[Você está no Kinobox] [Introdução] ♪ ♪ [Dani] Quem é que não chora quando entra aquele violino na música mais emocionante do filme? Você já experimentou ver um filme de terror sem som? Mano, experimenta e depois me diz se dá algum medo.
A trilha sonora, ela tem uma importância absurda na criação da atmosfera do filme e é sobre isso que a gente vai falar hoje. [Aula 26 - A importância da Trilha Sonora] Olá pessoal, sejam bem-vindos à academia Kinobox de cinema. Prazer, eu sou a Dani e hoje a gente vai falar sobre música, mais especificamente sobre as emoções.
E lá no final a gente vai falar também da parte burocrática de direitos autorais. Quando a gente está fazendo um filme, nosso maior desafio é envolver o espectador, né? Para a gente poder deixar nossa mensagem, provocar o que quer que a gente queira provocar, a gente precisa fazer com que o espectador assista aquela história como se fosse dele.
E a trilha sonora tem um poder fantástico de fazer isso porque ela realmente envolve o espectador no clima do filme. O que seria de “Pequena Miss Sunshine” sem aquele: [Dani bate palmas e assobia] Essa música tem um compasso rápido, né? Que combina muito com o corre deles de chegar no concurso de beleza, que é o filme inteiro, praticamente, é isso, né?
Ela tem esse assobiozinho também que combina muito com o clima desértico do Arizona que é onde acontece a história. E ela tem uma certa excentricidade também que combina muito com a família, acho que muito por conta da escala porque vai descendo, vai descendo, depois sobe de repente, sabe? [Dois homens e uma mulher carregam um corpo enrolado em um lençol branco por um estacionamento] Essa é uma das músicas temas do filme, né?
Tem outras também, mas essa é uma delas. Eu acho que essa música tem um objetivo realmente de marcar. É tipo a música de Titanic, sabe?
Que se torna inesquecível e muito vinculada ao filme. Quando você escuta, você fala: “Pô, essa é a música de Titanic. Essa é a música de Pequena Miss Sunshine.
” Uma música que eu sinto muito isso também é de “Azul é a Cor Mais Quente”. Tipo, quando eu escuto aquele: “I, i follow, i follow you deep sea baby…” Aquilo ali pra mim é tipo, remete exatamente à cena, eu vejo a menina dançando assim, na festa, sabe? Eu acho que esse tipo de música tem um pouco essa função.
Mas eu acho que assim, a função mais comum da trilha sonora é simplesmente embalar o espectador, né? É fazer ele entrar no clima, é elevar, potencializar a emoção daquela cena, independente de qual seja a emoção da cena. Muitas vezes a gente nem percebe que a música está ali conscientemente, mas ela está ali embalando e dando clima da cena.
Acho que essa é uma das principais funções da trilha sonora. Eu tenho para mim que música é a forma de arte que mais rapidamente faz a gente se conectar com emoções profundas, sabe? Ela é muito eficaz nisso, independente realmente de qual seja a emoção.
Pode ser raiva, tristeza, alegria… É muito rápido o efeito da música na gente, né? E como cineasta a gente quer tirar vantagem disso, óbvio, então eu acho que esse é um dos principais usos da trilha sonora. Na cena que a gente vai mostrar agora, também de “Pequena Miss Sunshine”, eles tiveram um dia péssimo, estão derrotados, todos eles, e estão chegando no hotel.
E a música é uma melodia que a gente já meio que conhece, já se acostumou, a gente já ouviu outras vezes e aí ela chega arrastada, ela chega cansada e ela transmite muito a vibe da cena mesmo que a gente nem perceba, assim muito conscientemente, que ela está ali. [Membros de uma família descarregam bagagens da mala de uma kombi no estacionamento de um hotel e se dirigem aos quartos no segundo andar] [Falas disponibilizadas na cena do filme] “Requiem para um Sonho”, por exemplo, é um filme que fala sobre vícios e compulsões. Eles mostram que a vida de uma pessoa com um vício sério, um vício pesado é como se fosse um fio tensionado, assim, o tempo inteiro, que você puxa, puxa, estica até o limite e essa música, brother, não tem como, o ar vai embora, sabe?
Mesmo que você nunca tenha usado uma droga pesada, você consegue sentir muito o que que é toda complexidade psicológica que envolve um vício tão nocivo à vida. E eu acho que trilha é sobre isso. É sobre sentir muito mais do que sobre entender.
[Duas mulheres se olham. Duas mulheres se abraçam e choram sentadas em um banco em uma rua. Uma mulher deitada em um sofá se abraça em um objeto e se aconchega.
Um homem ofegante deitado em um vestiário. ] Mas tem outra coisa que eu gosto muito quando a trilha sonora faz que é assim: a trilha significa alguma coisa sozinha e quando ela é colocada junto com a cena, ela ressignifica toda a cena. Tipo “Ghost in the Shell”, que em português é “O Fantasma do Futuro”, e eu acho esse nome tenebroso, inclusive, mas “Ghost in the Shell, eu estou falando do anime, não da versão americana porque eu não vi, mas esse filme é sobre uma “humanoide”, né?
A personagem principal é uma “humanoide” e, cara, na primeira cena do filme, na segunda, né, na cena de abertura, ela está sendo feita, ela está sendo “fabricada”, ela está nascendo, não sei exatamente qual o termo correto. Porque, assim, a gente está falando de um futuro tecnológico, né? É um futuro em que os traços de humanidade, eles são meio impalpáveis, mas ao mesmo tempo eles são o tema do filme, o filme é sobre alma.
E aí, nessa cena, a gente vê essa “humanoide” nascendo com várias camadas de aço, e de fios e de tecnologia, e ao mesmo tempo está tocando uma música quase tribal. É realmente incrível! É uma música que usa muito tambor e a gente, que é brasileiro, e está muito dentro de uma cultura afrodescendente, a gente sabe o poder ancestral que tem um tambor.
Então, assim, juntar esses dois elementos tão antagônicos em uma mesma cena, ressignifica completamente a experiência de ver essa “humanoide” nascendo. [Cena do filme] [A humanóide flutua e fica transparente na sala tecnológica] [🎵Música japonesa🎵] [Ghost in the Shell] [🎵Música japonesa🎵] [O corpo de um robô com aspectos humanos é programado] [Imagens de programação auxiliam na abertura do filme] O Ken Burns é um documentarista americano de filmes mais históricos e ele diz que "A música é muito poderosa para ser uma serva”. E o que ele está querendo dizer com isso e o que ele usa, o que ele faz na prática, é editar em cima da música e não o contrário, e não encaixar uma música no que já está editado.
E, cara, quando eu soube disso, quando eu ouvi ele falar sobre esse método dele, eu achei isso simplesmente genial. Porque o que é mais usual, assim, nas produções, é a trilha sonora entrar quando já tem um corte, e aí já tem um corte, você mostra para a trilha, a trilha faz a trilha em cima do… o trilheiro, né, faz a trilha em cima do corte e depois você encaixa ali. O que ele faz é, desde a pré-produção, já falar com os trilheiros, já compartilhar com eles tudo o que ele acha que é necessário para essa construção da trilha, e aí quando ele começa a editar, ele já tem uma trilha na maioria das vezes e ele edita em cima da trilha para embalar a edição.
Eu conheço alguns editores que pegam uma trilha aleatória que eles acham que tem a ver para poder editar em cima, então, assim, é simplesmente genial você poder editar já em cima da trilha que vai ser a trilha do filme, né? Tem um curta que eu amo loucamente, assim, é uma super referência para mim, real, e eu vou deixar aqui no card para vocês assistirem. O nome é “Malha”, ele é sobre a malhação de Judas na Paraíba e ele faz várias das coisas que a gente está falando aqui com relação a trilha sonora, né?
A trilha sonora é usada para embalar, para ressignificar o que está sendo mostrado ali e a edição é totalmente feita em cima da música. Então depois vai conferir para você perceber o uso da trilha nesse filme. Bom, e nesse papo sobre a trilha sonora é legal também falar sobre quando a gente não usa trilha nenhuma, né?
São raros os filmes que não usam trilha nenhuma e isso sempre chama atenção, né? É sempre, tipo: “Ah, aquele filme que não usa trilha? ” Porque deixa um aspecto muito cru para a narrativa e chama, acaba chamando a atenção o fato de aquilo ali estar em silêncio, né?
Você meio que sabe que entraria uma música ali naquela hora, mas que não entrou. E isso causa um impacto, causa um sentimento de realidade, de certa forma. Um dos filmes que eu mais amo na vida, assim, de longe, é “Retrato de uma Jovem em Chamas”.
E esse filme só usa a música pontualmente em dois momentos e, mesmo assim, são “músicas diegéticas”. O que que é isso, né? Uma música diegética é quando ela está tocando realmente na cena, quando um personagem liga um rádio, ou quando ele está em um show e ele está assistindo uma performance, é quando o personagem ouve a música também.
E é muito comum quando uma música começa como diegética e na próxima cena ela se transforma em extra diegética. É uma forma de transição entre cenas muito comum e inclusive acontece nesse filme uma vez só, uma única vez. [Cena do filme] [Mulheres com roupas do século 18 se aproximam umas das outras em volta da fogueira] [As mulheres na escuridão cantam e batem palmas iluminadas pelo fogo] [Uma mulher olha para a outra e sorri] [Uma das mulheres se retira do ambiente com as vestes em chamas] Bom, quando a gente está falando de curta-metragem, principalmente no contexto da internet, a música pode ser uma grande aliada para manter o seu espectador com a atenção totalmente voltada para o filme porque ela acaba dinamizando o filme.
E, bom, na internet tem muita distração, né? Talvez esse recurso possa ser uma boa ideia para prender a atenção do espectador. Um filme que fez muito bem o filme, que a gente já citou aqui nas aulas várias vezes, que é o “Vagabunda de Meia Tigela”, você pode assistir aqui no card, e quando você for assistir repara que quase não tem momentos em silêncio, quase o tempo todo o filme tem uma musiquinha ali, para manter o ritmo, até o ritmo de edição, o ritmo da comédia, então pode ser legal pensar nisso se você está querendo realmente fazer um filme mais dinâmico e que prenda mais a atenção do espectador nesse ambiente que é tão caótico.
Bom, agora eu sei que muitos de vocês vão torcer o nariz, mas eu quero falar sobre algo muito importante que é a questão dos direitos autorais. É um pouco mais burocrático do que o papo que a gente acabou de ter, que é mais conceitual, mas é realmente muito importante. Mas antes, lembrando da playlist com as 35 aulas teóricas que a gente deu ao longo desse mês.
Você vai poder fazer um curso gratuito de cinema aqui no YouTube se você acompanhar todas as aulas da sua playlist, e você vai passar por todas as áreas da produção cinematográfica. [>>> Direitos Autorais] Bom, vamos começar do princípio então, né? Tem dois tipos de música que você pode usar no seu filme.
Tem a trilha original, que é quando você compõe uma música realmente para aquele filme que você está fazendo, e tem trilha também de terceiros, que é quando você pega uma música que já existe e usa no filme. Os dois têm efeitos muito diferentes, né? A trilha original, ela vai encaixar perfeitamente ali na sua história da forma como você idealizou, em todos os detalhes.
A trilha de terceiros, por outro lado, também pode ser interessante porque ela já tem uma história prévia à sua utilização, então ela vai trazer um novo significado ali, para o filme, além de que ela vai começar a juntar forças de outras pessoas e isso pode ser muito legal para a divulgação. Independente se você usa a música original, ou de terceiros, você precisa de autorização dos autores da música para poder usar ela no filme. Se você não tiver, você pode prejudicar bastante a vida do filme por aí.
Vários exibidores podem e vão deixar de exibir o filme porque ele tem pendência de direito autoral. Aqui no YouTube mesmo você já teria problema com monetização, por exemplo, se você tem pendência de direito autoral. Nesse caso, todo o dinheiro que o filme fizer, vai direto para os detentores dos direitos autorais das músicas.
Você não vê um tostão. A gente no Kinobox, por exemplo, quase não posta filmes desse tipo justamente por conta dessa questão da monetização. Nesse universo de direitos autorais tem dois conceitos que é muito importante você saber diferenciar, que é o direito moral e o direito patrimonial.
O direito moral é o direito de autoria mesmo. Se você compôs aquela música, se você escreveu aquele livro, você detém os direitos morais daquela obra e, pela nossa Constituição Brasileira, esses direitos não são transferíveis. Então, por exemplo, se você compôs uma música e nos créditos do filme aparece o nome de uma outra pessoa como compositor, está rolando um crime ali.
Isso é diferente em cada país. Nos Estados Unidos, por exemplo, é outra relação, né? Lá, por exemplo, tem a figura do “Ghostwriter”, que é quando a pessoa, uma pessoa escreve e outra pessoa assina aquele livro.
Isso é muito comum. Aqui no Brasil é uma área bem cinzenta. A base constitucional é: direito moral não é transferível.
Então, seu direito como autor daquela trilha não é transferível e é seu sempre. Já o direito patrimonial é o direito de exploração daquela música, exploração comercial. Então toda vez que um produtor negocia uma música, seja ela original ou não, ele está negociando os direitos patrimoniais.
Então assim, essa sessão dos direitos patrimoniais, ela pode ser total ou parcial. Geralmente a total quando a música é original. E aí o músico, ele não pode usar aquela música desvinculada do filme sob nenhuma hipótese, porque ele fez pro filme e está cedendo os direitos patrimoniais de forma total para o filme, para o produtor.
Quando é parcial, é o que acontece quando as músicas já existem, quando são músicas de terceiros, músicas que você está licenciando, mas que existe já uma carreira para aquela música e tal. E aí é parcial porque o músico, ele está dando o direito da produtora usar no filme, mas isso não impede ele de fazer nenhuma outra coisa com aquela música como ele já fazia antes. Isso é um ponto que deixa os músicos muito “noiados”, né?
A maioria dos músicos, independentes principalmente, não entendem que o que está sendo negociado ali é é uma parcela, é só um direito do produtor colocar aquela música no filme. Eles acham que ele está cedendo totalmente, sabe? O músico, eles ficam realmente com muitas dúvidas.
Então é importante você saber isso para que você possa explicar que não está sendo cedido tudo ali, é só o direito de explorar, o dono daquela música continua sendo o músico. Dito isso, cada caso tem uma burocracia bem diferente, né? Quando é música original e quando é música de terceiro, a negociação dos direitos autorais é bem diferente.
Quando é música original acontece o seguinte, né? A ANCINE, que é a Agência Nacional de Cinema, que é o órgão que regulamenta tudo que tem a ver com cinema no país, ela considera que três funções no filme são autores do filme: o argumento, quem faz o argumento é autor do filme; quem dirige é autor do filme; e quem faz a trilha é autor do filme. Então essas três pessoas tem que ceder os direitos patrimoniais das suas criações para a produtora, empresa, CNPJ, que vai passar a ser a dona da obra final, do filme.
A produtora CNPJ é quem é a proprietária, a dona daquele filme, obra final. Então essas três pessoas, inclusive o trilheiro, precisam ceder os direitos patrimoniais para que a produtora possa, de fato, tirar o CPB, que é o certificado do filme, possa vender o filme, enfim… Esse processo é importante para que a vida do filme continue. No caso de música de terceiros, tem dois direitos que precisam ser negociados na hora de colocar uma música no filme, uma música que já existe aí no mundo, no filme.
O Primeiro direito é a "obra". Você precisa negociar os direitos patrimoniais sobre a obra, que é a composição em si. Esses direitos geralmente ficam com o próprio compositor, ou com a família dele, caso ele já tenha morrido, ou com uma editora musical.
Então, assim, você sempre tem que negociar os direitos da obra. Se você for só fazer uma versão, por exemplo, você tem, sei lá… A cena é um show de uma pessoa que está cantando uma versão dessa música. É só isso que você precisa negociar.
Você precisa negociar os direitos de usar aquela composição no seu filme. Agora, se você quer usar uma gravação específica que existe, cantada pelo fulano, você precisa também negociar o fonograma, que é justamente a gravação em si. E isso geralmente fica com a gravadora a não ser que seja um artista independente que tenha gravado por si próprio, e aí esse direito fica com ele mesmo.
Então vamos imaginar que você quer usar “Aquarela do Brasil” no filme, né? Essa é uma posição do Ary Barroso. Então a primeira coisa que você tem que fazer é buscar quem é que tem os direitos patrimoniais sobre a obra, se é uma editora, se é a família do Ary Barroso, enfim… E aí se você quiser fazer uma versão dessa música, uma versão original, é só isso que você precisa negociar, os direitos sobre a obra.
Mas aí supondo que você queira realmente usar uma gravação. Se você quiser usar a gravação do Caetano, do Gil e do João Gilberto, você vai ter que negociar esse fonograma específico, que se eu não me engano é da Warner. Já se você quiser usar a versão da Gal Costa, aí você vai ter que negociar com a Universal que é quem fez essa gravação.
Deu para sacar, mais ou menos, qual é do rolê? Mas Dani, eu não tenho grana, eu não vou conseguir licenciar uma música, eu não conheço nenhum músico que possa compor uma trilha sonora para mim, nem me ceder de graça, o que que eu faço? Eu não posso usar trilha?
Tem algumas opções, sim, que você pode fazer. Uma delas é usar uma trilha que já nasceu liberada de direitos autorais. São as famosas “Creative Commons”.
Tem uma série de categorias de creative commons. Você tem que prestar atenção porque algumas permitem exploração comercial, outras não. Então, se você por acaso escolher uma música que não permite, é raro, mas pode ser que você tenha um problema lá na frente quando você for realmente querer ganhar algum dinheiro com isso e a música não permitia isso, apesar de ser livre de direitos.
Tem vários sites por aí que tem músicas liberadas, você pode escolher a música que você quiser. Às vezes você tem que pagar uma quantia muito simbólica, às vezes é de graça. E aí, bom, é bom que você registre isso de alguma forma, mesmo que seja um print, caso você não tenha acesso a nenhum documento é bom que você registre que aquela música você pegou de um banco de dados, creative commons, até para você ter como comprovar se você pode, ou não explorar comercialmente, essas coisas todas.
Uma segunda opção é você usar uma música de domínio público, que é quando a música já foi criada há tanto tempo que ela se tornou, justamente, domínio público, agora é de todos nós e não só de uma pessoa que foi a pessoa que criou aquela música, né? No Brasil isso acontece quando o autor já morreu há mais de 70 anos. Então, 70 anos depois da morte do autor, todas as obras artísticas, independente do formato, se tornam domínio público.
E aí se você quiser usar uma música muito antiga, ou uma música clássica, você pode usar sem preocupação porque essa música já está livre de direitos. Mas presta atenção na gravação que você vai usar, tá? Gravações também entram em domínio público, então se você quiser usar uma gravação que é mais velha do que 70 anos da morte do autor, tudo certo.
Mas muitas vezes você vai lá, todo bobo, vai usar uma música de Beethoven crente que está abafando, mas aí você pega uma gravação da orquestra de Berlim do ano passado. E aí a obra está em Domínio Público, mas o fonograma não e aí você pode ter problema do mesmo jeito achando que você nunca vai ter problema. Existe ainda uma terceira opção, que é uma área um pouco cinzenta, mas que pode dar certo principalmente para documentários, que é o tal do “pequeno trecho”.
Existe uma legislação Brasil que diz que se você está usando um pequeno trecho de uma obra artística, você pode usar sem negociar isso. Só que a legislação não define o que é pequeno trecho. Então, assim, não tem lá escrito qual é a porcentagem da obra que configura pequeno trecho, quantos segundos da música configura um pequeno trecho.
Isso é algo bem subjetivo e se alguém reclamar vai acabar sendo cada juiz que vai interpretar se é um pequeno trecho, ou não, porque não tem nada muito objetivo na lei que realmente estabeleça isso. Mas o filme do Chacrinha, por exemplo, foi um filme que meio que estabeleceu esse precedente de que é possível usar pequeno trecho. Eles usam pequeno trecho de várias obras e seria realmente muito difícil licenciar tudo isso, eu diria que até impossível.
E aí eles alegaram pequeno trecho e eles ganharam na justiça o direito de usar essas obras. Então, assim, é uma zona cinzenta, é uma zona que pode não dar certo, mas pode dar dor de cabeça, enfim, lá na frente, mas é uma possibilidade também se o trecho realmente for bem pequenininho. Ufa!
Sacaram esse rolê todo? Deu para entender? Se tiver ficado alguma dúvida sobre trilha sonora, tanto conceito, quanto parte burocrática, pode deixar aqui nos comentários que a gente dá um jeito de responder.
Caso você não saiba, esse vídeo aqui faz parte da 1ª turma da oficina Kinobox de cinema. As aulas teóricas são disponibilizadas, gratuitamente, para todo mundo no YouTube. Mas as aulas práticas são restritas a um grupo de 60 alunos.
Vários curtas-metragens vão ser produzidos na oficina e você vai poder assistir a todos eles, aqui, nesse canal. Se você se interessou e quer saber quando a próxima turma estiver aberta, deixe seu contato no formulário que está aqui na descrição desse vídeo. A oficina Kinobox de cinema é realizada com fomento do Governo Federal, do Estado do Rio de Janeiro e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através da Lei Aldir Blanc.
Até a próxima aula. Legendado por Mariana Gomberg.