Olá, estudante. Bem-vindo à nossa aula. Eu sou a professora Mônica Oliveira, nutricionista, bióloga, pós-doutora em bioquímica e biologia molecular.
E na nossa aula de hoje, nós vamos discutir sobre avaliação nutricional de gestantes e lactantes. Para começar, trouxe aqui uma pergunta. pra gente discutir.
Então, você está atendendo uma gestante no segundo trimestre de gestação. Ela relata fadiga, ganho de peso acelerado e enjoo frequente. Nos exames, observa-se anemia leve e glicemia de jejum elevada.
Como você avaliaria o estado nutricional dessa paciente para garantir saúde materna e fetal? Eh, essa situação clínica ilustra a complexidade da avaliação nutricional na gestante. Então, a gestação é um período marcado por intensas adaptações hormonais, fisiológicas e metabólicas.
E nós precisamos conseguir integrar esses dados, né, os antropométricos, os dados clínicos, os dados bioquímicos e também alimentares para identificar riscos, para prevenir complicações e também promover um desenvolvimento fetal que seja saudável. Como que a gente tem então a nutrição materna moldando o futuro da criança? Então, o estado nutricional da gestante e também da lactante, ela eh influencia não apenas o curso da gesti e o sucesso da amamentação, mas também o crescimento, o desenvolvimento eh metabólico e o risco de doenças do bebê eh durante a gestação e também ao longo da vida.
Então, a gente tem eh evidências científicas mostrando a questão de inadequações eh nutricionais intrauterinas, podendo promover então alterações epigenéticas, que é um fenômeno conhecido aí, né, por programação metabólica, aumentando a predisposição dos indivíduos a doenças como obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e disturb outros distúrbios metabólicos na vida adulta. durante a lactação, eh, a qualidade da alimentação da mãe também impacta a composição do leite humano, né, especialmente ali a questão de ácidos gros, de vitaminas, outros micronutrientes. E isso reforça a importância do acompanhamento nutricional, não só durante a gestação, mas também pós-parto.
Como que a gente tem esse acompanhamento eh eficaz na gestação e na lactação? Então esse acompanhamento envolve avaliar o IMC pré-gestacional e monitorar o ganho de peso ao longo da gestação, conforme as recomendações. Eh, investigar os sinais clínicos e os exames laboratoriais, identificando deficiências nutricionais e outras alterações.
avaliar o consumo alimentar, sintomas gastrointestinais, hábitos de vida, considerando aí preferências, rotina, nível de atividade física e também a dieta, as diferentes fases eh gestacionais e também a amamentação, respeitando as necessidades energéticas e nutricionais específicas, além, claro, do bem-estar e do conforto aí da mulher. Bom, por isso as metas de aprendizagem da nossa aula de hoje são compreender as alterações fisiológicas e metabólicas da gestação, aplicar métodos de avaliação nutricional em gestantes e lactantes e também reconhecer as necessidades nutricionais e adaptações dietéticas durante esses períodos. Então, começando com a avaliação nutricional na gestação, esse, né, o momento da avaliação nutricional na gestação, ele é essencial porque o estado nutricional materno, como a gente já falou ali anteriormente, ele influencia diretamente no ccimento e desenvolvimento fetal.
E durante esse período, as necessidades nutricionais vão aumentando de forma progressiva para atender simultaneamente as demandas da mãe e também do feto, além, claro, das adaptações que o organismo materno passa. E quando a gente tem deficiências eh nutricionais, como ferro, ácido fólico, iodo, cálcio, proteínas, isso pode comprometer o desenvolvimento fisiológico, eh, então, tanto físico quanto neurológico desse bebê, aumentando o risco de restrição do crescimento intrauterino, um parto prematuro e prejuízos também cognitivos a longo prazo. Então, e além dos das carenças nutricionais, a gente também tem que olhar pros excessos nutricionais.
Então, excessos nutricionais e ganho de peso inadequado também podem levar as a desfechos que são desfavoráveis. E aí então a gente vai olhar, né, paraas questões do ganho de peso e nutrição adequados durante a gestação para reduzir significativamente o risco das complicações gestacionais, que podem ser, por exemplo, diabetes, melitos gestacional, doença hipertensíva específica da gestação, eh macrossomia fetal, complicações do parto. Então, por isso a gente vai olhar pro peso pré-gestacional.
Ele é um dos principais determinantes do ganho de peso recomendado ali ao longo da gestação e vai influenciar diretamente o peso do recém-nascido. Então, quando o ganho de peso ocorre, né, dentro das faixas adequadas, dentro das faixas recomendadas, observa-se ali um menor risco de baixo peso ao nascer, de alterações metabólicas desse recém-nascido. Quando o ganho de peso é insuficiente, isso pode resultar, né, nesse baixo peso, é, numa maior vulnerabilidade metabólica.
E se for um ganho de peso excessivo, aí pode sim, né, estar relacionado ao diabetes gestacional, a doença hipertensiva da gestação, retenção de peso pós-parto e maior risco também de obesidade infantil. E quais são as alterações fisiológicas que ocorrem durante a gestação? Então, a gente tem que entender um pouquinho, né, com mais detalhes da gestação para entender aqui a avaliação nutricional da gestante.
Então, durante a gestação, o organismo materno passa por muitas alterações, como a gente falou, fisiológicas, hormonais e metabólicas. Isso justifica a necessidade dessa avaliação nutricional contínua e individualizada. Então, a gente tem ali, ó, aumem progressivo do consumo e da demanda eh de nutrientes.
Então, a gestante precisa suprir o crescimento fetal, o desenvolvimento da placenta, eh a expansão do volume de sangue, o aumento dos tecidos tanto dela, né? então do útero, das mamas e também do feto. E esse aumento ele não é uniforme ao longo da gestação.
Então esse aumento, por exemplo, ele é mais pronunciado nos segundos e terceiros, no segundo e terceiro trimestres dessa gestação. A gente também tem alterações psicológicas frequentes, influenciadas aí por conta das mudanças e consequentemente emocionais, né? Então isso pode influenciar o comportamento alimentar, o apetite, as preferências, as aversões alimentares dessa mulher.
Então tem que ser considerado isso aí na nossa avaliação do consumo alimentar. E outros sistemas corporais também sofrem aí adaptações. Então tem eh adaptação no sistema cardiovascular para aumentar o volume plasmático e o débito cardíaco.
O sistema respiratório tem maior consumo de oxigênio. Eh, o sistema gastrointestinal a gente tem ali, né, eh aquele esvaziamento gástrico reduzido e também o peristaltismo, né, o movimento de peristaltismo do intestino alterado. Então isso favorece aquilo que a gente conhece ali da gestação, né?
Náuseas, refluxo, constipação. O sistema músculo esquelético também sofre alterações, então a gente vai ter eh alterações posturais, então tem deslocamento do centro da gravidade, maior sobrecarga nas articulações. Então a gente tem muitas alterações que acontecem aqui nesse eh organismo dessa mulher.
Além disso, um ponto importante aqui é a taxa metabólica basal que aumenta ao longo da gestação, especialmente a partir do segundo trimestre. Então aqui a gente vai ter maior gasto energético. Então a gente vai ter que pensar aqui, né, que esse gasto energético vai ser necessário para sustentar as adaptações tanto maternas quanto do feto.
Então a gente tem muitas questões que precisam ser consideradas pensando aí nas questões nutricionais, além, né, do metabolismo dos macronutrientes, carboidratos, lipídeos e proteínas. Então aqui a gente tem um olhar, né, nutricional muito importante nessas alterações. Além disso, a gente tem que olhar também para as alterações hormonais especificamente, porque a gestação tem muitas alterações hormonais para manter, né, essa gravidez e também o desenvolvimento do feto, mas isso também explica os sintomas e as adaptações que acontecem nesse período.
Então, a gente tem um hormônio que é chamado de HCG, que é um dos primeiros hormônios que vão se elevar ali no início da gestação. A principal função desse HCG é manter o corpo lútil ativo nas primeiras semanas da gestação para garantir a produção de progesterona até que a placenta esteja plenamente funcional. Então esse hormônio está muito relacionado à questão dos enjoos e das náuseas.
que as mulheres sentem ali no primeiro trimestre. Outro hormônio é a progesterona, que vai exercer um papel na manutenção dessa gestação. Então, vai eh promover a o relanchamento da musculatura uterina e vai prevenir contrações precoces.
Então, só que ao mesmo tempo aqui é onde a gente tem aquela redução da motilidade gastrointestinal. Então a gente vai ter sintomas de constipação, sensação do estufamento, refluxo que acontecem ali na gestação. Outro hormônio é o estrogênio relacionado ao crescimento uterino, então e também o desenvolvimento das mamas e o aumento eh do volume sanguíneo materno.
Então ele é vasodilatador para ter esse volume plasmático aumentado, para suprir as necessidades aí da mãe e do feto. E ainda a gente tem o lactogênio placentário humano, que é principalmente atuante aí no metabolismo energético. Aqui a gente vai ter ele induzindo resistência a insulina, garantindo a maior disponibilidade de glicose feto, estimula também a quebra de gordura materna, aumentando o uso, né, dessa gordura como fonte de energia pela mãe.
Esse mecanismo ele é fundamental pro crescimento do feto, mas, né, como causa essa resistência insulina fisiológica, está diretamente relacionado ao eh risco de desenvolvimento do diabetes gestacional. Quais são os principais eh sintomas e condições que acontecem aí na gestação e que a gente precisa eh observar? Então, essas alterações, né, tanto hormonais quanto fisiológicas, vão explicar essa série de sintomas e sinais que a gente vê.
Aí na gestação, então, náuseas e enjoo são muito frequentes, especialmente ali no primeiro trimestre da gestação, principalmente por conta dos hormônios. Então a gente tem lá o aumento do HCG e do estrogênio. E fatores alimentares também podem influenciar, né?
Então se é um jejum prolongado, isso vai tender a favorecer, a a agravar aí esses eh sintomas. Eh, a constipação intestinal também é comum e ocorre principalmente por conta da progesterona. E ele é intensificado pelo uso de suplementos de ferro e de cálcio, que são comuns na gestação, além da redução da ingestão de água e de fibras que pode acontecer.
O diabetes gestacional, como a gente já comentou, resulta aí da resistência insulínica fisiológica da gestação, que é intensificada aí pela ação do hormônio lactogênio placentário, mas também do cortisol e de outros hormônios que agem contra a insulina. Então, o pâncreas materno, ele não consegue compensar essa resistência produzindo mais insulina. E aí vai acontecer o que a gente chama de hiperglicemia.
Então a gestação é uma condição hiperglicemiante, é natural, mas o natural também é a mãe conseguir compensar produzindo mais insulina para agir contra esses hormônios. Mas se ela não conseguir isso, então a gente vai ter o desenvolvimento do diabetes gestacional. Aqui os principais fatores de risco vão ser a idade materna avançada, sobrepeso, obesidade antes da gestação, histórico familiar de diabetes e também se essa mulher já teve uma gestação anterior em que ela desenvolveu o diabetes gestacional.
E uma outra condição que é frequente na gestação é a anemia, que é principalmente por eficiência de ferro, por conta, né, desse volume sanguíneo aumentado e as demandas que o feto tem que acabam aumentando aí ao longo da gestação. Então, a a mãe vai sentir ali fadiga, palidez, tontura, fraqueza. Em alguns casos pode até aparecer eh edemas por conta dessa anemia.
E a identificação precoce é essencial para que a gente tenha, então, né, o tratamento adequado e evita eh e evitar prejuízos à saúde tanto da mãe quanto do bebê ali dessa gestação. Bom, e como que a gente vai fazer a avaliação nutricional dessa gestante, né? Então, a avaliação da gestante, ela não pode ser pontual e nem baseada em um único dado, né?
A gestação é dinâmica e exige acompanhamento contínuo para que a gente possa identificar precocemente riscos maternos e fetais e ajustar as condutas aí ao longo do período eh pré-natal. Então, a avaliação nutricional da gestante vai envolver várias etapas. Então, a história nutricional que permite a gente compreender o contexto de vida da mulher, as condições de saúde, os fatores de risco, a avaliação dietética para ver ali a qualidade e a adequação da alimentação, o exame clínico, né, para ver sinais e sintomas, os exames bioquímicos para confirmar as alterações metabólicas e carenciais e a avaliação antropométrica para acompanhar, né, o ganho de peso da gestação, mudanças corporais ao longo dessa gestação.
Então, esse acompanhamento contínuo, ele é essencial para prevenir as complicações, eh, como a gente falou ali, né, anemia, diabetes gestacional, a hipertensão e ainda alterações no crescimento fetal. Como que a gente vai fazer então cada uma dessas etapas? Que que a gente tem aqui?
história nutricional global e a anamnese, que vão constituir o primeiro contato ali com a gestante. Então aqui devem ser levantados os sintomas atuais, né? Então fadiga, náuseas, enjoo, constipação, azia, diagnósticos prévios, uso de medicamentos e de suplementos.
E é importante considerar aqui não apenas as condições clínicas, mas também as questões emocionais e socioeconômicas. porque isso influencia diretamente o acesso aos alimentos, o padrão de alimentação e a adesão da gestante às orientações. e a investigação também dos antecedentes eh familiares, né, especialmente quando a gente fala de diabetes, hipertensão, obesidade, anemias para identificar riscos metabólicos, o histórico obstétrico também tem que ser analisado, então gestações anteriores, o tipo de parto, o peso ao nascer e intercorrências, além da avaliação dos hábitos de vida, né, vai trazer pra gente informações essenciais, saúde bucal, apetite, sintomas gastrointestinais, nível de atividade física, uso de álcool, tabaco ou outras drogas aí por essa por essa paciente.
E quando a gente vai então pra nossa avaliação dietética da gestante, aqui a gente tem o objetivo de mapear o padrão alimentar habitual e identificar possíveis inadequações nutricionais. Então é importante a gente conhecer aqui os hábitos alimentares da gestante e também quem é responsável pelo preparo das refeições, porque isso interfere diretamente na qualidade da dieta. Então a gente precisa avaliar o número de refeições ao dia, a composição dos pratos, a presença de períodos, né, em jejum, o consumo de alimentos ultraprocessados, a observação também de um fator que a gente chama de picamalácia.
é fundamental porque aqui pode indicar deficiências nutricionais e representar, né, riscos à saúde, tanto da mãe quanto do feto. Que que é a malácia? São aqueles desejos por coisas que geralmente não comestíveis, né?
Então a pessoa ficou com vontade de comer um tijolo ou terra ou sabonete, né? Então isso pode indicar alguma deficiência nutricional. Para essa avaliação, a gente pode utilizar diferentes instrumentos.
Então, pode ser o recordatório alimentar de 24 horas, o inquérito de frequência alimentar, né, registros de diário alimentar. Isso vai permitir que a gente analise a ingestão de nutrientes e também faça as intervenções aí de maneira mais precisa. Depois então de fazer essa, né, anamnese, essa avaliação dietética, a gente passa paraa avaliação clínica da gestante, que vai permitir a gente observar como o estado nutricional se manifesta no corpo dessa paciente.
Então aqui a gente vai detectar queixas, sintomas físicos, sinais visíveis das carências nutricionais, que pode ser muitas vezes eh antes mesmo das alterações laboratoriais estarem evidentes. Então, na avaliação clínica, alguns sinais podem ser reconhecidos, né? E eh principalmente aí quando a gente fala da gestação.
Então a palidez na conjuntiva pode indicar anemia, que é uma condição bem frequente aí na gestação. Alterações em lábios e línguas, fissuras, aspecto inflamado, então pode ser carência de riboflavina, gengivas sangrando, eh sensíveis também estão associadas à deficiência de vitamina C. A presença de bócio levanta a suspeita aí de deficiência eh de iodo.
Então são sinais que a gente consegue aí fazer na nossa avaliação clínica. E além dessinais, a observação também do funcionamento intestinal é importante porque constipação, como a gente já falou, é comum na gestação. Então a gente tem a escala de feses, que é a escala de Briston, que é uma ferramenta simples e útil para fazer a avaliação do padrão intestinal e identificar, né, se a pessoa está constipada ou com diarreguia.
Então, dependendo de como ela classifica o aspecto das feeses, isso pode ajudar a gente na conduta eh nutricional. Complementando a nossa avaliação clínica, a gente tem a avaliação bioquímica que permite confirmar aí as alterações, né, metabólicas, as carências, além de fazer o monitoramento aí tanto da mãe quanto do feto. Alguns exames são rotineiramente, né, eh, recomendados aqui no período perénatal.
Então, a gente tem ali o hemograma, glicemia, tipagem sanguínea e fator RH, né? Então, se o sangue é A, B ou O e se é positivo ou negativo, que são fundamentais aí pra saúde materna. Também a gente pode ter, né,essa orologia de sífiles, HIV, toxoplasmose, hepatite B, aqui é cuidado e prevenção, exames de urina, dies, o exame citopatológico para eh detecção de infecções, eh a eletroforese de hemoglobina, que pode ser indicada aí também para avaliar as eh hemoglobinopatias, principalmente em populações de risco, né, pessoas que têm aí geneticamente o desenvolvimento para essas doenças.
Além, né, dessas avaliações, a gente pode fazer ainda a avaliação antropométrica na gestação, que vai ajudar aí a gente no estado nutricional materno. Então, aqui é possível acompanhar o ganho de peso ao longo da gravidez, prevenir desfechos, né, seja baixo peso, prematuridade, ganho de peso, né, eh exagerado. Mais do que observar esses números aqui, o foco está na evolução desse peso ao longo do tempo e na adequação ali à recomendações.
Então, o IMC pré-gestacional é a principal referência para pro nosso acompanhamento. Então, ele vai ser a base pra gente classificar o estado da mulher antes da gestação e para que a gente possa orientar então as metas de ganho de peso durante essa grav. Então a gente vai ter o IMC calculado preferencialmente com o peso anterior à gestação.
Ou então se a mulher não souber o peso exato anterior à gestação, a gente vai fazer ali o peso aferido até a 13ª semana de gestação, que é quando as alterações ainda são eh pequenas, tá? Então é possível de fazer essa avaliação e quais são as recomendações então para esse ganho de peso na gravidez de acordo com esse IMC pré-gestacional? Então a partir dos valores do IMC pré- gestacional a gente pode ver o ganho de peso total em quilos dessa gestante e também o ganho de peso no primeiro trimestre e o ganho de peso por semana no segundo e terceiro trimestre em quilos.
Então, dependendo de qual é o valor que a gente obtém ali, a gente consegue estimar o quanto de peso essa gestante vai ganhar até o final da gestação e também fazer o acompanhamento durante as semanas para ver se esse peso está sendo, né, eh, aumentado, está aumentando de maneira adequada ou não. Então, a gente vai utilizar esses valores como referência para esse acompanhamento nutricional e fazer então a fundamentação pro aconselhamento dietético e pro monitoramento da saúde dessa gestante. E como que a gente vai estimar, né, as necessidades energéticas?
a gente também vai utilizar o IMC pré-gestacional para fazer essa individualização. Então aqui essa avaliação, ela vai considerar que as demandas nutricionais dessa gestante variam conforme o estado nutricional inicial. Então o trimestre gestacional é importante a gente considerar aqui e os e fatores que podem influenciar nessa gestação, como por exemplo, se é uma gestação única ou se é uma gestação gemelar.
Então, o cálculo do valor energético, ele é realizado pela taxa metabólica basal multiplicada pelo fator de atividade, como a gente tá vendo aqui na fórmula no slide. E aí a gente vai ter o acréscimo ali no segundo e terceiro trimestres eh de algumas calorias de acordo com a necessidade dessa gestante, porque a gente precisa acrescentar ali eh mais energia para cobrir os o crescimento fetal e também dos tecidos maternos. No caso, a gente vê ali a média de 300 calorias, se for uma gestação única e se for uma gestação gemelar, a gente aumenta aí em torno de 450 calorias aí essas demandas secas eh adicionais.
Como que a gente faz o cálculo da taxa metabólica basal e do fator de atividade? Então, a gente tem ali a taxa metabólica basal por faixa etária, dependendo então, né, de qual é a idade desse indivíduo, entre 10 e 18, 19 e 29, 30 e 60 anos, a gente tem a fórmula ali que vai utilizar o peso. O fator de atividade vai considerar a atividade leve, moderada ou intensa.
E o valor energético total vai então considerar a taxa metabólica basal, é esse fator de atividade e as calorias excedentes, dependendo do trimestre, tá? Então, se for segundo ou terceiro, a gente soma ali 300 calorias além, né, do valor que a gente encontrar. que que a gente tem, né, de recomendação aqui para gestante com peso adequado, que a gente fala que é o peso eutrófico, né, perfil eutrófico, o peso adotado no cálculo da taxa metabólica, né, basal deve ser o pré-gestacional.
Para gestante baixo peso, adota-se o peso desejável, utilizando um IMC de 20. 8 oito para esse cálculo. E para gestantes com sobrepeso ou obesas, o ideal é ser utilizado o peso pré-gestacional para evitar a perda ponderal durante a gestação.
Então, dependendo de qual é o perfil da paciente, a gente também tem que considerar essas alterações aqui. Por isso é tão importante a gente ter, né, essa esse peso pré-gestacional préestabelecido. E como que a gente faz então o requerimento aí energético estimado?
Como que a gente calcula o quanto essa gestante precisa, né, de energia? A gente vai usar a fórmula para gestantes, que vai considerar ali a idade de 19 a 50 anos. E aí a gente vai ter então essa fórmula considerando a idade, o fator de atividade, o peso e a altura.
A gente tem que considerar ainda o adicional energético, que a gente vai usar essa outra fórmula aqui, ó, que é 8 mais a idade gestacional mais 180. E o fator de atividade que a gente usa nessa fórmula aqui, né, para calcular o requerimento energético estimado, são esses valores que a gente tem aqui de referência. Então, se é sedentária, se é pouco ativa, se é ativa ou se é muito ativa.
Vamos lá para um exemplo para ficar mais fácil. Uma paciente de 28 anos está no segundo trimestre de gestação. Ela está com 22 semanas de gestação.
Ela é professora, faz caminhadas leves três vezes por semana e relata alimentação variada, mas sente muita fome à noite. Então a gente vai considerar que essas caminhadas leves três vezes por semana e essa profissão dela traz aí para ela um fator de atividade leve. Então quais são os dados dessa paciente?
64 de altura, o peso pré-gestacional de 60 kg. E aí a gente faz o IMC pré-gestacional para classificação. Então, deu aqui o valor, né, pela fórmula do MC, o peso dividido pela altura ao quadrado, 22,3 peso adequado.
Então ela é eutrófica. Como que eu coloco lá na taxa metabólica basal? para mulheres entre 19 e 29 anos, né, que é onde se encaixa a nossa paciente.
A taxa metabólica basal é essa fórmula aqui aonde a gente insere o peso. Então, a gente vai ter aqui 1878 calorias por dia. Se eu for fazer o cálculo do valor energético total, eu vou usar aqui, né, a taxa metabólica basal que eu encontrei vezes o fator de atividade mais o 300.
Por quê? Porque essa gestante está no segundo trimestre de gestação, né? 22 semanas aí de gestação.
Como aqui é fator da atividade física leve, então a gente vai considerar o valor de 1,56. Então aqui, ó, o valor energético total para ela é de 3. 230 calorias por dia.
Mas e se eu for calcular o requerimento energético estimado? Aí eu vou jogar aqui na fórmula a mesma coisa, só que daí eu vou usar a idade, o fator atividade referente a esse requerimento energético, né, que a gente usa de base e a altura dessa paciente. Então a gente usa ali, ó, e colocando nessa fórmula, vai dar ali 2652 calorias mais ou menos por dia.
Só que aqui a gente tem que considerar o acréscimo energético pela idade gestacional na naquela nossa fórmula, né? Então a gente soma aqui o oito com o 180 e o 22, que são as 22 semanas que ela tá de gestação. Então a gente vai somar aqui e vai dar então, ó, 2860 calorias por dia para essa gestante.
Geralmente o valor energético total ele é mais aplicado na rotina clínica individual, tá? Mas a gente também pode utilizar esse requerimento energético, mas geralmente ele é mais indicado quando a gente busca uma padronização metodológica, uma comparação entre estudos e o alinhamento com recomendações. Então, ambos são válidos, desde que sejam utilizados de forma coerente, aplicados ali ao contexto adequado.
Após o período aí gestacional, inicia-se a fase que a gente chama de lactação, que também é marcada por intensas adaptações metabólicas e hormonais do organismo materno. Então, o corpo da mulher passa a direcionar grande parte de seus dos seus recursos paraa produção de leite e isso aumenta significativamente a demanda energética e nutricional. Então aqui a avaliação nutricional também é necessária de forma contínua, eh, e não é um processo isolado.
Então, durante esse pós-parto, a gente precisa, eh, oferecer, né, e favorecer para essa mãe a recuperação, mantendo a saúde física, a saúde emocional e garantindo a qualidade do leite, que é fundamental pro desenvolvimento do bebê. Então, uma ingestão inadequada de energia, de nutrientes, pode comprometer tanto o bem-estar quanto, eh, o sucesso aí dessa amamentação. Então, entre, né, as principais avaliações nutricionais eh da dessa mãe, a gente precisa considerar eh alguns fatores.
Então a gente tem que observar o consumo adequado de proteínas, né? A ingestão alimentar, olhando pro consumo adequado de proteínas, que é que são importantes para produção do leite, além de vitaminas como vitamina A, vitamina B, vitamina C, minerais como cálcio, ferro, eh que vão ajudar aí na saúde óssea e também na prevenção de anemias. Eh, a análise da dieta vai ajudar a gente a identificar deficiência energética, carências específicas que são comuns aí nesse período.
a gente também consegue eh identificar sinais importantes, fadiga, que pode ser indicativo de anemia ou de baixa ingestão calórica, queda de cabelo, eh enfraquecimento eh das unhas, que podem estar associadas a outras deficiências de zinco, de biotina, mudanças de peso que podem refletir aí retenção hídrica ou déficit de energia, alterações de humor que também exigem atenção, que pode tá relacionada tanto a desequilíbrio nutricional quanto a questões eh emocionais que são típicas, né, do que a gente chama aí de purpério, que é essa fase logo após o parto. Então, a gente consegue fazer essas avaliações. Além disso, a gente ainda consegue olhar pra antroprometria, que é o acompanhamento do peso e do IMC, considerando o peso pré-gestacional, o peso ao longo da gestação e também ao longo do pós-parto.
E por fim, os exames laboratoriais que vão complementar então a avaliação, destaque pro hemograma, ferro e vitaminas que vão ser identificadas aí, né, na questão de da saúde materna e também na amamentação. Bom, como que a gente vai então eh entender aqui o cálculo energético para esse grupo, né, desse momento aí da lactação? Então, para atender as demandas dessa lactação, a gente tem que ajustar esse cálculo energético para esse período da mulher.
Então a gente tem ali a estimativa através, né, da taxa metabólica basal e da da do nível de atividade física junto com a energia para produção de leite. E aí a gente vai ter o nosso eh cálculo da do gasto energético total aí para essa para essa paciente. E esse valor a gente vai adicionar a ele 500 calorias por dia, porque a gente vai ter então a necessidade, né?
A gente vai ter um acréscimo que é destinado à produção do leite. Então reflete o alto custo dessa síntese de leite que é considerada aí, né, nesse período. De forma geral, a gente tem esse acréscimo de 500 calorias por dia durante a amamentação exclusiva, né?
Então, quando o bebê tá ali apenas eh se alimentando do leite materno, então isso vai contribuir para essas demandas aí na produção de leite. Mas esse cálculo ele deve ser individualizado, tá? Então a gente tem que também considerar o ajuste dependendo do volume do leite produzido, do tempo de pós-parto, do estado nutricional dessa lactante, do nível de atividade física.
Então, dependendo, a gente pode ter uma maior demanda ou uma menor demanda de acordo com o perfil dessa paciente. O objetivo aqui é sempre garantir energia suficiente para que a mãe possa se recuperar, manter a sua saúde, ter a produção de leite adequada para que o bebê tenha suas necessidades atendidas. Vamos para mais uma aplicação prática aqui, ó.
Paciente de 28 anos, 2 meses pós-parto, amamenta exclusivamente. Peso atual 62 kg, altura 1,64 e a atividade dela leve. Alimentação equilibrada, porém refere cansaço e queda de cabelo.
Então, por conta desses sinais, a gente pode ter uma possível deficiência de ferro e zinco que devem ser avaliadas. Aí a gente faz a avaliação antropomédica. IMC cálculo a partir do peso da altura 23 de valor, então tá ali dentro da eutrofia um peso adequado para o pós-parto.
A partir disso, a gente faz o cálculo energético. Então a taxa metabólica basal dela com esse peso de 62 é de6 calorias. O gasto energético total, considerando a atividade leve, é de 2.
195 calorias. E aí a gente tem o acréscimo da lactação, né, que ela tá amamentando exclusivamente, então mais 500 calorias. Então, a o nosso, né, valor energético total aqui é de 2700 calorias por dia.
Então, é isso daqui que vai ser utilizado para fazer a base dessa alimentação. Além disso, né, orientar a avaliação laboratorial por conta das carências, né, da dos sinais que ela refere-se ali que podem indicar carência e fazer o reforço alimentar aí de proteínas, ferro, biotina e z. Lembra lá que a gente, né, no começo da aula, a gente tinha uma situação daquela gestante no segundo trimestre com fadiga, ganho de peso acelerado, anemia, glicemia alterada ali, né, olhando para esse caso agora, depois do do conteúdo, a gente entende que a avaliação nutricional ela precisa ser ampla, integrada e contínua.
Então, a gente não pode olhar eh pro peso ou para um exame isolado. A gente tem que reunir todas essas informações para compreender os riscos maternos e fetais e direcionar então as condutas que são seguras. E o que que a gente pode eh aonde a gente pode aplicar, né, esse conteúdo visto nessa aula, principalmente em consultórios e pré-natais, acompanhamento pré-natal, né?
Então, vendo aí a evolução nutricional da gestante em hospitais e maternidades, orientando anos alimentares e também, né, para essas, principalmente para essas gestantes e lactantes e na atenção básica, com ações de promoção da saúde voltadas, então, público materno infantil. Bom, essa foi a nossa aula de hoje. Utilize o seu material de apoio para revisão e procure o tutor para esclarecer qualquer dúvida que você tiver.
Até mais.