Olá sejam bem-vindas bem-vindos meu nome é Maria Simone Sou professora no departamento de educação e hoje a nossa aula será uma entrevista com professor Amaury Mendes Pereira Professor Amauri é uma grande referência para nós no campo de estudos análise proposições antirracista Professor Amauri também é um militante do movimento negro no Brasil ele é doutor pelo programa de pós-graduação e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro mestre pelo programa de pós-graduação e educação da UERJ especialista em história da África pelo Centro de Estudos afro asiáticos na Universidade do Cândido Mendes e graduado em
educação física e Desportos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro de 2001 2013 ele foi pesquisador do Centro de Estudos asiáticos e de 2013 a 2005 Centro de Estudos afro-brasileiros ambos ao campo desde 1999 Ele é professor do curso de pós-graduação Lato Sensu a história da África do negro no Brasil e o professor atualmente o adjunto no programa de pós-graduação em educação da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro foi presidente tcn Instituto de Pesquisa das culturas negras do Rio de Janeiro e diretor da BPM Associação Brasileira de pesquisadores negros Professor Amauri É uma honra
aqui em nossa aula gostaria de antemão de agradecer em nome dessa disciplina e de toda a equipe do cagera educação gênero e raça que compõem a organização dessa disciplina com os estudantes de graduação aqui da UFV Professor Mauri Gostaria de alugar com o Senhor conversar um pouco sobre os crimes de injúria racial e racismo no Brasil né propriamente a criminalização do racismo e com algumas questões que eu colocaria aqui a primeira é o seguinte enquanto militante negro né Sempre luta por igualdade racial como se eu analisa a persistência do crime de injúria racial e racismo
mesmo com amplitude debate sobre criminalização do racismo e o debate sobre as relações sociais em nosso país uma boa noite professora Simone apesar do tempo tá lá atrás né tá ainda claridade Aqui já são quase 7 horas né então boa noite passou das seis é boa noite né das 18 horas não agradeço muito essa oportunidades a gente conversar né e entender esse diálogo essa conversa para suas turmas né sempre uma alegria assim é o programa da vida inteira conseguir dialogar o mais amplamente possível sobre essas questões que ainda são vistas como problemáticas na sociedade brasileira
e eu penso que esse é o foco e a partir do qual né Eu quero tentar né Se não responder mas tentar construir uma visão para ajudar tanto a nós mesmos né quanto as turmas e as pessoas que eventualmente vão participar da nossa roda de conversas para tentar construir visões mais consistentes né e Exatamente isso o fato de ainda ser restrito restrita né a discussão sobre esse sistema sob dois aspectos primeiro porque apesar de já haver a lei das Letras 9 11 6 4 5 ela preconizam né adoção da história cultural brasileira indígena no ensino
básico apesar de já dessas leis desde 2003 a líder 2004 terem sido os formuladas né as diretrizes curriculares nacionais para educação das relações étnicas raciais e para o ensino da história cultural brasileira africana E além disso em 2009 se fez o Plano Nacional de implementação das leis das 639 e ainda assim professor é flagrante E aí quem está nos assistindo aqui é bom chamar o pessoal olha pessoal procura observar nas suas colas numa escola próxima onde você possa observar pergunta alguns colegas professores antigos né E vamos observar que ainda eu fiz uma pesquisa aqui tem
563 relatórios de estudantes existe a plena implementação das leis Mas viu Professor olha só que delícia de ver né em nenhuma escola das 523 563 relatórios 521 escolas foram algumas foram repetidos 521 escolas foram investigadas e nessas 521 na escola nenhuma escola não tinha ninguém que não fizesse nada sobre a Lei em todas as escolas havia algum alguma agente da lei era um professor que a direção a orientação pedagógica não queria era uma merendeira da escola que era porta-bandeira de uma escola de uma escola de samba mas nas imediações da escola pública e ela era
merendeira ela fazia lá no samba no dia da consciência negra no dia 13 de Maio ela fazia uma discussão sobre o problema do racismo enfim em todo lugar havia alguma iniciativa Então como é que eu penso hoje né é Não existe a Ampla discussão sobre a questão ética racial e isso é um problema que afeta a escolarização né as discussões a formação acadêmica a formação dos conhecimentos escolares as nossas turmas do ensino básico desde a educação infantil até o ensino médio da mesma forma não existe a plena discussão da questão étnico-racial Qual a seriedade com
a profundidade que precisa ser no âmbito da sociedade brasileira e isso não acontece porque aí sim aí a gente entra naquela coisa que antigamente minha avó diria assim sabe aí é que a Porca Torce o Rabo né que é o limite um limite de dor um limite de intensidade dá uma raiva danada porque você colocou muito bem apesar de hoje em dia as novas tecnologias mostram o racismo escancarado seja no policial pisando o pescoço de uma mulher negra seja o assassinato brutal de uma criança Você já viu orientação de uma comunidade eu acabei de abrir
aqui no Zap Um amigo me enviou agora lá no interior da Bahia a polícia entrou na casa matou três pessoas Os Camaradas a família tinha avisado olha eles não são bandidos eles cometeram um erro então vocês podem entrar e pegar meu filho dois sobrinhos e um filho não teve jeito de entrar os meninos de joelho no chão de mão na cabeça fuzilaram no interior da Bahia então isso aconteceu duas horas atrás eram 3:30 Quando aconteceu 3 horas atrás Então esse tipo de procedimento Essa sociedade mesmo segmentos mais progressistas na sociedade brasileira é só lembrar que
o governo do estado da Bahia 16 anos é um governo do partido dos trabalhadores um partido progressista o partido que se arroga ser assim um partido de esquerda um partido que luta pelo socialismo E ainda assim no governo estadual A polícia é reconhecidamente por toda a população a polícia militar é uma polícia fascista é uma polícia de terror Uma polícia racista no estado de maioria negra do nosso país então o nível de responsabilidade de educadores nas escolas públicas que não se interessam que não que não amadurecem o suficiente que não se ligam né não se
integram de fato é uma visão crítica sobre a questão racial apesar de tudo apesar das evidências que estão aí é do mesmo tamanho essa esse descaso de educadores é do mesmo tamanho do descaso de uma intelectualidade e de uma de uma caixa de políticos mesmo de esquerda mesmo progressistas sabe Então eu penso que esse é o grande problema atual né que não se vai se resolver enquanto o esforço enquanto a determinação de lutar contra o racismo não sair do âmbito político institucional sabe se ficar exclusivamente a gente o movimento negro é estudantes a sociedade em
geral cobrando de governo cobrando do Judiciário cobrando do Legislativo das corporações da polícia dos médicos se continuarmos né os antirracistas efetivos na sociedade brasileira se continuar meramente cobrando das instituições não vai rolar isso não vai acontecer porque no âmbito da institucionalidade a maioria é branco Cristão né E aí os acordos os ajeitos acabam acontecendo né Como sempre aconteceu como sempre foi sim no último período de quatro anos seis oito anos a partir do golpe do golpe de 2016 Em Diante O negócio recrudeceu racismo sai o racismo saiu dos armários onde tinha sido empurrado pelo racismo
veio forte assim como o anti machismo né A Supremacia masculina a demonização das diferentes sexualidade diferente das ortodoxas que se pensa né que normal é homem e mulher fora disso então quem pensa dessa maneira estava né bastante recuado tiveram que recuar porque os avanços dessas pautas no mundo contemporâneo são imparáveis não dá mais parar mas a partir do golpe é tamanhamente estavam contidos E aí se saiu dos armários o fascismo vão dizer assim né tomou conta de fato Então mas sempre houve né Sempre houve bem velado meio assim meio desmentido meio com jeitinho né mas
nunca deixou de haver né o machismo o racismo a homofobia Então hoje para que a gente consiga de fato avançar só viu professora incorporando as grandes maiorias negras e pobres seja do jeito que for através de eventos através de não sei de vai ter que criar vai ter que se inventar né eu ontem estive presente numa num evento na parte da manhã na em Guaratiba com educadores de um curso de pré-vestibular comunitário e a noite fui num outro lugar né também muito intenso Olha se você precisa ver as artes nesse galpão aplauso que é lá
na região do Centro Velho do Rio de Janeiro perto do porto assim 20 tantos jovens artistas dança canto performances corporais uma coisa linda linda magnífica fica imaginando sabe um grupo desse chegando lá em Guaratiba fechando uma parte da Rua Parte da outra para o trânsito começam a fazer uma performance ali para aquele povo que tá fazendo churrasquinho que tá conversando fiado na favela nos botequins e atrair a atenção daquele grupo e começar a performance eu fico pensando nessas interações Que institucionalmente professor jamais será conseguido um a governo que queira que banca uma situação dessa mas
o movimento negro o movimento antirracista que precisa ser mais amplo do que o movimento negro se incorporar todas as pessoas que tenham de fato um sentimento antirracistas de quaisquer cores que sejam né enquanto não fizermos isso não vai acontecer o avanço das faltas e da discussão o aprofundamento da discussões sobre o problema do racismo e suas formas de superação Isso só vai acontecer se a gente fizer acontecer tá então é isso Obrigada Professor nory Quando o senhor traz é várias formas de criar né as nossas revoluções as nossas lutas anti-racistas isso amplia né E também
chama atenção para que essas agências elas passam no individual coletivo mas que a gente nunca pare né cruze os braços nesse enfrentamento Professor a última pergunta né conversar um pouco mais ouvir do senhor é sobre a criminalização do racismo no Brasil como se houver uma vez que é um cenário onde professora que a polícia é um braço armado do estado e que as pessoas negras são algo né Desse dessa desse braço armado constantemente né então como se eu colocaria que caminhos a caminho sobre essa dimensão da criminalização do e esse braço armado do Estado olha
falar isso dá vontade de chorar sabe de verdade de verdade porque o primeiro alvo das polícias em geral e hoje não só das polícias né das milícias e de todos aqueles e aquelas que estão envolvidos com esse projeto genocida né esse projeto de morte que predominou nas instituições ao longo dos últimos seis sete oito anos o primeiro alvo serão jovens negros os mais Corajosos aqueles que partem para o enfrentamento serão pessoas lgbtq sabe que já não não se pode mais parar a liberdade é impossível né a luta por liberdade é uma coisa junto com a
história humana né sempre o ser humano ele quer se libertar seja das coisas dos domínios da falta de vida material adequada né criando jeitos de viver melhor no concreto na vida material seja de forças estranhas que ele não entende a natureza né os animais e essa libertação da mente essa libertação É vamos dizer assim espiritual né Ela implica fortemente da nossa parte não enfrentamento direto com a violência das polícias das milícias e mesmo desses seres humanos distorcidos doentes né que insistem nessa política de morte isso tem sido para mim uma agonia porque eu vejo vizinhos
estudantes alguns jovens que eu conheci ontem lá na no galpão jovens professores do curso pré-vestibular Alguns que estão formando esse ano na universidade já assumiram compromisso de ensinar a química a língua portuguesa as artes para o Enem do ano que vem né então está bom lá contratempo essa Juventude não vai recuar já deu isso fortemente quando eu fiz uma fala assim mais ou menos com esse sentido ontem lá no galpão senti isso porque eu falei precisamos ter consciência mais do que consciência precisamos ter atitude né não apenas o individualismo eu agora sei eu vou viver
a minha vida vou me dar bem porque eu aprendi fui para a universidade isso é insuficiente a consciência o conhecimento mais que isso é preciso uma atitude de cooperação atitude de soma na vida social porque cada um cada uma de nós quem quer lutar de fato tem espelhos né mãe todo mundo tem mãe todo mundo tem irmãs todo mundo tem vizinhos parentes que se dedicaram para construir as famílias e para construir a realidade melhor que a gente vivencia cada um cada uma de nós tem esses exemplos envolve de nós então Ou vai todo mundo ou
não vai ninguém né então construir esse tipo de visão eu falei isso para garotada E aí acabei indo um pouco ali e disse além de atitude é preciso ter estratégia não é se lançar de qualquer forma para o enfrentamento senti que houve um silêncio sabe porque os dançarinos o pessoal das performance a cantora ou a cantora Nossa até agora eu tenho a voz da moça tô ouvindo sabe uma voz de imensa potência vocal ao mesmo tempo de que uma sinalização mexendo com a sílabas da música sabe é muito peculiar muito uma arte muito própria dela
além da voz belíssima e muito forte então eles se colheram um pouco e aí quando ele se colher eu perguntei algum problema eu tô enganado todos se deram as mãos edificaram na primeira fileira de cabelos todos fizeram a mão levantaram o professor ninguém solta a mão de ninguém vai ser do jeito que tiver que ser entendeu é maravilhoso gente a maldade dessa gente é uma arte serão se a gente partir para o enfrentamento sem estratégia os princípios melhores quadros dessas gerações atuais que estão vindo com força né o risco é muito grande de perdermos alguns
dos principais quartos uma violência tem um autor que está muito badalado né que é aquele né é um escritor ele é camaronês mas vive né na África do Sul é um grande intelectual e ele usa muito tem usado o conceito de necropolítica exatamente o assassinato aleatório e um genocídio né de pessoas negras pela ação do estado eu acho que é uma boa dica né para quem tiver pouca paciência para ler quiser ver um vídeo tem um vídeo do aquele memes junto com outro grande escritor da diáspora africana do Caribe para Inglaterra chamado Paul gueri Ou
aquele membro fizeram um encontro que eu confesso para você fiquei em casa Uma emoção profunda V2 imensos intelectuais né conversando com tratar em tradução já em língua portuguesa a gente conseguiu um jeito lá e se fez a tradução então eles conversam durante quase uma hora e o conceito de violência do estado e de necropolítica como política de estado para conter né os avanços dessas pautas E aí entra também né professor é até também a questão do machismo a questão ambiental isso a questão religiosa propriamente religiosa é o cristianismo disto como a medida de todas as
coisas é isso o enfrentamento dessas pautas é um risco e mas o risco necessário Não tem como não mais enfrentar eu penso que a última coisa que precisamos dizer a essa Juventude é consciência atitude e estratégia não enfrentar de qualquer maneira porque eles são assassinos isso é doloroso demais né então eu penso que essa luta será Vitoriosa porque se era Vitoriosa ser incorporarmos essas grandes maiorias porque essas grandes maiorias jamais sucupiram a história jamais se perderam os povos nunca desesperam Isso é uma frase do Amilcar Cabral né a pessoas que desesperam a guerreiros lutadores que
desesperam mas os povos nunca desesperam povos seguram firme resistem e se superam superando todas as adversidades né então eu peço que é importante esse diálogo essa Olho no olho com essa Juventude para que a gente consiga confirmar sempre consciência atitude e estratégia e a estratégia tem que ser coletivamente construída jamais uma coisa individual por aí professor Eu Tenho pensado que tem sido ao mesmo tempo maravilhoso mas angustiante vivenciar esse contexto atual mas estamos ainda estamos aí para o que der e vier Eita Professor gratidão é ouvir ouvi-lo é sempre um Balsamo né de energia de
força de de conselhos também de quem está na luta há mais tempo que está chegando agora estudantes né graduando as graduandos que Não assistia essa aula de vários cursos e é uma luta não só né em alguns Campos né restritos ou ciências humanas né mas faz parte do como se eu trouxe da própria humanidade né do ser humano né das nossas potencialidades enquanto gente né enquanto coletivo gostaria de encerrar a nossa conversa desejando todo toda Axé toda força toda alegria toda força e agradecer mesmo a espiritualidade por esse encontro por esse dia obrigada mesmo Professor
deixa para as suas considerações caso queira fazer aí essas apontamentos finais da mesma forma eu realmente agradeço né agradeço no caso a você Simone uma pessoa amiga né querida que a gente tem conseguido estabelecer bons diálogos sempre né já tem 12 anos né Simone foi 2010 que nos conhecemos né então desde então tem sido muito bom ver né como essa luta tem gerado flores né você era muito mais jovem ainda é bastante mas era bem mais e se construiu de uma maneira magnífica e tenho certeza que tem sido um exemplo né de como é possível
de fato seja intelectualmente seja a maturidade e existencial como pessoa humana seja na questão propriamente intelectual na qualidade da sua produção intelectual de enfrentar e dar conta de desafios né das questões de que a gente precisa cada vez mais atualizar esses conhecimentos essas para poder sermos capazes de gerar estratégias mais consistentes sem esse conhecimento seria um esforço de compreensão melhor da questão ética racial articulada uma visão Ampla né do mundo contemporâneo da sociedade brasileira é uma coisa multi é disciplinar não pode ser um fragmento de conhecimento sociológico um fragmento psicológico fragmento filosófico para ter conhecimento
é preciso articular os fragmentos de conhecimento né ter capacidade de algo melhor possível uma visão que a gente chamaria aqui para facilitar de Monte disciplinar se é isso a gente não tem como gerar estratégias É de fato capazes de derrotar esse estado de coisas Racionais então agradeço a você por estar assim desenvolvendo esse trabalho como já era lá no Piauí e agora em Viçosa né e dizer que para mim sabe ver você e ver outros colegas jovens professores estão na luta Então para mim é um alento né eu fico muito empolgado e agradeço muito mais
uma vez agradeço tá a sua seu carinho sua você teve me convidado para estar aqui muito obrigado mesmo Obrigada De novo É uma honra para nós professor de verdade de coração só gratidão mesmo então [Música]