Então pelo que nós já vivenciamos aqui da Excelência desses diálogos daquilo que foi dito dos depoimentos das observações dos conceitos que foram apresentados aqui e Celebrar essa quarta e edição que completa esse ciclo de diálogos no sentido de que não termina aqui acho que essa é a principal mensagem que precisa ficar nós estamos encerrando um evento Que contou com quatro eh episódios mas outros certamente virão sobre essa temática que isso seja o início da consolidação definitiva dessa temática que elegemos como a principal do nosso ano letivo educação antirracista e que parece ter despertado finalmente essa
preocupação e a necessidade de ações efetivas para que nós stirp de vez com a intolerância e com as questões Que são abordadas eh nesses diálogos que nós estamos fazendo muito eh interessante ressaltar que também a rede Estadual de Educação eh tem iniciativa muito parecida com um ciclo de Formação importante paraas escolas estaduais eh também prova de que eh esse assunto Tem que permear toda a nossa sociedade para que consigamos de uma vez por todas extinguir qualquer tipo de racismo que Possa persistir eh na nossa sociedade Esperamos que essas sementes que estão sendo lançadas efetivamente frutifiquem
e que nós possamos avançar muito porque há muito que fazer e esse tema tem que ser do nosso dia a dia definitivamente para sempre bom evento obrigado obrigado secretário bem para essa roda de conversa nós convidamos a pesquisadora e coordenadora No centro de estudos das relações de trabalho e desigualdades Cert Wi Santos ela também foi orientada da professora Sida Bento e atualmente é pesquisadora visitante no centro de pesquisa afro latino-americana na Universidade de Harvard e para compor esse bate-papo convidamos Júlia Rosemberg ela é escritora psicóloga social e clínica e permacultura é especialista em Relações raciais
do Cert com foco nos estudos sobre branquitude é fundadora da Coalizão Empresarial para Equidade racial E de gênero e fundadora da tecidas 360 para cá [Aplausos] Júlia vilha então eu vou começar agradecendo então o convite eh acho que agradecer em nome da Carla né na pessoa da Carla o convite para estar aqui hoje para conversar com vocês para fazer essa troca eh e eh falar um pouco dessa iniciativa Também né porque eu fui acompanhando um pouco e e e entendendo quais eram os temas que estavam sendo abordados e acho que uma uma iniciativa muito rica
e muito importante né pra gente pensar né o processo de educação né antirracista os caminhos as possibilidades de fortalecimento e E aí para mim é muito especial poder est aqui compartilhando e também na presença de Júlia Rosemberg que é uma grande parceira a gente vem trabalhando já cerca de 5 6 anos e eh Fazendo essa dobradinha também de muitas vezes né a gente construir algumas reflexões juntas né para pensar aí então caminho paraa transformação da realidade eh e eh Enfim acho daqui a pouco vai subindo a a apresentação mas acho que já passou um tempinho
então eu já vou dar início eh trazer acho que é é é importante trazer né que a gente vai fazer a discussão hoje para pensar né Eh o lugar da mulher negra Então pensa raça gênero E fazer reflexões né sobre a saúde da mulher negra no contexto escolar e e penso que é para além né a gente vai pensar a da mulher negra na sociedade e os impactos né E aí acho que é bem bacana essa dobradinha né Win e Júlia ficar aqui pro final porque né observando um pouco dos temas que foram sendo abordados
acho que era importante acho que essa finalização com eh pensando convivência pensando um processo histórico que traz a gente até Aqui né Eh eh Enfim então de que maneira né que o racismo a questão do gênero né influencia nas construções cotidianas e aí também pra gente pensar Quais são os caminhos né pra gente combater alguns desafios e acho que a gente vai né começar com algumas eh eh provocações para daí ter um tempo pra gente trocar para fal né refletir aí de forma conjunta Quais são os caminhos e possibilidades né então quando a a gente
Eh vai pensar no nosso processo histórico né a desigualdade racial ela tá presente né em toda a nossa construção eh e aí é pensar né que durante quase quatro séculos a gente teve eh o período de escravização né E aí que o tempo que a gente vive né no pós na pós assinatura da Abolição ele é muito menor né do que todo o período de Av visação E aí né Eh eu vou trazer alguns elementos pra gente eh fazendo uma reflexão de como que todo Esse processo histórico influencia na sociedade contemporânea e que são quais
são questões assim fundamentais pra gente pensar pra gente refletir pra gente né Eh encontrar caminhos né para lidar com essas questões uma vez que não é uma situação pontual e individual mas que estrutura a sociedade né Eh e considerando também que existem né e eh relações de poder e alguém que se beneficia com essa realidade Então se a Gente teve cerca de quatro séculos né de período de escravização de pessoas negras que eram trazidas sequestradas de África né e retomar né e eh e e trazidas para cá pro Brasil para realização de um trabalho forçado
uma vez que é feita a assinatura dessa lei né da Abolição a lei Áurea Existe uma grande ausência de muita coisa né paraa população negra então a gente começa com ausência de políticas reparatórias não teve um processo de indenização Então se esses Né Essas pessoas negras que não eram consideradas pessoas né então foram eh seres desumanizados eh abom agora tá aparecendo aí o os slides eh a gente tem então essa ausência de indenização e eh Então retomando essas pessoas trabalharam durante quase qu quatro séculos né 400 anos eh enriquecendo outros bolsos que não seus próprios
E aí uma vez que é Assinado uma lei não existe nenhum recurso nem né Eh para que Essas pessoas então Eh passem a subsistir e eh vivenciem a sociedade enquanto sujeitos de direito né muito pelo contrário E aí existe também uma ausência de Integração Social né Então seja lá quais fossem né as políticas de Educação de saúde de moradia da época ocorre que a população negra não foi integrada né então no dia 14 eh não existiu a ideia de que olha são pessoas né então no Imaginário social não há uma transformação do lugar que é
colocado né A população negra e aí eh eu digo também também da ausência de políticas de integração econômica a gente tinha então um um mercado de trabalho né sendo composto majoritariamente por pessoas negras que desenvolviam trabalhos eh eh a partir né do do processo de escravização uma vez que é assinada A Lei e já né nesse processo tardio porque a gente tem um processo muito tardio de eh eh de finalização do processo de escravização Sendo então o Brasil o último o país das Américas a abolir a a escravidão e com um processo de de eh
desenvolvimento na Europa né desenvolvimento de indústria né na Europa nos Estados Unidos eh muito eh pode voltar a gente ainda tá naquele amarelinho eh que vai falar da ausência das políticas eh de reparatórias ausência das políticas econômicas eh Então a gente tem eh um processo Que dificulta a participação da população negra enquanto sujeitos de direito né então eh acho que esse é um ponto fundamental pode passar Então esse é um processo acho que fundamental pra gente fazer eh eh eh como ponto de partida e pensar né Eh eh a sociedade atual a partir desse processo
histórico e aí eh dando sequência eh quando a gente vai falando né do da ausência das políticas de integração econômica as pessoas negras Elas não não foram Integradas no no mercado de trabalho então enquanto escravizados eles eram né eram pessoas ótimas então dá tudo certo a gente eh eh eh existe aí a né Eh eh a possibilidade dessas pessoas negras desenvolverem esse trabalho enquanto pessoas escravizadas mas não era entendido que enquanto eh eh eh Trabalhadores de fábricas Eles teriam também teriam também pessoas trabalhadoras competentes Então existe um processo da vinda de mulheres de Pessoas europeias
e aí em sua maioria homens europeus né para desenvolver os trabalhos fabz eh e as mulheres negras seguindo ocupando as posições né mais precarizadas mais subalternizadas e a gente passando da transição né Eh do capitalismo tardio Então já lá na Europa né o processo de industrialização e o capitalismo a pleno vapor nos Estados Unidos a mesma coisa e o Brasil associava-se então eh eh o atraso econômico no Brasil a Existência do trabalho escravizado a existência das pessoas negras e aí tendo passado aqui O slide eh acho que importante de trazer que eh eh existe um
processo então de marginalização e de controle de Corpos indesejados eu trago esse trecho do do livro holocausto brasileiro que vai dizer assim né que a gente começa então muito próximo do período de né da assinatura da lei né um processo de controle dos corpos negros que se dá a partir do encarceramento e Se dá também a partir do encarceramento dessas pessoas em hospitais psiquiátricos Então pode voltar a as pessoas que estavam eh no nos hospitais psiquiátricos elas estavam ali então 70% das pessoas elas não eram pessoas que tinham qualquer questão né eh qualquer diagnóstico de
doença mental então elas eram pessoas eh eh alcoolistas eram pessoas epiléticas homossexuais prostitutas pessoas que se rebelavam né pessoas que se tornaram Incômoda né para a sociedade de alguma forma então para as pessoas que tinham mais poder né Tá certo tá é é esse slide eh e eh e estando dentre esses grupos mendigos os ditos mendigos pessoas negras pessoas pobres pessoas sem documentos e pessoas indesejadas Como já foi falado então é importante de pensar que eh a gente tenha na através a nossa história essa questão de controle né de pessoas indesejadas e existe esse processo
também pode passar pro próximo Né de eh ocupar determinados lugares a partir das do grupo social que você ocupa Então vamos colocar aqui né Eh eh eh apresentando como os grupos sociais mulheres brancas mulheres negras homens brancos e homens negros eh então dependendo de de de qual dessas posições você ocupa existe eh um lugar que você ocupa na sociedade e isso eh de forma concreta e também no Imaginário social né então a gente tem eh nesse processo Eh o um lugar garantido para homens brancos nos trabalhos fabz eh em trabalhos reconhecidos nos trabalhos de fase
de gestão né e as mulheres negras elas continuavam desenvolvendo trabalhos na sociedade elas elas seguiam desenvolvendo trabalhos que eram precarizados marginalizados e eram os trabalhos eh que geralmente nenhuma outra pessoa faria e esses elementos né É fundamental trazer esses elementos Para pensar o quanto que no nosso processo né de Constituição no no na construção do pensamento social brasileiro existe eh uma intencionalidade para que as coisas sejam assim inclusive porque alguém tá se beneficiando com isso né No próximo slide na verdade poderia passar dois né eh e aí eu vou contando para vocês então eu trago
aqui um recorte eh da Clarice Lispector que é uma pessoa extremamente respeitada né e é uma mulher muito a Frente do seu tempo que fazia lutas né pensando o lugar da mulher né na sociedade pensando o lugar da mulher eh eh enquanto um ser de opinião um ser inteligente eh e enfim buscando ali os direitos a garantia de direitos né Eh paraas mulheres e aí nesse trecho eh né Eh é importante salientar que clariss Lispector junto com a sua irmã ela escreveu elas escreveu manuais de como amanar as empregadas né né E aí isso e
Aparece na dissertação de Mestrado da Maria Luisa Gimenez né E aí ela nesses manuais eh apareciam informações como né as empregadas domésticas elas são um festival de incompetência que as patroas têm que domesticar e às vezes domar como um bicho bravo e aí se a gente parar para fazer essa reflexão Quem eram as empregadas domésticas né eram as mulheres negras eram as mulheres negras que um dia foram escravizadas né E aí as Filhas as netas dessas mulheres escravizadas que seguiam ocupando na sociedade esse mesmo lugar né E aí se a gente for pensar hoje quem
ocupa né Eh esse mesmo trabalho então 70% das trabalhas das trabalhadoras domésticas de hoje seguem sendo mulheres negras e aí eh eu vou trazendo esse elemento pra gente pensar né né então lá no comecinho eu falava do movimento eugênico né da intencionalidade de e de controle dos corpos negros e de outros corpos também Tidos como indesejados e toda essa construção sendo feita por teóricos né Por por cientistas por médicos E aí na sua maioria homens né Eh e de pensar então que essas pessoas que são formadoras de opinião que constróem o pensamento brasileiro elas vão
seguindo Então existe uma perpetuação né dessa construção né o a nossa construção da das Universidades por exemplo no Brasil ela é bastante recente né E aí quem ia pras Universidades para fazer medicina para fazer direito para fazer engenharia que são os primeiros cursos eram pessoas eh brancas né de uma classe abastada geralmente homens né E aí eh e colocando né que essa construção das Universidades por exemplo é bastante recente e quem acessa é uma elite e que tem essa possibilidade de acessar eh o o o conhecimento para esse lugar né de fazer gestão para ser
líder ao mesmo tempo a gente tem o acesso bastante Tardio da população negra na educação tendo como objetivo eh o trabalho nas máquinas né então a o ensino técnico ele vai sendo apresentado paraa população negra né Para que ela para que essas pessoas pudessem se capacitar de alguma forma e eh acessar os trabalhos mais precarizados então de novo essa relação né essa né o acesso ao mercado de trabalho as construções né e as a a a a a ideia que é construída sobre quem pode Fazer o quê É nesse lugar de de poder né e
de subalternização Então pode passar o próximo slide por favor aí a gente tem aqui pra gente ir seguindo nessa construção e de pensar né como que se mantém o status quo né como que a gente vai construindo no Imaginário Eh esses lugares né enfim que eu fi vou dizendo que as pessoas vão ocupando né conforme a a sua raça né então aqui acho que é importante te marcar porque ele diz Assim na reportagem grávidas negras e pardas Então esse é um ponto eh para para para uma correção breve que eh a pelo IBGE né a
classificação do IBGE negros é a somatória de pretos e pardos então o correto aqui seriam pretas né mulheres grávidas pretas e pardas né recebem menos anestesia no parto e aí eh é importante trazer esse elemento pra gente pensar o seguinte eh que lugar é colocado né Essas mulheres negras no Imaginário social né Então dentro de uma profissão né dentro da Medicina entende-se que as mulheres negras são mais fortes então se não tem anestesia para todo mundo Quem Deixa de receber anestesia é a mulher negra e essa reflexão ela é fundamental pra gente pensar que isso
não acontece só nesse lugar não acontece só na classe médica então e aí não tem nenhum manual dentro da escola de medicina que diz mulheres negras são mais fortes porque isso não existe né não não não tem uma Literatura que vai afirmar isso contudo no Imaginário existe essa compreensão e aí no momento de escolha as mulheres negras são preteridas e eu trago esse exemplo pra gente pensar que isso está presente no nosso cotidiano em diversas instâncias né então existe toda uma produção estrutural dentro da gente vai pensar nos nossos currículos lá da Psicologia né da
inina da administração que não vai enxergar o racismo enquanto um causador de Sofrimento né o racismo Enquanto estruturante da sociedade e vai fazer eh vai eh eh trazer né pro cotidiano algumas ideias que são construídas que não necessariamente são né de ordem científica mas que vai colocando as pessoas em determinados lugares então Passando pro próximo slide por favor eh aqui compartilhando eh eh a lélia Gonzales que aí vou trazer então pro mundo do trabalho ela vai dizer assim nossa eh apresentamos uma série de dados Relativos ao lugar da mulher na força de trabalho ali a
gente constata que em virtude dos mecanismos de discriminação racial a trabalhadora Negra trabalha mais e ganha menos que a trabalhadora branca que em sua vez também é discriminada enquanto mulher então tem essa temos essa questão né para para refletir para pensar né o lugar eh que as mulheres são colocadas dentro do mercado de trabalho é é um lugar de subalternização quando comparado com Homens mas quando a gente vai comparar a mulher negra com a mulher branca também ocupam lugares diferentes e aí isso é bastante importante pra gente trazer né paraa nossa reflexão pode passar por
favor mas aí então aqui eu trago Cida Bento para compartilhar também eh eh eh as suas reflexões e ela vai dizer que quando o a mulher negra a ocupar o cargo de chefia tem um outro agravante então ela vai dizendo que a discriminação contra negras em cargos de chefia Sustenta-se na resistência do Branco em aceitar alguém socialmente considerada subordinada ocupando o comando de outros brancos né então é como se o lugar de gestão o lugar de liderança ele fosse garantido para as pessoas negras para pessoas brancas né E quando uma mulher negra ocupa Esse lugar
é como se ela tivesse ocupando um lugar não é dela né E aí tem inúmeras implicações a gente vai né falar um pouco disso mais paraa frente né mas A Hierarquia social Baseada então na raça e igualmente no gênero estabelece que há uma que há uma posição inferior na relação Ampla entre brancos e negros homens e mulheres eh que deve corresponder uma posição inferior no trabalho onde o lugar de um jamais será ocupado por outro né pode passar E aí eh sendo feita essa introdução a gente vai pensar como que o racismo impacta então impacta
então na saúde física e Psíquica de mulheres negras e aí antes da gente começar pode passar por favor eh para contextualizar e pra gente pensar o cotidiano da escola aqui tem um um uma uma situação bem marcante assim para né são duas situações pra gente fazer né Eh reflexão eh a advogada né Negra ela ela foi algemada numa numa audiência não sei se vocês se lembram disso e às vezes eu faço essa essa esse questionamento mas a gente tá correndo aqui com o tempo então eu eu já vou Interagindo com relação a essa questão né
Eh então a Valéria Santos ela é é perguntada pela juíza Você é irmã né Você é irmã da ré Você é parente né E então já começa estranho a a a a audiência com essa com esse questionamento E aí ela dá sequência ela ela quer fazer ali a defesa da ré e aí a juíza exige que ela Apresente a OAB né a carteirinha D pra prática né da advocacia eh sendo que isso não é de prática né não acontece dessa forma com Todas as pessoas né Eh eh que ocupam esse lugar né de de eh
enfim de defesa e aí ela se recusa E aí tem to né se recusa apresentar carteirinha tem toda uma questão e ela é algemada e ela não consegue exercer eh a sua função enquanto advogada e enfim sem cometer crime algum por outro lado a gente tem uma aluna branca da Universidade de São Paulo que pega todo o dinheiro da formatura Então ela tava ali ocupando esse lugar de né Privilegiado de ser a pessoa que recebia o dinheiro e aí ela pega todo o dinheiro porque ela tinha ideias de fazer investimentos e tentar triplicar o valor
e fazer enfim né Eh mas ela pega o dinheiro ela pega o dinheiro e pegar o dinheiro de outras pessoas é roubo né mas aí ela é caracterizada como ela a pessoa que é acusada e de de desviar Enfim no final das contas não tinha o dinheiro para para fazer a formatura mas a juíza se compadece né a ela e e e aí Ela não é presa e ela não é criminalizada E aí ela é tratada muito bem ela é tratada como aluna né pode passar por favor E aí trazendo um pouco para o contexto
né do cotidiano escolar a ideia que a gente temha um momento para troca Então as provocações é né a gente tem nos cursos de pedagogia nos cursos de letra nos cursos relacionados a Cuidado então vai ter a enfermagem imem também mas então Voltando aqui pro contexto escolar né uma uma um um um contingente muito grande de mulheres né de mulheres nesses cursos e quando a gente vai olhar em quais cursos estão as mulheres negras elas estão né nessa área de formação e aí um elemento importante para trazer é que eh a partir dos processos de
políticas de ação afirmativa eu vou falar um pouquinho mais paraa frente existe um acesso também eh aumentado né de mulheres negras né no espaço de Conhecimento na formação então na possibilidade de ocupar eh os cargos diversos mas também os cargos de gestão né mas aí eh quem né a a a pergunta Quem é o grupo social majoritário nas equipes das escolas né então pra gente trazer paraa reflexão são homens são mulheres são mulheres brancas são mulheres negras e aí quando a gente vai refletir quem ocupa a posição de gestão né quando a gente tem faz
essa pergunta eh então eh eh eh são As perguntas que eu vou fazendo paraa gente refletir para depois a gente circular para eh eh paraa discussão né E aí eh de pensar né quem tem mais facilidade para mobilizar recursos né então existe ali a necessidade de né eu vou fazer as reuniões eu vou indicar né que existe um um uma demanda bastante importante então a gente precisa trazer recursos paraa escola né quem é que vai conseguir é eh convencer ou indicar né mais facilmente Que olha a gente precisa do recurso para né e eh eh
enfim para compra de Tais materiais né enfim como que se dá essa relação e quais são os desafios dependendo de que grupo que você ocupa né E aí é tranquilo propor um calendário para abordar eh a cultura africana e afro-brasileira né então por vezes quando a gente vai né quando eu tenho uma mulher negra por exemplo ocupando uma posi ção de liderança existe um grande desafio Então ela tá lá na Coordenação ela tá lá na gestão e ela entende que essa é né esse é um um assunto muito importante para ser discutido e que a
gente precisa discutir não só né em em datas específicas mas que a gente pode colocar isso no calendário do ano na escola então todo ano toda vez que a gente pensar qualquer atividade qualquer festividade a gente vai transversalizar um olhar para Equidade racial E aí vai ter sempre aquela ideia de Nossa mas Ah esse Assunto de novo mas será que isso aí não é militância né Eh enfim é eess essa contestação né da intencionalidade ou da necessidade de certas atitudes ou de certos hã de certas construções de certos planejamentos né então há mais uma pergunta
né Quais são os desafios impostos a uma mulher gestora quando ela é negra né E aí pensando que existem desafios diversos né no mundo do trabalho mas existem questões muito Particulares quando a gente tem eh eh uma mulher negra ocupando uma posição de liderança pode passar e aí eh acho que pra gente ir refletindo né Eh o racismo ele é extremamente perverso né E aí ele vai atravessando a vida de pessoas bran e pessoas negras ao longo de toda sua existência sendo que em algum momento algumas pessoas se beneficiam dependendo do grupo social que el
ocup Júlia vai falar muito bem Sobre isso daqui a pouquinho né e outras pessoas vão sendo colocados sempre nesse lugar né de marginalização nesse lugar de Será que essa pessoa realmente é competente Será que essa pessoa realmente é inteligente Será que essa pessoa realmente deveria estar aqui né E e aí aparece lá na na na na fala que eu atuo eu sou pesquisadora de Relações raciais né pesquisadora de relações de trabalho eh Mas atuo também como psicóloga clínica então dentro da Clínica surgem diversas questões que são relativas a trabalho né Eh e isso independente da
raça eh contudo é fundamental de pensar né o racismo ele impacta de certa forma né ele ele ele ele atua né na psiquê de de de de determinadas formas que por mais que a gente viva hoje um processo de adoecimento dentro do mercado de trabalho existem questões que são muito eh específicas da raça né então quando Eh eh uma mulher é silenciada né vai dizer muito né dentro do mercado de trabalho mas quando existe né o recorte de raça o recorte de gênero né existe sempre essa essa essa leitura né poxa será que né isso
tá acontecendo comigo por conta de ser mulher porque será por que que será que eu não sou vida né Por que será que eu sou questionada então aí vem a síndrome da impostora existe eh depressões sadas né porque H a partir dos Desafios que vão sendo colocados né e desse lugar de desvalida né do conhecimento então a pessoa negra Tendo sempre e eh eh provar que ela tem aquele conhecimento de que ela tá falando a partir né de um de um lugar de construção social não de benefício próprio Então são vários Desafios que vão se
apresentando né dentro da da rotina né que vai fazendo com que por vezes a pessoa nem queira estar naquele lugar né então ah é melhor eu nem nem Ocupar esse lugar de gestão né eh e e e se questionando inclusive né Será que eu realmente deveria estar aqui e aí por vez vezes eh o silenciamento ou Desafios que vão se colocando né eles são tão perversos que a própria pessoa ela não percebe Então ela adoece sem ter uma consciência de que esse adoecimento ele vem né a partir do racismo tem um teórico que vai dizendo
que ao longo da da trajetória né Eh eh começando Desde da infância né Eh As pessoas negras elas vão passando por diversas situações de racismo que por vezes elas vão ser eh vão ter dificuldade de do do próprio aprendizado né enfim Então são diversas questões para para para trazer para reflexão e aí eu vou caminhando pro final eh pode passar pro próximo E aí eh Existem algumas discussões né A serem feitas então por exemplo uma das principais políticas reparatórias que a População negra conseguiu a partir de muita luta é por exemplo as políticas de ação
afirmativa E aí é fundamental a existência das políticas de ação afirmativa justamente por conta de todo esse processo histórico que foi marginalizando e deixando né Eh eh num lugar de subalternidade à população negra e aí uma das políticas de ação afirmativa né é a reserva de vagas Ou de ou a a pontuação de acréscimo né acréscimo de de pontuação eh eh para Acesso nas universidades né além de ter as políticas também para acesso aos aos serviços públicos aos cargos públicos mas com a a essa possibilidade né do acesso às universidades um um um grandeo de
mulheres neas acessa o nível superior a partir de críticas de ação afirmativa então tem o o dossier da mulher negra foi lançado é um um documento que foi lançado e tá disponível né eh em 2013 ele vai contando assim que teve um aumento enorme o grupo que mais mais Avançou então o maior crescimento que aconteceu eh de acesso à universidade foram mulheres negras e aí eh é importante pensar assim né não é que necessariamente o número de mulheres negras é maior do que o número de homens brancos por exemplo é que o número de homens
brancos já era grande e aí continuou grande né e o das mulheres negras era muito pequeno e aumentou bastante com relação né à proporção anterior e aí isso não faz então as Mulheres negras elas acessam a a o ensino superior de certa forma e ainda de forma muito tímida eh existe uma mobilidade financeira Então existe essa possibilidade das mulheres negras acessarem eh eh alguns trabalhos né algumas posições outros níveis hierárquicos para além né dos níveis dos cargos de nível de entrada contudo quando a gente vai olhar pra sociedade como um todo a o acesso a
mobilidade Então essa Possibilidade de mobilidade financeira ela não reflete em ascensão social então a pessoa que tem mais recursos financeiros quando ela é uma mulher negra não necessariamente é né uma mulher que vai assir socialmente né que vai ocupar outros lugares na sociedade porque antes de ser uma pessoa com recursos financeiros ela é uma mulher negra E aí muitas vezes ela vai tentar acessar um restaurante diferente né um restaurante De Elita um restaurante que frequentam mais pessoas abastadas e aí ela é tidda como Olha esse lugar não é para você né então e aí eu
vou falando desse dessa construção social né para trazer o quanto que isso impacta na Constituição da subjetividade dessa pessoa e o quanto que isso vai refletir né nessa nação dela no cotidiano no dia a dia então voltando para aquele slide né enfim não precisa voltar só para só para reflexão mesmo voltando para aquele lá que Apareciam as doenças né Eh os desafios tá muito relacionado né então eh eu sou uma pessoa que eu eu consegui acender eu acessei uma educação de qualidade e aí eu quero levar né a a mim a minha família né para
acessar melhores espaços para poder ter maior qualidade de mas não necessariamente eu só aceita nesses lugares né não necessariamente eu S entend como pertencente desse espaço pertencente desse lugar e aí isso eh impacta diretamente no próprio processo Né de adoecimento e das construções que podem ser feitas né Então como que essa pessoa se coloca né no seu cotidiano como que ela se coloca lá no dia a dia na escola né como que ela vai pensar as construções Então eu queria trazer um pouco desses elementos pra gente Abrir paraa conversa né mas e de colocando assim
bom existe uma problemática que tá posta e isso essa problemática ela se dá a partir de toda uma construção social e dessa relação de poder na qual alguém se Beneficia E aí acho que na sequência Júlia falando sobre branquitude vai dizendo muito nesse lugar de manutenção e aí uma vez que a gente tem isso a gente toma com conhecimento né de Que bom Alguém tá se beneficiando e por isso que existe toda essa construção e por isso que existe toda essa estrutura eh a gente conversa então Quais são os caminhos e quais são as possibilidades
pra gente combater né como que a gente eh constrói políticas efetivas para Transforma para para né garantir a transformação dessa realidade aposta e que a gente já tá caminhando né mas o qu é fundamental a gente Trazer isso para debate e a gente tomar consciência que essa construção ela tá presente do nosso cotidiano para daí que a gente poder eh eh construir caminhos para né superar esses desafios e essa eh desigualdade então era isso que eu queria compartilhar com você Com vocês né No próximo slide e tem um para saber mais Então tem um um
q code que vocês vão conseguir eh acessar aí algumas referências eh para enfim seguir na reflexão depois desse encontro tá ótimo in Muito obrigado aí pelas suas pelas suas considerações pori todo esse conhecimento que você trouxe E aí agora eu passo a palavra paraa Júlia e eu quero te deixar bem à vontade se você quiser falar daí sentada se você quiser ficar em pé no centro se quiser vir para cá a casa é sua seu microfone Tá funcionando então Eh boa noite a todos todas todes Boa noite ah muito bem a Wi me escuta eu
queria mandar um beijo um abraço pra Wi eh eu fico muito tocada de vê-la lá porque a gente sempre faz parceria carne e osso e vê-la em Harvard para mim é um um alento no meu coração então tô bastante feliz aqui eh ah já colocaram aqui minha apresentação então Antes de eu começar Eu queria agradecer o convite da secretaria aqui de Campinas a Mari a Carla eh A Silmara tem várias pessoas eh que fizeram Esse encontro possível eh terminando aqui a jornada né que eu sei que foi muito potente inclusive já soube que a Jussara
quem pori falar da Jussara acho que precisa é foi que a Jussara falou de mim outro dia né já já tive aí então falei da Jara Veio a microfonia aí né Eh então hoje a gente vai falar né vai ter esse diálogo sobre a branquitude que é um tema que eu venho estudando pesquisando já há algum tempo e aqui não tá passando então queria entender que na que no no no ensaio tava passando agora não tá Eu aponto para algum lugar específico aqui agora foi eh acho que o Francisco queria agradecer né que me apresentou
e Acho que tem poucas coisas aqui que eu que eu gostaria só de reforçar né então que eu sou fundadora da tecidas que é uma consultoria que vem apoiando algumas Organizações e empresas nessa jornada de diversidade idade de inclusão eu venho trabalhando com esse tema né há mais de 20 anos com foco em Equidade racial sobretudo pesquisas de branquitude então eu sou uma mulher branca especialista em Relações raciais eh pensando branquitude eh eu falo muito sobre gênero Sexualidade também né pensando aí lgbtq PN mais aproveitando que a gente tá né em Junho que é um
mês bastante importante pra gente né garantir exist de nós pessoas lgbts e Tenho pensado também muito no tema de masculinidades né da mesma forma que a gente fala de Relações raciais as pessoas brancas não se colocam quando a gente vai falar de Equidade de gênero os homens não se colocam então também é algo que eu venho pesquisando eh eu sou voluntária do Projeto de saúde mental de homens trâns do e brati eu sou 45 mais faço aniversário daqui dois dias é depois a gente canta parabénss e eu sou uma mulher bissexual demissexual branca permacultor e
mãe da Antônia de 14 anos então eu sempre falo que eu tô aí nos desafios de maternar eh uma adolescente de 14 anos em tempos pós pandêmicos em tempos de redes sociais é Um Desafio e Vocês que são né Professores e professoras sabem muito bem do que eu tô falando eh quando eu vou falar de branquitude Eu sempre me apresento também a partir da figura dessas duas mulheres essa que tá minha esquerda era minha mãe Fulvia Rosenberg que fez vários trabalhos inclusive aqui na secretaria ela tinha um trabalho muito voltado paraas crianças da primeira infância
né olhando sempre a intersecção de gênero raça e idade Então desde sempre na minha casa Eu falei sobre Relações raciais e quando eu me formei no começo dos anos 2000 fui trabalhar com a professora Sid Bento né que a Wi já falou sobre ela então é uma das principais referências eh no Brasil do do estudo de branquitude ela é fundadora do Cert que é o centro das relações de trabalho e desigualdade Então ela foi Eleita pela de Economy uma das 50 pessoas mais influentes no campo de diversidade então eu brinco que eu sou filha da
Flúvia E cria da E sempre quando eu vou falar de braude eu para essas duas mulheres que são tão importantes na minha vida eu vou fazer algumas perguntas aqui mais pra gente aquecer não é para vocês responderem embora a gente vai abrir um debate depois a gente pode falar sobre isso Eh mas eu acho que essas perguntas vão norteando um pouco a minha fala né então você acha que você já foi beneficiada ou beneficiado pela cor da sua pele O que é ser uma pessoa branca no Brasil por que falar de raça incomoda tanto as
pessoas brancas em que medida uma pessoa branca Pode ser antirracista então a partir das minhas pesquisas a partir da interação com pessoas brancas falando sobre o tema eu fui formulando um pouco essas questões Espero que eu dê um pouco de contorno eh o Francisco tá me ajudando com tempo eu também tô um pouco atenta mas se eu viajar aqui na maionese você me você me Dá uma cutucada aqui então a gente que trabalha com diversidade né acha que o Google é um ótimo termômetro porque ele dá referências ele dá eh um tipo de enfiar o
dedo na Sopa para ver como é que a sociedade tá em relação a determinados temas né então quando a gente digita no Google casal criança e vai buscar na aba de imagens no geral é esse tipo de imagem que vem aparecendo pra gente e eu tô vendo algumas pessoas fazendo assim porque provavelmente já Fizeram Esse exercício né então Eh o que que a gente vai né vendo com esse exercício anedótico né a gente vai vendo que tem pessoas que não precisam de adjetivação pessoas brancas não precisam de adjetivo elas são crianças e são casais porque
se eu quiser ver casal homossexual homoafetivo se eu quiser ver casais de idosos se eu quiser ver crianças indígenas se eu quiser ver crianças negras eu preciso escrever crianças Negras crianças indígenas casais lgbts né então quando a gente vai falando de branquitude que é o meu tema aqui a gente vai começando a ter uma pista a partir desse exercício anedótico que tem pessoas que são consideradas o padrão a universalidade né E aí gente a gente tá no quarto encontro que como eu disse né Eu soube que foram encontros super potentes mas não custa lembrar né
que a gente precisa partir do pressuposto de Que o Brasil é um país racista que o racismo existe por que que eu falo isso porque muitas vezes quando eu vou falar desse tema principalmente pra plateia branca para pessoas brancas eu ainda escuto Ah mas o Brasil tem um problema social não tem um problema de raça né então a gente tem que já partir desse pressuposto de que sim o Brasil é um país racista e a gente vai falar disso um pouco mais para frente e vocês tiveram várias pessoas bem importantes Expoentes que já também aqui
vieram discutir isso com vocês né e que todos nós temos que nos implicar porque somos seres encarnados na nossa sociedade a carne nos coloca em lugar de mais ou menos vantagem né Vamos lá gente vai dar certo alguém pode passar o Ah agora foi então eu sempre faço essa pergunta né para uma pessoa branca quando você descobriu que era uma pessoa branca uma pessoa branca no Brasil pode nascer e morrer sem se Dar conta de que ela é uma pessoa branca ela pode ter estudado em escola de pessoas brancas ela pode ter estudado em Universidade
de pessoas brancas se relacionar afetiva e profissionalmente com pessoas brancas ela pode se inserir em meio os eh seja profissionais quanto pessoais só de pessoas brancas e a raça Passa ao largo né então uma pessoa branca eu posso perguntar uma pessoa de 80 anos quando você descobriu ela falou nossa Nunca tinha pensado sobre isso né E essa realidade é completamente diferente obviamente das pessoas negras que desde pequenas né se enxergam e se vem e são obrigadas a se entenderem como pessoas racializadas via racismo né Nós pessoas brancas não enxergamos a nossa raça então o que
que a gente vai falando né que a branquitude ela é naturalizada Ela percebida como padrão como algo Universal quando a gente pega aquele exercício anedótico do Google é sobre Isso que a gente tá falando sobre essa universalidade né ou as pessoas brancas se acham simples mente humanas né uma das tecnologias inventadas pelo Cert né que eu comentei aqui da Cid Bento são os sensos da diversidade então o CT entra nas organizações e faz um senso para entender como é que é a demografia né E tem duas perguntas sobre cor e Raça uma aberta e uma
fechada né então sempre vem a pergunta aberta qual a sua cor barra raça aí a pessoa vai lá e escreve A a Pergunta de baixo segundo as categorias do bge qual a sua cor e Raça né quando a gente vai fazer um depara do que sai nas perguntas abertas que são ah eu sou humano eu sou pessoa Eu Sou homo sapiens 100% das respostas foram de pessoas brancas né que a gente acha que a gente é neutro o que eu tenho chamado então do Delírio da neutralidade racial eh eu comentei que eu sou psicóloga Clínica
também então psicólogos e psicólogas aqui né sabem que o Delírio né é o Entendimento equivocado da realidade né então eu conhe esse termo muito nessa perspectiva de alertar as pessoas brancas de que sim o nosso olhar é implicado ele tem viés né ele não é um olhar uma posição neutra né Muito pelo contrário a gente vai falar dos privilégios da branquitude né o Mário Teodoro e depois eu vou que nem a Win Eu também Preparei um para saber mais então tem várias referências Mas vocês já devem Alguém já deve ter Comentado antes de mim do
Mário Teodoro ele vai dizer que no Brasil as desigualdades fazem parte da paisagem né a gente aprende a naturalizar determinados lugares tanto de pessoas negras mas e também sobretudo talvez de pessas brancas não sei se vocês lembram do mendigato tô vendo algumas pessoas assim né o mendigo gato que foi achado nas ruas de Curitiba em 2012 e causou né o Francisco é jornalista deve lembrar dessa história E vira e mexe os jornais ainda fazem matéria com ele a gente sabe o paradeiro outros também né depois se puder até comentar isso na na o jornalismo que
coloca essa luz também né então então a gente causou uma celeuma bem de gato por esse cara não poderia est nas ruas né Então teve vaquinha teve mobilização né e o Cert tantas outras organizações dos movimentos negros vem denunciando o genocídio da população jovem negra e é o tipo de notícia que a gente não vê mais Né que a gente os nossos olhos né estão acostumados e a gente pula aqui jovem que mora em Florianópolis está presa na Itália por transportar 3 Kg de cocaína ela tá transportando não tá traficando né ela né é considerada
jovem ela não é considerada traficante né E aqui embaixo tem até uma escala cromática né de quem que é jovem e quem que é traficante e aí Aí também né a gente tem dados que vem falando do genocídio entre as mulheres negras indígenas e esse dado não nos salta aos olhos a wini trouxe a gente nem combinou mas acho que a gente tá tão estarrecida com essa notícia né de que a Luna da USP ela está sendo julgada por desvio quem que diz ela enfim né Eu não sou jurista mas entendimento Ela roubou né 1
Milhão né E aqui quantas e quantas notícias né comentávamos ali nos Bastidores né Que quantas notícias não aparecem desse tipo né de pessoas negras que furtam um chocolate um detergente um sabonete e ainda tão no sistema prisional ainda estão presas sem julgamento né então isso vai falando pra gente de algo que o George zimel que é um filósofo alemão que eu gosto muito ele fala do caráter Blazer né que que é o caráter Blazer ele vai dizer que do ponto de vista psicológico a gente não tem condição de lidar com absolutamente Tudo aquilo que tá
ao nosso redor de maneira consciente a gente ia enlouquecer né então a gente vai criando mecanismos né para que a gente se distancie né dessa realidade então eu moro em São Paulo acho que eu não falei isso porque eu não gosto de São Paulo isso vai ficar registrado ou não depois a gente pode pagar essa parte mas tudo bem mas é verdade né São Paulo né a gente também comentava como tem pessoas em situação De rua né se eu saio de um lugar e vou para outro e vejo 500 pessoas em situação de rua não
consigo lidar do ponto de vista psicológico atento com toda atenção implicação porque senão vou enlouquecer então que que o Jorge zim vai falar né que a gente vai desenvolvendo esse caráter Blazer Mas qual que é a armadilha que a gente né tem aí depois como acho que uma eh uma um raciocínio né que a gente vai tendo que a gente Também vai criando uma certa empatia seletiva né então tem pessoas que eu me importo mais e tem pessoas que eu não me importo tanto né antes de eu trazer esse exemplo meu que eu atualizei meu
exemplo mas o meu exemplo anterior era da Larissa Manuela todo mundo sabe aqui da Larissa Manuela conhece a atriz todo mundo sabe da história do Milho da Larissa Manuela né Não mas a maioria sabe né que os pais dela proibiram ela de de ter dinheiro e aí ela foi na praia Né E aí não tinha dinheiro para comprar o mi isso saiu em todos os lugares né então a gente estava assim muito impressionado com a história da Larissa Manuela né concomitante a história da Larissa Manuela teve uma chacina no Guarujá que o movimento negro acusou
O Estado de execução sumária os jornais cobriram pouquíssimo isso deram foco Lara Manuela aqui outro exemplo né então a juíza que concedeu liberdade a dono de Porsche Manteve Preso o homem que furtou o desodorante preciso nem dizer acordo dessa juíza né então assim quando a gente tá fazendo né esse caminho para falar de branquitude né então que a gente começa a falar dessa naturalização desse padrão e dessa universalidade do caráter blazer e da empatia seletiva né tudo isso vai ensejando um lugar de Muito conforto para nós pessoas brancas né um lugar de muita isenção também
né ou como diz o Emicida em ismalia quem não ouviu ainda fica aqui a dica 80 tiros te lembram que existe pele Alva e pele Alva né bom que que é branquitude né Tem vários estudiosos estudiosas que falam sobre branquitude né Eh como a gente tem pouco tempo eu trouxe um recorte eu TR o Lourenço Cardoso e a SIDA Bento mas eu podia citar ali eu posso citar rut frankenberg eh eu posso citar outras pessoas que estão ali na bibliografia Eh então o que que o Lourenço o Lourenço Cardoso tem uma definição que eu gosto
muito que ele vai dizer que a branquitude é um lugar de Privilégio simbólico subjetivo material que colabora para construção social e reprodução do racismo então o que que todos esses pesquisadores e pesquisadoras vão falar falar sobre branquitude aqui é um lugar para além da cor da pele branca Brancura que é a cor da minha pele a branquitude é um lugar aonde a gente se relaciona com o mundo e o mundo se relaciona com a gente se da Bento vai dizer que a branquitude se expressa numa repetição ao longo da história ali de lugares de Privilégio
de novo a questão do lugar Volt né que são assegurados por as pessoas brancas mantidos e transmitidos para as novas gerações E aí a gente né só fazer um parênteses que eu Não vou trazer esse conceito aprofundado né mas do mito da meritocracia né porque essa herança desses lugares assegurados né é confundida de maneira proposital no meu entendimento com a tal da meritocracia né vê o quê mas ah então aqui tá bom ficou então falando um pouco dos privilégios da branquitude né Enfim acho que eu eh mencionei que a gente ia Comentar sobre eles antes
de eu entrar em alguns privilégios para trazer materialidade tem uma frase da ren do lod né de um livro que fala porque eu não converso mais sobre raça com pessoas brancas que ela vai dizer assim quando falo de Privilégio branco não quero dizer que as pessoas brancas T uma vida fácil que nunca tenham lutado ou que nunca tenham vivido na pobreza mas o privilégio branco é o fato de que se você é uma pessoa branca sua raça Certamente afetará positivamente a sua trajetória de vida de alguma forma e você provavelmente nem vai perceber bem pesqu
adora nos anos 80 ela escreveu um artigo que chamava os 56 privilégios da branquitude E por que que eu tô dando risada porque ela coloca né esse número seis no final no meu entendimento como uma reticência né porque são tantos que senão ela fica enumerando né então ela coloca lá né 46 eu falei 56 mas são 46 Então eu trouxe aqui alguns catalogados né enfim eh indexados só pra gente lembrar né então os privilégios cotidianos que eu posso sair sozinha né Posso fazer compra eu não vou ser assediada não vou ser perturbada eu vou ligar
televisão vou ver um monte de gente Branca eh representada os privilégios psicológicos né Eh eu posso ter certeza que se eu tiver né uma necessidade de assistência médica ou jurídica a raça não vai contar Com contra mim eu posso me identificar com personagens de livros e filmes que geralmente refletem a minha raça como algo positivo privilégios educacionais né Eh eu posso ter certeza que se eu for entrar numa reunião da escola da minha filha né A maioria das pessoas vão ser brancas como eu né Isso vai ser um ponto de positivo um ponto de identificação
os privilégios no trabalho eu posso contar com colegas de trabalho superiores que são geralmente da minha Raça eu posso me expressar um trabalho sem temer que a minha raça seja usada contra mim né os privilégios legais eu posso dirigir um carro e eu sei que a minha raça não vai ser algo que vai fazer o policial parar e eu sei que foi essa história que a Jussara contou aqui quem tava aqui não sei se lembra que eu fui parada no carro e eu tinha acabado de fazer o teste de covid então isso foi em 2020
E era uma época que tinha marcar o teste De covid na farmácia vocês lembram disso né então era meses até esperar conseguir fazer o teste e eu ia encontrar meu pai que é idoso enfim Então tinha acabado de fazer o teste eu tava voltando para casa o policial parou meu carro e falou para fazer o bafômetro que tinha aqui né assoprar o instrumento e eu falei que eu não ia fazer que eu tinha acabado de fazer o teste covid ele falou tá bom senhora or pode sair né e eu tenho Certeza absoluta que ele fez
isso porque eu sou uma mulher branca né então a gente pode ficar noite inteira aqui falando dos nossos privilégios mas talvez tenha um privilégio que seja talvez uns dos mais eh importantes e que raramente a gente fala sobre ele que nunca me pedem para falar sobre as pessoas do meu grupo racial eu sou Júlia rosberg ponto eu não preciso responder sobre aquela cantora branca como eu que fez aquilo aquilo Outro sobre aquele político branco como eu que também é um cara corrupto né ou sobre aquela pessoa branca como eu que fez aquilo aquilo né todas
as pessoas negras que eu conheço em alguma medida tiveram que responder sobre Pita Pelé Obama quem mais Neymar vamos lá quem mais exemplos de pessoas que ah que que você acha do pé Jojô Todinho David do Big Brother Carol conc quem Fernand beramar Então é isso né as pessoas negras são quase que eu ia falar convidadas mas eu acho que quase que obrigadas a terem uma resposta sobre outras pessoas negras como se a raça fosse a única possibilidade de identidade como se não tivesse idiossincrasias contradições Pessoas que pensam diferente né oi também não podem errar
né então eu E eu não trouxe o conceito da rut frankenberg mas a rut frankenberg vai falar que a branquitude também é o lugar de visibilidade Anonimato porque é isso eu sou eu só eu sou nem pela minha filha não precisa responder às vezes né então isso é extremamente Cruel Uma vez eu tava fazendo um projeto com falei que eu trabalho com empresas né com grande organizações que pensam as Relações raciais são organizações mesmo que tão né Aim de de de de mudar e pensar e Pensar práticas enfim e eu ouvi de uma mulher branca
que trabalha com tema de diversidade há muito tempo ela falou a seguinte coisa ela falou eu não entendo porque os movimentos dentro do movimento negro não se juntam para ter uma única pauta aí eu falei por que as pessoas e os movimentos têm direito à suas contradições as suas idiossincrasias aquilo que acreditam ou você acha que todas as pessoas negras Pensam iguais tem que estar agindo exatamente da mesma maneira né então ninguém vai exigir isso por exemplo das organizações brancas que pensam o meio ambiente Ah por que que não Greenpeace o wwf o x todo
mundo não se junta e vai pensar a mesma coisa porque cada um tem o seu jeito de pensar Cada um tem sua pauta cada um tem a sua forma né de organizar eh o que vai levar adiante como prática enfim né então acho que isso é bem importante quando a gente tá Falando de branquitude quando a gente fala dos privilégios da branquitude eu falo de Privilégio simbólico né e eu falo que o tno na gravata não são uma roupa étnica eu já parto do pressuposto que existe uma normalidade que o étnico é o outro né
ou então né quando essa pesquisa vai falar qual dessas mulheres já estudou no exterior é médica ou executiva de uma grande empresa e as pessoas apontam as mulheres brancas De partida sem eu ter feito absolutamente nada eu já posso ser lida como uma médica como uma executiva como uma pessoa que estudou no exterior e quando a pergunta é quem já foi preso e apontam para as mulheres negras de partida as mulheres negras são vistas dessa forma Então os privilégios da branquitude Eles são muito mais do que privilégios materiais são muito privilégios simbólicos também isso é
muito complexo Porque infelizmente a gente não para para discutir Relações raciais no Brasil né e as pessoas brancas como se sentem isentas acreditam que o privilégio é mérito né ah eu mereci tá aqui e aí gente tem coloquei ali nas referências também eh um livro que eu gosto muito muito mesmo que é da Laila Saad que ela vai falar eu e a supremacia Branca Como reconhecer seu privilégio combater o racismo e Mudar o mundo então se eu puder indicar um livro assim né paraas pessoas brancas eh colocarem mesmo a mão na massa eh olhando os
seus próprios privilégios e vendo como a branquitude né se interpõe no cotidiano eu indicaria esse livro e ela tem um conceito ela tem vários conceitos e eu pensei em um deles que é o daltonismo racial são aquelas pessoas que não vem cor ah eu não vejo cor né ó pessoal já tá rindo ali porque já acontece isso aqui né Então não perceba as diferenças de raça São pessoas que vão dizer assim ah eu não vejo cor eu só vejo pessoas ah eu não te vejo como uma pessoa negra ou não me importa se a pessoa
é branca preta amarela azul e rosa e quando eu ouço essa frase a mim me dá sempre eh uma ânsia de vômito né porque não existe pessoas rosas e azuis né então é você realmente diminuir e e reduzir a experiência racial da pessoa nada né ou falar que ela é uma pessoa de cor né Como se as pessoas tivessem cor né que quem tivesse cor fosse só as pessoas negras ou falar assim ah não sei Francisco acho que não aconteceu com você porque você é uma pessoa negra eu já vivi isso assim muito exato né
Eh Ou então achar que falar de raça né vai causar a divisão racial ou cotas e políticas de afirmativas são racistas E aí também né Eh quando a gente começou a discutir cotas no começo dos anos 2000 né não tinha né gente Facebook Instagram então a gente ia fazer militância No bar né E aí Eu lembro que amigos eh ditos progressistas de esquerda né Eh falavam eu sou contra as cotas vai tirar a vaga do meu filho e eu falava Mas aonde tá escrito que essa vaga é do seu filho né então eh ou vários
intelectuais que na época também assinaram um documento né que dizia falar de raça vai separar as pessoas vai causar uma divisão uma cisan Racial mas o que causa a divisão e azania racial é o racismo não é a raça né o Coach já dizia né a raça é filho do racismo e não mãe dele né então daltonismo racial é isso né quem você é não me importa então a gente parte do Delírio da neutralidade racial pra gente Minimizar qualquer experiência né racial e é um ato de gas lighting né eu venho trabalhando com o tema
de masculinidades então quando a gente vai Falar de microagressões gaslighting é deixar a mulher assim meio sem saber se ela falou mesmo então você tem certeza você falou aquilo você ficando meio doida né a mesma coisa que a gente faz né Colocar em dúvida o efeito nocivo do racismo né se eu falo nossa eu acho que você não viveu isso porque você é negro mas porque você é jornalista né eu tô tirando né Qualquer experiência nefasta do racismo na vida da pessoa eu tô dizendo que eu e o Francisco somos a Mesma coisa vivemos a
mesma experiência né E por que falar de raça incomoda tantas pessoas brancas né Eh tem um conceito da Robin de Angelo que eu também coloquei lá nas referências que é a fragilidade Branca né então o que que ela vai dizer ela vai dizer assim nós pessoas brancas né não temos nenhum repertório sobre falar de raça a gente não sabe falar de raça a gente não aprendeu né e aliás se a gente puder sair desse Assunto melhor ainda porque eu não aguento mais ouvir falar sobre raça né então se alguém vira para mim e fala assim
Júlia você foi racista a primeira coisa que eu vou fazer é me defender né Fala imagina tá louca imagina como assim racista eu eu vou ficar brava eu vou ficar irritada né eu vou ficar na defensiva por qu eu quero restabelecer o meu equilíbrio eu quero restabelecer aquele lugar de conforto e eu não tenho Nenhum tipo de repertório que me Garanta entrar numa conversa como essa falar Talvez eu tenha sido racista vamos identificar o que é racismo a gente conversava nos Bastidores ali né que infelizmente né No Brasil a gente não constituiu ainda um léxico
e um repertório do que é racismo tirando um grande xingamento tirando uma grande violência que seja indubitável o resto a gente será que foi racismo né Só que a fragilidade branca não tem nada de frágil porque que que ela vai querer restabelecer o silêncio né então não falo sobre raça não quero falar sobre isso é mimimi vocês só querem agora trazer esse assunto vamos mudar de assunto né então é um conceito importante E aí gente entrando rapidamente no mito da democracia racial que vocês já devem saber mas eu queria só recuperar ele para entrar num
outro tópico que daí eu tô caminhando mais pro Final mesmo da conversa que qual que é né Eh o mito ele foi eh difundido mais nos anos nos anos 70 mas ele né nasceu ali nos anos 40 né e qual que é a premissa o Brasil não é um país racista Essa é a premissa do mito da democracia racial E aí quando eu falo lá no começo da nossa conversa né a gente tem que partir do pressuposto que né a gente tá num país racista é porque ainda né a gente ouve que o Brasil não
é Racista então a premissa é oportunidades iguais para todo mundo todo mundo tem a mesma oportunidade e o que rege o mito da democracia racial é a meritocracia você se esforça e você chega lá o filho da pessoa que mora numa comunidade interior da Bahia teria a mesma condição de asender como a filha da Xuxa é esse que é o princípio né da meritocracia eu me esforço eu avanço Quais são os impactos né as pessoas negras são culpadas por não ascenderem que afinal de contas né não estão fazendo não estão se esforçando e as pessoas
brancas se isentam né de qualquer tipo de responsabilidade que afinal de contas é algo individual né então infelizmente né o Brasil difundiu como rastilho de pov esse mito ainda hoje né algumas pautas dos movimentos negros T que ser né na destruição desse mito Então em vez da gente gastar Energia pensando outras coisas fica gastando energia e fala sim o Brasil é racista né E aí o mito vai trazendo alguns dados né como esse então Uma clássica pesquisa da folha né que 95 depois foi uma publicação racismo cordial a pergunta era o Brasil é racista sim
o Brasil é racista né 89% pergunta seguinte você é racista não não sou racista Isso foi em 95 2003 perceu Abramo 91% das pessoas sim Brasil é racista 4% falaram que eram racistas o ano passado IPEC 81% sim o Brasil é racista 11% só falaram que eram racistas então o que que a gente vai falar que o Brasil um país racista sem racista ah todo mundo reconhece que o Brasil é racista mas ninguém se reconhece como racista E aí até uma coisa que depois a gente pode aprofundar nas conversas porque eu e a Win a
gente Gosta muito de né de trazer elementos para isso para tentar entender Por que se dá essa lógica né então uma das coisas obviamente é o mito da democracia racial que a gente aprendeu isso e fica reproduzindo né florestan Fernandes dizia que o brasileiro tem conceito de preconceito Então não sei o quanto isso entrou aí né a outra coisa é repertório não temos repertório acho que eu já falei um pouquinho disso né não temos repertório do que que é racismo né Se não é uma grande violência algo que salte aos olhos e que seja assim
unânime o resto a gente não sabe muito bem mas tem uma coisa que eu também acho bastante importante a gente discutir aqui que a Rob deelo vai chamar de dicotomia bom e Malu né então o que que ela vai dizer né que a gente por não ter repertório né Eh a gente não consegue saber muito bem né O que que é racismo o que que não é mas a gente sabe quem são as pessoas Racistas e quem são as pessoas não racistas Então as pessoas racistas são ignorantes são intolerantes são preconceituosas mesquinhas ultrapassadas são pessoas
mas e as pessoas não racistas são progressistas instruídas desoladas abertas democráticas são as pessoas boas aonde que a gente vai se situar nesse lado bom Alguém vai querer falar que é mal que é mesquinho ignorante não a gente vai lá e fala o Quê eu sou não racista porque eu sou tudo isso né E aí eu preciso fazer o quê nada né que eu vou falar que a culpa do racismo estrutural eu já me posicionei como uma pessoa não racista eu já disse para vocês eu não sou racista vocês querem mais o quê de mim
Ah tá eu posso até dizer isso é culpa do racismo estrutural que agora as pessoas brancas aprenderam né Eh esse nome eh e dizem que cometeram racismo estrutural exato né então é um é uma Mecânica que se a gente não presta atenção a gente acaba reproduzindo porque a gente precisa entender que o racismo ele se dá nas nuances ele se dá nas interrelações E aí Vocês que são da escola vocês estão dentro da sala de aula vocês sabem que o racismo não é só quando aquele aluno Branco xinga o aluno negro descaradamente vocês sabem que
isso se dá nas relações interpessoais de maneira mais Sutil né e e a gente precisa começar a nomear Então até tenho falado pras escolas eu falei que eu tenho uma filha né de 14 anos e ela estuda eh numa escola de São Paulo num escola particular que chama São Domingos e a escola tá eh a gente criou um comitê então de políticas antirracistas né e uma discussões que a gente fez que é como que a gente vai discutir ações antirracistas se a gente Não sabe o que que é o racismo como ele se dá aqui
né então a gente tá criando protocolos para entender como é que o rascismo se dá vamos olhar como é que ele acontece né indexar até fica a sugestão aí porque eu acho que é algo interessante né E aí Francisco juro tô indo bem pro final eh se da bem tu cunhou esse termo né o pacto narcísico da branquitude também as anteriores a mim já devem ter falado bastante né então que que a Cida foi fazer né na Psicologia social ela falava assim não acho que as pessoas brancas façam com luio da meia-noite à 6 para
saber como que elas vão excluir as pessoas negras dos espaços de poder né e via psicologia social ela foi pesquisar esse fenômeno que ela cunhou então como pacto narcísico da branquitude tem um livro pacto da branquitude que que ela vai dizer né que nós pessoas brancas a gente cria um acordo Silencioso Então esse acordo não é escancarado a gente se contrata né a gente se indica então quando a gente vai ver no sensos do CT também como que você entrou na organização as pessoas brancas a maioria por indicação que já tão lá dentro a v
indicar o amigo o primo tio né Então as pessoas brancas já estão e continuam né então é um acordo né que a gente vai garantindo fincando o nosso lugar que é O lugar do privilégio que é o lugar do silêncio e é um lugar que erroneamente e eu acho que até nefast a gente fala que é meritocracia tem um conceito que eu venho trabalhando mais recentemente principalmente pós George Floyd em 2020 e nunca se viu tantas pessoas brancas engajadas no assunto né então black live mer nos Estados Unidos muitas pessoas brancas engajadas mas alguns ativistas
Negros TM trazido uma reflexão que eu gosto muito eu trouxe aqui oima ivela que é um escritor americano nigeriano que ele vai falar Justamente que a gente muitas vezes entra nesses movimentos com ObaOba uma superficialidade muito grande então eu lembro muito eh do quadrado Preto vocês lembram disso que na internet na na no Instagram então Eh teve um movimento que as pessoas brancas colocavam né fazend um quadrado Preto ali falava Ah sou antiracista Enfim né Que que aconteceu depois disso nada né a gente saindo bonito na foto porque ninguém mais pode falar que é racista
porque ninguém pode estar Desc desse assunto né só que isso tem uma perversidade muito grande porque além de a gente ocupar espaços também a gente não aprofunda para ter uma mudança sistêmica real né como que a gente tá aprofundando de fato então muitas vezes quando eu vou trabalhar em empresas Organizações e Elas falam assim ah queria fazer uma campanha né Eh pro dia 20 falando sobre né Eh o dia da consciência negra trazendo pessoas negras a pergunta que eu sempre faço Tá bom mas que que você tá fazendo da porta para dentro porque não adianta
porque porque hoje se você fizer uma uma propaganda só com pessoas brancas homens brancos heterosexuais se gêneros você não vai mais ser muito bem visto assim né mas o que que eu tô fazendo de fato Por uma mudança sistêmica né então eu tenho refletido muito sobre o ativismo performático né Eh pouca reflexão e muito ObaOba né E aí a la sad vai falar dessa aliança ilusória né que muit vezes a gente vai estabelecendo né em relação às pessoas negras em relação ao movimento antirracista né e eu gosto muito dessa primeira eu aprendi que tem isso
aqui ó eu gosto muito dessa primeira parte aqui que ela vai falando Que muitas pessoas estão passando né Eh para um ativismo sem fazer uma reflexão no seu próprio racismo eu passo a postar coisa a falar sobre o assunto mas e eu né dentro de mim mesma o quão racista eu sou quão racismo eu posso estar reproduzindo né então ela vai falando também né de ser uma pessoa aliada tokenizado pessoas negras eu não sei se vocês estão eh tem familiaridade com o tema de tokenização pegar uma pessoa negra Colocar ali num lugar de destaque e
falar temos pessoas negras né agir como pessoa aliada em público e prejudicar as pessoas negras nos Bastidores isso é muito comum então quando a gente tá trabalhando em empresa falar nossa que legal Vamos fazer campanhas mas na hora de falar vamos fazer uma política de ação afirmativa Vamos colocar vaga 100% para pessoas negras ah veja bem não é Gun tá assim né Eh e fazer Ah isso daqui gente isso eu Vejo bastante Vamos ser exageradamente simpáticos e simpáticas com pessoas negras né que é para mostrar que eu sou uma pessoa branca bacana né E aí
né é um pouco pensar essa pessoa aliada que tem que ser de fato autêntica né Eh palavras superficiais slogans né ou compromissos pontuais estão cada vez mais criticados né então se você se coloca uma pessoa branca de fato aliada né Eh a luta antirracista Né você tem que fazer a sua lição de casa e a sua lição de casa de verdade é nos lugares que eu ocupo como que eu posso trazer mais pessoas negras qualificar o debate né e o que que a gente pode fazer né saindo do discurso e para ação a primeira coisa
que eu tenho falado para as pessoas pessoas brancas é sair do lugar de autocomiseração e autoindulgência né aquela pena ai agora que eu descobri que eu sou uma pessoa Branca meu Deus do céu nunca tinha pensado nisso Francisco me ajuda né Eu não sei mais o que que eu faço eu tenho 45 anos e nunca pensei sobre isso e agora o mundo né Caiu chega vai tratar disso na terapia né Eu Tenho pensado muito na questão de proporcionalidade versos representatividade eu tenho birra da palavra representatividade porque eu posso ter uma pessoa negra uma pessoa TRANS
e falar eu tenho Representatividade trans tem representativ não então a gente tá falando que o Brasil tem 55% de pessoas negras 55,5 para ser mais exata segundo o último senso faça o teste do pescoço onde que elas estão não estão então o que que eu vou fazer para elas estarem né E não é só na base da pirâmide em todos os níveis hierárquicos né e racializar gente todas as ações né pensar pelo viés racial né Eh tô fazendo um projeto na sala de aula eu tô Pensando pelo viés racial né eu tô escrevendo né uma
política paraa escola eu tô pensando né no viés racial porque outra coisa que a gente comentava é que infelizmente né a lei 10 639 eh é uma lei que não garantiu de fato essa mudança né obviamente que a gente tem um avanço mas que a gente ainda precisa né olhar com intencionalidade para as ações que a gente tem feito dentro da escola né E a questão é né gente Como o racismo se manifesta e não se ele se manifesta a Gente gasta muito tempo pensando ah será que ele tá né não como que ele está
inscrito nas relações escolares Como que ele está inscrito no nosso cotidiano e eu tô falando escolar porque a gente tá nesse ambiente mas eu falo isso pras empresas né Como que o racismo está inscrito no cotidiano organizacional né então fazer esse trabalho aí e aí deixando então também né o Instagram da tecidas eh tem várias materiais lá também Preparei um para saber mais até tinha mandado já também num p e o meu e-mail então também agradecer aí né pra gente abrir o [Aplausos] debate que falando dessa coisa Daila né que eu sempre falo também do
lugar de fala porque infelizmente a internet popularizou esse termo de o entendimento muito né Desse termo que lugar de fala virou o lugar que eu posso me silenciar N o lugar de silêncio né E na verdade o lugar de fala né nada mais é da onde que eu estou emanando todo o meu conhecimento a minha leitura e minha visão de mundo que como eu disse né não é neutra então quando eu falo que eu sou uma mulher que eu sou uma mulher branca bissexual C gêner AD demissexual 45 com mais M da Antônia sudestina e
né eu tô colocando os meus marcadores identitários Porque a partir deste lugar que eu tô olhando o mundo e fazendo os Meus estudos né então isso é importante assim que a gente não caia nesse nessa cada nessa armadilha de confundir lugar de fala com silêncio porque ficou muito fácil para as pessoas brancas falarem Ah não é meu lugar de fala e E aí eu acho que tem outra coisa né que a gente precisa eh considerar que quando a gente fala de Relações raciais a gente tá falando de algo que é relacional né a gente não
tá falando de pessoas negras lá e pessoas brancas aqui se o mundo não Tivesse né se o Brasil não tivesse pessoas brancas não teria racismo né então como é que nós pessoas brancas que vamos produzindo racismo E aí eh como é que as pessoas brancas podem estar na causa né primeira coisa obviamente né se implicando acho que aquela acho que aquela última aqueles últimos slides assim principalmente o que vai falar de R ar a gente não perder de vista a racialização de todas os projetos debates eh enfim propostas ações que a Gente vai fazendo no
nosso cotidiano eu tô eu tava discutindo eh com uma numa escola eh particular lá de São Paulo e aí eu virei para diretora e falei uma coisa assim a gente não pode racializar a discussão quando convém porque muitas vezes fala assim ah era aquela professora negra que tava falando aquela coisa mas quando é Uma Professora Branca ninguém fala então era aquela professora branca que tava Falando aquela coisa então ou a gente não racializada ou a gente racializar agora me interessa racializar agora não me interessa né então acho que é um pouco isso e como é
que eu comecei com a minha mãe e a SIDA Bento né que grandes inspiradoras aí então acho que meu legado bom eh eu queria eh complementar né pensando também na na na importância da responsabilização né o quanto que é Fundamental as pessoas se responsabilizarem né porque né de novo Acho que você foi trazendo isso né Francisco de que eh não foram as pessoas negras né que inventaram o racismo Então qual que é a minha participação nisso qual que é né mesmo que eu não tenha uma intencionalidade Mas qual que de que maneira que eu eh
me beneficio E aí eh Enfim então como eu vou me colocando nesse debate como que vou me colocando nas construções para Amenizar né enfim para buscar a superação ou os caminhos possíveis para lidar né então a o quanto que todo mundo precisa se implicar na discussão e que tem tem tem lugar para todo mundo né a partir da sua realidade a partir das suas vivências das suas experiências né inclusive do seu lugar de Privilégio né porque existem coisas então ou ou situações que é é a pessoa branca que vai ter que discutir que vai ter
que representar às vezes num grupo de outras Pessoas brancas né porque por vezes a pessoa negra quando traz a questão vai ser colocada como a mimimi né então Existem momentos e momentos situações e situações e papéis que devem ser compridos né e reflexões que devem ser feitas a partir do lugar né que a pessoa ocupa na sociedade então todo mundo tem lugar para discutir né e Equidade racial