Este é mais um desafio profissão um programa da equipe de orientação profissional do curso de psicologia da PUC de São Paulo do n orientação vocacional em parceria com a TV PUC e agora conversaremos sobre um importante tema a questão da felicidade e para isso conversaremos com a Terezinha Azevedo rios que é graduada em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais mestre em filosofia da educação pela PUC e Doutor em educação pela USP é pesquisador do GPF grupo de estudos e pesquisas sobre formação de educadores da faculdade de educação da USP então eu gostaria de começar
falando um trecho de duas músicas as duas por acaso ou não Por acaso do Gonzaguinha e as duas foram cantadas por muitas pessoas como Fagner como Gabriel Pensador uma delas leva o nome de O Homem também chora um homem se humilha se castra seu sonho seu sonho é sua vida e vida é trabalho e sem o seu trabalho o homem não tem honra e sem a sua honra se se morre se mata não dá para ser feliz não dá para ser feliz e outra música do Gonzaguinha que tem leva o nome de o que é
o que é eu fico com a pureza da resposta das crianças é a vida é bonita e é bonita viver e não ter a vergonha de ser feliz cantar e cantar a bereza de ser um eterno aprendiz Afinal dá para ser feliz Terezinha Claro que dá eu acho que a gente tem que começar a conversa por aí não é eu certa vez eu ganhei um uma fotografia que transformamos num pôster em casa é logo que o meu primeiro filho nasceu Era uma foto de um muro no Chile e tava escrit assim ninhos nascem para ser
felas as crianças nascem para ser felizes eu pus aquilo lá no quarto do Felipe e depois com mudanças nossas eh o poster ficou de lado mas não ficou de lado a ideia sabe porque essa é a ideia que a gente deve ter a de que não são as crianças que nascem para ser felizes todos nascemos para ser felizes não é mas o que é meio complicado é do que a gente chama de felicidade pois é e a gente consegue conceituar felicidade Olha é muito complexo né é é tipo o tempo sabe Santo Agostinho dizia assim
se não me pergunta o que é que é o tempo eu sei direitinho mas quando me perguntam aí é que a coisa complica eu não sei Felicidade é um pouco desse jeito né você me pergunta o que é a felicidade e eu digo é a felicidade ora essa e você entendeu não entendeu Pois é porque é algo que n na verdade Embora tenha múltiplas definições o os conceitos que dizem respeito a sentimentos a experiências nossas eles são históricos n é verdade então eles vão se modificando e é isso que acontece com a felicidade eh Nesse
contexto nosso né globalizado fragmentado eh confuso por vezes eh você encontra algumas definições deel cidade que eh São problemáticas não é mesmo eh ali nos anos 70 por exemplo felicidade era ter uma causa jeans né que é uma propaganda que dizia isso né exato e hoje eu cheguei chego no aeroporto e olho ali uma propaganda de eh celulares de eletrônicos e tá escrito assim eh a velocidade da felicidade é 4G uau né a gente fica pensando que será mesmo né pode ter esse significado até na medida em que você [Música] eh dissemina digamos assim um
uma determinada ideia não é quando a se diz a felicidade é essa calça jeans é tem um todo um um contexto ideia do fabricante etc né ou o 4G lá que que o cara tá falando mas é importante pensar que embora haja essa diversidade né de de concepções e às vezes até as pessoas dizem que cada um diz o que é a felicidade para si indual conito é isso isso mas há uma coisa que eh reúne de certa forma eh todas as ideias que é a ideia de que todos Queremos ser felizes ou devemos ser
felizes não é porque direi eu agora a felicidade pode ser definida mais amplamente e talvez mais precisamente como uma experiência de vida plena né uma experiência de exercício de direitos de possibilidade de eh se inserir na sociedade né de ser aceito pelos outros de realizar seu trabalho né E aí sim né Eh quando digo isso eu tô falando de um espaço em no qual a felicidade efetivamente é um tema privilegiado que é o espaço da ética não é eh é aí que eu vou encontrar eh uma forma de problematizar mesmo isso e de ter uma
ideia um pouco mais Ampla do que significa a felicidade mas como uma sociedade opressora que exige um trabalho por metas que você nunca vai alcançar ou dificilmente vai alcançar onde o outro é uma ameaça para a sua estabilidade o seu Progresso uhum eh onde você tem que consumir barbaramente né Eh dá para ser feliz como dizia o gon saquinha Pois é Silvio Essa é a questão séria da ética sabe porque no horizonte da ética o que você tem é uma coisa chamada bem comum não é eu gosto sempre de fazer uma distinção Zinha entre a
ética e a moral pra gente ter um pouco mais claro isso é no pedacinho da moral lá que se fala que é a calça jeans que é o 4G que é o apartamento no Morumbi o BMW etc né Eh por quê Porque a moral é esse conjunto de prescrições que orienta a nossa vida diz o que que a gente deve fazer a ética é diferente ela é um olhar crítico sobre a moral né ela procura reparar se os valores eh que sustentam essas prescrições Morais São consistentes TM fundamento etc a moral costuma dizer que você
deve agir bem porque é para o seu bem né e a ética di ex al lá só vai ser pro bem se a gente adjetivar o bem Se for para o bem comum o bem de todos um bem que é público e aí chegamos na sua pergun pergunta eh nesse nosso contexto o que a gente tem é o foco na individualidade na privacidade a competitividade não é E aí com isso se coloca em risco se eh Se esquece de um princípio básico da ética que é o respeito e Respeito significa reconhecimento da existência do outro
então Eh há esse rompimento né a felicidade supostamente não tem lugar acho que não é supostamente não não tem lugar onde você não tem essa perspectiva de respeito né de solidariedade de Justiça né E aí eh posso dizer que o outro nome do bem comum é felicidade não é e quem disse isso não foi nenhum filósofo importante foi um cara que a gente canta também muito como Gonzaguinha Antônio Carlos Jobim não foi ele que disse que é impossível ser feliz sozinho né é impossível ser feliz sozinho né alguns acham que é só um versinho de
uma canção Mas é uma verdade ética sabe é a felicidade é ela é algo que é compartilhável deve ser compartilhado né o cara que rouba meu carro né me deixa infeliz e supostamente fica feliz embora eu diga o infeliz roubou meu carro né mas se e o que ele Experimenta é a custa da minha infelicidade da minha tristeza eu não posso qualificar aquilo de felicidade né Acho que o que se deve dizer mais da Felicidade é exatamente isso ela é mesmo algo que se coloca à frente porque é finalidade não é aí até Vale pensar
que quando eh eu vejo lá as crianças nascem para ser felizes eh essa frase traz a questão da finalidade ela Responde à pergunta para quê não é e eh é o que Aristóteles chamava de fim último dos seres humanos eh tinha um nome eh meio complicado eu daimonia possibilidade de se sentir pleno etc para Aristóteles isso só acontecia se fosse Virtuoso e a gente era Virtuoso se para ele se efetivamente agisse racionalmente aí acho que a gente tem que fazer um adendo hein para Aristóteles porque na verdade se eu falo em pleno não é só
com a razão não é verdade é com a inteireza do que a gente quer e aí essa ideia de para ser feliz é fundamental porque eh na moral eu tenho uma resposta uma pergunta que é o que eu devo fazer né e a ética a pergunta da ética é que vida que eu quero viver para aí eu tenho que perguntar o que eu devo fazer para ser feliz aí é para que é a A questão não é então mas a questão eu não posso ser feliz sozinho eu nasço para ser feliz a gente poderia dizer
também como fala a música do guinha dá a entender mal copiando Rousseau a criança nasce feliz e isto é atrapalhado pela sociedade ou não é bom falar isso até porque quando você pegou o Gonzaguinha tem aquela história de não ter a vergonha de ser feliz olha só Será que é algo que em vergonha ser feliz não é porque estamos Nesse contexto mesmo parece pieg né falar na felicidade porque às vezes ela é comparada como aquela história dos contos de fada e viveram felizes para sempre minha mãe sabe gostava muito de poesia de fazer poesia mas
poesia para ela era aquela de versos de quatro estrofes em que a primeira concordava com o fim da primeira concordava com o fim da terceira e o fim da segunda concordava com o fim da quarta né E aí ela tinha uma ela gostava de um de um mini poeminha que dizia assim felicidade uma casinha à toa e dentro dela uma mulher depois que seja simples e que seja boa uma casinha apenas para dois felicidade um berço uma criança muito linda no berço adormecida e que não sendo mais que uma esperança seja entretanto tudo nessa vida
felicidade dois velhinhos rindo abençoando juntos o sol oposto sem ver a neve que lhes vai caindo nem as rugas todas que já tem no rosto felicidade mas que dia lindo dobram tristes os sinos por alguém felicidade dois caixões subindo pela Ladeira pelo morro além legal não é você pensa lá para que que você vive para encontrar alguém encontrar alguém para quê para constituir uma família constituir uma família para quê né para ser feliz aí ser feliz para quê ora essa para ser feliz não é isso não na nascemos felizes como Não nascemos quase nada não
é ninguém nasce humano torna-se humano tô parafraseando Simone de bovar que diz que ninguém nasce mulher torna-se mulher não é e ninguém nasce humano vamos nos tornando humanos por um processo de socialização por um processo educativo não é e essa educação faz da gente humanos muito diferenciados e nesse contexto que a gente volta a falar nele né faz da gente sujeitos que [Música] eh parecem né Eh ter uma impossibilidade em função eh da ausência do Diálogo em função da cooperação etc mas sabe Silvio exatamente por é assim é que a gente tem que humilde e
corajosamente ir em busca dessa felicidade ela não tá dada ela é algo construído não é verdade e construído junto por isso mesmo preciso muito de eh verificar o que é preciso né O que é preciso mas aí para ser feliz para que essa finalidade seja alcançada né a felicidade é momento ou é condição é condição Eu acho que se dá se eu não tô querendo ser mineira demais para conciliar não é que se dá eh em determinados momentos Olha só Eh estamos falando aí da música né da literatura que ajuda a gente eh ser o
mesmo sujeito que diz é impossível ser feliz sozinho né tem um parceiro que diz que e canta junto com ele que a felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar brilha tão leve mas tem a vida breve precisa queja vento sem parar talvez ao falar da Felicidade a gente precisa de pensar Que vento é esse precisa que haja vento sem parar Que vento é esse que faz com que não seja só neste momento que a pluma né Eh eh flutue né e e que haja uma possibilidade de permanência quando eu falo
em vida plena e acho que isso tem a ver com a sua pergunta não quer dizer que seja uma algo que de repente fica estático entendeu né você fala eu sou um sujeito realizado vida plena é realização né mas um sujeito realizado não é um sujeito Pronto né Eh essa realização é constante a gente tem que tomar cuidado com a felicidade é não é mesmo tem que tomar cuidado com a felicidade porque eh ela acaba ela se transforma brilha tão leve mas pode ter a vida breve né mas acho que é importante voltar aquela a
ideia do bem comum mesmo da da da construção junta dessa felicidade não é para um ser feliz é para todo mundo ser feliz né eu tenho eu trabalho com orientação e e atendo muitos jovens e eh eles expressam assim eu quero ser feliz na minha escolha profissional eu quero alcançar a felicidade e o que que é felicidade é ausência de tristeza é ausência de problemas né quer dizer ela é definida pelo pelo negativo pelo negativo isso e que que é uma pessoa feliz é uma pessoa que ri o tempo inteiro né Será mesmo pois é
você já problematizou eh gosto de contar caso você já viu eu tenho uma amiga que me deu um uma lição ótima certa vez ela tava muito contente numa numa situação eh que alegrava muito a gente né então eu disse a ela puxa tô feliz porque eu quero só alegria para você e aí ela me disse uma coisa séria ela disse não não ter não quero só alegria quero tudo a que eu tenho direito aí Achei legal é isso na felicidade não tá só essa Euforia etc tá uma possibilidade de ser humano com tudo que a
gente tem direito alegrias e tristezas problemas vão sempre existir né Eh a a a tristeza os problemas são circunstanciais né e acho que eles podem existir no contexto da Felicidade tô triste hoje mas sou uma pessoa feliz né e feliz por quê Por causa dessa possibilidade de ser humano na minha integridade na no Convívio com o outro porque não sou humano sem o outro também eu preciso de ser reconhecida né como como eu para para para ser eu né então acho que é nesse sentido você tá tava falando na orientação né e é mesmo um
pouco isso você tava falando de vocacional mas na verdade é uma orientação de a orientação tem diz respeito ao encontro de um caminho nãoé mesmo e eu acho nós falá na ética que é esse olhar crítico o há uma coisa bonita a propósito da ética Ela foi dita por um colega muito querido neidson Rodrigues Mineiro como eu eh ele diz assim esse olhar crítico esse olhar da da filosofia da ciência da ética da ética principalmente é como um farol sim farol de mar não de trânsito né que existe para iluminar de tal maneira que o
sujeito Vá bem pelo caminho que ele escolheu olha só nãoé né não é o farol não existe para dizer vá por aqui mas é para iluminar de tal maneira que eu possa escolher se eu vou por aqui ou por ali e qual é o caminho possa definir qual é o caminho que me faz ir na direção melhor na direção da dessa felicidade que é sempre um ideal a a felicidade tem a ver com essa coisa da vida humana de tá de sermos seres oó no capitalismo visto pela lógica da propaganda é feliz quem consome né
quer dizer um conceito repetido né exatamente Será mesmo Paulinho da Viola tem um belo uma bela canção em que ele diz consumir é viver e conviver é sumir né é danado porque é isso a gente é eh cria esse slogam né que é preciso é de consumir o quê não é essa eh conviver é sumir sei lá quando a convivência é essa na disputa né na ou quando apenas alguns né se podem consumir do jeito que é aí a felicidade tá fora dessa né Eh é o acho que não não é essa perspectiva do consumir
se a gente pensa em em a adquirir coisas que são boas paraa nossa vida não é mas quando você traz aí essa história do capitalismo né a coisa já fica meio esquisita né certa vez eu tava falando com os alunos a propósito eh da da da característica do do do capitalismo que é mesmo a exploração em virtude disso e alguém dis Alguém disse para mim assim você fica aí falando mal do capitalismo e eu disse ainda não comecei a falar mal por enquanto eu só tô falando do capitalismo do que ele é você que tá
dizendo que isso é mau não é mesmo brinco mas no sentido de verificar e de apontar a necessidade de a gente tá atento para isso não é mesmo eu quero ser feliz ser feliz é consumir é ter um emprego bom é ganhar bastante dinheiro não é é ter uma família do jeito que tá pré-estabelecida hem Muler fininho tudo tudo certinho é porque é para o seu bem agora Será mesmo e então você diz essa felicidade eu não quero né se é se ela é produtora de desigualdade ela nem merece esse nome aí tô usando inadequadamente
e esse nome nome né Eh ninguém é humano sozinho ninguém trabalha sozinho né ainda que esteja supostamente sozinho no lugar em que tá trabalhando eh é um ser de convívio né Eh Ortega e gacé você já viu que vou buscar muitas coisas nos outros porque eles falam antes de mim as coisas que eu queria falar não é eh o Ortega e gacé ele diz assim a solidão só tem sentido eh ligada à ideia de companhia né Não Se existisse só um homem ele não seria um homem só no sentido solitário a gente é sozinha de
alguém não é E então mas às vezes a gente não dá não se dá conta muito disso e me deixa sozinho né mas é isso isso se eu resolvo ir para uma ilha deserta e eu não tô sozinho porque eu me levo e ao me levar eu leva os outros né então tenho que tá E nessa relação acho que a gente tem que pensar a felicidade nessa Perspectiva da relação se se fala em profissão por exemplo tem que se falar no trabalho que se faz em compania né junto eu Eu repito não trabalho sozinho meu
trabalho implica a o envolvimento de muitas pessoas assim como a minha felicidade implica isso tem outra da minha mãe junto com a poesia lá ela ela pegava e dizia assim era uma coisa que era uma máxima que ela usava ela dizia a felicidade existe mas ela está onde ap pomos e sempre ap pomos onde não estamos né Eh e fica meio esquisito fala então nunca vou ser feliz eu vou ser feliz sempre nesse caminho de construção de algo que não se completa nunca e Isso é ótimo né é ótimo não Completar é próprio mesmo daquilo
que a gente chamava de Utopia que não é o impossível desistir mas é o que ainda não existe quando eu digo para você que eu ainda não sou feliz completamente é ótimo porque eu serei Mas então poderíamos encerrar com a afirmação é impossível ser feliz sozinho sem dúvida e até o próximo desafio [Música] profissão [Música] i