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Como serão as guerras do futuro? Teremos robôs lutadores? Ataques cibernéticos em massa?
Batalhas de drones armados? E de que maneira a tecnologia afetou os conflitos internacionais ao longo da história? Esse é o tema do vídeo de hoje.
Então bora saber mais! As guerras são um fenômeno milenar. Alguns pesquisadores apontam que a maior parte das sociedades esteve envolvida em algum tipo de guerra, e os períodos de paz foram, na verdade, uma exceção na história da humanidade.
Os conflitos podem ser de diferentes tipos, desde disputas locais entre clãs até confrontos entre grandes exércitos de vários países. Nas famosas palavras do general prussiano Clausewitz, “a guerra é a continuação da política por outros meios”. A evolução tecnológica afetou - e muito - a maneira como os conflitos são travados e os instrumentos utilizados no campo de batalha.
A pólvora, por exemplo, foi inventada por alquimistas chineses no século IX e representou uma evolução importante nas táticas de guerra, passando a ser usada em diferentes tipos de armas, bombas, canhões e granadas. No século XIII, a pólvora chegou ao Oriente Médio e à Europa, onde foram posteriormente desenvolvidas armas como rifles, revólveres e metralhadoras. Na Renascença italiana, Leonardo da Vinci ficou famoso não só por suas obras de arte, mas também por invenções inusitadas, inclusive de armas de guerra, como catapultas, canhões e veículos militares.
A partir do final do século XVIII, balões tripulados foram empregados para observação e reconhecimento aéreo em conflitos da era napoleônica, na França, e, décadas mais tarde, na Guerra Civil Americana e até mesmo pelo Brasil na Guerra do Paraguai. Depois que o mineiro Santos Dumont inventou o avião, no começo do século XX, não tardou até que as aeronaves também fossem usadas em guerras - inicialmente para observação de tropas inimigas e depois para combates aéreos. A Guerra Ítalo-Turca de 1911 foi a primeira vez em que aviões foram usados em um conflito armado.
Ao longo do último século, diversas invenções e avanços tecnológicos contribuíram para levar as guerras a patamares antes inimagináveis. Em 1945, os Estados Unidos usaram armas nucleares em um conflito pela primeira e única vez, contra as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Durante a Guerra Fria, em meio à corrida espacial entre os Estados Unidos e a União Soviética, temia-se que os conflitos pudessem chegar até mesmo ao espaço sideral.
Mas, com o avanço da tecnologia computacional e da Internet, o novo ambiente das guerras do presente e do futuro passou a ser o espaço virtual. A chamada guerra cibernética envolve ataques digitais que afetam sistemas computacionais vitais para espionagem ou sabotagem. Esses ataques podem, por exemplo, comprometer o fornecimento de energia elétrica, interromper sistemas de transportes ou até mesmo afetar infraestruturas industriais.
Aquilo que parecia um roteiro de ficção científica já é realidade. As grandes potências militares têm ampliado seu orçamento de defesa dedicado a tecnologia digital, inteligência artificial e defesa cibernética. E está em curso uma corrida pelo desenvolvimento de tecnologias bélicas cada vez mais precisas e eficientes, incluindo armas antissatélites e mísseis hipersônicos, que podem viajar até dezenas de vezes mais rápido que o som.
Outro campo recente de inovação inclui o desenvolvimento de tecnologias como sistemas automatizados de defesa aérea, drones e sistemas de armas autônomas letais ou robôs assassinos, que usam inteligência artificial programada para identificar e abater alvos por meio de algoritmos, sem a intervenção humana. Os críticos desses sistemas apontam, por exemplo, sua imprevisibilidade, a possibilidade de rápida escalada de conflitos e a redução de barreiras para esses confrontos, uma vez que os investimentos necessários de recursos financeiros e humanos são relativamente reduzidos, o que pode elevar os riscos de destruição em massa. Segundo o relatório de um painel de especialistas da ONU, robôs assassinos foram usados pela primeira vez em um conflito armado na Líbia, em 2020.
E em 2021, o secretário-geral da ONU apresentou o documento “Nossa Agenda Comum”, que reconheceu a necessidade de acordar limites internacionais para sistemas de armas autônomas, com o objetivo de promover a paz e evitar conflitos. Mas como evitar uma corrida armamentista de inteligência artificial para certos tipos de armas autônomas? Organizações da sociedade civil e países como o Brasil têm defendido a negociação de um compromisso internacional vinculante nessa matéria, para garantir o controle humano sobre funções críticas desses sistemas de armas.
Recentemente, os Estados partes da Convenção da ONU sobre Armas Convencionais reuniram um grupo de especialistas governamentais para analisar as tecnologias emergentes na área de sistemas de armas autônomas letais. Esse grupo publicou uma série de princípios orientadores, reconhecendo que as obrigações do direito internacional humanitário também se aplicam a essas novas tecnologias. Apesar disso, os Estados ainda não chegaram a um consenso sobre a regulação do uso de sistemas letais autônomos.
E quanto mais o tempo passa, essas tecnologias ficam mais avançadas - e potencialmente mais perigosas. Curtiu o vídeo de hoje? Então compartilhe com alguém que vai gostar de saber disso e inscreva-se no canal, que logo tem mais conteúdo por aqui.
Até lá!