Bento me observava com um olhar fixo profundo como se tentasse decifrar cada movimento meu havia algo na intensidade daquele olhar que me deixava inquieta um peso invisível que preenchia o ar ao nosso redor então sem aviso ele veio em minha direção para minha surpresa sua língua quente tocou minha pele e sua respiração trêmula me envolveu como um sussurro indecifrável o momento foi esperado quase surreal como se algo muito maior estivesse acontecendo ali mas antes de entender o que aquilo significava preciso voltar ao Começo nunca imaginei que uma decisão simples mudaria minha vida para sempre depois
de anos de dedicação a um concurso público finalmente conquistei a tão sonhada aprovação o cargo administrativo me levaria para uma pequena cidade no interior do Paraná um Vilarejo longe do caos da capital e pelo que parecia longe de quase tudo para mim era um Recomeço uma chance de reescrever minha história e quem sabe encontrar algum tipo de paz a casa que me aguardava era um imóvel antigo alugado pela prefeitura a construção de madeira escura com janelas altas e um quintal extenso parecia saída de um livro havia algo de de nostálgico em seu silêncio um convite
para desacelerar e esquecer o mundo lá fora Max meu labrador explorava o terreno como se tivesse acabado de encontrar um novo reino tudo parecia perfeito pelo menos no início o vilarejo era pequeno quase deserto as casas embora bem cuidadas carregavam um ar de esquecimento as ruas pareciam congeladas no tempo e o silêncio entre elas era desconfortável poucas pessoas me cumprimentavam e quando faziam seus olhares demoravam um pouco mais do que o normal como se tentassem me estudar foi nesse cenário que conheci Dona Lúcia uma senhora de cabelos brancos e olhar atento quando parei para falar
com ela sua voz veio suave mas carregada de algo que não consegui decifrar você está na casa dos Pinheiros não é assenti achando graça no nome que ela deu ao lugar sim um lugar muito tranquilo ela me observou por um instante antes de responder sua expressão carregada de uma seriedade Inesperada cuidado a noite nem todo silêncio é bom ela se despediu antes que eu pudesse perguntar o que queria dizer continuei meu caminho tentando ignorar o desconforto que suas palavras haviam deixado em mim à medida que os dias passavam a sensação de que havia algo diferente
naquele lugar se intensificava a princípio eram apenas ruídos sutis durante a madrugada pequenos estalos na madeira velha da casa nada que eu não pudesse justificar mas Max Pareci pensar diferente ele passava longos minutos parado encarando a da cozinha as orelhas em Alerta às vezes baixava a cauda inquieto quero te falar tem umas gotinhas que quero indicar para você homem que quer impressionar a mulher que quer mostrar o conteúdo maior e mais rígido quero lhe falar de umas gotinhas mas caso tenha interesse nos pede nos comentários naquela noite enquanto Me trocava senti o olhar de Bento
sobre mim ele estava sentado no canto do imóvel observando-o com uma atenção incum já havia notado esse comportamento antes mas dessa vez algo estava diferente seu olhar parecia mais intenso mais analítico como se estivesse tentando compreender algo que apenas ele percebia continuei fingindo não notar até que ouvi um som baixo vindo dele quase como um suspiro quando Olhei novamente Bento estava de pé cabeça levemente inclinada por um momento parecia avaliar se deveria se aproximar e então ele veio devagar sem tirar os olhos de mim quando sua língua quente tocou minha mão senti sua respiração tremer
levemente havia uma hesitação ali quase como se ele estivesse confuso aquele gesto por mais simples que fosse carregava algo que eu não conseguia uma conexão estranha algo que transcendia o simples comportamento de um animal era como se ele estivesse tentando me dizer algo mas o quê abri uma fresta da janela para verificar o quintal tudo parecia normal a luz do poste iluminava a parte do terreno mas a região ao redor dos Pinheiros mergulhava na escuridão tranquei a porta e tentei me convencer de que era apenas o cansaço ainda assim algo dentro de mim sabia que
não era mais tarde quando finalmente peguei no sono fui despertada por um som vindo do andar de baixo um arranhado não era um barulho aleatório mas algo que reverberava pelo silêncio absoluto da casa Marx estava de pé ao lado da cama rosnando baixinho peguei a lanterna e desci com com cautela ao chegar à sala o som cessou abruptamente o silêncio se tornou quase sufocante como se a casa estivesse prendendo a respiração junto comigo então percebi uma das cadeiras da sala de jantar estava deslocada arrastada alguns metros para longe da mesa meu coração martelava contra o
peito Max começou a latir de repente seu lati ecoando pela casa vazia quando me virei para a cozinha um detalhe fez meu sangue gelar uma marca de mão estava na porta de vidro que dava para o quintal me aproximei devagar a marca era pequena nítida com dedos perfeitamente delineados ainda parecia úmida como se tivesse sido feita há poucos minutos Max continuava latindo e seu Tom agora era mais grave um aviso engoli em seco e tentei enxergar além do vidro a luz do poste continua acesa mas os Pinheiros Mais Escuros do que antes respirei fundo tentando
afastar o arrepio que subia pela espinha pegi a chave do balcão e travei porta tudo bem ma não é nada deve ser só algum garoto brincando por aqui mas até eu sabia que aquilo não fazia sentido quem estaria ali àquela hora e por que o silêncio parecia tão errado voltei para o quarto com Max mas dormir já não era uma opção o arranhado no chão a cadeira deslocada a marca de mão tudo parecia se conectar em algo que eu ainda não compreendia na manhã seguinte o vilarejo parecia mais calmo Mas isso não me confortava era
como se o sol estivesse apenas mascarando a inquietação da noite anterior fui até o pequeno mercado local para comprar alguns mantimentos a dona do estabelecimento uma mulher magra de olhar curioso me cumprimentou cordialmente mas hesitou antes de perguntar você é a moça que tá morando na casa dos Pinheiros né eu assenti tentando parecer sim é um lugar bem tranquilo ela sorriu de um jeito estranho e continuou embalando minhas compras Se precisar de alguma coisa pode vir aqui às vezes é bom ter alguém para conversar saí do mercado com um nó no estômago havia algo que
todos ali pareciam saber mas ninguém falava abertamente mais tarde enquanto caminhava pelo quint tal com Max ele parou subitamente farejou o ar e começou a cavar junto à raízes de um dos Pinheiros sua insistência me fez aproximar Ei Max O que você está minha voz morreu quando viu o que ele havia desenterrado era uma pequena caixa de madeira coberta de terra e musgo com as mãos trêmulas abria a tampa lá dentro repousava uma boneca de pano suja e rasgada seu vestido tinha um nome bordado Helena uma onda de desconforto me atingiu e antes que eu
pudesse reagir Max rosnou novamente seu olhar estava fixo na casa e então veio o som Três Batidas lentas vindas da porta da cozinha