A cada 4 segundos, uma pessoa tira a própria vida no mundo. Mentira. E outras três fizeram uma tentativa e sobreviveram. Você conta aqui. Sério? É sério? Vai conta aqui. Um, dois, três. Uma pessoa acabou de morrer. Por Jean Leonard, doutor em psicologia, professor, terapeuta e palestrante. É um problema gravíssimo de saúde mental. Muitas vezes quando se fala de suicidalidade se pensa em depressão. E Isso não é uma conexão 100% correta. Existe alguns mitos do tipo, ah, quem faz isso é egoísta. Você chama de egoísta não tá na pele dela sofrendo tudo que ela tá sofrendo,
enfrentando tudo que ela tá enfrentando. Quem quer ajudar uma pessoa, primeiro ajuda é não atrapalhar. Não julga, não critica, não acha que é besteira, não acha que é para chamar atenção. A primeira coisa que você não deve fazer é ó, pessoal, rapidinho, antes aqui da Gente começar, eu tava olhando as métricas do canal outro dia e eu percebi que 83,8% das pessoas que assistem os nossos episódios não são inscritas do canal. Então gostaria de pedir um favor para vocês, de conferir se vocês já estão inscritos, porque quando vocês se inscrevem vocês ajudam a gente a
escalar os nossos convidados, a gente produzir melhores episódios e levar cada vez mais conteúdos para vocês. Então se inscreve Aqui no canal, não custa nada e vai fazer uma diferença gigantesca pra gente. Muito obrigado. Bom, pessoal, esse episódio é um episódio que tem uma temática sensível e antes da gente começar ele, a gente vai fazer algumas alguns alertas, né? Trazer algumas colocações aqui para que você possa melhor aproveitá-lo e não ter nenhum tipo de gatilho. Acho que tu consegue até fazer esses alertas melhor do que eu já. Com certeza, Ferment. Então, né, a Gente vai
falar aqui sobre um tema muito sensível, muito delicado, que é o tema é de pessoas que consideram tirar a própria vida, né? Então é um assunto bem delicado, bem sério, que pode acabar sendo gatilho para algumas pessoas. Então, se você é uma dessas pessoas, eh, pense bem se você quer assistir, né, ao episódio, se você não prefere parar por aqui, se você tiver sofrendo com algo nessa direção, você pode procurar ajuda de um psicólogo, de um psiquiatra. Existe o Centro de Valorização à vida, o CVV, que você pode ligar gratuitamente 24 horas por dia, no
número 188. Acho que é importante a gente começar com isso, fermento, tomando esse cuidado de que, olha, se você vai assistir esse episódio, presta um pouco de atenção nos seus pensamentos, nas suas emoções, se você quer continuar, se vai ser difícil, se você tem uma rede de apoio, você consegue algum tipo de suporte, de ajuda, então avalia bem aí. E lembrando Também que a gente vai estar conversando sobre esse tema, eh, não trazendo nossas opiniões, né? Eu vou estar aqui com um papel de host, conduzindo o episódio, trazendo algumas opiniões e sanando algumas dúvidas, mas
tu num papel de psicólogo, especialista, uma pessoa que entende desse assunto aos olhos da ciência, tu não tá manifestando opiniões, tu é uma pessoa especializada para falar disso. Exatamente. Eu não vou falar o que eu acho, o que eu penso, eu Basicamente sou um porta-voz aí de pesquisas científicas, de dados da literatura. Exatamente. Perfeito. Eu acho que pra gente começar já valia a a a pena a gente sanar a dúvida de por que que falar sobre esse tema em primeiro lugar já exige um cuidado, já é às vezes um tabu, uma questão de de de
que tem que ter alguns, certo? Então acho que a primeira coisa, né, a gente acho que esse tema é tabu por várias razões, assim, eh, e quando a gente grava um Episódio como esse, parte da função é desmistificar, é tirar um pouco desses tabus. Então, não há dúvida de que é um tema eh muito eh sensível, porque a gente tá falando da vida de alguém, né, de da perda de a vida de alguém, que é o pai de alguém, é o amor de alguém, é o filho de alguém, né? Então isso já torna a temática
delicada por conta das nossas eh emoções, a nossa afetividade com aquela pessoa. Existe um pouco de tabu em torno do suí por conta de religião, Né? Então, como algo em nenhuma religião, essa é uma ação que é bem vista, que é é compreendida, é justificável. Assim, ela é sempre vista como algo que é errado, que vai ser punido, que vai, que não é natural, que vai trazer consequências sérias, algo assim, né? Independente da religião, a gente sempre tem essa visão. Eh, muitas pessoas, então, às vezes, quando tem algo disso na família, prefere esconder, prefere mentir,
dizer que foi uma outra Motivação, etc., né? Acho que tem uma coisa também de eh às vezes quando eh você perde alguém, talvez se você é um pai, você se culpar, você se perguntar se você devia ter feito algo diferente. Talvez familiares, amigos, pessoas ao redor te julguem, né, do tipo, puxa, quão ruim esse pai foi, essa pessoa foi para que o filho fizesse isso? Então, acho que tem várias coisas aí que tem esse tabu e mitos, né? Então, mitos do tipo, ah, todo mundo que tira a própria Vida é é sei lá, é um
é fraco, é um fujão, covarde ou quer chamar atenção, tudo mitos, né, coisas que não são verdadeiras que acabam tando aí em torno do tema. E falar sobre esse tema faz mal de alguma forma, por que que pode ser um gatilho? Perfeito. Essa é uma é uma resposta que é depende. Falar sobre esse tema é bom ou é ruim? Depende. Então, o que que eu quero dizer com depende? A gente sabe que quando se fala eh sobre métodos, né, você acaba dando gatilhos e Desencadeantes para quem sofre de ideação, para quem pensa sobre isso, quem
pensa em acabar com a própria vida. Então, é altamente errado você, por exemplo, fazer uma notícia na mídia em que você diz o método pelo qual essa pessoa tirou a vida, né? Ela usou o método X, ela usou o método Y, por exemplo, né? Por isso que eu tô falando X Y, eu não tô dando exemplos, né? Eh, a gente teve, por exemplo, um tempo atrás, um seriado Na Netflix que a última, uma das últimas cenas ali, ou a primeira cena, não lembro muito bem, era um seriado que mostrava uma pessoa bem passo a passo
fazendo o ato. E isso a gente sabe que tem um efeito de contaminação. Então, para quem não é, não tá em sofrimento, não tá com uma questão de saúde mental muito séria, não pensa nisso, é só uma cena desagradável, né? Para quem e isso é uma questão, isso pode sim servir de evento desencade, de gatilho. Isso pode Impulsionar uma pessoa a eh fazer algo contra a própria vida. Então, não é que a pessoa faz por causa disso unicamente, né? você nunca vai ter um episódio e de de de morte por su eh ou uma tentativa
de porque a pessoa teve uma causa. Isso sempre é um conjunto de fatores que leva isso, um conjunto bem complexo, bem cheio de interrelações, mas você tem esses episódios que podem eh acelerar ou desencadear gatilhos. Agora, só para eu complementar, essa é a parte ruim. Qual É a parte que se deve falar sobre? Por exemplo, quando eu como psicólogo ou um psiquiatra, ele deve investigar a presença de pensamentos. Uhum. Entende? Porque o que acontece? Existia um mito no passado que já foi desmontado com pesquisas de que se eu como profissional de saúde investigo essa questão,
de certa forma eu estaria te incentivando a isso. Está provado que não acontece. profissional de saúde mental tem que perguntar ativamente, abertamente ao Paciente se isso é algo que passa pela cabeça dele, dado o sofrimento que ele tá imerso naquele momento. Por que que isso é algo que passa pela cabeça das pessoas? Eu acho inclusive que eu não não sei exatamente os dados, mas pela cabeça de muitas pessoas, né? Eu já tive pensamentos, eu acho que tu já teve, acho que a maioria das pessoas em algum momento eh refletiram sobre isso, né? sobre a finitude
da vida e sobre a possibilidade De atentar contra ela. Tá? Ótima pergunta, Fermento. Aqui eu acho que vale a pena a gente separar três coisas. Uma é a reflexão sobre a finitude da vida, tá? Né? Então é uma questão, como será que vai ser quando eu não tiver mais aqui? Como que será que eu vou morrer? Como que será que vão ficar as pessoas? Será que eu vou morrer jovem? Será que eu vou morrer velho? Isso é uma reflexão, né? Que talvez a gente possa até colocar qual o sentido da vida, né? É uma reflexão
filosófica. Agora, existe uma coisa que é vontade de morrer e que não inclui eh nada que seja intencional. Então, vou te dar um exemplo. Imagina que você é meu paciente, tá? E você traz alguns sinais ali na consulta de que você tá muito mal e que você preferia não estar mais aqui. E você começa a dizer coisas do tipo assim: "Ah, sabe o que eu queria mesmo? Eu queria tá andando na rua e que caísse um raio na Minha cabeça e acabasse com tudo, tá? Isso é vontade de morrer. E eu pergunto para você, Fermento,
mas você faria alguma coisa para deixar de desistir? Fala: "Não, não, não, de jeito nenhum. Então aqui eu tenho o quê? Vontade de morrer. Eu não tenho nada no campo da suicidalidade. Tudo bem? Sim. Então, reflexões aí sobre a vida, a morte, a finitude, vão estar de mor sem nenhum risco a a pessoa fazer algo, tá? Então aqui é o quê? A pessoa que tá em Sofrimento, ela, né, a ponto de pensar nisso, às vezes a pessoa diz: "Ah, eu queria acordar e nunca mais dormir", tá? Agora existe uma outra coisa que aí dormir nunca
mais acordar. O que que eu falei? Acordar e nunca mais dormir. Nossa Senhora, que tortura. É dormir, nunca mais acordar. Exatamente. Tá. E aí tem a terceira situação, que é a pessoa que realmente pensa em tirar a própria vida. Então, fazer algo que atente contra si mesmo. E Aqui, nesse sentido, é importante ficar claro que quando a gente fala desse tipo de comportamento, a gente fala da intenção. Então, só se fala em comportamento em su em tentativa de su se houve a intenção de morrer. Eu fiz algo com esta intenção. Então, vou te dar um
exemplo. Você vai pra balada. Uhum. Bebe uma garrafa de whisky, dirige em alta velocidade, sofre um acidente, você não tinha nenhuma intenção de morrer, Mas você morreu. Talvez alguém pudesse dizer: "Nossa, ele tirou a, né? Foi um negócio assim extremamente irresponsável, dirigindo bêbado, né? Ah, né? Ele praticamente se matou. Do ponto de vista técnico, isso não é, mas em, por exemplo, uma overdose assim, então, e a gente vai ter os casos limítrofes, eu vou chegar aí, tá? Então imagina que assim, eu preciso para eu falar em comportamentos, tem que ser algo com a intenção de,
tá? Eu eu faço algo para Tirar a vida. Tanto é que se eu faço algo com a intenção de morrer e o grau de letalidade daquele método é extremamente baixo, não tem como eu morrer, ainda assim, como profissional de saúde, aquilo tem que ser encarado com uma tentativa de su porque você só não conhecia um bom método. Entendi. Você só não conhecia um método que faria, só que é um método que não funciona. Então eu vou dizer, imagina que eu falo assim, ah, eu achava que se Eu bebesse três canecas de água em 40 segundos,
isso tiraria minha vida. Ainda que quem entende de graus de letalidade falar assim: "Não tem como a pessoa morrer com isso. Se a minha intenção era essa, eu achava que isso podia acontecer, isso é tão sério quanto qualquer outra tentativa de su Beleza? Beleza. Eh, e aí a gente vai ter os casos limítrofes. Então, por exemplo, uma pessoa que, sei lá, imagina que você tem uma Condição cardíaca, eh, você tem um problema cardíaco sério, uma rritia, tal, e você faz um uso de cocaína. Uhum. Tem tem uma questão que é que tá, talvez não tenha
intenção de morrer, mas talvez tem um comportamento meio que quase que é como se não importasse assim, né? Tipo meio que um tanto faz, um tanto faz. Então ele tá meio ali bem perto, mas ele ainda não é exatamente um comportamento. Mas é claro que eventualmente aqui você vai Ter que manejar com a mesma seriedade, a mesma preocupação e compromisso que uma tentativa, digamos, mais formal, mais explícita, assim, entendeu? Tá? Mas, mas eh isso isso de alguma forma a a a pessoa às vezes ela só quer, como é que eu vou dizer assim, esse deixar
de existir dela usar uma substância assim inconsequentemente. É, é difícil de discernir. Tipo, a pessoa que morre por overdose, sempre fica esse questionamento, sei lá, O chorão do Charlie Brown, pó, o cara tava mal e tal, pô, mas ele usou sabendo ou não sabendo assim, é, não tem como saber. Não tem como saber. a gente sempre vai ter essa ponto interrogação. E e aí a gente tem desde exemplos que claramente não são, tipo, ah, tá, uma pessoa que fuma dois massos cigarro por dia, a gente sabe que isso aumenta a probabilidade de ela morrer mais
cedo, aumenta a probabilidade de ela ter uma doença, não, isso não é, né? Senão Assim, qualquer pessoa que não é super cuidadosa, rígida, controladinha com aspectos de saúde, a gente colocaria. Agora, a gente tem esses casos que são mesmo assim, né? Será que a pessoa errou a mão? Eh, será que errou a mão no sentido da dose? Só Então, por exemplo, eu já tive eh testemunhas, por exemplo, de pessoas que eh sei lá, é comum você encontrar isso assim na literatura, a pessoa ela fez algo que ela eh não tinha intenção de morrer. Ela só
tinha Intenção, por exemplo, de apagar ou de descansar ou de produzir algum tipo de alívio, alguma coisa assim. E isso foi, ela perdeu, ela errou a mão aqui, ela quase morreu. Mas quando você investiga, a pessoa não tinha a intenção de morrer. Então, ainda que ela pudesse ter morrido, Uhum. Eh, não é caracterizado como um comportamento su porque ela não tinha intenção de morrer. Hum. Então, você tem esses dois extremos, né? o cara que foi eh um Método que não funciona, mas tinha intenção e um método que quase funcionou para isso, mas não tinha intenção.
O que que leva uma pessoa a começar a ter esses tipos de pensamentos, né? Tá. Ó, a gente tem aí décadas de pesquisa sobre isso. Felizmente, este é um campo bastante pesquisado, porque a gente realmente precisa cuidar disso. Isso é um problemão assim no mundo inteiro, tá? Eh, então a gente tem alguns modelos que explicam, mas o que que acontece? Existem algumas coisas que são centrais. Antes de eu responder essas coisas que são centrais, eu quero desfazer uma um mito que muitas vezes quando se fala de suicidalidade se pensa em depressão. Sim. Tipo, e isso
não é uma conexão 100% correta. Você tem comportamento suicida na depressão, você tem comportamento suicida em outros transtornos mentais, você tem comportamento su sem ter transtornos Mentais, tá? Ele é um fenômeno, digamos, transdiagnóstico que você precisa olhar. Não é assim, ah, é muito comum você ver, por exemplo, às vezes uma campanha de prevenção, alguma coisa, se comece a falar do tema, de repente caiu na depressão. Pera aí, pera aí. Por que que você foi parar ali assim? Não necessariamente é isso, tá? Entendi. Então, existem alguns elementos em comum que parecem contribuir bastante para isso, tá?
Quais São eles? a gente tem eh vou chamar de dor. Entenda a dor aqui como sofrimento, sofrimento físico ou psicológico. Então, uma pessoa, por exemplo, que tem uma dor crônica, uma pessoa que tem uma profunda tristeza, angústia, um mal-estar, sofrimento psicológico. E aí esse sofrimento psicológico, ele pode ter inúmeras origens, né? Pode ser por uma razão, por exemplo, como um transtorno mental, pode ser, por exemplo, por conta de um trauma que a pessoa viveu, pode Ser porque ela tá em condições horríveis, eh, sociais, políticas, econômicas, né? Então ela tem este sofrimento aqui. Geralmente sofrimento desta
natureza difícil, eh doloroso, profundo, não é suficiente pra pessoa começar a pensar nisso. Geralmente para que a pessoa comece a pensar nisso, ela precisa ter isto somado a algum nível de desesperança. Então a sensação de que não tem saída. Uhum. Eu tô numa quina Que eu não tenho como escapar disso. Não tenho que fazer, as coisas não vão melhorar. Não tenho o que fazer, as coisas não vão melhorar. O meu problema dá para dizer que ela começa a enxergar isso como a única opção, a única alternativa de alguma forma. Exatamente. Então assim, ninguém tira a
própria vida por ninguém, talvez seja um exagero, porque é difícil falar em tudo sempre, nada, mas assim, a grande maioria das vezes a pessoa não tira a Própria vida porque ela não quer mais viver. Ela faz isso para se livrar de sofrimento, para se livrar de problema, né? Então existe alguns mitos do tipo, ah, quem faz isso é egoísta. Você chama de egoísta para você não tá na pele dela sofrendo tudo que ela tá sofrendo, enfrentando tudo que ela tá enfrentando, né? Existe um mito de ah, faz para chamar atenção, isso tudo mito, né? Então
a pessoa tem esse sofrimento intenso somado a essa desesperança de Não tem o que fazer, eu tô preso no B. Eventualmente o que o que eh propicia, o que antecede esse comportamento, a motivação dele pode ser além dessa desesperança, o objetivo de ferir a outra pessoa? Pode, tipo, como vingança, assim, pode, mas eh de novo, vingança, isso pode ser uma peça de um grande quebra-caça. Ninguém faz só por causa disso, entende? Mas pode fazer parte disso. Inclusive aquela série que eu mencionei mais cedo que mostrou Explicitamente a cena e isso teve um efeito cascato horroroso.
Um monte de episódio começou a acontecer porque aquilo foi gatilho. É uma tentativa ali no na história exatamente de uma forma de tentar se vingar. É aquela ter é de tentar, ó, as pessoas vão aprender aqui, isso vai ser uma punição pros outros, para quem me fez mal e tal. Aí a gente sabe que geralmente essa é uma péssima ideia de se vingar assim, porque passa rápido assim, as pessoas esquecem logo e Cara não faz muito sentido, né? As outras pessoas literalmente continuam vivendo, né? E o as pessoas mais próximas, que talvez às vezes nem
sejam as pessoas que tu quer se vingar, são as que mais sofrem. Exato. Agora eu te falei de dor e de desesperança. Geralmente entra nessa equação aqui duas coisas bem importantes. Uma que chama pertencimento frustrado, que é basicamente um nome para dizer que eu não me sinto bem meio que em lugar Nenhum. Eu sou meio que um uma ovelha negra, né? Talvez uma ovelha negra, talvez um peixe fora d' água. Eu não tenho boas conexões sociais com ninguém. Eu tô falando de conexões genuínas, profundas. Você pode ter 50 colegas e vocês isso tem a ver
em algum nível com uma sensação de solidão. Solidão. É da solidão no pior sentido da palavra, né? De tipo, eu não sou importante para ninguém, não tem ninguém que olha para mim, não tem ninguém que se importa Comigo, né? E aqui a qualidade da relação tem tudo a ver, né? Você pode ter eh 1 milhão de seguidores no Instagram, você pode ter 200 amigos numa festa. A questão é quem é aquela? Você tem uma pessoa, uma pessoa que você sente que tá ali com você pros bons momentos, pros maus momentos, que a hora que der
tudo errado vai tá ali do teu lado te apoiando. É isso que faz a diferença. Uhum. E é muito comum e um fator bem crítico aqui, uma coisa que a Literatura chama de sensação de ser um fardo. Então, né, putz, eu atrapalho as pessoas, eu o mundo estaria melhor se eu não tivesse aqui. Eh, eu só sou um peso paraa minha família, a minha família só tem trabalho, dor de cabeça, gastos comigo, né? Então, geralmente quando você junta dor com dor nesse sentido amplo da palavra, né? Sofrimento, desesperança, pertencimento frustrado, essa sensação de ser um
fardo, geralmente é que você tem um cenário em Que a pessoa já está pensando em tudo isso, tá considerando seriamente tirar a própria vida, intenção, planejamento, tal. Falta uma pecinha no quebra-cabeça, que é uma coisa que se chama capacidade adquirida pro su que é essa capacidade aqui adquirida. Depois que eu tenho toda esta, vou chamar motivação, né, por conta de todos esses elementos que eu tô te falando, você concorda comigo que não é fácil ser num na direção de um Comportamento que vai literalmente contra teus instintos de sobrevivência, né? a gente foi geneticamente preparado para
fazer de tudo para sobreviver, né? Então, o que que acaba precisando aqui para uma pessoa realmente chegar no ponto de de fazer uma ação? Eh, essa capacidade adquirida envolve a pessoa começar a se acostumar com a ideia de morte. Então, e e criando uma certa habituação para dor agora, essa dor aguda física. Então, por Exemplo, você tem um socorrista, um cara que trabalha numa num SAMU, que toda hora tá vendo gente ou a beira da morte ou morrendo, algum tipo de médico, policial, né, bombeiro, pessoas que tm um longo histórico de autolesão. Então, a pessoa
ela foi meio que se acostumando, habituando a a assim causar danos, a ter esse tipo de dor, etc. Geralmente o ato em si acontece quando aparece essa capacidade adquirida aqui. Por isso que eu não sei na se isso é Verdade, mas normalmente a pessoa demora um pouco para de fato tentar ou tomar a decisão de fazer. Assim, existe um um timing às vezes para ela ir flertando melhor com a ideia ou é um pensamento? Ó, a grande maioria das tentativas acontecem impulsivamente numa situação de crise. Então, pense assim, a pessoa ela tá eh em sofrimento,
com desesperança, eh talvez com essa sensação de ser um fardo, isolamento, um Texto temporal que já tá ruim, já tá ruim, ruim, ruim. Agora a pergunta é: por que naquele dia, naquela hora, naquele segundo, naquele lugar, ela fez essa tentativa? Geralmente tem algum evento que dispara isso. Uhum. Então você tem, por exemplo, um sei lá, uma briga. Uma briga. Meu pai acabou de falar um monte para mim. Eu tomei uma bronca do meu chefe, o meu, minha esposa terminou o casamento comigo, meu filho sofreu um acidente, Alguma coisa que acontece que assim é meio que
agotada água assim, né? Então eu tenho todo um terreno já muito propício e aí eu tenho algo que dispara isso, que serve de iniciador, digamos assim, né? De desencadeante. Mas mas digamos assim não é algo eh, como é que eu vou dizer assim do nada, né? Existe esse contexto que já está ruim, assim, isso, vamos supor, demora pelo menos semanas, semanas, anos eventualmente, né? Mas a gente sabe, por Exemplo, que às vezes um histórico de bullying na infância deixou essa pessoa mais propícia na vida adulta, né? Você tem algumas relações assim até distantes assim. Eh,
e aí e essa essa coisa de uma tentativa que assim ela é super planejada, tem dia, tem hora, isso é mais exceção do que a regra. Tanto é, fermento, que quando a gente lida com pessoas que têm ideação, boa parte da intervenção é tentar ganhar tempo. Então é fazer a Pessoa não fazer nada naquela hora para você ganhar tempo para ir baixando as emoções da crise, a pessoa ir voltando a um estado emocional um pouco mais perto do neutro dela, né? fora dessa implosão aqui de emoções, ganhando tempo, provendo eh esperança de que há caminhos
possíveis, aí baixando o impulso, baixando o impulso, baixando o impulso. Por isso que ter acesso a meio letal é o fator de risco número um. Como assim? Por exemplo, eh, eu não quero, eu Vou ter, vou tentar não dar exemplos específicos aqui, tá? Mas, mas ter acesso às ferramentas. As ferramentas. Exato. Eu, por exemplo, vou dar um exemplo que acho que cabe assim, em países em que é proibido porte de arma, acontece menos. Entendi. Entende? Em países que o porte de arma é permitido. Então, eh, você já falou publicamente, por isso que eu vou falar
aqui, né, que você é um cara mais impulsivo, né? Porte de arma para uma pessoa mais Impossível é um perigo, porque você tem lá no porta-luva do carro, na hora que você tá irritado com a emoção, talvez você usa a arma ali contra alguém, você consciência ou contra você mesmo na em san consciência nunca faria isso. Imagina, é contra meus valores, não vou fazer isso. Só que quando a gente tá tomado pela emoção, a cognição derruba. Quanto mais emoção, menos razão. Não é, não é nunca. Não sei se dá para afirmar que nunca, Mas raramente
é uma decisão racional. raramente é um pensamento, é, é uma emoção que toma controle num momento de crise, controle, na grande maioria das vezes. É, e aí de novo, né, uma emoção que toma conta frente a todo esse contexto já prévio que a gente tá falando. E aí eu tô te dando essas sensações, essas essas sensações, essas características mais nucleares, né, como desesperança, como pertencimento frustrado, como sensação de ser um Fardo, a capacidade adquirida. Só que dá pra gente pensar em outros elementos que tão ainda mais basais, digamos assim, eh, no funcionamento daquele indivíduo. Por
exemplo, às vezes a pessoa ela tem já algumas dificuldades num na no repertório de regulação emocional, é uma pessoa que já é mais impulsiva, é uma pessoa que já, sei lá, testemunhou, não testemunhou, né, olhos ali, eh, ao vivo, ao vivo, né, mas ter perder um parente Por su uma pessoa que, eh, sei lá, tem um histórico de sofrimento, sofreu um trauma na infância, então você já vai tendo um terreno que Vai ser. Ninguém faz isso. Ah, olha que ideia que eu tive aqui. Deixa eu fazer, né? Uhum. Algumas pessoas, talvez, sim, talvez o pode
uma falta de sentido e uma hiperracionalidade sobre a vida e entrar em questões nilistas levar a isso. Talvez deve ser mais como de novo, uma peça do quebra-cabeça, né? Eu, por Exemplo, sou uma pessoa que reflete para caramba sobre o que é a vida, o que vale a pena, será que estamos sozinhos aqui, qual o sentido da vida? Eh, porque e eu nunca cheguei nem perto de cogitar em um tirar minha vida, entende? Então, não é porque você tem reflexões existenciais que você vai estar nessa direção. Agora você junta isso outros com desesperança, com um
histórico enorme de sofrimento, posso ter um transtorno mental, um déficit de controle de impulsos, eh, Essa sensação de que eu tô sozinho no mundo, de que meus problemas não têm solução. Aí é mais uma peça do quebra-cabeça. É porque eu eu sempre penso assim, né? Eu eu eu tenho meio que blindado esse pensamento de mim e dentro de mim por saber que, pô, eu tenho um transtorno mental e acho que a gente vai falar sobre isso também. Eh, saber que isso pode ser uma possibilidade, né? inclusive na na bula do remédio que eu tô tomando
ali diz que pode causar risco De de de ação nesse sentido. Eh, e o pensamento que eu tenho é sempre o seguinte, é o meu mecanismo de me blindar disso. Independente da situação em que eu estiver, eu sempre posso revolucionar completamente a minha vida e viver outra vida. Tudo que eu posso desaparecer essa semana, pegar tudo que eu tenho e comprar uma passagem paraa Europa e nunca mais vai aparecer. E a minha vida vai ser outra. Os problemas que eu tenho vão ser outros. Os prazeres Que eu tenho vão ser outros. Aham. Eu sempre penso
assim, sempre vão existir momentos bons que vão justificar eu estar vivo. Então é meio que o meu pensamento que me blinda de tudo possibilidade. Exato. E esses teus pensamentos vem da onde, né? Você tem uma certa personalidade que tem uma carga genética importante na sua formação, que tem um histórico da tua infância, adolescência. Eh, você tem um histórico, provavelmente De vida em que você aprendeu coisas do tipo, se tem um uma um uma parede aqui, uma uma porta que se fecha aqui, dá para abrir outras ali. Então, você tem uma história que diz o quê?
Olha, sempre há uma alternativa. Sempre há alternativa, sempre há caminho. A depender da história de vida da pessoa, ela não vê isso. Eh, ela literalmente teve uma história de vida e que isso nunca aconteceu. Uhum. Né? Então, isso que faz os seres humanos ser Tão diferentes e tão individuais e tão particulares e tão idiossincráticos, tal. E aí muitas vezes o trabalho de um terapeuta, de um psicólogo, é ajudar a achar essas outras portas. Falar assim: "Ó, eu sei que você só tá vendo essa porta fechada aqui, que parece que não tem mais para onde ir,
mas vamos lá, tem várias coisas pra gente fazer aqui, entendeu?" Uhum. Posso fazer uma pergunta que seja talvez estúpida? Eh, por que que não é um direito da Pessoa, vamos dizer, se tu comete uma tentativa dessas assim, isso é um crime, isso é é visto como um problema. Eh, como é que dizer? Obviamente é um problema de saúde, de saúde mental, mas por que que eu não posso simplesmente escolher isso, né? Perfeito. Não sei se essa pergunta faz sentido. Ela faz sentido. Ela faz sentido, até porque ela tem várias implicações assim. Eh, eu vou só
aproveitar a sua pergunta, eh, que você falou de é considerado Crime, como é que é? Para te contar até algumas coisas, especialmente para quem tá assistindo a gente, né, aprender a falar um pouco sobre o assunto. Você falou assim: "Ah, a pessoa comete uma tentativa, tal", né? A gente sa, hoje a gente evita ao máximo na área da saúde mental falar em cometer suic, porque a palavra, o verbo cometer, ele geralmente tá associado a crime, né? Fulano cometeu um delito, fulano cometeu um crime. Eh, como eu disse, felizmente essa área é Uma área muito pesquisada.
A gente já sabe, com base em dados que quando a gente fala no verbo cometer, que por tá ligado a crime, né, gera mais estigma. Tá? Então, a gente hoje evita falar em cometer o suicídio, a gente fala em tentativa de suicid comportamento, eh atentar contra a própria vida, atentar contra a própria vida, tentar tirar a própria vida ou tirar a própria vida, né? Do mesmo jeito que a gente diz Assim: "Ah, fulano fez uma tentativa de e falhou". A gente não fala isso porque o falhou parece que ele fez, ele não foi bem-sucedido e
a meta, ele fracassou, né? A ideia dele ser bem cedido. Não, não. Então a gente não quer fazer essa associação aqui. Então a gente diz que fulano fez uma tentativa de su e sobreviveu. Ou fulano fez uma tentativa de com um método que não foi letal, né? Só para evitar associar sucesso com conseguir morrer e fracasso com ter Ficado vivo. E e os veículos de comunicação têm acertado nesse sentido? Alguns sim, outros não. Tem até profissional de saúde que faz errado, simplesmente porque não sabe assim. Eh, para quem é do meio de comunicação, é importante
saber, existe um documento na internet que você vai lá e baixa do Google, tal, que são diretrizes pra mídia de como falar sobre o assunto. Então, do tipo, não pode falar do método, tem que evitar tais palavras, Não pode descrever tais coisas assim. Mas é crime fazer isso, por exemplo, existe uma penalização? Não, não existe uma penalização, mas é assim, pô, contribui aí com o planeta assim, né? tipo, contribui com as pessoas, não vai fazer, né, do jeito errado. E aí você perguntou de crime, eh, no Brasil não é crime no sentido de uma pessoa
faz uma tentativa contra a própria vida, ela é ela sobrevive e ela então vai ser multada, ela vai ser presa. Isso não Existe, não é um crime nesse sentido. Bem, como não é um direito, né? Você não pode lá pedir pro estado terminar com a sua própria vida, né? Então não é um crime nem é um direito, mas é um crime incitar tentativa de Então, por exemplo, eu já testemunhei eh uma pessoa que tava eh eu nem era da área de saúde mental ainda, para você ter ideia, eu era um adolescente, uma pessoa que tava
ali na beira de um prédio, ameaçando se jogar, juntou uma Galera em torno e começou a gritar: "Pula, pula, pula". A hora que chegou a polícia, ela prendeu algumas pessoas ali. Provavelmente isso é crime. Você tá incitando, você tá incentivando. A pessoa tá lá e você tá incentivando, vai se mata, pula mesmo, né? Mas, mas isso faz sentido isso ser considerado crime? Faz, faz. Porque que o time de futebol joga melhor quando a torcida tá no a favor dele do que quando tá contra, né? O time joga em casa. Tem um efeito do os Fatores
psicológicos motivam, então tá motivando, né? É, a pessoa tá dizendo, ó, vai, vai, vai lá, vai lá, né? Então, geralmente é que a gente faz uma coisa que a gente quer que aconteça, né? Então, sei lá, eh, se a gente tá num lugar, você tá paquerando uma moça lá e você tá meio tímido, eu acho, eu falo, vai, Fermento, vai lá, fala com ela, conversa com ela, se apresenta, tal, eu tô te incentivando a fazer uma coisa, tentando fazer você fazer essa coisa. Eu Tô partindo do pressuposto que isso é uma coisa que vai ser
legal para você, né? Que é uma coisa que você quer fazer, eu tô só tentando te incentivar. Então ali você tá incentivando um comportamento que que não é o que deveria ser incentivado. Mas por exemplo num num relacionamento, né, quando tá acontecendo um término de um relacionamento, às vezes não é um término que tá acontecendo de uma maneira tão tão agradável, eh acontece Tipo de uma das pessoas falar: "Não, agora que a gente terminou, eu vou tirar minha própria vida e tal e tal". E a outra pessoa, ah, então tira isso, já seria um crime?
Cara, boa pergunta. Eu não sei responder essa pergunta porque não sei exatamente, não sei a resposta é não sei. Agora se você e alguém tá nessa situação, se se você olha para isso e fala: "Puxa, tá, pelo que eu conheço essa pessoa isso existe um risco, né? Tipo, [ __ ] eu eu Era o centro da vida dessa pessoa, essa pessoa tem um relacionamento comigo, é muito importante para ela, tô terminando com ela, tô fazendo muito mal para ela." Talvez o que você possa fazer aqui é assim, ó. Então, eu não vou te deixar sozinho,
né? Eu vou ligar pra tua mãe, vou ligar pro teu pai, vou ligar pro teu irmão, vou ligar pra tua melhor amiga, vou ligar para alguém e dizer que você tá em risco, que você não pode ficar sozinho, que você precisa ficar com você Acompanhada e daqui para ali essa pessoa vá ser cuidada do ponto de vista de saúde mental, com psicólogo, com psiquiatra, se for uma ultraemergência, eventualmente com uma internação, sei lá, entendeu? Uhum. Para alguém assumir essa alguém assumir essa responsabilidade. Cara, qual que é a incidência que tem de pessoas que fazem isso
no mundo? No Brasil é melhor? É pior no Brasil. Como é que é? A, eh, a cada 4 segundos uma pessoa tira a Própria vida no mundo. Mentira. Ah, e outras três fizeram uma tentativa e sobreviveram. Você conta aqui. É sério? Só conta aqui. Um, dois, três. Uma pessoa acabou de morrer por su é problema gravíssimo de saúde mental. Meu Deus, pô. É, eu não sabia que era tanta coincidência. É, é. Por exemplo, você tem e isso vai. É, eu tô te dando uma média e eu nem sei todos esses números de cor, mas isso
varia, por exemplo, homem, mulher, religioso, Não religioso, mais jovem, mais velho, mas, por exemplo, na faixa etária ali de 20 a a 30 anos, só perde para acidente de carro, por exemplo, né? Você tem países que o número de de mortes por suicente a de países em guerra, né? número de perdas de vida ali. E e normalmente tá associado a outros fatores, né, aqueles que a gente trouxe, mas eh eu lembro, por exemplo, associação de de alguns transtornos mentais ou de saúde mental, tipo Depressão com a luminosidade do país, né? O país tem menos sol,
pessoa, sei lá, tem o ciclo, se ficar de ano mais desregulado ou tem humor mais essa da luz. Parece que a última vez que eu consultei a literatura, ela foi descartada, assim, parece que o efeito tem muito mais a ver, tem menos a ver com luz e tem muito mais a ver com a perda de coisas, né? Então ela não sabe mais de casa, ela não vê tantos amigos, ela não faz atividades que ela gosta, Tem muito mais Exato. do que a luz. Exatamente. Mas, por exemplo, eh, a gente sabe, por exemplo, que homens morrem
mais por suicídio do que mulheres, mas mulheres fazem mais tentativas. Então, o que acontece é que o homem ele usa métodos mais letais, métodos mais agressivos. Então, o número de tentativas de mulher é maior e eh de homens a o número de mortes é maior. E aí tem muitas coisas na literatura, fermento, que são bem curiosas assim, do Tipo, eh, religião, hum, protege ou é fator de risco, né? Depende. Se a pessoa, por exemplo, tem uma religião e ela é heterossexual, a religião costuma ser um fator de proteção. Então, a pessoa não tira a própria
vida porque ela entende que isso é um pecado, isso é errado, ela vai ser punida no outro plano, etc. Se a pessoa é homossexual, se ter uma religião geralmente aumenta a probabilidade. Por Quê? Aquele não pertencimento. Não pertencimento, né? Geralmente as religiões vêm com muito maus olhos o homossexual, né? Deus não gosta, você tá fazendo uma coisa errada, é, é safadeza, é sei lá o quê, né? Eh, perversão, então você não devia fazer isso, então você é mais excluído, etc. Então tem muitas, muitos detalhes e pormenores, né? Por isso que quando a gente atende um
paciente em consultório, tem que fazer uma avaliação bem detalhada, bem Profunda, bem passo a passo da história de vida daquela pessoa, dos fatores daquela pessoa, o que que ajuda, o que que atrapalha aquela uma pessoa, entendeu? Tem algum fator genético nessa vida também? Tem, tem, por exemplo, aí são fatores genéticos mais relacionados a controle de impulso, a regulação emocional, a sistema de recompensa. A gente tem tem alguns algumas características também. Qual, qual, vamos, vamos falar um pouco dessa Relação com os outros transtornos mentais para, para compreender. Eh, acho, acho que depressão, que é o mais
clássico, todo mundo deve est pensando nisso, ela é considerada uma das etapas da depressão ou ela antecede a depressão ou é nenhum dos dois. É, quando você diz uma das etapas, acho que você quer dizer é algo, é tipo, a pessoa tá tão deprimida que ela fez isso. É isso, é isso, é isso, é isso. É comum você ter isso na depressão, é comum você ter Tentativa de entre personalidade, borderline. É, e aí geralmente é por conta da da desregulação emocional que é bem severa no né, é basicamente é uma das características definidoras desse transtorno
e muita impulsividade aqui, né? Então são coisas que eh a as pessoas que têm transtorno personalidade de borderline, elas têm uma hipersensibilidade emocional, né? Então Do mesmo jeito que talvez você tenha uma hipersensibilidade à luz, você sai aqui, fecha o olho, precisa de um óculos de sol, né? A pessoa borderline, ela tem essa hipersensibilidade emocional, então as coisas que ela sente, ela sente de forma mais intensa, mais frequente, por mais tempo do que as outras pessoas. E toda emoção eh nesses dessas que a gente não gosta de sentir, né? eh, tem um desconforto, é du,
é difícil, aí vem o pensamento de que não tem o que fazer e Isso vai sendo desacerbado. E por conta às vezes ali de uma de uma crise, de uma situação ali, né, mais impulsiva também tem bastante. Todos os transtornos têm pode apare, todos é um exagero, mas quase todos os transtornos psiquiátricos ali, os transtornos mentais, você pode ter sim eh, comportamentos, né, transtorno alimentar, eh, toque, né, eh, até eh transtornos de ansiedade social mais severos. Então, o o S ele não é uma um Tema que você consegue atrelar, né? Atrelar. Eh, ele tá aqui
na depressão, ele tá aqui na depressão e no border. Ele é o que a gente chama de transdiagnóstico. Ele pode aparecer em várias situações. Talvez por isso que ele seja uma questão tão importante assim de saúde pública, né? Eh, dada a incidência, a prevalência disso, dado obviamente as consequências, né, a seriedade do do problema. Eh, acho que sempre cabe essa pergunta, né? Eh, que Mundo a gente tá construindo para ter tanta gente querendo morrer? Tu acha que tem a ver com o mundo em algum eh o nosso mundo hoje a gente consegue afirmar que ele
é pior paraa saúde mental do que ele era antes? É, essa é uma pergunta bem difícil de responder, porque se a gente olhar para 200 anos atrás, a gente praticamente não tem nenhum dado de saúde mental, né? Então a gente não tem nem dessas taxas de de taxas, tem alguma coisa assim, mas Nada perto do que seria legal pra gente ter uma resposta assim. O que a gente sabe é que tem várias características do do mundo assim que melhorou. Uhum. Né? Então a gente sabe e apesar de todas as guerras, a gente tem muito menos
guerra hoje do que a gente já teve. Tem até um livro do Steven do Stephen Stephen Pinker que ele discute um pouco essas coisas. Ao mesmo tempo, a gente tem vários outros problemas que a gente não tinha tempos atrás, pré- internet e tal, Né? Mas, por exemplo, quanto maior a desigualdade social de um país, maior a chance de você ter, por exemplo, né? Faz sentido, né? Total, né? Então, quem tem dinheiro tá sempre num num se sentindo ameaçado, tá? E quem não tem tá sempre ali na dúvida se vai ter um prato para de comida
para comer amanhã, né? Então você tem sofrimento em todas as pontas aqui e no meio também, obviamente. Eh, então a gente sabe, obviamente que países que têm mais instabilidade Econômica, mais instabilidade política, tem mais. Quanto mais repressivo é é uma mais repressiva é uma cultura, mais você vai ter também, né? Então a gente tem vários indicadores, né, sociais, culturais, assim, que que a gente tem uma boa correlação também, né? Uhum. Eh, quais são os sinais que a pessoa dá eh, quando ela tá com esse tipo de pensamento assim, como que eu, como um familiar, como
um amigo, não como um psicólogo, acho que depois a Gente entra nessa parte como psicólogo, mas como um familiar, amigo, como eu posso identificar uma pessoa e e quando eu identificar, o que que eu posso fazer por ela? Perfeito. Tem alguns algumas coisas importantes assim. Toda vez que você vê uma pessoa dizendo coisas como eh eu não suporto mais tá aqui, a minha vida não tem sentido, eh era melhor que tudo acabasse. Eh, aí mais óbvio, né? Fia tá Morto. Qualquer fala nesse sentido sempre cabe uma conversa, uma investigação mais cuidadosa. Assim, se for alguém
que você tem intimidade, que você possa chegar e abordar, ótimo. Senão, falar para algum amigo mais íntimo dessa pessoa, ó, notei isso aqui, acho que vale a pena entrar, tal. Então, acho que isso é uma coisa, tá? Então, esses são alguns sinais importantes. Outros sinais que a pessoa pode acabar dando assim, imagina uma Pessoa que tá sofrendo, sofrendo, sofrendo, sofrendo, de repente ela parece, tá tranquila, ela traz uma tranquilidade inesperada assim. Hum. Chama um pouco de atenção. Às vezes é uma pessoa que decidiu já fazer alguma coisa, é tipo o pensamento, ela tava sofrendo, sofrendo,
sofrendo, encontrou uma solução, encontrei uma solução, tipo, pronto, tô aliviado, né? Então, opa, isso aqui chama atenção, né? Sendo que os Problemas não foram resolvidos. ela sai com os menos problemas, né? Outra coisa, pessoas que começa a fazer, sei lá, familiar te chama, começa a te falar: "Ó, deixa eu deixar aqui só assim, né, a minha senha do banco para você, se precisar, ó, essa aqui são as propriedades que a gente tem na família, né? Começa deixar as coisas um pouco organizadas. Ah, caso não esteja mais por aqui, diferente obviamente de um contexto, né? A
pessoa vai fazer uma Super cirurgia, né? Talvez ela queira já porque pode acontecer alguma coisa. É, esse é o tipo de coisa. Agora, quando você vai abordar uma pessoa e falar com ela, a primeira coisa que você não deve fazer é ficar tentando dizer para ela que aquilo não faz sentido, né? Tipo, pô, você tem uma vida boa, todo mundo te ama, olha só as coisas que você tem, você é uma pessoa legal, bonita, um monte de amigo, não tem por quê? Não tem Nada a ver se pensar nisso, não. Isso você não deve fazer,
tá? Eh, você tá indo totalmente na direção de invalidar o sofrimento dessa pessoa. Então, você tem que entender por que ela tá pensando nisso, né? Qual é o sofrimento? Quais são os problemas? O que que ela tá sentindo? O que que ela tá pensando? O que que aconteceu? Outra coisa bem importante aqui é falar os termos certos. O que eu quero dizer com isso? Você nunca deve Chegar e falar assim: "Não tá pensando em fazer uma besteira não, né? Você tem que falar direto ao ponto, assim, você tá com algum pensamento de tirar a própria
vida, você tá com vontade de morrer, mas tem que perguntar direto ao ponto assim, eh, porque esse é alguma besteira, não é muito preciso, não é muito claro o que que é uma alguma besteira, né? Fazer alguma besteira pode ser doar todo o meu patrimônio pro lar dos gatos abandonados. Essa pode ser a Besteira, né? E talvez isso também cria algum estigma no sentido de, ah, então se isso é besteira, eu tô pensando besteira, então eu tô errado de novo. Mais angústia, mais sofrimento, mais eh talvez fardo que eu sou para os outros, mais isolamento,
né? E bom, feito isso, né? Identifiquei, abordei de forma validante, entendi, não chamei de fazer besteira, etc. dizer, ó, tô aqui, quero te ajudar, vamos pensar nisso junto. E procurar, Obviamente, ali um serviço de saúde mental, né? Um psicólogo, um psiquiatra, os dois, né? E e se for uma coisa que tá assim, uma coisa é a pessoa, ah, eu não tô bem, eu penso nisso sim e tal, outra coisa é uma coisa tá iminente, assim, a pessoa tá com intenção, ela tá com planejamento, ela tá com acesso a meios letais, aí é uma coisa que
assim, ela não pode ficar 30 segundos sozinha, ela vai fazer cocô, você vai ficar ali junto, pertinho ali, meio vendo ela Fazer cocô de ladinho enquanto ela faz cocô, porque ela não pode ficar sozinha, né? E aí você tem que tirar coisas de perto até conseguir um tratamento, alguma coisa assim, entendeu? Eh, quando a pessoa chega no psicólogo, né, ou ao longo das consultas isso evoluiu para chegar até nesse estágio. O que que um psicólogo faz? E e às vezes quais são esses sinais assim, né, além dessas falas que tu falou, tem mais alguma outra
coisa que dá para perceber? Além, Então tem tudo isso, só que assim, eh, na psicologia clínica você não deveria esperar o paciente falar, você deveria perguntar, tá? Então, o que que acontece? Eh, eu não, às vezes o paciente não quer falar sobre isso, às vezes ele não sabe se ele deveria falar sobre isso. O paciente não tem que saber como é a terapia, eu que sou profissional tenho que saber conduzir, né? Então, por Exemplo, se o meu paciente ele tá ali me relatando um sofrimento, provavelmente ele tá, porque ele veio no psicólogo, né? Ninguém vai
no psicólogo quando tá tudo lindo e maravilhoso, só compartilhar as boas notícias, né? geralmente procura o que tá em sofrimento. Eu posso introduzir o tema para falar para ele alguma coisa no sentido. Imagino que você é o meu paciente, eu falo fermento. É comum que algumas pessoas eh Vivendo o que você tá vivendo, sofrendo o que você tá vivendo, tudo que tá acontecendo na tua vida nesse momento, eh pense que seria melhor deixar de viver, é não tá aqui, torcer por uma morte espontânea, considerar até tirar sua própria vida. Isso passa pela sua cabeça, é
uma maneira de investigar, né? Eu tenho um, eu tenho no sentido de que eu uso, né? Não fui eu que criei, eu uso uma ferramenta, uma, um uma entrevista, uma, um questionário que eu Mando pro meu paciente antes da primeira sessão. Uhum. Então, a hora que eu entro com ele na primeira sessão, é um é um questionário, tem 45 afirmações que ele tem que colocar lá. Não, sempre, nunca, talvez. Bl. Ele faz assim, 6, 7 minutos. A pergunta oito é: Eu tenho pensamento sobre tirar minha própria vida? Nunca, quase sempre, às vezes, raramente, né? Eu
chego na primeira sessão, eu já sei o que que ele diz sobre isso, tá? Então assim, esse é um tema que a gente não Pode comer bola porque tem o paciente que é óbvio, ele chega na primeira sessão, você já sabe que putz, pelo menos pensar nisso, ele já pensou, porque é muito sofrimento. Agora tem paciente que isso não é óbvio e se você não perguntar você vai comer bola, né? Você precisa saber disso, porque se estiver numa nota mais elevada, né, a de zer a 10, qual é a chance de você fazer isso hoje?
Oito. Cara, eu preciso interromper as o o caminho que a Consulta tava indo e ter uma estratégia de manejo disso para que essa pessoa não tire a própria vida. Então, qual é a estratégia? Aí tem várias, né? Eh, depende do grau de intenção, planejamento e acesso a meios letais. O primeiro sempre é tirar o acesso a meios letais, tá? Então, mas tipo, mesmo que isso tenha que, sei lá, deslocar a pessoa do trabalho dela, mesmo que tenha que deslocar a pessoa, né? Então, às vezes acionar alguém, né? Tipo, ó, Fulano me falou que ele guarda
tal objeto em tal lugar pra segurança dele, eu preciso que você tire isso dali e tire todos os objetos assim, assim, assado e sei lá, leva pra casa da tua avó, tranca numa gaveta, né? Você precisa tirar o acesso mesmo assim. Eh, aí vai depender do grau, mas assim, se é uma pessoa que tá com uma ideação mais elevada, é isso. Ela não pode ficar sozinha, né? Ela tem que ficar sendo monitorada. Se é uma pessoa que tá com Grau que assim, não é algo que passa na minha cabeça, não vou fazer isso hoje, OK?
você vai fazer o tratamento psicológico, ela vai est indo lá toda semana, ainda considerando, ainda pensando, mas é no nível que dá para você fazer o tratamento, ela vem na terapia toda semana, tal, eventualmente você vai ter uma crise ou outra, aí tem um plano de segurança que a gente faz e tal. Eh, e num caso extremo assim, cara, sei Lá, a pessoa, sei lá, não tem alguém que possa contribuir, assim, não tem ninguém que vai lá tirar o meio acesso ao meio letal. Eu não consigo convencer essa pessoa de jeito nenhum a não fazer,
né, né? Vai pra internação. Eh, a internação não é uma coisa legal, não é o ideal, mas às vezes é a única coisa que tem, tá? Como é que funciona a internação? Internação, primeira coisa, eh, você tem que solicitar para um médico. O psicólogo Não pode fazer solicitar internação por lei, tá? Existe a internação voluntária, que é o paciente que diz: "É, realmente eu preciso assim, eu quero ir porque a coisa tá difícil, é melhor eu ir, senão vai dar ruim, eu quero ser internado, né? Existe a internação involuntária, então o paciente não quer ir
e ainda assim ele vai, tá? E isso é super sério assim, tá? O médico ele tem Que comunicar o Ministério Público que ele fez essa internação, porque não é car privada, né? me botando num lugar que eu não quero tá, né? Então, o médico psiquiatra, ele precisa eh notificar o Ministério Público, precisa atualizar, etc. Tá? E existe a internação domiciliar, que é você faz todo um esquema de cuidado em casa, mas aí você precisa ter uma rede de apoio bem Grande, você precisa ter familiar envolvido, eles assinam um termo tal. Agora, uma coisa importante, uma
internação voluntária pode se tornar involuntária. Você pode falar assim: "Ó, beleza, eu topo ir, acho que eu preciso ir." Dá três dias fala: "Ó, tô bem, eu quero ir". E a equipe lá fala: "Cara, hum, hum, essa pessoa se sair daqui, ela tem tá em risco". E aí se torna involuntária, entendeu? Mas aí isso precisa ser muito bem justificado Clinicamente, né? O médico tem que prestar contas ao Ministério Público. Tudo isso. Tem algum remédio que é comum dar para esse tipo de pessoa assim que solucione? Então, vai depender do caso clínico no sentido de se
é uma pessoa que tende a fazer tentativa de numa alta eh impulsividade, talvez um remédio que tenha a ver com controle de impulsividade. Se é uma pessoa que, tipo, tem um e faz isso mais num contexto de depressão, você vai tratar a Depressão, né? Eh, então vai depender do que que é a base ali do problema da pessoa. Mas a relação tipo, por exemplo, do lítio, né? O o o lítio, salvo engano, ele foi descoberto em algum país porque tinha muito na água e tinha uma taxa de pessoas que atentavam contra a própria vida que
era menor. Tem existe uma relação assim direta, remédios menos, tipo assim, um estabilizador de humor, ele protege de alguma forma uma pessoa, só se a pessoa tiver problema Com isso. Com isso. Exatamente. Sempre é esse o é sempre esse o critério, o o requisito. E aí quando você tem uma porque assim, uma coisa de de pessoas que consideram tirar a própria vida, talvez você diga assim: "Não, mas método letal tem em qualquer canto." Isso é verdade, né? Isso é médio verdade, porque o paciente ele não, ele tem os métodos que ele entende como aceitável, não
é porque ele faria pelo método A que ele to fazer pelo método B. Uhum. Entende? Então o que que acontece? Se você tem uma pessoa que, eh, por exemplo, tem a ideiação tem uma intenção importante e ela eh pensa em tomar remédio Uhum. e é uma pessoa que faz uso de medicação, essa medicação tem que ser controlada por um terceiro, porque a a medicação normalmente é é perigosa, então possibilidade Exato. Então você, tua esposa vai lá e te dá o teu comprimido naquele dia ou deixa você, sei lá, com com remédio, sei lá, Pr pra
semana, para dois, três dias que não vai ter nenhum grau de letalidade, entendeu? Entendi. Que que complicado. É, e aí vai depender do remédio. Tem remédio mais letal, tem remédio menos letal. Agora vou te dar um exemplo só para você ver como restringir acesso à maila e tal. É importante. Eh, sabe, Tilenol? Uhum. Eh, no na Irlanda, na Inglaterra, não lembro exatamente onde foi, eles vendem, Vendiam e o tilenol que a gente compra aqui é aquele que você vai tirando um por um, né? Vai apertando e vai tirando. Lá eles vendiam aquele spot que você
vira assim e cai um monte, sabe? Eh, acho que tipo vitamina assim, você vira e dá, se você virar rápido, caio lá, por conta das pesquisas no campo da cidologia, foi proibido que o tilenol tivesse esse potão. Você teria que ter o de destacar um por um igual é aqui. Caiu a taxa dos porque o tempo que O cara levava para tirar remédio suficiente para morrer, ele já tinha mudado de ideia. Caraca. Então a gente precisa ter esse controle de tempo. É um, é um é 10 segundos que tu ganha é o que às vezes
10 segundos que você ganha faz a diferença. Exatamente. Por isso que acesso ao meio letal é o primeiro passo, né? E aí todo o resto é tratamento psicológico mesmo, né? é é lidar com as questões da vida, com os pensamentos, Com os comportamentos, com as emoções, é resolução de problemas, é conquistar coisas, é validação, é valores. Aí você vai além do manejo de comportamento, tratar um transtorno, se tiver um, né, é depressão, é borderline, é anorexia nervosa, é bipolar, o que é. E aquela terapia da vida mesmo assim, né, que é importante para você, que
pessoa que você quer ser. Você segue uma hierarquia, né, do mais grave do que traz mais impacto e Prejuízo para as coisas que são mais tranquilas, mais leves. A pessoa, ela se reabilita completamente depois de um episódio, uma tentativa, um pensamento assim ou ela sempre vai ter que se monitorar de alguma forma? Tem de tudo, fermento. Tem pessoas que sobrevivem a tentativa de e nunca mais eh pas fazem, continua sofrendo, né, tendo seus problemas, suas dificuldades, fazendo seus tratamentos, mas nunca mais faz uma Tentativa. Eh, ao mesmo tempo, a gente sabe que o fator de
riscos número um para uma tentativa de é tentativa prévia. Caraca. Então, quanto mais tentativas uma pessoa já fez, você sabe que mais risco ela tem, né? Então, uma pessoa que parece ali mesmo querer morrer e o método não não foi letal, né? Não foi letal. Isso aí. E é é normal, a gente leva um tempo para acostumar com com a linguagem, né? Então você tem um pouco de tudo assim, Tá? E essa essa pessoa que ela ela tentou, né? Eu ouvi falar uma vez que normalmente a pessoa se arrepende eh durante, né? Então quando ela
ela tenta, por exemplo, um método letal, não instantâneo, né? Ingerindo algo ali, eh normalmente ela se arrepende. Isso é isso é comum. Isso é comum. A pessoa se arrepende no meio do processo, ela pede ajuda antes de que acontece, porque deu aquele timing que a gente falou, deu aquele timeing, ela Fez, falou: "Não quero mais, não era isso, né? Corre pro hospital, corre para hospital, chama alguém". E geralmente esse intervalo de tempo é o que salva a vida dela. Se ela talvez se arrependesse 10 minutos depois, isso tarde demais, entendeu? Às vezes é aqui me
corre, faz lavagem, faz isso, faz aquilo e aí consegue sobreviver. Entendeu? Como que as pessoas ao redor de de uma pessoa que fez isso e e foi letal podem lidar com esse trauma que Foi gerado? Porque eu imagino que algumas das pessoas que estão assistindo aqui talvez conheçam alguém que que passou por isso e tal. Eh, qual é a forma psicológica de lidar com isso, né? Como que os psicólogos tratam isso também? Geralmente essa pessoa ela vai precisar de um apoio psicológico, né? ela vai precisar passar por eh todo um processo de de entendimento, de
aceitação, eh de até desculpabilização, Que muita gente se culpa, né? Tipo, ah, é porque eu fiz isso, é porque eu não fiz aquilo, se eu tivesse feito X ou se Mas isso faz sentido de alguma forma? Se você se você considerar que o o o comportamento de suicídio ele é multifatorial, geralmente faz sentido, né? Tipo, você não tem ali uma coisa, é uma variável no meio de um monte ali, né? Eh, a não ser lógico, né? Você tem uma pessoa ali que abusou, que, né, violentou e inúmeras vezes, bom, e sem Dúvida você no grande
quebra-cabeça responsável por várias das peças aqui, né? Uhum. E aí, às vezes é uma questão de olha, né, é isso, você fez isso e mas isso é mais exceção do que a regra, tá? Geralmente é muito acolhimento, muita validação do sofrimento. É é meio que uma terapia de luto mesmo assim, né? De de tá ali com a pessoa para ela passar. é um é um é um trauma que acaba sendo mais difícil de superar do que os outros, assim, ele tem um acho que Depende da relação que essa pessoa tinha com a pessoa que ela
perdeu, né? Então, às vezes, é é uma relação bem vai depender, né, o quão querida essa pessoa era, o quanto você detestava aquela pessoa e só que ele era teu pai, né? Eh, mas geralmente tem muita dor envolvida, né? Muito sofrimento. Uhum. queria que tu deixasse um recado para pras pessoas que estão assistindo, mas eu acho que em especial para quem acompanhou até aqui e cara, tá passando por algum tipo de Pensamento ou já pensou ou sente que tá num sofrimento que não tem outra solução e tal, acho que é um recado importante. Perfeito, perfeito.
Acho que em primeiro lugar é saber que o ele é uma tentativa de solução permanente para problemas que muito provavelmente são temporários, né? Então, a hora que você vai e tira a sua vida, você e na tentativa de resolver os seus problemas, esses problemas eles podem ser temporários, esses problemas Têm outras soluções, eles têm outro caminho. Então, por pior que você esteja se sentindo neste momento, por pior que esteja a sua vida nesse momento, tem uma luz no fim do túnel, tem esperança, tem como você melhorar a tua vida, voltar a ver sentido, voltar a
ter propósito. É um momento horrível, é a sensação do fundo do poço, mas esse poço tem saída. Esse poço tem é maneiras de você conseguir voltar a ver a luz do dia, voltar a ter uma vida digna, uma vida Que vale a pena, né? Isso para quem tá vivendo isso, né? Para quem quer ajudar uma pessoa, o primeiro ajuda é não atrapalhar, né? Então, não julga, não critica, eh, não menospreza, não acha que é egoísmo, não acha que é besteira, não acha que é para chamar atenção. É uma pessoa que está em sofrimento e que
você pode fazer a diferença, né, entre ela viver e morrer, né? Então, ouvir essa pessoa, acolher essa pessoa, direcionar ela para um atendimento Psicológico, para um psiquiatra, pelo menos aí pro CVV, né, o o Centro de Valorização à vida, o o número 188. Então, provê esperanças, ajuda essa pessoa a caminhar, a sair desse lugar. E para quem deseja eh bom, conhecer o teu trabalho ou talvez buscar ajuda contigo, né, buscar um tratamento psicológico contigo, aonde que te encontra, tá? Eu tô é no Instagram, no @janleonard J A N Leonard e eu também sou diretor do
Instituto de Psicologia Baseado em Evidências, o IPBE, lá mais para quem é colega aí de profissão, né, psicólogo, psiquiatra, a gente tem cursos de formação, tem curso inclusive sobre avaliação e tratamento de de comportamento suicida, toda a parte de psicologia clínica, prática baseada em evidências. Então tô lá no Instagram também. Bom, já fiz outros episódios aqui com você, já fui em outros podcasts, tô tô por aí. É, e tem algum algo que a gente não disse Sobre o tema que tu acha que seja importante trazer trazer à tona? Vamos ver, fermento. A gente falou eh
começamos com aquele disclaimer, né, da importância das pessoas se cuidarem aqui e ver se deveria ver esse episódio. Eu mencionei um pouco dos cuidados com a linguagem, falamos de alguns mitos, eh, diagnósticos, porque alguém considera tirar a própria vida, fontes de sofrimento. Acho que acho que era isso Que acho que o recado tá dado. O recado foi dado. Espero que chegue nas pessoas que precisam chegar também. Obrigado, Fermento, pela oportunidade de estar aqui e me dar esse espaço para levar essa informação aí pra frente. Perfeito. Eu que agradeço a sua presença. Obrigado, estamos junto. Valeu.
Obrigado. Valeu,