Olá, pessoal, tudo bem? Sejam todos bem-vindos! Aqui estou eu mais uma vez para enfrentar corajosamente um assunto que causa incompreensão em muita gente, porque, como vocês sabem, a taxa de analfabetismo funcional ou de dificuldade de compreensão e expressão no Brasil é de mais ou menos 92%, o que significa que apenas 8% da população é plenamente capaz de entender o que ouve, o que lê e se expressar corretamente. Eu, que sou professora há mais de 10 anos, posso confirmar que isso é verdadeiro, e olha que eu trabalho em ensino superior. Portanto, os alunos que chegam
para ter aula comigo há muito tempo já passaram pelo sistema escolar e chegam ainda sofrendo desse mal: da absoluta inabilidade de interpretação. Não entendem o que ouvem, não entendem o que leem. E isso se deve, evidentemente, a um referencial, a um conjunto de referências muito pequeno. E, como o assunto de que eu vou tratar mexe com emoções, preparem-se para uma enxurrada de comentários absolutamente sem relação com o que eu vou abordar aqui hoje. Eu vou falar sobre a diferença entre jornalismo de opinião e Ciência Política. Por um motivo muito simples: é natural que as pessoas
frequentem o jornalismo de opinião, mas é preciso saber diferenciar o jornalismo de opinião da Ciência Política, para que nós não acabemos brigando com as pessoas que estão simplesmente explicando e compreendendo fatos, quando tudo que nós temos são meia dúzia de argumentos que servem para confirmar um partido já tomado. Isso é algo muito importante na vida, porque nós todos temos realmente partidos tomados, simpatias políticas, enfim, em todos os campos. Mas as políticas são as que têm causado as maiores confusões entre nós, nossos amigos, familiares, etc. E se nós nos tornamos reféns dessa simpatia, a gente não
consegue compreender o que está acontecendo, porque a gente se torna cada vez mais incapaz de ouvir aqueles que praticam, que fazem análise, ou seja, aquelas pessoas que falam imbuídas de alguma Ciência Política, de algum grau de Ciência Política, ou seja, de um conjunto de conhecimentos que permitem a eles realmente interpretar o que está acontecendo antes mesmo de emitir juízos de valor a respeito daquilo que eles estão explicando. Então, eu convido vocês a acompanharem esse vídeo para tentarem entender a importância de a gente ser capaz de fazer os dois exercícios: acompanhar o jornalismo de opinião sabendo
em que consiste e o que ele vale, e nem por isso perdermos a capacidade de prestigiar os cientistas políticos e analistas que explicam para nós assuntos sobre os quais nós até temos partidos tomados, mas que, na maior parte das vezes, nós desconhecemos completamente. Vamos lutar contra a nossa própria ignorância. É isso que eu te convido nesse vídeo [Música]. Voltando para o assunto do analfabetismo funcional, da incapacidade de compreender e de se exprimir, eu acho importante abordá-la nesse vídeo, porque a razão pela qual o jornalismo de opinião faz muito sucesso se deve ao fato de ele
não exigir grandes habilidades cognitivas, grandes habilidades comunicacionais das pessoas que o acompanham. O jornalismo de opinião tem uma estrutura extremamente simples. No atual momento político, é uma estrutura sempre binária: ou você está desse lado ou você está daquele, com pouquíssimas nuances, de forma que qualquer pessoa com referencial imaginativo baixo, ou seja, com poucas referências na sua imaginação, consegue acompanhar o que está sendo dito. As pessoas que têm uma capacidade de compreender o que ouvem, o que leem, assim como de se exprimirem corretamente, são pessoas — ou seja, esses 8% da população brasileira — que têm
um referencial imaginativo complexo, amplo, e há graus de amplitude. Os graus de amplitude podem variar, mas você tem um grau mínimo para ser capaz de compreender discursos complexos. E, infelizmente, apenas essas pessoas, quando estão diante de uma análise que consiste, enfim, em explicações — ou seja, fruto de alguma Ciência Política por parte de quem fala — e por Ciência Política eu me refiro a alguma consciência do que acontece politicamente. Para dar um exemplo: já que o jornalismo de opinião trata política em primeiro lugar, mas o jornalismo de opinião é simplesmente a evocação de argumentos que
ajudem a sustentar um partido tomado previamente e não o exercício de compreensão de um fato novo. Você já tem um compromisso com um grupo político; esse grupo político participa de um fato novo. O seu compromisso com esse grupo político é o que vai determinar sua argumentação e não o fato novo. O jornalismo de opinião funciona assim. Para vocês terem uma ideia, observem as coisas mais ridículas que, sei lá, o governo Lula faz. Veja: outro dia eu vi que aquele Rui Costa sugeriu que, para a população brasileira lidar com a alta de alimentos, com a alta
de tudo — porque a gente está vivendo uma inflação galopante — seria interessante criar um aplicativo onde as pessoas pudessem procurar fazer pesquisas de preços antes de ir ao mercado, como se pesquisar os preços melhores na sua região pudesse resolver o problema de fundo, que é a inflação provocada por emissão de moeda. Então, veja, evidentemente, quando este homem de estado diz essa bobagem, um jornalista que está comprometido com o governo em exercício vai argumentar não observando o fato da inflação e sim o seu compromisso em apoiar esse grupo político; daí aqueles argumentos mirabolantes. E a
mesma coisa acontece do outro lado: do outro lado, Bolsonaro pode fazer a coisa mais ridícula do mundo, pode soltar uma afirmação completamente absurda, mas aqueles que estão comprometidos com esse grupo, tá? Como a história da manifestação, que agora é ele que escolhe onde pode ter e onde não pode ter. A coisa curiosa, né? A coisa curiosa é: "nesse dia só em Copacabana, nesse dia só em São Paulo", e no outro dia não pode ter nas duas cidades no mesmo dia. Sendo que sempre foi assim no passado, diante desse fato, o compromisso das pessoas com o
político, o grupo político, vai determinar os argumentos e não o fato ser ridículo ou não. De forma que até o humor se perde quando a gente está no jornalismo de opinião. Jornalismo de opinião é sempre dramático; ele apela para as emoções porque é sempre um discurso de defesa daquele com quem você está comprometido ou de ataque contra aquele que você combate. De forma que é um discurso muito simples: esse é bom, esse não serve. As razões que eu vou evocar podem até ser parecidas, né? Por exemplo, eu vi muitas vezes pessoas defenderem o Bolsonaro por
uma medida e criticarem o Lula quando ele tomou uma medida parecida. Então, quando essa medida é tomada pelo Bolsonaro, é preciso defendê-la, arrumar argumentos para defendê-la; quando ela é realizada pelo Lula, você precisa arrumar argumentos para criticá-la. Porque não é a medida que importa, é a pessoa. Essa é a tônica do jornalismo de opinião. E o analfabeto funcional, a pessoa com um imaginário pobre, não tem muitos recursos; ela não tem referências, ela tem o vocabulário limitado, a capacidade limitada de estabelecer na fala e na escrita períodos complexos. Ela se perde com muitas coordenadas e subordinadas,
períodos longos. Uma coisa que todo professor ensina para alunos que não sabem se exprimir é: use frases curtas. Porque, filho, você não sabe nem falar, como é que você quer escrever em períodos longos? Então começa com frases curtas; quando você tiver dominando a arte da escrita, você pode elaborar períodos mais complexos. Agora, isso, a pessoa que está aprendendo a escrever, a pessoa que não aprendeu nem a interpretar uma argumentação complexa, que tem premissas demais, que é como se fosse um período longo na escrita, ela se perde; ela não consegue entender. Aí, o que ela faz?
Ela recusa. Por isso que o jornalismo de opinião faz tanto sucesso, porque não precisa ser inteligente para acompanhá-lo. Se você for uma pessoa com uma inteligência pouco desenvolvida, você acompanha, porque se trata sempre de "eu estou desse lado". Os jornalistas vão criar, evocar os argumentos que lhe parecerem os mais adequados. A gente tem que fazer uma diferenciação justa entre os comentaristas políticos, aqueles que praticam jornalismo de opinião, entre os honestos e os desonestos. A gente tem que ser justo. Os honestos vão se envergonhar de defender fatos absurdos. Agora, aqueles que realmente entendem como funciona o
jogo e o que o público espera deles vão dar um jeitinho de defender. Veja, eu acho que a desonestidade intelectual é um tipo de desonestidade intelectual, mas, ao mesmo tempo, quando você se coloca nesse papel, é o que é esperado de você. O que é esperado de você é que você simplesmente confirme o pensamento das pessoas que estão te acompanhando. É preciso que você simplesmente diga para o seu público: "olha como você é inteligente por gostar desse cara; vou aqui te mostrar um argumento que prova para você que você é brilhante por gostar desse cara",
tá? Ainda que o ato a ser defendido seja simplesmente ridículo, torpe, banal, medíocre ou criticável por quaisquer razões. Existem no jornalismo de opinião os comentaristas honestos. Esses, no Brasil em especial, porque existe realmente uma tentativa — uma tentativa não, uma política que esteve muito em moda entre vários jornalistas da imprensa oficial — daquele isentismo que é uma coisa do tipo "o que me torna superior é ser isento". E aí é sempre uma afetação de isenção. Por que existe isso? Porque, na verdade, quem faz análise, quem tem ciência política e está descrevendo um fato, não tem
compromisso; não está dando opinião, tá descrevendo um fato, fundamentando e explicando o que está acontecendo. E o jornalista de opinião que quer passar por um cientista político ou um analista de fato, ele afeta essa posição. Só que ele afeta essa posição quando ele tem um partido tomado que ele não assume. Por isso que ninguém gosta de pessoa isenta. Contudo, o analfabeto funcional — e nesse meu canal isso acontece tanto que por isso que eu comecei a fazer vídeos educacionais — porque eu falei: "bom, já que as pessoas vêm aqui encher o saco, pelo menos eu
vou oferecer um conteúdo para elas entenderem os problemas que as afetam e dos quais elas padecem". É confundir quando você mostra uma análise com essa afetação do jornalista que é malandro e quer passar por analista; então ele afeta estar isento. Isso é uma coisa muito comum. O analfabeto funcional não vai aprender a diferenciar o analista, o cientista político que está explicando um fato. Se o cara não está dizendo "esse é bom, esse não é", ele vai achar que a pessoa não está sendo justa e está defendendo outro lado. Se não defende, se não acontece o
que ele espera, se não confirma o que ele está ali sedento por ouvir, quer falar: "sim, o seu líder político é legal". Ele já vai falar: "bom, se não está falando o que eu espero, está falando outra coisa". Qual é a única outra coisa que existe? "Defendeu outro lado desgraçado". Mas isso é uma questão de inabilidade cognitiva. A gente não tem que se incomodar com isso; a gente tem que ter piedade, porque é 92% da população brasileira que padecem disso. Vocês leiam os comentários; vocês que estão entre os 88% que conseguem compreender o que ouvem
e o que leem e conseguem se comunicar com o mínimo de habilidade, assistam a qualquer entrevista sobre um assunto político. Peguem esses vários vídeos de analistas geopolíticos sobre a guerra e depois observem os comentários. É um negócio deplorável, o nível de incompreensão. Tá? Uma outra coisa... Que a gente repara falta de critério também, ah, das pessoas às vezes que falam. As pessoas se mascaram, né? A gente tem uma série de propagandistas que se apresentam como analistas. Ah, eu estou aqui prevendo o que vai acontecer, eu sou tua, analisando, e na verdade, no discurso delas, você
tem um monte de Cavalo de Troia que são as narrativas. Esses são iguaizinhos aos jornalistas de opinião; eles têm um partido tomado e eles vão defender e inventar, arrumar todo tipo de argumento verossímil possível para defender esse partido. Mas o que é que eles estão fazendo? Eles são iguaizinhos, o jornalista que afeta isentismo, quando tem um partido tomado. Os propagandistas são todos assim e o pessoal não percebe, às vezes, né? Acham que o cara é analista. Tem vários desses que passam e vão em programas assim relevantes e isso só piora a nossa confusão total, tá?
A nossa confusão mental. Enfim, o que vocês precisam compreender, vocês que estão entre os 88% que realmente compreendem o que ouvem e o que leem, é que existe um papel distinto do jornalismo de opinião e da ciência política. A ciência política é aquilo que nos permite realmente compreender o que está acontecendo no que diz respeito à realidade política. Então, evidentemente, ela vai estar ancorada em fatos. Ela depende de conhecimento histórico. Por que conhecimento histórico? Porque é um conjunto de possibilidades dos padrões políticos já conhecidos que, evidentemente, alimentam a imaginação e as estratégias dos políticos em
atividade. Digamos que o ser humano pratica política desde o momento que ele existe, tá? Ah, nós somos seres políticos. Então, desde que o mundo é mundo, existe política. Os padrões de estratégia são assim. Muitos são vários, mas os padrões se repetem ao longo da história. Por que os padrões se repetem ao longo da história? Porque o ser humano é sempre o mesmo e, na disputa pelo poder, a gente observa padrões, né? Outro dia eu citei aqui para vocês quando eu estava falando dessa história da Rússia, da Ucrânia, do Trump, do Putin. Eu mencionei para vocês
a questão do império: o império nunca sabe o seu tamanho; a sua extensão tende a cair, né? Que é algo que foi dito pelo Tdes. Mas veja o que o Tdes, que escreveu a história da Guerra do Peloponeso, foi tão importante porque ele identificou um drama que depois se repetiu ao longo de toda a história, que é o seguinte: o império emergente sempre incomoda o império estabelecido. Então, quando você tem uma potência estabelecida que está no topo e ela vê outra ascendendo, ela se incomoda, que foi o que aconteceu entre Atenas e Esparta. Isso é
um padrão que, se você assistir a qualquer analista geopolítico de verdade que estude o assunto ou qualquer historiador de guerra, historiadores de guerra, cientistas políticos, analistas e professores de geopolítica, eles vão sempre mencionar isso. Todos os que sabem entendem porque é algo que, daquela época até hoje. Veja, a gente tem esse registro literário; provavelmente aconteceu antes, mas, como a gente teve esse registro por um livro que é importante, a história da Guerra do Peloponeso, o negócio depois se tornou associado a esse paradoxo, tá associado a esse dilema, tá associado ao nome dele. Mas os analistas
percebem maneiras diferentes de se resolver, né? Mas quase sempre acaba em guerra. Então, você tem uma potência estabelecida que assiste a uma potência em ascensão. Ah, vai se incomodar; em geral, vai ter guerra. Nem sempre, mas quase sempre. Esse, por exemplo, é um padrão, é um padrão de política externa, de política internacional. Veja, é um padrão que acontece entre nações distintas, né? Esse é um padrão. Existem vários outros padrões de comportamento político que, quando você tem conhecimento histórico, ahã, e quando você reflete nas razões de ser da vida em comum e o que o ser
humano busca com ela, o que nós queremos com ela e quais são as consequências naturais da vida em comum, para que nós a tenhamos de forma estável, a gente tem um instrumental que é chamado de ciência política. E dois grandes cientistas políticos da história foram Platão e Aristóteles. Foram eles que entenderam a realidade da política. Platão se ocupou muito da relação entre as aspirações espirituais do ser humano e a forma como isso na exterioridade, nas relações que nós temos uns com os outros, se manifesta. Digamos que almas desordenadas têm como extensão uma vida ética e
política desordenada. Então, a gente tem períodos de instabilidade, confusão, erro, briga de facção, quando a gente está numa comunidade, numa sociedade com pessoas completamente desordenadas, né? Esse foi um fenômeno que chamou muita atenção dele. Mas um outro fenômeno que Platão observa, que se torna um instrumento da ciência política perene, é o fato de que, para que nós sigamos as leis, para que nós realmente cuidemos, por meio das nossas atitudes, da estabilidade de um estado, nós precisamos, digamos assim, estar ancorados em exemplos. E é como se a gente precisasse de espécies de reservas morais, aquelas pessoas
que são os grandes líderes que apontam a direção. Isso explica o fato de os grupos políticos, né, os grupos sociais valorizarem tanto seus heróis, por exemplo, né? No caso do Platão, o tipo de herói que ele considerava mais saudável para a gente ter essa estabilidade política. Veja, para Platão, ele tem consciência de que política é algo tão dinâmico que nenhuma comunidade se mantém estável por muito tempo. Mas, para que a gente tenha o mínimo de estabilidade, ah, esses grandes exemplos têm de ser homens os mais virtuosos possíveis. Por quê? Porque os homens capazes de renúncia
e de renunciar aos seus interesses pessoais pelo bem. Comum são tão admirados pelos demais que os demais aprendem que, para viver em comunidade, é preciso renunciar um pouco; ou seja, obedecer às leis. E aí a gente consegue ter estabilidade. Isso é algo que ele observa num diálogo maravilhoso chamado "As Leis", né? Que deve ser lido sempre em conjunto com "A República". Já Aristóteles, na sua Política, nos oferece inúmeros instrumentos, e um dos mais importantes é a sua diferenciação entre quantidade e qualidade, aplicada aos regimes políticos. Aristóteles diz o seguinte: as pessoas discutem muito qual é
o melhor tipo de governo, se é a monarquia, se é a aristocracia, se é a democracia. Mas veja, isso não faz tanta diferença, porque isso se refere à quantidade. Na aristocracia, nós temos poucos governando; na monarquia, nós temos um; na democracia, nós temos muitos. Só que o que determina se uma forma de governo é boa ou não é a sua qualidade. Então veja: uma democracia justa pode ser perfeitamente considerada um bom regime. É nesse ponto que ele dista um pouco de Platão, que tem uma desconfiança absurda da democracia, porque Platão entende que a democracia sempre
vai degringolar em demagogia e acabar em tirania, e ele explica por que ele pensa assim, e é uma reflexão importante que a gente observa se realizar ao longo da história. A democracia realmente é um regime que, hoje, a gente sabe, está numa era em que temos demagogia para todo lado, né? A demagogia é um pouco atônica da nossa época, das nossas democracias; a demagogia tem um papel importante, né? Por quê? Porque o populismo voltou com tudo. Para Platão, a democracia é um falso regime, porque o que a gente sempre tem é uma espécie de aristocracia
dos bons oradores. Mas veja: se esses bons oradores vão levando as pessoas para caminhos errados e se aproveitam de sua capacidade de sedução e começam a ter um discurso demagógico, eles podem se tornar também heróis populistas. E o populismo para o autoritarismo é um salto. Por isso Platão entende que a democracia vai acabar em tirania, porque ele considera que, como a demagogia é sempre um risco da democracia, ela vai produzir uma espécie de líderes carismáticos, que é o que a gente chama hoje. Esse ali não usa essa terminologia, mas vai produzir esses líderes muito amados,
em que as pessoas vão depositar todas as esperanças. Esse cara está a um passo de ser um tirano. Entendeu por quê? Porque ele tem os corações. Se a gente observar vários regimes ao longo da história, a gente vê que isso é verdade também. Mas Aristóteles tem um ponto que não pode ser deixado de lado: de fato é a qualidade do regime. A qualidade conta mais que a quantidade. O fato de serem muitos, poucos ou um governando é menos importante do que a qualidade dos governantes. Nesse ponto, ele até está com Platão, porque Platão entende que
almas ordenadas vão gerar bons governantes. Só que Aristóteles resolve esse ponto de uma outra forma; ele fala: "olha, democracias em que aqueles que estão governando são homens justos podem funcionar perfeitamente", porque você vai ter alternância de poder entre homens justos, capazes de renúncia, de amizade, de agirem bem uns com os outros e de darem esse exemplo. Aristóteles tem um ponto fundamental: a qualidade conta mais que a quantidade; é a justiça que é o lastro dos bons governos e não a sua forma específica. Bem, eu estou dando esses dois exemplos; são inúmeros os exemplos que a
gente encontra na obra de ambos, né? Por isso que eu tive esse meu projeto, numa ascensão da inteligência, de analisar. Realmente analisei todos os diálogos de Platão; agora estou analisando a obra aristotélica, porque é um repositório que a gente precisa dominar, né? Mas para explicar para vocês a diferença de alguém que já tem esse cabedal de conhecimento, que são argumentos complexos, baseados na tentativa de compreender o real, como é que uma pessoa dessa vai falar de um fato de um político qualquer? Ah, ela vai prestar atenção no que aconteceu, no que a pessoa está fazendo,
na qualidade das ações, nas consequências das ações, na qualidade da prudência daquele que agiu. Ela não vai, evidentemente, reproduzir elogio ou impropério a favor ou contra tal pessoa por ter um partido tomado. Vocês entenderam a diferença? O jornalismo de opinião não é sempre fazer edificar um elogio, erigir um elogio ou exibir um discurso condenatório. Então, são discursos laudatórios ou condenatórios, né? O jornalismo de opinião não passa do plano da retórica; os argumentos têm que ser verossímeis, não precisam ser verdadeiros, nem prováveis, muito menos certos. Os raciocínios de quem tem ciência política e dos analistas políticos
são prováveis, porque essas pessoas têm um compromisso em entender o que está acontecendo. O jornalista de opinião tem o compromisso de mostrar por que o grupo político com o qual ele está comprometido é melhor que o outro, e por que esse que não é aquele com o qual ele está comprometido é ruim e deve ser destruído. Então, essa é uma diferença muito importante. Tá, agora como é que a gente consegue? Todo mundo frequenta jornalismo de opinião, a maioria das pessoas, né? Eu confesso que eu não tenho muita paciência, porque as pessoas no Brasil são muito
mal formadas, têm pouca cultura e a argumentação é sempre muito repetitiva. Às vezes, eu até paro para ouvir os programas de jornalismo de opinião; parece que estou vendo a Escolinha do Professor Raimundo. Às vezes eu paro, e não aguento nem cinco minutos. Mas por quê? Porque as pessoas subestimam o público. Nós, o público, merecemos ser respeitados, e os jornalistas deveriam respeitar mais o público. Jornalistas de opinião, mas não é. O que acontece? Por quê? Porque a massa do público realmente não é muito exigente. Só que o público não é feito só dos 92% de analfabetos
funcionais; o público também tem esses 88% que entenderam o que está acontecendo, e esses são plenamente capazes de ver um jornalista de opinião falar e dizer: "Nossa, mas ontem você falou outra coisa, porque quem agiu assim foi o seu adversário. Hoje você está defendendo isso", e é o que eu estou vendo acontecer no caso do alinhamento do Trump com o Putin. Assim, eu morro de rir, tá? Eu não vou nem comentar o que os jornalistas de opinião estão falando, porque é um desfile das narrativas elaboradas pelo grupo de marketing do Steve Bannon, nada mais. E
como é que eu sei? Como é que eu imagino que seja isso? Para mim, é muito provável que seja, porque todos estão falando a mesma coisa. A estrutura da fábula, da historinha da Carochinha, é a mesma. Então, quais são as regras? Bom, a regra é a seguinte: nós sabemos que os Estados Unidos sempre foi meio que um líder do Ocidente e um xerife do mundo. Ele agiu com o mundo de forma que disse ao mundo: "Eu vou proteger todo mundo." Daí vem, inclusive, o seu poder. O seu poder veio daí: "Eu vou proteger todo mundo,
não precisa investir em segurança, estou aqui." Visto em outras coisas, a Ucrânia, que tinha armas nucleares, foi Bill Clinton que intermediou o acordo para eles entregarem as armas nucleares. Foi uma burrice da Ucrânia, com certeza, mas os Estados Unidos tinham essa política de se apresentar como pacificador e de dizer às nações: "Vamos tentar uma geopolítica equilibrada", no sentido de "Eu me responsabilizo. Eu, que sou a maior potência militar, me responsabilizo em não permitir que o ocidente seja atacado, né? Por eventuais inimigos, que as nações soberanas não sejam invadidas injustamente." Uma invasão a uma nação soberana
é sempre injusta, e eu vou ter essa posição, tá? Os Estados Unidos construíram essa posição; ele que propôs esse modelo ao mundo, e ele propôs esse modelo ao mundo porque foi o modelo que o enriqueceu absurdamente e deu a ele uma posição de destaque, de meio xerife do globo, né? Ah, e agora o Trump tem uma postura que é diferente, a isolacionista. Tem um componente isolacionista. Eu acho até injusto falar de protecionismo, porque a questão das taxas tem muito mais retórica, muito mais jogo. Veja, não vai necessariamente praticar protecionismo com todos os países, apenas com
aqueles que realmente ameaçam a indústria americana. Então, não dá para dizer que ele necessariamente seja um protecionista rígido, mas o isolacionismo é algo que ele tem demonstrado, mesmo, né? E não é só isso. Esse isolacionismo veio junto com algo que é o seguinte: "Olha, eu não só já não tenho mais nada a ver com vocês, Europa. Eu não só não vou, como também vou ter boas relações aqui com o maior inimigo de vocês atualmente, que é a Rússia." Isso, obviamente, chocou muita gente, porque a Rússia é uma ditadura e os Estados Unidos representam, pelo menos
representavam, uma “óia” democracia. Assim, olha como o modelo democrático é maravilhoso, americano. Isso está na essência dos Estados Unidos, tá? Está na essência, está no nascimento deles. Isso tem a ver com a história americana, com a maneira como o Estado se formou. Aí, de repente, ele começa a flertar com um Estado claramente autoritário, ditatorial, que é a Rússia. Já havia feito isso antes com a China quando tentou: "Ai, vamos trazer a China para perto, industrializar-se." Olha o monstro que virou a China, país do qual nós brasileiros, inclusive, somos dependentes hoje, né? Enfim, isso é outro
assunto, assunto para o pessoal da geopolítica, mas é um fato. E aí, o que acontece? Os Estados Unidos, portanto, traem um compromisso que ele próprio firmou com a Europa. E quando a gente fala de Europa, não, não, vocês não podem pensar apenas na União Europeia; vocês têm de pensar na Europa como um todo. São vários países. Há países globalistas lá, há outros que não. Então, não é assim: a Europa globalista ponto final. Isso é simplista. A gente tem a Polônia, que é um superconservador. A gente tem a Hungria, que é superconservadora. Todos aqueles países do
leste europeu não são exatamente globalistas, tá? É bem complicada. A Polônia é o caso mais claro; a Polônia vem João Paulo II, o maior líder anticomunista do século XX, que carregou nas costas essa luta, esse fortalecimento de uma Igreja Católica que foi vilipendiada pelos comunistas durante a ocupação na Polônia. Ela saiu vencedora em grande medida, tendo como símbolo maior o poder, assim, a capacidade política de João Paulo II. Foi um líder espiritual, evidentemente, mas também foi um grande líder político, né? E aí, a gente tem a Polônia. Então, ela tem, digamos assim, uma consciência clara
do risco revolucionário. Entre os países europeus, é claramente um país muito conservador, tá? Enfim, então, quando a gente fala Europa, não dá para a gente falar: "Ah, Europa globalista, decadente, acabada", tal. Mas a narrativa para justificar a atitude do Trump, que está sendo alardeada, sobretudo, pelo seu vice, Vans, que é um grande agitador de massas e um grande... Ah, ele espalha as narrativas que vocês depois vão ver repetidas por todos os jornalistas de opinião alinhados com o grupo do Bolsonaro, que está alinhado com o grupo do Trump, porque esse é o papel dos jornalistas de
opinião. Eles têm que fortalecer a opinião deles, né? O partido tomar deles. Ah, o Van vai dizer: "A Europa é inimiga, porque a Europa abandonou os valores." Pera aí, você tá falando de que Europa? Você tá falando do quê? Da França? A Fran, beleza, se aplica. Você tá falando da Alemanha, que fez uma besteira pela pauta ecológica, a besteira de ficar dependente da Rússia, que é um país complicado por causa de uma pauta ecológica? Tá, beleza, se aplica, mas Europa não, não são só eles, né? A gente tem ali os países bálticos, a gente tem
os países do leste, os países que sofreram na União Soviética, que deveriam ser vistos também como Europa porque são Europa, são parte da Europa, né? Ah, enfim, de qualquer forma, não é justificável você dizer que tudo bem, larga a Europa ao Deus dará. Assim, não, não é justificável você dizer que Trump faz isso e é virtuoso ao fazer isso, tá? Não, não é. Foi uma escolha, ele é o presidente, ele faz o que ele quiser e o que ele considerar bom para os Estados Unidos. Ele acha que o isolacionismo é bom, beleza, mas só um
jornalista de opinião para sair arrumando argumentos do tipo “vamos demonizar a Europa para que o público entenda como Trump é bom de deixar a Europa para lá”. Tá, existe um fator positivo no abandono da Europa, positivo entre aspas, tá? Um argumento que até é compreensível. Quer dizer, bom, mas pelo menos ele está estimulando a Europa a se armar, a Europa cuidar de si mesma. Isso, isso faz sentido, porque a Europa, pelo amor de Deus, né? A Europa cometeu muitos erros em termos de estratégia política e militar nas últimas décadas, e basta você olhar pros fatos
que você vai chegar à conclusão que a Europa estava dormindo. Qualquer analista percebe isso. Mas porque a Europa estava dormindo é justo no momento de vulnerabilidade jogar lá aos leões, quando este a Europa dormir teve a ver com uma política elaborada pelos próprios Estados Unidos, não necessariamente, tá claro? É bom que a Europa acorde com toda a certeza, e se a ideia de Trump for fazer a Europa acordar não porque ele queira abandonar a aliança, mas porque ele acha que os Estados Unidos não têm que trabalhar sozinho, tudo bem. Mas a gente não sabe, né,
exatamente onde a história vai chegar. O que a gente sabe é que, para se legitimar essa atitude, a narrativa oficial espalhada por todos é que a Europa é desgraçada, que a Europa é globalista, que a Europa abandonou os valores, que a Europa é inimiga. Isso não é verdade! A Europa não é inimiga dos Estados Unidos, né? Não é verdade, entende? Então, isso é desonestidade, é desonestidade ou animação. Então veja, é preciso que uma pessoa, se ela quiser ter um pouco de clareza a respeito até da justiça das opiniões que ela ouve, tenha um pouco de
capacidade de analisar a realidade com um mínimo de independência. Ela precisa ter o domínio mínimo dos componentes básicos da Ciência Política. Quais são as perguntas mínimas que eu devo me fazer quando o assunto é política? E eu digo para vocês: há 10 questões mínimas que nós devemos nos fazer para começar a entender o que é política. E, ao entender o que é política, quando a gente tiver diante desse joguinho de opinião A e B, A e B, A e B, a gente pelo menos consegue julgar o valor dessas opiniões, porque algumas são boas, outras são
puramente equivocadas. Se a gente não é capaz de julgar, a gente se torna massa de manobra, tá? E isso vale também pros 88% que têm capacidade de compreender, que ouvem analistas e, por isso, já têm uma capacidade melhor de julgar as opiniões, mas que desejam ter mais clareza, né? O bom senso sempre nos ajuda, tá? Quem tem bom senso acaba chegando à verdade, mas bom senso, quando se trata de política, depende de conhecimento histórico, ah, que depende de certos padrões, e depende do domínio das pelo menos das 10 perguntas fundamentais. Você precisa ter um tipo
de conhecimento objetivo que, aliado ao seu bom senso, vai te ajudar muito. Então, eu queria convidar a esses 8% e mesmo porque entre os 92% que têm dificuldades de compreensão, tem pessoas que querem sair disso, entendeu? Que não querem ser analfabetas funcionais para sempre. E aí, como é que eu deixo de ser analfabeto funcional? Se expondo a pessoas que não subestimam sua inteligência, porque aí você não vai ter inteligência atrofiada, ela vai, aos poucos, se abrindo. Mas aí, se você tiver realmente boa vontade de abrir o coração e dar um voto de confiança para quem
está fazendo análise e Ciência Política na sua frente, se você fizer isso, você vai aprender e sua inteligência vai, aos poucos, se abrir, entendeu? Porque todos nós, no começo da vida, não sabemos nada, mas o que define a pessoa que aprende alguma coisa daqui a envelhece sem ter aprendido é uma vontade de querer saber, uma mansidão diante da verdade, tá? Aquela pessoa que tá me dizendo que ela vai me ajudar, me dar instrumentos para eu entender, para eu conseguir buscar a verdade nisso que eu tô vendo, que tá confuso para mim: “Você, Mansa, vou acatar,
deixa eu ver se ela realmente me ajuda.” É dar um voto de confiança à pessoa que tá dizendo: “Ó, eu honestamente tenho algo para te ensinar.” E é isso. Então, eu queria convidar todas as pessoas, os 88% que são capazes, e as pessoas que querem sair do analfabetismo funcional em termos de serem capazes de avaliar corretamente essa confusão de opiniões emitidas pelos jornalistas de opinião, que, em geral, são líderes de torcida. Alguns que são até melhores, tá? Tem alguns que se destacam, mas em geral, os bons nunca são jornalistas de opinião, são analistas. Né? Tem
um que escreve para revistas que é o Flávio Gordon, mas o Flávio Gordon é um estudioso. Então, o que ele faz é sempre análise; nunca é torcida. Né? Esse pessoal da torcida, em geral, tem os programinhas de debate – debate não, né? – de suposta análise, mas não é análise, é comentário. Né? Comentário político, em geral. Aí é você ter jornalismo de opinião. Tá? Ah, o canal PH Vox, por exemplo, que é um canal de análise geopolítica, tem compromisso com a verdade. Então, primeiro, se descreve o que está acontecendo. Aí, no final, Paulo Henrique Araújo
e o senhor Sepulvida dão uma opinião, falam: "Olha, diante de tudo que aconteceu, eu penso que a A, B ou C." Mas veja, quando eles dizem isso, eles falam: "Olha, agora eu já não estou no plano da análise, eu estou no plano da opinião." Isso é honestidade intelectual; é quando você diz: "Isso aqui é a minha opinião." Por exemplo, posso fazer isso para vocês: na minha modesta opinião, a alteração dessa ordem unipolar que a gente tem para uma disputa imperial aberta, o rearmamento da Europa e o futuro – daqui a alguns anos, né? – a
gente sabe que a China vai começar também a dar os pulos dela. Isso vai afetar os Estados Unidos, e a gente pode ter, sim, eu acho que é inevitável, uma terceira guerra mundial. A gente ainda não está nela, mas ela está se construindo na nossa frente. Tá? Ela está se construindo na nossa frente. Então, só no futuro a gente fala: "Mas onde que a gente vai datar a terceira guerra mundial?" Porque ela está acontecendo. Mas para que exista guerra mundial, a gente tem que ter Estados Unidos e China envolvidos, pelo menos, que são duas potências.
Né? Não basta só a Rússia e a Europa. A gente precisa dos Estados Unidos e da China. Mas isso, dentro de alguns anos, muito provavelmente vai acontecer. Muito vai acontecer. E quando Trump diz para os Elens que ele humilhou os Elens na Casa Branca, vocês podem comemorar que ele tem humildade. Agora, um jornalista de opinião que diz que foi um horror ele ter usado terno; tá só repetindo o que o Steve Bannon falou antes. Isso foi o briefing do Steve Bannon. Porque o Elon Musk anda de terno onde ele quer. Isso não é um problema,
entendeu? E os Elens são os líderes de um país em guerra, um país pobre. Né? Eu não vi nenhum jornalista de opinião falar quanto que o presidente da Ucrânia ganhou por ano. Conto para vocês: o equivalente a R$ 75.000. É dividir por 12. R$ 75.000, vocês vão ver quanto ele ganha por mês. R$ 75.000 por ano! Veja quanto ele ganha por mês e aí vocês falam: "Dá até pena." O pessoal dos Estados Unidos, todos com ternos lindíssimos, reclamando de um cara do país em guerra. Assim, veja um líder de um país em guerra. Quem não
se lembra do Churchill na Inglaterra quando a Inglaterra estava sendo bombardeada pelo Hitler? Ele o tempo todo estava de capacete e macacão porque ele queria dizer para as tropas que ele estava com elas. E os Elens imitam um pouco essa postura, né? Não estou comparando os dois, tá? Só estou dizendo que é uma postura natural de uma nação que está sendo bombardeada por outra e que está vendo o seu povo, seu exército sofrer. É na indumentária mostrar a solidariedade porque política é teatro, é representação. Então, quando ele está ali, simples e não de terno, tomando
champanhe, na verdade ele está fazendo o quê? Ele está sendo decoroso com os soldados dele em campo de batalha. E não é só ele que faz isso. Isso é uma coisa comum de líder de país em guerra, tá? Agora, por que Trump está, né? De flirt com o Putin, que ensinou todas as pessoas a odiarem os Elenski por ser corrupto, como se a Rússia não fosse ainda mais corrupta que a Ucrânia. A corrupção ali, a Rússia é muito pior, tá? Se o problema de vocês for a corrupção, né? "Ah, mas ele é um ditador." Tá,
mas não é desculpa. Perto do Putin, ninguém é ditador. Só o Xi Jinping chega perto. Então, assim, vamos olhar a realidade como ela é. "Ai, mas eu não gosto dele." Tá, mas quem tem que gostar dele são os ucranianos, não somos nós, né? A questão é que ele foi humilhado mesmo. Foi humilhado e reagiu mal. E aí o encontro foi aquela catástrofe. Todo mundo viu aquela catástrofe. Não muda o fato de que ele foi humilhado. E se ele foi humilhado por um presidente que não fez nada do Putin, que é um cara que causa problemas
em muitas nações há muito tempo, a gente percebe que tem um pendor. E aí todo mundo começou a repetir, né? Um discurso para dizer: "Não, um discurso que... Prática eu vi muitos analistas dizerem: 'Ai que horror, ele não está de terno.'" Mas pera aí, não acredito que eu estou ouvindo isso. Jornalista de opinião, né? Por quê? Porque o que eles têm que dizer é o seguinte: "Ele merece ser maltratado." É basicamente uma maneira indireta de falar: "Ele merece ser maltratado. Eu estou gostando, quero mais é que Trump maltrate, que esse cara é um folgado." Então
você demoniza a figura do presidente do país em guerra que está tentando se livrar da influência de uma ditadura muito poderosa que é a russa, porque a Ucrânia está tentando fazer o que as nações eslavas, assim, as nações ali da Europa do Leste, já fizeram antes dela. Porque foram muito mais. Né? A Ucrânia estava ali na sua influência russa. Então, a Ucrânia, digamos assim, é o último país da Europa do Leste a tentar se livrar da influência russa e talvez não consiga. Né? Talvez não consiga se tudo continuar como está. Perde a guerra, né? A
Europa vai reagir. A gente não sabe, mas enfim, de qualquer forma, a análise que foi feita daquele encontro não correspondeu à realidade; foi um jogo de propaganda, entendeu? A das pessoas que defenderam, porque é indefensável o que aconteceu na Casa Branca. O Van fez um papel que só foi bem representado pelos humoristas do Saturday Night Live. Quem não assistiu, assista; você morre de rir apenas com os caras do Saturday Night Live. Ah, mas eles são progressistas. Mas o que eles fizeram, a piada que eles fizeram, foi perfeita porque diz respeito exatamente ao que aconteceu lá,
entendeu? E se a gente perde a capacidade da realidade, a gente não consegue nem falar "nossa, mas esse jornalista de opinião aqui, hein? Caramba, ele forçou aqui". Então, por isso que eu convido vocês a uma aula aberta que eu vou dar nesta segunda-feira, dia 10 de março, tá? É sobre essas dez questões fundamentais que a gente precisa dominar para ter um mínimo de Ciência Política, um mínimo para a gente até conseguir atribuir o valor correto aos jornalistas de opinião e selecionar um pouco melhor os analistas que a gente escolhe. A gente tem que separar os
analistas verdadeiros dos jornalistas de opinião que fingem ser analistas. A gente tem que separar as duas coisas. E veja, isso é uma coisa. O ganho que a gente tem, qual é? O ganho que a gente tem é, pessoal, esse é o ganho pessoal que a gente tem, sobretudo se você tem uma atividade política. Porque se você que é um ator político, um agente político, uma pessoa que tem interesse em participar da política e não tem capacidade de ter sua visão, você vai ser massa de manobra dos outros, e você sempre vai ser faxineiro dos outros.
Você não vai ter nenhuma capacidade própria, que é o que a gente observa em grande parte da classe política brasileira: pessoas que são desclassificadas e, por isso, ficam na mão dos que são mais qualificados, né? São, assim, completamente incapazes de entender a realidade da política e caem em narrativas. É todo esse pessoal que falou "Trump vai ganhar", "não vai ter terceira guerra". Eu ouvi isso de pessoas próximas e eu falando "hã, duvido". Se Trump realmente bater o pé na postura isolacionista, o que ele vai fazer é apressar o começo da Segunda Guerra, só isso. Da
Terceira Guerra, ele vai apressar. Entendeu? Não é que ele vai impedir. É evidente que nos quatro anos de mandato dele não vai acontecer, mas não vai acontecer porque o plano da China de atacar Taiwan demora um pouco mais. Sete anos. O pessoal que estuda monitora. Procure os analistas que estudam a todo preparo pelo qual a China passa antes de se meter a invadir Taiwan para tentar conquistar aquele mar. Tem pessoas que realmente estudam isso e dizem para nós, com categoria, com propriedade. Essas pessoas acompanham o monitoramento internacional que se faz do armamento, do progresso no
armamento pelo qual a China passa, que vem lá de trás, mas tá se ampliando. A China precisa chegar num ponto X para poder começar a invadir. Aqui, lá. Entende, né? Agora, então, é muito fácil falar "não, no governo Trump não teve guerra". Não, mas essa aí ele está praticamente, ao tirar os Estados Unidos dessa posição de manter essa estabilidade do mundo, ele tá deixando com que o tal do eixo da ditadura veja o caminho das guerras abertas, né? A guerra não vai virar, não vai virar no mandato dele. Uma virada depois, a guerra mundial, e
aí o próximo presidente americano vai cair no colo. Então, a gente vai lá. Daqui a quando vocês tiverem essa noção, quando o estouro acontecer, daqui a cinco, seis anos, vocês vão estar prontos. Vocês não vão se chocar e vocês não vão cair nessa narrativa de "ai, olha, na época desse presidente não aconteceu". Porque isso é discurso populista, isso é narrativa, narrativa feita para manter a aprovação em alta, que é normal. Político faz isso mesmo. Agora, você quer ser massa de manobra de político para sempre? É isso que você quer para sua vida? Ser massa de
manobra de político e, pior, de jornalista de opinião que ele próprio é agitador, é ti leader de político? É isso que você quer para sua vida? Porque eu acho que você merece mais. Eu acho que eu mereço mais. Me afastei desse mundo por isso, porque eu falei "Deus me livre! Que vergonha fazer algo melhor". A minha vantagem com relação... Já trabalhei com jornalismo de opinião, mas a minha vantagem com meus colegas na época e a minha vantagem com as pessoas que se mataram para entrar nesse mundo é que eu estudei bastante, entende? Eu estudei bastante.
Então, as coisas que eu falava não eram por compromisso com o grupo político; era porque elas tinham relação com valores que eu defendia e defendo até hoje. Quando o Bolsonaro foi lá falar que ele era solidário com o Putin, eu falei "pelo amor de Deus, que estupidez!". E quando eu vi o governo Lula comprar diesel da Rússia, financiando a guerra da Rússia contra a Ucrânia, eu falo "é um aliado do eixo da ditadura, esse Lula! Deus me livre! Um cara que não consegue condenar a Venezuela. O Bolsonaro, pelo menos, a Venezuela ele condenava, pelo menos,
melhor, menos pior". Mas também, no final das contas, tava ali dando a mãozinha para um ditador. Isso não dá para passar, entende? Não dá. Porque ele falou "veja, o compromisso com grupo político te desqualifica como analista". Você perde a capacidade de análise. A gente viu ali o superman, um cara bonito, carismático, todo mundo adora ele, o Marco Antônio. Infelizmente, ele apanhou do Mamãe Falei, que não é ninguém, que é um político assim, cara, que não tem leitura, um cara com uma cultura política… Bem mediana, mas pelo fato de ele não ter compromisso com grupo político,
ele conseguiu falar mais livremente e acabar com o super-homem que ficou quieto ali no debate dos dois. Vech minoso, aquilo tá... isso a gente pode ter mais do que isso, né? Porque se a gente só consegue falar entre os nossos iguais, como é que a gente defende os nossos valores? A gente não consegue converter os próximos para perceber que nossos valores são melhores por meio de um real respeito à verdade e sem subestimar a inteligência do próximo. Como é que a gente cresce, faz crescer, inclusive a adesão à nossa visão política? Como que faz? Porque
acreditem, a verdade sempre vence. Tá, por isso que dominar os elementos básicos da política, as 10 perguntas principais, vai te ajudar a diferenciar a análise política de jornalismo de opinião. Vai te ajudar a filtrar os jornalistas de opinião que você segue e vai te ajudar a respeitar o quanto que a análise e a ciência política, das poucas pessoas que praticam isso, te ajudam, inclusive a entender os seus compromissos políticos. Vou deixar o link na descrição. Se você gostou dessa conversa de hoje, você vai gostar ainda mais da conversa que a gente vai ter na segunda-feira.
Tá, já se inscreve, ativa a notificação. O link da live tá aqui embaixo, entra nesse link e pede para você ser notificado do momento que eu vou entrar ao vivo. Vou entrar ao vivo às 5 horas da tarde na segunda-feira, tá bom? E aí você perceberá o bem que isso te fará. Então espero você na próxima segunda-feira, às 5 da tarde, para a nossa aula sobre esses elementos básicos da política. Muito obrigado pela companhia! Se você gostou desse vídeo e acha que ele pode ser útil para alguém que está muito contaminado, intoxicado por esse ambiente
de confusão mental, compartilha com essa pessoa, tá? Compartilha para que ele tenha relevância e chegue a mais pessoas. Porque eu fico aqui dando a aula aberta, mas eu não sou uma pessoa que investe em promover meus vídeos, tá? Então eu dependo do compartilhamento. Se você acha que esse conteúdo é bom, eu peço que você compartilhe, porque eu tenho outras atividades. Eu sou professora, eu não sou exatamente youtuber. Isso aqui não é minha ocupação principal, tá? Aqui é uma ocupação secundária, então eu não promovo meus vídeos, eu não impulsiono com publicidade, tá bom? E aí eu
peço, então, vocês que gostaram, que por favor sempre compartilhem esses vídeos desse canal. De resto, muito obrigada pela companhia e até a nossa aula aberta!