bom além das sinalizações de mudanças nos rumos políticos e econômicos do país como discutiu agora há também posicionamentos de retrocesso na área da saúde uma ameaça está apontada directamente para a saúde mental que tem uma longa história de luta no brasil imagina o que é passar anos e anos em isolamento a ponto de se esquecer o que é por exemplo um abraço é ser a vida de pacientes internados nos manicômios do país até à reforma psiquiátrica de 1987 ali nasce um novo modelo de tratamento para uma legião de pessoas excluídas da sociedade em outubro de
2000 17 bom para todos visitou uma unidade do centro de atenção psicossocial em santo andré registrou os importantes avanços nessa área vamos ver tudo bem aparecer não tem problema porque assim ele só viu a gente não vai ter que fazer nada a gente vai continuar o grupo normalmente 6 topam ó então quem tava levando a mão devolver o poder de escolha a ressocialização de pacientes psiquiátricos passa pelo respeito às decisões individuais o nome do nosso grupo faltou um gol o que significa que se um cotovelo onde estou e quem eu sou agora né o que
eu estou fazendo aqui pra que esse espaço serve os capins centro de atendimento psico social são uma das ferramentas adotadas pela reforma psiquiátrica proposta pelos trabalhadores da saúde mental em 1987 durante um congresso em bauru os profissionais denunciaram o terror vivido pelos pacientes confinados em manicômios de todo o brasil a chamada carta de bauru proposto um novo modelo de tratamento e há 30 anos começou um resgate de milhares de pacientes que estavam enclausurados em hospícios pessoas que passaram décadas sem nenhum contato com a sociedade eles foram tirados da sociedade eles foram arrancados da sociedade de
uma forma inclusive bruta porque eles tiveram um problema né como esquizofrenia ou eles foram trancafiados fica muitos anos alguns deles ficaram mais de 40 anos no hospital psiquiátrico assim a vida realmente deles passou dentro de um manicômio naquele lugar fechado ceifado dos direitos humanos das pessoas extremamente em uma situação indigna né quando eles vieram pra cá tinha alguns meses que não sabiam nem como comer direito não sabiam fazer as necessidades em banheiro é alguns deles haviam esquecido que era um abraço não só eu não conseguiram conversar direito à reforma psiquiátrica prevê internações em situações extremas
nós temos cinco leitos feminino finn cinco masculinos tá que é justamente pra acomodar essas pessoas que estão em crise terapeutas psiquiatras psicólogos clínicos são alguns dos profissionais que atuam nos carros todo serviço é custeado pelo sistema único de saúde o sus o cap também faz visitas domiciliares aquelas pessoas que não têm é no momento condições de talento néel por conta de estar em crise ou kuo isolamento social intenso que não consegue está saindo de caça o acolhimento num capps é o primeiro passo do fim do isolamento da retomada de direitos básicos como perco uma simples
cover de dentes eu faço escova de dente porque quando a gente fala indignidade assim nós vamos buscar num manicômio uma das das pessoas que estava lá e aí o que acontece é essas pessoas elas simplesmente elas não tinham nem na escova de dente a gente foi buscar e saiu com a roupa do corpo o código foi tudo e isso em dia são seres humanos extremamente carinhosa única coisa que a sociedade os excluiu e é nosso dever trazer ele de volta pra gente [Música] mas é muito impressionante a sensibilidade dessa profissional no trato com os internos
e de fato é dever de todos nós trazer de volta as pessoas ao convívio social mas é sobretudo obrigação do estado manter políticas públicas que garantam um tratamento digno humanizado é justamente isso que está em risco a gente mal consolidou iniciativas como essas que vimos na reportagem e agora em fevereiro o ministério da saúde por meio de uma nota técnica sinaliza volta por exemplo do elétron shell eletrochoque é de qual é a gravidade disso na verdade a sinalização já vem de um tempinho atrás né no ano passado eles já eles que eu digo a a
gestão já começava no tam no final da do governo temer e agora dando continuidade ele já trouxeram sinalizações bastante incisiva de que a lógica dos manicômios iria retornar então foi foram lançadas diversas portarias né trazendo que o financiamento ea se deslocar das políticas públicas de serviços de base territorial e comunitária com um serviço humanizado em liberdade para o financiamento de entidades privadas na especialmente hospitais psiquiátricos os manicômios e as comunidades terapêuticas que hoje é a modalidade de manicômio mais proeminente mais lucrativa do brasil nessa fala fica bem claro que o que trará o que está
por trás dessas decisões é uma questão de lucro uma questão de de dinheiro com certeza coloca se de lado a questão do cuidado sem em nome de de um interesse de de manutenção de de capital político e e de capital na capital financeiro sem fé é a turma completa completa mudança um completo retrocesso porque tivemos décadas de luta pra transformar uma realidade que foi mostrar a matéria bastante cruel bastante perversa e agora a gestão atual do ministério da saúde traz novamente e se esse modelo que nada tem a ver com o cuidado e sim com
os interesses privados a questão do dos elétrons shox é é apenas néné estranho falar que é apenas uma uma forma de tortura mas mas é apenas uma das uma das crueldades que estão ali postas um documento oficial em di que tem no discurso o cuidado e que na verdade está impondo formas oficializados de tortura né eletroshopping nunca cessou no brasil nunca cessou mas agora eles trazem que vai ser uma política pública porque eles passam a custear a compra de aparelhos de elétron-volts terapia de eletrochoque essa nota ela traz 44 medidas né a inclusão dos hospitais
psiquiátricos nas redes de atenção psicossocial financiamento para a compra dos aparelhos de eletrochoque ea possibilidade de internação de crianças e adolescentes campanhas bastante discutível não vamos falar sobre isso e abstinência como uma das opções da política de atenção às drogas isso tudo já tinha se provado não correto não e ficava e agora está se discutindo isso de novo é eu acho que é indo na mesma toada do que o edinho está trazendo a gente vê uma tentativa que é por essa via de um na verdade de um retrocesso de um afastamento das políticas públicas de
cuidado que foram discutidas ainda desde 87 com a carta de bauru ea gente tenha a rápida de do nepal delgada de 2000 e de 2001 rabia as redes de atenção psicossocial de atenção psicossocial exato que na verdade já estavam em construção é ao longo do ano na nossa constituição de 80 com a ideia neto a idéia do sul mas que foi formalizada para que a gente pudesse ter um cuidado fosse territorializado um cuidado que inserisse a família dentro da constituição desse cuidado que num excluir se isolasse as pessoas que têm algum tipo de sofrimento o
psíquico né como todos nós temos a questão é a utilização dele e aí quando a gente acaba trazendo essa esse sofrimento por um âmbito individual e de isolamento é quase como se a gente estivesse dizendo que a sociedade não tem nenhuma relação com uma produção desse sofrimento dessas pessoas então ela não pode ser onerado com isso é tem um quando se discutiu estas transformações todas as ações são em relação à redução de danos né e essa redução de danos é o usuário tem uma padrão tem uma postura passiva ele precisa ser protagonista desse desse tratamento
dessa é realmente desse percurso que ele vai que ele vai fazer é como como que essas novas medidas impacto nessa nesse protagonismo do paciente e por que isso seria tão prejudicial bom né é a nova política assim a gente vai gente pode pensar em dois pólos né as pessoas que pensam na política na lógica da redução de danos e tem a lógica da abstinência do proibicionismo que é o que o governo atual conservador né acionário tem tem trazido de volta e tem financiado bastante essas instituições o que se pensa basicamente é que a questão do
uso de álcool e outras drogas seria uma questão de caráter então seria uma falha de caráter da pessoa que faz uso então é o que se como se tratam falha de caráter primeiro isola a pessoa você agrega ela da sociedade ela não tem contato não comunitário nem com com a substância é e o que é muito perigoso inclusive levou levou muitos óbitos por que você não pode cortar de uma vez é e o tratamento que é feito nas comunidades terapêuticas que tem uma base religiosa muito grande são pautadas em em práticas que violam direito direitos
humanos direitos básicos então é tem a questão do desrespeito à laicidade da imposição religiosa tem a questão da laborh terapia que chama de laborterapia que é que a terapia trabalho só que isso aqui na verdade é a opção trabalhos forçados a análogo ao escravo a escravidão é e e o culto religioso basicamente eles falam se é uma questão de falta de caráter a pessoa tem que pegar na enxada a pessoa precisa rezar né e o cuidado fica completamente ignorado agora tem a lógica que a gente defende que é humanizada que a redução de danos a
redução de danos a gente compreende que não só a distribuição de insumos para reduzir os danos do uso mas também a redução de danos históricos políticos sociais que essa pessoa sofreu durante toda a história da vida e que ela aquela era né então é uma é um conjunto de de ações de cuidado em que o sujeito é protagonista ele ele é quem diz como quem deve ser isso é discutido com os profissionais na área de saúde e é feito um projeto terapêutico singular na buscando o cuidado integral então é considerando todas as dimensões da vida
da pessoa para que ela possa superar essa esse momento era interessante você falar sobre essa questão da falha de caráter não tem gente é teve um programa uma discussão sobre alcoolismo eles falaram sobre como também é e isso ainda impede uma discussão a nível de saúde desses problemas e ea gente vive um momento de contexto político social em que essa área campo fértil para o moralismo por exemplo em que impede o debate mais profundo isso é muito prejudicial a gente estava no avançando de repente todo esse trabalho é posto em risco é eu acho que
justamente é isso que ele está trazendo é que é essa forma da gente cuidar como se cuidar fosse moralizar o né as formas de uso das substâncias a gente pode pensar na questão da adicção por exemplo que é uma pessoa que é selar a dica em açúcar sapatos né toda uma relação que a gente tem um pouco compulsiva com qualquer objeto diz mais da relação que a gente produz com os objetos do que o objeto em si pode ser qualquer coisa né a questão é que a perspectiva da redução de danos né é de uma
proposta de pensar assim olha você não pode ter uma relação de exclusividade com alguma coisa a ponto de você não obter prazer ou não obter nenhum tipo de relação com outras coisas é quando você escuta por exemplo dentro dos capos né do capita de pessoas que falam ah era difícil porque de repente passei a usar cocaína e eu só me divertir com isso parei de ver filme eu parei de sair com meus amigos então a questão é o tipo de relação que a pessoa acaba estabelecendo não a substância em si então vem muito de uma
proposta de falar bom a gente precisa que essa pessoa volte a se relacionar com outras coisas com outras perspectivas de um mundo que ela volte a ter prazer à parte de outros espaços né isso inclusive faz com que a gente perceba que a relação com a substância é a substância não é o problema né a gente vai pegar historicamente tem alguns autores da psicologia que vamos dizer que a gente conseguiu sair do noma do nomadismo é construir sociedades porque a gente descobriu o uso de tal como por exemplo é interessante ainda fazendo um paralelo com
esse programa de ontem que a gente falou sobre alcoolismo que é eles dizem que precisa de um despertar espiritual da pessoa pra parar de consumir e daí tem tudo a ver com o protagonismo dado do paciente uma pessoa que tem a doença de saber lidar com aquilo que saber o momento de parar porque talvez a abstinência isso sou leiga falando do assunto também talvez não funcione porque a abstinência você forçar a pessoa parar de um momento para o outro a consumir aquilo então é complicado né não ia se você for pensar a gente tem a
gente tem uma herança norte-americana do 2 a 12 anos né vem do gugu que os 12 passos se você for pegar os 12 passos eles todos eles falam assim olha você tem que admitir que você não tem controle sobre a sua vida é a gente nilson tem que fazer não encontrou ele é o primeiro passa né ea questão do jornalismo é pensando pensando na história do nosso país que tem uma que tem uma tradição moralista então esse discurso narrativo arrebata corações né então e as pessoas ficam achando e acreditam nesse discurso de de promoção de
cuidados de saúde quando na verdade há um grande interesse a gente viu né 2017/2018 aqui em são paulo no fim na verdade acontece há bastante tempo mas ficou bastante bastante evidente até lá a relação desastrosa já que a idéia era basicamente a higienização não tem uma questão do de uma imposição estética e ética do que é certo eo que é errado que é bonito que fez enfim e tem uma e têm um interesse é em interesse financeiro enorme porque eles queriam nem pare porque havia já um plano de de construírem de construir imóveis ali enfim
e o discurso era vamos limpar a cidade a cidade linda né e aí acaba rebatendo corações de pessoas que acabam não buscam entender exatamente o que está acontecendo é a profundidade do que está sendo que está acontecendo aí né ficar no sininho pronto assim que pintar notícia nova você fica sabendo no ato