Então temos o prazer de continuar ouvindo um profissional contando sobre agora o seminário maior, a passagem para São Paulo. Realmente é um passo significativo do interior para São Paulo, de um tipo de internato mais severo; a gente só saía nas férias para o outro regime, mais adulto, digamos assim. Mas lá no Ipiranga a vida também foi muito interessante; era um seminário super bem organizado e um corpo docente completo.
Basta dizer que era um corpo docente episcopal: viveram praticamente 10, 12 professores padres que, dali a 25 anos, já eram bispos: na de Piracicaba, de São Carlos e Ribeirão Preto, por aí. Então, eram pessoas que tinham uma formação respeitável. Não que todos corresponderam, francamente falando; a gente tinha algumas reservas.
Eu me lembro de um que, até em círculo íntimo, entre colegas, a gente até brincava. Era um padre que era muito devoto, isso eu achava muito positivo, de São Francisco de Sales. A gás, alguém que influenciou muito eu considero.
Muito dois franciscos: de assistí-lo, Sales e a. . .
Se não precisa falar por Renan, mas de Sales não é tão conhecido. Vamos além dos salesianos que vêm do espírito dele: era um grande padre que se marcou muito pela prática da abrandamento, da paciência, da bondade e da prudência. Uma frase dele, Dom Aguiar, vice estava muito, e eu também cito e procuro viver: "o bem faz pouco barulho; o barulho faz pouco bem".
Que nem esse padre falando de Schaars: ele às vezes trocava as palavras. Na história da Igreja, também uma vez ele se confundiu: em vez de falar o concílio de Basileia, em Milão ele falou. .
. ou nós inventamos. Ele falou concílio de "bar vilão" e "milê".
Aí a gente falava: "não, lê, não deixa de ler um grande livro que fala de São Francisco de Sales". O título era realmente "Pensamentos Consoladores de São Francisco de Sales". Agent divertia os pensadores, consolar os momentos de São Francisco de cima.
Mas a grande maioria dos professores era espetacular; assim, a gente estava. . .
o que era a proposta? Logia, filosofia, sociologia, psicologia, história da Igreja. .
. tudo. Então, no âmbito assim da filosofia, e é claro, dentro da filosofia do Santo Tomás de Aquino, isso era bom.
Eu acho que sim, no sentido de que a gente arrumou a cabeça, digamos assim. Tem uma metodologia, tem uma estrutura mental. O lado negativo, eu não diria que era o negativo.
Hoje eu acho que isso deveria ser, e por muitos de nós foi feita uma. . .
não digo uma reversão, mas uma transição; é transição. Maior palavra rica: a vida é uma transição. Se fala em travessia, que é palavra riquíssima, mas a travessia é transitar; é transitar do parado para o movimentado, do arborizado para o seco, do movimentado para o tranquilo.
Essas transições são fundamentais até para a gente não ficar na obesidade do Paulo. Então a gente devia transitar e eu, pessoalmente, acho que transita do turismo para, por exemplo, o personalismo. Personalismo no sentido filosófico, não no sentido típico de a pessoa se cultuar; egoísmo sim, mas no sentido de valorização do sujeito: pessoas de qualquer ser humano, o que varre a rua como o que constrói a casa do padre, como do médico, de todos, como sujeito e não objeto.
Isso eu procurei aprender através de leituras, através de análises, reflexões, passando depois da filosofia para a teologia. Aquela primeira fase foram três anos lá no Ipiranga. Nessa fase do Ipiranga, eu devo ressaltar também um momento interessante: quando estava no terceiro ano da filosofia, havia uma tradição de nós fazermos uma campanha missionária.
Naquele tempo, a Igreja Católica no Brasil tinha uma preocupação muito grande com as missões estrangeiras; é interessante lembrar que hoje a gente está muito mais preocupado com a comissão interna. Francisco está insistindo tanto na saída, com os cristãos e as periferias todas, a gente também está preocupado com a Amazônia, sim, com os indígenas. Naquele tempo, a preocupação era com a África.
Então, a campanha missionária era levantar fundos, dinheiro para mandar pra lá, e isso era feito no 3º ano do curso de filosofia. Era uma campanha; o mesmo era feito pelos da teologia. Eu fui nomeado chefe da campanha missionária no ano na área da filosofia.
Uma luta. A gente tinha que sair às quintas-feiras à tarde para pedir dinheiro na rua, assim, que vender terço fabricado por nós dentro do seminário ou vender tantas adinhas de satisfeitos com o papel, um papel. .
. não me vem o edital vegetal. Havia colegas que tinham habilidade até para pintar um pouquinho.
Resultado: nós ganhamos a campanha! Ganhar a campanha. Esse é o resultado público.
O resultado pessoal: eu tive, hoje eu falo "estresse", naquela época era esgotamento. Aí o retorno me chamou e falou: "você vai pra casa, vai passar lá no mínimo uma semana para descansar e depois volta". Interessante.
Disse que foi uma visão interessante; naquele tempo, ir pra casa fim era assustador em mim, mas eu fui tranquilo. É interessante lembrar que quando cheguei em casa, com a minha malinha, abri no quarto lá para minhas coisas, depois fui à copa onde havia um armário onde mamãe guardava alguns livros. Ela representava, olha que a heroína super católica: ela representava a editora Ave Maria.
Então ali tinha algumas obras, além da Bíblia, outros livros. Eu fui abrir. .
. o que aconteceu? Pulou um gato na minha cara!
Impressionante! Não sei como é que ele entrou, só sei como é que ele saiu. E depois, então, mostrei.
. . nos quatro anos de teologia, os 48.
. . teologia, aí é tudo na visão realmente da teologia, continuava a visão tomista.
Grandes professores, 1º, 2º. . .
Quando chegou o terceiro ano, tive uma agradabilíssima surpresa: fui chamado de novo pelo reitor, dizendo: "você foi escolhido". Para ir para Roma era uma coisa realmente um prêmio. Em anos, em falar que eu sou de família italiana, né?
Pai é italiano. Papai nasceu na região da um briga, não muito longe de Assis, e a família veio no final do século 19 para o Brasil. Ele se estabeleceu em Dourado, lá perto, mais perto de São Carlos, no fim onde ele tinha um pequeno negócio.
E aí é interessante eu voltar um pouco atrás. O papai era calma, era o equilíbrio, não era religioso. Tem um fato interessantíssimo: uma mãe super católica, e quando foi casar com ele, mamãe "tem que ser na igreja".
Ele topou. Na primeira noite, papai e mamãe já estavam no colo. Papai já estava no quarto; a mãe entra, papai mostra o crucifixo que ela tinha posto e diz: "Olha isso!
Não autoriza colocar. " E a resposta da mamãe foi: "Ou ele, ou eu. " A primeira noite aconteceu com o crucifixo, crucifixo que eu tenho até hoje em Otsuchi, em Iwate, perto da minha cama.
Posteriormente, com o exemplo da mãe e da luta toda, ele se tornou super praticante católico. Um exemplo. Sim, mamãe ao contrário, sempre muito piedosa, muito rígida com ela e com todo mundo, e morreu.
. . com dois outros filhos.
Morreram, sim, mas criou 11, todos formados. Muito preocupada, o papai falava: "Elvira, você é uma formação ambulante. " Tomava muitos remédios, mas era um exemplo e é o equilíbrio.
Papai, nos negócios, tranquilo. O último negócio que ele teve foi dentro do mercado municipal, anexo ali ao armazém da placa que existe até hoje. Mas entre o armazém da Pac e a barbearia que existia, havia o box do papai, simplíssimo, porque ele vendia queijo que vinha de Koch, linguiça que a mãe fazia em casa, e aos sábados, ravioli que a mãe fazia em casa.
Era interessante trazer aquele material de casa; minhas irmãs que traziam até o mercado e vendia o que sobrava era um sábado e um domingo super bom. Assim, a viola e 18. Mas isso para dizer que eu fui chamado a Roma, filho de italiano, e morar em Roma era uma maravilha.
Lá em Roma, fazer o quê? Fazer teologia na Universidade Gregoriana, assim, uma grande universidade lá do século 16, internacional. As aulas eram todas em anfiteatro, gente de todos os países: todos nós, brasileiros, alemães, portugueses, africanos, asiáticos, e o professor da nobreza com o microfone, tudo em latim.
As aulas em latim. E aí, professores de todo tipo: professor alemão, professor africano, professor italiano, mas todos falando em latim. Claro que quando a via.
. . é algo marcante, um concurso especial, é o professor francês, a laure francesa, ou inglês, ou em alemão.
Mas esse curso em Roma foi super importante pra mim, é porque aquele curso, na realidade, não era a graduação em teologia, era mestrado. E mestrado, eu me lembro que terminei fazendo uma dissertação a partir do Sermão da Sexagésima, dos bons amigos semeador do padre Vieira. É bom a minha dor segmentos e saiu semeadura com a fim, ganhando belíssimos irmãos, em que eu procurei analisar teologicamente.
Foi aprovado. Essa foi a minha tese de mestrado em teologia na Universidade Gregoriana. O curso, então, foi muito bom e me proporcionou essa formação teológica.
E também, é claro, nas folgas, nas férias, a gente viajava. Procurei conhecer muito da propriedade. Eu tinha parentes no local, convivi com uma tia, irmã do pai, que morava em Roma.
Ela faleceu, eu estive lá, e primos também. Isso fazia com que as visitas, o contato, aquilo que às vezes a gente lamenta: a pessoa passar 15 dias em Roma e dizer que conheceu, o absurdo. Ou às vezes passar 15 dias na França e dizer que conheceu a França.
E o pior: chega ao Brasil e faz palestra, r 40, e eu posso dizer que conheço muito bem a Itália, o povo italiano. Andando de ônibus, andando nas ruas, uma coisa que eu gostava imensamente de fazer era, em qualquer folga, ir ao centro de Roma, ao Vaticano. Eu entrava na Basílica de São Pedro, mas não ia fundo.
Não entrava. E logo à direita, parava para me ajoelhar perante a Pietà, a obra de Michelangelo. Aquilo não é só escultura, não é só arte; aquilo é transcendência, imagem, espiritualidade absoluta.
É a maternidade transcendente e é o Cristo presente nos ombros delas e no nosso alcance. Sim, aí, nesse tempo que eu estive em Roma, nesta primeira fase romana, eu só posso agradecer a Deus e aqueles que me viram, me escolheram para mandar para lá. Muito bom.
E depois disso, dentro desse tempo todo, foi bom ser cutucado. Estava esquecendo esse importantíssimo. Eu estava lá como seminarista, fim para mim, formando padre.
E, de fato, estava tudo indicado pra isso. Tanto que chegou o momento de receber o diaconato. O diaconato eu recebi na Igreja de Santo André, Vila Marli, ali, não dentro do Vaticano, numa avenida romana importantíssima.
Fui ordenado diácono, 11. . .
11 um primo meu, meus primos tiveram um filhinho. Eu fiz o batizado, fui celebrar o batizado desse nenê. E aí chega o momento de voltar para o Brasil, enfim, padre, e eu vendo os colegas ordenados presbíteros lá em Roma, e eu dizendo a todos: "Eu não, eu vou morder na padre em Sorocaba, pelo bispo que me deu bolsa de estudo desde o primeiro ano, com 11 anos de dar dó".
Eles até gozavam, "no ordenado por um cardeal em Roma". Quem sabe até pelo Papa, que era o grande sonho de muitos. E eu insisti e, de fato, vi que era aproveitar e voltar para o Brasil.
De trem subindo, Florença, Milão, Gênova, depois do caminho para o país, Lourdes. Depois, Fahel, Lisboa, Fátima, e peguei um navio em Lisboa para voltar. Cheguei ao Brasil nos primeiros dias de agosto de 1952, para ser ordenado no dia 15, no seminário.
Nesta altura, o seminário já estava todo completo, inclusive a igreja, e fui ordenado no dia 15 de agosto de 1952, na Igreja São Carlos, por Dom. A primeira missa foi na catedral, no domingo seguinte. Depois, Dom Aguirre me chama e diz: "Você vai ser código Tôr auxiliar do vigário lá", e te enche de garantias boas.
Você vai para Ti, roupa T. T. , e ficou lá até o finzinho de dezembro, porque antes do Natal, Dom Blago já me chama de novo e você volta para trabalhar com o professor no seminário.
Que bom! Então, vamos dar uma pequena pausa e, em seguida, contar a história do médico.