[Música] Olá! Neste vídeo, abordaremos as etapas do serviço de vacinação: o acolhimento; a anamnese; e o plano de cuidado. O acolhimento consiste na identificação da demanda e pode acontecer por encaminhamento do indivíduo pelo médico, pela busca ativa do farmacêutico ou pela demanda espontânea.
Nesse momento, é necessário construir uma relação de confiança. Por isso, o acolhimento deverá acontecer em um ambiente tranquilo, confortável e com privacidade. O profissional deve conversar com o paciente sobre os benefícios da vacinação e demonstrar disponibilidade para solucionar dúvidas que o paciente ou seu familiar apresentar.
Anamnese consiste no procedimento de coleta de dados sobre o paciente, realizado pelo farmacêutico, por meio de entrevista. A coleta de informações durante anamnese farmacêutica permitirá a identificação das necessidades, vacinas que devem seguir os calendários estabelecidos pelo Plano Nacional de Imunização e pela Sociedade Brasileira de Imunizações. Para identificação das necessidades ou dos problemas de saúde, o farmacêutico deve coletar e registrar a idade, o sexo, condição atual de saúde, presença de alguma doença aguda ou crônica, medicamentos em uso, se trabalha com maior exposição a algumas doenças como hepatite B, por exemplo, no caso dos profissionais de saúde manicures e profissionais do sexo.
Outros exemplos são a vacina influenza para professores e a vacina contra raiva para bombeiros e profissionais que entram em contato frequente com animais. Também a vacina Tríplice bacteriana, contra difteria, tétano e coqueluche para profissionais que trabalham em contato com recém-nascidos, tanto nas maternidades, como nas unidades de terapia intensiva neonatal. Outra questão que deverá ser abordada na anamnese, diz respeito aos planos de viagens para regiões endêmicas para determinadas doenças, como a febre amarela, por exemplo.
Nesse caso, é necessário que a vacinação ocorra 10 dias antes na exposição. Em caso de viagem internacional, deve-se obter o certificado internacional de vacinação ou profilaxia, que pode ser solicitado no site da Anvisa. O farmacêutico deverá, também, conhecer o estado vacinal prévio, a partir da análise do cartão de vacinação, e de registros existentes em sistema informatizado da farmácia.
No curso, vocês poderão assistir vários vídeos sobre esse assunto. Por meio da anamnese farmacêutica, além de estabelecer indicações para administração de algumas vacinas, também é possível eliminar ou minimizar os riscos de eventos adversos e otimizar a resposta imune individual. Para maximizar a segurança das vacinas, deve-se fazer uma avaliação aprofundada de situações especiais, como alergias, eventos adversos prévios, prazo da última vacina administrada, gravidez, planejamento da gravidez, medicamentos em uso na data do atendimento e no trimestre anterior.
Na anamnese, o farmacêutico também deverá considerar precauções como desmaios ou ataque de pânico associado às injeções. Por isso, é recomendado que a pessoa fique sentada ou deitada, no local, por no mínimo 30 minutos. Caso o paciente apresente distúrbios de coagulação ou em uso de anticoagulantes, haverá maior risco de hematoma após a administração intramuscular.
Nesses casos, deve-se utilizar a vacina subcutânea quando permitido pelo fabricante da vacina. Uma outra precaução importante é quando tiver sido identificada a síndrome de Guillain-Barré, após dose da vacina da gripe. Essa síndrome consiste em uma desordem autoimune rara multifatorial com danos às células nervosas, causando polineuropatia, fraqueza muscular e, por vezes, paralisia.
Os sintomas podem durar semanas e pode haver recuperação total, danos nervosos ou, em raros casos, o óbito. Nesse caso, a vacinação deverá ser ponderada com o médico do indivíduo. Em relação ao uso de medicamentos, a investigação do farmacêutico deverá ser muito criteriosa.
Para conhecer os medicamentos usados, além das informações fornecidas pelo paciente, pode-se realizar a análise das prescrições e usar registros existentes no sistema informatizado da farmácia. Medicamentos que contém o ácido acetilsalicílico deverão ser suspensos por seis semanas após a vacina varicela. Na anamnese, é necessário verificar, também, se anti-inflamatórios analgésicos e antitérmicos foram utilizados.
Não é recomendado o uso profilático e rotineiro desses medicamentos para prevenir a ocorrência de febre depois da vacinação, pois podem reduzir a resposta imune. As exceções a essa regra serão mencionadas no vídeo do calendário da criança. É necessário ficar atento, também, as contra indicações específicas de cada vacina recomendada pelo fabricante, como as vacinas contra HPV e dengue para gestantes.
Paciente com neoplasias malignas ou em quimioterapia, radioterapia ou apresentando alguma imunodeficiência, deverá ser vacinado com vacinas atenuadas de três a quatro semanas antes do início do tratamento. É importante que os contactantes também sejam vacinados e seus cartões estejam em dia. A vacina contra poliomielite oral, que atenuada, deverá ser substituída pela poliomielite inativada, que é intramuscular.
Uma outra questão diz respeito aos intervalos entre as vacinas, que é muito importante. O intervalo mínimo entre doses de uma mesma vacina deverá ser respeitado para que não haja prejuízo na resposta imunológica, mas o atraso da administração de uma dose da vacina não interfere na sua eficácia. Portanto, caso a pessoa atrase para receber a segunda ou terceira dose de determinadas vacinas, não é necessário reiniciar o esquema vacinal e sim dar continuidade.
Os atrasos, porém, aumentam o período de suscetibilidade à doença. Deve-se dar um intervalo mínimo de 28 dias entre a aplicação de duas vacinas vivas atenuadas. Não há necessidade de intervalos entre vacinas atenuadas orais com qualquer outra vacina.
Entre as vacinas inativadas e vacinas atenuadas também não é necessário esse intervalo. E, entre as inativadas, também não. Mas a essa regra existem exceções que são faladas pelos fabricantes das vacinas como, por exemplo, vacina Meningo B e a Tríplice bacteriana, embora inativadas, não devem ser administrado em um mesmo dia.
Recomenda-se, também, o intervalo de 30 dias entre a vacina da dengue e qualquer outra. Os fabricantes também não recomendam aplicar a vacina Tríplice viral ou a Tetra viral e a vacina contra febre amarela, no mesmo dia. Na primovacinação, antes dos dois anos de idade, porquê, estudos sugerem possíveis interferências no componente rubéola.
Por isso, o fabricante recomenda o intervalo de 30 dias. Existe, também, a recomendação de respeitar o intervalo de quatro semanas entre a vacina pneumo 23 e a vacina da herpes zoster. Para que não haja prejuízo na resposta imunológica, os intervalos que devem ser respeitados entre vacinas e outros imunobiológicos e entre vacinas e outros medicamentos podem ser encontrados no manual do Centro de Referência de Imunobiológicas Especiais, os CRIEs, e, também, no calendário para pacientes especiais da SBIm.
O farmacêutico deverá conhecer sobre situações em que as pessoas devem vacinar e não vacinam devido às falsas contraindicações que são divulgadas como, por exemplo, alergias não específicas, amamentação, internação hospitalar, uso de antibióticos, prematuridade, histórico familiar de convulsão, entre outras situações que podem e devem ser esclarecidas pelo farmacêutico. Após a anamnese, o farmacêutico devera instituir e registrar o plano de cuidado, levando em consideração as recomendações vacinais existentes nos calendários, as informações obtidas na anamnese, a análise de prescrição, quando existir, e a avaliação do cartão de vacinação. Esse plano consiste em selecionar as vacinas e insumos necessários, higienizar as mãos, administrar as vacinas, descartar os resíduos gerados, preencher o cartão de vacinação e as declarações de serviços farmacêuticos, registrar a vacina e doses no sistema informatizado do Ministério da Saúde, registrar, também, no prontuário do paciente, informar ao paciente sobre as reações adversas mais comuns e medidas a serem adotadas, monitorar o paciente 30 minutos após a vacinação, encaminhar para o outro profissional de saúde ou estabelecimento, quando necessário.
E, por fim, agendar uma outra data, caso existam outras doses, levar em consideração os intervalos vacinais. Depois que o paciente deixar o estabelecimento, cabe, ainda, ao farmacêutico, identificar, investigar e notificar as reações adversas, os erros de medicação, a inefetividade vacinal, por meio do contato telefônico, por exemplo. As etapas do plano de cuidado serão detalhadas em outros vídeos.
Bom, eu fico por aqui e desejo a vocês bons estudos!