No nível três de suporte, ele ele acontece de maneira muito impactante. A cientomatologia do autismo é muito presente. E esse suporte que o nível três precisa, ele afeta diretamente não só a vida do indivíduo, mas de toda a comunidade que está ao redor dele.
Não entendam que eu não estou dizendo com isso, que no nível um e nível dois nós não temos esse impacto. É lógico que nós temos porque continua sendo altíssimo. Mas o nível três de suporte é muito marcante.
a quantidade de ajuda que essa pessoa precisa, quase que na maioria das vezes nós vamos ter um membro da família que parou sua vida, parou sua vida, deixou de muitas vezes olhar para si mesmo. Alguns se despersonalizam nesse processo, já não sabem do que gostam ou o que querem, porque a vida dele, a função dele existir nesse mundo é cuidar dessa outra pessoa. Então, quando nós falamos de nível três de suporte, quase que na maioria das vezes nós estamos falando de uma pessoa que foi anulada, a sua vida foi anulada para cuidar dessa outra pessoa que é seu filho.
E a essas marcas que o autismo nível três de suporte, às vezes ainda romantizado na internet, eu confesso que isso me incomoda bastante porque eh as pessoas divulgam, comunicam em redes sociais, às vezes com fundo musical muito atrativo, muito emocionante, muito inspiradora. até e as pessoas curtem, comentam, compartilham eh o nível três de suporte fazendo alguma coisa engraçada. E eu fico pensando muitas vezes em quem tá gravando vídeo, como que deve ser a vida dessa pessoa, porque quando eu converso com as mães do nível três de suporte, são pessoas adoecidas psicologicamente, eh, quase que na maioria das vezes relatam transtornos de ansiedade, depressão, de toque, tomam medicações para poder suportar o peso do seu dia a dia.
Não é à toa que o autismo, ah, mães de pessoas com autismo foram comparadas o nível de estresse delas a soldados de guerra. Soldados de guerra estão tempo todo em alerta. Ele não sabe quando a bomba vai vir, ele não sabe quando um soldado vai ser abatido.
Então ele está inclusive dormindo com a arma na mão, porque ele precisa se defender de algo, ele precisa se proteger, ele precisa proteger as pessoas que estão com ele. Mães de pessoas com autismo, já foi comprovado em estudo que o nível de estresse é semelhante a soldados de guerra, porque elas estão sempre em estado de alerta. eles não conseguem observar o perigo, por exemplo.
Então, você não tem condições de deixar uma pessoa nível de suporte, uma pessoa autista que tem esse essa necessidade de apoio sozinha por um só minuto, porque tudo vira uma arma. A pessoa pode se machucar porque ela não tem noção do perigo. Então a gente pode estar falando de alguém que vai na janela, não tem noção como acontece todo santo dia no nosso país de autista agora.
Semana passada uma autista pulou da janela. Não tem noção do perigo. Não tem noção do perigo mexer no fogo.
Ah, as mães eh relatam que não conseguem ir no banheiro, não conseguem não conseguem fazer suas necessidades, não conseguem tomar banho. Então, no nível três de suporte, a gente tá falando de uma pessoa 100% do tempo cuidando da pessoa com autismo, porque a necessidade de ajuda que ela precisa é tão alta, tão alta, que não há como deixar sozinho. Aqui não é incomum nós vermos que a pessoa que cuida do autista nível três de suporte adoece psicologicamente com frequência.
Nós estamos agora gravando essa aula no ano de 2026. Em 2022, nós temos eh uma coisa que me chocou muito, eh uma mãe de autista, ela infartou, ela morava sozinha com um filho de 5 anos, nível três de suporte, e ela infartou e o corpo dela ficou 12 dias em decomposição com o filho autista ao lado desse corpo, se decompondo. O corpo, você imagina um corpo de uma pessoa 12 dias falecido dentro de uma casa.
Ah, e uma criança de 5 anos autista ali. E o mais bizarro dessa história é que ninguém sentiu falta, ninguém notou. Os vizinhos não perceberam, os familiares não perceberam.
12 dias depois, o irmão da da pessoa que faleceu, dessa mulher que enfartou, ele foi até a casa para ver porque que fulano não aparecia, não dava sinal, não respondia as mensagens. Você entende isso? A que ponto chega o nível de isolamento de uma família dessa, de não conseguir ir num supermercado ou sair fora de casa, de não ser percebida a sua falta por 12 dias?
Onde estava a comunidade? Como que um ser humano consegue pertencer a este mundo e não sentir em sua falta por 12 dias? Então, quando nós falamos de um autismo que precisa desse nível de ajuda, nós estamos falando de pessoas, de famílias inteiras extremamente vulneráveis.
vulneráveis a adoecimento psicológico, vulneráveis a adoecimento físico, vulneráveis financeiramente. Porque veja, eu estou falando de alguém que teve que abandonar sua profissão. Se ela tinha uma profissão, se ela tinha uma profissão, não é incomum.
Eu atendo na minha clínica mulheres empresárias que que têm dinheiro, que abandonaram sua profissão para cuidar do filho e o marido foi tocando os empreendimentos. Só que neste caso aqui, essa pessoa consegue ter uma quantidade de funcionários suficiente que lhe dão ajuda com com esse filho. E eu nem tô falando de nível três de suporte.
Então você imagina no nível três de suporte. Então, a gente tá falando de uma realidade que aparecem em vídeos de YouTube de pessoas com autismo amarradas com eh correntes ao pé da cama. Não porque a mãe é cruel.
Humum. Não é isso, não. É porque a mãe, a única forma dela manter aquele aquele filho sem se machucar ou sem apanhar na rua é amarrando, é botando a corrente, porque ela tem 1,50 m, o filho tem 1,80 m.
Como é que ela dá conta? Os outros filhos foram viver sua vida, o marido foi embora e o que sobrou foi ela e o filho. E a vida dela foi cuidar daquele filho.
Então é desse autismo que nós estamos falando. O nível três de suporte é isso que eu conheço. Eu tenho amigos pessoais que abandonaram sua profissão.
profissão, não vou falar aqui qual, mas altamente reconhecida na nossa sociedade para cuidar de um filho nível três de suporte. Entenda que eu falo isso. Essas pessoas é óbvio que elas queriam viver outras coisas, que elas queriam poder passear com esse filho, que elas queriam poder ir ao supermercado com esse filho, que elas gostariam de está tendo uma feira aqui na nossa cidade agora, que elas poderiam, elas gostariam de ir na feira com esse filho.
Existem filhos, existem autistas que pela quantidade de estímulo, pela quantidade de som, pela quantidade de barulho, ele não consegue nem no supermercado que dirá numa feira. Nós estamos falando de um autismo, de uma manifestação sintomática extremamente grave, extremamente grave, que requer, quase que na maioria das vezes paraa média da população que não é rica. que uma pessoa da família abandone aquilo que está fazendo para cuidar dessa pessoa com autismo.
E se nós estivermos falando de pessoas com baixo poder aquisitivo, também nós estamos falando de pessoas que não conseguiram acessar um tratamento, quer na rede pública, quer na rede privada. na rede privada. Primeiro porque não há profissionais aptos em eh atender pessoas com esse nível de suporte.
Na rede pública, nós estamos falando de não existir um tratamento disponível para esse nível de suporte. Não existem pessoas treinadas suficientemente para manejo de crises agressivas, por exemplo. Não existem pessoas treinadas suficientemente para que eh consigam fazer com que esse autista nível três de suporte evolua para um nível dois e agora use palavras para comunicar as suas necessidades.
No nível três de suporte, nós observamos que os comportamentos estereotipados são extremamente marcantes. Ah, conforme eu falei na aula anterior, a necessidade de ajuda, de suporte que essa pessoa autista vai necessitar da comunidade que ela vive é muito substancial, é muito presente, muito marcante para tudo, para todas as todas as atividades diárias, comer, se vestir, salvo exceções, às vezes alguns autistas nível três conseguem comer sozinho, acontece, mas precisa de muita ajuda. As falhas são muito presentes.
Nós estamos falando também de uma pessoa que, provavelmente, se a intervenção é mais tardia, ela vai precisar de um recurso para se comunicar de maneira alternativa. Então, ela faz uso de comunicação alternativa, às vezes por tablets que tem ali, eh, as imagens daquilo que muito provavelmente ela mais precise no dia a dia dela, como quero comer pão, eh, água, ã, café e tem ali as alternativas e ela aprende a tocar para dizer o que ela quer, dormir. banheiro.
Então, nós temos o recurso de voz desse aparelho tecnológico e a pessoa nível três de suporte vai lá, aprende com ajuda do terapeuta, dos pais a tocar ali para fazer o seu pedido. Não é incomum pais de autistas nível três de suporte que não tiveram acesso a essa intervenção nas três janelas de oportunidades principais do desenvolvimento, que são 0 a 3 anos, 3 a 5 anos e de 5 a 7 anos, não tenham tido essa intervenção. E, portanto, esses pais às vezes nunca escutaram a voz dos seus filhos por meio de uma palavra.
Nunca escutaram eles serem chamados de pai, de mãe e muitos sonham com o dia em que isso vai acontecer. E eu digo que eu vi com os meus olhos autistas com 13 anos de idade, que não eram oralizados e que hoje fazem frases com cinco, seis palavras. Obviamente que eu estou falando de pessoas que tiveram recurso financeiro e puderam eh pagar profissionais para ficar full time, tempo integral manhã e tarde.
Parte disso dentro da clínica, parte disso fora da clínica com essa pessoa autista sendo treinada o tempo todo enquanto estava acordada. Então veja que é possível evoluir, mas a quantidade de repetição aqui no nível três vai ser muito maior, muito maior para que ele possa se desenvolver e usar palavras para se comunicar. O que é comum no nível três suporte é a utilização de comunicação alternativa, porque eh essas pessoas não tiveram acesso a tratamento, não puderam eh gozar dos seus direitos que existem, mas que na prática os pais não conseguem o professor apoio, às vezes não conseguem o tratamento de análise do comportamento aplicada.
Não conseguem nenhum BPC, LOAS, um recurso financeiro para ajudar no tratamento, às vezes medicamentos não consegue. E quando eles não conseguem pagar por isso tudo, o que resta muitas vezes eh para alguns é o ensino de comunicação alternativa. E é verdade que mesmo mesmo ah alguns autistas tendo acesso por questões que nós não sabemos se de ordem genética, crianças que tiveram uma intervenção precoce, é menos comum isso que eu vou falar, mas é possível.
Eu já vi eh crianças que iniciaram o tratamento junto com os meus filhos, ah, os mesmos terapeutas, as mesmas possibilidades de carga horária, eh pais também engajados, mas que ah, a outra criança não evoluiu paraa fala. Às vezes, talvez, alguma questão outra de genética que nós não temos conhecimento e não sabemos por que a intervenção foi precoce. A quantidade de carga horária estava ali dentro daquilo que manda o figurino, dentro daquilo que a análise do comportamento diz que é necessária e simplesmente aquela criança, mesmo recebendo tudo isso, não evoluiu e hoje faz uso de comunicação alternativa.
Por quê? Não tenho essa resposta. É menos comum, tá?
Comumente, a média das crianças que recebem a intervenção adequada evolui. Ela evolui, ela se desenvolve, inclusive para comunicar através de palavras aquilo que ela quer. Eu citei agora a pouco o exemplo de um menino de 13 anos, que hoje tá com 15 e que agora canta músicas inteiras e quando quer alguma coisa faz frases com quatro, cinco palavras.
é o sonho desejado da alma, da vida dos pais. Eh, que os seus filhos nível três de suporte façam frases com quatro, cinco palavras. Eu tenho certeza que é algo que eles deixaria muito feliz.
Isso é possível, acontece, mas requer um engajamento muito intenso. Então, eu falei da comunicação alternativa muito presente no nível três de suporte. também eh a questão da inflexibilidade cognitiva, eh da rigidez.
Eu falei que no nível um isso tava presente, no nível dois um pouco mais presente. Se alterasse ali a rotina de eh o exemplo que eu dei, eu preciso ir no mecânico porque surgiu a situação de furar o pneu antes de chegar na casa da avó. é uma variável que eu não tenho como controlar.
No nível dois, nós já íamos ter possivelmente uma crise, uma rigidez maior, uma dificuldade maior. Mas o que acabou acontecendo ali no nível três de suporte é que aquilo que seria uma crise que duraria talvez 15, 20 minutos num nível do nível três de suporte, eu posso ter problemas mais graves, como por exemplo, uma heteroagressão, uma autoagressão. Isso pode acontecer no nível dois, pode.
nível três, a rigidez é maior e as as probabilidades nos mostram aí que aumentam, né, essas chances de isso ser mais frequente. Todos os autistas nível três são agressivos, Sabrina? Não, não, isso não é uma verdade.
Existeem nível três suporte que nós entendemos que uma medicação bem ajustada ou ainda o próprio temperamento, temperamento que faz parte da construção da personalidade daquele sujeito autista, ele também tem uma personalidade e dentro dessa personalidade ele tem um temperamento. O temperamento é mais tranquilo. Então, o que nós sabemos é que quanto maior o nível de suporte, maior a rigidez, maior a inflexibilidade.
E quanto mais inflexibilidade e menos comunicação, mais chances de que essa pessoa se desregule, se desorganize quando as coisas não saem como ela espera. Então, veja aqui no nível três, isso tem maior probabilidade de acontecer. Vai, depende, depende de muitas variáveis.
Quais? Temperamento, suporte de terapias, pais bem treinados. Isso aqui é fundamental.
pais bem treinados, professores bem treinados, terapeutas que sabem o que estão fazendo. Essa rede integrada pode fazer que mesmo o nível três suporte esteja regulado. E nenhuma das características que eu falei de autoagressão e hetteroagressão, muitas vezes por não conseguir se comunicar, estejam presentes.
É possível que isso não aconteça, desde que a rede que dá apoio para esse autista esteja devidamente treinada. Também no nível três de suporte, nós temos uma baixa iniciativa para uma interação social. No nível três de suporte, ah, basicamente a interação do autista com outra pessoa se dá para suprimento daquilo que ele precisa.
Então, como a falha de comunicação e de interação é é extremamente intensa, é muito presente, muito marcante, toda a sintomatologia do autismo ali é muito evidente. Uma pessoa mesmo leiga, ela pode não saber que aquilo é autismo, mas ela entende que aquela pessoa é diferente, porque é visível. Nós estamos falando de comportamentos que são muito marcantes.
Visivelmente a um leigo, ele consegue perceber que aquilo não faz parte dos comportamentos da média da população. Ele vê que é diferente. Ah, é diferente o que?
O que que é? Talvez a pessoa não saiba definir que aquilo é autismo nível três de suporte, né? Nós estamos falando de um sujeito que é ah que tem transtorno do espectro do autismo e que aquele transtorno para aquele individuo requer muita ajuda.
Talvez ela não consiga fazer essa associação, mas ela vai olhar e vai ver que há algo ali acontecendo. Então é muito marcante. As falhas de comunicação são absolutamente presentes para tudo e o tempo todo.
Nós temos também a resistência a essas mudanças muito mais presentes. E eu gostaria de falar aqui que a interação desse autista nível três de suporte, se a gente for pensar, por exemplo, numa sala de aula, ela não acontece. Um nível três de suporte.
Quando a gente pensa num contexto de sala de aula, a interação dele sem ajuda zero. Não consegue interagir. Por isso que é literalmente um crime você colocar uma pessoa a nível três de suporte numa escola e essa escola não cumprir a lei e não dar a esse autista aquilo que a lei diz que ele tem direito, que é esse professor de apoio que vai mediar qualquer aprendizagem dele lá dentro, porque sem essa mediação a aprendizagem não vai acontecer, não vai acontecer, dificilmente irá acontecer e não porque ele não tem potencial ou porque ele não tem capacidade de aprender.
Eu gosto de uma frase do do Ivar Lovas, um pesquisador eh da análise do comportamento, que pegou a análise do comportamento, olhou pra comunidade autista e disse: "Não, é possível que essas pessoas aprendam sim, desde que a gente ensine eles de uma forma que eles consigam aprender e ele tem a frase louvável dele, que é: "Se eles não aprendem como a gente ensina, a gente vai ensinar como eles aprendem". Então, percebe que o limite tá no ensino e não na aprendizagem. Então, não é que o autista não aprenda, é que ele não vai aprender do jeito que você tá querendo ensinar.
Se você ensinar ele do jeito que ele é capaz de aprender, ele vai aprender, mas você precisa adaptar o teu ensino. Então, colocar uma pessoa com autismo dentro de uma sala de aula nível três de suporte, dentro de uma sala de aula sem apoio, isso não deveria jamais acontecer, porque a sala de aula vai ser um ambiente agressivo, ela vai ser um ambiente aversivo para esse sujeito. Imagina aquela quantidade de estímulos, quantidade de sons, de gente entrando, de gente saindo e simplesmente esse sujeito autista não tem qualquer suporte ali.
Então, precisa de suporte substancial e dentro da sala de aula isso deveria acontecer full time. Outro ponto aqui importante, professores têm que comer, correto? Professores t que comer.
Em algum momento o professor apoio, ele tem que fazer o intervalo dele, aqueles 15 minutos de lanche. E aí às vezes acontece o quê? O autista tá lá no horário do intervalo, que é aquela confusão de gente no intervalo, todo mundo sai da sala de aula e vai para fora e o autista fica avulso porque o professor foi fazer lanche.
Isso é um absurdo. Então não é que o professor não tenha direito de fazer lanche, é lógico que sim. Ele precisa comer, mas ele precisa que alguém troque o turno com ele, por exemplo, ou ele faça o intervalo dele mais cedo com o autista dentro da sala de aula e aí alguém fica no lugar desse profe porque não pode deixar sozinho o nível três de suporte.
Aí ele faz o lanche, daí ele volta e vai pro intervalo com o autista. Não se deixa um autista sozinho, nível três de suporte, nenhum segundo sequer. O autismo dele não tira intervalo na hora do intervalo.
Na hora do intervalo, ele continua sendo autista. Então ele precisa de suporte no horário do intervalo. Como a escola vai fazer isso é uma é um problema que a escola tem que administrar e não a família ficar em casa apavorada.
aquelas mães que ficam, conheci várias, inclusive já fui uma, de ficar ali para eu saber o que tá acontecendo. Mães que a gente vê que desenvolvem uma compulsão pela quantidade de vezes que olham o celular, porque como ela nunca sabe quando vai tocar, pode tocar agora, pode tocar daqui 3 minutos, porque teve alguma situação na escola. O estado de alerta que eu falei antes no estress de ter que ficar o tempo todo em estar de alerta, porque ela nunca sabe quando vai dar alguma coisa errada e quando não vai.
Então ela olha o tempo todo. Ah, mas porque ela é viciada em celular? Não é porque ela tem receio de que o filho sofra algum tipo de dano, algum tipo de violência nos contextos em que ele está inserido.
Então, autismo não tira intervalo, autismo não tira férias, autismo não tem folga. Autistas são autistas quando estão dormindo, acordados, quando estão vivos e quando morre, morre uma pessoa autista. Ou seja, ela sempre vai ser autista.
E isso isso diz para nós que a ajuda que ela precisa sempre vai ser necessária. Alguns com mais suporte, outros com menos suporte. Alguns mais autônomos, outros menos, alguns mais independentes, outros menos.
Mas especialmente no nível três de suporte, não se deixa um autista nível três de suporte sozinho em ambiente escolar ou em qualquer outro ambiente, numa clínica que ele faça tratamento, porque isso é inadmissível. Inadmissível. Nem os pais fazem isso.
Eles abandonam suas próprias vidas para se dedicar ao cuidado do filho. Então é justo que a instituição que vá acolher essa pessoa, quer para educá-la, quer para tratá-la, entenda que ela está cuidando de uma pessoa que requer de suporte e apoio muito substancial. E ela tem que estar lá para evitar que essa pessoa se machuque, para evitar que essa pessoa, enfim, venha a óbito e essas coisas acontecem.
Então, eh, uma outra questão ainda pra gente encerrar essa aula, eu acho que é importante falar de comportamentos autoestimulatórios, ah, eu coloquei aqui intensos e às vezes muito frequentes. Então, pessoas com autismo que fazem, que t questões sensoriais ali muito presentes e muito marcantes e que tem comportamentos eh que se repetem no intuito de se autoestimular, porque ele sente algo com aquilo. Ele sente algo, então ele faz aquele comportamento para que ele possa sentir algo.
Quais? Eu vejo muito autistas na frente da TV, por exemplo, com um controle remoto da TV e ele fica indo pra frente e para trás no vídeo, vendo aquela bolinha indo e aquela bolinha voltando. Ou ele fica passando pra frente, para trás para ver a vinheta indo e voltando.
ou ele ã troca de vídeo a cada pouco para ver a a troca, aquele movimento do YouTube em que faz o movimento de carregar o vídeo. Esse é um exemplo. autistas que, por exemplo, se embalam se batem na cadeira, por exemplo, num sofá, para sentir esse movimento, esse tranco que o corpo dá na cadeira e que dá um impacto para sentir algo.
também autistas. Eu tenho amigos que t filhos que ainda fazem esse comportamento de h eh ter contato do órgão genital com uma almofada, com uma parte do sofá ou do chão, porque ele sente algo. Então, eh, esse comportamento eh autoestimulatório da criança ter contato com a superfície de um tapete, né, de eh encostar o órgão genital com roupas, na maioria das vezes, e algumas até tiram a roupa, tem uma finalidade de busca por sensações um pouco mais intensas.
E isso tem a ver com a sensibilidade que ela tem sensorial, que às vezes é aumentada e às vezes é diminuída. Então, muitas crianças, adolescentes, adultos, autistas, nível três de suporte fazem essa busca sensorial. E, eh, inclusive nós vemos que isso funciona como algo autorregulatório, ou seja, ela faz essa busca por sensações para se regular.
E aí nós temos também assim uma questão de alívio de tensão. A criança que se sente tensionada e que tem esse comportamento fazendo essa busca. Muitos pais não entendem muitas vezes porque a criança ela tá buscando sensações corporais mais intensas, mas ela não consegue discriminar o contexto em que ela tá.
Então veja que eh ela pode fazer isso, por exemplo, numa sala de aula. Ela pode fazer isso, por exemplo, num contexto eclesiástico de uma igreja, por exemplo, ela pode fazer isso quando você recebe visitas. Então é muito difícil paraa família que tem uma uma situação assim com seu filho, sua filha, pessoa com autismo, porque ela não consegue discriminar o contexto em que talvez seria mais adequado, como por exemplo seu quarto, como por exemplo o banho.
E veja que aqui a gente não tá falando de sexualidade adulta, por exemplo. Nós estamos não estamos falando de de uma questão sensorial, como nós entendemos as questões sensoriais para um adulto, inclusive neurotípico, que faz uma busca dentro da sua sexualidade, por exemplo, de encostar-se em algo. Não é neste sentido.
Então, a criança autista que faz essa busca, o adolescente, o adulto autista que faz essa busca de fazer o o o contato da sua genitária com uma superfície, tem, na verdade, uma uma busca ali por questões sensoriais mais intensas, como se fosse, por exemplo, algumas crianças precisam de cobertores que são pesados porque eles pressionam o seu corpo e isso lhe dá uma sensação de tranquil idade. Então, é importante a gente distinguir de sexualidade com busca pelo prazer, como um adulto faria, um adulto neurotípico faria, um até um jovem faria. Disso que a criança com autismo nível três, o adulto, o adolescente pode fazer, né?
são aspectos diferentes. Então, o que eu orientaria nesse sentido, quando acontece uma situação assim, seria a tentar ensinar comportamentos que concorressem com esse e que também lhe desse sensação eh de eh regulação. Então, por exemplo, ela aprender a apertar algo, um objeto que substitua essa necessidade de talvez encostar a genitáli numa superfície para um redirecionamento em que ela aperta um objeto.
Nas duas nós temos eh pressão, mas uma estigmatiza e a outra não, né? Uma nós vamos ver as pessoas estigmatizando o sujeito autista e a outra não. Numa ela pode sofrer bullying e na outra não.
Então nós ensinarmos um comportamento que concorra com esse é fundamental para que a pessoa com autismo não só não seja estigmatizada, mas não seja violentada. Nós vemos vários casos de pessoas com autismo que sofrem violência sexual por vários motivos, por não conseguir comunicar, por não conseguir eh dizer não, por não conseguir contar pros seus familiares aquilo que aconteceu, ah, por eh ter talvez essa necessidade autoestimulatória, né, uma questão sensorial, isso pode ser confundido com desejos eh de ordem sexual. Então, ensinar um comportamento que concorra eh na minha eh no meu olhar é fundamental para que a pessoa com autismo não passe por essas questões que eu acabei de comentar.
Então veja, eh, isso aqui é semelhante aos comportamentos que nós temos dentro do espectro de se balançar, de girar objetos, de pressionar, por exemplo, partes do próprio corpo, de apertar travesseiros. Tudo isso tá dentro da mesma classe de comportamentos, no sentido de que a função é a autoestimulação, são comportamentos que buscam uma autorregulação. Então, é fundamental que a pessoa com autismo seja ensinada por um para a ter um comportamento que seja eh menos estigmatizante e que tenha uma funcionalidade mais adaptada dentro do contexto em que ela está inserida.
É importante falar também que eh a criança neurotípica, ela também passa por um período de descoberta do próprio corpo, né, de sentir o seu corpo, de perceber a diferença entre o órgão genital dela e da mãe dela e do pai, por exemplo, né? faz perguntas sobre isso, as crianças crescem, tocam na sua parte íntima para tentar entender, por exemplo, essas diferenças. Então isso é é esperado, é natural que aconteça.
Quando a gente fala de uma criança autista que começa a ter esses comportamentos autoestimulatórios, a gente tem que pensar que assim como a criança neurotípica, ela também tá passando por essa fase, né, de perceber a diferença do seu corpo. Só que no autismo, pelas alterações sensoriais, essa busca por contatos e superfícies tende a ser ah muito mais intensas do que talvez a busca que uma criança neurotípica faria. E também temos uma questão de que ser de ser não só uma curiosidade, mas da ordem do sentir, né, do sentir.
criança autista, ela vai ter a necessidade desse contato um pouco mais intenso e de forma que ela não seja mal interpretada nos contextos em que ela está, é de boa escolha dos pais ensinar pras crianças atípicas, crianças autistas sobre educação sexual, ou seja, ensinar as partes do corpo e explicar onde pessoas podem ou não tocar. E quem são essas pessoas? O pai e a mãe podem tocar para dar banho.
O pai e a mãe podem tocar para secar essa criança. Na escola, em que momento isso pode acontecer? Quem que pode fazer?
Não pode ninguém fazer. Então, toda essa educação sexual precisa ser feita mesmo com crianças não oralizadas. Existem livros hoje de educação sexual fundamentais para que os pais se utilizem desse recurso e ensinem essas crianças através de recursos visuais, por exemplo, o toque do sim e o toque do não.
Toque do sim, pegar a mão para atravessar a rua. Toque do não, não permitir que toquem nas suas partes íntimas. É claro que no nível três de suporte nós vamos ter uma dificuldade de compreensão do que está sendo dito muito maior do que no nível um e nível dois de suporte.
Mas é a obrigação dos pais educar essas crianças para que elas não sofram nenhum tipo de violência e redirecionar esses comportamentos para comportamentos que não sejam estigmatizantes e que elas sejam marcadas na sua trajetória de maneira pejorativa pelas pessoas que estão ao redor dela e não entendem os comportamentos atípicos. Então, nessa aula, nós discutimos sobre os desafios do nível três de suporte. E durante todo esse curso, nós discutimos sobre o conceito de autismo.
Nós entendemos o que é autismo e o que não é autismo. E nós também falamos sobre as características particulares de cada nível de suporte. Eu citei exemplo, eu contei situações, contextos e nós podemos então diferenciar ah o que acontece de fato em cada nível de suporte, os desafios de cada família que tem uma criança com nível três suporte, a que tem com nível dois e a que tem com nível um suporte.
Eu espero que vocês tenham gostado dessa dessa aula, desse curso. Espero vê-los no próximo.