As narrativas compartilhadas têm o prazer de ouvir hoje, em São Paulo, Edson Alves Filho, mais conhecido como professor Paulo Edson. Ele também é escritor e se identifica como Paulo Edson. Nós teremos alguns blocos de aproximadamente 20 minutos cada, então vou apresentar primeiramente o professor Paulo Edson.
Ele é sorocabano, bacharel em administração de empresas pela Faculdades Integradas do Águia, cursou superior em língua inglesa pelo Westminster College de Londres, e é licenciado em Letras pela Uniso. É mestre e doutor em língua inglesa e literaturas inglesa e norte-americana pela USP São Paulo. Cursou piano clássico no Conservatório de Tatuí e atua como professor na Uniso atualmente, além de trabalhar na Faculdade de Tecnologia Fatec de Sorocaba.
É autor dos livros "O Corsário de Ilhabela"—aqui está o manuscrito—, "Nadir Thomas Cavendish", que em 1591 se refugiou na Ilha Bela e saqueou a vila de Santos; foi publicado em 2008. Depois, escrevi "O Catolicismo Indígena" em 2010, que aborda como as tradições indígenas feitas por José de Anchieta para o Tupi mudaram o cristianismo no Brasil colonial. Depois, ele publicou "Crônicas do Cáucaso", que trata das guerras da Chechênia, e finalmente a trilogia "As Regras do Drgão", publicada no ano passado.
Na verdade, são três livros que foram publicados, totalizando mais ou menos 700 páginas. Logicamente, há a necessidade de fôlego para ler essas 700 páginas, mas o que acontece é que a leitura ocorre naturalmente e, quando percebemos, já não vemos apenas 700 páginas, mas muito mais. Fôlego é necessário para poder escrever, e essas 700 páginas conseguiram prender o leitor; o Edson consegue fazer isso muito bem, por sinal.
O Paulo também é compositor e tem dois álbuns musicais: "As Sete Maravilhas do Mundo" (2000) e "Terra Sem Mal" (2005). Este último está relacionado à pesquisa que ele fez com tribos indígenas. Na verdade, o Paulo Edson atualmente é professor de língua e literatura em língua inglesa, tradutor-intérprete, escritor, músico—principalmente de teclado e piano—mas também de outras coisas, compositor, produtor e agitador cultural.
Transita por vários contextos como estudioso de línguas, da história, música e multimídia, sendo um pesquisador incansável com vários artigos publicados em revistas científicas. Inclusive, imagine que ele saiu atrás de conhecimento, além do português e inglês, dominando tranquilamente também espanhol e italiano, e até russo, em função do desenvolvimento de suas obras. Ele dá palestras e cursos nesse contexto todo que ocupa e também atua como consultor em treinamentos empresariais.
Quando cursou mestrado em estudos linguísticos e literários em inglês na USP, o tema da dissertação foi sobre a tradução comentada do manuscrito do Corsário Thomas Cavendish, que acabou sendo incluído no livro que acabei de mostrar, "O Corsário de Ilhabela". Depois, ele cursou o doutorado em estudos linguísticos e literários em inglês, e disso vieram as traduções precisas das obras de José de Anchieta, resultando no "Catolicismo Indígena". Nesse período, ele acabou publicando outros dois livros: "Crônicas do Cáucaso" e "As Regras do Drgão".
Então, Paulo, vamos contar um pouco dessa viagem fantástica que você tem feito na vida, que não para! Estamos em tempos de epidemia, mas você nunca parou e continua agitando de todos os lados. Agora, vamos contar um pouco daquilo que você conseguiu fazer em tão pouco tempo e também nos contar um pouco sobre seu processo de criação.
Neste primeiro bloco, você vai contar um pouco sobre sua formação escolar, como entrou no universo das línguas e da música, e aos poucos vamos viajar com você nesse universo de criação. Edson, muito obrigado pela sua presença conosco, Mônica, obrigada por ceder um pouco do seu precioso tempo. É um prazer enorme conversar com você.
Faça isso por nosso sobrinho e o Febre, e obrigado por compartilhar um pouco da sua experiência de vida. Nós aprendemos mais. Eu te acompanho há aproximadamente 30 anos e tenho uma grande admiração, saiba disso!
Como eu ouvi nas músicas que tocam o ser humano lutador, seja bem-vindo, porque agora são suas palavras e eu vou ficar quieto. De vez em quando vou dar algumas intervenções, mas com certeza vou ficar mais quieto para ouvir o contador de histórias que é você agora. Obrigada, Roberta.
Então, para fazer tudo isso, tem uma fórmula só que serve para tudo que fiz: a música e o livro. Você tem que ficar atento aos sinais da vida, que vão aparecendo. Você tem que saber perceber o sinal e ir atrás do sinal.
Sempre foi assim; é questão de ir atrás. Aparece alguma coisa inesperada. E tem outra coisa também: vou te falar um monte de coisas sobre o que fiz que aconteceram.
Tem uma palavra que me acompanha, acho que desde que nasci, que é sorte. Sempre tive muita sorte. Agradeço ao universo pela sorte que tive.
O que fazer perto disso? O estilo eu estou indo; ainda tenho muita coisa para fazer, mas tudo que fiz até agora foi, com certeza, sorte e saúde. Tadinho, eu sou seu conterrâneo!
São João da Boa Vista, a terra do profissional—quarto lembrei! É verdade, sou conterrâneo! Muito bom!
Mas estou aqui em Sorocaba desde os oito anos de idade; estou com 55, você imagina. Não deu para tirar! Sorocabana, essa terra que eu amo como se fosse minha terra natal, mesmo, né?
Então, não é você ou seu? E não foi nem, nem considero erros. Me chame de Sorocabano que eu me sinto Sorocaba, mesmo com tudo que tem aqui nessa cidade.
Então, aproveitando, né? Falando da minha mudança, eu vim para cá com 18 anos, né? Meu pai era bancário, geralmente do banco; acontecia, não sei que acontece o que acontecia naquela época, muito tempo.
Você tem esse rodízio de trabalhar em agência diferente, né? Meu pai tem essa sorte enorme; eu tiro e sei, converso com a sorte. Eu tive a sorte enorme do meu pai ter vindo para cá.
E olha as lembranças que eu tenho, assim, das primeiras vezes que estive aqui em Sorocaba. Sorocaba já conhecia, na verdade, antes de me mudar. Eu lembro que a minha mãe e uma amiga dela, que essa amiga dela vinha com ela, eu tinha, acho que, 6 ou 7 anos, fazer compra de tecido lá onde agora é o Top, mas lá era uma loja da Barbera, se eu não estou enganado, que é um galpão gigantesco aberto.
Eu lembro que eu me sentia num labirinto. É, eu lembro que eu ia para o fundo, assim, ó, você começa a entrar naqueles planos pendurados, assim, exatamente no labirinto. Então, essa coisa de Sorocaba, eu já gostava dessa loja para poder brincar de esconder dentro dessa loja.
Eu não tivesse na lei que eu fosse morar aqui em Sorocaba, nunca nem tinha a ideia em primeiro lugar que amor. E foi numa casa, ela nem existe mais, uma casa lá em Santa Rosália; é uma casa na Pereira da Silva e tinha um abacateiro. Uma casa pequena, mas quintal espetacular que interessa para criança quando tem oito anos de idade o quintal, né?
Eu lembro que eu subia no último, último, último galho do abacateiro e ele tinha uma visão de toda a Metalúrgica Nossa Senhora Aparecida, que era o áudio; ela estava funcionando. Eu conseguia ver os trenzinhos andando lá dentro, eu conseguia ver as caldeiras despejando o ferro derretido de cima desse abacateiro. Então, assim, essas imagens são muito fortes, assim, de uma coisa de espanto.
Comprei, conseguia ver da minha casa do abacateiro. E eu lembro que tinha um quintal muito gostoso, fazia uma estradinha; não desperdiço, fazendo as estradinhas lá no quintal, timão de carrinho, fazer uns caminhos. Lixões Transamazônica, ter um dia de em conta a estradinha, que só tenho lembranças muito boas dessa primeira casa que eu ligo.
Estou carro e uma lembrança muito boa de quando estudei também na EPG da Rosário. A escola estadual Rosário, ela tem esse nome; eu fiquei sabendo que ela teve esse nome por pouco tempo. Ela teve um outro nome que eu não me recordo agora, antes, e depois já mudou o nome também.
E era onde agora é o shopping, nem mais o shopping de Laje, né, o prédio do shopping. Eram mais. .
. O Alan, fantástico, era grande; tinha um campinho para jogar bola no campinho da frente, tinha uma parte de mais um mato fechado, de umas galinhas lá super bem atrás, tinha outra quadra. Tinha o prédio, é muito antigo, o prédio; era muito antigo.
E o prédio por si só já tinha essa beleza de ser uma coisa antiga, aqueles bancos antigos que levantavam a considerar o banco, né? Ele era retrátil, né? Tinha o espaço para cá dentro.
E eu lembro que quando eu vim para cá, eu aqui, aqui ainda era francês, estava na quinta série, a 5ª série era francês ainda. E eu tinha, como eu comecei, eu acho que eu mudei, não se não estou enganada, no meio do ano; foi umas férias de julho. Então, o primeiro semestre eu fiz inglês, a pessoa que vai sair, fazer francês.
Aí, depois, no outro ano, mudou para inglês também, que eu fui naquela pelo de transmissão, oi, né, do francês para o inglês. E eu fui aluno da Dona Virgínia, se não me engano, era diretora na escola na época, que acabou sendo minha colega e trabalho na Uniso, né? Tanto esse.
. . só foi nosso professor e colega de trabalho, trabalhamos tudo junto, né?
Eu e você. E nossos. .
. era muito interessante, né? E aquilo que você me perguntou de teatro, se eu tinha alguma coisa com teatro.
. . Eu nunca fiz teatro.
Eu tive uma peça só que eu participei, que me diverti, onde foi exatamente, e aos 9 anos de idade que eu fiz o papel do Pedro Malasartes. E aí, o papel do demônio era feito pelo Wilson, meu colega de classe. Hoje o Wilson, Padre Wilson, aparelho, alguma lição.
E depois, uma colega de turma, ele fez o papel do diabinho, eu acho. Persistência, ele talvez seja um ano mais velho que eu, não tenho certeza. Então, e sempre ter isso é claro na cabeça dele.
Então, foi assim, uma época muito, muito, muito boa, assim. A primeira infância em Sorocaba, assim, foi espetacular. Os colegas do bairro, os colegas da escola, foi ótimo, né?
Bem, aí, quando eu acabei o colegial, eu tocava, né? Eu tocava piano e o rei estava tocando. E aí, eu tinha começado antes de me mudar para cá, um ano antes, mas foi aqui que eu comecei, eu realmente tocar.
Eu tinha uma professora lá na Vila Santana, chamada Dona Ivani. E engraçado, aqui não faz muito tempo. Eu fico, tem que pagar as contas, quatro anos, três, quatro anos depois eu fui para o conservatório.
Está tudo, né? E a Dona Ivani, eu passei, eu estava passeando com cachorro na rua do lado, abri a janela. Eu perguntei mesmo, reconhecia a língua.
"Mia, tô sim, sou eu. A senhora não lembra de mim? " "Ah, mas não lembro mesmo.
" Aí eu falei, "isso, eu lembro vagamente, mas nunca te reconheceria. " Você tinha 10 anos de idade, né? Me ver agora, depois de quase 50 anos, é que foi quando eu achei ele.
Está super bem, beber está piando lá. Mas aí, Roberto, eu lembro que, com uns 13, 14 anos, eu gostava muito de rock. Já gostava muito, claro, que gostava de clássico.
Tocava clássico, foi perdido. Tanto é que, quando eu entrei no Estatuído, eu tinha 15 anos. Fiz aula com Fábio Blusa, né?
Para os livros, eram uma coisa. . .
é uma coisa ali. Ele é um músico, é uma coisa inacreditável. Depois eu, professor então, cabelos, cabelos.
. . mas sempre ficava aquela coisa de música de rock e pop, que me pegava muito.
Eu gostava muito, né? E uma colega minha, leva uns colegas meus no colegial, é o antigo colegial, no ensino médio. Eu lembro que tinha a Anna.
A Anna era meu vizinho, um quarteirão para frente. A vizinha, ela tinha, além da. .
. tem um piano de cauda, os irmãos dela mais velhas ouviam o Emerson, Lake & Palmer. Eu passava, assim, a tarde inteira ouvindo os discos de rock e rock progressivo na cara, e essa.
. . o Gênesis, o Warchman.
Isso ao mesmo tempo que você era aluno do Fábio. Ao mesmo tempo aqui, não sabe, né? Está nos aumento.
É um grande pianista de Sorocaba e trabalhou bastante com Fábio, com Nilson Bardi também, né? Os dois tinham (Música) essa relação próxima, né? O Nilson Braga, norte da cultura na época, né?
E também hoje. . .
hoje ele está na Itália, né? E somos enganados. Inclusive, a Lúcia, Lúcia Esmaga, que tem mais contato com ele, sei lá.
. . ela começa, se eu não estou enganado, é diretora no conservatório lá.
Então, é. . .
não lembro, gente. Às vezes ele é bem, né? Tocar aquele Sorocaba no momento na Fundec.
E agora, para a pandemia, infelizmente, não estamos com a presença dele há dois anos. Já que eu lembro que o Fábio me passava a Menderson para eu estudar, eu chegava com Tony, bem, sim, eu estava contigo para pôr para ele. Faz imensa, nem conheço.
Aí, Roberto, também no colegial, eu tinha um amigo chamado Eduardo. Nunca perdi o contato com ele, nunca mais vi daquela época. Voltou para São Paulo e a mãe dele tinha.
. . a mãe queria aprender a tocar teclado e o pai, exagerado, foi na Leimar, que era uma.
. . talvez uma das maiores lojas de instrumento musical.
É só para muito difícil, porque você tem instrumento eletrônico no Brasil, né? Sintetizador, né? Em vez do pai comprar um órgão mais simples para ela, está escrito que era um audinho eletrônico, né?
O pai comprou um dos últimos indicadores que tinha. Comprou uma bateria eletrônica, comprou um baixo eletrônico. Era equipamento, assim, surdamente caro, mas ela nunca saberia mexer.
E eu vi esses equipamentos na capa dos discos que ouvi a derrota. E aí eles foram tão legais, a Cidinha era a mãe dele, né? Ele morava.
. . também mora na Rua Parecida, é o Eduardo.
Ela fala assim: "Olha, a seguinte, vou emprestar para você esses equipamentos. Para mim não dá, ela não vou conseguir aprender, imagina, dá um sorvete, né, para mim de tudo que eu queria: primo Roland SPD-SX, JX3P, um super sintetizador da Roland, a bateria de ontem, uma Drmatix, né? Porque eu só conhecia de vir e pista.
Ficou lá em casa. E aí, Roberto, eu tenho até hoje. Engraçado, gravei muita coisa, composição minha.
A gente tá com a 7, eu tenho essas fitas ainda, as coisas de 83, 84. Eu tenho umas guardadas ainda. Na época você tem acesso a estúdio, era só isso tudo profissional, né?
E foi quando eu falei: "Eu preciso fazer a Viagem ao Centro da Terra", que era o objeto na sala de coelhos que tinham procurar. Extra 16 anos e tinha os indicadores emprestado da Guide e frequentava o Getúlio Vargas. O Pedro caminhou, Faro não conhecia ninguém.
Neste alguém me disse, afirmou que essa aqui. Eu não sabia. E aí ficava assistindo.
Alhos que eu falava: "Acabar o ensaio, só Pedro, só assim assim". Eu quero fazer, eu toco, temos que tocar, fazer o "Ver Centro da Terra", do Rick e Rick. E dava risada que queria que é de menina de 16 anos e nunca dava certo, né?
Mas ele é muito simpático, tá? Quem sabe? Eu não tinha nem, eu não sei nem por onde começar.
Apesar das partituras, eu consegui uma partitura de Tatiana conversa. Alguém tinha uma partitura para piano, o cheiro. .
. o que a gente. .
. ele é pior que saque inteiro. É isso.
Meu conhecimento musical não era, não dava tanto para fazer uma orquestração. Aí que me ajudou foi um trompetista, meu colega, statue o. .
. a dor, dor. .
. não, vamos lá. Vou começar e você, cara, ele foi muito gente boa.
Hoje, o Anoro, eu também faz muito tempo. Não tem motivo, não importa, converso com ele, mas ele preferia diretor da era até a última vez que eu fi. .
. do curso de música na UFMG, ele se deu muito bonito, né? E olha só, para quem está nos ouvindo também localizar essa orquestra que o Paulo está falando, foi criada pelo Dr Pedroso de Souza e ela, diretor da Escola Municipal Doutor Getúlio Vargas, e ela se chamava, de início, Orquestra Sinfônica Infanto-Juvenil Getúlio Vargas.
E aí que o Pedro Cameron era o regente. E essa orquestra é que se transformou numa festa Sinfônica de Sorocaba. Aí, ou é o Dr Pedroso foi quem acabou criando, né?
A Sudeste, tá bom? Isso mais localizar quem estivermos ouvindo em volta. Paola, eu tinha desistido da ideia, né?
De aí que aconteceu. Tinha banda, não sei se você se recorda da banda do Sol aí de Sorocaba. É bem assim vagamente, mas mesmo recordo que.
. . Havia assim, eu acho que dito que a Bando do Sol foram as bandas mais organizadas da época.
É difícil você ver uma banda de rock e rock progressivo por aqui. Eu tive uma coincidência com essa história de falar sobre que ele fazia a atenção da Terra. Eu conheci o Luize Cura, que era baixista, e hoje é juiz.
Faz um tempo que eu não vejo ele. Acredito que ele ainda me trocava, ele tocava baixo na época. Olha, estão precisando de tecladista também, eu tô tocando com eles.
Eles vão lançar um LP. Poxa, Roberto, você tem 16 anos! Sabia que você poderia gravar um LP?
Eu fui conversar, eles adoraram. Eu já tinha uma equipe. Oi, Cidinha!
Assim mesmo, estúdio? Essa não mexe, era o maior estúdio de São Paulo. O melhor curso na época tinha oito canais, e isso, oito para nós aqui, hoje, parece que vale mais ou menos quantos pontos de som você consegue colocar.
Então, são oito canais. Eu fui chamado para gravar junto ao LP do Elíptico. Imagina!
Nunca imaginei que com 16 para 17 anos eu estaria gravando um LP no melhor estúdio do Tietê em São Paulo. O pessoal da banda e eu começamos a fazer vários shows. Ganhamos um festival em Piracicaba, que foi no Theatro São Pedro, lotado de gente.
Levamos super bem naquele cruzamento de festivais, né? O festival de Piracicaba era muito conhecido. Nós ganhamos o festival e lançamos o LP.
Eu participei, eu acompanhei a mim e o cantor da banda, Moacir, que era de São Paulo. Eu sou, olha, Paula, a gente tá gravando muito. Eles precisam de tecladista.
Aí eu comecei a trabalhar direto com 17 anos. Roberto, eu comecei a trabalhar ali gravando com um gordinho. Comecei a ganhar.
Aconteceu que, ao mesmo tempo, eu comecei a trabalhar como pianista na Mônica Minelli. Eu também tocava piano nas aulas de ballet clássico. Com 17 anos, eu já tinha uma rendinha, sabe?
Ela hoje toca balé Clara. E gravar isso me deu mais dinheiro. Gravava em São Paulo, em Santo André.
E aí, quando cheguei nesse estúdio em Santo André, lembro que pedi um cara com Yamaha CS 80, que era o top dos sintetizadores. Eu tinha aquela máquina para poder brincar nessas partes, né? Foi aí que decidi, então, com 17 anos, que eu ia fazer isso.
Mas sempre assim, o gol Cream fixador, do jeito que é, aquele sonho que a gente tem, né? Então, por isso que eu te falei: eu tinha essa informação da música clássica, mas não fui até o fim do curso de piano clássico. O que me chamava mais era o pop.
O rock sempre foi uma coisa que me atraiu mais. E, no dia em que você estava com a possibilidade da gente poder criar, eu fui conhecendo outros músicos, participei de outras bandas. Então, eu passei muito tempo em São Paulo.
Eu lembro que minha mãe e meu pai e minha mãe tinham autorização para eu pegar o ônibus Cometa, porque ela era menor de idade. Eu já estava muito entrosado com a música. E eu comecei a fazer engenharia, mas foi uma decepção.
Quando comecei as aulas de cálculo, era um monte de cálculos. Eu sabia que essa era uma coisa importante, mas não tinha paciência, e eu já estava fazendo música. Estava acontecendo comigo, né?
E, nesse imediatismo, eu deixei o curso no primeiro semestre. É uma coisa que me arrependo até hoje. Quem sabe um dia eu resolvo esse problema comigo.
Eu pensei em seguir engenharia elétrica ou eletrônica, talvez. E daí, o que aconteceu? Eu queria muito ir.
Eu já sonhava alto, claro, essas coisas que sonha um adolescente. Eu queria morar em Los Angeles, eu preciso morar em Los Angeles. Eu já trabalho em estúdio, eu vou tentar ser músico de estúdio em Los Angeles!
Você põe um sonho, tanto quanto em Los Angeles. Claro, ela era a capital americana do rock, né? Do pop rock, principalmente.
É claro que a Inglaterra também, né? Só que eu lembro que continuei trabalhando só com música por um tempo. Mesmo eu não estando estudando, quer dizer, quando você tem 18 anos, a gente não tinha aquela preocupação.
Eu não estava preocupado em sair para estudar, eu estava feliz trabalhando e tocando. Aí, uns amigos meus aqui de Sorocaba se mudaram para Londres e disseram: "Aqui tem muito trabalho, venha trabalhar com a gente! " Aí, o Felipe, que hoje está em Los Angeles, me disse que aqui não tinha ninguém.
Eu tinha referência de um amigo, o Paulo, que sempre falava bem do lugar. "Vem pra cá! Sabe uma coisa?
Vende meu teclado. " Eu tinha um dinheirinho que tinha ganhado, mas não era pouca coisa; foi mais um teclado que eu havia comprado. O sinalizador, um fixador, meu pai me ajudou, minha avó me ajudou.
Então, eu tive uma ajuda da minha família e fui para Londres, mas o que eu queria mesmo era fazer um lado de rock lá e também trabalhar com gravação. Agora, vou dar uma pausa e depois começamos o segundo bloco. Com o segundo bloco com Paulo Edson.
Então, até daqui a pouco. Até já!