Módulo 7 aula 11 Já falamos sobre DTT, já falamos sobre uso de dicas e agora vamos falar sobre o desvanecimento de dicas de resposta. Se a gente está tentando transferir o controle de estímulos para o SD a partir das dicas, então é preciso eliminar essas dicas, nós precisamos retirar essas dicas pouco a pouco. Para isso a gente usa os procedimentos de retirada gradual de dicas ou desvanecimento de dicas.
E isso é feito conforme o critério que está descrito no plano de habilidades para cada habilidade que eu vou ensinar para o meu cliente. Algumas vezes é usado o mesmo sistema de dicas para várias habilidades, às vezes é preciso usar sistemas de dicas diferentes para habilidades diferentes para o mesmo cliente. E a gente classifica as dicas em um contínuo que vai das menos sutis até as mais sutis ou das mais invasivas ou intrusivas até as menos invasivas ou intrusivas.
Essas dicas são classificadas indo numa direção das menos invasivas para as mais invasivas, a gente tem por exemplo a dica vocal, seria menos invasiva, mais invasiva do que ela poderia ser a dica gestual, mais ainda dica de modelo e depois dica física parcial e dica física total. Então a gente classifica até para saber qual é o nível de dica, em termos de o quanto ela é invasiva ou intrusiva ou quanto ela é sutil, qual a gente vai precisar usar em cada situação, podemos mudar a depender da situação também. A maioria dos procedimentos de retirada gradual de dicas se baseia nessas hierarquias, isso é importante saber, o que é uma dica mais invasiva, menos invasiva.
Então a gente vai ver aqui os procedimentos de retirada gradual de dica que são chamados de: mais para menos ou menos para mais. Vamos falar um pouco sobre cada uma delas então. No esvanecimento de dica chamado de mais para menos, o próprio nome já diz.
Nesse procedimento eu teria uma dica mais invasiva e gradualmente passaria para dicas menos invasivas. Por exemplo, eu posso ensinar a criança a amarrar o cadarço, posso começar usando a seguinte sequência: Dar uma dica física total, eu pego nas mãos do cliente junto com ele, toco nas mãos, vou amarrando o cadarço junto com ele, segurando nas mãos dele. Então cada momento que ele vai fazer, ele vai fazer porque eu estou tocando nas mãos dele.
Depois eu posso usar uma dica física parcial, por exemplo, eu toco levemente nas mãos dele. Depois eu posso ir para um terceiro passo que seria dar uma dica de modelo. Então eu posso servir de modelo.
Enquanto ele vai fazer nos passos, se ele tiver dúvida em algum dos passos, eu mostro como eu faço com o meu cadarço e ele pode usar o meu movimento como um modelo a ser seguido para que ele também faça lá no cadarço dele. E eu poderia ainda dar uma outra dica menos invasiva que seria uma dica gestual. Eu posso apontar para partes do cadarço que ele precisa pegar e passar e fazer o laço para que ele consiga concluir essa tarefa com sucesso.
E por fim, eu poderia ainda usar uma dica verbal. Eu poderia dizer, olha, agora o laço, faltou o laço e eu posso dar uma dica para que ele conclua a atividade corretamente. Então percebam que nesse meu exemplo eu comecei com uma dica mais invasiva, tocando nas mãos do cliente, fazendo junto com ele e retirando gradualmente essa dica para que ele consiga fazer sozinho a atividade inteira.
Seguindo com os procedimentos de desvanecimento de dica, a gente tem o procedimento menos para mais. Nesse caso, o procedimento inicia com uma dica menos invasiva e gradualmente a gente vai aumentando para dicas mais invasivas conforme a necessidade de aumentar para dicas mais invasivas. Então, por exemplo, eu quero ensinar a pessoa a abrir a porta através desse método.
Então, abrir uma porta. Eu posso começar com dicas verbais e dizer, olha, gira maçaneta, agora puxe. Uma vez que essas dicas não funcionem para esse cliente, eu posso depois dar dicas gestuais e apontar para a maçaneta, que é onde ele precisa pegar.
Uma vez que essa dica não funcione, eu posso dar uma dica de modelo. Então, eu posso demonstrar como fazer. Pegar a maçaneta, demonstrar e depois falar para ele agora sua vez, você vai fazer e ele vai ter que fazer exatamente como eu fiz, como seguindo o modelo.
E, por fim, eu poderia, uma vez que isso não tenha funcionado, dar uma dica física, diretamente, que pode ser parcial, que é tocar fisicamente o cliente e abrir a maçaneta junto com ele. É muito importante perceber que nas dicas físicas, quem está tocando a maçaneta, nesse meu exemplo aqui, seria o próprio cliente. A minha mão vai sobrar a mão dele, mas é importante que o cliente sinta que é ele que está fazendo a resposta.
Ele está fazendo com a minha ajuda, mas é a mão dele que toca a maçaneta e que ajuda a girar a maçaneta com a minha mão sobre a mão dele, por isso também é chamado de mão sobre mão. Um outro tipo de retirada gradual de dica é chamado de orientação graduada. Nesse procedimento, as dicas não seguem uma hierarquia predeterminada, assim como no mais para menos ou menos para mais.
Nesse caso, o terapeuta vai ajustando o nível de ajuda conforme a necessidade do cliente e sempre visando a retirada completa dessa ajuda. Então, vou dar aqui um exemplo, uma atividade que seria andar de bicicleta. Bicicleta é uma atividade difícil de aprender e que vai envolver muitas etapas, mas o quanto de ajuda esse indivíduo precisa em cada uma das etapas pode variar.
Então, no início, os pais costumam fornecer dicas com maior intensidade. Por exemplo, uma dica física que seria pegar na mão e ensinar a girar o guidão da bicicleta ou mesmo pegar no pé da criança e ensinar a criança a pedalar para ela perceber que aquele é o movimento que ela precisa fazer constantemente para se manter em cima da bicicleta, ficar equilibrado em cima da bicicleta. E geralmente, de forma gradual, você vai tirando essas dicas físicas, vai reduzindo essas dicas até que o comportamento comece a ocorrer sem as dicas.
Mas em algumas etapas, é preciso dar a dica física e ficar muito próximo para que o comportamento aconteça conforme ele precisa acontecer. Outros exemplos poderiam ser, escovar os dentes, vai envolver várias etapas e algumas etapas, essa criança já pode estar independente, fazer sozinha, mas em outras etapas não. Então, a gente ficaria muito próximo da criança e só daria ajuda naquelas etapas em que a criança não consegue realizar a parte daquela atividade.
Então, essas dicas mais ou menos invasivas podem se alternar ao longo do processo de aprendizado. Tem ainda um outro procedimento de retirada gradual de dica, é o último que nós vamos falar, que é chamado de atraso de dica. No atraso de dica, o terapeuta aguarda alguns segundos pela resposta do cliente, depois de ter apresentado o SD, e a dica só é fornecida se a resposta não ocorrer de modo independente, depois de um período predeterminado.
Então, vou dar aqui um exemplo, o terapeuta quer ensinar o aluno a nomear pessoas da família, em fotos. Então, eu pego a foto de uma pessoa da família e mostro, e aí o terapeuta mostra a foto e diz, mamãe, a criança olha a foto e repete, mamãe. Se eu pego e mostro a foto, a criança olha a foto e eu já digo mamãe imediatamente, esse imediatamente a gente geralmente conta como 0 segundos, a dica foi imediata.
Numa etapa posterior do atraso de dica, eu vou mostrar a foto, esperar um segundo e dizer mamãe, e a criança diz mamãe, depois de eu ter falado mamãe. Numa outra etapa desse procedimento de retirada gradual de dica, ao invés de aguardar um segundo depois de mostrar a figura, eu aguardo dois segundos. Então, eu vou dando a oportunidade para a criança responder de maneira independente, ou seja, sem a dica.
Em alguns casos, para alguns clientes, a gente dá a dica imediata, eu mostro a imagem e digo mamãe, a criança repete mamãe. Lá pela terceira tentativa, eu já mostro a imagem e antes de eu falar, a criança já repete, já diz mamãe sem uma dica. É exatamente isso que nós queremos produzir, nós queremos que a criança emita a resposta vocal, mamãe, diante da figura, da foto, da mãe.
Então, o atraso de dica, ele é simplesmente eu, em cada etapa do processo, ir atrasando a apresentação da dica para dar a oportunidade para o cliente responder de maneira independente, sem nenhuma dica. Há duas variações no atraso de dica. A gente tem o atraso temporal progressivo, nesse caso, cada vez que o cliente atinge um critério de acertos com um nível de dica, a gente aumenta para um pouco mais.
Então, eu poderia começar com zero segundos e eu faço algumas tentativas, o cliente vai acertando com zero segundos, dica imediata. E depois eu vou para a dica atrasada um segundo, eu mostro, conto um, e aí eu dou a dica. Mostro, conto um e dou a dica.
No atraso temporal progressivo, então, cada vez que o cliente atinge um critério de acertos, em um nível de dica, por exemplo, zero segundos, um segundo, dois segundos, eu aumento um pouquinho. Esse aumento é feito pouco a pouco, por isso é chamado de atraso temporal progressivo. Então, eu passo do imediato, que é o zero segundos, para um segundo, depois para dois segundos, três segundos e eu vou aos poucos, aumentando.
Numa segunda variação, segundo tipo de atraso de dica, a gente tem um atraso temporal constante. Então, eu não faço esse aumento progressivamente, eu já saio do zero, por exemplo, para três ou quatro segundos. Eu não faço isso progressivamente, também é uma estratégia possível.
Então, nesse caso, após o cliente passar a responder no atraso de zero segundos, dica imediata, eu faço apenas um aumento no atraso, que é passar para três ou quatro segundos. Eu não vou passar pelo um, pelo dois, eu vou direto para um atraso maior, geralmente maior do que dois segundos, geralmente três a quatro segundos. Então, essas são duas formas, aumentar progressivamente o atraso da dica, ou aumentar uma vez só e aí é chamado de esse atraso temporal constante.
Algo muito importante a respeito desse esvanecimento de dica, ou desses procedimentos de retirada gradual de dica, é seguir o que está previsto em cada plano. Então, para cada habilidade, pode ser necessário um sistema de retirada de dicas diferente. E é muito importante que a gente saiba, não só qual é o sistema de retirada de dicas que está sendo usado, que foi orientado para uma habilidade específica que eu estou ensinando, mas também qual é o nível atual de dica.
Então, sempre que eu for ensinar uma habilidade, eu tenho que verificar no material de ensino, nas folhas de registro, no aplicativo que eu vou usar, qual é o nível atual de dica para que eu não atrase o aprendizado do meu cliente. Se eu usar o nível de dica mais invasivo do que é necessário, eu estou perdendo o tempo do cliente. Eu devo usar o nível de dica necessário apenas para que o cliente consiga responder corretamente e eu possa o mais rápido possível fazer a retirada.
O critério para fazer essas retiradas deve estar especificado no plano de aquisição de habilidades para cada uma das habilidades que vai ser ensinada.