E se eu te disser que a divisão da lei do Antigo Testamento como lei civil, como lei cerimonial e como lei moral, na verdade é uma coisa que tem caído em desuso e que nem de longe representa o modo como a academia cristã hoje segue e interpreta o nosso relacionamento com o Antigo Testamento. Isso te deixa um pouco chocado? Bom, eu quero te ajudar a deschocar e tentar explicar um pouco mais da minha percepção, do modo como eu tenho aprendido, lido e ensinado sobre Antigo Testamento.
Como é que a gente lida com o Antigo Testamento? Essa talvez seja uma das perguntas mais complicadas aí para muitas pessoas quando se discute o relacionamento do cristão com a revelação bíblica. O Novo Testamento é até simples, tranquilo ali, apesar de existir ainda algumas polêmicas sobre alguns textos do Novo Testamento serem aplicados ainda no tempo presente ou eles eram sobre aquela cultura daquele momento.
Tem lá suas suas polemiquinhas também sobre novo testamento, sobre o que é cultural e a gente tem que encontrar o princípio bíblico por trás da aplicação cultural ou a gente tem que seguir exatamente o que tá escrito ali. Bom, é um outro uma outra temática também polêmica essa, mas o novo Testamento tende a ser mais fácil, porque é o nosso momento na história da revelação. O Novo Testamento foi escrito para as igrejas cristãs.
Nós somos igrejas cristãs. Mas quando a gente fala de Antigo Testamento, a gente tá lidando com um texto diferente que foi escrito em outro momento da história da revelação antes da vinda de Cristo e cheio de elementos que não fazem mais parte da fé cristã. Ora, nós não temos mais terra, nós não temos mais sacerdócio levítico, nós não seguimos os rituais de sacrifícios, de ovelhas e de animais para expiação de pecados, não temos mais ano do jubileu e coisas do tipo.
No entanto, muitas coisas do Antigo Testamento ainda são válidas, ainda parecem muito próximas da nossa fé. Como é que a gente decide o que é que do Antigo Testamento é válido e o que é que não é? O que é que a gente ainda segue e o que é que não segue?
Como é que é o nosso relacionamento com Antigo Testamento? O que é que tá certo no fim das contas? Será que os adventistas estão certo em dizer que a gente tem que guardar ainda o sábado judaico?
Será que a gente tem que ser judaizante? A galera judeu messiânica que fala ali que a gente tem que seguir ainda alguns rituais judaicos? Será que os dispensacionalistas estão certos?
O que é que é dispensacionalista, né? Que palavra estranha é essa? Bom, no vídeo de hoje eu quero começar uma pequena série sobre o Antigo Testamento, como lidamos com ele, como interpretamos e se nós ainda seguimos a lei de Moisés.
Nós ainda devemos seguir o Antigo Testamento? Essa é a pergunta que este vídeo e outros que virão depois desse querem responder para você. Se você não me conhece, eu sou o pastor Iago Martins, sou professor de teologia, sou pastor Batista, tenho feito doutorado em teologia e tô há mais de 10 anos compartilhando com vocês aqui teologia no YouTube.
A gente tem vídeo quase todo dia nesse canal, então se você quiser saber mais sobre teologia, não deixa de se inscrever nele e assinar as notificações para ficar sabendo sempre que houver vídeo novo. Este é um 2D de teologia, é o programa que dá nome a este canal, onde a gente tenta discutinar um assunto teológico a partir das escrituras. E estees dois dedos de teologia, esse programa chega até você graças ao Instituto Cheifes de Teologia e Cultura, que é a nossa escola de teologia online.
Se você quiser aprender teologia a partir do zero, essa oportunidade de estudar conosco. Nossa escola existe já há vários anos. Faz um tempo aí que ela tava descontinuada, a gente parou um pouco, mas a gente voltou aí com força total e com a promoção aí de relançamento, quase tudo com 50% de desconto.
Aí se você quiser estudar com a gente, simplificando grego bíblico, academia de missionários, teologias complicadas, escola de teologia, tá tudo disponível de novo com a minha curadoria para lhe ajudar a aprender teologia. Então, o link é na descrição se você quiser conhecer mais. Dito isso, simbora pro vídeo de hoje.
[Música] Quando a gente fala sobre o nosso relacionamento com o antigo Tchamento, a gente tem um desafio muito claro. Qual é o desafio? Alguns textos do Novo Testamento parecem indicar que nós não devemos seguir nada da lei do Antigo Testamento.
Você pode pensar aí uma série de passagens que falam que nós não estamos mais debaixo da lei. Você lê o livro de Gálatas, você hum nada, acabou. O novo Tchamento é um momento completamente novo, a gente não segue nada do antigo.
No entanto, outros textos do Novo Testamento parecem indicar que a gente deve seguir todo ou algo da lei do Antigo Testamento, como Jesus dizendo que não veio para cancelar a lei, ou mesmo o uso do antigo Tchamento, que é tão comum no novo. Como é que alguns tentam solucionar esse problema? Então, bom, existe um caminho da continuidade extrema e o caminho da descontinuidade extrema, que são duas respostas claramente não cristãs, duas posições muito facilmente rejeitáveis.
No caminho da continuidade extrema, geralmente estão os judaisantes, o judaísmo messiânico, grupos neopentecostais, que vão nos colocar em um tipo de subserviência a lei do Antigo Testamento, como se nós ainda fôssemos judeus, desconsiderando muitos aspectos de descontinuidade entre a antiga e a nova aliança. Então, muitos cristãos acreditam que a gente segue o Antigo Testamento quase que esses líteres, acreditam em rituais judaicos. Os pastores às vezes usam roupas sacerdotais do Antigo Testamento.
Elementos do Antigo Testamento fazem parte do culto cristão, como arcas da aliança, menorás e coisas assim. E praticamente se ignora o progresso da revelação, onde o Antigo Testamento em algum nível dá lugar a um novo testamento. Agora, há também o caminho da descontinuidade extrema, é o que nós chamamos de antinomismo.
Antinomismo, nomos vem de lei. Antilei seria a posição em que nós não temos mais nenhum relacionamento com a lei do Antigo Testamento. Ao longo da história da igreja, você teve um movimento muito famoso, que era o movimento dos macionitas, ligado a um homem chamado Macião, que defendia que o Deus do Antigo Testamento era um Deus mau, do qual Jesus veio nos libertar.
Você vai encontrar essa mesma argumentação em alguns liberais modernos, alguns neortodoxos modernos que vão dizer que o Antigo Testamento representa um tipo de revelação de Deus mau, um Deus cruel, um Deus ruim e que Jesus veio para nos livrar desse Deus mau do Antigo Tchamento, o que quer que seja. Tem algumas igrejas, você vai encontrar por aí, que não leem o Antigo Testamento. Muitas dessas igrejas estão ligadas a movimentos como hipergraça, em que todos os aspectos de lei do antigo Tchamento são completamente excluídos e a gente vive unicamente por um tipo de regra do amor, um tanto amorfa e meio que sem princípios éticos.
muito claros. São dois extremos muito conhecidos acerca do relacionamento com o Antigo Testamento. E é sempre bom começar mostrando os extremos porque facilita retoricamente pra gente conseguir pensar nas linhas do meio, as linhas intermediárias e descobrir se é mais para um lado ou mais pro outro que a gente tem que est agora, o caminho mais comum de interpretação do Antigo Testamento vem de de tentativas de continuidade ou descontinuidade seletivas.
as pessoas selecionam de alguma forma o que é que continua e o que é que não continua do Antigo Testamento. E existe uma série de respostas, de tentativa de respostas para isso, uma série de de caminhos, não é, que eu quero apresentar para vocês. Pensa, por exemplo, na resposta da teologia popular, não é?
Na teologia popular, no modo como as pessoas fazem teologia no dia a dia sem muita referência acadêmica, o que continua ou não continua do antigo tachamento é baseado em decisões arbitrárias. Simples assim. Então, tem aquilo que parece bom, tem aquilo que não parece bom, tem aquilo que parece ainda ter algum sentido nachamentário, tem aquilo que não parece ter o sentido nãochamentário.
E tudo acaba sendo decidido em nome de um uma espécie de bom senso, uma espécie de feeling teológico, em que você meio que tenta sentir ali se aquele texto do Antigo Testamento ainda faz sentido debaixo da nova aliança ou não, o que, claro, é a forma metodologicamente mais frágil de você tentar definir qualquer coisa sobre o relacionamento entre as alianças. Uma segunda resposta, eu chamo de resposta fundamentalista, pelo menos é a resposta mais comum em vários círculos fundamentalistas, que acredita no quê? De que continua no novo tachamento aquilo que é repetido da lei.
Então, se um mandamento da lei do antigo Tchamento é repetido no Novo Testamento, continua. Se um mandamento da lei do Antigo Testamento não é repetido no Novo Testamento, então não continua. E aí tudo é uma questão de repetição.
Mas seja o fato, então para que serve o Antigo Testamento? Para nada. Se a gente só segue do Antigo Testamento, o que é repetido no novo, bom, se já está repetido no novo, então o antigo se torna obsoleto e inútil.
A gente não precisa olhar para ele, se preocupar com ele, interpretá-lo ou aplicar qualquer coisa dele na nossa vida. Nisso, alguns tentam oferecer uma uma adaptação disso, que seria uma resposta neoortodoxa e a ideia de Jesus como chave hermenêutica. O que é que eu sei que continua do Antigo Testamento para o Novo Testamento?
É aquilo que me parece ligado ao que é evangélico, ao que é de Jesus. Então, se eu olho para algum elemento do Antigo Testamento e encontro ali alguma coisa que me aponte pra pessoa de Jesus, bom, então talvez eu tenha ali algo que continua, porque Jesus é a chave hermenêutica da leitura bíblica. Se eu leio alguma coisa e não parece com o espírito de Jesus, com o caráter de Jesus, com o ministério de Jesus, bom, então aquilo ali não Existem, claro, respostas mais fundamentadas.
Uma resposta muito conhecida é a resposta reformada clássica da tripartição da lei do Antigo Testamento. O que os reformados fazem? E aqui eu falo os reformados em terceira pessoa, por mais que eu me descreva como reformado em muitas coisas, porque este é um ponto específico da teologia reformada que eu não sigo, que é a ideia de que a lei do antigo tachamento é dividida em três partes.
Há uma lei moral, a uma lei cerimonial e há uma lei civil. A lei civil era aquilo que falava sobre a ordem política e social de Israel. A lei cerimonial é aquilo que falava sobre as cerimônias religiosas e o aspecto litúrgico do templo e da aproximação de Deus.
A lei moral era aquilo que geralmente falava sobre santidade e pecado, sobre a vida com Deus e o relacionamento com o próprio Senhor. O que é que os reformados vão argumentar de que a lei cerimonial e a lei civil caíram, não fazem mais parte da nova aliança. Então, todos os textos que falam sobre a lei em termos de descontinuidade estão falando exclusivamente da lei cerimonial e da lei civil.
Todos os textos que falam da lei em termos de continuidade estão falando da lei moral e não da lei cerimonial, não da lei civil. O que é de todas as posições que eu apresentei até aqui, o que mais se aproxima de uma metodologia de interpretação do Antigo Testamento. Agora, os reformados não são consensuais, não é?
E você não tem só uma posição reformada. Dentro da resposta reformada, você vai ter a versão teonômica da resposta reformada, que não crê nessa tripartição da lei, os reformados vão acreditar em um tipo de unidade da lei e acreditam em um tipo de continuidade muito grande. Para eles, quando o Novo Testamento fala em termos negativos ou em termos de descontinuidade com a lei, a fala é exclusiva sobre aspectos cerimoniais da lei, ou mesmo sobre a maldição da lei, de não seguir os seus aspectos cerimoniais.
A lei não seria então tripartida, mas seria pelo menos bipartida. existiria um aspecto que é cerimonial da lei e exclusivamente os aspectos cerimoniais teriam ficado restritos ao antigo tachamento. Os outros aspectos da lei, incluindo aspectos civis, permaneceriam para o novo tachamento, no sentido de que as nações ainda deveriam se submeter de alguma forma às leis civis do Antigo Testamento.
Eu quero discutir um pouco mais sobre as questões de tripartição da lei no vídeo de hoje, como você deve ter visto aí no título do vídeo. Existe também uma posição que é a posição adventista, que é uma posição que, olha, por mais que seja muito comum dentro do adventismo, ela tem suas variações fora do adventismo. é a visão de que nós seguimos do Antigo Testamento apenas os 10 mandamentos.
Essa divisão entre lei civil, cerimonial e moral acaba caindo um pouco de lado. E você teria a lei moral representada nos 10 mandamentos e você teria o resto da lei, o restante da lei, as outras coisas da lei que não estariam necessariamente apresentados ali nos 10 mandamentos. Os 10 mandamentos, então, apareceriam como o que é a lei, o paradigma da lei.
Então, sempre que a escritura fala que nós não seguimos a lei do antigo Tchamento, tá falando do quê? Dos outros aspectos da lei. Quando fala que nós seguimos o antigo tachamento, fala o quê?
fala exclusivamente dos 10 mandamentos. Com base nisso que adventistas vão argumentar que a gente ainda deve seguir, por exemplo, a guarda do sábado como expresso nos 10 mandamentos, o que é uma posição que eu também não sigo. Os 10 mandamentos não aparecem como paradigma de como lidamos com a lei ao longo do novo Tchamento, em momento nenhum.
Os 10 mandamentos são lei mosaica, tão lei mosaica como todo o resto do Antigo Testamento. Essa visão de ver os 10 mandamentos como o centro, o resumo da lei mosaica e a parte mais alta da lei mosaica, ao ponto da gente qualificar os 10 mandamentos como sendo a própria lei de Deus em contraste com todo o resto, não encontra confirmação neotchamentária. É um paradigma teológico posterior que é imposto ao texto antigo testamento.
A melhor prova disso é que quando Jesus estabelece os pontos principais da lei mosaica, ele não usa o decálogo, ele não volta aos 10 mandamentos, mas ele cita Deuteronômio 6 e Levítico 19. Não é isso que Jesus diz no diálogo dele ali com o mestre da lei? Qual, qual é o maior mandamento, não é, do Senhor.
E aí vai para amar do Senhor, teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento, que é Deuteronômio 6:5, e vai para Levítico 19:18, que amarás o teu próximo como a ti mesmo. Para resumir a lei, Jesus vai para Deuteronômio Levítico. Ele não vai para Êxodo com os 10 mandamentos.
Então, por que é que a gente qualifica os 10 mandamentos como o auge da lei mosaica? Bom, você tem ali um resumo da lei mosaica, mas os 10 mandamentos são tão lei mosaica como todo o resto da lei mosaica. Não há nada que separe os 10 mandamentos do resto da lei.
Agora, de todas essas posições, existe uma outra, tá, que encontra as suas variações. você vai encontrar talvez no que é chamado de dispensacionalismo progressivo em livros como livro do Dary Bock ou no aliancismo progressivo. Você vai encontrar também em português, você vai encontrar ligado ao pessoal do New Convenent Theology, que é a teologia da nova aliança, em obras como do Jason Myers, que é o fim da lei, que também tem em português, que é a ideia de que nós não seguimos a lei em nada como norma, mas seguimos a lei em tudo como princípio.
Nesse cenário, ao invés de você dividir partes da lei, essa parte é moral, essa parte é cerimonial, essa parte é civil, você olha a lei como um todo. E olhando a lei como um todo, ela é 100% histórica. Nada ali é uma uma ficção, uma fantasia.
Ela é 100% didática. Nós olhamos paraa lei e recebemos lições didáticas do Antigo Testamento. Ainda há algo para ser ensinado a partir dali, mas a lei em nada é norma pros crentes do Novo Testamento.
Então, na visão de dispensacionalista progressiva, na visão do aliancismo progressivo, na visão da teologia da nova aliança, são três movimentos diferentes, mas tem seus pontos de contato. O nosso relacionamento com a lei não é qualificado em particionar a lei, mas em requalificar o papel da lei e o tipo de relacionamento que temos com ela toda. nós não olhamos para pedaços da lei, dizemos: "Ah, não, isso aqui fica totalmente para trás e isso aqui fica pra frente".
De modo que a gente aprende a interpretar essa lei procurando justamente o princípio moral por trás dela. O que é que é revelado do caráter de Deus nesta lei do Antigo Testamento e como é que a gente aplica isso pro Novo Testamento. Essa é a minha leitura.
Eu não sigo nenhuma das outras leituras que eu apresentei aqui e essa é a leitura que eu vou tentar mostrar para vocês ao longo dessa série de vídeos. É como eu entendo que Jesus e Paulo usaram o Antigo Testamento no Novo Testamento, não simplesmente como uma norma ou como pedaço da lei sendo norma ou como uma tripartição da lei ou como ou os 10 mandamentos como um resumo da lei, mas se relacionando com toda a lei de forma una e integral, nunca como dorma, sempre como princípio. Para argumentar nesse sentido, a gente tem que tirar um elefante da sala, que é de longe a visão majoritária dentro do contexto teológico brasileiro sobre o relacionamento com a lei, que é a visão tripartite da lei, de que a lei do Antigo Testamento é dividida em três partes.
De longe é a posição mais comum dentro do meu círculo teológico, que é a galera reformada. Nisso, por mais que eu seja um reformado, eu me afasto um pouco do núcleo duro do movimento reformado brasileiro, já que eu não sou um presbiteriano nesse sentido. E aqui a gente tem que lidar com isso com seriedade.
Essa visão de uma lei tripartite, de uma divisão tríplice da lei é uma forma correta de olhar pro antigo tachamento. Tem um capítulo muito bom no livro Aliancismo Progressivo do Stephen Wellon e do Brand Parker, que é um livro que quer traçar uma linha média entre o dispensacionalismo e o aliancismo. O terceiro capítulo escrito pelo Jason Myers se chama A lei mosaica, os sistemas teológicos e a glória de Cristo.
Por mais que ele rejeite a ideia de divisão tripartite da lei, ele vai dizer que esta é uma ideia que tem alguns pontos positivos. Qual é o problema? O problema, ele vai argumentar que essas características atrativas não são argumentos satisfatórios, porque são contrabalanceados por várias dificuldades.
Em primeiro lugar, ele vai argumentar que o novo tachamento não estabelece explicitamente uma divisão tripartite da lei e só fala da lei do antigo Tchamento em termos de totalidade ou como uma entidade singular. Em Gálatas 3, por exemplo, Paulo vai falar que se você segue parte da lei, você tem que seguir ela toda, justamente por causa dessa unidade integral da lei. Dessa forma, mais vai argumentar que é ilegítimo ler essas distinções no Novo Testamento.
Não tá lá tripartição da lei não existe no Novo Testamento. Em segundo lugar, a lei em sua forma mosaica, é tão complexamente conectada que com frequência tentar isolar e desembaraçar um fio da lei, dentre outros, ele vai dizer que é um exercício frustrante de futilidade. É praticamente impossível delimitar uma lei que é moral e o que não é moral.
O que a moralidade se expressa exclusivamente em um aspecto civil ou cerimonial, porque essas coisas são totalmente imiscuídas. Às vezes a lei é tanto moral como cerimonial como civil. Como é que você separa essas coisas?
Não tem como. Em terceiro lugar, mesmo os 10 mandamentos, eles não são automaticamente obrigatórios, porque muitos vem o mandamento do sábado como revogado sobre a nova aliança. Então, como é que a gente vai olhar pros 10 mandamentos como a base, o resumo da lei de alguma forma, como a expressão máxima da lei moral?
Se existem aspectos claramente cerimoniais, que é justamente o sábado dentro da lei mosaica? Em quarto lugar, essa abordagem impede efetivamente que a lei se dirija a nós vindo no lugar? No baixo só destruir as coisas, tem que construir no lugar.
Beleza, cresci, aprendi em todo lugar que isso era o certo, que era a única posição válida, que quem não queria nisso era o do capeta. Aí está me dizendo agora que essa não é a posição mais corrente dentro do dos ambientes acadêmicos atuais. O que é que o pessoal tem defendido?
Então, as propostas mais modernas você vai encontrar em vários materiais, alguns deles em português. Você vai encontrar no dispensacionismo progressivo do Dir Bock e do Craig Blazing. Está publicado em português pela Concílio.
Você vai encontrar a teologia da nova aliança com Tom Wells e Fred Zaspel. Você vai encontrar o alianismo progressivo que já citei aqui com o Stephen Rent Parker e Jason Myers. Seja na própria obra alianismo progressivo, seja na obra O fim da lei.
Dois livros excelentes sobre o nosso relacionamento com antigo tachamento. Você vai encontrar o luteranismo modificado com o Douglas M. Eu não sei se ainda se publica o livro com cinco visões sobre o cristão e o antigo testamento.
Da o capítulo do Douglas Mo para mim é praticamente impecável. O problema é que às vezes a nossa visão estreita em termos teológicos acabam tirando de nós a a visão de que existem muitas posições teológicas sobre alguns assuntos, principalmente os assuntos complexos, e que ninguém é do mal por ter uma visão diferente da nossa. Muitas vezes a gente aprende dentro dos nossos círculos teológicos que esse é o certo, todo o resto é idiota, todo o resto é burro.
E você vai ter uma série de teólogos respeitabilíssimos, muito acima de qualquer um de nós, defendendo posições diferentes. A grande questão é a qualidade do argumento e se aquilo tá dentro da ortodoxia cristã. Todas essas visões apontadas aqui, inclusive a visão tripartite da lei, tá dentro da ortodoxia cristã, sem nenhuma dificuldade.
Eu preparei para vocês aqui para poder ajudar um gráficozinho de continuidade, descontinuidade, para você poder ver quais são os movimentos aí, onde é que eles estão. Então, tá aí na sua tela. Você lembra que no começo do vídeo eu apresentei os judais antes como um extremo de continuidade e os antinomistas como um extremo de descontinuidade.
O que que a gente tem aí no meio? Bom, na minha leitura aqui, quem fez esse gráfico sou eu, então é por minha conta e risco. A gente tem o seguinte, a gente tem do lado judais antes os teonomistas, que é certamente uma visão extremamente contínua do antigo para o novo Tchamento.
Saindo da teonomia, a gente tem o aliancismo em um sentido mais clássico. Para mim, a teonomia quase consegue sair do que é o aliencismo. É um tipo de aliencismo, não vou dizer que não é, mas é tão extremado no seu aliencismo que quase sai do aliencismo.
Então vou colocar como movimento separado apenas didaticamente aqui. Como uma ideia mais central, mais aliencismo progressivo. O Meer fala que nós vivemos hoje em uma relação indireta com a lei mosaica.
Ele vai argumentar que o melhor modo de resumir a evidência bíblica é dizer que a economia da lei mosaica chegou ao fim como um todo. E a lei mosaica, como um todo, continua a servir como um guia ou como um manual útil, mas indireto. Lembra dessa palavra?
indireto. Paulo fala a respeito da lei em termos de totalidade de sua sabedoria como tendo um cunho norteador e não como um código de lei direto e obrigatório, como a gente encontrava no Antigo Testamento, quando a lei era revelada para o judeu. Essa abordagem é preferível porque é possível interagir com a totalidade do sistema mosaico em vez de tentar distinguir claramente entre o que é moral, civil e cerimonial.
Mas na frente ele vai dizer que deve se estabelecer uma distinção entre a lei de Moisés como escritura e a lei de Moisés como um código de leis. A lei de Moisés tem autoridade direta como escritura e autoridade indireta como lei. Portanto, a lei tem aplicação indireta em nossas vidas hoje.
Olha que citação poderosa, né? Autoridade direta como escritura, autoridade indireta como lei. E por isso é aplicada indiretamente na nossa vida hoje, buscando princípios morais por trás de toda a lei.
Mais à frente, ele vai dizer que o cristão da nova aliança percebe o modo de existência da lei mosaica, distintamente da antiga aliança israelita. Ou seja, o modo como os israelitas recebiam a lei da antiga aliança enquanto estavam na antiga aliança é diferente do modo como nós, cristãos, não judeus, recebemos a antiga aliança estando debaixo da nova aliança. Sobre a antiga aliança, ele vai dizer: "A lei, aliança mosaica completa, tinha autoridade direta como um código de leis completo.
No entanto, já não funciona mais dessa forma sob a nova aliança. Ela é a autoridade absoluta como revelação. Agora somos diretamente dependentes da orientação de Cristo e de seus apóstolos em relação à forma de abordar toda a revelação do passado, incluindo a lei de Moisés.
O que é que isso significa na prática? Bom, a gente tem que olhar pro modo como o Antigo Testamento descreve a si mesmo e as expectativas do Antigo Testamento sobre uma nova revelação que ia ser superior a ela. Olhar pro modo como o Novo Testamento lida com o Antigo Testamento.
Olhar pros textos que falam sobre a plenitude da nova aliança e quais são as implicações disso. Olhar bem pra teologia de Gálatas, discutir sobre como é que nós usamos a lei, avaliar o que significa a lei de Cristo e lidar com todas as questões. Ah, mais I, mais I, mais I, mais I, que acabam surgindo.
Então assim ó, esse vídeo é só o a entrada é a salada cinza que você pediu aí com o molho peixo que você coloca por cima pra gente só abrir o apetite porque a gente quer conversar sobre qual é o nosso relacionamento com antigo tchamento. Então se você gosta desse tipo de vídeo, não deixa de se inscrever no canal, assinar as notificações, se tornar aluno do Instituto Chefers de Teologia e Cultura, se você tiver interesse, e continuar conosco nessa jornada. Deixe suas perguntas, seus comentários aqui, porque nos próximos vídeos que eu for gravar sobre essa série, eu já vou elencando aqui as coisas que vocês forem levantando também como resposta e tentando já lidar com as dúvidas de vocês que são o meu público.
É para vocês que eu gravo esses vídeos e é as dúvidas de vocês que eu quero poder tentar ajudar a responder se eu puder. Muito obrigado por nos acompanhar até aqui. Um cheiro no seu cangote e até a próxima.