a morte do de doença são experiências que fazem parte da existência humana para enfrentá-las as sociedades desenvolveram meios para ajudar as pessoas a suportar essas difíceis questões da vida saúde pode mesmo ser definida como saber lidar satisfatoriamente com estas experiências a esse respeito à medicina moderna tem desafortunadamente destruído tanto capacidades culturais como individuais de se lidar com elas substituindo as por tentativas desumanas de transformá las em mercadorias medicalização em psiquiatria é o livro do ciência e letras de hoje um programa resultado da parceria entre o canal saúde e editora fiocruz conversam comigo no estúdio do
canal saúde paulo amarante médico psiquiatra e pesquisador e fernando freitas psicólogo e pesquisador ambos da escola nacional de saúde pública sérgio arouca da fundação oswaldo cruz sejam bem vindos à medicalização e psiquiatria lá no final vocês fazem um alerta que embora o termo medicalização remete diretamente a medicação e uso de medicamentos não devemos reduzir uma idéia a outra como é que a gente pode explicar o que seria medicalização pra entrar nesse assunto entender a complexidade que nós estamos falando a ideia porque o termo ele remete a duas e dez principais a medicina a prática ou
sabe é médico e ao medicamento a maior parte das vezes a gente encontra referência à medicalização como medicamento isso é um outro livro fácil essa distinção me provocando de medicalização e medicamento alização é de medicalização é tornar do campo médico algo que é da vida que é do da vida cotidiana que é corriqueiro que é natural algo que passa a ter uma racionalidade uma explicação predominantemente o exclusivamente médico então é deslocada da economia da cultura da sociedade para uma explicação médica esse é o principal processo da medicalização é transformar a natureza de um evento de
um fenômeno e aí como consequência vêm os tratamentos medicamentos nem os outros medidas mas essa é a principal distinção está nos ajuda a entender que está falando aqui de potência e de um poder que a medicina vem tendo com o tempo sobre essas outras áreas que citou e sobre isso que antes era natural e agora passa a ser regulado e consequentemente a gente vai perdendo autonomias com tudo isso é é um setor ou bem é um processo histórico de poder de trazer para o campo médico ou da medicina da saúde tudo aquilo que não fazia
parte até então nesse território deste domingo esse poder é e é isso que tem é caracterizado uma boa parte do sistema social em que nós vivemos a gente pode ser exemplificado por exemplo com o envelhecimento com o nosso próprio nascimento que eram momentos naturais da vida que agora me disse nem sim tem uma mão forte sobre eles e isso também de uma certa forma acabou ficando naturalizado é e tem outro aspecto que eu acho que talvez o mais chocante ainda o tão chocante quanto é a fabricação de doenças e criando mitos que em inglês é
o dizimam longa linha que é a expressão então é o caso do nosso irmão nosso trabalho nós focalizamos principalmente com a psiquiatria mas lembrando que esse fenômeno é um fenômeno muito mais global que você vai muito mais além do que o campo da saúde mental da psiquiatria o que é que vem se revelando é que se fabrica telas fabricando constantemente doenças como por exemplo osteoporose como por exemplo o problema a próxima canção na próxima como por exemplo é a pressão alta então uma série uma série de condições de vida de saúde que são é transformadas
ou em problemas de risco ou em doença como é o caso por baixo caso emblemático é a osteoporose ou seja se disse que a densidade óssea é fundamental é e só que o critério para medir a densidade óssea é uma jovem mulher nos seus 15 e 18 anos quando justamente a densidade óssea está no melhor estado então obviamente que a tendência é fugir da norma em com farah e dão sempre teremos uma questão não é porque você compara justamente quando ele está mais exatamente densa e aí a proposta então fazer exames então você cria uma
indústria por exemplo vai do médico que prescreve ao exame né como é feito a todo ano se deve fazer esse exame para prevenir é a prescrição do medicamento que é um caos a ironia é que o próprio cálcio bairro vai descer é responsável uma quantidade razoável de problemas com a idade ou seja micro fraturas ósseas provocadas por um tratamento feito então para poder contrabalançar o cálcio outro remédio é dado amanhã é uma analogia não é uma comparação que cabe perfeitamente os medicamentos também utilizados em psiquiatria né porque parte de um mito chega cria-se uma doença
ea partir dessa doença você dá um medicamento que depois a necessidade de outros medicamentos e criar novas doenças que é basicamente que vocês contam aqui né isso tudo parte nesse caso de um mito que seria um mito do princípio do desequilíbrio químico do cérebro que aquela aquela história que tantas vezes é contada que fica naturalizado como verdade né o que seria isso é primeiro lugar se é só para recuperar e fazer o a relação com que você perguntou antes e ficou o seu comentou sobre a medicalização da infância da terceira idade da sexualidade de vários
comportamentos políticos inclusive né então vão tendo uma uma racionalidade uma explicação que tudo é pensado sob a ótica nesse processo a uniformidade então a criança agitada criança desatenta é tudo isso vai tendo uma explicação como uma idéia do transtorno e vai sendo argumentado que esse transtorno são ocasionados por um desequilíbrio é neuroquímico é o que em absoluto não têm comprovação muitas das vezes a própria idéia de um desequilíbrio é ou de alguma alteração que o termo desequilíbrio já implica numa um pressuposto de que o equilíbrio o ideal um estado o dell mas existem alterações que
são decorrentes de estado de ânimo de estados emocionais que são conseqüência desses estados e é isso que se pode determinar rigorosamente uma relação de causa e efeito a questão que essa teoria do equilíbrio químico inverte ela coloca que há um desequilíbrio químico que promove o transtorno então o tratamento seria reequilibrar essa essa operação seria mais ou menos como dizer que a a dor de cabeça é a ausência de aspirina né decorrer da ausência de aspirina então fazem uma inversão em relação a esse nível e isso foi tão divulgado foi tão inclusive colocado por pessoa por
personalidades da área científica que acabou se transformando numa verdade para muitas pessoas e é a base dessa história toda a gente está contando aqui como é que a gente fala isso para as pessoas depois de terem sido tantas vezes reforçadas a essa essas visões que a gente sabe que não são verdade é eu acho que essa dificuldade ela é generalizada não é o que ocorre com o público usuário dos serviços de atendimento psiquiátrico aliás as drogas psiquiátricas não são nem dados propriamente por psiquiatras maior parte delas né são prescritas pelos médicos da atenção primária por
exemplo né as pessoas é um geriatra 1 um ginecologista um cardiologista receita e escreve então é isso acho que é importante mas as pessoas que são consumidores e achou o canto depois de anos que você está sendo tratado de maneira tal descobrir por exemplo que quem toma antidepressivo cada dez pessoas sete vai ter problema sexual fechou o cante super chocante né isso é consequência desse medicamento significa que a pessoa que tem um monte de princípio em geral já nos 30 primeiros minutos já sente a reação inclusive hoje os genitais né homem ou mulher já se
sabe a boca fica e mas é dito que a boca fica seca escopo pode tremer mas isso é um efeito natural só tem que guardar 10 a 20 dias porque daqui a 20 dias já vai começar a sentir os efeitos positivos certo então uma pessoa que está tomando antidepressivo um paciente está tomando um antipsicótico acreditando no médico descobrir quem o seu tempo de vida por exemplo o caso de psicótico é 20 anos a menos em média 20 anos a menos isso é um crime está sendo feito né e não é da saúde e numa escala
empresa gigantesca em tão más também a reação é entre profissionais eu acho maior porque é de se esperar que o paciente ele é paciente agora você é é é ver que os próprios profissionais psiquiatras mas também não só os psiquiatras e um psicólogo por exemplo que vai lá e recomenda pede para que o um psiquiatra como nossos serviços da rede de da reforma psiquiátrica os carros quem dá o diagnóstico é o psiquiatra tem prescreve é o psiquiatra então as equipes estão subordinadas de alguma maneira o poder médico e dependem dele ao descobrir isso consegue dar
conta disso a reação costuma ser de não querer porque isso vai me achar que se se um psiquiatra não faz isso que vai fazer o que vai fazer se um psiquiatra hoje educado a dar um diagnóstico e prescrever se ele perde esse prudência e não deixa de fazer isso o que resta é a gente fazer uma outra coisa mas não vai poder ser mais como ele aprendeu na escola médico é esse fala a palavra educado não à toa nem um determinado momento dele vocês falam que a educação tanto de pacientes quanto de médicos acabou ficando
a cargo da indústria ou seja o próprio mercado educa para aquilo que ele quer que seja consumido agora tudo isso que a gente está falando aqui tem como base uma aliança que vocês sintam e que é praticamente a espinha dorsal dessa história toda que a aliança entre a psiquiatria ea indústria farmacêutica sem tocar nesse ponto a gente não consegue entender como chegamos até aqui né é por isso que eu acho que é importante essa discussão ela tem reaparecido apareceu uma maneira inédita no mundo inteiro muitos autores importantes pesquisas muito importantes começando a discutir o uso
de medicamentos o uso indiscriminado uso exagerado a própria organização mundial da saúde este ano no 1 dia mundial da saúde é de co o seu relatório a questão da saúde mental mais especificamente aos antidepressivos chamando a atenção pela primeira vez que o uso indiscriminado diante de preciso tem se tornado um problema de saúde pública maior do que a própria depressão então até que ponto que nós estamos medicando estamos criando os problemas não têm surgido uma uma preocupação que diz respeito ao surgimento de novos atores nesse campo de usuários e ex-usuários sobrevivente da psiquiatria é psiquiatra
usados várias associações de de pessoas que se reúnem grupos de auto-ajuda ouvidores de vozes que vão começando a rediscutir vão testando essas novas possibilidades de de suspensão do medicamento seria acompanhado dê certo né e de não medicação porque muitas pessoas estão descobrindo através de outras práticas medicina integrativa as outras formas as soluções como é possível lidar com o seu sofrimento a dor a sua tristeza a sua depressão e hoje o termo depressão é tão medicalizado naquela linha com a lei de deus que a gente não fala mas depressão sem pensar doença mas vocês aponta que
se está falando sobre isso que é possível tratar sem medicamento e também possível desmente canalizar a experiências no mundo estão no livro a gente vai conhecer no próximo bloco sai daí a gente volta já a seleção está de volta conversando sobre o livro medicalização em psiquiatria comigo no estúdio do canal saúde os autores do livro paulo amarante e fernando freitas uma sigla dsm também é importante para a gente entender como se chegou a isso que está dizendo que é um crime numa escala pode se dizer mundial ninguém como é que a gente pode explicar às
pessoas o que é dsme o que ela tem a ver com essa história é o dsm é um manual de diagnóstico com as categorias de diagnóstico psiquiátrico né é criado nos estados unidos pelas associação psiquiátrica americana já hoje está na quinta versão é tão é começou nos anos 50 1950 e pouco ea cada edição cada revisão é o número foi aumentando o que senão não só apenas o número de páginas né é mas evidentemente que bom é que as partes vão aumentar o número vem aumentando por também vai aumentar o número de categorias de diagnóstico
ou seja mais e mais problemas passam a fazer parte do território da psiquiatria e que pode então ser diagnosticados certo consequentemente ter mais medicamentos para isso e certamente é a a a beta um volumoso e tão importante e também bolo de categorias que ele é considerado uma bíblia da psiquiatria nome que é dado é nos estados unidos pelo mundo afora é a bíblia a partir de 1980 uma verdadeira volta muito grande quando começa então a falar que a causa está no desequilíbrio químico ea então essa aliança forte com a indústria farmacêutica porque supostamente cada categoria
de diagnóstico de depressão transtorno de humor né tbh teria um homem de um medicamento que supostamente trata desse transtorno ao regular né o desequilíbrio químico no cérebro isso desde 1980 eu acho que é importante também ser dito com o robert vittek mostra um livro dele nós no nosso livro que essas informações esses dados essas evidências científicas existem desde 1954 quando surgiu pela primeira vez o primeiro desse código a cromatina a quantidade de evidências científicas acumuladas desde os anos 60 são enormes a diferença é que o bom o roberto e tempo como jornalista ele juntou tudo
e saí em uma linguagem para o público em geral ele mostra isso aí uma maneira sistematizada mas essas informações todas as evidências não deveriam ser novidade alguma para os profissionais de saúde é que há uma ignorância a nossa que se nós não estamos acostumados a ler se a ler um artigo científico a saber ler o artigo científico tem porque não há novidade é essa pois nesses dados o maior parte disso aí já existem há décadas e décadas nessas mesmas décadas essas idéias questionados os preços artigos científicos que fala se alastraram pelo mundo como verdade senti
jóias ratificados por cientistas renomados como é que a gente pode explicar isso também porque justamente são esses argumentos que são levantados quando a gente questiona essa verdade senti eu eu eu tenho uma visão assim de que como nós falamos a formação a pesquisa boa parte da medicina é foi controlado subsidiada por indústrias não só farmacêuticas mais de equipamentos médicos de prestação de serviços então as grandes revistas até pouco tempo atrás eram dominados por propagandas laboratórios é certo que dava não só financiamento para pesquisa com mudavam os cursos congressos os pesquisadores financiados ainda hoje diretamente pescou
o pesquisador de instituições públicas recebem recurso direto de laboratório para fazer recursos é fabulosos então evidentemente que isso não significa sua pesquisa é todo um acordo de produção de conhecimento de formação de reprodução formação continuada na verdade são os laboratórios reorientando as práticas de prescrição de diagnóstico e 77 esse é um dos dos principais é resultado desse livro contribuição à márcia anjo não a verdade sobre os laboratórios farmacêuticos é como somos manipulados por ele que podemos fazer a respeito uma médica que fez um trabalho ser smooth editora de uma revista nas mais importantes norte americana
de medicina e começa a mostrar como a produção científica é controlado então e depois mais do que controlada por insumos é financiamento ela mesmo pode ser fraudada eu é o resultado por exemplo de um outro livro do óbito item que é o psiquiatra sobre influência corrupção institucional é que ele mostra como as próprias pesquisas é a nação é a sentido manipuladas para obter resultados o são omitidos resultados favoráveis e tudo mais bom mas a gente apontar um caminho livro se propõe também aponta o caminho diz a desmedida realização é possível experiências e traz a experiência
de só teria com esse bronze o terry southern área que é muito interessante você começa a ver que há uma outra corrente agindo isaaa há muito tempo em que é possível perceber esses resultados como a gente apresenta a matéria com as pessoas eu posso mudar alguma coisa séria é uma experiência veja bem nos anos 70 no final dos anos 60 e 70 e ela começou neto iniciou o início foi em são francisco é para jada desenhar o projeto por laura bush porque é um era naquela época nada mais nada menos que o diretor do departamento
que usou feminia do nmh que é o principal órgão americano de onde também da saúde saúde mental né é o moça ele então ele planeja essa do desenho esse projeto juntamente com algumas características que são surpreender não deveriam ser surpreendente mas para nós que estamos agora chegando a ter conhecimento embora não tivesse sido publicado em artigos científicos bom primeiro lugar que é possível tratar as pessoas em surto ou situações graves sem necessidade de profissionais de saúde mental que a casa é uma casa como uma residência que receber as pessoas é insulto ou em estado grave
mas eram atendidas pelo está movimentando por pessoas não profissionais de saúde primeira característica a segunda era que as pessoas não tomavam remédios psiquiátricos ou particularmente os antipsicóticos anti - as seis primeiras semanas escrevi tá dando certo é isso o profissional de saúde mental davam sim supervisão a equipe certa então psiquiatra com o moço e outro é psicólogo tento eo g e como era como ele era um pesquisador foi financiado pelo mm h comparando então os resultados neto é emissor féria com aqueles resultados que seriam em um hospital psiquiátrico comum ou um centro de saúde mental
equivalente nossos carros mas a idéia não é 100 na comunidade ou fora do hospital comparar então os resultados de um com o outro durante o fazendo um follow-up 24 enquanto os resultados sotero ser muito superiores aos demais então isso foi publicado em diversos periódicos científicos de renome de ponta agora claro que contrariava os interesses da indústria farmacêutica final dos anos 80 já um currículo ainda não há uma mudança e não anuais financiamento mas também é um país chamado finlândia que nos traz uma lição fundamental que eles são s do diálogo aberto é uma outra experiência
contemporânea muito importante acontece lá mas também acontece em outros países e em cidades dos estados unidos e viso e outros lugares da europa existe muitos outros experiência interessante quando a gente começa a falar e começa a questionar determinado modelo hegemônico da medicalização da medicamento realização da ideia da patologização e começa a vir tem muitas outras experiências com cultura com a arte comprar inclusive desintegrativo saque no que vão saindo daquela idéia de que o é um transtorno pessoal é tratado com medicamentos e de certas práticas é de grupos de coletivos como os ouvidores de vozes que
são é práticas importantes nós trouxemos algum tempo atrás aqui a presidente da associação de judô de volta à dinamarca o o um dos responsáveis nos articuladores do diálogo aberto open da ela né ea consecutiva estará conosco aqui no seminário na fiocruz estamos então organizando e começa a perceber que tem muitas outras experiências muito exitosas muito importantes mas que não tem visibilidade porque elas claro elas estão na contramão desses interesses nessas contramão desse desse modelo hegemônico mas eu fico feliz que essas vozes por mais que elas tenham sido invisibilizados ou tentem soterradas elas estão aparecendo parecendo
um vários lugares do mundo e com uma potência que espera se logo logo também elas possam estar no dia a dia das pessoas porque muita gente entrou nessa dos medicamentos e agora a gente fica pensando como sair disso né é por isso que acho que esses livros são muito bem vindos e outros vamos como estes virão pra gente aponta caminhos e soluções obrigadíssima da presença de vocês e parabéns por esse livro que logo logo vai estar na 2ª edição do programa ciência e letras resultado de uma parceria entre o canal saúde editora fiocruz se você
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