Oi. Este podcast é uma produção da Rádio Guarda-chuva, jornalismo para quem gosta de ouvir. O mercado da Cantareira, que oficialmente se chama Mercado Municipal de São Paulo, fica na região central da cidade, num prédio neoclássico inspirado no mercado de Berlim e projetado pelo escritório Ramos de [Música] Azevedo. Inaugurado em 1933, ele foi por Algum tempo o principal entreposto de alimentos da cidade, mas com a abertura da Companhia de Entrepostos e Armazes Gerais de São Paulo, a SEAGESP, perdeu importância estratégica. Na segunda metade do século passado, o Mercadão e também as importadoras do entorno, uma região
aperidada de zona seralista, tinham virado lugar para encontrar produtos de qualidade e artigos importados. Era onde aquele seu tio abonado ia para se abastecer antes da ceia de Natal. Mas hoje, com o raio gurmetizador que atingiu a cidade, o Mercadão perdeu essa vocação também. Ele resiste como um ponto turístico, com toda a dicotomia que reside nessa palavra. De um lado, as bancas de fruta, de queijos, de frios, de frutas secas, os açogues e as lojas de bebida continuam lá cinematograficamente reluzindo sobre A luz angelical filtrada pelos 72 vitrais coloridos feitos por um famoso artista russo.
de outro, é uma grande armadilha para tirar dinheiro de bolsos recheados de euros e dólares, com clássicos da culinária, como o pastel de bacalhau e o sanduíche de mortadela, que levam quilos de recheio e custam o preço de uma motocicleta de baixa [Música] cilindrada. E aí tem um caso à parte, Que são as frutas. E a gente chegou às frutas do mercadão meio que por acaso. No final do ano passado, a Priscila Pastre, que é minha esposa, estava em busca de uma frutinha especial, o cambucci, para um curso de culinária para crianças que eu dei.
A Priscila Pastre tem toda uma carreira voltada para culinária e gastronomia. Ela ajudou a fundar o caderno comida da Folha de São Paulo e hoje é crítica de Gastronomia do jornal. Nas férias de verão, ela achou uma boa encher o nosso quintal com uma dusa de crianças para vivências culinárias. E e chegando lá, não encontrei nada do que eu precisava, mas eu encontrei muita lábia e muita gente tentando me vender coisas que eu achei um pouco estranhas. Eu parei em frente a uma banca que, por exemplo, não tinha mamão, não tinha banana, né? Estamos falando
de Banca de frutas aqui, né? Box que eles falam, né? Eh, não tinha frutas assim, mas tinha umas frutas estranhas que eu nunca tinha visto e ainda tomei umas na linha, mas como que você não conhece? Você não é daqui? E eu falei: "Não, eu sou daqui não." Mas se você fosse daqui, você ia saber que essa fruta aqui é a Kiwi Banana, essa daqui é a Peramaçã. Se você não conhece é porque você não é de São Paulo. Mas além da estranheza, Das frutas, que a gente vai falar mais sobre elas, teve também um
assédio e enganação e, enfim, é, era um domingo e era bastante complicado andar pelo mercado sem ser tocada, por exemplo, pelos pelos vendedores. Aqui uma informação importante, a Priscila é ruiva de olho verde. Ficou claro para ela que parte desse assédio acontecia porque achavam que ela era gringa. Eles tentam te chamar pros seus boxes e Quando você não vai eles tocam em você numa tentativa de te levar. Esse foi o primeiro contato que eu tive com essa sensação de alguém estranho me tocando. A Priscila, pelo amor de Deus. ali no mercadão, hora que eu tava
eu tava chegando. Mas depois aconteceu algo pior, porque eu parei um desses boxes para tentar descobrir o que tava acontecendo ali, que frutas que eram aquelas. E um vendedor começou a me mostrar muitas coisas. Márcio começou a Me mostrar muitas coisas numa velocidade muito absurda, um ritmo muito frenético, numa linha assim que você não consegue conversar, você não consegue respirar, você não consegue nem provar direito que ele tá te dando, porque são muitas coisas ao mesmo tempo. Menos ainda você tem tempo de ver como é que ele tá cortando essas frutas, se tem alguma coisa
ali naquela faca, se não tem. Se você tá achando que a Priscila Pastre sofre de paranoia patológica, não, ela Não sofre. A gente vai falar sobre tal faca mais pra frente. É muito alucinante. E você naquela confusão ali tentando degustar e tentando ouvir o que ele tá dizendo e tentando fazer suas próprias perguntas, tentando não ser enganado. Nessa loucura toda, em algum momento, ele passou por trás e passou a mão pela minha cintura e deslizou a mão pela minha cintura toda até ele sair do outro lado. Ele dizia assim: "Nossa, eu gostei muito de você.
Nossa, como você é Exótica. Se você for casado, seu marido tem muita sorte. E esse tipo de coisa no meio da confusão, assim, era quando ele falava mais manso, assim, era o único momento que ele falava mais devagar, que eu conseguia respirar. Como eu queria ver onde é que isso ia dar, eu não reagi, eu não não fui grossa, não fui rud, eu deixei ali a coisa e eh tomar um rumo para ver onde é que ia parar, porque em algum momento você desencanou de fazer a compra que Você precisava e resolveu participar desse movimento,
desse movimento sociológico. É isso? Exato. Até porque eu entendi que ali eu não ia encontrar o que eu precisava. Eu quando eu perguntava para ele sobre as frutas brasileiras, eu falava: "E vou dar um curso para crianças de frutas brasileiras". O que que você tem de fruta brasileira? Ele sequer ouvia e ele chegou a me responder. Não, aqui é tudo brasileiro. Aí ele fez uma bandeja de Frutas para você. Isso? Você pediu algumas frutas para você levar no final das contas? Na verdade, eu não pedi frutas para levar. Ele ia me perguntando se eu tava
gostando. Essa essa que você gostou? Que você achou dessa? É doce, né? Não sei o que. Pá, gosta, gosta, gosta. Ah, eu ficava um hum uhum. E cada um que eu dizia, ele colocava várias frutas numa bandeja que viraram duas e três. Aí tem um momento que eu entendi que ele tava fazendo isso. Falei: "Não, Eu não vou levar tudo isso de fruta". Aí falou: "Não, então o que que você vai levar?", "Ó, essa daqui tem de levar, essa daqui tem de levar. Ele que vai decidindo por você, né?" Aí eu tirei algumas e e
e fechei em duas bandejas, duas bandejinhas com as frutas mais diferentes ali que eu nunca tinha visto antes, que eu tinha provado ali. Falei: "Gente, eu vou levar isso para casa pra gente tentar entender o que que é isso daqui". Sabendo que que que Provavelmente eu ia ser enganada no passo seguinte, né? Que é no momento ali do ato de os caras eh cobrarem, mas eu não imaginava que ia ser para tanto, porque eram duas bandejinhas assim de isopor, duas bandejinhas pequenas. E aí ele passou as frutas para uma outra pessoa, né, para cobrar. Quando
ele falou quanto custava, quase caiu para trás, né, porque eu achei que a cara de pau ia ia aparecer ali em algum momento na hora de cobrar também. Eh, eu tava Esperando ser enganada, mas não tanto. E era quanto que era? Duas bandejas pequenas de isopor, R$ 480. E assim, se você é do tipo a ver sua frutas, se você mora no Copacabana Palace e só recebe alimentos em bandejas de prata, se você vive na roça e planta a própria comida, enfim, se você não faz ideia de quantas frutas custam, eu te dou alguns exemplos.
Se você for ao Pão de Açúcar, um dos mercados mais caros do Brasil, e comprar uma porção de morangos Selecionados, lavados e centalos, luxuosamente acomodados no copinho plástico, você vai pagar cerca de R$ 80 o kg. que o importado cerca de R$ 40 o kg. Ma sãuma da Mônica selecionada e lavadinha R$ 20 o kg. Ou seja, cobrar R$ 500 por duas bandejinhas é mais do que cobrar caro. É um golpe. Felizmente, para as finanças familiares, a Priscila Pastre, que já tava no modo experimento sociológico, não caiu no golpe. Não, tipo, de jeito Nenhum, mesmo
tando com a cabeça cheia, porque eles transformam esse jogo em algo tão, nossa, eu preciso sair daqui agora que eu eu imagino que algumas pessoas sem reação acabem pagando para sair logo de lá, sabe? E quando você falou que não queria, qual foi a reação deles? A pessoa que fez a cobrança, que não foi a mesma, não foi o vendedor, não foi o Márcio, foi uma outra pessoa, chamou, não vou chamar, vou chamar o Márcio aqui, ele vai fazer Um desconto, não quero desconto. Que desconto em cima de de R$ 450, você pode fazer para
mim no sem condições. Mas aí eu parei e falei: "Não, me chama". E aí ele chamou e eu falei: "Márcio, eu não vou pagar isso por essas frutas. Eh, eu fui enganada aqui. Eu não não vou". E aí ele começou a a falar algumas palavras que eu não ouvi, começou a xingar para ele mesmo ali, ele com ele e virou as costas e tipo e foi embora. Foi embora. [Música] Eu sou Tomask Averini e o episódio 135 de Escafandro já começou. Nele a gente vai falar sobre golpes frutíferos. A gente vai falar de como a
nossa relação com a comida tá se perdendo e de como uma simples horta pode atrair a ira de um bairro. Antes eu preciso te lembrar que a rádio Escafandro é orgulhosamente mantida por uma parte dos ouvintes que apoiam financeiramente o podcast. Então, se você quiser ver o projeto Crescer e se multiplicar, se quiser ver a nossa equipe passar de duas para 20 pessoas, se quiser que a gente te entregue o podcast dos sonhos, vem se juntar a esse grupo de pessoas luminosas. O caminho para isso é rápido, fácil e seguro. Só ir lá no site
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livro Com dedicatória. Lembrando que as recompensas são para apoios recorrentes, não apoios pontuais. E por fim, se você já tá entre os nossos financiadores, gente como a Caroline Batista, a Elisângela Silva, o Vinícius Gabi e a Fernanda Carrazone, muito obrigado, mas muito obrigado mesmo por [Música] isso. Mais ou menos dois meses depois da primeira visita, no final de fevereiro, a Priscila Pastre voltou ao Mercadão, Dessa vez devidamente munida de um conjunto de discretos, porém eficientes gravadores de áudio. Eu fui numa terça-feira à tarde, no meio da tarde, o mercadão tava bem vazio e o Márcio
não estava lá, né? Sabe porque eu voltei na mesma banca para saber o que acontecia, né? Saudades do Márcio. Saudades Márcio. [Música] Mas era um outro vendedor. Eu cheguei e Eu passei lentamente em frente ao box esperando ser abordada e nada [Música] aconteceu. Então cheguei perto e um outro vendedor, Luciano, chegou para mim e disse: "Você degusta? Olha, numa numa delicadeza assim, num, né? Você degusta? Eu sim, degusto. Aí só aí, diferentemente daquela primeira experiência é que ele começou a cortar Alguns pedaços de fruta para eu provar, para experimentar. [Música] E talvez por ser em
dias de semana, talvez por ser outro vendedor. Dessa vez a gentileza foi maior, enquanto o preço foi consideravelmente menor. Hoje geral a senhora pode estar fazendo um mix todo R$,90, 129 o kg. Pera, deixa eu fazer conta. Pera. De qualquer fruta. De qualquer Fruta até as mais caras. Tá vendo aqui o 149? Claro que ser consideravelmente menor não quer dizer que tá barato. Pelo contrário, R$ 129 o kg é um preço obsceno. Ciguela do Norte. Toma, toma caipiria. Isso aqui é bom para fazer caipirinha de pitu. Nessa primeira abordagem, a Priscila deixou a conversa fluir
e gravou tudo de forma discreta. E essa aqui é a primeira Uva gormê do Brasil. Gorm tem uma uva mais demorada, você entendeu? para colher isso. E olha o sabor dela, mas ela é enorme. Come uma licença. Ela não tem semente não. Não tem cabeça. Depois ela se apresentou como repórter, o que inoculou uma timidez acentuada nos vendedores. Não é filmar, não, é só falar. Logo você, você é melhor de eu. Como que eu vou explicar? Você Sabe como trabalhou hoje? Vai, não vai. Mentiroso, não vai aparecer a imagem. No fim, o Luciano se dispôs
a falar oficialmente. Luciano, conta para mim desses kiwies diferentes. Ele começou a me dar as frutas para provar e eu perguntava: "Ah, que fruta é essa?" Tal e ele me dava as frutas e ele me contava sobre aquela fruta, né? E aí ele me deu o kiwi, um kiwi amarelo. E ele não me falou quei banana, mas o Márcio na minha primeira passagem por lá tinha me falado Que aquele kiwi era um kiwi banana, porque ele era uma mistura de ki com banana. Então eu provei e eu falei: "Nossa, mas um kiwi amarelo ele é
diferente, por que ele é amarelo?" E ele respondeu: "O qui tem essência da banana, é híbrido. É o quê? Misturado. Ok. Esse é com banana. E aí ele me me apresentou um segundo kiwi, um kwi vermelho. Nossa, Luciano, kwi vermelho. Por que ele é vermelho? Ah, com morango. E a novidade também, kiwi com a essência De morango. Mistura de quei com morango. Olha aqui. Inclusive, ele pegou em algum momento ali, ele mostrou para mim, ó. Tá vendo aqui, ó? Ó o morango aqui. Moranga que tem morango aí dentro dessa desse que da fruta. Que loucura
isso. Inclusive depois também mais para frente na conversa, ele me falou que é um produto sazonal e que a gente tem ele agora, mas daqui a pouquinho não vai mais ter porque depende. Ele falou para mim o seguinte, é um produto sazonal, Uma fruta sazonal que depende da do morango também, né? Tem que ser época de morango. Se não é de morango não tem que ouvir morango, não é? [Música] Diante dessas informações que pareciam mais coisa de filme da Marvel do que de agricultura, a Priscila Pastre fez o que os repórteres fazem em situações do
tipo. Se fingiu de tonta. Aí quando é híbrido que você tava me explicando a hora que eu cheguei, é eles juntam duas Frutas. Isso. Duas frutas, faz a junção, vira uma. Na hora de plantar mesmo. Isso. Foi a semente de um no pé do outro. A semente de uma no pé do outro. Aham. Ah, eu não te mostrei essa aqui, ó. Tangerola, laranja com cerola. Vitamina da laranja mais a vitamina da cerola. E é bom também para tomar com jin rum, bodica, fazer uma pel splitish para quem bebe a vitamina. Vai pro espaço. Esse é,
qual que é o nome desse Mesmo? Esse é decompom. Decompom axirica. Xirica, laranja e limão. Xirica. Ah, para. Isso aí tem três. Tem três frutas aí. É, eu não tirei um pedaço não. Mas eu não lembrava que era três. Mixirica, laranja e limão juntos. Não ti um pedaço não. Eu não lembro. Já comi tanta coisa que eu não sei mais. acreditada. [Música] Nesse momento, em nome da ciência, a Priscila insistiu um pouco na questão do Plantil Marvel. Mas será que pega a semente inteira de um, a semente inteira de outro e põe junto? Mas daí
não vai nascer dois pés diferentes não. Não vai nascer dois pés diferentes. Vai sair essa fruta aqui. Mas eles dev, eles devem juntar as duas sementes, tipo uma, uma só germina as duas. Porque se plantar na hora do plantinho, entendeu? Porque se plantar as duas, aí vai nascer uma para um lado e outra do outro. Como é que vai juntar assim? Germina uma Fruta. Hã? Só germina uma fruta. Não consigo entender, gente. Apesar de ele não ser um produtor, de não ser a especialidade dele, eu quis entender até onde ia e o conhecimento deles sobre
o que eles estavam falando, se existia um conhecimento ou se ele ia me falar: "Bom, eu realmente não sei como é feito. Eu só sei que me mandaram vender assim". Mas não, a coisa vai além. Ah, não, são duas sementes. Ele Disse, se junta duas sementes no solo, vai nascer uma fruta, tipo o limão com maracujá. Vai. Então, tem uma semente de limão, semente de maracujá. Eu ponho as duas no solo. Elas não tm por se fundir. A semente do limão no maracujá. Quer dizer, ele não faz a menor noção, ou ele não faz menor
noção, ou ele tá agindo de uma fé e levando em conta que as pessoas com quem ele tá conversando não fazem menor noção como que se produz um morango, como se que se produz um kiwi. Certo. Exato. Porque a ideia é transformar aquele aquelas frutas em frutas exóticas aos olhos dos compradores. E a partir do momento que você fala que é um produto exótico, você pode colocar o preço que você quiser. Depois da da conversa com ele, ele me chamou uma mulher que tá trabalhando ali, a Andrea, que começou recentemente a trabalhar. Na minha primeira
visita não tinha visto nenhuma mulher nessas nesses boxes de fruta. E Eu vi que ela tava ali zanzando ali, tava meio que monitorando toda a minha compra, né? Depois chegou uma outra mulher que era uma chefe de cozinha procurando, olha só, frutas exóticas para apresentar para 15 gringos. Frutas brasileiras exóticas. Essas misturas que eu que eu acabei de falar. em vez de cupu açu, açaí, taperebá, ela até ia levar, olha só, um cacau, que, né, até, mas foi o máximo que que conseguiu ali. É, mas Chegou essa mulher e ela disse tudo de novo, inclusive
que são as duas sementes ou quando não são duas sementes plantada juntas, é uma semente que é colocada dentro de uma fruta e que com o tempo essas duas frutas juntas e misturadas vão dar uma terceira fruta e que a gente não consegue encontrar essas frutas em nenhum outro lugar, pois são exóticas. E também justificando o fato de que quando você vai no mercadão, então comprar uma mão ou comprar uma banana, você não Encontra. Tô vendo uma coisa curiosa que na verdade eu não tô vendo. Por exemplo, não tem uma não tem banana, né? Ou
tem? É, então são produtos que não vendem. Há pouco tempo atrás, na verdade, a gente até tentou colocar, por exemplo, mamão papaia. A gente compra 10 caixas e acaba vendendo uma, porque não é um produto excêndico. E aí quando a conversa já tava se encaminhando pro final, a André soltou uma informação que levou a coisa para outro patamar. Teve duas bancas que Foram notificadas e fechadas três dias num final de semana porque foi pego pegando adoçante, colocando adoçante na faca, não na fruta direta, mas coloca na faca pra hora que a pessoa prova eh tá
mais doce. Essa informação de que duas bancas foram fechadas pelo golpe xixelento de colocar doçante na faca usada para cortar as frutas da degustação, fez a Priscila pensar na primeira visita que tinha feito ao mercado sem gravador e sem vestir a pele De repórter. Na hora me tocou um sino que além de eu estranhar o tratamento que esse vendedor deu, que era tão diferente do tratamento anterior, eu também estranhei na primeira mordida que a fruta não era tão doce. Ah, então talvez você tenha sido vítima da faca com a doçante. Então eu tenho quase certeza,
porque o que me chamou muito atenção no dia da primeira visita foi que as frutas eram absurdamente doces. Parecia que todas tinham o mesmo Sabor, porque era era isso, era doce, doce, doce. Eu provava uma era doce, provava outra, a outra era mais doce. Essa história de que bancas tinham sido fechadas por usarante nas facas não foi publicada em lugar nenhum no começo de 2025. Então a Priscila foi [Música] apurar, procurou a Secretaria de Saúde que passou a bucha paraa SP Regula, que é a agência reguladora de serviços públicos do município de São Paulo. A
SP Regula passou o contato do Aldo Bonamet, CEO da Mercado SP, concessionária que administra o mercado municipal. Ele respondeu: "Claro, bora marcar, só alinhar com a minha secretária." A Priscila escreveu pra secretária que passou paraa outra secretária que passou para uma terceira secretária da assessoria do Mercadão. A resposta da terceira secretária: "O Dr. Aldo não vai falar sobre o assunto." Quando a Priscila disse: "OK, a gente Vai publicar um nada a declarar", eles voltaram atrás, pediram para que as perguntas fossem enviadas por escrito. Ela enviou, eles analisaram as perguntas e voltaram atrás sobre não voltar
atrás. Disseram que não iam responder. Depois voltaram atrás de novo. Disseram que iam responder por videochamada, mas voltaram atrás de novo e resolveram responder por nota, que dizia basicamente que os boxistas são locatários do espaço junto à empresa que Gerencia o mercadão, não permissionários da prefeitura. que ao ficar sabendo de uma possível irregularidade, a concessionária tomou as providências necessárias e que tudo tá certo agora. Diante das respostas fajutas, que não incluiam nem o que, nem o quando, nem o quem, a Priscila mandou um e-mail. E desde então, dia 28 de fevereiro, a gente tá esperando
por uma resposta. [Música] De qualquer forma, na segunda visita, as Frutas tinham gosto de fruta, ainda que esse gosto fosse mais doce ou mais excêntrico, como disse Andreia. Então, a nossa fruta é do jeito que é. E aqui você, minha ouvinte fantasiosa, pode estar com um sorriso irônico na face. Sei, do jeito que [Música] é, mas a verdade é bom. A verdade é complexa. E para entender a verdadeira complexidade por trás da doçura das frutas, a Priscila foi conversar com o Biólogo especialista em genética vegetal Luís Fernando Heers. Sou pesquisador aqui na rapa e vinho
desde janeiro de 2002 e eu venho trabalhando com genética e biologia molecular de características agronômicas de interesse, tanto paraa uva quanto também paraa maciira e mais recentemente também alguns trabalhos envolvendo pereira. Quando você fala nessa nesse trabalho com a genética e biologia molecular, eh, na prática, o que que isso significa, Luiz? Significa Você compreender como é a herança, como é transmitida por meio dos cruzamentos, determinadas características de interesse agronômico: resistência a doenças, cor do fruto, ausência de semente, adaptação climática. a gente tá vivendo contextos de mudanças climáticas, o clima tá mudando, a gente faz um
esforço bastante grande para entender o processo, os mecanismos biológicos, essas características. E essa informação, por exemplo, ela pode Ser usada pelo melhorista para fazer combinações de cruzamentos, para fazer uma estratégia de seleção de novos genótipos superiores, né, que contenham essas características de forma mais eficiente. Quando a gente vê esse esse tipo de produto, que eu vou chamar de novo, você me corrija se eu tiver errada, mas para mim é algo assim, quando eu era pequena não tinha uva semente tão doce, né? De onde veio essa demanda, né? É, é por Uma demanda de mercado, é
porque as pessoas não estão comendo a uva do jeito que ela é, então a gente precisa deixar ela mais doce. A uva semente, ela é uma variação genética natural. Ela foi identificada primeiramente na natureza. E aqui a coisa fica especialmente interessante, porque uma mutação desse tipo poderia ser uma má notícia pra planta em questão. Afinal, sem sementes fica mais difícil reproduzir. Então, mutações que Causam ausência de sementes, elas não são adaptativas. na evolução e na seleção natural, essa planta vai ficar sem deixar descendentes e ela pode tender a ser selecionada e desaparecer, a não ser
claro que a gente coloque o ser humano nessa equação. E o ser humano, como a gente bem sabe, gosta de vinho e por isso vem cultivando uva a milênios, inclusive na maior parte das vezes sem usar semente. Como a videira é cultivada de forma clonal, quando Identificaram essas mutações de uva semente, as pessoas começaram a degustar e ver que era muito mais fácil comer, que era mais fácil de morder e tal, elas foram mantidas e sendo cultivadas de forma clonal. Então, muitas dessas cultivares de uva semente que a gente encontra no mercado hoje, elas são
geradas por programas de melhoramento que utilizaram essa variação natural que foi identificada. E a variável semente é só uma das inúmeras mudanças que foram Sendo feitas nas videiras e consequentemente nas uvas ao longo dos séculos. A própria videira, vite silvestres natural, ela tem a planta macho e a planta fêmea. Tem a planta fêmea que produz o furtinho e tem a planta macho, né? Na domesticação, a videira passou a ter os dois sexos na mesma planta. E com isso, na mesma planta, tem o pólen, tem o pistilo, né? Ah, corre a fertilização e daí tu tem
a fruta, né, que é apreciada Pela doçura. Então aí houve seleção, houve interferência humana. Então as vits silvestres naturais, ela tem uma baguinha bem pequenininha, um sementão bem grande dentro, quase sem polpa. Isso provavelmente tem a ver com a pressão evolutiva causada pelas aves que estão entre os maiores agricultores naturais do nosso planeta. Na estratégia de sobrevivência, o que que é mais fácil dispersar? É um bagão com semente dentro. Um passarinho não consegue comer Um bagão. Agora uma baguinha com uma sementinha dentro, o passarinho vai lá, come e depois ele ele leva essa fruta, né,
para outro lugar. A semente cai e germina a planta, né? Mas aí Darwin encontrou Baco e o resto é [Música] história. E é uma história que se repete com várias frutas. [Música] Muitas das frutas que a gente consome são de fato diferentes das originais. [Música] Em outras palavras, a maioria das frutas que você come hoje só é assim, porque há séculos ou milênios, pessoas que trabalham na Terra selecionaram as mais suculentas, as mais carnudas, as mais doces ou as mais fáceis de cultivar em climas variados. A própria maçã, ela é originária da região de transição,
assim, da Europa paraa Ásia e ela foi domesticada pela rota da seda, chegando até a Europa. O Luiz Revers, aliás, Trabalha num projeto que tá estudando o que tipo de gatilho genético faz a maçã precisar de um período de hbernação em clima frio antes de germinar. Isso pode permitir que ela seja cultivada em climas com menos variação entre estações, o que hoje só é possível com a ajuda de produtos químicos. No caso do trigo, por exemplo, o trigo quando amadurecia, a semente cai para dispersar, é uma graminha. Então essa planta que a semente cai, ela
não podia Ser colhida. Algumas plantas que a semente ficava na na espiga, elas eram colhidas. E essa característica passou a ser selecionada. [Música] E ao longo do tempo o que acontece que essas essas espécies domesticadas que tiveram influência humana, elas vão se distanciando geneticamente dos seus parentes selvagens a ponto da gente conseguir medir inclusive essa distância, Entendeu? Ah, é possível. Com ferramentas genéticas, você consegue fazer inclusive estimativa do tempo que aconteceu a domesticação. [Música] Tá, mas e o Kwi Morango, Luiz Revers? E o Kwii banana? Olha, alguns dos teus relatos são novos para mim, então
eu teria que ver essa fruta para ter um uma um parecer assim, uma opinião melhor, tá? Mas eh como é que eu vou ter dizer assim, ó, algumas dessas coisas aí Quando querem hibridar, hibridizar, fazer híbridos, né, de coisas tão diferentes, tá? A gente tá falando às vezes de espécies distintas, etc. Nem sempre isso aí é verdadeiro, cara. Aqui o Luís está obviamente sendo político, mas fora o fato é que não existe cruzamento de kui com banana, nem de kui com morango. O que existe são frutas que tm sabor ou coloração parecidos com o de
outras frutas. Na Nova Zelândia experimentei peras que tinham sabor de Coco, mas era uma pera e elas foram resultantes de processos de cruzamento e seleção que foram realizados por muitos anos, entendeu? Mas não quer dizer que tinha algo do coco ali. Exato. É isso. É isso que eu quero dizer que tinha o sabor do coco, mas não tem o coco, entendeu? É exatamente é isso que eu aí que eu queria chegar. Então você pode ter variações de sabor que são resultado de combinações genéticas da própria espécie, não necessariamente de um Híbrido interespecífico. Então, quando a
pessoa dá esse nome, por exemplo, que banana, pera a maçã, eh, provavelmente já é uma questão de marketing, né? Então, tem kiles que são vermelhos por de polpa vermelha, tem kiles que são amarelos, né? Os melhores kives que eu já comi são os que vem da da Nova Zelândia. Esses são muito bons. Eles têm cultivares de qui muito diferentes. Esse vermelho assim, ele é bem bonito assim. Ele tem um sabor Diferente, sabe? Bem legal. E assim a gente volta pra afirmação que a Andrea fez lá atrás de que a fruta deles é do jeito que
é. Porque a verdade é que praticamente nenhuma fruta é do jeito que é sem uma mãozinha humana. Ao mesmo tempo, essa mãozinha humana tem limitações e não é capaz de misturar Kiwi com banana. E isso dá o que pensar, porque se você fizer uma busca rápida, vai encontrar uma enchurrada de Vídeos de influencers falando as mil maravilhas das frutas do mercadão e pagando um rim e meio por 1 kg de frutas excêntricas. E isso tem a ver com o nosso jeito de viver. Encastelados nos nossos cubículos de concreto, achando que galinha nasce em bandeja de
isopor, que alface tem da lisa da crespa e da higienizada, que se plantar duas sementes juntas, nasce uma planta meio a meio. Diante disso, a Priscila foi Conversar com uma pessoa que vive no outro extremo dessa curva, a nutricionista, escritora e militante dos matinhos desconhecidos, Neid Rigo. A Nade Rigo publicou recentemente um livrinho que tem tudo a ver com a nossa conversa chamado Comida comum. Além disso, ela tem também qualidades geográficas. A Neid é, nossa vizinha, ela mora no Alto da Lapa, em São Paulo. Me conta um pouco de como é que é a casa
dela, como é que ela chegar na casa Dela, como é que é. É a figura da Nade, que eu acho que tudo isso colabora um pouco pra gente entender de quem que a gente tá falando, né? Sim. A chegada na casa dela foi muito gostosa, porque é uma casinha, eh, é uma casinha que não tem um monte de grade, não tem lança, não tem, ela não te exclui, ela não te coloca para fora. Tanto a entrada da casa quanto a a parte da calçada, né, que avança um pouquinho assim, ela tem um canteiro, é cheio
de de de plantas e Aí, inclusive, é uma é uma confusão, uma mistura ali. São muitas coisas plantadas juntas e misturadas, né? A prova de que quando você coloca várias sementes juntas, elas dão separadamente seus frutos ou suas plantas lá. É um manjericão zatar. Manjericão zatar. Isso aqui é anis. Anis, né? Hum. É um tipo de manjericão. Cada erva, cada planta, cada folha tem um sabor diferente, tem uma história diferente. Tem a pimenta da a pimenta Nina Horta. Nina Horta foi provavelmente a maior escritora de gastronomia do país. Além da pimenta Nina Horta que tá
aqui, tem outros com outras com nome com nome de alguém? Não, essa daí eu que dei. Sim. [Risadas] Foi uma pimenta que a Nina deu para ela. Ela plantou e e essa pimenta reina ali naquele espaço lindamente. Ela é linda, bonita mesmo. Esse é cçoba e ó Almeirão. Olha, tá com semente. Esse almeirão roxo Tinha muito assim, né? Minha no sítio do meu avô. Aí você prova uma coisa que tem um um um sabor de comida tailandesa. Parece você tá comendo um prato tailandês só pela folhinha que você provou. Pimenta longa, ela tem um ar
de um efeito anestésico igual jambu. O outro amarra a boca ou deixa sua boca dormente e bem picante. Pode mastigar. Põe pouquinho. Pouquinho. Você põe toda de não. Pus um pedaço. Pera aí. É porque é bem ardidinho. É ardida mesmo. Mas ela tem um que de manga verde, não tem? Não sei. Me deu um retrogosto assim. É. E ela dá. Hum. Tô sentindo efeito na língua, né? Meio anestésico assim. A Priscila gravou duas conversas com a Nid Rigo. Uma na casa dela, outra na nossa, a qual a Neid compareceu com duas goiabas e um maço
de caferana, uma frutinha vermelha que tem o perturbador sabor de grão de bico doce. Essa segunda conversa começou, Claro, com Priscila comendo. Quer comer um pouquinho? Eu já comecei a comer porque eu tô com fome. Não, depois eu como porque eu tomei café agora. Você deula. Então eu vou parar de mastigar primeiro e aí a gente começa. Certo. Podemos. Priscila. Mas conta um pouquinho assim. Obrigado. Você já morava na sua casa, né? Onde você mora? Eh, que você mora há quanto tempo? A gente falou fora do da gravação quando a gente conversou disso. Você mora
quanto Tempo lá? Há uns 25 anos. E a horta tem quantos anos? 10. Tem 10. Então, quando você você já fazia 15 anos que você tava nessa casa, como é que você teve a ideia de fazer a horta? Que você já tinha o seu quintal já com tudo ali, imagino, né? Aham. Sim. A Neid contou que a horta começou como as coisas costumam começar na vida, por uma série de fatores. Ela tinha feito um curso de horta orgânica, depois viu uma palestra da jornalista e ambientalista Cláudia Visoni, que inclui Uma visita à outra horta, porque
daí a gente ia coletar punks, né? punks são plantas alimentícias não convencionais que a dela é na praça das corujas. Sim. E eu fiquei muito impactada assim com aquela horta e com o trabalho da Cláudia Visone. E aí no começo de 2014, enquanto os eventos horticultores se multiplicavam, a Neid lidava com incômodo na vizinhança. Eu já tava incomodada com aquilo, aquele aquele espaço na minha rua, né, que Servia só para depósito de lixo e aquilo me incomodava. E aí conversando com a minha vizinha, falava: "Ah, vamos fazer alguma coisa aí?" E assim, com uma cúmplice
regimentada, a Nei de Rigo fez o que esse povo de horta gosta de fazer. Chamou a comunidade para participar. A gente passou de casa em casa convocando para uma reunião, falando que a gente queria fazer e tal. Aí, dia da reunião, não apareceu ninguém, então só eu e ela. E aí, o que fazer? E agora a gente Desiste, vai chamar de novo. Já chamou. A alternativa foi falar com a subprefeitura. Aí a gente foi numa reunião de zeladoria e contou da nossa intenção. A prefeitura, isso pode parecer uma surpresa para você que não tá acostumada
a ver uma prefeitura trabalhando, deu o apoio que tinha que dar. Basicamente eles cortaram um pouco o market e levaram embora o lixo. Foi isso. E tinha resto de computador, tinha trabalhos religiosos assim, cheio de Água. Era um lugar abandonado, enfim, que as pessoas não iam lá tirar as coisas, né? É. ninguém, porque uma zeladoria de praça tem que ser assim, você tem que passar ali toda semana e tirar a lixa. As pessoas vão jogar mesmo. E quanto mais tem, mais elas jogam em cima porque fala: "Ah, não, é um lugar de descarte, né?" E
o que que acontece aqui na Lapa? Não só aqui, mas todos os bairros, né? As pessoas às vezes pagam pro carroceiro Tirar um sofá da velho da sua casa, não quer saber onde ele vai despejar. E lá acontecia isso, tipo, não meu quintal, né? Então tirava da frente da sua casa e jogava ali. E aí raramente assim a prefeitura passava e levava embora, sabe esses? E dessa vez não, eles mandaram um caminhão e levaram. E aí tem outro ponto importante, porque a prefeitura não só fez o trabalho dela, quer zelar pelos espaços públicos, como ainda
que extra oficialmente autorizou a Iniciativa da horta. E também disseram que não era crime fazer isso, você não tava fazendo nada ilegal, você tá cuidando do espaço, tal e que tudo bem. E aí, em vez de tentar de novo arrebanhar os moradores do bairro, a Neid e a amiga dela resolveram colocar a mão na massa ou na terra. No caso, vamos começar nós e as pessoas vão aparecendo, né, conforme a gente for fazendo. As primeiras coisas que vocês plantaram era o quê? Era manjericão. É, é tipo Assim, era manjericão, alecrim, erva cidreira, capim santo, né?
eram ervas porque já tinha algumas coisas lá, tinha uma árvore de p gigante, então não sobra muito espaço, sabe? Tinha um pezinho que alguém plantou que tava escrito pêsego do mato, sei lá, que depois eu fui descobrir que é o Barjaí, que é uma árvore, é uma planta da Mata Atlântica, uma frutinha que tá na lista da das frutas e com risco de extinção. Tá lá ainda. Uhum. Bajaí, parecido um pouco com a [Música] Vai. E assim, tomando cuidado de preservar as plantas que já viviam lá, a Neid Rigo e a vizinha dela não fizeram
grandes mudanças no terreno, além de plantar algumas ervas. E talvez para celebrar essa pequena primeira vitória, elas colocaram uma plaquinha, horta siilapa. Para Neid, foi isso que despertou a ira da Vizinhança, ou pelo menos de parte da vizinhança. Isso que aborreceu muita gente na placa aqui, porque se você não tivessem colocado nada, ninguém ia nem É claro, tava 15 anos morando ali e nunca ninguém se incomodou, nunca vi ninguém falar aquele lugar cheio de lixo, tal, porque as pessoas não passavam por ali. Mas a hora que surgiu uma plaquinha escrito horta, falou: "Opa, como assim?"
E também tem aquela coisa política, né? Porque tem associações, né? Tem aquela coisa, as associações foram as primeiras a se manifestar de um jeito curioso. Três associações vieram falar com a gente assim: "Olha, a gente assume porque a gente tem CNPJ, continua tudo igual, vocês continuam trabalhando." Ah, é, vocês continuam igual, né? Porque é isso que vocês querem, né? Trabalhar na roça. Então vocês continuam e a gente põe a plaquinha. associação tal cuida desses e se a proposta das associações Foi estranha para Ned Rico, a resposta da Ned Rigo provavelmente também sou estranha para as
associações. Falei: "Não, CNPJ eu também tenho. Eu posso adotar legalmente se eu quiser, posso fazer propaganda da minha empresa aqui se eu quiser, mas eu não quero e a gente não quer. Comunidade aqui não quer. A gente só quer cuidar do espaço, não quer ganho político com isso. Essa ausência de interesse político é a postura natural da Ned Rigo. Mas depois ela Percebeu que tinha implicações práticas importantes. Porque uma vez que você se torna responsável pelo espaço público, bom, você se torna responsável pelo espaço público. E aí, se alguém aparecer e cortar o pé de
Ubajaí, você tem lá mais de 15.000, 15.000 na época que era a multa para quem cortar um pé de Ubajaí. E para quem que vai a multa? Não vai paraa prefeitura, não vai pro cidadão, vai para quem tá cuidando do espaço. Então o que que é? Você vai ter Que pôr um segurança, pagar o segurança também. Então a gente não, a gente só vai cuidar do espaço. Diante de tudo isso, elas resolveram seguir do jeito que dava, como um grupo de pessoas cuidando de um pedacinho da cidade do qual ninguém cuidava. Porque não estão fazendo
nada de ilegal. Você não construiu cerca, não pôs cadeado, não destruiu nada do que tinha. Fora que, pelo menos naquele primeiro momento, parecia pouco provável que Alguém pudesse fazer alguma coisa para impedir que um grupo de pessoas cuidasse de um pedacinho da cidade do qual ninguém cuidava. Que que eles vão fazer? Cortar uns pés de manjericão que tem ali, uns pés de punk que a gente plantou, né? E assim a coisa foi caminhando, no começo, sem gerar grandes transtornos, além de vez ou outra, ter de dar uma destinação pro lixo de alguém. Outro dia tinha
um monte de caixa de luz, sabe? De aquela luz de Tubular assim, tinha lâmpadas. A gente tirou, embalou, colocou para levar no lixo. Mas aí, depois de algum tempo, apesar da escala pequena e da ausência de ambição política dos encarregados, a horta chamou a atenção da imprensa local. Virou manchete do renomado Jornal da Lapa. Quando eu vi, fiquei super feliz. Falei: "Olha que legal, a horta na no jornal. Tiraram uma foto bonitinha até para mim, pro meu gosto, umas 50 mudas De Capim Santo que a gente colocou lá, porque viu que a primeira coisa que
as pessoas escolhiam era capim santo. Então lá, vou trazer do sítio um monte de muda, plantamos um monte". E qual era a manchete? Moradores revitalizam terreno baldil. Menos lixo, mais sabor. Horta para todos. Outra cidade é possível? Não, nada disso, caro ouvinte, nada disso. O que saiu no Jornal da Lapa foi uma denúncia. Como é que era a manchete mesm? Como que era a manchete? Era grupo de moradores. Até aguardei o jornal. Grupo de moradores eh invadem espaço público e ocupam o espaço público e invadem até a calçada plantando ervas. Era manchete e não tinha
matéria. Só [Música] isso. Sem dizer cadeia neles. Isso. Mas se por um lado a iniciativa era vista como um problema, por outro era Bem-vinda, quase a ponto de ficar insustentável. A gente foi vendo quais ervas não dá para plantar, sei lá. A gente tem lá manjericão cravo, manjericão aniz, manjericão zar, mas o manjericão comum, por exemplo, não dura, porque as pessoas vão colher e colhem até acabar. Olha, babosa também tinha um pé enorme, as pessoas foram colhendo, foram colhendo, foram colhendo até acabar. Então tem muita punk Que as pessoas não conhecem, não conhece assim, quem
conhece vai lá, usa nos mutirões, as pessoas vão, levam mudas, né? Então é meio que um showro de algumas punk, sabe? Aqui vale dizer que a tarefa de definir o que é punk não é das mais simples, mas quem entende do assunto costuma aceitar que o termo é variável. O jambu, por exemplo, pode ser considerado uma punk em São Paulo, mas não em Manaus, onde toda esquina tem uma banquinha de tacaká. Na verdade, punk é Uma classificação extra botânica, né? Foi criado pelo botânico Valdeli Kinup e a Irania Artica, uma nutricionista, quando eles estavam fazendo
trabalho de pós-graduação. E o trabalho do Valdeli era identificar as plantas comestíveis no espaço urbano de Porto Alegre. Isso foi em 2007. E foi aí que popularizou mais assim, porque ele agrupou algumas plantas, não significa que são só aquelas que sejam eh não convencionais no sentido de não conhecidas, né, que Não estão no mercado. Aí tem as que são convencionais, mas que tem partes não convencionais. Tem algumas punk que você fala assim: "Ah, minha avó comia, né? Eu conhecia algumas coisas que meus avós comiam. Mangarito, araruta, né? Jacatiá, que é mesmas verduras assim, tipo serralha,
né? Orapronobis, isso daí eu conhecia, mas muitas plantas que eu conheço hoje, meus pais não conheceram, meus avós não conheciam porque são introduções Recentes também, tipo a sha. Chaia é uma coisa nova, mas se você for aqui em São Paulo, todas as hortas comunitárias t. E hoje existem catálogos de punk e até aplicativos que te ajudam a identificar as plantas a partir de fotos. Ainda assim, desbravar matinhos comestíveis pode ser uma atividade de alto risco. Fui dar uma oficina em Cuité, na Paraíba. E aí, campus da universidade, onde acontecia a oficina, a Nade se deparou
com várias florezinhas brancas, Aparentemente apetitosas, super perfumada, gostosa. Falei: "Nossa, acho que essa flor é comestível". Aí fui pro quarto e fiquei até 2 da manhã procurando. Eu já tinha identificado ela. Eu queria saber se ela era comestível. E em toda a referência que a Neid encontrava tava escrito que ela não era. Pelo menos não é possível porque tem uma da família que é que tá no livro do Kinup. E aí de tanto fuçar, achei um pesquisador que falava que era Era tudo que eu tava buscando que alguém falasse. Um sim. Podia ser 100. Não,
tinha um sim. Amém. Aí você foi fui, foi, no caso, é, foi comer a pobre florzinha, que claro, se vingou de maneira implacável. Tudo que diziam lá no artigo nos outros eu tive assim, urticária nas articulações, assim, passei o resto da viagem assim, muito mal, tudo bom? E foi só assim, eu só provei. Mas apesar desse espírito desbravador de Alguns indivíduos, a verdade é que como humanidade a gente tá indo no caminho contrário. 90% do que se come vende 20 espécies só do que se come no mundo. 20 espécies. E daí o que sobra é
o que essa biodiversidade toda. Quer dizer, muito pouco, porque muitas espécies são espontâneas. Aqui na frente da minha casa, eu vou te mostrar, sei lá, umas sete plantas comestíveis que nasceram sem eu plantar. Em volta da gente sempre vai ter plantas alimentícias, vai ter Plantas medicinais, né? Elas estão tão por aí. Agora, como fazer para que as pessoas conheçam? Primeiro que, como diz o Valdelique Nup, né, que criou esse termo punk, ele fala de um analfabetismo botânico. A gente não tem contato mais, né, com as plantas e a gente compra o que tá no mercado.
Então, nossa vida alimentar é editada, né? Essas plantas tinham que começar a aparecer no mercado, porque pros Produtores isso é bom. Muitas dessas plantas nascem no meio dos cultivos tradicionais. Eh, tem muitas plantas rústicas que que dão sem muitos cuidados. Eh, começar a oferecer, mesmo que as pessoas no começo rejeitem, né? aumentar a presença delas faz com que normalizem, né, elas como como verduras, por exemplo. Falando das verduras, mas tem, né, as frutas, tem as partes não convencionais, né, das plantas, que a gente muitas vezes usa uma parte Despreza todo o resto. Tem os estágios
não convencionais, você vai pegar banana, por que que a banana só madura que a gente encontra? Banana verde é excelente alimento. Você usa como legume, como uma batata. E se as punks ainda são raridades no supermercados desse mundão, na horta da citilapa, elas são as protagonistas. Tem, por exemplo, um pé de folha de curry que foi presente da Nina Horta e que tá lá no meio e enorme. Dá pr pra la inteira colher, dá Pra lá inteira inclusive levar mudinha, porque nasce mudinha assim, no chão cai as sementes, então nasce. Então, todo mão, as pessoas
levam. Oi, eu só falo cuidado para onde vai plantar, né? Para não plantar perto de uma floresta per porque ela ela ela nasce muito fácil. Então, mas assim, você tem um vazão dentro de casa com a folha de curry, que é muito usado na culinária indiana, né? Imagina uma especiaria que você tem em árvore. É muito bom. Ah, dificilmente Assim, eu compro salsinha e cebolinha, por exemplo. Tem na horta? Não tem, mas eu uso outras que nascem fácil, que tem no quintal, tipo salsa do Líbano, menta vietinamita, umas coisas que são perenes, sabe? Que não
são sazonais. E essa folha de carre é uma minha comida sempre tem folha de carry, porque além de ser deliciosa assim, tem muita. E aí esses temperos as pessoas não conhecem, não pegam, fica lá. O manjericão zatar mesmo, que é um manjericão com Saborzinho do da mistura, né, chamada zatar. E esse manjericão, ele tem esse gosto de tomilho, então para pôr na pizza, sabe? É ótimo para pôr na no molho de tomate. Mas fica lá, fica lá. Ninguém pega, ninguém pega. Se esse manjericão tomilho estivesse no mercadão, eles iam falar que eram duas sementes plantadas
juntas. Eu fui lá, fiz uma nova visita e os caras ficaram insistindo comigo falando que a banana com que era duas semente Juntas, tá? Ah, não acredito. Semente da banana, inclusive que não tem, né? Tem. É, tem banana com semente, mas não [Música] [Música] é assim a coisa avançou. Mais vizinhos passaram a fazer parte. Tinha uns vizinhos mais animados assim que que participavam. Depois foram mudando, sei lá, as pessoas foram deixando. Mas tem mutirão que assim aparece uns quatro, Cinco vizinhos ali da rua. Mas a Neid Rigo sempre continua sendo o elemento constante, cuidando do
espaço de forma contínua, chamando virtuais motirões no grupo de WhatsApp da horta. Eu sempre convoco, nem sempre eu tenho muito sucesso, assim, falo: "Nossa, eu não tenho poder agregador". Porque na última, por exemplo, eu convoquei só eu e Marcos. Marcos sempre tá comigo, né? Marcos, no caso, é o marido da Ned Rigo. Somos só nós dois. E aqui importante dizer que num mundo em que o tempo das pessoas tende a ser insuficiente para produzir dinheiro na mesma proporção dos boletos, a ausência de engajamento não necessariamente equivale à ausência de admiração. Sempre que eu tô lá
trabalhando, as pessoas passam, parabenizam e conversam e lembra das suas terras de quando morava na Bahia, de quando morava no Paraná. muita gente saudosa, sabe, que mora hoje em Condições precárias, sem lugar para plantar, né? Funciona como uma reconexão, né? Talvez. É. E aí passa, pega um boldo, pega uma ervinha, mais mulheres ou não? Ou não tem essa, de acho que 70% mulher e 30% homens, 10% que falam de ervas de especiarias e de comer e 20% falam de boldo para curar da bebedeira. Ai que maravilha. Muito homem pega boldo. Muito homem. Olha isso, sensacional.
Hoje eu vou beber, eu vou então, segunda-feira assim, né? Chega para ir pro trabalho já. Imagina o a próxima manchete, bêbados invadem para pegar boldo, né? Muito bom. [Música] Já teve muito caso assim de deixar mudinhas, põe no copinho com água assim e deixa lá. Mas ao mesmo tempo que gera empatia, que Atrai pessoas, a horta, por incrível que pareça, também gera repulsa. E a gente não tá falando só do Jornal da Lapa, a gente tá falando de atos do mais puro vandalismo ambiental. O primeiro caso foi há mais ou menos 3 anos. Um vizinho
chamou a Neid e disse: "Olha só, uma mulher desceu do carro com litro de álcool, fez assim, espalhou álcool e tacou fogo e foi embora. Quando eu cheguei tava o Chão preto assim da hora, todo preto. Não acredito. E tava tudo queimou muitas espécies assim. A sorte que eu tenho muitas plantas no meu quintal, assim, daí fui levando tudo de novo, daí veio a chuva e aí plantei tudo de novo, tudo que tinha, chamei o mutirão, as pessoas ajudam. Ao longo da última década em que tem se dedicado à horta, Anigo pensou bastante sobre os
ataques que os matinhos comestíveis sofreram, porque tiveram Vários ataques. O último deles aconteceu alguns meses antes da gente começar a produzir esse episódio. Final do ano passado, a horta não tava exuberante porque era estiagem, a horta não tem água. São plantas que ao longo do tempo a gente foi, são 10 anos e a gente foi vendo o que que se adaptava ali sem água durante o inverno. Aí acho que alguém foi na subprefeitura e denunciou. A prefeitura que numa cidade do tamanho de São Paulo funciona como uma hidra de Várias cabeças que muitas vezes não
se comunicam, simplesmente atendeu a denúncia, mandou um caminhão e uma dupla de funcionários monidos de roçadeiras. Sim. Cortou pé de louro, cortou pé de maracujá que tava produzindo, cortou. Hora pronobs, cortou tudo com com roçadeira assim. Você tava lá, você ficou vendo sobre depois. Um vizinho que me falou: "Você viu que cortar a horta?" Cheguei lá assim, tava um deserto. Quando foi isso? Foi acho que em Outubro, ano passado. É, fizeram uma poda mal feita. Ter chorado. Chorei, claro. Desespero. Eh, tinha muita coisa lá que foi cortado assim. [Música] Nesse momento, você, minha ouvinte, amiga
dos matinhos, deve tá se perguntando por quê? Porque alguém se dá o trabalho de denunciar uma horta. [Música] E a princípio pode parecer que o problema é ignorância de gente que confunde aquilo com mato, que tem medo de que vai juntar bicho, juntar mosquito da dengue. Mas tem uma história de vandalismo que para mim mostra que o problema não é medo de mato. Uma história que tem a ver com um banco. E a Neid demorou para entender o que tinha de errado com aquele banco. Eu fui plantar umas florzinhas assim na praça, quando eu vejo
o banco eh todo preto e Áspero, óleo quente com areia. Ela achou aquilo tanto estranho. Aí eu falei: "Gente, o que que é isso? Esse banco não dava para ninguém sentar." E resolveu dar um jeito no problema. Combinei com uma outra vizinha e falar: "Vamos limpar esse banco, né?" E peguei água quente, bucha, sabão e elas passaram uma tarde esfregando o grude preto e áspero até que o banco ficou sentável outra vez. Mas aí quando elas estavam terminando, veio o guarda e falou a senhora. O Guarda, no caso, é o guardinha da rua, uma instituição
bem comum nas cercanias da Lapa, composta por vigilantes informais que montam guaritas e coletam contribuição de moradores em troca de um suposto serviço de segurança. Vocês estão limpando, não vai adiantar, porque quem fez isso foi um vizinho, que é para ninguém sentar na frente da casa dele. E aqui a gente tem a maior pista do ódio à horta. Porque o banco não tava na frente da Casa do sujeito, tava numa praça [Música] pública, só que não deu outra. Logo depois o o banco tava de novo e um outro banco quebraram uma arretada. Se você for
na praça hoje, não tem nenhum banco. E isso deixa claro que o problema não é a horta em si. O problema é o que vem junto com a horta. medo das outras pessoas se aproximando, né, para porque uma fruteira, uma um pé de fruta chama outras pessoas para aquele lugar. Uma Horta ela atrai outras pessoas e isso deveria ser muito bom, né? uma cidade movimentada, uma cidade onde os vizinhos estão nas ruas, mais segura para todo mundo. Mas as pessoas tem a falsa ilusão de que se ela se trancar dentro da casa dela e a
rua tiver vazia, não vier ninguém, que vai est tranquilo. Ela entra com carro, com controle remoto, entra e não quer aborrecimento, mas ela se incomoda de isso ser bom para outras pessoas, né? [Música] Isso talvez tenha a ver com o tipo de pessoas que se relacionam com a horta, que param para puxar conversa, que deixam uma muda num copinho com água. Talvez o fato também de ser próximo de uma estação de trem também possa incomodar ainda mais, né? E aí você tem também pessoas de outras classes sociais que às vezes não são tão desejadas por
essas pessoas e vai atrair, elas vão até colher algumas coisas ali onde já se Viu, né? Onde já se viu, né? É muito interessante quando eu tô ali assim fazendo alguma coisa, sempre passa alguém que vem da estação do trem e que para para conversar, porque mora num lugar distante, mora em lugar que não tem espaço para plantar, hum, e que gostaria, que muitas vezes, né, vem de outros lugares. Ela mora numa cidade onde tem espaços públicos e que é faz parte do território dela, né? Que ela ela tem direito de colher coisas ali, de
Plantar [Música] coisas. Quando era um espaço abandonado, cheio de lixo, ninguém se importava. Quando as pessoas se deram conta de que aquele espaço existia e que alguém ia tomar conta, que alguém eh colocou uma placa de horta, aí as pessoas acordaram assim. E eu não digo que são muitas pessoas, mas essas poucas pessoas são pesadas, né? Essas pessoas começaram a se incomodar muito com a Horta a ponto de ir na subprefeitura denunciar. E aí, diante de uma sociedade que sabota uma horta, a gente começa a entender um pouco melhor como alguém pode achar que dá
para misturar que o com banana plantando tudo junto ou que pagar R$ 500 em três bandejinhas de frutas não é um [Música] roubo. Todas as vezes que eu vou ao Pão de Açúcar, esses mambo, esses supermercados grandes, assim, eu fico Meio com vergonha de tá ali, sabe? Porque é muito caro tudo. É muito caro. Imagina você vê umas frutas R$ 40 o kg, R$ 20 o kg. Como que as pessoas vão comprar? Elas vão comprar salsicha, arroz, feijão e salsicha. É isso. Então, eh, tinha que ter melhorar o acesso de comida, né? Comida é um
bem comum. As pessoas não tinham que passar necessidade de comida, né? Tinha que ter direito a comer frutas, tinha que ter mais cozinhas comunitárias. Né, para que as pessoas pudessem ir lá e comer e ter acesso a essas comidas, não necessariamente cozinhar em suas casas, né, que muita gente nem tem mais tempo para cozinhar. Cozinhar é um ato revolucionário, né, hoje em dia, assim, não é fácil. E assim, eu eu sempre tento eh ver esses dois lados, sabe, de quem quem pode e não faz e que quem gostaria de fazer e não pode, porque muita
gente gostaria de ter tempo para cozinhar, né? Mas em vez Disso, ela passa 3 horas em pé num ônibus lotado, lotado, tentando sobreviver as enchentes da cidade. É isso. E outras pessoas podem passar 3 horas vendo Instagram. Exatamente. E pede o iFood depois. [Música] Antes de terminar, eu quero te fazer uma indicação diferente que vem de fora da rádio guarda-chuva. é o Entrando no clima, um podcast original do Eco. O Eco é um veículo com mais de duas décadas de Atuação em jornalismo ambiental, digital e [Música] independente. E o Entrando no clima é um lugar
privilegiado para se informar sobre as negociações climáticas internacionais e ficar por dentro das notícias e análises relacionadas às mudanças climáticas. O Entrando no clima estraia agora a terceira temporada. São episódios quinzenais, sempre trazendo Entrevistas com especialistas na área. Além disso, em novembro, quando a cidade de Belém vai sediar pela primeira vez a conferência do clima, o podcast vai ter episódios diários repercutindo as negociações. Enfim, procura aí por entrando no clima no seu tocador de podcast ou entra lá em oeco.org.br/cop20 br/cop20 que você não vai se [Música] arrepender. Eu sou Tomas e Averini e termina aqui
o episódio 135 de Escafandro. Obrigado por escutar e até o próximo [Música] mergulho. Oi, aqui é Thaís Porlã. Eu estou falando de Belo Horizonte, Minas Gerais. A mixagem de som desse episódio é do Vittor Coroa. A trilha sonora Tema é do Paulo Gama. O design das capas é da Cláudia Furnari. A produção e o apoio de edição são do Mateus Marcolino. A reportagem é da Priscila Pastre. O roteiro, a edição e a direção são do Tomás Quiaverini. [Música]