Eu sou Rafael, psicólogo, e não existe sorte maior do que encontrar o amor sem ter sido marcado. pelo trauma. Hoje a reflexão é sobre o relacionamento entre guts e casca.
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Relacionamentos são complicados. Aí quando você coloca isso em um contexto de guerras, sofrimento, a situação se torna mais complicada ainda. E muitas vezes na ficção os relacionamentos são tratados de forma meio utópica.
Parece que tudo é fácil. Parece que você encontra outra pessoa de forma muito rápida, às vezes de forma ocasional, mas a realidade é muito diferente. Relações são complicadas e quando você coloca isso em um dos ambientes mais caóticos dos animes, você começa a se perguntar: "Como é possível florescer um relacionamento e um ambiente quase impossível de acontecer?
" Mas em meio a todos esses desafios, Guts e Casca criaram uma conexão bonita, mas bastante dolorosa e bastante inesquecível para os fãs desse anime. Guts e Casca carregam traumas para o seu relacionamento e depois de se relacionarem, eles adquirem novos traumas. É bem provável que muitos de vocês que estão vendo esse vídeo carregam traumas de relacionamentos e sabem o quanto é difícil não levar isso paraa próxima relação.
Um relacionamento pode mudar sua vida. Existe muito a cultura ultimamente de focar em si mesmo, não focar em relacionamento e isso é bem interessante. Mas ao mesmo tempo um bom relacionamento pode ser um forte preditor de bem-estar, pode ser algo que fornece significado a alguém.
Pesquisas vão indicar que o amor é descrito quando temos sentimentos de atração, apego, paixão, confiança e prazer, todos os quais estimulam centros de recompensa no seu cérebro que reforçam sensação de prazer. Quando o amor não é estressante, sua influência calmante pode promover um estado de relaxamento que ajuda a amortecer ou equilibrar uma resposta de estresse potencialmente hiperativa. Para alguém que vive na Idade Média ou sobre profundo estresse, o amor, um relacionamento poderia ser uma boa forma de equilibrar esse stress, justamente porque uma relação consequentemente faz com que nossos corpos liberem alguns hormônios que fazem a gente se sentir bem.
Mas Bersek não é um anime sobre romance, inclusive é um anime que tem muitos interesses unilaterais. O judô amava a casca, mas ele nunca fez um movimento para que algo acontecesse entre eles. Era um amor tão puro que ele de fato nunca sentiu fortes ciúmes do Guts.
Ele apenas queria ver ela feliz. A Farnesia também tem um sentimento unilateral pelo Guts e também acaba reprimindo, justamente por ela saber o vínculo que o Guts tem com a casca. A relação entre o Gs e a casca não era nenhum lateral, porque nenhum dos dois de fato tinha interesse um no outro.
No começo, inclusive, a relação era vista de forma de rivalidade, principalmente por parte da casca e era normal ser assim. Os dois passaram por situações que transformaram a percepção de ambos sobre o que é o amor. Os dois passaram por traumas severos.
Traumas podem moldar completamente a maneira como você se relaciona com alguém, principalmente se isso ocorrer quando você é muito jovem. O trauma é endêmico à experiência humana. Provavelmente todos nós enfrentaremos alguns traumas durante a vida.
Trauma no sentido clássico, uma espécie de ferida na alma. Parafraseando o grande filósofo médico Gabor Mat, trauma não é tanto o que aconteceu, mas o que acontece dentro de você como resultado do que aconteceu. Guts, a casca, você, sua parceira, você e seu parceiro são frutos das relações do passado.
Quer, você quer ou não. Bom, mas o casal de Bek passou por traumas severos. O Guts foi violentado por outro homem e esse caso teve ligação com a pessoa que era a figura paterna dele, a única figura paterna.
Aí o Guts acabou desenvolvendo meio que uma repulsa por toque. Ele não aceita que outras pessoas toquem nele. Ele não permite que ninguém faça isso.
E isso era um reflexo do que tinha acontecido com ele. Nesse ponto você já se pergunta como que ele vai ter uma relação dele tem esse medo do toque. O trauma faz com que o corpo entre em modo de sobrevivência.
Lutar, fugir ou congelar. No momento em que ocorre, esses efeitos podem persistir, acionando nossa fisiologia para liberar hormônios do estresse, como o cortisol, que tem um efeito colateral de nos fazer sentir desconectados e atraídos, diminuindo nossa conexão com qualquer pessoa que amamos. Além disso, nossa resposta de lutar, fugir e congelar pode ativar o nosso corpo a estar em um modo constante de não relaxamento que atrapalha na intimidade.
Experiências traumáticas minam senso de segurança de uma pessoa no mundo e criam uma sensação de que uma catástrofe pode acontecer a qualquer momento. É por isso as pessoas que passaram por algum tipo de trauma costumam ter muita dificuldade em entrar em um relacionamento, porque esse contato íntimo pode ativar diversas memórias. Quando se fala de trauma, as pessoas geralmente repetem a experiência em sua mente várias vezes e pensam continuamente sobre o que aconteceu.
Essa experiência leva a mudanças cerebrais e o cérebro fica marcado e acaba respondendo com hipersensibilidade a ameaças. O Guts, após essa experiência, passou a confiar menos nas pessoas e também a não se aproximar mais de ninguém. É como se tudo e todos fossem uma espécie de ameaça para ele.
O Guts passou por um trauma extremo, mas esse trauma pode vir de outras fontes também. negligência dos pais ou alguém que traiu você ou você foi deixado por outra pessoa ou sofreu agressão. Todos esses fatores podem afetar a sua vida por anos ou talvez até a vida inteira.
Estudos mostram que o estresse no início da vida interrompe a sinalização de dopamina, alterando a motivação social e o comportamento. Cientistas descobriram que camundongos criados em condições estressantes tinham menos probabilidade de se envolver em interações sociais em comparação com aqueles com experiências enriquecidas. Ou seja, você pode ficar com a predisposição a não desenvolver relações assim como o Guts.
O estudo identificou uma via neural enfraquecida entre a área tegimental ventral e a amídala basolateral como um fator chave. Usando técnicas avançadas para ativar ou silenciar neurõnios dopaminéticos, os pesadores puderam restaurar ou suprimir artificialmente a motivação social em camundongs. Isso gere que o comportamento de evitação social pode derivar de circuitos neurais interrompidos em vez de traços de personalidades inerentes.
Ou seja, algumas pessoas podem ser introvertidas ou mais aquadas ou mais isoladas justamente por causa de traumas relacionados a questões sociais, que foi o que aconteceu com Guds. Ele demorou muito tempo para recuperar isso. Demorou muito tempo para confiar de novo em um grupo.
A casca, por outro lado, quase foi violentada, quase passou por uma situação semelhante a do Guts. Quando ela estava presta a ser violentada, Grift aparece para ela, fornece uma arma a ela e Casca tem a oportunidade de se salvar, de se proteger sozinha. E é interessante como mostra, né, como é complexa a questão de apego.
Por causa disso, a casca ficou apegada ao grift. Ela vinculou essa imagem de Salvador a ele. O vínculo que a casca tem com o grift era extremamente forte.
de se desenvolver ciúmes e desejo de tê-lo apenas para si mesmo. Todos nós em um relacionamento temos o desejo de sermos aceitos e validados. Mas para cascar é algo maior do que isso.
Ela queria ser aceita como mulher dele, ao mesmo tempo que ela queria ser validada como guerreira, como uma peça útil para ele. E aí entra o ponto que os dois, o Guts e a Casa, se encontram. E aí gera uma espécie de conflito entre os dois.
Quando o Guts entra para o bando do Falcão, ele puxa a atenção do grift e isso faz com que a Cascan sinta uma espécie de ciúmes dele. Então essa validação que ela precisava do grift era de alguma forma ameaçada. Só que a casca tem uma distância pro grift e essa distância com o tempo vai fazendo de alguma forma ela ficar mais próxima do Guts.
É bem interessante ver essa mudança ocorrendo onde ela passa de alguém que desconfiava do Guts para como sendo alguém que ela confiava agora e tinha fortes sentimentos. Ca convivia com vários homens. Talvez o único que de fato fez ela sentir como uma mulher foi o Guts.
Ela tinha essa imagem de ser forte guerreira. Ela conseguiu um respeito do bando dessa forma, mas com GS ela poderia ser vulnerável. Ela poderia ser ela mesma.
E aí, em meio a todos esses contextos, os dois iniciam a relação. Tecnicamente, ninguém pode começar uma relação do zero, que existe uma carga do pássaro por trás. A não ser que você tenha a sorte de estar com uma pessoa, ficar com ela até o fim.
Sim, isso é uma grande sorte se a relação for boa, obviamente. Em questão de relacionamentos, não necessariamente mais experiência significa mais aprendizado e satisfação. Quanto mais relacionamentos, mais conflitos, mais traumas também.
Alguém que foi traído pode demorar anos até confiar de novo em alguém. E esse que é o ponto, o trauma, ele fica lá guardado. E aí hora ou outra alguma situação relembra aquele trauma e a pessoa sem perceber, às vezes acaba replicando aquele comportamento ou a consequência daquele comportamento.
Pessoas que foram traídas, por exemplo, podem demorar tanto tempo para confiar em alguém e podem sofrer consideravelmente, porque podem viver o tempo todo suspeitando do parceiro. Em um estudo, os participantes que relataram maior suspeita de infidelidade de um parceiro experimentaram maior sofrimento relacionado à suspeita, depressão, sintomas físicos de saúde e comportamento de saúde de risco. Além disso, as mulheres eram mais propensas a revelar mais sofrimento e mais sintomas físicos, como dores de cabeça ou problemas para dormir, enquanto os homens eram mais propensos a revelar comportamentos de risco, como uso de álcool e drogas, em resposta às suas suspeitas.
Só que tanto gantes quanto a casca permitem ser vulneráveis um ao outro. Eles conseguem sentir essa esse conforto em fazer isso. O estudo mostrou que os parceiros que se abriam mais para os outros mostravam sintomas mais reduzidos de estresse pós-traumático.
Por sua vez, estresse pós-traumático menos intenso, estava ligado a uma maior sensação de cura. Não só isso. Estar inclinado a falar com um parceiro sobre o trauma que estava por si só conectado a uma maior sensação de cura.
Quando entramos em um relacionamento novo, talvez seja interessante visitar o passado do parceiro ou parceira, por vários motivos e bem óbvios, somos a soma do que aconteceu conosco e tendemos a repetir o passado, mesmo sem percebermos. Essa conversa pode fazer os dois se entenderem, principalmente se ela for feita com empatia, um tentando entender o lado do outro. Podemos dizer que o momento onde Casca e Guts sentiram mais tranquilidade e segurança foi justamente quando eles percebem que estão mais conectados um com o outro.
Nesse momento, no anime inclusive que vemos talvez um dos poucos momentos onde existe um ar de tranquilidade, tá? Mas estamos falando de bersek onde o trauma meio que nunca termina. Tudo começa quando Grift preso e torturado, ele fica impossibilitário de lutar.
Casca é bastante fiel ao Grift como guerreira e mesmo ela tendo oportunidade de seguir com Guts, ela está tendenciosa a ficar para cuidar do grift. Ela sentia como uma espécie de obrigação. Ao mesmo tempo que ela queria ter uma vida com Guts, ela sentia que não poderia deixar o grift para trás.
Aqui é um ponto importante que talvez podemos pensar que a Casca não gosta tanto assim do Guts por esse motivo, mas o ponto é que ela era bastante fiel e leal a justamente a primeira pessoa que ela amou na vida, que foi o grift. E aí entra o cenário do Eclipse, que vocês todos sabem, a violência que a Casca sofreu e isso afetou os dois absurdamente. O Guts após isso nunca mais foi o mesmo.
Se ele demorou anos para confiar em alguém de novo, ele teria que demorar mais anos para confiar de novo. A casca sobrevive à situação, mas ela fica com trauma. Ela não consegue mais falar, não consegue mais expressar e tem medo do Guts.
O Guts decide seguir junto com ela, mas agora era uma relação diferente. O Guts teria cuidar dela e junto com outras pessoas. Para o Guts, a maracas naquele momento também era do que fazia ele lembrar dos traumas que ele tinha passado.
Guts é aquele que literalmente precisa lidar com uma pessoa que agora está totalmente vulnerável e que precisa de seus cuidados praticamente o tempo inteiro. Ele passa por isso, ele sobrevive a essa situação e depois que a casca recobra a consciência, novamente ele tem que lidar com esse distanciamento dela, com esse meio dela, justamente pelos traumas que ela passou, que não tinha a ver com ele. E o GS, ao mesmo tempo que quer ficar próximo dela, precisa agora dar esse espaço para ela.
Estudos indicam que o pensamento de orientação do parceiro, que envolve avaliar seus sentimentos e o seu parceiro em relação ao relacionamento, pode levar a maior satisfação no relacionamento. Muitas vezes que o seu parceiro mais precisa não é de uma solução para sua dor, mas que você mantém espaço enquanto ele mesmo trabalha nisso. Enquanto isso, a casca sofrendo internamente, como é mostrado em uma cena do mangá, onde mostra o seu inconsciente tanto que ela era atormentada por esses traumas e mostra o tanto que era difícil para ela se conectar novamente com Guts.
É como se os dois não pudessem ajudar um ao outro. Complexo. Relacionamentos são complicados.
Quando envolve uma pessoa que tem trauma, dobra isso. Quando envolve os dois que tem traumas, pode ser mais difícil ainda. Mas assim como o Gans e a casca, talvez você encontre nesse trauma o espaço para ambos serem abertos um com o outro.
Não podemos negar o passado. De alguma forma ele sempre vai estar lá, nos influenciando em pequenas coisas. A dor e o sofrimento é a forma que o nosso cérebro encontra para não aceitarmos passarmos pela dor novamente.
Passar se torna importante para entendermos o que não queremos mais. Guts e Casca sofreram. Sofreram sozinhos, sofreram num relacionamento, sofreram no amor.
Qualquer vínculo gerador, pois gera um forte medo de perder. A dor vem de uma forma ou de outra, mas é preferível a dor de um grande amor do que o vazio de jamais ter o vivido. Curta, se inscreva e compartilhe.
É apenas o começo.