Módulo 6 aula 2 Nessa aula iremos falar sobre algumas características do comportamento verbal. A primeira delas é que o comportamento verbal é o comportamento reforçado pela mediação de outras pessoas. Ou seja, os reforçadores dependem de um outro indivíduo para serem disponibilizados para aquela pessoa que está se comportando.
Isso é, é preciso de um mediador que, às vezes, é chamado de um ouvinte, alguém que ouve, alguém que se comporta em relação àquilo que eu falei, e esse ouvinte deve estar preparado para reforçar o comportamento do falante. Não é qualquer pessoa que pode fazer o papel de ouvinte, essa pessoa precisa falar o meu idioma, ser capaz de me ouvir, e a gente precisa estar em um ambiente, em um contexto em que ela seja capaz de ouvir, entender e reforçar o meu comportamento. Uma outra característica é que o comportamento do mediador é modelado e mantido por um ambiente verbal.
Então, exige uma comunidade que tenha ensinado esse indivíduo a ser um ouvinte e mediar o comportamento de quem está falando. É preciso que haja pessoas em volta para me ouvir e para que elas sejam capazes de reforçar o meu comportamento. E essa preparação dessas pessoas que estão ao meu redor é dada pela comunidade, por um ambiente verbal, pessoas, no nosso exemplo aqui, falantes do português, que sejam capazes de entender e reforçar o meu comportamento.
A característica de uma resposta ser verbal não está na forma dessa resposta. Muitas vezes nós consideramos que a fala é comportamento verbal, mas não é só a fala que pode ser o comportamento verbal. O que define que um comportamento seja ou não seja verbal é a relação entre uma resposta e uma consequência, com a existência de um mediador.
Nesse sentido, o que podem ser comportamentos verbais? Palavras, obviamente, podem ser comportamentos verbais, frases, discursos. Então, a fala pode ser um exemplo de comportamento verbal, mas gestos também podem ser comportamentos verbais.
Outros sons, que não são de palavras, também podem ser comportamentos verbais. Em alguma circunstância, por exemplo, você já deve ter ouvido alguém dar um assovio e outra pessoa olhar na direção daquela pessoa. Com um som que não é uma palavra, aquela pessoa foi capaz de chamar a atenção de outra pessoa, e talvez aquela outra pessoa pediu para buscar alguma coisa, ou quis mostrar alguma coisa, então nós estamos falando aqui de um comportamento verbal.
Uma outra forma de comportamento verbal é por troca de figuras. Eu posso mostrar uma figura para alguém ou eu posso escrever uma carta para alguém. Existem muitas maneiras de me comportar verbalmente e nem todas elas vão envolver palavras.
Quando nós falamos de comportamento verbal, é importante fazer uma distinção. Eu já falei aqui do falante e do ouvinte. Então, nós temos pelo menos esses dois papéis quando nós falamos de comunicação.
É claro que eu posso ter mais de um ouvinte numa interação e eu posso ter mais de um falante. Mas é importante aqui fazer essa distinção porque geralmente nós fazemos o papel de falante ou de ouvinte e não fazemos exatamente as duas coisas ao mesmo tempo. Então, se eu estou falando algo para alguém e essa pessoa está me ouvindo, nesse momento eu sou o falante e aquela outra pessoa é o ouvinte.
Mas esse papel pode se inverter rapidamente. Essa pessoa pode responder a algo que eu falei e, nesse momento, essa pessoa passa a ser o falante e eu passo a ser o ouvinte. Na proposta do Skinner, do comportamento verbal, ele enfatizou o comportamento do falante.
Então, muito do que nós vamos aprender neste módulo tem a ver com o comportamento de quem está se expressando, de quem está falando. Nas palavras do próprio Skinner, ele diz, “O ouvinte é geralmente esse outro indivíduo que pode servir como estímulo discriminativo, como ocasião para que comportamentos aconteçam, comportamentos verbais e não verbais, e ele também serve como consequência de qualquer natureza, que pode ser reforçadora ou pode ser punitiva, ao comportamento do falante”. Ou seja, o ouvinte tem um duplo papel.
Ele estabelece um contexto no qual palavras, frases ou qualquer outra modalidade de comportamento verbal se torna mais provável, mas ele também pode ser capaz de dar consequências, reforçando o comportamento verbal e não verbal do falante, ou punindo o comportamento verbal e não verbal do falante. Há situações em que nós podemos considerar que um mesmo indivíduo pode ser falante e ouvinte ao mesmo tempo. É claro que você já deve ter visto em filmes e séries, uma pessoa que fala consigo mesma, uma pessoa que fala diante do espelho.
E alguns de nós provavelmente fazem isso também, quando estão sozinhos em casa ou quando estão em algum local sem outras pessoas. Às vezes nós cantarolamos para nós mesmos, ou às vezes nós falamos e afirmamos coisas para nós mesmos, e nesse momento nós estamos fazendo o papel de falantes e de ouvintes ao mesmo tempo. Nós vamos falar sobre algumas categorias de operantes verbais nesse curso, algumas delas são ECOICO, MANDO, TATO, INTRAVERBAL, RESPONDER DE OUVINTE, e vamos especificar um pouco mais cada uma delas adiante.