincando juntas Isabela vinha até a casa de Lúcia e as duas corriam pelo quintal subiam nas árvores e inventavam histórias com bonecas ou qualquer objeto que encontrassem para lcia aqueles momentos com a amig eram como
respirar depois de passar o dia todo mergulhada em uma vida que não sua na adolescência a amizade das duas mudou um pouco mas permaneceu forte não hav mais tantas brincadeiras Com bonecas ou histórias de faz de conta mas havia conversas intermináveis elas conversavam sobre a vida sobre a escola sobre o futuro Isabela era sempre otimista um dia a gente vai sair dessa rua e conhecer o mundo Lúcia dizia ela com um brilho nos olhos eu vou ser atriz e você você pode ser o que quiser mas para Lúcia esses sonhos de Isabela pareciam distantes ela
não conseguia imaginar um futuro diferente como poderia Sua vida estava presa em uma rotina que parecia inquebrável era como se o mundo lá fora fosse de outra cor e ela não tivesse o direito de sonhar com ele mesmo assim as palavras de Isabela traziam um pouco de esperança para Lúcia quando estavam juntas pelo menos por um breve momento ela conseguia imaginar uma vida diferente Às vezes as duas se sentavam em uma pequena praça perto de casa e observavam o céu Isabela sonhava alto Falava de viagens de liberdade Lúcia por outro lado apenas ouvia não conseguia
se ver em nenhum desses sonhos mas gostava de escutar eram momentos que a faziam esquecer a rigidez da sua vida em casa Isabela sempre foi boa em perceber quando Lúcia estava especialmente Abatida nessas ocasiões fazia de tudo para animá-la sabe você é muito mais forte do que pensa dizia ela com convicção Lúcia no entanto nunca acreditava de Verdade ela se via apenas como a garota que cuidava da casa que servia os outros e que era esquecida Isabela você não entende dizia Lúcia com um sorriso triste minha vida vai ser sempre assim eu não sei como
mudar isso apesar das conversas sobre sonhos e futuro a realidade de Lúcia permanecia dura em casa seu pai Adalberto continuava o mesmo homem frio e autoritário qualquer tentativa de questionar suas ordens era imediatamente Reprimida você está falando com quem ele dizia sempre com o Tom ameaçador Lúcia Sabia que não adiantava discutir quanto mais tentava mais pesado era o castigo seja em palavras ou na forma como ele a ignorava por dias naquela casa o silêncio de Adalberto era tão doloroso Quanto os seus gritos Clarice a mãe como sempre observava tudo de longe ela continuava a ser
a mulher calada que raramente se impunha havia momentos em que Lúcia sentia um pouco de compaixão Vindo de Clarice como quando a filha estava Exausta ou chorava em silêncio à noite mas isso nunca resultava em qualquer ação da parte dela clariss parecia perdida em seu próprio mundo como se estivesse Vivendo em um modo automático incapaz de lutar por si mesma ou por Lúcia for de casa a escola também não era um refúgio na sala de aula Lúcia era apenas uma aluna comum não era a mais popular nem a mais inteligente apenas passava Despercebida ela se
esforçava o suficiente para não reprovar mas não tinha energia para se destacar Isabela era diferente mesmo que não fosse a garota mais popular tinha uma presença forte ela conseguia fazer amigos com facilidade e era sempre aquel que as pessoas procuravam quando queriam conversar ou se divertir apesar das diferenças entre elas Isabela nunca abandonou Lúcia quando viam outras Meninas indo ao cinema ou a lanchonete depois da escola Isabela sempre tentava incluir Lúcia nos planos vamos vai ser divertido você precisa sair um pouco dizia ela com um sorriso insistente às vezes Lúcia cedia mas na maioria das
vezes ela acabava inventando uma desculpa tenho que voltar para casa dizia sabendo que Adalberto não aceitaria que ela saísse sem motivo mesmo nos raros momentos em que conseguia sair sua mente Estava sempre Preocupada com o que a esperava em casa o peso da responsabilidade nunca abandonava completamente por mais que Isabela fosse uma amiga dedicada e amorosa havia um limite até onde ela podia ajudar ela não entendia totalmente o que lu passava em casa tentava Claro mas não conseguia ver a profundidade da solidão e do peso que a amiga carregava quando falava sobre sair de casa
Isabela via isso como algo simples quando você fizer 18 anos vai Embora e pronto pode morar comigo se quiser Isabela tinha uma visão otimista de tudo mas Lúcia sabia que não era tão fácil ela não podia simplesmente abandonar tudo e deixar a para trás sentia-se presa por laços invisíveis que Isabela por mais que tentasse nunca compreenderia por completo e havia outra coisa que Lúcia não dizia nem para Isabela o medo o medo de que se saísse sua mãe ficasse ainda mais perdida o medo de que seus irmãos que nunca faziam Nada para ajudá-la a cpass
pelo caos que poderia se instalar na casa e acima de tudo o medo de que no fundo se seu pai estivesse certo e se ela realmente não servisse para nada além de cuidar da casa e se fosse tudo o que ela era capaz de fazer mesmo com esses medos e dúvidas Lúcia encontrava força na amizade com Isabela as conversas com ela eram o que a mantinha conectada com o mundo fora de casa Isabela era prova viva de que existia algo além daquela rotina Sufocante ela trazia uma luz uma energia que Lúcia não encontrava em maisem
um lugar meso quando o dia Havia smente difíc erao quecia sabte aentre duas se aprofunda ecia perceber quees Tod difices elha algém Isabela era sua Ancora seu ponto deo em um mundo que pare sempre desabar e apesar de não acreditar nos sonhos grandiosos que a amiga tinha para o futuro Lúcia se permitia de vez em quando imaginar um caminho diferente Talvez só Talvez um dia ela pudesse encontrar uma forma de sair daquela vida e descobrir quem realmente era Talvez um dia ela pudesse ser mais do que apenas a filha que cuida da casa por enquanto
L continuava vivendo um dia de cada vez as responsabilidades as broncas de Alberto a ausência emocional de Clarice Tudo continuava do mesmo jeito mas havia algo em sua amizade com Isabela que lhe dava forças para continuar mesmo que ainda não pudesse ver uma saída ela sabia que Com Isabela ao seu lado poderia suportar mais um dia e mais outro e mais outro e assim Lúcia seguia em frente sem saber exatamente para onde a vida a levaria mas com a certeza de que enquanto tivesse sua amiga ao seu lado ela não estava sozinha Lúcia não esperava
que sua vida pudesse mudar tão rapidamente ela já estava acostumada com a rotina pesada e com a ideia de que seu futuro seria uma repetição interminável dos dias de trabalho doméstico e desamor Em casa mas como dizem a vida tem formas estranhas de surpreender a gente e para Lúcia a surpresa veio na forma de Mauro Mauro apareceu em sua vida de maneira despretenciosa ele morava na mesma vizinhança Mas eles nunca tinham realmente se falado Mauro era um rapaz simples que trabalhava como entregador em uma loja de materiais de construção ele estava sempre passando pela rua
em sua bicicleta com a postura relaxada e o sorriso fácil para Lúcia Ele era apenas mais um rosto entre tantos mas tudo mudou em uma tarde quando ele parou para conversar com ela naquele dia Lúcia estava voltando do mercado carregando sacolas pesadas seus braços doíam mas ela nem pensava em pedir ajuda a alguém fazia parte da sua vida carregar fardos tanto os físicos quanto os emocionais e ela nunca esperava que alguém se oferecesse para dividir o peso mas Mauro que vinha na bicicleta parou ao vê-la Ei deixa eu Te ajudar com isso ele disse descendo
da bicicleta e se aproximando sem esperar uma resposta l Ficou surpresa ninguém costumava parar para ajudá-la ainda mais alguém como Mauro que sempre parecia ocupado indo e vindo por um instante Ela pensou em recusar mas o sorriso no rosto dele a fez mudar de ideia ele pegou a sacolas de suas mãos e os dois começaram a caminhar juntos em direção à casa dela no início a conversa foi meio tímida Lúcia não estava acostumada a falar Muito com os outros especialmente com alguém que não fosse Isabela mas Mauro Parecia ter o dom de deixá-la à vontade
ele não era como as pessoas da casa dela que só sabiam criticar ou ignorar Mauro perguntava sobre coisas simples como ela estava o que gostava de fazer e a ouvia com atenção algo que ninguém fazia em sua casa era um tipo de conversa leve sem julgamentos ou cobranças conforme eles caminhavam Lúcia se pegou rindo de uma piada boba que ele Fez sobre os atos da vizinhança algo que parecia impossível acontecer Há quanto tempo ela não ria de verdade talvez anos quando chegaram à porta da casa dela Mauro entregou as sacolas com um sorriso e disse
Se precisar de ajuda de novo só chamar aquele gesto por menor que fosse tocou Lúcia de uma forma que ela não esperava Mauro tinha sido Gentil sem querer nada em troca e isso era algo raro em sua vida ela agradeceu e entrou em casa ainda com O sorriso dele na mente algo nele a fez sentir que pela primeira vez em muito tempo Alguém estava prestando atenção nela não porque esperava algo ou queria apontar seus erros mas porque simplesmente se importava nos dias seguintes Lúcia começou a perceber Mauro mais e mais ele passava pela casa dela
na bicicleta e sempre acenava com um sorriso às vezes parava para trocar algumas palavras rá e aquelas pequenas conversas foram ficando Cada vez mais frequentes Mauro tinha uma energia diferente de tudo que Lúcia conhecia ele parecia ser alguém que via O Lado Bom da Vida mesmo que não tivesse muito e aquilo era novo para ela aos poucos Mauro foi entrando na vida de Lúcia e ela nem percebeu Quando passou a esperar por aqueles momentos em que ele aparecia cada encontro com ele era como uma pausa na sua realidade sufocante quando conversava com Mauro ela podia
Esquecer das cobranças de Adalberto da apatia de sua mãe e da ausência emocional dos irmãos com Mauro Lúcia se sentia vista e isso a fazia se sentir viva de novo Um Dia Depois de várias semanas dessas conversas casuais Mauro convidou Lúcia para sair não foi nada grandioso apenas um convite para tomar um sorvete depois que Ele saísse do trabalho Lúcia hesitou adal nunca permitiria que ela saísse assim sem um motivo Claro e ela sabia que Enfrentaria problema se ele descobrisse Mas pela primeira vez Lúcia sentiu uma vontade forte de fazer algo por si mesma de
escapar um pouco daquela prisão que era sua casa ela aceitou o convite naquela noite quando saiu de casa o coração de Lúcia estava acelerado não só pela expectativa de estar com Mauro mas também pelo medo das consequências mas assim que se encontrou com ele o nervosismo foi diminuindo Mauro a recebeu com aquele mesmo sorriso Acolhedor de sempre e por algumas horas Lúcia conseguiu esquecer tudo o que aprendia eles conversaram sobre tantas coisas sonhos infância trabalho e pela primeira vez Lúcia falou sobre si mesma de uma forma que nunca havia feito com ninguém nem com Isabela
Mauro parecia genuinamente interessado em ouvir ele não a interrompia não a corrigia apenas prestava atenção e quando falava seus olhos brilhavam com um entusiasmo que Lúcia nunca tinha visto antes ele falou Sobre seus planos suas pequenas conquistas e Lúcia Começou a sentir algo novo dentro de si Esperança Mauro fazia com que ela acreditasse que talvez só talvez houvesse algo além daquela vida que ela estava acostumada a viver depois daquela noite os dois começaram a se ver com mais frequência às vezes era apenas um encontro rápido uma conversa no portão da casa de Lúcia enquanto Mauro
passava depois do trabalho outras vezes eles conseguiam Passar mais tempo juntos conversando sobre tudo e sobre nada Mauro sempre tinha algo positivo para dizer e isso a fazia ver o mundo de forma diferente pela primeira vez em anos Lúcia sentia que talvez não estivesse destinada a viver a vida de amargura e solidão que conhecia tanto havia uma sombra pairando sobre essa nova felicidade de Lúcia Adalberto o pai dela não gostava de Mauro desde o início ele não via com Bons olhos o fato de Lúcia estar se aproximando de um rapaz que aos seus olhos não
tinha futuro para Dalberto Mauro era apenas mais um jovem sem ambição sem grandes planos alguém que não estava à altura dos filhos que ele imaginava e isso incomodava Lúcia profundamente porque pela primeira vez ela estava fazendo algo que a fazia feliz mas sabia que isso nunca seria aceito por seu pai Adalberto deixou claro o que pensava em uma das noites em Que Lúcia estava mais feliz após passar um tempo com Mauro o pai a confrontou você acha que esse moleque vai te levar a algum lugar ele não tem nada para te oferecer disse ele com
o tom de voz cortante de sempre Lúcia ficou em silêncio como de costume Ela já sabia o que viria depois mas por dentro algo havia mudado ela não estava mais tão disposta a aceitar o que ele dizia Sem questionar Mauro havia plantado dentro dela uma pequena semente de coragem e Aos poucos Lúcia começou a perceber que poderia lutar por sua própria felicidade mesmo que isso significasse enfrentar a Dalberto as coisas no entanto não seriam tão fáceis Lúcia sabia que teria que fazer esc difíceis e o peso dessas escolhas já começava a se fazer sentir mas
pela primeira vez em sua vida ela estava disposta a correr esse risco porque Mauro havia lhe mostrado que havia algo mais além da dor e do sacrifício havia amor havia esperança e Pela primeira vez Lúcia estava pronta para agarrar isso com todas as suas forças as coisas entre Lúcia e Mauro começaram a ficar mais sérias rapidamente para Lúcia ele representava algo que ela nunca tinha sentido antes Liberdade carinho e a esperança de uma vida diferente da que ela conhecia mas essa felicidade tinha um preço Lúcia sabia que seu pai Adalberto nunca aceitaria o relacionamento ele
já havia deixado Claro em conversas ríspidas que não via Mauro com bons olhos para Dalberto Mauro não passava de um moleque sem futuro e sua desaprovação Estava sempre a espreita mesmo assim Lúcia não conseguia desistir Mauro era a única pessoa que a fazia sentir viva e querida algo que nunca tinha experimentado em sua própria casa Os encontros entre Lúcia e Mauro passaram a ser feitos em segredo ela saía discretamente tentando não chamar a Atenção de Adalberto muitas vezes inventava desculpas para sair e encontrar Mauro no fundo sabia que uma hora ele descobriria mas se agarrava
aquele pedaço de felicidade que tinha como se aquilo pudesse protegê-la da Tempestade que esta prestes a chegar e essa tempestade chegou quando lcia descobriu que esta grávida ela fic em choque no início tinha apenas anos ainda morava com os pais e mal conseguia imaginar o que Aquilo significaria para Su vida por um lado ela se sentia apavorada como poderia ser mãe vivendo naquela casa so ole de Adalberto por outro lado uma parte dela se encheu de uma esperança nova o bebê seria seu algo que ninguém poderia tirar dela pela primeira vez Lúcia sentiu que talvez
pudesse começar uma nova vida com Mauro longe das sombras daquela casa opressora no entanto essa Esperança logo foi esmagada pelo medo de contar a verdade Adalberto não era o tipo de homem que aceitava as coisas com calma ele era impiedoso e controlava tudo e todo ao seu redor o temperamento dele podia explodir Por muito menos e Lúcia sabia que uma notícia como Aquela seria o Estopim para algo muito pior mesmo assim ela não podia adiar para sempre decidiu contar sobre a gravidez durante um jantar quando todos estavam reunidos sentiu que essa era a única forma
de enfrentar a situação de uma vez Por todas o ambiente à mesa estava como de costume pesado silencioso Adalberto comia sem trocar muitas palavras apenas reclamando do trabalho ou de alguma outra coisa da casa Clarice Estava à sua frente calada como sempre com os olhos baixos Ricardo e Felipe os irmãos de Lúcia conversavam entre si sem prestar muita atenção em mais nada Lúcia quase podia ouvir seu coração batendo no peito enquanto pensava em como começar Pai ela disse com a voz hesitante Quebrando o Silêncio que dominava a mesa todos os olhares se voltaram para ela
Adalberto levantou os olhos com uma expressão que misturava impaciência E curiosidade como se já Esperasse algum problema vindo de Lúcia O que foi ele perguntou com o Tom áspero de sempre Lúcia sentiu a garganta secar Sabia que não haveria um jeito fácil de dizer aquilo mas precisava então respirou fundo e falou eu estou grávida A frase saiu baixa quase como um sussurro mas foi o suficiente para causar um impacto imediato por um segundo o tempo pareceu parar o som dos talheres batendo nos pratos cessou e o silêncio tomou conta da sala Adalberto ficou paralisado com
olhar fixo em Lúcia como se não tivesse compreendido o que ela acabará de dizer mas então como se algo dentro dele tivesse se quebrado a reação veio com força total o quê gritou ele batendo a mão na mesa com tanta Força que os pratos tremeram o rosto de Adalberto ficou vermelho os olhos saltados de fúria Lúcia mal conseguiu reagir sabia que ele ficaria bravo mas não estava preparada para a explosão que viria em seguida grávida ele repetiu levantando-se da cadeira como se fosse partir para cima dela você me diz que está grávida de quem aquele
vagabundo não é Adalberto começou a andar de um lado para o outro gritando tão alto que Lúcia tinha certeza de que Os vizinhos podiam ouvir Lúcia tentou falar mas as palavras não saíam ela queria explicar dizer que queria ficar com Mauro que eles podiam construir uma vida juntos mas a fúria de Adalberto a sufocava você acabou com sua vida ele berrou apontando o dedo para o rosto dela você é uma vergonha para essa família como teve coragem de fazer isso uma menina da sua idade grávida de um qualquer Adalberto estava fora de controle Clarice que
até então não tinha se mexido olhava para baixo como sempre fazia quando ele estava bravo seus irmãos Felipe e Ricardo não disseram uma única palavra Eles apenas observavam chocados sem saber o que fazer ou dizer saia da minha casa Adalberto gritou de repente a voz quase rouca de tanto gritar eu não vou sustentar uma desavergonhada se você quer viver assim que vá com ele agora Lúcia ficou imóvel por alguns segundos tentando processar o Que estava acontecendo ela sabia que Adalberto ficaria furioso mas ser expulsa de casa aquilo era mais do que ela podia imaginar a
mãe continuava sem falar nada sem sequer levantar os olhos para a filha era como se ela não existisse ali como se o destino de Lúcia não fosse assunto dela vamos Pegue suas coisas Adalberto insistiu a voz ainda carregada de ódio eu disse agora Lúcia sem alternativa subiu às escadas tremendo cada passo parecia pesar Toneladas ela entrou no quarto que conhecia tão bem o único lugar onde tin encontrado um pouco de paz nos últimos anos olhou ao redor vendo seus poucos pertences e começou a arrumar o que podia em uma bolsa não tinha ideia de onde
iria só sabia que não podia mais ficar ali enquanto empacotavam suas roupas Lúcia ouvia os murmúrios vindos de baixo as palavras de raiva e desprezo de seu pai eando pela casa as palavras vergonha e desgraça se repetiam e Lúcia Sentia o coração afundar cada vez mais quando terminou Desceu as escadas com a bolsa nas mãos Adalberto não olhou para ela ele estava de costas olhando pela janela com o maxilar travado Clarice continuava sentada à mesa Quieta Como sempre com as mãos apertadas no colo seus irmãos a observaram por um momento mas também não disseram nada
era como se eles não soubessem o que fazer ou talvez no fundo não se importar assem de verdade Lúcia Parou na porta da sala por um instante esperando Talvez uma última palavra da mãe ou um olhar de um de seus irmãos algo que dissesse que ainda se importavam mas nada veio o silêncio dela era a confirmação de que estava sozinha sem mais nenhuma palavra Lúcia atravessou a porta da frente e saiu de casa o ar da noite estava frio mas o calor da discussão ainda envolvia como uma nuvem a realidade de estar na rua sozinha
e grávida começou a se instalar Lentamente ela não tinha para onde ir a não ser para casa de Mauro enquanto caminhava pela rua vazia lágrimas que ela vinha segurando começaram a escorrer o que viria a seguir Lúcia não sabia sua vida havia mudado em questão de minutos e agora o único pensamento que conseguia manter era de chegar até Mauro e contar o que tinha acontecido e com isso Lúcia seguiu seu caminho sem olhar para trás sabendo que de alguma forma sua vida nunca mais seria a mesma Lúcia achava Que finalmente sua vida estava começando a
entrar nos eixos quando foi morar com Mauro a princípio as coisas pareciam promissoras ela se sentia acolhida pela família dele especialmente por Dona Olga a mãe de Mauro que a tratava como uma filha e lhe dava todo o apoio que ela precisava durante a gravidez era como se pela primeira vez vez Lúcia tivesse encontrado uma família de verdade onde não havia gritos desprezo ou rejeição na casa de Mauro ela podia respirar mesmo Sabendo que não seria fácil começar uma vida nova Lúcia acreditava que com Mauro ao seu lado tudo daria certo Mauro no começo parecia
o parceiro ideal ele se mostrou presente atencioso e até empolgado com a chegada do bebê falava sobre os planos que tinham para o futuro sobre como seriam felizes juntos criando o filho Lúcia se agarrava aquela visão de futuro Afinal era tudo o que ela tinha ela queria acreditar que apesar de tudo o que tinha passado agora as coisas Dariam certo estava determinada a fazer a relação funcionar a construir uma nova vida para ela e para seu filho longe das sombras do Passado no entanto à medida que os meses iam passando Mauro começou a mudar ele
já não parecia tão presente nem tão empolgado saía para trabalhar de manhã cedo e voltava cada vez mais tarde muitas vezes com o cheiro forte de álcool Lúcia no início tentou não se preocupar achava que ele estava apenas Cansado tentando trabalhar duro para sustentar a família que estavam começando mas com o tempo Ficou claro que havia algo errado as saídas de Mauro se tornaram mais frequentes e ele parecia cada vez mais distante no começo Lúcia tentou conversar com ele perguntava o que estava acontecendo porque ele estava chegando tão tarde e se algo o estava incomodando
mas Mauro sempre desconversava dizia que era só o trabalho que ele estava fazendo horas Extras que precisava se esforçar para dar conta de tudo eu tô fazendo isso por você e pelo nosso filho ele dizia e Lúcia querendo acreditar tentava se ser de que era verdade mas as dúvidas começaram a crescer as noites em que Mauro chegava em casa cada vez mais tarde e mais bêbado não faziam sentido para ela Além disso ele estava ficando mais irritadiço distante às vezes ele a ignorava completamente preferindo ficar em silêncio ou sair de novo logo depois De chegar
Dona Olga que sempre a apoiava percebia que algo estava errado mas não dizia nada diretamente apenas lançava olhares preocupados para Lúcia como se soubesse que havia uma tempestade prestes a desabar Tudo Mudou No Dia Em Que Lúcia ouviu os rumores estava no mercado da esquina comprando algumas coisas para casa quando ouviu duas mulheres conversando elas falavam de Mauro sem saber que Lúcia estava por perto você soube que o Mauro tá com Outra disse uma das mulheres rindo de um jeito maldoso Aquela tal de Nádia e parece que ela também tá grávida Lúcia sentiu o chão
sumir debaixo dos pés ela ficou paralisada por um instante sem conseguir acreditar no que estava ouvindo Nádia grávida como aquilo era possível as palavras ecoavam em sua cabeça como um pesadelo senti uma onda de calor Subir pelo corpo enquanto Seu Coração batia tão forte que parecia que iria Explodir tudo que ela conseguia pensar era isso não pode estar acontecendo tentando manter a calma Lúcia voltou para casa com a cabeça girando quando Mauro chegou naquela noite ela o confrontou diretamente não conseguiu esperar mais precisava saber se era verdade Mauro o que está acontecendo perguntou com a
voz trêmula eu ouvi falarem de você de outra mulher me diz que isso não É verdade Mauro que Havia chegado bêbado de novo evitou olhar diretamente para ela seu silêncio foi como uma faca no coração de Lúcia Ela já sabia a resposta antes mesmo de ele falar mas Mauro hesitante tentou se justificar Lúcia eu não queria que fosse assim as coisas saíram do controle ele passou as mãos pelo rosto como se estivesse tentando encontrar as palavras certas eu cometi um erro a confirmação foi um golpe tão forte que Lúcia sentiu como se O ar tivesse
sido arrancado dos seus pulmões Mauro tinha outra mulher e ela estava grávida também todo sonho que ela havia construído com ele todas as esperanças de um futuro melhor desabaram ali naquela sala o homem que prometeu estar ao seu lado que disse que construiria uma vida com ela havia traído da pior forma possível como você pode fazer isso Lúcia chorou a voz embargada pela dor eu deixei tudo para trás por você eu estou Grávida do seu filho e você você tem outra mulher Mauro não respondeu não havia o que dizer ele sabia que tinha feito algo
imperdoável e sua postura apenas confirmava isso Lúcia não sabia o que fazer sentia como se o mundo estivesse desmoronando a ao seu redor seu corpo tremia a dor era tão grande que ela mal conseguia pensar lágrimas escorriam pelo seu rosto sem parar mas Mauro não se aproximou para consolá-la ele apenas Ficou ali parado incapaz de Enfrentar o que havia causado nos dias que se seguiram Mauro Começou a sair cada vez mais não havia mais desculpas nem Promessas de que as coisas seriam diferentes Lúcia sabia que ele estava se distan de vez que a relação entre
eles havia acabado e eventualmente Mauro foi embora de vez ele deixou Lúcia e o filho que estava por nascer sem olhar para trás Foi viver com Nádia a outra mulher deixando Lúcia sozinha e desamparada o colapso de Lúcia foi Total ela não Conseguia entender como tudo tinha dado tão errado como poderia Mauro que havia sido seu Porto Seguro o homem que lhe prometeu uma melhor tê-la traído dessa forma ela se sentia enganada quebrada toda a esperança que tinha se esvaído e agora Além de estar sozinha estava prestes a se tornar mãe sem saber como seguir
em frente Dona Olga e seu Geraldo os pais de Mauro foram os únicos que apoiaram nesse momento eles ficaram ao lado de Lucia mesmo sabendo que o filho Havia errado gravemente Dona Olga em especial foi como uma mãe para Lúcia segurando sua mão nos momentos mais difíceis e prometendo que ela não estaria sozinha para criar seu filho mas apesar do apoio deles a dor da traição de Mauro era algo que Lúcia teria que carregar consigo por muito tempo os meses seguintes foram os mais difíceis da vida de Lúcia ela tentava se preparar para a chegada
do bebê mas sua mente Estava sempre presa à dor da traição Como alguém que prometeu amor podia ir embora tão facilmente Mauro não era mais o mesmo homem por quem ela se apaixonou e isso era algo difícil de aceitar tudo que restava para Lucia ag era Miguel o f que ela carreg eleia sua novaz para vi sua es de um futur MH mesmo Mauro não fizesse Maisa hisa nci de miguelou um moment deiso para vida de lcia após a traição devastadora de Mauro ela se viu em um turbilhão de sentimentos A dor e a sensação
de abandono quase a consumiram nos primeiros meses mas o crescimento da barriga os movimentos do bebê dentro dela começaram a despertar algo novo uma força que ela não sabia que possuía aos poucos Lúcia percebeu que apesar de tudo que tinha passado não estava completamente sozinha ela tinha alguém muito especial a caminho alguém que dependeria dela para tudo nos últimos meses da gravidez Lúcia contou com o apoio Incondicional de Dona Olga e Seu Geraldo os pais de Mauro Eles foram uma verdadeira família para ela mesmo depois de Mauro ter saído de cena Dona Olga que sempre
foi uma figura materna para Lúcia a ajudava em tudo desde os pequenos conselhos sobre como lidar com as mudanças no corpo até o suporte emocional nos momentos em que Lúcia desmoronava e começava a chorar de repente Às vezes a dor da traição de Mauro voltava com força mas dona Olga Estava sempre lá segurando a mão dela Dizendo que as coisas iriam melhorar e no fundo Lúcia começou a acreditar nisso o parto de Miguel Foi um momento intenso Lúcia sentiu um misto de medo e expectativa estava em trabalho de parto e por mais que soubesse que
seria difícil não estava preparada para a experiência física e emocional que aquilo traria no hospital cercada por médicos e enfermeiras Lúcia sentiu que aquele era o ponto de virada da sua a dor das contrações era enorme mas Junto com cada onda de dor vinha uma certeza crescente ela precisava ser forte precisava aguentar por Miguel aquele bebê era a nova razão de sua existência quando Miguel finalmente nasceu Lúcia sentiu uma explosão de emoções que ela jamais imaginaria sentir o choro do bebê preencheu o quarto de hospital e quando o colocaram em seus braços tudo pareceu silenciar
o mundo à sua volta desapareceu e só restou Aquela pequena Vida em suas mãos Lúcia olhou para Miguel com lágrimas nos olhos não de tristeza mas de uma emoção que ela não sabia como descrever ele era pequeno frágil e ao mesmo tempo o ser mais importante da sua vida a partir daquele momento tudo que ela Faria seria por ele bem-vindo ao mundo Miguel Lúcia sussurrou com a voz embargada naquele instante Lúcia soube que independentemente do que acontecesse a partir dali ela daria tudo para Garantir que Miguel tivesse uma vida melhor do que a que ela
teve toda a rejeição que sofreu na infância a dor de ter sido traída o sentimento de abandono nada disso importava mais o que importava agora era Miguel e ela sabia que faria qualquer coisa para protegê-lo para que ele nunca sentisse a solidão que ela sentiu por tantos anos os primeiros dias com Miguel foram um desafio como é para qualquer mãe de primeira viagem as noites sem dormir o Choro constante o cansaço que parecia não ter fim mas apesar de tudo isso Lúcia se sentia Renovada cuidar de Miguel amamentá-lo acalmá-lo quando ele chorava fazia com que
ela sentisse uma nova força que crescia dentro dela cada sorriso que Miguel dava cada pequeno Progresso como abrir os olhos ou segurar seu dedo com a mãozinha minúscula fazia com que Lúcia tivesse a certeza de que tudo estava valendo a pena Dona Olga continuava sendo uma presença constante Ajudando Lúcia nos cuidados com o bebê e dando-lhe conselhos de mãe experiente mas à medida que os dias passavam Lúcia começou a se sentir mais confiante ela percebia que estava dando conta sozinha que estava sendo capaz de cuidar de Miguel e de si mesma havia uma força Nova
em sua vida uma determinação que ela não sabia que possuía até então com Mig ela tinha uma nova razão para levantar todas as manhãs e seguir em frente não importava o quão difícil o Dia anterior tivesse sido aos poucos Lúcia começou a deixar o passado para trás As Memórias dolorosas de Mauro ainda estavam lá mas elas começaram a perder o poder de feri-la tanto quanto antes ela parou de esperar qualquer retorno dele parou de se perguntar o que poderia ter feito diferente Mauro havia feito suas escolhas e ela estava fazendo as dela a vida dela
agora girava em torno de Miguel e do que ela poderia construir para eles dois nos meses Seguintes Lúcia começou a trabalhar como empregada doméstica em algumas casas da vizinhança para sustentar o filho não era um trabalho fácil mas ela o fazia com dedicação cada centavo que ganhava era para garantir que Miguel tivesse o que precisasse ela se sentia orgulhosa por estar conseguindo seguir em frente por estar construindo uma vida com suas próprias mãos mesmo que não fosse a vida que tinha imaginado anos atrás os Primeiros passos de Miguel os primeiros sons que ele fazia tentando
falar eram pequenos momentos que traziam felicidade a Lúcia ver o filho crescendo saudável aprendendo a explorar o mundo ao seu redor era tudo o que ela precisava para se sentir realizada ele era a luz que iluminava sua vida todos os dias mesmo com todo o peso das responsabilidades Lúcia perce que estava se transformando ela não era mais aquela menina frágil que aceitava tudo em Silêncio que vivia a sombra dos outros a maternidade a fez crescer a fez perceber que apesar de todas as dificuldades que enfrentou ela era forte o suficiente para superar qualquer obstáculo Miguel
lhe deu uma nova perspectiva uma nova missão e com ele ao seu lado Lúcia sentia que podia enfrentar o mundo Dona Olga e seu Geraldo continuaram sendo uma parte importante de sua vida sempre por perto para ajudar quando precisasse a presença deles era um Lembrete de que apesar de ter sido abandonada por Mauro ela não estava sozinha havia pessoas que se importavam com ela e com seu filho e com o tempo Lúcia começou a formar uma nova família não a que tinha sonhado quando se apaixonou por Mauro mas uma família forte e unida construída com
amor e apoio mú agora cada vez que olava para Miguel lcia via mais do que apenas o fil que ela amava vi a força que ela nunca soube que tinha vi a superação de tudo o Que viveu e o futuro que ainda poderia construir ela havia passado por momentos de escuridão mas agora com Miguel ao seu lado lcia tinha certeza de que não importa o que o futuro tresse ela e seu filho enfrentariam juntos Lúcia nunca pensou que algum dia ouviria a voz do pai pedindo desculpas para ela Adalberto sempre foi um homem inflexível duro
como pedra alguém que jamais admitiria que estava errado desde a infância ele havia sido uma figura que Controlava tudo com mãos de Ferro sempre pronto a gritar ou criticar mas agora as coisas estavam diferentes tudo começou com uma ligação Inesperada lcia estava em casa cuidando de Miguel Quando o Telefone Tocou ela quase não atendeu porque estava ocupada com as tarefas diárias quando pegou o aparelho e ouviu aquela voz familiar por um segundo ela não soube o que dizer Lúcia era a voz de Adalberto mas não soava como a de costume havia algo Diferente uma fragilidade
que Lúcia não reconhecia ele estava mais velho claro e parecia mais cansado eu eu preciso falar com você houve um silêncio pesado entre eles Lúcia segurava o telefone com força sem saber o que responder Fazia anos desde que fora expulsa de casa a última vez que viu Adalberto ele havia mandado embora sem pensar duas vezes com palavras duras que ainda ecoavam na memória dela Lúcia depois de todo aquele tempo havia seguido em frente construído Sua vida com Miguel longe da sombra opressiva do Pai por que ele estava ligando agora o que você quer ela perguntou
tentando manter a voz firme eu estou doente Lúcia a voz de Adalberto suava fraca quase como se ele estivesse com dificuldade para falar Preciso te ver preciso conversar Lúcia não sabia como reagir doente o pai dela o homem que sempre pareceu indestrutível estava doente Parte dela sentiu uma pontada de alívio como se o destino estivesse finalmente cobrando dele por todas as injustiças que havia cometido mas outra parte a parte que ainda carregava um resquício de amor familiar se encheu de confusão ela nunca tinha imaginado que ouviria essas palavras de Adalberto nunca pensou que ele um
dia pediria ajuda apesar das dúvidas Lúcia aceitou encontrá-lo não sabia o que esperar desse reencontro mas algo dentro dela Talvez a responsabilidade que sempre sentiu pela família ou o Simples Desejo de entender o que estava acontecendo a fez dizer sim quando chegou à casa onde cresceu tudo parecia diferente não era apenas a casa em si que agora parecia mais velha com o Jardim MA cuidado e a pintura descascando era a sensação de estar de volta àquele lugar depois de tanto tempo o peso das lembranças veio com força cada canto daquela casa tinha uma memória boa
ou ruim e a maioria Delas envolvia o pai Lúcia respirou fundo antes de entrar Adalberto estava sentado em uma cadeira de rodas na sala o homem que um dia foi tão vigoroso e cheio de autoridade parecia pequeno encolhido em si mesmo seus olhos antes tão duros agora estavam cansados e sua pele pálida refletia a gravidade de sua condição Ele olhou para Lúcia com uma mistura de surpresa e alívio Lúcia ele começou com a voz falhando um pouco ela permaneceu em silêncio observando aquilo Era estranho o pai que havia expulsado que nunca mostrou um pingo de
arrependimento agora estava ali visivelmente quebrado eu sei que errei disse ele baixando os olhos Errei muito com você as palavras pareciam pesar no ar Lúcia ainda não sabia como responder passaram-se anos desde que Ela ouviu qualquer tipo de desculpa vindo dele Será que ele estava mesmo endido ou era apenas o medo da morte que o fazia Buscar Redenção Por que agora Lúcia perguntou a voz controlada mas cheia de dor acumulada Por que só agora depois de tudo você está dizendo isso Adalberto suspirou e por um momento ele parecia ainda mais velho do que realmente era
Ele olhou para Lúcia com uma expressão de tristeza algo que ela nunca tinha visto nele antes eu passei muitos anos com raiva raiva de mim mesmo da vida e acho que joguei isso em você não tinha o direito de fazer isso ele fez uma pausa Tentando encontrar as palavras certas eu te culpei por coisas que não eram culpa sua eu estava errado e me arrependo de não ter percebido isso antes Lúcia sentiu um nó na garganta era tudo que ela sempre quis ouvir mas ao mesmo tempo era difícil aceitar durante anos ela carregou o peso
do desprezo de Adalberto acreditando que talvez fosse realmente culpada por todos os problemas da família e agora ele estava ali admitindo que havia errado parte dela queria Perdoá-lo mas outra parte ainda estava machucada demais para simplesmente deixar tudo para trás Eu só queria que você soubesse que me arrependo continuou ele com os olhos cheios de lágrimas e que antes que eu me vá eu queria pedir seu perdão O silêncio que seguiu foi quase insuportável Lúcia olhou para o pai vendo nele o homem que a fez sofrer tanto mas também vendo alguém que no fundo estava
quebrado e arrependido pela primeira vez ela Percebeu que Adalberto não era Invencível que ele também tinha falhas e finalmente estava reconhecendo isso Lúcia respirou fundo e deu um passo à frente sentando-se ao lado dele a raiva que ela carregava panto Tanto Tempo começou a se dissipar lentamente não era fácil e ela sabia que o perdão não viria de uma hora para outra mas naquele momento algo dentro dela começou a mudar eu te perdoo pai disse ela com a voz baixa mas não por Você eu te perdoo por mim porque eu preciso seguir em frente Adalberto
assentiu as lágrimas caindo silenciosamente ele sabia que o perdão de lcia não apagaria o passado mas naquele instante era o suficiente era o começo de uma cura que ambos precisavam meses segintes for marados por reaproximação lcia comeou a visitá-lo com mais frequência mesmo que o passado ainda estivesse ali rondando cada conversa Adalberto enfraquecido pela doena não tinha muito tempo mas usou o que restava para tentar fazer as pazes com a filha que ele um dia rejeitou e Lúcia por mais que o processo fosse doloroso encontrou uma certa paz em saber que ao final da vida
dele ela não carregaria mais o fardo daquele relacionamento quebrado quando Adalberto faleceu Lúcia sentiu uma mistura de Emoções havia tristeza Claro mas também havia um alívio Silencioso ela não havia ficado com o pai até o fim porque ele merecia mas porque ela merecia merecia finalmente deixar para trás anos de dor e e seguir em frente com sua vida e com seu filho sem o peso do passado assegurá-la com a morte de Adalberto n sentiu que um ciclo important de sua vida havia se encerrado aquele homem que por tanto tempo representou o centro de sua dor
e sofrimento não estava mais presente e embora o processo de perdão Tivesse sido lento e doloroso ela se sentia em paz mas isso Não significava que todos os problemas estivessem resolvidos havia ainda outras questões para lidar principalmente sua relação com Clarice sua mãe Clarice após a morte de Adalberto ficou sozinha na casa onde Lúcia cresceu a mesma casa que durante tantos anos foi um lugar de tristeza e silêncio Clarice não era mais a Muler submissa que nunca levantava a voz ou Defendia a filha mas a verdade é que mesmo sem a Dalberto ela parecia perdida
não sabia como seguir em frente sozinha E para piorar a situação as condições financeiras estavam ruins as dívidas se acumulavam e Clarice estava prestes a perder a casa a velha casa que por mais dolorosa que fosse para Lúcia ainda era o único lugar que Clarice conhecia como Lar Lúcia soube da situação pela própria mãe que a procurou com os olhos baixos quase sem coragem de pedir ajuda Clarice Mesmo com o passar dos anos mantinha aquela postura de quem aceitava as coisas do jeito que vinham sem lutar contra ela contou a Lúcia sobre os problemas financeiros
e a possibilidade de perder a casa mas fez isso de forma contida como se dissesse eu sei que você já tem seus problemas no entanto Lúcia sentiu que não podia deixar a mãe enfrentar isso sozinha mesmo com todo o passado complicado entre elas Clarice ainda era sua mãe e agora mais do que Nunca ela precisava de ajuda Lúcia porém também sabia que suas condições financeiras não eram as melhores ela trabalhava duro para garantir um bom futuro para Miguel e não tinha como arcar com as dívidas da mãe o que ela não esperava era que a
solução para o problema viesse de miguel miguel agora já crescido e ciente da história complicada de sua família era um jovem observador e de coração bondoso ele sempre soube de uma forma ou de outra Que sua mãe tinha carregado muitos fardos ao longo da vida Lúcia nunca escondeu a verdade de Miguel ele sabia sobre AD Dalberto sobre a forma como ela foi tratada e sobre a dificuldade de ter se erguido depois de ser abandonada por Mauro e mesmo sabendo de tudo isso Miguel sempre foi uma criança amorosa e compreensiva que cresceu com um senso de
responsabilidade e empatia surpreendente para a idade quando soube da situação da avó Miguel não ficou parado ele tinha Economizado dinheiro durante anos trabalhando em pequenos empregos desde adolescente o sonho de Miguel era usar esse dinheiro para comprar uma casa para ele e Lúcia um lugar onde pudessem finalmente deixar o passado para trás e começar uma nova vida longe das lembranças que ainda rondavam o antigo Lar mas ao saber que Clarice estava prestes a perder a casa Miguel fez algo que Lúcia jamais esperaria decidiu usar suas economias para ajudar a avó Mãe eu Quero ajudar a
vovó disse Miguel um dia em en quanto os dois conversavam sei que esse dinheiro era para nós mas ela precisa mais e acho que é o certo a se fazer Lúcia Ficou sem palavras o gesto de Miguel era tão Generoso tão cheio de maturidade que ela se emocionou na hora era difícil para Lúcia acreditar que aquele menino que ela criou com tanto esforço sozinha havia se tornado um homem com um coração tão grande ela sabia que Miguel tinha Aprendido com os avós adotivos Dona Olga e seu Geraldo e com o próprio exemplo de resiliência que
ela tentou passar mas ver essa generosidade no filho a encheu de orgulho Você tem certeza Miguel perguntou ela ainda processando a decisão do filho esse dinheiro é o seu futuro Miguel apenas sorriu um sorriso calmo cheio de compreensão ele colocou a mão sobre a da mãe e disse eu vou conseguir outra casa para nós um dia mãe mas agora a vovó Precisa de nós e eu quero fazer isso o coração de Lúcia transbordou de gratidão e admiração ela sabia que não havia criado Miguel sozinha mas naquele momento sentiu que todo o esforço toda a luta
que enfrentou desde o nascimento dele tinha valido a pena Miguel era o símbolo vivo de que mesmo em meio à dor e ao sofrimento algo de bom e puro podia nascer ele era prova de que o ciclo de dor não precisava continuar com o dinheiro de Miguel Lúcia e ele Conseguiram comprar um pequeno apartamento para Clarice era simples mas confortável um lugar onde ela poderia recomeçar longe das dívidas e das memórias sombrias da antiga casa quando entregaram a chave para Clarice a reação dela foi Inesperada pela primeira vez em muitos anos Lúcia viu a mãe
chorar Clarice que sempre Manteve uma postura de resignação caiu em lágrimas silenciosas Abraçando a filha e o Neto com uma gratidão que ela Não conseguia expressar em palavras eu não sei o que dizer Clarice disse com a voz embargada obrigada obrigada por não desistirem de mim para Lúcia aquele momento foi um Marco importante não só porque a mãe finalmente parecia estar se libertando do fardo do passado mas porque ali naquele gesto de Miguel havia algo muito maior Miguel havia quebrado o ciclo de dor e Abandono que por tanto tempo havia marcado a família o apartamento
para Clarice era muito mais do que um lugar para ela morar era um símbolo de renovação de Recomeço era prova de que mesmo depois de tantos anos de Sofrimento a família de Lúcia podia encontrar um caminho para paz com o tempo aquele pequeno apartamento se tornou um lugar especial para todos eles Clarice que sempre viveu so a sombra de adalbert começou a Florescer de uma Maneira que Lúcia jamais imaginou ser possível ela parecia mais leve mais presente como se finalmente tivesse encontrado sua própria voz algo que passou a vida inteira suprimindo e aos poucos Lúcia
e Clarice começaram a reconstruir a relação que nunca tiveram não era perfeita mas havia amor e agora havia também o perdão aos finais de semana Lúcia Miguel e Clarice se reuniam naquele apartamento para almoçar e conversar o passado ainda existia mas já Não tinha o mesmo poder sobre eles as risadas de Miguel enchia um ambiente de alegria e Lúcia olhava para seu filho com a certeza de que o ciclo de dor havia se quebrado ele era nova geração aquele que estava mudando tudo trazendo luz para uma história que por tanto tempo foi marcada por sombras
e enquanto via Miguel conversando com a avó Lúcia finalmente permitiu-se sentir algo que achou que nunca teria Esperança uma esperança verdadeira cheia de vida e Amor