pensando aí na na atenção flutuante da dos símbolos, dos simbolizantes, das palavras, né? às vezes algo que para mim significa algo, para outro pode ter um um significado, um sentido totalmente diferente. Nesse país imenso que nós vivemos, a gente trabalha com diferentes eh simbolizações para algumas palavras e talvez eu tô muito fixado ali em uma palavra, querendo dar um sentido para ela e de repente aquela palavra ali para mim faz tem um sentido e pro outro sentido totalmente diferente.
Isso sem falar quando a gente sai desse lugar e passa a atender pessoas de outro outras nacionalidades com uma outra língua nativa. Então muda totalmente a nossa possibilidade, a nossa capacidade de escuta. Então a gente tem que estar muito atento, porque às vezes a pessoa usou uma palavra e essa palavra às vezes foi mal empregada por ela naquele momento, não é bem aquilo que ela tá querendo dizer.
E o analista às vezes tem essa coisa de se apegar àquela palavra, de querer voltar naquela palavra. Então, a a escuta flutuante também caminha muito nesse sentido. Eu não tenho que ficar me apegando a essas pequenas palavras ou significados que aparecem ali no sentido de querer dar sentido para tudo que o outro tá dizendo.
É ele que vai construindo o sentido. O processo de análise é dele, não meu. Então, existe algumas práticas dentro da clínica psicanalítica que se apegam assim quase que literalmente a uma palavra, como se aquela palavra fosse praticamente definir todo o processo de análise daquele sujeito.
Então, a escuta flutuante tem um pouco também desse viés, tirar a gente um pouco desse desse lugar de querer interpretar tudo a partir da nossa própria percepção, a partir da nossa própria bagagem. Porque falando em símbolos, em simbolizantes e tudo isso, falando em linguística, eh, é muito possível que a gente encontra aí bastante diferenças. Por exemplo, o os nossos colegas do Sul quando te falam em cacetinho não estão dizendo de estão dizendo de pão de sal.
ou para nós aqui em Minas também o pão francês. O Sul fala em eles não estão tendo um comportamento preconceituoso racista, eles estão falando do brigadeiro. Eh, ou quando os alguns colegas do Nordeste falam lá da da tá permeado, não sei o quê, não quer dizer que eles estão, né, de alguma forma chateados, sobrecarregados.
Eh, então, eh, quando você começa a trabalhar com pessoas que têm, né, algumas palavras, algum algumas questões mais regionais, é muito perceptível isso, que até paraa tua escuta, às vezes você tem que tentar entender o que que é que se tá tentando dizer ou simbolizar a partir daquilo que ele tá construindo. E lembrando de algo importante que o Freud fala, pessoal, eh nós não estamos na clínica procurando escutar só aquilo que é dito, que é verbalizado, mas tudo aquilo que também não é dito. Por isso que a gente fala de uma escuta do inconsciente, porque o que nós procuramos é de alguma forma ajudar nesse preenchimento dessas lacunas que que podem estar presentes ali para dar um pouco mais de sentido a essa essa livre associação desse desse nosso analisando e haverão coisas que não serão ditas e de repente a escuta flutuante te conecta com esse não dito também.
Às vezes ele falou, falou, falou, falou, mas existe um não dito, um subentendido, um algo que tá ali por trás, que de repente faça muito sentido para ele e que de repente o analista naquele momento tem um um uma percepção, tem um, né, um a gente chama de percepção diagnóstica. E aí ele devolve isso pro analisando, dizendo: "Olha, mas parece que você tá tentando dizer isso, isso, isso, faz sentido para você? Se você fizer, tudo bem.
Se não fizer, gente, é isso mesmo, não faz sentido. Vamos continuar a análise, viu? M.