A Encruzilhada Fausto Antônio Jamal queria entender o por da Separação definida por Marim mas ela diante de uma luz intensa que segava seu entendimento desnorteado também não sabia explicar as razões eram intraduzíveis assim buscou as palavras com cuidado e foi espalhando pelo ar o Rosário tecido pela teia invisível da distância Jamal Jamal de certo modo vencer as tramas do distanciamento eu vim pegar minhas roupas falou fixando como um espelho d'água os olhos nele fugindo da resposta direta ele avançou mirou seu olho nela e foi se aproximando havia marcas que o tempo deixaram intactas a aproximação
convivia com vozes e silêncios em que construções e desafetos espont avam no topo das suas incertezas em que Muros e vidraças pendurados nos olhos internos formavam o primiro Limbo para o encantamento ou para o fim do amor e haveria outros limbos e o véu e O Precioso registro era um texto que para alimentar a vida ou a morte precisava de uma leitura precisava do início dos tempos ou da materialidade memorável de Marim era ela e seu nome aduzido sobre seus passos seu nome Marim soara como o sino das idades soara o nome sobre tábuas e
grossos muros flanqueados pela língua Ou por algo comum que existe numa mulher que olhara no espelho buscando além da percepção corpórea uma reconciliação entre um fogo que pudesse traduzir um aperto no coração e na mesma pulação um desejo carnal e feminino Jal sentira que ela queria rever lugares escondidos em seu próprio corpo lugares que esperavam para serem postos à luz necessito de um mapa para realizar a viagem preciso no tempo e no espaço do inferno do inferno do inferno Jamal repetira três vezes o inferno era a vida o inferno era Marim a boca o estômago
o sexo e a alma dela então encheram seus olhos das nuvens da Anunciação e do juízo final não se conteve mim você pensou bem ele procurou um socorro um último galho que pudesse no correr das águas e da inundação servir de salvação mas você não diz nada além das roupas meu amor ele deixara escapar meu amor ri um pouco e sentindo-se meio ridículo encostou o corpo na parede ainda entregue a perdição amorosa fixou-se no espelho que trazia o quarto Marim e tudo que amava dentro de um tubo ovulado na imagem os cabelos a Carapinha de
Marim eram os fios tecidos pela eternidade depois Jamal abriu e fechou insistentemente os olhos os objetos abrigavam as lembranças essas reminiscências que esguicham as águas e riachos guardados nas formas a guisa de uma saudade latejante transformada em torrentes quando revivida o teto veio abaixo rodando em intensas vertigens a parede imensamente fria transformou-se nas raízes de que precisava para continuar em pé enredando-os cada vez mais e mais os meandros sinuosos da Separação perguntou Você sabe o que fez no fundo a indagação queria afirmar que a separação era ao mesmo tempo um referencial e um símbolo Marim
segurou tal como se segura a água que escapa de um chafariz o vestido entre aberto e acima da mala e enquanto ia repousando as mãos bem talvez não tiava sua indecisão simbolizou para ele a ambição de que pudesse reacender o amor foi a mim Por que então ela olhou ele desamparado meio sem ar e sem um ponto de apoio tentava dizer mim mim era como se dissesse o nome dela e uma onda sísmica tivesse no ato atravessado e partido o seu coração ele tentou gritar Marim Mas emudeceu e o nome Marim Era este lugar fechado
e retirado que esconde uma sombra trêmula a linguagem corporificada o nome atingia assim aquele liame limite em que já não se podia bastar a si mesmo para dizê-lo em alto e bom tom de joelhos na posição de quem pede Faltou um derradeiro impulso Jamal ficou então soprando para dentro ela vibrou como um sino que depois de tocado suava nos planos da interlocução com os espectadores que ficavam de mãos postadas para recebê-lo como um rito ou num rito no qual Não havia mais crença e sim uma inquietante comunhão Divina o Divino era a palavra era a
senha era o oráculo e o passe mágico engolido pelo nome as palavras internamente pulsavam e o bem e o mal eram o espelho perfeito do Reino de Deus as palavras o verbo traziam o gosto da Carne pois não eram as palavras ele queria de fato esticar os braços e agarrá-la como se agarra num jardim no jardim dos sonhos a Amada os braços ficaram Imóveis e levemente retraídos bem sei o teu nome murmurou baixo e contente entre os lábios a palavra sei e o eco se fez carne por três vezes bem sei bem sei bem sei
mim imobilizada nos palpos de uma teia suspensa tentou em um exercício inútil fugir e só se viu livre depois que a força foi recolhida e alimentada por uma espécie de impotência a razão da vitória e da derrota tinha o mesmo ponto de partida e de chegada em vez de alcançar as alturas da Liberdade ela entrara num Abismo cada vez mais humano e de vez em vez desumano no mesmo instante em que queria recuar e ceder ao movimento da aproximação de encontro um braço e um corpo que não eram estranhos ao seu próprio corpo traziam na
para o Juízo Final a balança sem misericórdia pendia para o desenlace para o fim ainda que significasse também o início o Renascer no qual o céu e o inferno se continham incessantemente o céu e o inferno pois bem assim queria horrar e arrancar um sentido e um sentimento que se revelasse em palavras e significados narro a mim e minha traição falava por dentro calava também por dentro quando respondia mesmo que parcialmente às indagações de Jamal sentia mentira do que dizia as palavras eram nexo com a verdade e com a mentira a verdade a menam coisas
inventadas podia Sem mentir e dissimular Mas Não adiantaria nada a verdade e a mentira seriam as vozes imparciais do que de fato ela escondia ela Amara de alguma forma outro homem seus gestos e pensamentos mesmo que furtivamente tiveram outro destino o segredo a mágica aguardada pela Aventura amorosa além do casamento tinha deixado uma fenda ela ficara então na encruzilhada As Margens eram a a distância eterna eram a sólida despedida ou encontr em outra margem na qual depois pudessem enredando mudar a história a história estava pronta toda história é algo completo Ela sabia mas sabia igualmente
que o enredo na saga sinuosa poderia engolir no trânsito no vai vem da travessia na ressaca a própria história a história não seria a história Marin especulava mas sim o modo pelo qual a maquilagem a de voz a linguagem os planos os ângulos as expressões faciais e os efeitos de uma iluminação posta pelos objetos e pessoas pudesse se revelar numa narração que a revelia da tecitura superficialmente tecida pela história seduz iria pelo narrado e não pelo trágico da história em si mar assim mutilada tremia entre o céu e o inferno o que sei é muito
pouco e talvez falando para Jamal pudesse mesmo saber mais dos Deslizes dos avanços e recuros do Mistério do amor como explicar a mim que o amor acabara como explicar a mim sen não rememorando a própria derrota antes a derrota fora uma superior Vitória o amor era Tercer e serir o início e o fim nas portas do paraíso serrando os olhos e mordendo levemente o lábio inferior ela visualizou aquilo que ficara colado na memória seja mal vivesse por mim e com as recordações tenho certeza de que se juntaria a mim para dizer como eu já havia
feito durante o nosso último jantar que a primeira noite aqui neste mesmo espaço da Separação foi o grande período das nossas vidas as marcas do passado sofreram com o desgaste do tempo sobraram certas artérias cujas aberturas não estão ainda terminadas a linha afetiva obsedado por uma mão percebida num olhar retrospectivo no entanto obstruía o horizonte imediato era preciso mergulhar olhar para trás paralelo ao imediato estava pendurada no flanco do que acontecia a saudade imensa numa atmosfera que encobria o presente o passado no desfigurado Encanto das lembranças vinha em fragmentos tudo se dera assim depois de
uma noite de amor e do calmo e longo café da manhã portanto de sexo de amor e de estômago completamente alimentados Marin saíra eletrizada e com os sentidos e poros ados os degraus na longa escadaria lateral de sua casa subiam e desciam entre nuvens e Girassóis alucinadamente azulis das casas saíam cumprimentos Encantados vozes melodiosas e olhares cúmplices com algo que somente ela sabia mas todos absolutamente radiantes participavam havia as trevas havia também o perigo da luz clara da manhã Deus e a Deus eram a massa anagram mática de um movimento intercambiável o Encanto urgia o
encanto antes estabelecido tudo de tal modo que a luz e o encanto cassem e só no escuro e de olhos cerrados poderia densamente vencer a compreensão imediata minutos depois e com os olhos dele dentro dos seus ela engolia a saliva tudo se revertia em dor em indizível vivência cujo discurso numa tentativa de acerto apenas animava uma pulão por uma verdade além dos fatos Afinal eles estavam casados havia 13 anos mim olhara atentamente para Jamal olhara como se não existisse mais nada e a contemplação pudesse reverter por dentro uma aguda desordem e descrédito pelo amor Afinal
o traíra e o ato não tinha nome o nome a traição em si não justificava a ordem secreta que animara o ato mesmo se Jamal em um primeiro momento esperava uma resposta Salvadora num instante em que se armava num contrassenso ela sabia que com ar o episódio não era entendê-lo Marim guardava aquilo guardava um segredo que vivia contra gosto modelar em carne e em sangue a manutenção primária da vida a traição era o alimento da reminiscência paradisíaca Talvez buscasse uma reminiscência de serpente do amor primordial de um paraíso que a despeito do tudo e do
nada se instalara na memória do ato de separação destarte enquanto o chafaris o olho da da água seu reflexo como um beijo na face d' água retroagiram eles se viam no passado ou numa fresta encantada na qual num primeiríssimo plano estavam Adão e Eva e entre eles A Encruzilhada o livro da memória era o liso das palavras era o liso da maçã do amor da serpente ou da Chama da mente e o calor e o frio a procura Sem Fim da própria carne o sexo a expulsão do Paraíso era também um mergulho no nada da
sua própria nomeação O Abismo era um palavras O Abismo intenso eram as palavras com as quais ela gostaria de fazer a travessia havia um princípio que se rompera como um umbigo e uma placenta que no entanto eram as plenitudes da criação e do seu duplo no oblíquo no qual o Diabo diz a Deus tudo a Deus nada Marin tinha na boca na palavra mesmo a dupla face a polaridade da condição humana o bem se alimentava do mal e o mal na mesma proporção do bem Marim antegozando a manhã sorriu levemente fechou a mala e foi
saindo da mesma maneira que chegara E no momento instante e na delícia da Encruzilhada abriram-se as janelas uma a uma fim