Agora então continuaremos ouvindo o professor Aldo falando agora sobre a vida dele em Sorocaba, como padre enviado à TT, como auxiliar do monsenhor Sola. Eu tive pouco tempo, alguns meses apenas, mas eu faço questão de lembrar. 12 pontos é padrinho novo, cheio de ideias.
Eu procurei agir de uma maneira que não agradou muito ao vigário. Dois exemplos: procurei logo contato com engraxates, meninos ali ao redor da matriz. Antigamente, era até meio de subsistência para muita criança.
Organizar o Natal do engraxate; eu me lembro que fiz até uns versinhos. Se depois, na caixa de engraxate deles, impressa, li "Natal de engraxar", que me lembro dos versos, não agradou muito o vigário. Uma outra vez, fui atender um doente que me chamou.
Quando eu voltei, levei um "pega padre" no andar de charrete. Houve, inclusive, engolir, mas é claro, discordei totalmente. Mas isso mostra um pouco do meu tipo.
Eu acho que, como padre, procurei trabalhar de uma maneira séria, voltada, e entreguei-me inteiramente. Foram muitos anos na vida do clero; acho que 20, 22 anos. Assumi o programa na rádio Cacique toda a tarde, às 6 horas e 56 minutos.
É justo. Trabalhei na criação, como diretor do Datafolha Popular, da folha. com por lei e não foi Diário de Sorocaba, mas Folha Popular, que era o jornal da igreja daquele tempo.
Éramos três padres, não entende? Éramos três padres e dois treinos para criar o jornal. Cada um tinha que entrar com algum dinheiro.
Eu entrei com. . .
que dinheiro nenhum! Eu entrei doando a minha máquina de escrever para que a redação funcionasse. Por causa desse jornal e por causa da rádio Cacique, eu me lembro que um dia alguém pôs o revólver no meu peito, ali na rua Padre Luiz, me encostou na parede e falou que eu só continuava falando e escrevendo essas coisas.
Não terminou a frase. Eu só disse: "Olha, eu acho que estou fazendo a minha vocação. " O que eu falava?
Eu falava da vida operária, explorada, terrivelmente explorada, nas fábricas de tecidos da cidade. Eu falava de um certo internato na cidade que hoje fala-se claramente sobre abuso sexual. Naquele tempo não se falava, mas sabia-se que havia problemas, e essas coisas não agradavam a certas pessoas.
O outro ponto que marcou muito meus anos na vida do clero foi o trabalho com os operários, a JOC (Juventude Operária Católica), uma grande organização mundial que começou na Bélgica. Quase Cardan é que criou, lá na Bélgica. Eu me lembro que uma vez eu estava ainda na filosofia, no seminário central de Piracicaba, e ele veio ao Brasil e fez uma palestra no Mosteiro São Bento.
Foi uma palestra aberta; eu fiz questão de ir. Ele falava francês, e me lembro bem que entendia tudo e me impressionou. E o quadro era entusiasmante.
Lembro, não sei por que associei a figura dele a um gato que pulava no palco, era assim, uma grande atividade. O que ele propunha era justamente que o operário é fundamental na construção do mundo e na construção da igreja. Mas ele era filho de um pai que trabalhava em mina de carvão, lá na Bélgica.
O operário tem que ter um salário justo, ele tem que ter a possibilidade de construir a sua casa, construir a sua família. Então, eu me dediquei muito à JOC. O que eu fazia em Sorocaba e o que eu fiz depois em Votorantim: eu fui não só padre, professor no seminário e professor na faculdade de filosofia, mas eu fui também o criador da paróquia na Vila Progresso.
Um dia, eu falei a Dom Melhado, humilhado, há uma parte da Vila Santana, bem lá embaixo, a Vila Progresso, que não é uma paróquia. Não dá para criar paróquia. Muitos colegas meus dizem: "Você fala bonito, eu quero ver você na paróquia!
" Aí, dá uma olhada, popô, vamos criar. Eu peguei Dom Melhado, depois do meu fusquinha. Ele era um homem grande, mas coube, como diz o outro, cabelo.
E fomos lá; ele circulou um pouco. No dia seguinte, ele criou a paróquia. Depois, também fui ligar em Votorantim.
De novo, os padres da paróquia de Votorantim eram da Congregação da Consolata, uma grande congregação de origem italiana. Eles resolveram não continuar mais lá. A diocese local estava no impasse.
Eu me ofereci e fui nomeado por Dom Melhado de novo vigário de Votorantim. Isso já em 1971. Qual era o meu trabalho com a Juventude Operária Católica?
Era com pequenos grupos, jovens rapazes e moças em Votorantim, em Sorocaba. Em Sorocaba, no cerrado, em Sorocaba, na ponte, pequenos grupos que se reuniam uma vez por semana à noite, a partir de um foguetinho que vinha da JOC Central Brasileira e a partir de uma reflexão evangélica sobre isso: a dignidade da pessoa humana, o valor do batismo, o valor da cidadania. Conceitos básicos que não tinham nada de marxismo, nada de comunismo, mas mais o que a minha prisão, a minha prisão em 1964, cinco dias depois do golpe, com essa acusação.
"O seu nome foi visto na ata do partido comunista aqui em Sorocaba. " Eu falei que era tempo de João 23, hoje papa Francisco, naquele tempo o grande papa João 23, que era citado até pelos comunistas. Por que?
Porque ele ensinou que a igreja é mãe e mestra; é o título de uma grande carta que ele mandou ao mundo, Mater et Magistra, o autor também da outra grande carta, Pacem in Terris. A partir da data do respeito aos princípios e os direitos fundamentais humanos. Então ele era citado.
Eu falei ao delegado, lá na General Carneiro: "Eu garanto que se olhar bem a ata do partido, uma vez ou outra vai aparecer o nome do papa. Ele não é comunista, não. " Eu te vi.
Eu recebi ordem de São Paulo. O foguetão, então, o que o senhor vai ser? Presa?
Onde o senhor escolhe? Pode ser lá no quartel, por exemplo. Eu falei: "Onde estão os outros dois que foram chamados comigo?
". O vereador Santana Guimarães, socialista, não era ateu, mas era agnóstico, e o grande doutor Agnaldo Liz Schutter, católico. Quantas vezes ele ajudou a minha missa em latim, naquele tempo!
Ele lá que foi prefeito, que foi vice-prefeito e prefeito! "E onde estão os outros dois? " "Ainda estão presas aqui mesmo: Lázlo Carneiro.
" E o senhor quer uma cama? Alguma coisa especial? Não!
Como é que estão os outros dois? É colchão no chão. Tocou o show no chão, mas logo no outro dia o bispo auxiliar de Dom Aguirre se mexeu bastante.
Foi a São Paulo, conseguiu o bi, a não libertação, mas a minha passagem da cadeia para o seminário, onde eu era professora. Então, lá dentro, continuando a ONU, mas sem poder sair do seminário e, aí, sem poder ir à faculdade de filosofia, onde era professor e diretor. Também já era generoso.
Eu entrei na faculdade de filosofia em 1958 para andar na história das religiões. Depois, peguei outras disciplinas, mas também fui nomeado logo depois como segundo vice-diretor, porque o diretor era o São Paulo, Padre Godinho, e o vice-diretor era São Paulo também, Padre João Dias. E eu fiquei como segundo vice-diretor, porque era de Sorocaba e estava muito mais presente do que eles, até que chegou um dia que a bomba estourou na mão do vice-diretor primeiro.
Sei qual foi a bomba: o presidente do Centro Acadêmico Santo Tomás de Aquino, Casta, era de família judia. Eu posso dizer o nome, que só uma glória para ele também: Jaime Pinsky. Jaime Pinsky, pois se tornou professor da Unicamp, e eu fui colega.
Grande registrado, Damiana Pinsky, esposa dele, é grande dona da Editora Contexto. Isso ele resolveu doar para a biblioteca da cidade, uma obra de um grande historiador italiano, Césare Cantù, vários volumes. A obra, que já naquele tempo já era superada, mas que era uma obra importante.
O vice-diretor, Padre João Dias, não recebeu com elegância o presente, pelo contrário, Paulo sonha superado. Por favor, no inter, essa foi uma ferida, a agressão, eu diria uma punhalada, a fita, né? Assim, e Dadá Cristã.
Aí, ficaram discutindo, discutindo a briga. Para aparentemente terminou. Na realidade, não tinha terminado, porque no final do ano à tarde o padre me chamou e falou: "Aldo, eu não venho mais nessa joça".
E pegou os molhos de chaves e jogou na mesa da diretoria. Você veja que vai fazer fabrico de uma guia. Eu fui falar com Dom Aguirre, conta do carro e Dori, bicho, não, então você continua!
Logo que você puder, faz uma eleição, e a vida tem que continuar. E continuou. Foi feita eleição.
Doze meses depois, eu fui a lei diretor da faculdade e fui diretor até 1968. Então, quando fui preso, era diretor da faculdade, fiquei retido no seminário, sem poder sair. Dez dias depois, voltei ao centro acadêmico, corajosamente, e fiz uma sessão Laden, e como é o terror?
Tem um tempero especial na zona de conforto, sei lá. Mas a vida na faculdade continuava tranquila, e evidentemente num clima de censura e muito cuidado. Mas os alunos, lá dentro, nunca foram totalmente passivos.
Sempre ouvi um grupinho que trabalhava com muita inteligência, com muita coragem, no subterrâneo da vida universitária. Dentro desse grupo, posso explicar: Sônia Chebel Neve foi até depois presidente do Centro Acadêmico, assim que veio aqui, já também fez a apresentação narrativa e falou do companheirismo, senhora, durante toda a vida dela. E quanta coisa que vocês fizeram juntos, né?
Eu estou muito junto da formação dela, também fui diretor da faculdade até 68. Mas chegou o momento, em 68, que eu resolvi de novo conversar com o bispo, agora já era Dom Melhado, dizendo: "Eu preciso ir embora, deixar a direção da faculdade". Como por quê?
Porque nós estávamos debaixo de um grande convênio que começou em 58 e terminaria em 68, e a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo financiava a nossa folha de pagamento. Funcionários estavam sem pagamento e os alunos tinham ensino gratuito. Só que no governo de Adhemar de Barros, essa verba demorava um mês, dois meses, três, cinco meses para chegar.
E a alegação era de que o Demoro dirigiava e quanto aquele padreco comunista estiver lá vai ser assim. E se ele falou Dom Aguirre, aí eu falei: "Pô, Dom Melhado já era o bispo, estava ajudando Dom Aguirre". O vice-diretor meu, é muito bom professor, Augusto Tarefa, doutor em Geografia, plena confiança.
Só pode entregar a ele a direção que ele vai trabalhar muito bem e eu vou voltar para Roma, vou voltar, vou fazer o mestrado em Filosofia. E ele topou, autorizou. Fui de novo, bolsa de estudo.
Fui em 11 de julho, nesse caminho para Roma. Fiquei lá 61, segundo evento, 68, 69 e o primeiro semestre de 70, terminando o mestrado. Me lembro que fiz a tese de dissertação de mestrado em filosofia com o professor em hit, o nome italiano, mas ele era francês.
E a tese foi sobre a ação de Bom Delta, ação Bondam. Valeu, bonito também, porque eu voltei depois, vou ter retomado as aulas na Faculdade de Filosofia. Tinha duas matérias que eu iria assumir, que achei muito importantes para a formação dos alunos e para a minha formação.
Matérias novas na casa: fundamentos filosóficos das ciências humanas. Daí surgiu o meu primeiro livro, em 77, e Cultura Brasileira, mostra a disciplina importantíssima que foi criada lá e que me exige uma preparação minha muito grande, porque eu gostaria. .
. a bibliografia era tudo. Livro de 500 páginas ou obras a meio complicadas para o público em geral, né?
Aí eu resolvi até escrever "Cultura Brasileira", que já está também na quinta edição da Viola, é com essa preocupação de mostrar que o que é cultura de matá-lo, e esse é um termo importantíssimo, fundamental para qualquer cidadão brasileiro. Imagina para um universitário, é simplesmente aquilo que o ser humano faz na compaixão da natureza. Quem fabrica o do jogo tem cultura; quem consegue transformar aquele grão de feijão em comida, alimento, feijão é cultura.
Tudo é cultura, tudo é cultura. Não é só quem constrói um prédio, não é só quem escreve um livro. A gente só toma muito cuidado nisso, isso é o pilar democrático de um país melhor.
Se não houver essa noção de cultura, nós continuaremos com luta de classes, queira ou não queira. Tem gente que detesta e tem medo até de ser pressão, mas existe luta de classes. Ele não é só quem é marxista, mas existe a luta de classes, não tenha dúvida nenhuma.
Por que aquela empregada doméstica não come junto com a família que a emprega? Ah, mas nós somos totalmente favoráveis a ela, não damos salário mínimo era registrada, nós queremos que ela sente na nova mesa. É pena que não quer, isso acontece.
É realmente assim, ela que não quer. Por quê? Porque ela percebe a diferença.
Existe diferença. Quero que exista diferença. Isso vai acabar um dia?
Não sei, mas pelo menos que não haja luta travada, que não haja luta querida, que haja pelo menos a luta sofrida, sofrida pela patroa, pelos patrões que não querem essa luta, e sofrida pelo empregado que também não quer, evidentemente, essa luta. Veja, isso é fundamental. E era isso que permeava minha vida no clero, a minha vida no púlpito, a minha vida no microfone, na minha vida na sala de aula.
Evidentemente, isso não agradava e não agrada muita gente. Fazer o que? Eu acho que a gente tem que procurar fazer um pouquinho do que Jesus fazia e do que Jesus quer que a gente faça.
Ele fala tão claramente: "Qual é o pastor que não deixa 99 ovelhas no aprisco e vai atrás da ovelha perdida? " A função do padre não é a sacristia, não é nossa cristia, não é na missa. A função do padre é, se ele para nos sacramentos, ele para na missa, é pra ficar mais embelezado de Jesus Cristo e sair na vida, mostrando da vida que ele respeita o pobre, que ele cumprimenta qualquer pessoa, que ele trata bem todo mundo.
Que ele, no caixa do supermercado, não apenas trata do dinheiro, do cartão, mas ele olha o rosto da moça. Roberto, às vezes eu me pego nesse problema fácil. A compra, uma maravilha!
Quando eu estava no clero, eu fazia a compra, pasta de dente da farmácia, ficou pra meu Deus! É como se eu fosse um anjo. Não, eu não era um anjo, eu era o ministro de Deus, servido por empregada, servido por suas cristãos, servido por secretários, servido por todo mundo.
O anjo tinha tudo pronto, cama, e mesmo assim, no dia de aniversário, ganhava tudo. Só não davam cueca, acho que padre usava cueca. É anjo, sei lá, eu vou longe do gol.
O homem. . .
Mas eu quero dizer, justamente até uma senhora que. . .
É isso que o Papa Francisco está dizendo hoje: "Deus é isso! " E não está agradando a muitos padres, não está agradando a certos bispos, não está agradando a uma meia dúzia de cardeais. Que tristeza!
Mas o Papa sabe disso e toca em frente. "A cruz morreu na cruz", não tem outro caminho, não tem outro caminho. E isso acontece, que acredito é verdade, e é cruz.
A cruz não é nenhum fábula, não é base do tecido; a cruz é a transição para a glória da ressurreição, para a vitória. O nosso grande pastor Batista, Martin Luther King, insiste, além disso, para ele a tecnologia autêntica é a teologia da cruz, que acabou com a morte dele, assassinado, mas que redundou na vitória sobre o apartheid. Roberto, quantas vezes eu trabalhei no Conselho Mundial da Igreja, há algum tempo, e lá eu vi as notícias do apartheid na África.
Tabuleta, seu via, eu lia: "Cachorros e negros proibido naquela sala. " Não podia nem negro, nem cachorro, nem cachorro negro! Que coisa horrível!
Ouvir. . .
Então essa visão cristã na vida do padre, na vida do leigo, na vida de todos nós é fundamental. E essa vida do clero, o meu erro, momento que eu explodi por dentro ou implodi, como assim? Vamos dar uma pequena pausa, pois nós queremos ouvir a respeito desse momento.
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