A geração Z já nasceu conectada. Eles cresceram com um smartphone na mão, Wi-Fi por todos os lados e a possibilidade de falar com o mundo inteiro em segundos. Mas essa conexão não é só digital, ela também é com causas, com ideias e principalmente com a própria saúde.
Estamos falando de jovens nascidos entre 1997 e 2012. gente que viveu a infância em meio a transformações tecnológicas e que agora encara a vida adulta com novas prioridades. E uma delas é repensar o consumo de bebidas alcoólicas.
Para entender esse comportamento, a gente precisa olhar além do copo. A relação da geração Z com o álcool é só uma parte de um cenário bem maior que envolve saúde mental, economia, estilos de vida e até o jeito como eles se divertem. Mas antes de falar sobre o que está mudando no mundo das bebidas, é importante entender quem são essas pessoas.
Diferente de gerações anteriores que muitas vezes seguiram padrões sem questionar, os zoomers, como também são chamados, tem uma pegada mais crítica. Eles pensam, pesquisam, comparam e só então decidem. E isso vale para tudo, desde a roupa que usam até o que colocam no prato.
E, claro, no copo também. Antes de falarmos sobre o álcool, é legal dar uma olhada no que está bombando no estilo de vida da geração Z e entender onde as bebidas entram nesse mix. Já vimos que essa geração está buscando cada vez mais autenticidade e conforto, mas ao mesmo tempo se importa com sustentabilidade e inclusão.
Não é só uma questão de aparência, é sobre como viver de forma mais consciente. E quando se fala de estilo, a geração Z adora um visual oversized, roupas soltas, um resgate de moda vintage, misturando peças antigas com aquela pegada moderna. Mas não é só a nostalgia, não.
Muitos também estão se jogando em brechs, apostando em peças de segunda mão como forma de apoiar a sustentabilidade. E claro, o estilo ginderless também está super em alta. A ideia é que qualquer roupa pode ser usada por qualquer pessoa, independente do gênero.
Mas a geração Z não se resume a simplesmente seguir tendências. Eles se expressam através da moda. Nada de com a corrente.
Eles querem algo único. Se você olhar por aí, vai ver moletons, calças largas, camisetas oversized, até crocs. Eles estão definitivamente longe do básico, criando um estilo que é só deles.
E a relação deles com as marcas, essa é outra coisa bem interessante, hein? Eles não estão só atrás de um produto qualquer. Eles querem algo que vá além.
O foco é em marcas que se importam com questões sociais e ambientais, algo que vai muito além do produto em si. E isso também está mudando a indústria da moda com uma ênfase no slow fashion, ou seja, roupas de qualidade que durem mais e que não sejam descartáveis. A geração Z já descobriu que a vida sem álcool também pode ser super legal.
E quando eles decidem algo é com tudo, não tem volta. Pesquisas indicam que os Zoomers estão consumindo 20% menos álcool do que os millennials. E se você pegar cerveja ou vinho, a redução é ainda maior, 33% a menos do que as gerações anteriores.
Bebê sempre foi parte da vida social, principalmente entre os adultos. Está em todo lugar, festas de faculdade, happy hours, recepções de casamento, aniversários. Esses momentos geralmente estão ligados ao álcool.
É claro que a gente não está dizendo que todo evento precisa ter álcool ou que todo mundo precisa beber longe de mim. Tem muita gente de todas as gerações que não bebe. E isso até pouco tempo atrás não impactava as normas sociais e o consumo em massa.
Agora o que tá rolando é que as taxas de consumo estão despencando. Bares e baladas estão com dificuldades para atrair os jovens. Desafio agora é como entreter essa galera, principalmente a que não está mais nessa vibe de ficar bebendo.
No começo, isso poderia parecer só mais uma tendência, tipo o retorno das calças boca de cino ou um penteado novo da geração. Mas não, não é só isso, não. Estamos falando de algo que está remodelando mercados, mudando estratégias de marketing e até influenciando o futuro do álcool.
A má notícia para a indústria é que bilhões de dólares já foram investidos para fazer o álcool parecer essencial na vida adulta. E agora o público que mantinha os bares lotados e vendia toneladas de bebidas está desaparecendo. Estamos falando dos Zoomers mais velhos, aqueles que já passaram dos 20 anos e que até 2025 vão ter até 28 anos de idade.
Eles estão entrando no mercado de consumo, fazendo suas próprias escolhas, se deixando influenciar por marcas e tendências. E sim, é eles quem estão moldando o mercado agora. São eles que têm o controle.
O poder está nas mãos deles. Se decidirem que, por exemplo, o tempo seco é o novo normal, pode apostar, vai ser o tempo seco o ano todo. Estatísticas revelam que 70% da geração Z está escolhendo bebidas não alcoólicas, enquanto apenas 18 a 20% dos jovens americanos, entre 21 e 28 anos, bebem regularmente cerveja, vinho ou destilados.
Os millennials ou geração Y, também conhecidos como os nascidos entre 1981 e 1996, consomem bebidas alcoólicas de 22% a 31% regularmente, com destaque para o vinho e a cerveja. Mas essa queda no consumo não é só nos Estados Unidos, não. No Reino Unido, mais de um, em cada quatro jovens adultos se declara abstêmio e o pior, esse número dobrou na última década.
O impacto também pode ser sentido em países onde o consumo de bebidas alcoólicas é quase uma tradição. Alemanha, Espanha e Austrália estão vendo a mesma coisa. Os jovens simplesmente não estão mais consumindo álcool para se divertir como seus pais faziam.
Aqui no Brasil, a queda do consumo também é visível. De acordo com a pesquisa da Mind Miners, 45% da geração Z ainda consome bebidas alcoólicas regularmente, mas quando os millennials tinham a mesma idade dos Zomers, essa taxa era de 57%. Então, por que a bebida não se encaixa mais na vida dessa geração?
A resposta pode estar na internet, nas redes sociais. A geração Z está se socializando menos pessoalmente, preferindo a comunicação digital. Alguns estudiosos até chamam os Zomers de a geração mais solitária.
E sejame sinceros, a pandemia não me ajudou em nada, já que eles ficaram ainda mais afastados e sem fazer novas amizades. Com a geração Z passando menos tempo e interagindo pessoalmente, o consumo de álcool caiu junto. Afinal, o álcool sempre foi associado a momentos de socialização.
Em encontros sociais, a vontade de beber diminui, mas não é só a falta de socialização que está influenciando a queda do consumo. A geração Z também é muito mais consciente sobre saúde e finanças. E o álcool não se encaixa em nenhum desses dois pilares.
Quando saem para jantar, os zoomers preferem investir no prato principal. Bebidas, especialmente coquetais, que combinam destilados e outros ingredientes, estão ficando mais caros. E esse aumento de preço somado a queda no consumo está afetando o mercado.
A preocupação com a saúde também está no centro dessa mudança. Os zoomers consomem álcool com moderação, pois sabem que ele pode trazer vários problemas, especialmente se consumido em acesso. A curto prazo, o álcool afeta o julgamento e a coordenação motora.
E se a ingestão for excessiva, os efeitos físicos são bem conhecidos. náuseas, dora, aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca. Esses problemas, claro, ficam mais graves com o tempo e o consumo constante.
A geração Z é, sem dúvida, a mais preocupada com a saúde até hoje. Eles têm acesso a toda a informação sobre o impacto do álcool na saúde física e mental. Lembra que os millennials foram os primeiros a ter informações sobre drogas e álcool nas escolas, mas as campanhas de prevenção naquela época não foram tão eficazes quanto as informações que o Zoomers têm hoje.
Com acesso fácil a pesquisas científicas e análises nutricionais, a geração Z consciente dos riscos do álcool. Eles podem ver depoimentos de pessoas que enfrentaram sérios problemas de saúde devido ao consumo excessivo. Hoje, a geração Z tem uma compreensão muito maior de como o álcool pode impactar sua saúde, tanto no aspecto físico quanto mental.
86% dosers acreditam que sua saúde mental é tão importante quanto a saúde física. O álcool, apesar de ter um efeito relaxante inicial e reduzir inibições, tem um lado negativo. Ele prejudica a qualidade do sono, afeta a saúde intestinal e pode aumentar sentimentos negativos como raiva, depressão e ansiedade.
A geração Z já enfrenta níveis elevados de estresse e ansiedade e muitos relatam sentirem esgotados, deprimidos. Então, por que adicionar mais um fator negativo? Optar por se afastar do álcool parece ser uma escolha lógica para muitos deles.
Mas não pense que a geração Z é um bloco homogêneo. Apesar de todos estarem conectados à internet desde muitos jovens, há diferenças de comportamento dentro da geração. Os millennials, por exemplo, também cresceram com as redes sociais, mas os Zoomers nasceram em um mundo digital, onde a internet sempre foi parte integral de suas vidas.
A influência das mídias sociais é um dos maiores fatores por trás do declínio no consumo de álcool entre os zoomers. Ver pessoas compartilhando histórias sobre os efeitos negativos do álcool ou participando de movimentos como o janeiro seco pode inspirar outros a seguir o mesmo caminho. Um exemplo claro disso é o ator Tom Holland, que defende abertamente a sobriedade e até criou sua própria marca de cerveja sem álcool e ele não tá sozinho.
No ano passado, 35% das pessoas, entre 21 e 24 anos, participaram do janeiro seco e compartilham suas experiências nas redes sociais, mostrando que é possível se divertir sem precisar beber. Nos Estados Unidos, foi lançado um desafio para os jovens refletirem sobre sua relação com o W. O objetivo não é forçar a abstinência, mas sim promover uma reflexão sobre o motivo pelo qual bebemos.
Tudo em nome de uma saúde mental e física melhores. Em 2018, o termo curiosidade sóbria foi popularizado pela autora Ruby Rington com o lançamento de seu livro homônimo. Esse conceito pegou forte entre os Zoomers que adotaram o livro e o termo, tornando um assunto de conversa global.
Ao contrário das gerações anteriores que cresceram com a mentalidade de o que não se deve fazer, inclusive em relação ao consumo de álcool, a educação da geração Z se baseia no diálogo aberto. Eles são incentivados a questionar, a refletir e quando fazem essas perguntas, o álcool parece cada vez menos necessário. Apesar de todo o foco no bem-estar, não podemos ignorar o impacto do aumento dos preços das bebidas.
Quase 1/ terço dos jovens está optando por bebidas com baixo teor alcoólico ou sem álcool. Isso não significa que os zoomers estejam tentando economizar. Embora a economia atual seja desafiadora, especialmente para aqueles que estão começando suas carreiras, os jovens têm interesse em gastar dinheiro.
Eles estão dispostos a pagar, mas somente por produtos de qualidade. E de fato, as tendências de 2024 mostraram que quando a geração Z decide beber, eles preferem bebidas premium. A era de escolher o mais barato já passou.
Agora o foca na qualidade e os jovens optam por uma bebida bem selecionada. em vez de beber várias opções de qualidade inferior. Então, o ponto principal não é apenas que a geração Z está bebendo menos, é que ela está bebendo de um jeito diferente.
E agora cabe as marcas entenderem. A geração Z não está tentando acabar com o álcool. Ela está reinventando a forma como ele é consumido.
Você pode até criticar muita coisa no Zoomers, mas uma coisa é certa, eles sabem exatamente o que querem. Eles têm padrões, não são baixos. Enquanto os millennials tinham uma abordagem de quanto mais melhor, a geração Z prefere menos quantidade e mais qualidade.
E uma das escolhas favoritas desse grupo são as bebidas RTDS, Ready to drink, ou seja, prontas para beber. São práticas, vem com os sabores já equilibrados e não exigem nenhum tipo de preparo ou mistura. E esse mercado, olha, tá bombando.
A previsão é de que as vendas globais de bebidas prontas dobrem até 2029, saltando de 1,0,1 bilhão de dólares para 2,23 bilhões. E tudo isso graças a uma geração que vive em ritmo acelerado e quer conveniência sem abrir mão do estilo. Cerca de 54% dos zoomers consomem bebidas alcoólicas ou destilados pré-misturados.
E isso inclui desde combucha com álcool até limonadas alcoólicas. E não é só pela praticidade ou variedade de sabores. Os mesmos, 54%, provavelmente vão escolher uma opção premium quando tiverem essa alternativa.
E o mercado, claro, percebeu essa mudança e reagiu bem rápido. As prateleiras estão cada vez mais cheias de produtos premium, super premium e até ultra premium. E a criatividade está em alta.
Tem vinho com abacaxi, voda, com laranja e por aí vai. Outra jogada interessante das marcas foi ajustar o preço. Como os jovens estão rejeitando produtos baratinhos, muitas bebidas com pouco ou nenhum teour alcoólico são ironicamente mais caras que as versões tradicionais.
E se os consumidores estão bebendo menos álcool, nada mais lógico do que ampliar as opções sem álcool. O mercado de cervejas 0% álcool cresceu mais de 35% de 2022 para 2023. E esse número só tende a aumentar.
Antigamente essas cervejas sem álcool tinham um gosto apaixonado. Os métodos usados para remover o álcool, como fervura, destilação a vácuo ou osmose reversa, acabavam afetando o sabor e o preço ainda era alto por causa do processo mais trabalhoso. Mas a tecnologia avançou e agora é possível remover o álcool sem comprometer o sabor.
Hoje, muitas dessas cervejas sem álcool são praticamente idênticas às originais, ou em alguns casos até melhores, viu? E não para por aí. Já existem vinhos sem álcool que não são apenas suco de uva chique, não.
Eles passam por fermentação e só depois tem um álcool retirado, mantendo o sabor bem próximo do original. Esse é um ótimo exemplo de uma indústria que ouviu seu público e se reinventou e também de uma geração que pensa com o bolso. Resultado, todo mundo está ganhando.
Inclusive as gerações mais velhas que estão sendo levadas a consumir de forma mais consciente e mais saudável. Mas tem mais gente ganhando com isso, viu? A indústria de bebidas não está em declínio como muitos pensam.
É verdade que algumas marcas enfrentam dificuldades e outras estão liderando a adaptação, mas no geral as vendas do setor não param de crescer desde a pandemia. As pessoas estão bebendo menos álcool, sim, mas estão pagando mais pelas novas opções. E como a produção dessas bebidas usa técnicas similares as das bebidas alcoólicas tradicionais, o custo não aumenta tanto.
Já o preço final sobe, especialmente quando o rótulo diz prêmium, ou seja, o lucro se mantém. As empresas investem um pouco mais em marketing, em rótulos bonitos e em vendem um estilo de vida junto com a bebida. O consumidor compra a ideia e paga por ela.
Um exemplo real disso é a AB em BEV, a maior cervejaria do mundo. As vendas de suas marcas tradicionais, como Budweiser e Bud Light estão em queda, mas as versões sem álcool estão surpreendendo e devem breve igualar ou até superar as vendas das opções tradicionais. No fim das contas, a geração Z, ao priorizar a saúde beber menos, está forçando a indústria a evoluir e com isso todo mundo sagano.
Até quem nunca pensou em mudar seus hábitos, está repensando o quanto e como consomem álcool. Então é isso, a geração Z não tá acabando com a FAR, ela só tá trocando a ressaca por consciência. Eles ainda se divertem, ainda saem, ainda curtem, só que fazem isso com mais intenção, mais estilo e de quebra, com menos prejuízo para a saúde e o bolso, né?
Não, no final não é só sobre beber menos, é sobre beber melhor. E mais do que isso, é sobre escolher o que faz sentido agora, mesmo que isso vá contra o que sempre foi. Normal.
Se você ficou aqui até o fim, já sabe, se inscreve, ativa o sininho e vem com a gente nessa jornada onde o novo normal é ser saudável, consciente e ainda assim surpreendente. OK? Até a próxima.