boa tarde sou Adri goral Sou professora do departamento de geografia da Universidade Federal do Ceará e coordeno Observatório da energia eólica eh O Observatório da energia eólica ele eh foi fundado em 2017 de 2008 a 2017 nós já fazíamos né desenvolvíamos estudos analisamos impactos sociais e ambientais com implantação de parques os no Estado do Ceará em 2017 nós conseguimos eh um financiamento da Caps e também do CNPQ e da fundação serens de pesquisa para grupos emergentes e a partir daí a gente conseguiu eh digamos assim construir uma rede com pesquisadores principalmente aqui do Nordeste mas
também no Rio Grande do Sul e de outros países tanto da América Latina como também dos Estados Unidos justamente para refletirmos sobre as questões que envolvem os impactos da implantação desses Empreendimentos de energia renovável eh em 2018 foi publicado um artigo na Science que é justamente o que a gente coloca aqui no slide em que esse artigo um artigo de engenharia né ele trazia digamos assim duas vertentes principais duas soluções principais para a transição energética em termos globais eh foi um artigo liderado pelo professor daves né como vocês estão vendo aí e Nesse artigo ele
colocou esse modelo e nesse modelo vem dizendo que que a em termos globais para de fato possibilitar uma transição energética uma descarbonização da Matriz eh deveria-se investir principalmente nas duas tecnologias na produção de hidrogênio verde e também no acúmulo de energia renovável especialmente energia eólica e energia solar eh em baterias à base do lítio da mineração do lítio eh esse esse artigo ele digamos assim ele ele fundamentou né Essas essas políticas né E essa corrida que hoje em dia a gente tem relacionada a produção de hidrogênio verde e também de construção de megas baterias né
para acomodar energ renovável e em 2019 saiu um outro artigo na Science que a gente também prestou muita atenção no observatório da energia eólica que foi liderado pelo professor veis mas que tem mais de 20 autores e Nesse artigo ele pontuou os principais desafios globais para a implantação em larga escala da energia eólica é muito interessante esse artigo por quê Porque os principais desafios eh que ele pontou aqui que eles pontuaram lá artigo todos eles são desafios digamos assim de engenharia desafios tecnológicos desafios relacionados à mecânica eh eh física né desafios eh atmosféricos enfim todos
esses Desafios que referem digamos assim um aprimoramento da tecnologia essa imagem que a gente coloca aqui também eh ela foi retirada desse artigo né em que ele mostra esse modelo foi feita uma modelagem né e ele ele vai pensando quais seriam né todos esses esses esses elementos que deveriam ser melhor estudados né em termos de de engenharia de tecnologia para de fato o planeta digamos assim ser movido né principalmente pela energia eólica o esses dois artigos chamaram muita atenção na gente do Observatório da energia eólica por quê Porque são dois artigos que trazem eh como
solução uma solução tecnológica que na verdade vai resolver problemas políticos e culturais que a gente tem né que deseja resolver porém como vocês podem ver não existe sociedade nesses modelos então os engenheiros eles não consideram o aspecto político cultural social e econômico que não de fato rege né Toda a nossa dinâmica nos territórios que ree a nossa vida e isso a gente considera para passar gentea que é uma espécie de fetiche tecnológico quer dizer uma fetichização da tecnologia né que alguns eh autores colocam como tecofi quer dizer como se a tecnologia e engenharia fosse de
fato resolver todos os nossos problemas enquanto que ser sociais né que nós somos temos sociólogos aqui na mesa eh de fato o que rege a nossa vida são as relações sociais e não a tecnologia e engenharia né que também é um componente essencial Mas não é isso de fato que rege a nossa vida eh O que foi muito interessante foi porque a partir daquele segundo artigo publicado na Science sobre essa esses grandes desafios tecnológicos da para implantação lal da enólica foram publicados duas algumas cartas críticas Então na verdade ele teve um grande alcance e vários
pesquisadores sociais e ambientais começaram a publicar eh cartas criticando esse artigo de engenharia dizendo não não são só desafios tecnológicos que a gente tem para implantação de energia óli em temos globais nós temos também desafios ambientais tanto pensando nas eólicas offshore como nas eólicas ons como também nós temos desafios sociais então eu eu coloquei aqui em em tela para vocês dois Duas cartas que a gente chama né que são essas cartas críticas que a gente na Science Uma delas foi do professor fariston que ele cunhou um termo que é é muito interessante que ele diz
que é o mito da paisagem vazia Então o que a gente falou bastante aqui nesses últimos dois dias né não existe território inabitado hoje nem Marte está mais inabitado nem a lua tá mais inabitado né Então na verdade nós temos sim inserção né humana social em todos os territórios conhecidos tá então isso isso na verdade é um mito e que a tecnologia e a engenharia ela não vai sobre os problemas sociais Em contrapartida eh nós do Observatório né a a UFC junto com com outras universidades e com professores da Holanda dos Estados Unidos também do
do Reino Unido Nós também publicamos uma carta crítica na Science e nessa carta crítica a gente disse o seguinte que Claro nem existe território inabitado e que a energia de fato ela não não não não vai conseguir abranger todos esses territórios Se não forem eh considerados os aspectos de de Justiça Ô Ismar pode passar por gentileza eh Quais são os aspectos de justiça que tem que ser considerados então precisam ser considerados os aspectos da Justiça distributiva quer dizer onde são localizados os impactos dos sistemas energéticos a justiça do reconhecimento Quem são as vítimas dos sistemas
energéticos E como eles são vitimados a justiça processual quem participa na tomada de decisões sobre esse sistemas energéticos quer dizer como que esses eh se a comunidade tá participando de fato não só de modo consultivo mas de modo deliberativo quer dizer alterando esses projetos ou simplesmente rejeitando eles né a justiça cosmopolita que tem relação Direta com os princípios de Justiça eh universais né de direitos humanos que eles devem ser respeitados e a justiça cognitiva que é o direito da coexistência de diferentes entendimentos e modos de vida né pensando justamente nas comunidades tradicionais povos tribais e
também nos nos povos originários do mundo todo eh uma outra uma outra concepção que nós temos Alé desses aspectos de Justiça A professora fram que é uma professora lá no na Universidade do Canadá ela publicou um artigo eh em que eh chama chama o lado o lado obscuro das energias renováveis né ela falou Dark Side que ela fez uma analogia a Star Wars né porque tem né lado da força né e Nesse artigo também ela cunhou uma terminologia que é muito interessante que ela chama de divisão internacional da descar carbonização quer dizer nós temos sempre
que considerar que existe na verdade uma política né digamos global neocolonialista e que nós eh o planeta ele tá dividido em dois hemisférios né no norte global que são os consumidores da energia e no sul global que é onde nós estamos que somos os produtores dessa energia então os produtores ou os geradores dessa energia de fato quem fica sempre com as maiores externalidades né enquanto as consum edores eles vão ali tá praticamente sendo apenas beneficiado com produto né E claro pagando por esse recurso Mas eles tem recurso para pagar né e pagando de forma ínfima
então de fato todas as externalidades territoriais ficam pra gente e essas externalidades Elas têm relação tanto com disposição como com degradação e como também com exclusão é pode passar tá bom pensando eh nesse digamos assim nesse nesse arcabouço né teórico voltado paraas injustiças e também voltado eh para essa questão neocolonialista e pensando também nessas principais Vertentes tecnológicas que hoje se pensa né que são necessárias para descarbonizar a matriz da a matriz energética Global eh e na exportação dessa energia renovável né porque a a questão da bateria né E a questão também do hidrogeno verde nada
mais é o quê de uma forma de você engarrafar ou você guardar a energia que é gerada pelo ventro fica energia gerada pela luz se você exportar isso porque hoje isso não é possível hoje você só consegue utilizar energia renovável se ela for de fato gerada no próprio território né mas não é isso que o hemisfério norte não é isso que o norte Global deseja o norte Global deseja externalizar né exportar todos os impactos e importar só os benefícios então pensando eh nesse nesse Arc bolso né Nós eh aplicamos e nós entendemos em termos ontológicos
e epistemológicos eh a ciência né considerando eh a Ecologia política participativa com a aplicação da cartografia social e foi dessa forma que nós Agimos no Estado do Ceará eh fazendo aplicando cartografia social em todo o litoral aos 573 km do Estado nós começamos esse trabalho em 2019 através do financiamento eh da secretaria eh da Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Ceará da Fema e também do programa cientista chefe meio ambiente eh com esses recursos que na verdade nós nós estávamos querendo o quê eh isso foi muito demandado da sociedade principalmente do movimento né de
pescadores e pescadoras eh da comissão Pastoral dos pescadores que fosse feito um levantamento de todas as comunidades tradicionais que existem no litoral do Estado por quê porque o governo do estado tava querendo fazer um zoneamento um zoneamento Ecológico econômico justamente para possibilitar o licenciamento dos projetos de energia eólica né e de outros grandes projetos no literal sendo que não existia o mapeamento oficial das Comunidades tradicionais no litoral então quer dizer a a probabilidade dessas comunidades serem visibilizadas de não ter a justiça do reconhecimento era muito grande então Eh nós fomos convidados por esses movimentos sociais
também pela própria Secretaria de Meio Ambiente para fazermos esse levantamento em todo litoral e de uma forma original nós chegamos a 324 comunidades tradicionais autodeclaradas entre pescadores artesanais quilombolas e povos originários fizemos um trabalho de 2019 a 2020 três workshops com mais de 700 eh moradores do litoral né Eh participaram quase 70 entidades movimentos sociais eh sindicatos associações locais então nós tivemos uma representação e uma legitimidade né nesse processo vai passar por gente e aqui eu mostro para vocês eh em termos metodológicos né a produção do conhecimento que na verdade não é um conhecimento da
gente da Universidade mas é um conhecimento popular L né O que a gente pode fazer de fato foi organizar né e digamos assim eh dar uma resposta científica né aquele conhecimento para que todos de uma forma Ampla e Universal conseguissem entender esses aspectos territoriais específicos então nós eh dividimos eh todas as as as atividades que são desenvolvidas por essas populações tradicionais em cinco elementos caracterização territorial geodiversidade territorialidade atividades econômicas religiosidade afetividade tradição lazer cultura e conflitos e ameaças que eles sofrem nos territórios eh cotidianamente e eh em cada uma dessas regiões né do litoral do
Estado foram mapeados mais de 70 elementos que nós chamamos de descritores quer dizer 70 questões territoriais que devem ser avaliadas em termos não só de modo de vida mas também de ameaça dessas populações que estão nesse território pode passar por favor e aqui eu mostro para vocês eh um resultado parcial de um um trabalho de tese doutorado que na verdade a gente vem eh fazendo esse trabalho de orientação desde 2019 também já com um ex-aluno nosso de doutorado Tomás Xavier que hoje já é doutor e ele começou a fazer um trabalho eh relacionado à cartografia
social do mar Então por um lado uma vez que a gente entregou essa cartografia social Continental para as comunidades e também para o estado e hoje eh essas comunidades elas estão no mapa Oficial do Estado então não pode mais dizer que a gente não sabia que tinha uma comunidade ali né nem o governo nem as empresas Porque elas estão no mapa Oficial do Estado online no pedea e eh a partir daí se criou uma necessidade de mapear não só a terra mas se mapear o mar por principalmente devido à entrada dos projetos de energia óo
cof sh Então hoje o Ibama tem 96 projetos de energia óleo offshore para o Brasil 24 projetos para o Estado do Ceará e esses projetos eles fazem uma barreira que impossibilita vai impossibilitar né a pesa artesanal como ela é desenvolvida e por conta disso em 2019 nós começamos esse trabalho de orientação com Tomás e hoje a Regina Balbino ela tá eh trabalhando na T doutorado dela fazendo esse mapeamento pra gente entender quantos currais de pesca tem então hoje a gente já sabe que tem mais de 460 curris de pesca no Estado do Ceará 600 pesqueiros
mais de 200 áreas de pesca e que são cotidianamente pescados durante o ano inteiro quase 100 espécies né Eh são capturadas né quase 100 espécias tanto Marinhas Como estuarinas pode passar gente aqui tem eu mostro para vocês o mapa que esses esses quadradinhos amarelos eles são os portos aqueles fortinhos comunitários onde ficam as embarcações artesanais que são movidas a ao vento né que são de vela e essas linhas que vocês estão vendo azul são são as saídas preferenciais dessas embarcações considerando as direções do vento e os polígonos pretos olha são os projetos de parque eólico
então Vocês conseguem ver que tem uma malha imensa olha de linhas quer dizer todas essas são rotas de pesca com pesqueiros com áreas de pesco são pescados quase sem tipos de de pescados diferentes durante o ano todo e que toda essa área Olha ela tá barrada pelos projetos de energia eólica sendo que desses 24 projetos que tem hoje 96 projetos no Brasil só tem um que tá pedindo licença prévia né que é o projeto da qu que é justamente no Estado do Ceará no litoral leste do estado pode passar e por fim eh eu gostaria
de dizer que assim uma Uma das uma das eh lições né que a gente gostaria de dizer aqui para vocês é que a gente tem que pensar a justiça energética a gente tem que pensar a transição energética a descarbonização da Matriz Global através de um olhar de descolonização climática que a professora Sultana ela ela coloca muito bem isso na na numa publicação que ela fez na revista de geografia política que a gente também pode considerar como descolonização energética Ou seja que a gente tem que eh integrar críticas e lutas né vinculadas à questões anticoloniais feministas
antifascistas anticapitalistas e pensando que essas críticas e essas lutas e esses discursos eles têm que estar integrados nas políticas públicas que vão de fato né interferir no cotidiano territorial dessas comunidades tradicionais e o que a gente enxerga né como um documento que pode interferir de modo positivo nessas políticas é justamente as salvaguardas né que a gente vem falando desde do desde ontem então a gente reforça também que nas salvaguardas a gente tem justamente essa visão descolonial que é a visão que a gente promulga para uma democracia energética por fim queria só eh fazer aqui uma
divulgação né da nossa última publicação foi publicada duas semanas uma revista internacional que fala sobre Ciências Sociais e sobre pesquisas em energia e nós publicamos o primeiro artigo do planeta né lá lá no observatório né com professores inclusive aqui também do Rio Grande do Norte né e do Ceará eh conf fitamos o primeiro artigo em que a gente aborda os impactos sociais da energia eólica of no sul Global então é importante dizer que até esse momento nunca nunca foi instalado nenhum Parque óleo cof shore abaixo da linha do Equador nunca então não existe então a
gente não existe parâmetro pra gente entender de fato quais vão ser as principais os principais impactos sociais e os impactos ambientais também tá e aqui a gente fez uma análise né desses possíveis impactos sociais que podem ocorrer aqui no Brasil né tendo uma visão Geral do su global que é uma estrutura eh colonizada né ou pós colonizada como como a gente já sabe justamente tendo como como foco A análise que foi feita num estudo de impacto ambiental de um parque eólico lá no lá no Estado do Ceará e também nós participamos da audiência pública que
a gente sabe que a audiência pública é mais um performe né é uma audiência mais informativa teatralizada né justamente para Na verdade só legitimar né ou só confirmar a entrada daquele Empreendimento no no território Então é isso gostaria muito de agradecer aqui tem parte do da da nossa equipe de cartografia social aquela moça ali que tá em pé sem chapel e a Regina Balbino que fez esses mapas lindos né da cartografia social Esse é um trabalho em grupo mas essa é a tese da Regina né então gostaria também de de agradecer a ela publicamente e
os financiadores nossos financiadores secretaria do meio ambiente do Estado do Ceará eh Caps com Caps pq essa aqui é toda a nossa rede do sees Pisa né Universidad eh do nordeste do Rio Grande do Sul e também do dos Estados da Argentina e principalmente agradecer o apoio e a parceria do Instituto terra amada movimento dos pescadores e pescadoras e da CPT né que é a comissão Pastoral dos pescadores e também da organização participativa do Aracati né que é a Opa obrigada