olá o nós da educação começa agora no programa de hoje vamos conversar sobre gestão dos sistemas educacionais e sobre a idade de uma escola democrática autônoma vamos falar também sobre o desenvolvimento das políticas públicas na esfera educacional para conversar sobre esses temas com nós da educação apresenta o professor ângelo ricardo de souza doutor em educação pela pontifícia universidade católica de são paulo e professor da universidade federal do paraná professor muito obrigada pela sua presença aqui nós da educação um trazer professores é formado em educação física o quem levou os seus estudos a trabalhar com gestão
escolar só não foi trabalhar com a escola com educação eu escolhi fazer educação física porque desejava trabalhar com crianças especialmente tinha uma feição com a coisa do esporte com a prática da atividade física era obviamente por isso escolhi esse curso mas desejava fazemos sempre na escola e me formei fiz um concurso público para a prefeitura de curitiba e na mesma época para a rede estadual de ensino do paraná foi aprovado foi trabalhar com o professor lá fiquei uns dois três anos quatro anos à venda 34 anos quando surgiu a oportunidade da escola onde trabalhava na
rede municipal de curitiba de me candidatar a direção da escola e o processo na rede municipal assim como na estadual de escolha dos dirigentes escolares é pela eleição não é pelo voto direto da comunidade escolar e as pessoas insistiram por que você não concorre e eu tinha gosto por discutir as questões da organização da gestão da escola já tinha uma relação muito grande com a comunidade do entorno da escola onde trabalhava e acabei me dispondo a isso assume a direção da escola fica em primeiro mandato de três anos e nunca foi muito favorável a gente
continuar muito tempo nessa função então ao final daquele primeiro mandato tava bastante propenso a retornar minhas atividades de classe enfim a voltar às minhas atividades de aula de professor de educação física mas aí a comunidade existe um pouco e acabei concorrer a um segundo mandato que pra mim o movimento favorável ficar muito tempo na gestão porque é necessário que se dê nas relações no interior da escola tanto pedagógicas quanto políticas a função de diretor de escola faz ela ainda que pedagógica é de natureza política porque ele coordena um processo que é político que a gestão
escolar é e funções dessa natureza é necessário que os seus quadros dirigentes permanece com o tempo e dêem lugar a outros para que novas lideranças se esse fórum para que não se visse e acho que esse mais ou menos o termo para que não se via em relações de poder muito por vezes até patrimonialista de domingo e pensar coisa pública a escola pública com uma coisa sua individualmente sua e eu acabei ficando portanto um segundo mandato um pouco contra a vontade é gustavo da função mas gostava mais da aula e aí depois e meia segundo
mandato voltei a dar aulas e depois mais tarde foi à universidade federal e tema do seu mestrado e do seu doutorado que exatamente você estudou no mestrado de gestão escolar na perspectiva da gestão financeira da escola as dificuldades a organização institucional da escola na lida com os problemas afetos ao seu próprio financiamento e no doutorado eu discutir o perfil da gestão escolar no brasil fui tenta pensar quem são as pessoas que dirigem as escolas públicas brasil afora e como elas lidam com isso ou seja como é que são portanto organizados os processos de gestão escolar
e qual é o perfil dessa gestão escolar no brasil no brasil em alguns aspectos ela nós temos avançado significativamente por exemplo em relação à forma de escolha do dirigente escolar é um levantamento que fiz há 13 mil 450 escolas públicas brasileiras a partir dos dados do ministério da educação esses dados são provenientes do de um sistema de avaliação que o ministério da educação bienalmente aplicou saeb sistema de avaliação da educação básica que é por amostragem de escolas eu trabalhei com os questionários preenchidos pelos diretores dessas escolas todas avaliadas as escolas públicas e nesse questionário portanto
nesses dados a gente tem por conta que metade dos diretores continuam sendo indicado ou por políticos ou por técnicos ainda que a indicação seja sempre um fenômeno político de qualquer forma porém a outra metade dos diretores da grade 47% deles são escolhidos por um mecanismo que a gente costuma chamar de mais democráticos como a eleição onde é esse número crescente progressivamente mais escolas mais redes de ensino têm nem tem eleitos seus diretores como por concurso público é que ainda existe uma pequena uma proporção muito grande ainda a rede estadual paulista por exemplo escolhe seus diretores
disso através de concurso público e que ainda que não seja a forma com a qual eu concorde o concurso público ela é pelo menos mais democrática do que a indicação política onde o administrador público tem uma intervenção muito direta à incisiva sobre aquela pessoa que vai coordenar as relações pedagógicas e políticas no ambiente escolar na qual você considera melhor forma seguramente a eleição é pelo que dizia pouco porque compreendo a gestão escolar como um processo político é o não de política partidária no sentido mais estrito temas de política educacional ou no caso da escola de
política escolar ora o sujeito que coordena esse processo faz ele próprio a política e como é uma função importante eminentemente política deve ser escolhido pela comunidade escolar agora como dizia como não é de política de qualquer política trata de política escolar a xxi é demanda se que esse sujeito seja um educador seja um professor ou pedagogo é porque ainda que vai desenvolver uma função política tem uma face técnica pedagógica importante fundamental também é e por isso essa necessidade desse casamento entre um profissional da educação que passe pelo crivo da escolha dos demais membros da comunidade
escolar com a diferença então professor entre a administração escolar ea gestão escolar por muito tempo o campo da gestão escolar foi chamado de administração escolar no brasil e alguns autores ainda se referem a este campo desta forma é porque historicamente no mundo todo foi constituído com essa tecnologia administração educacional administração escolar no brasil a por medo da virada dos anos 70 para os anos 80 havia uma preocupação bastante grande dos pesquisadores da área na crítica à a forma como se pensava que era o próprio objeto da administração escolar eles diziam que os clássicos autores clássicos
diziam que a administração escolar era uma especialidade do campo geral da administração isto é de que para administrar a escola antes de ser educador se pensava ser um administrador nos anos 80 surgiu uma crítica forte é isso que era apontando exatamente o contrário ainda que o diretor da escola faça administração ele antes de tudo é um educador porque o domínio da coisa administrada história da instituição administrada do objeto sobre o qual esta instituição lido aqui é o fazer pedagógico é a prática pedagógica é determinante dos meios administrados dos mesmos a ser utilizado melhor dizendo administração
nessa perspectiva engendrou se a partir dali a uma um câmbio mudança na tecnologia de administração para a gestão porque ficava mais evidente achavam os pesquisadores de então que essa fase política que eu me referi há pouco ficaria mais evidente e desde então o campo de pesquisas o campo de atuação de estudos da gestão escolar tem adotado esse nome ainda que em portugal na inglaterra nos estados unidos e em vários outros países existem os dois termos de coelho e eles convivam com perspectivas diferentes do que é que isso deve se à forma como o sistema de
ensino ea histórica história da educação aqueles países foi foi consubstanciada que é diferente da nossa seguramente através da transformação na forma de gerir a escola se transforma também o conceito de escola seguramente que sim já era essa preocupação que me levou a fazer até doutorado queria saber até que ponto diferentes modelos ou formas ou perfis de gestão escolar da eb1 que resultado dariam isto é uma escola cujo diretor eleito por exemplo os alunos aprendem mais ou menos uma escola onde o diretor indicado como é que se dá a relação política pedagógica com os professores e
que constatação você chega a primeira constatação é que a raça não é tão linear não é tão simples assim como eu próprio achava inicialmente que era porém é evidente que no país escolas cujos diretores são eleitos onde a conselho de escola que é uma ferramenta de gestão democrática onde este conselho além deste funciona e funciona bem isto é a um número mínimo de reuniões anuais onde os professores participaram da construção do projeto político pedagógico onde essas características são dadas os alunos têm rendimento significativamente maior do que escolas no seu inverso cujos diretores foram indicados uso
escolas nas quais por exemplo onde não há conselho de escola onde ele existe não funciona adequadamente ou onde não há projeto político-pedagógico hoje não foi construído com a participação dos professores quer saber se dois modelos como os tipos ideais de um lado da democracia de outro lado da ausência de democracia o resultado dos alunos no sistema de avaliação é assintomática mente diferente num profundo bastante elevado no outro bastante infelizmente baixo e quais são os princípios de uma gestão democrática é uma coisa importante assim a diferença na discussão sobre a gestão democrática é o que é
porque a princípio é um são os conceitos e o que são meios da gestão democrática tradicionalmente nós confundimos meios com princípios métodos com princípios ainda que os médicos precisam dos princípios estou seguro que os princípios da gestão democrática são a igualdade o diálogo ea autoridade isto é não haverá democracia em escola alguma entidade está do país alguns onde não existe espaço para o diálogo por onde não existe espaço para as pessoas que pensam diferente o que pensa da forma que pensam diferente eu não posso manifestar as suas formas de pensar não haverá no a democracia
em escolas cujas reuniões por exemplo do conselho de escolas já terminaram antes de começar com muitas vezes assistir nós temos um projeto dessa universidade que acompanhou 42 conselhos de escola de escolas públicas da região metropolitana de curitiba e em muitos deles funcionava muito bem mas muitos deles infelizmente a reunião parece que já tinha agenda do conselho de escola que é um órgão constituído como representantes de professores funcionários alunos da comunidade escolar dirigido pelo diretor da escola a região já tinha a impressão que eu tinha que ela tinha estava concluído antes mesmo de iniciar chegava muito
pronta é é aquilo que uma amiga minha professora andréa causa chama de ação cartorária do conselho se reúne para bater um carimbo naquilo que já foi decidido antes não é é por conta da forma como as relações de poder estão constituídas no ambiente escolar então ainda o conselho de escola é o foco daqui a pouco é um procedimento método muito importante mas o princípio para que ele e outros outras ferramentas que possam funcionar é o diálogo a igualdade a autoridade sem isto não há conselho de escola que funcione isto é se as pessoas vão para
a reunião do conselho de escola sem o mínimo de exposição em levar em consideração a razão dos outros isto é em dar ouvidos aos demais de fato está disposto a dialogar nuno vejo como a democracia possa interna mas como em qualquer outra instituição social agora como métodos como ferramentas da gestão democrática uma vez que ela tem que ter normas de funcionamento que devem ser construídas coletivamente de resto essa primeira é o primeiro procedimento construção coletiva de normas tomada de decisões com o maior número possível de pessoas envolvidas não é é conselho de escola que por
sinal no paraná é regulamentado desde 1998 o conselho estadual de educação do paraná foi um dos um dos pioneiros no país a estabelecer como exigência para pra pro funcionamento das escolas públicas para lá fora de que elas tivessem o seu órgão colegiado de gestão aquilo que costumeiramente nós passamos a chamar de conselho de escola é em outro lugar do país tem outros nomes há aqui no país apesar de 16 anos portanto que isso já foi aprovado muitas escolas ainda têm um concelho mais de fachada isto é verdadeiramente não se reuniam se reunir pra fazer aprovação
das contas do dinheiro que a escola recebeu do governo algo parecido mas há felizmente é eu sou bastante otimista quanto a isso há o número progressivamente maior crescentemente maior de escolas que têm conseguido acionar o conselho de escola com uma ferramenta de que permitiu o diálogo é é de construir consensos a partir das nossas diferenças de posição que estarão dadas e que forma professores gestão democrática permite a formação de uma consciência e da ação cidadã pela articulação dessas duas coisas que o dia do princípio do método é não basta ter conselho de escola é verdade
não basta eleger o diretor de escola que outra ferramenta importante não basta só tomar decisões coletivamente ainda que isso tudo seja fundamental a possibilidade de construir uma consciência cidadã para usar essa tecnologia é tá vinculado à incorporarmos aqueles princípios não apenas como um jeito eu vou pra escola então para dialogar com as pessoas mas um diálogo na minha casa o diálogo nos outros grupos sociais na de incorporação desse princípio como práxis da sua existência como tomar eles como razão da sua vida ora nesse sentido a reunião do conselho de escola por exemplo a eleição do
diretor de escola são em si elementos pedagógicos eu ouvi muitas vezes reclama de pessoas contrárias à lei de diretores por exemplo que o povo não sabe votar portanto como é que sabem escolher o prefeito da cidade o governador do estado por exemplo mas como é que vai escolher o diretor da escola enfim mas não dá jeito de aprender isso para depois ver se tá isso se aprende quando se faz é porque o próprio processo seletivo o processo de diálogo que se estabelece uma reunião de conselho de escola é pedagógico a gente aprende fazendo isso e
é claro que as primeiras experiências de reunir o povo pode bater a escola instituição avaliar a escola propor alternativas para a escola o sistema de ensino serão a reuniões muito bem sucedidas eu me lembro da minha primeira reunião do conselho de escola como diretor de escola nós nos preparamos organizando nós só esquecemos de andando até o convite para as pessoas mas esquecemos de explicar às pessoas o que era aquilo e aquilo que eu quero ver minha mãe é não ver ninguém ficamos nós conversamos com 2 mesmo eu me acompanhar a vice diretora da escola é
porque imaginar que as pessoas têm a priori está consciente de participação é ignorar a própria história da conformação da da consciência política do nosso povo enfim se constrói portanto professor em que medida a gestão democrática colabora para uma transformação na estrutura de poder entre as classes é da mesma forma que a gestão de mercado democrática pode contribuir para a construção de uma consciência cidadã ela pode potencializar portanto mudanças estruturais na sociedade porém a despeito de otimista sou um bocado realiza também saber que isto demandará não só mais tempo muito mais tempo como ser reconhecer os
limites da instituição escolar a escola ainda que potencialize a cada um de nós na formação dos indivíduos que por lá passam dos alunos dos professores que também se formam de alguma forma nossa experiência escolar a serem pessoas melhores a serem sujeitos mais dispostos ao diálogo a reconhecer a figura do outro a autoridade portanto é pode contribuir com isso mas ao mesmo tempo a escola reproduz as desigualdades sociais ela ela não está alheia não é uma instituição alheia numa sociedade da sociedade na qual ela está inserida e que é a profundamente desigual paulo freire dizia que
a escola não muda o mundo falando das pessoas as pessoas que podem mudar o mundo e eu eu tomo isso com bastante ao mesmo otimismo e cautela a otimismo na perspectiva de que sim acredito que a escola a formação ea educação escola já tem feito avanços significativos na plena consciência ecológica não coloca no sentido do movimento ecológico ensino vai preservar ver e isso faz ainda que isso também seja fundamental importante mas a consciência das pessoas se perceberem parte do ambiente de que tem que zelar desse ambiente do qual eles são parte não é um ambiente
separado do sujeito isso é fruto da escola não só da escola mas a escola significativamente a a tolerância os professores fomos infelizmente muito pouco tolerante mas os alunos são bastante tolerante eu tive que trabalham com estudantes semana as três semanas atrás o estudante de ensino médio me chamaram para falar sobre diversidade étnico-racial e tal eu preparei toda uma discussão para falar para ele sobre o que era eu tomei um banho também uma aula dos meninos porque eles são muito mais tolerância preparados eu imagino da data do fato de que quando perceberem mais ou menos que
as desigualdades sociais não é é isso é fruto muito do que a escola faz também então ainda que eu entenda que há há há problemas as dificuldades sociais que são estruturais e que portanto a escola sozinha não dá conta ela potencializa a medida que coloca as pessoas em convívio e se essas pessoas pautada pelo diálogo como um dia alguma esperança bom professor então a gente já volta a conversar sobre isso no próximo bloco voltamos a conversar sobre a autonomia políticas educacionais e democracia