Sejam bem-vindos e bem-vindas nesta nossa conversa de hoje com o Anderson do Amaral. Seja bem-vindo, Anderson! Boa noite!
Boa noite, Roberto! Que alegria poder estar aqui com você, querido professor! Boa noite!
A alegria maior é nossa, Anderson. O Anderson do Amaral foi nosso aluno lá no Getúlio Vargas, durante o curso de Análises Químicas. Na época, ele se chamava Curso Auxiliar de Laboratório e Análises Químicas, na Escola Municipal de Getúlio Vargas.
Ele foi meu aluno lá de 1983 a 1985 e participou, logicamente, do festival interno de teatro Getúlio Vargas. Hoje, então, nós vamos conversar aqui, trocando algumas ideias a respeito dessa sequência da vida dele profissional desde aquele período. Vou falar rapidamente um pouquinho do currículo dele e depois nós vamos conversar com ele, porque quem vai contar a história é ele mesmo.
Depois do Getúlio Vargas, ele fez a graduação na Faculdade de Tecnologia de Sorocaba (Fatec), onde se formou como tecnólogo em Processamento de Dados. A pós-graduação dele, ele fez um mestrado na Universidade Federal de São Carlos, no campus de Sorocaba, em Ciência da Computação. Depois disso, ele, na verdade, foi durante 20 anos programador e desenvolvedor de softwares.
Ele entrou, já em 1990, como professor na Itec e está até hoje. Já se passaram 33 anos que ele está na Escola Técnica de Fernando Prestes, aqui de Sorocaba. Atualmente, ele é coordenador dos cursos técnicos em Informática e Desenvolvimento de Sistemas.
Ele começou essa função em 2010. Além disso, ele vai contar um pouquinho também sobre seu pai e mãe: Antônio Paulo do Amaral e Lúcia Maria do Amaral. Ele também nos contou, e eu já sabia alguma coisa, que toca violão, teclado, contrabaixo e canta.
Na verdade, ele começou a aprender a tocar sozinho; aliás, ele só aprendeu a tocar todos esses instrumentos sozinho. E até hoje ele canta também. Dentro da leitura, ele gosta muito de ler sobre filosofia e teologia, pensa bastante na vida.
Durante o festival do Getúlio Vargas, ele participou do grupo Entreatos, que se transformou, depois, no Núcleo Entre Atos de Teatro, que existe até hoje. Em 1985, ele participou da peça "Sobre o Signo de Atalante", onde recebeu o prêmio de ator revelação. A peça era do Marcelo Marra e Elisete Martins.
Depois, em 1986, participou de "Escola de Máscaras", se não me engano, ganhando o prêmio de melhor ator, né, Anderson? Melhor ator. Em 1987, ele participou do "Feedback"; naquela ocasião, foi no Teatro do Sesi.
Depois, ele também teve mais apresentações do "Feedback". Ah, daí ele também participou ainda junto do grupo Entreatos, se apresentando principalmente no próprio Sesi. Ele participou do Deb Deb e, em 1990, foi no projeto Ícaro de Teatro.
Depois, participou também de "Por Não Ter O Que Fazer, Fui à Revolução", que era do grupo Entreatos, e depois, em 1992, a "Pândega" no primeiro festival de teatro amador de Sorocaba. Depois, vocês se apresentaram também, né, Anderson? Se não me engano, com essa peça em Sumaré.
Vocês foram apresentar em Sumaré, porque eu sei que houve uma apresentação dessa peça no festival de teatro em Sumaré. Você esteve? Você foi?
Também participou fora de Sorocaba? Não, fora de Sorocaba não fui. Ah, então você não foi junto.
Aí, depois, ele também participou e começou a participar de alguns grupos da comunidade Sagrada Família. Ele vai contar para nós depois com maiores detalhes, onde passou a participar como, inclusive, diretor, ajudando a montar os eventos como diretor teatral. Ele se apresentou com um projeto musical chamado "Querigma", com 12 cenas envolvendo a história de Cristo.
Nesse contexto, sei que tiveram 16 músicas, sendo 12 músicas autorais e nove eram composições do próprio Anderson. Depois, ele vai contar também a sequência da história dele até hoje. Mas, primeiro, o Anderson vai começar contando onde você estudou.
Eu vou deixar você falando; vou te cutucar um pouco, mas conta para nós: onde você nasceu e onde você estudou? Começo dessa sua formação! Vai contando para nós, tá certo?
Que alegria essa oportunidade, né? Então, eu nasci em Sorocaba, na Vila Carvalho, pertinho de onde hoje é o Carrefour Sônia Maria. Minha mãe conta que a nossa história começou a ser construída com os contos das tias, das avós e das mães.
Essa história veio pela boca da minha mãe; ela conta que estava grávida de mim quando chegou a hora de eu nascer. Ali no sobradinho da Vila Carvalho, a minha bisavó, a dona Esmeralda, que era parteira, não deixou que a minha mãe fosse para o hospital, dizendo: "Olha, doutores nasceram na minha mão; não vou fazer o parto do meu bisneto. " Então, foi o último parto que a minha bisavó Esmeralda fez.
A partir dali, tivemos a experiência de morar em São Roque. Aliás, o meu nome é uma homenagem a São Roque, Anders São Roque. Quando eu nasci, meu pai trabalhava em São Roque como militar, o Antônio Paulo do Amaral.
Acho que as coisas já começaram a dar certo aí. Entendi, então o "Roque" veio por causa da cidade mesmo. E aí, meu pai, como trabalhava como militar, ele viajava muito; começou em São Roque, depois foi transferido para Piedade, depois para Ibiúna.
Então, nós mudamos muito de casa. E aí, ao adquirir a sua primeira casa própria ali no Jardim América, eu comecei a estudar. .
. A primeira série no CES do Jardim Sandra, eu sei. A professora Dona Elsa é linda, a primeira professora de que eu me apaixonei, né?
E aquela atenção, ela é bonita mesmo, chega a lembrar o nome dela: a Dona Elsa. Não vou lembrar o sobrenome da Dona Elsa, mas o rosto dela eu lembro até hoje, né? Como eu gostava de ir à escola, né?
Por causa da professora, né? E tudo que a gente aprendia também, né? Aí, a primeira e a segunda série foram então no Jardim Sandra.
A partir da terceira série, fui para a escola Estadual Silo Freire e fiquei ali estudando até a quinta série. O Silo Freire. .
. isso daí, a sexta, a sétima e a oitava séries, foram no Roberto Pascoali, que, no caso, funcionava no prédio da ITEC Fernando Prestes, onde hoje eu sou professor, né? Então era uma escola de primeiro grau na parte da tarde e a escola de segundo grau à noite.
Assim, comecei ali e foi, né? Por causa de mudar bastante de lá para cá e daqui para lá, todos os vínculos com colegas que eu tinha, os grupos de amigos que se formavam, eu era obrigado a romper, né? Eu sempre chegava, por exemplo, quando começamos a morar aqui; saímos do Jardim América e viemos morar aqui no Uro Fino.
Era um bairro que estava nascendo, então um bairro que não tinha tradição nenhuma, não tinha cultura nenhuma, todos eram estranhos. Aí eu percebi a necessidade de começar a desenvolver coisas individuais, né? As coisas que dependiam só de mim.
Surgiu o tocar, o cantar. . .
eu aprendi rápido, ou seja, tem coisa que dependia de mim somente. Para você aprender a tocar, o que você usava para aprender sozinho? As famosas revistinhas da banca, porque na época, inclusive, não tinha internet, né?
Então as revistinhas de banca que vinham com as músicas das novelas, Roupa Nova, Javan, essas coisas. E sozinho, você não teve orientação de ninguém? Não.
Aí, mais tarde, na igreja, encontrei alguns colegas que também tocavam. É claro que até hoje a gente continua aprendendo, né? Mas no começo, ali, é o meu interesse.
Meu pai, na verdade, tentou me colocar numa escola quando eu tinha 9 anos, mas não deu certo. Depois ele tentou me colocar na escola da Maestrina R, que era na Rua 15, para fazer piano e música. A professora R foi do Jú, também era a maestrina.
. . é, ela mesmo.
Era ali na Rua X, a escola dela, e eu me lembro que ela me deu meia bolsa para estudar. Eu lia partitura e tudo mais, mas uma época ela ficou doente e, quando cheguei na escola, estava fechada. E aí não tinha nenhuma plaquinha dizendo: "Ó, estamos atendendo em outro lugar".
Como eu gostava de jogar futebol, o futebol também era na quarta, acabei deixando a escola. Meu pai perguntou: "Não está tendo mais aula, fechou a escola? " Mais tarde, quando fomos fazer o porquê não ter.
. . o que fazer, foi a revolução.
O Marcelo Marra convidou-a para nos reger num coral, né? Que íamos cantar ali. Eu matei a saudade dela, dei um grande abraço na professora Rute e falei: "Professora, eu fui seu aluno de piano, mas a escola fechou.
" Ela falou assim: "Não, filho, eu comecei a atender em casa. " Ela morava ali na Santa Clara, na Galeria Santa Clara. E aí junto as coisas, né?
Claro que nem mesmo eu imaginava que, depois, mais tarde, eu ia voltar a tocar teclado. Mas a gente fica sempre com aquele pensamento: "E se eu tivesse estudado piano desde aquela época, como eu não estaria tocando agora? " Mas enfim, são coisas que vão acontecendo, né?
Quando começo a contar essa questão da história, percebo que a infância foi sempre bem como brincadeira, divertida. Minha mãe falava que eu me entretinha com qualquer coisa: dava uma bolinha e eu ficava lá horas e horas brincando; dava uma tampinha de garrafa e ficava. Essa solidão não foi sentida na adolescência.
Claro, é o momento em que a gente começa a perceber outras necessidades. Aí o que aconteceu: por causa do meu problema de visão, eu nasci com a visão esquerda, ou seja, a visão esquerda só tinha visão periférica, não tinha foco. Quando chegou o momento de emprego, por exemplo, estava na área de mecânica na ITEC Fernando Prestes, surgiu a oportunidade de entrar no SENAI.
Consegui uma carta de apresentação na Motor Peças, passei no exame teórico em quarto lugar. Quando chegou o momento de fazer o exame de vista, eles tampam um olho e depois tampam o outro, o olho direito. Graças a Deus, é bom até hoje; tudo que, né, a vida tem essa qualidade, graças ao direito que foi conservado até hoje.
Mas o esquerdo tinha essa dificuldade, então sempre que tampava o olho direito para ver pelo esquerdo, não era possível: "Ele não está enxergando aqui? Não, e aqui não. " E aí sempre vinha a notícia: "Olha, seu filho não pode estar conosco aqui porque se acontecer um acidente com o outro olho, ele vai ficar totalmente cego", etc.
Isso aconteceu no SENAI. Depois aconteceu na FEPASA, mesma situação. Passo nos exames teóricos, tenho condições cognitivas para conseguir ocupar aquela vaga, aquela oportunidade, mas quando chega no exame de vista, já eles bloquearam.
E aí, como eu me disse. . .
como fala. . .
não gostei! Ou melhor, decepcionei-me com essa possibilidade de mecânica. No Getúlio Vargas também tive a mesma experiência de sair de um grupo de amigos para encontrar outro grupo de amigos, e comecei a estudar Química.
Então, estava investindo tudo em Química e Biologia, lá com o professor Dijalma, o professor Fló, o professor Marins, o professor Evaldo e o professor Roberto Samuel Sanchez. Eu ia enfrentando aquelas crises de adolescente, né? De achar-se feio, achar-se deixado de lado, e isso ia sendo enfrentado justamente com esse querer pensar.
Encontrei esses dias um pequeno diário que escrevi nessa época e separei meu ser em três: tinha o Anderson, tinha o Roque e tinha o Amaral. O Anderson era o intelectual, o Roque era o romântico e o Amaral era o esportista. Então, comecei a pensar minha vida assim, separadamente, e isso me salvou, porque eu passava horas pensando e refletindo.
O que dava certo eu anotava, o que dava errado eu procurava refletir sobre aquilo, e os personagens, Anderson, Roque e Amaral, iam interagindo na vida. E também, Roberto, quando eu mudei então para Ouro Fino, aqui, meus pais moraram a maior parte do tempo, eu não tinha amigos. Então, eu jogava xadrez comigo mesmo, jogava botão comigo mesmo, jogava pingue-pongue comigo mesmo e futebol comigo mesmo.
Seja, a bola na parede, a bola voltava. Eu jogava as peças brancas do xadrez e também jogava as pretas, e Albertão ganhava e perdia os jogos. Os jogos de botão eu narrava como se fosse o Galvão Bueno: "Ele pegou a bola, olha o que ele fez.
" E o tempo ia passando, e eu estudando e fazendo isso. E aí, quando entrei no grupo de jovens na igreja, já comecei a ter uma outra dinâmica de relacionamento, embora fosse muito tímido. Quando chegou o Marcelo Lisete na sala de aula, falando: "Olha lá no Getúlio, né?
Vamos ter um festival, estamos formando um grupo de teatro. Os interessados, vamos fazer uma reunião no Sá e tal. " Eu fui.
Uma das principais razões de meu interesse era essa: eu quero vencer essa timidez, né? Eu não sabia como ia ser, mas aquela vontade de estar ali foi grande. Aliás, sempre que surgia um convite na escola, assim como foi o coral do professor Pedro Cameron, que foi o coral do Getúlio, eu também estava lá.
Descobri que sou tenor, que classificou minha voz. Achei interessante. Nós fizemos algumas apresentações na FAPS, a antiga FAPS.
Então, tudo isso foi fazendo um grande bem para, além de fazer parte do autoconhecimento, confirmar os talentos que já estavam ali: para a arte, para conversar e para falar. Se não fosse o teatro e a experiência de premiação, inclusive no primeiro momento, a primeira peça que fizemos foi "O S de Atalante", e aí eu ganhei como ator revelação, um troféu. Então, a gente se sente reconhecido, premiado.
Na segunda peça, que foi "Escolas de Máscaras", eu ganhei como melhor ator no festival eterno do Getúlio. Estou falando que, Roberto, a qualquer momento você pode me interromper, viu? Porque está sendo muito gostoso te ouvir.
Mesmo, como você quiser, faça isso; depois eu faço algumas perguntas. Fique à vontade. Nós queremos ouvir a sua história por você mesmo.
Ah, que bom! Então, por isso mesmo, essa experiência de autoconhecimento, de descobrir os talentos e, ao mesmo tempo, no teatro encontrar pessoas interessadas com o mesmo propósito: "Vamos montar a peça! " Essa experiência foi muito boa.
Todos trocados, todos responsáveis, todos comprometidos, todos buscando atingir aquele objetivo. É claro que eu achava, há pouco, né? Ensaiar um ano e apresentar uma vez.
Mas na escola era assim. Sempre valia a pena, sempre valia a pena, porque, afinal de contas, depois a gente convidava os familiares para ir assistir ao nosso trabalho, os amigos para ir. Isso foi uma coisa muito interessante.
Os bastidores do teatro são muito bons: as piadas, as comédias, as brincadeiras e a amizade que naturalmente flui ali, né? Porque a gente começa a conversar, aí alguém não está bem, e já se transforma em uma amizade. E os laboratórios, os estudos, as pesquisas, o saber que não é simplesmente estar lá, mas é entrar no personagem, estudar o personagem.
O subino Atalante, por exemplo, estudar a época da ditadura, é o contexto político. Claro que uns mais esclarecidos e outros menos, mas quando está em cima do palco, alguma coisa igualava, ou seja, a mensagem era passada e cada um colocava de si todo personagem, montado com a própria história do ator. A gente aprende isso, né?
Então, aquela pergunta famosa: "O que desse personagem tem de você mesmo? " A gente percebe isso daí: "E se eu fosse ele, o que eu faria? Ou se ele fosse eu, o que ele faria?
" Mas, na verdade, é a mesma pessoa, tanto que está em cima do palco quanto está nos bastidores, e como quando está no dia a dia, né? E lá também, a capacidade de pensar, principalmente nas suas aulas. Aproveito aqui para te agradecer, foram muito importantes.
Porque, enquanto a gente está fazendo Química, são cálculos, matemática, são cálculos, física, são cálculos, biologia, são coisas técnicas. Mas a literatura, a poesia, que no caso as suas aulas sempre traziam, faziam contribuir com essa formação humana, essa formação. Eh, de de de caráter de personalidade, então foi lá pela primeira vez que eu vi.
Até deixei aqui pronto justamente para isso. Roberto foi, eh, a a foi lá, né? A primeira vez que eu ouvi o quê?
Essa, essa, essa poesia, esse poema que diz assim: eu vou falar para você, você vai lembrar, você vai saber, porque eu sei que é importante para você. Para ser grande, ser inteiro, nada teu exagera ou exclui. Ser todo em cada coisa; põe quanto és no mínimo que fazes.
Assim, em cada lago, a lua toda brilha, porque alta vive. Então, foi lá na aula com o Roberto que ouvi isso e isso foi utilíssimo para minha vida, porque na verdade comecei a perceber que de fato a nossa vida é guiada por conscientização, por reflexão. Nós, o aprender é refletir e, depois de refletir, escolher a melhor coisa, a melhor forma de ser, a melhor forma de agir.
Então, a isso vem esse poema, né, que eu sei que você gosta muito, eh, vem eh curar o coração da da da falta eh de autoestima, se é que existe, mas principalmente eh, é elevar e reconhecer a nossa singularidade. Singularidade, a nossa: eu sou um, eu sou único, né? E a gente é único.
Então, quer dizer, a gente ter essa visão de que cada ser, cada coisa tem o seu lugar, seu espaço, o seu valor e aí, opa! Então, ser o melhor, o melhor que eu posso ser de mim mesmo é o que me cabe. Então, isso me orientou bastante desde lá, né?
Desde lá, então, às vezes eu até pego esse poema e em algum momento, embora seja professor de tecnologia, de programação, de computação, eu reservo um momento da minha aula para recitar essa poesia e fazer algumas reflexões com os alunos. E falo para eles também que, mais importante do que a técnica, é saber pensar. Então eu falo: olha, prestem bem atenção nas aulas de Filosofia, de Ética, nas aulas de Sociologia, porque eh, o sentido da vida tá muito mais nessa reflexão do que no que a gente faz.
A gente faz pensando, faz refletindo, e não faz por fazer. Isso tem valor, né? Então, por isso que, desde lá, da minha adolescência, o pensar, pensar me salvou, o escrever, ver, me salvou, o narrar as minhas experiências me salvou.
E até hoje continua, porque as crises a gente continua enfrentando, mas agora, claro, depois de tanto tempo, a gente já, já já compreendeu muitas coisas. Mas, e aí, o que acontece? A gente acaba aproveitando tudo que é bom.
Então a arte é boa, o interagir com o outro é bom, é o escutar, o dialogar, o falar, o se expressar. Eu falo para os alunos o seguinte: o mais importante na vida é saber ler e escrever, né? Só que eu, ler e escrever, que eu falo assim: o ler é interpretar, o ler é você ver o que vem de fora e você incorporar no que você já tem, né?
Isso é o ler, e o escrever é você se expressar, você não ter medo de se expressar e tal. Então, veja, aqui é uma construção, né, Roberto? São tijolinhos que vão sendo colocados por pessoas que vão passando em nosso caminho e a gente vai se construindo e gostando daquilo, né?
E o que a gente não gosta também tem como mudar. E, mas, é claro que essa maturidade ela vem, né? Ela vem, ela vem, ela vem.
Por isso que estar aqui conversando com você, podendo falar um pouco disso, narrar um pouco disso também é algo que vai enriquecer, não é porque me enriquece, porque só de imaginar, tá podendo contar a história e, a partir daí, ter que organizar os eventos, as experiências, as angústias e as alegrias eh que passaram, assim, nesse tempo desde você abrir o espaço para contar, inclusive, de família, né? De história de formação. Então, é um composto assim que, quando a gente para para pensar, para tentar separar o que vem antes, o que vem depois, o que está, eh, não tem como, não tem como fazer isso sem pensar, sem filosofar, sem argumentar e sem ter eh prazer em viver, prazer em estar eh vivendo esse momento, esse instante, né?
Único também que, já daqui a pouco, vai virar a história. Mas esse S inteiro, S inteiro, né? O que faz isso é o ser grande.
Então, quer dizer, aí é claro, depois eu procurei outras frases de Fernando Pessoa, mas nenhuma supera essa, nenhuma supera essa que o professor Samuel me fez conhecer. E olha que eu, eu até então, eu sabia que era do professor Samuel. Muito depois que eu fui entender que era do Fernando Pessoa.
Ah, ainda bem que você descobriu uns 40 anos do lado entre atos que que você foi homenageado, né? E você se lembra disso, eh eh? Inclusive lá eles pediram para eu eh reapresentar o capitão Coke por não ter que fazer, foi a revolução, né?
Então, fiquei contente porque eles falaram: nossa, o figurino daquela época ainda serve para você. Eu falei: não precisou, não precisou nem fazer nenhum. Ah, para quem tá nos ouvindo, né?
É que, no ano passado, houve a comemoração de 40 anos do núcleo Entre Atos e daí o Anderson participou e o Joaquim, né? O Quinzito, que é jornalista em São Paulo, muito bem! Pode continuar falando, então.
E as, a Maria, todas as peças que eu participei foi com Entre Atos, né, que era um chalu, como você disse, e virou o Entre Atos, que é uma escola de artes agora que, depois, né, desenvolveu tantos trabalhos maravilhosos onde meus sobrinhos, meus dois sobrinhos e minha cunhada atuam hoje. Verdade, estão lá, então Ana Lúcia e Daniel. O Miguel, né?
Eles participam, sobrenome deles: Feitosa Oliveira. Na Edgar Feitosa Oliveira, Feitosa Oliveira. .
. O meu irmão da minha esposa é o, é o José Paulo de Oliveira, que se casou com a Ana, e a Ana, inclusive, fez o teatro lá. Tá dizendo a Ana Feitosa, Ana Feitosa.
Olha, então, o Gabriel Feitosa, que está fazendo Daniel, Daniel, Daniel, e Miguel. Isso, os dois, Daniel e Miguel. O Daniel está fazendo também o curso de teatro na Uniso atualmente.
Olha só, então, isso. . .
E já está fazendo estágio no grupo de teatro, Tonton, da fundação Dom Aguirre. Olha só, da fundação Dom Aguirre, lá junto da Uniso. Talentosíssimos!
Olha só, então, os seus sobrinhos. A Ana, maravilhosa, também é fantástica! Então, na verdade, a Ana foi levá-los, né, para fazer a matrícula e acabou ela entrando também.
Uma grande atriz, né? Canta muito bem. Todos eles são exatamente, é.
. . E aí, naquele aniversário de 40 anos do Entreatos, tivemos a oportunidade de pisar no mesmo palco.
Ficamos muito contentes no ensaio e tal. Estava ali tudo junto. E também, aí, nesse.
. . Essa peça, esse Teatro Musical, que daí me inspirou, para eu montar, já que eu tenho também uma vida muito ativa na igreja, né?
Na igreja, e então sempre passando mensagens aqui e ali, uma forma, uma linguagem de passar, e. . .
A mensagem, a arte é o belo. Como diz o Papa João, é o belo, verdadeiro e o bom, né? O belo, verdadeiro, bom é a arte.
Então, eu fui imaginando e escrevendo, colocando no papel, até que ficou esboçado. Eu falei: “Vamos fazer, vamos fazer projeto Querigma”. Querigma é a ideia do anúncio, do principal anúncio do evangelho, que é que Deus se encarnou, que, no caso, é criação, queda, redenção.
Essa sequência lógica, né? Criação, que é da redenção à encarnação do Verbo, do Filho de Deus, a vida dele, a paixão, a morte, a ressurreição, a vida dos primeiros seguidores dele e depois a esperança da sua volta. Basicamente, esse seria o enredo, só que o jeito de contar que foi, o que foi o belo.
Por quê? Aí a ideia era reunir, numa única apresentação, várias expressões artísticas: poesia, arte, música, dança, composição e, inclusive, os colegas técnicos de som puderam operar. Então, um amigo que tinha um estúdio, então, envolver todas as pessoas ao mesmo tempo.
Eu sabia que, sabe, a questão de missão, Roberto. . .
É assim: ora, se eu não fizer, quem terá essa história? Quem fará, né? Eu me senti com uma responsabilidade até mesmo em condições de fazer, inclusive porque, daí ao imaginar esse projeto, sabia com quem contar.
Já liguei pro Marcelo: "Marcelo, preciso marcar uma conversa com você". Fui lá, conversei com Marcelo e Elizete, expliquei para eles: "Estou com esse projeto tal, tal, quero saber sobre orçamento, quero saber sobre microfone sem fio, vocês que para o desfecho musical, quero saber sobre montagem de palco, figurino, iluminação". Eu fui, na verdade, até então, em contato com o teatro, era como ator.
Então, tive que fazer um curso rápido ali de direção e produção, inclusive, porque teve que falar sobre orçamento, sobre todas essas coisas que envolvem. E então a ideia, essa liderança, liderar esse grupo nesse tempo foi maravilhosa. Aí o que aconteceu?
Também convidei a Ana. Aliás, a Ana falou: "Você vai estar com esse projeto, eu quero participar". Eu falei: "Mas Ana, é um projeto simplesinho, tal, não.
. . ".
Ela disse: "Eu quero estar junto, tal". E aí ela fez, ela fez a personagem Isabel e todas as cenas foram musicadas, cantadas, pegando a questão das letras da própria Bíblia, né? As conversas, os diálogos da Bíblia, sendo meio ópera, né?
Meio ópera, mas as canções não eram estilo ópera, eram canções normais, estilo popular mesmo, pop. E aí, apresentar isso para um público, para um povo que não está acostumado com isso, que imagina que, de repente, dança aquela dancinha de TikTok ou sei lá, e a minha filha pode participar, Tamires, que ela é formada em dança, tudo, né? Tem pós-graduação.
E ela ficou com a parte da coreografia. Ela formada, ela formada em quê? Ela formada em educação física e também formada em especialização em dança.
Ah, então também dança, entendi! Também dança, dá aula de balé, dá aula de sapateado. Então, ela tem a formação técnica.
Então, nós queríamos, com esse projeto, apresentar algo de qualidade, assim, e que representasse melhor a importância e o poder da arte; o quanto a arte fala por si mesma. O canto fala por si. Então, foi essa experiência.
Aí o Marcelo e Elizete já me emprestaram alguns objetos cenográficos e foi tudo interessante. A questão onde? Na chácara da Sagrada Família, que é perto da Alfes Carar.
Para lá da Alfes Carar, é uma chácara própria para retiros do movimento de renovação carismática católica, né? E foi construída justamente para isso. Então, a gente preparou o palco lá, a iluminação lá, né?
E foi possível. Foi muito, foi muito gratificante conseguir realizar, mesmo porque, como as pessoas eram de cidades diferentes. Então, tinha jovens e personagens que iam participar de Porto Feliz, outros de Votorantim, outros de Salto de Pirapora.
E então, ensaiamos separado. Os ensaios eram feitos por núcleos, assim, e depois fizemos um único ensaio geral, assim, que foi geral mesmo, que todos estavam presentes e tudo mais, já no local onde aconteceu o evento. Então, olhando para trás, assim, eu falei: "Nossa, que coisa legal!
". Porque daí, quando nós estamos desistindo de fazer. .
. Ao tudo ao vivo, aí surgiu a ideia de gravar no estúdio as vozes dos atores. Cada um gravou a sua voz, gravou o instrumento, e depois, no dia, inclusive para economizar nos microfones, cujo aluguel era bem caro, eles dublaram eles mesmos.
Ficou tão bom que quem estava assistindo não percebeu que estava dublando, porque era o timbre da voz deles, a expressão facial deles mesmos. Então foi interessante. O que aconteceu com tudo que eu tinha aprendido em termos de direção, dicção e também expressão corporal, que foi no teatro, com certeza eu pude passar pros jovens e pros pessoas que participaram conosco.
A cena de Isabel com Maria, que é quando Maria visita Isabel e, ao cumprimentar a criança Jesus que está ali no ventre, está também o João Batista, ela começa a cantar. Foi uma das cenas mais comentadas; as pessoas choraram nesse momento. A Ana Lúcia, como ela já tinha todo esse talento, eu pedi para ela dirigir a cena delas, que eram duas personagens: Maria e Isabel.
E então ficou uma cena bem feita mesmo. Está tudo filmado, filmamos tudo, mas não divulgaram ainda. Vocês não divulgaram, não puseram no YouTube, nada?
Não, porque ficou uma hora e meia de gravação; é um vídeo pesado, tem que fazer recortes e postar partes dele. Mas ficou bonito: a fotografia, a iluminação. Para você ter uma ideia, eu mandei algumas fotos para você, e as fotos viraram verdadeiros quadros, assim, muito bem tiradas, muito bonitas.
Então veja, depois de anos que eu não atuava, eu tive que atuar também, porque um dos colegas que ia ser personagem, inclusive o Anjo Gabriel que anuncia a Maria, o nascimento de Jesus, ele não pode comparecer. Avisou no dia. Como eu sabia todas as músicas, eu coloquei lá o sino e entrei por lá, mas eu preferia estar lá no fundo.
Nessa dinâmica, pegamos microfones auriculares, fones, para que todos nós que estávamos lá no fundo conseguíssemos nos comunicar: eu com o iluminador. Eu aprendi tudo isso com o Marcelo, aprendi com Eliz, aprendi com o teatro. Então é uma coisa que pude oferecer.
Pode falar, Roberto. Não, na escola você não chegou a fazer nada. Na escola você não dá aula atualmente, né?
Porque a disciplina que você dá aula não dá para você fazer. Não, é porque quando eu trabalho, eu trabalho no curso técnico somente. O curso técnico é integrado ao ensino médio.
Entendi, quando é curso técnico é só matéria técnica. E à noite, quando é integrado, já tem professores engajados com isso: professor de Literatura, professor de Artes. Então eles montam lá os saraus, os momentos, as gincanas, e essa gincana envolve.
Mas quem monta sarau, normalmente, é o professor de Literatura. Você chegou a participar de algum sarau na época que fazia o curso também ou não lá no Getúlio? Eu não lembro, acho que não.
Montagem com poemas assim na sala de aula, você não chegou a participar de alguma montagem? Ah, sim, eu já cheguei a participar sim, na sala de aula, em "Morte e Vida Severina". "Essa cova que estás com os medida não se lembra dis parte maior que tiraste em vida é de bom tamanho, nem nem fundo.
" E aí vai. É R de kit gab desse late fundo. Então, a professora de inglês, a Meiri, também pedia pra gente traduzir algumas canções e apresentá-las.
Então cheguei a cantar algumas músicas em inglês ali. Mas eu não lembro de ter levado o violão para tocar; eu acho que estava aprendendo ainda, nessa época não dominava tão bem assim para ter essa segurança de estar na frente de um público. Então, mas participei sim de poesia, de música, além do futebol.
E se você pensa, por exemplo, naquele momento que você entrou no Getúlio, qual a importância de você estar entrando no teatro naquele momento e nessas atividades? É como eu comentei com você, é uma auto descoberta, um se conhecer, conhecer outras pessoas, interagir com pessoas diferentes e interessadas no mesmo assunto. Além da cultura, de saber que existe, por exemplo, eu lembro que li algum livro que falava de romantismo e eu acho que foi lá que eu li "O Cortiço" e "O Guarani".
As épocas, tudo isso formava o caráter. Então isso foi bom, e o teatro, claro. O teatro é a expressão corporal, uma oportunidade de você colocar para fora todas as suas características, seus sonhos, suas paixões.
Então, a dança, o pulo. . .
Eu me lembro que, quando ganhei o prêmio de Ator Revelação, embora o Marcelo tivesse dirigido e dado algumas dicas, eu lembro que fiz algumas coisas que eu imaginava que iam ficar boas e ficaram boas. Então eu falei assim: "Puxa, essa autoconfiança também foi desenvolvida. " Com o teatro, tinha certeza.
E você, como você não seguiu a carreira, né? Você seguiu outra carreira. E como você se vê hoje?
Qual a importância disso para você enquanto profissional, né? A importância do teatro como profissional de outra área, no que isso te ajuda? É, na verdade, a capacidade de expressão, de argumentação, de raciocínio.
Isso eu sei que veio dessa experiência do teatro. Por que, para entrar na Itec, foi necessário dar aula para uma banca. Então, você fala: "Puxa, eu vou ser o melhor professor disso agora, a representar.
" Então, exatamente, eu falei: "Não, eu vou. Eu sei que eu tenho que executar um papel aqui. " Tanto é que, nesse concurso, eu passei em primeiro lugar para entrar na Itec.
Passei em primeiro lugar! E era aula do quê? De Cobol.
Era uma aula técnica, uma aula de programação. Mas o olhar circular que passa por todos, o mover-se na sala de um lado para o outro, fica estático. A voz que ora cresce, ora diminui ajuda a comunicar a mensagem.
Eu acho que professor é um pouco ator, nesse sentido, né? De estar ali na frente, sendo observado e tendo que passar uma mensagem da melhor forma. Então, isso ajudou bastante.
Na continuação, as promoções dentro da Itec, antes do plano de carreira, você tinha que ir para outra Etec apresentar também para uma banca uma aula que tinha que ser meio de improviso, porque eles sorteavam o tema. Você sabia que podiam ser três temas e sorteavam um tema na hora: "É sobre isso que você vai dar aula. " Então, aí é a hora de você combinar as brincadeiras e não perder o foco.
Isso ajudou quando cheguei para fazer mestrado. Então, o mestrado, tanto a qualificação como a defesa da dissertação, também era necessário falar, comunicar, se expressar, argumentar, demonstrar segurança, né? Demonstrar domínio do assunto.
Tudo isso eu sei que eu já comecei ali no teatro. Se tinha algum dom natural de comunicação, que desde que a vó Esmeralda me tirou do ventre da minha mãe, eu vim descobrir isso quando tive o desafio de estar na frente no teatro, ali com o risco de errar, mas, ao mesmo tempo, a confiança de que é possível, né? É possível.
E até hoje eu uso isso quando estou dando aula. Por exemplo, o que faz sucesso junto dos alunos é quando coloco os personagens conversando sobre o assunto da aula, né? Ou trago algum personagem de algum filme, como o Matrix, e faço algumas brincadeiras, ou faço aquele professor louco, né?
Um cientista louco. A gente brinca de cientista louco. Eles prestam atenção nessa hora.
Sempre que percebo que a atenção está caindo, a gente já improvisa algo de teatro ali: uma dança, um grito, um pulo, uma corrida. E de forma que o nosso palco é no mesmo nível dos alunos, mas acabamos tendo que dominar ali naquele lugar. E ainda mais agora que, para prender a atenção de um aluno que tem celular, e até um certo tempo, a escola tentou proibir, tentou colocar cestinha para eles colocarem.
Mas, não sei se algumas escolas conseguiram, mas pelo menos lá não tem como. A gente tem que negociar: "Ó, vamos fazer o seguinte. Põe o celular aí, presta atenção agora.
" Mas nem sempre todos fazem. Agora, ao saber disso, ao saber que é importante a formação do caráter, a formação da compreensão, da reflexão dos alunos, a gente sempre procura levar essa reflexão. Quando eu falo que fiz teatro, né?
E aí, o outro apelido lá no jeito que o Varg era Samy David Júnior. Até hoje, os colegas do Mirão lá me chamam de Sam. Mas chegou uma época que, não sei se por causa do teatro, começaram a mudar o apelido para Eddie Murphy.
Ficou na escola, ficou Eddie Murphy. Então, "Professor Ed! Professor Ed!
" Às vezes ficou isso, né? Eu brinco: “Eu agora tô como Professor Aloprado”. Então, quer dizer, tudo a ver com a arte, né?
Que delícia! Às vezes eu brincava com eles: "Ah, você é professor aloprado? É assim que eu converso com animais, né?
" Então eles riem. E agora eu brinco também com eles: “Ó, a barba tá ficando branca. Quando começarem a me chamar de Morgan Freeman, aí já sabe que já passou”.
Então, assim, a gente vai brincando. E esse tipo de brincadeira. .
. eu não me acho alguém que conta piadas, né? Eu não me acho tão engraçado, mas eu me acho alegre.
Então, acho que a alegria, de repente, vira piada, porque vem da alegria. Não porque você fala alguma coisa assim: "Na verdade, você é um professor feliz. " Né, Anderson?
Exato! Eu acredito que é por aí mesmo, né? Então, eu não sei fazer um stand-up comedy, por exemplo.
Assim, eu tenho colegas professores que têm essa capacidade. Eles pegam o assunto e vão brincando, brincando, brincando, e eles são caricatos. Eu não me acho caricato, então isso é uma vantagem, né?
Então, por exemplo, eu imagino assim, ainda que lá atrás eu me sentisse. . .
Caricato, ia ser uma vantagem, porque você ia usar isso em favor, como muitos usam, né? Mas o meu temperamento é melancólico, né? Eu já, quando a gente estuda a linha dos temperamentos, né?
Eu já me reconheço melancólico. Normalmente, acho que o artista é mais melancólico mesmo, então facilid se entristecer, facilidade para se apaixonar, facilidade para se frustrar também, né? Aquele que fala assim: "Ó, chega no baile, no bailinho, aquele bailinho que tinha na nossa época, né?
Bailinho aqui, bailinho ali, bailinho lá. " E a gente falava: "Pra mim, quer dançar comigo? " Ela falava: "Não.
" Né, nossa, acabava. Você cantava de alguma maneira. Porque você não canta uma música agora pra gente encerrar o nosso bate-papo?
Ah, vamos. Tá com o violão aí perto? Tô aqui com violão.
Então, escolhe uma música. Vamos terminar nossas conversas com sua música. Tá bom?
Vamos. Olha, tá uma delícia! Eu, claro que tem muitas músicas que poderia cantar.
Eu gosto de Javan, de Caetano, gosto de Gil, gosto de Jorge Vercilo. Não gosto desses, dessa praia, né? Gosto também de Jota Quest, gosto de Reginaldo, gosto também de Paralamas do Sucesso.
Mas assim, são fases, né? Eu toco mais teclado agora, o violão fica ali encostadinho no quarto e sempre antes de dormir eu pego ele ali pra tocar. Você tem uma que você gosta bastante?
Ah, vou cantar uma aqui que tem a ver com cultura, tem a ver com filosofia, tem a ver com você também, né? Aí tá saindo bem aí, tá dando tranquilo. A tristeza é senhora.
Desde que o samba é samba, é assim: a lágrima clara sobre a pele escura. A noite, a chuva que cai lá fora, solidão apavora. Tudo demorando em ser tão ruim, mas alguma coisa acontece agora em mim, cantando, amando.
A tristeza embora. [Música] O samba ainda vai. O samba não chegou, o samba não vai morrer, despreze, não arraiou.
O samba é pai do prazer, o samba é filho da dor, o grande poder transformador. A tristeza é senhora. [Música] Que o samba é samba, é assim: a lágrima clara sobre a pele escura.
A noite, a chuva que cai lá fora, solidão apavora. Tudo demorando em ser tão ruim, mas alguma coisa acontece agora em mim, cantando, amando. A tristeza embora.
Mas é cantando, cantando, eu mando a tristeza embora. É só cantando, cantando, eu mando a tristeza embora. Ai, que delícia, Anderson!
Obrigado, querido, viu? Muito obrigado pelo seu carinho, tá? Para quem não sabe, nós estamos conversando agora, e já são 37 minutos da sexta-feira para o sábado na madrugada.
Então, nós estamos aqui cantando, nos divertindo, porque o Anderson estava trabalhando até agora há pouco. Como ele trabalha o dia todo e à noite também, então tinha que ser agora. Então, muito obrigado pelo seu carinho de estarmos conversando aqui, agora, nesse momento, nesse horário.
Mas é uma bênção, né? Porque é uma oportunidade de a gente poder estar junto. Você tem uma história maravilhosa, você me fez lembrar de você em sala de aula em alguns momentos, porque o seu semblante, sua maneira, tudo chamava aquele momento, né?
Principalmente sua maneira atenta, né? Focada sempre. Então, Anderson, Deus te pague, viu, querido?
Muito obrigado por esse carinho maravilhoso, por essa energia maravilhosa que você está distribuindo para todos nós. E com certeza seus alunos adoram você! E leve mais seu violão pra sala de aula, viu?
Durante suas aulas, de vez em quando leva, porque isso é alegria, né? É a alegria que você tem, viu? Muito obrigado, querido.
Deus abençoe você, viu? Amém! Amém!
Eu que agradeço, Roberto, por essa oportunidade de poder falar tudo isso pra você também. Agradecer não só esse momento, mas toda a história. Acredito que você talvez imaginasse que sabe que contribuiu com muita gente, mas especificamente com esse poema de Fernando Pessoa, que pra mim é o poema do professor Roberto Samuel.
E acredito que a gente vai continuar com esse lema, esse lema cada vez mais, né? Tentando brilhar, andando o melhor, sendo inteiro em tudo que faz, não excluindo nada, acreditando que a gente pode crescer e melhorar, e aproveitando as oportunidades, inclusive essa de poder conviver com você. Com os professores lá, que não sei se você os vê ainda, Naldo Marins.
Com certeza, tivemos uma reunião juntos nessa semana passada, eu, Marins e uma turma de 1983. Olha que joia! Abraço eles também, com certeza eles vão ficar felizes.
Sucesso que você continua, fazer sucesso no seu trabalho, mestrado, Deus quiser! E você também, viu? Deus abençoe muito obrigado por aquilo que você é para todos nós.
Amém! Obrigado você, Roberto. Obrigadão!
E a todos que estão nos acompanhando, a nossa gratidão e até o próximo encontro. Deus abençoe vocês todos e até breve. Tchau, Anderson!
Fica com Deus! Tchau! Até mais!
Obrigado!