É um dos trabalhos que marcou minha vida. É que eu fiz, recentemente, eu já tinha, né? Que foi em 2009, se eu não me engano, foi a Reserva Extrativista do Médio Uruá.
Esse foi um trabalho que, em termos financeiros, realmente, praticamente, eu paguei para trabalhar. Mas, desculpa, Professor, eu sou muito franca, mas tem que ser ótimo. Mas, em termos pessoais, foi um dos melhores trabalhos que eu já fiz na minha vida.
Como que foi? Foi na reserva, a reserva extrativista do Médio Juruá. Era um trabalho muito difícil, um lugar muito difícil de chegar, mas eu coordenei o plano de manejo da reserva, e na época também foi dinheiro vindo da embaixada da Noruega.
Em 2009, eu já estava atuando como consultora da Eletronorte porque, em 2000, em 99, 98, eu conheci um técnico da Eletronorte, da área de meio ambiente, que ele estava coordenando um plano de manejo lá da Reserva Biológica de Balbina. Porque Balbina, a represa de Atuman, ela, para compensar os impactos de Balbina, da orla de Balbina, eles criaram a Reserva Biológica de Atuman e a Terra Indígena Waimiri-Atroari. Então, Balbina, o que é Balbina?
É um empreendimento muito ruim, é um empreendimento péssimo, não produz praticamente nada. Mas, se teve uma coisa maravilhosa do empreendimento, ele aplicou recurso para homologação de, acho que são quase 2 milhões de hectares da Terra Indígena Atroari, e o programa indígena associado ganhou prêmio, inclusive da ONU, né? Eram duas etnias que estavam indo para a extinção e, em 2004, nós, eu estava na Eletronorte, nós comemoramos o milésimo indígena, né?
Porque o programa indígena resgatou a cultura daquela nação, daquelas duas nações que se. Então, são duas terras indígenas, duas etnias que formaram um bloco de quase 2 milhões de hectares, e é ligado à Reserva Biológica da Tã, então, junto, forma uma esmeralda verde de floresta intacta, preservada, de 3 milhões de hectares. Então, esse foi o benefício de Balbina, né?
E, é de fato, projetos exitosos, eu não trabalhei em Balbina, não conheço fisicamente nem a Reserva Biológica, mas eu conheci o rapaz que estava coordenando esse plano de manejo, tal, que era da Eletronorte. Hoje, ele já se aposentou. E eu estava lá no Ibama, como eu trabalhava com plano de manejo, consultora, tal, vivia lá no Ibama, fazia termo de referência.
Então, eu trabalhava em vários planos, junto com a equipe de planejamento. Me chamaram para participar da reunião em que estavam analisando o documento que ele escreveu, e a gente teve uma conexão. Hoje, ele é meu grande amigo, né?
Falei assim: "Valéria, você não quer? Nós estamos precisando de alguém lá na Eletronorte, né? Nós estamos na segunda etapa de Tucuruí.
" Porque Tucuruí foi projetado em duas etapas, né? E eles estavam com a etapa de ampliar a capacidade de Tucuruí de quatro máquinas, de 4000 MW para 8000 MW. Então, eles tinham que alterar o reservatório, né?
E, com isso, aumentar um pouco o reservatório de Tucuruí para ampliar a capacidade geradora. O reservatório de Tucuruí é uma usina, não é uma usina fio d'água, é uma usina de reservatório de acumulação. O que isso implica?
P. C. Aar Correia, né?
Que foi, teve uma amiga minha que era professora de história de Sorocaba, mesmo aqui, foi para lá, trabalhou e acompanhei uma série de coisas que ela fez. Depois, fui visitar, eu fui até Belém, Pará. Tudo, eu fui na região.
Não cheguei até a represa, né? Mas me encontrei com um grupo que trabalhou lá na ocasião, foi muito bonito. Então, Balbina, Tucuruí foi na década de 70, né?
Então, não tinha estudo de impacto ambiental, então foi feito. E Tucuruí é licenciado pelo Estado do Pará, né? Com a segunda etapa foi feito aí com a resolução CONAMA de estudo de impacto ambiental.
Tal foi feita toda uma organização do licenciamento. Então, tinha programas ambientais, né? Análise de água.
Então, eu acompanhei bastante isso. Na verdade, eu não conhecia. Quando ele me chamou, falou: "Valéria, nós precisamos de alguém que analise porque nós estamos na segunda etapa, né?
Já foi feito o ajuste no licenciamento. " A hidroelétrica é anterior a 89, né? Quando, com a saída das orientações do Conselho Nacional de Meio Ambiente que exigia estudo de impacto e tal, mas agora nós estamos na segunda etapa.
Então, a gente precisava analisar a compensação ambiental, né? Porque a compensação ambiental é o que o empreendimento, aquele impacto que ele não consegue mitigar, ele não consegue controlar, ele compensa com a aplicação de recurso em uma área protegida ou cria uma área protegida e aplica recurso para manutenção dessa área. Então, ele falou: "Você não quer fazer um estudo nas ilhas?
" Porque ali é uma área de proteção ambiental estadual e tem duas reservas de desenvolvimento sustentável nas ilhas, né? E aí, você não quer fazer esse estudo pra gente? Que eu trabalhava exatamente com isso para ver a compensação ambiental, tal.
E aí eu falei: "Topo! " Foi aí que eu entrei. Eu conheci a equipe da Eletronorte, que eu comecei a interagir com eles.
Então, a gente fez um estudo, pegamos umas imagens de satélites, eu peguei um parceiro, porque não é uma área que eu domino ferramentas de SIG e tal, mas eu trabalho muito com análise de paisagem, né? Daí, nós fizemos toda uma análise das ilhas do reservatório de Tucuruí, né? E para propor ações da compensação ambiental.
Fizemos isso em. . .
Em 2000, apresentei isso na Secretaria de Meio Ambiente. Claro que, depois que a Eletronorte anuiu e tal, a gente fez os cálculos. Tem uns cálculos de quanto deveria ser aplicado naquela área pelo empreendedor e quais as ações, né?
Quais as ações deveriam ser aplicadas. E aí, eles me convidaram para trabalhar na Eletronorte, né? Em 2000, o meu chefe à época me conheceu, que era chefe desse colega que me chamou para fazer essa consultoria, e ele falou assim: "Galera, você não quer acompanhar o EIA/Rima de Belo Monte?
" Eu falei: "Eu não. E Rima não presta para nada; é só documento para validar empreendimento ruim, empreendimento que vai destruir e tal. " Ele falou assim para mim: "Que tal mudar essa história?
Que tal a gente fazer diferente? " Ele me provocou; aí eu fui, e a equipe da Eletronorte foi. Assim, até hoje eu tenho amigos, né?
São amigos queridíssimos. Foi uma escola para mim. Eu virei barrageiro e eram técnicos extremamente sérios, tecnicamente qualificados, né?
A equipe que foi quem começou o meio ambiente dentro das hidroelétricas na Amazônia. Então, eles queriam fazer o certo; na verdade, eles faziam o certo, né? E aí, eu trabalhei sete anos como funcionária da Eletronorte.
Foi aí que veio a oportunidade de eu ser professora substituta entre 2003 e 2005 na UnB. Daí, ele comentou: "Ó, venha, a gente está começando o estudo de impacto ambiental da Belo Monte e a gente precisa mudar essa lógica. " Então, a gente, assim, não cabe a gente, enquanto técnico, decidir, mas cabe a gente apresentar evidências e melhores insumos para que o poder público, dentro das suas ferramentas, decida o que for melhor para o país, né?
Então, eu coordenei. Não, aí primeiro eu fiquei sete anos na Eletronorte e acompanhei vários projetos, inclusive o primeiro estudo de impacto ambiental de Belo Monte, que, como Eletronorte, era feito por uma empresa contratada. Na verdade, era um convênio com a Universidade Federal do Pará.
Então, os estudos de campo e tal. Só que o Ministério Público entrou com uma ação e não deixou os estudos continuarem em 2002. E aí, essa ação foi se arrastando até 2006, e eu ainda estava na Eletronorte.
Aí, em 2007, veio uma orientação de fazer concurso público, né? Para que os terceirizados fossem. .
. porque a Eletronorte estava toda numa linha de ser privatizada. Depois entrou o PT, e o PT tem uma outra linha, que é de inchar a máquina estatal e tal.
Então, no bom e no mau sentido, para o bem e para o mal, né? Então, eles abriram concurso público. Só que eu não pude fazer porque eu não sou bióloga.
Eles colocaram uma exigência que tinha que ter formação em Ciências Biológicas. Eles não colocaram áreas afins; se eles tivessem colocado, é claro que eu teria feito, né? Então, eu não fiz o concurso público, passaram várias pessoas, e aí eu fui demitida em 2008.
Saí da Eletronorte, fui demitida porque era essa a política dos terceirizados saírem e os concursados, claro, formarem a equipe técnica para tocar os trabalhos. Exatamente em 2007, começou o segundo estudo de impacto ambiental. Em 2006, teve uma negociação governamental e o Ibama teve todo um processo e conseguiu vencer o que o Ministério Público colocou e retomar os estudos de impacto ambiental de Belo Monte.
Em 2007, o Ibama emitiu um termo de referência para a realização dos estudos de impacto ambiental. Eu ainda participei um pouco, né, dentro da Eletronorte, da discussão desse termo de referência, da contratação da equipe para fazer esse estudo de impacto ambiental gigante, né? Porque é um, é realmente muito complexo, né?
Normalmente, você estuda os três meios: físico, biótico e socioeconômico, avalia, faz um diagnóstico, né? Tem metodologia, tem etapas e tal. E eu tive, de novo, a maravilhosa oportunidade de coordenar o meio biótico do EIA, né?
Então, em 2008, eu fui chamada pela empresa LEM Engenharia. À época, tinha sido feito um consórcio de duas empresas: a CeC, que é a Comissão Nacional de Engenheiros e Consultores, e a LEM Engenharia, que também tem outro nome, a Tracel. As duas formaram um consórcio para coordenar, elaborar e organizar os estudos de impacto ambiental.
Para a LEM Engenharia, fui responsável pelo meio físico e biótico; para a CeC, o meio socioeconômico. E aí, eu fui chamada pela LEM Engenharia, pelo coordenador geral do EIA/Rima, para ser uma das coordenadoras do meio biótico. Dividi bola com o professor Cléber, com quem trabalhei no WWF.
O professor Cléber é um dos baluartes do manejo de fauna silvestre no Brasil, tem várias publicações, e é uma pessoa com a qual me espelho muito e tenho um respeito imenso. Então, essas oportunidades de conviver, de aprender com essas pessoas, isso é o que traz, né? É uma coisa maravilhosa, é o que a gente vai aproveitando, né?
Vai aproveitando e vai bebendo dessas fontes maravilhosas. Então, eu fui, né? Fiquei e estou até hoje.
Então, em 2008, foi aí que eu criei minha empresa, porque eu tinha que ser uma PJ. A época em que eu prestava consultoria para o Banco Mundial, eu prestava como Hit, como autônoma, então era diferente. Eu trabalhei na Eletronorte, né, contratada e tal, com carteira assinada.
Enfim, então tinha que ser pessoa jurídica para começar a prestar consultoria, então abri a empresa Quatipuru em maio de 2008 e coordenei a parte do meio biótico do E-Rima entre 2008 até 2010, quando saiu a licença prévia. Foi feita com concessão e a Norte Energia, que é uma sociedade de propósito específico, tem 49,98% de estatal e 50,02% de privada, né? Então, ela é uma empresa mista, só que os 0,22% são privados.
Então, ela é uma PPP, uma parceria público-privada, e é uma sociedade de propósito específico. Ela foi criada para operar Belo Monte; não foi ela que construiu o empreendimento. Ela opera Belo Monte.
Então, ela é a dona, a Norte Energia S. A. , é a dona de Belo Monte.
E daí, em 2010, com a criação da Norte Energia e com o vencimento da sociedade do leilão, eu coordenei também o desenvolvimento do PBA, que é o projeto básico ambiental. O que acontece é que, quando você tem uma carta de intenções, você estabelece o que vai monitorar, o que vai fazer, e tal. Quando sai a LP, a licença prévia, para a licença de instalação, você tem que apresentar um projeto básico ambiental, descrevendo o que fará para mitigar, compensar e controlar os impactos.
Então, você tem projeto desde o controle ambiental da obra, do controle dos efluentes da maquinária, até o projeto de monitoramento da pesca, para ver o que os pescadores estão pescando antes e depois da implantação do reservatório, e como está sendo agora a dinâmica, não só socioeconômica, mas também a dinâmica das comunidades de peixes. Quais os impactos que acontecem, né? Porque são impactos grandes.
Belo Monte é uma usina fio d'água; é uma condição completamente sui generis na Amazônia. Ela é uma usina fio d'água. Não tem reservatório de acumulação, como Tucuruí.
Ela é diferente. Tucuruí entra no Sistema Interligado Nacional e tem uma grande caixa d'água. Aqui no Sudeste, está faltando água, e ele joga água e a depressão.
Então, foi projetado dessa forma, mas isso também envolve problemas ambientais. Não é tudo lindo e maravilhoso. Belo Monte tem o seu arranjo.
Era Babaquara-Carara na década de 80 e tal, mas não dava para duas terras indígenas e não dava muito; era reservatório de acumulação. Agora, com a reservação e de modo que funcionava feito uma caixa d'água, com o rearranjo e a modificação do projeto, o reservatório que fica na calha do rio foi deslocado para montante, 70 km. Então, ele tem duas terras indígenas a jusante dele, que não inunda, mas, ao mesmo tempo, tem um trecho de vazão reduzida a jusante.
Isso porque o arranjo de Belo Monte tem uma barragem no Xingu, no médio baixo Xingu, em uma área estratégica. É uma barragem baixa que se chama Pemal. Antes disso, tem um canal de derivação e foi criado um reservatório em terra firme que leva a água para 18 turbinas em Belo Monte.
A principal geração é um complexo hidrelétrico; tem duas casas de força: a casa de força no IMP Pimental e a casa de força lá embaixo, que devolve a água. A água sai daqui, vira na Volta Grande e se junta com a vazão. Então, temos quatro compartimentos de impacto, de análise de impacto e de manejo desses impactos: o reservatório na calha do rio, o reservatório intermediário que foi criado em terra firme, o trecho de vazão reduzida que vai diminuindo a vazão, e ali tem duas terras indígenas e 23 comunidades, além de todo o ecossistema.
Temos também o trecho de restituição de vazão, que é onde se juntam as duas vazões. Sai da casa de força principal e vem do trecho de vazão reduzida, onde a vazão volta a ser normal, porque é o trecho a jusante de todo mundo. É um desafio; é um empreendimento complexo e tem uma turma nacional e internacional extremamente contrária ao empreendimento por questões ideológicas.
A razão pela qual foi interrompido várias vezes é exatamente por causa disso, né? Foi, na verdade, há um pouco também de ideologia mesmo, né? Mas, assim, é inegável os projetos e o que foi feito pelo empreendimento para a região.
Os trabalhos socioeconômicos, claro, todas as hidrelétricas retiram população; a população, principalmente a ribeirinha ali de Altamira, foi muito impactada. Tinha várias palafitas nos igarapés, e Altamira era um lixo. Eu que frequento a região há 24 anos, estou envolvida no empreendimento há 24 anos; vi o lixão crescer e multiplicar na beira da Transamazônica.
O empreendimento parte das ações de compensação do empreendimento foi criar um aterro sanitário controlado e implantar 100% de saneamento básico em Altamira. Tem 100%, só não tem 100% por questões técnicas, mas as fossas negras que existiam hoje são fossas biodigestoras, fossas sépticas. As 8.
000 palafitas que ficavam naquele igarapé, que tinham fossa negra. . .
Eu tenho foto disso. A água subia naturalmente do rio, entrava nas palafitas. A prefeitura de Altamira abria lá o centro agropecuário, colocava a lona e as pessoas iam morar lá 3, 4 meses durante o inverno amazônico, de dezembro a fevereiro, porque entravam cobras, jacarés, dentro de casa; entrava rato, né?
Porque a água subia e vinha, e eles não conseguiam ficar ali. Não tinha energia elétrica, não tinha água tratada, não tinha nada. E aconteciam, inclusive, acidentes.
Eu lembro uma vez, numa reunião, o professor da Universidade Federal do Pará que estava fazendo toda a questão do diagnóstico socioeconômico falou: "Olha, a gente não tem estatística de quantos acidentes ocorrem aqui, se for mulher e criança principalmente, porque são os invisíveis. Se for homem, até que a gente pode, né, que morre caindo nas palafitas e tal, uma condição de criminalidade gigantesca, sabe? " Enfim, tudo isso, hoje, tem seis novos bairros em Altaira.
Essas pessoas foram reassentadas nesses novos bairros chamados de reassentamento urbano coletivo. As pessoas já incorporaram tudo: internet, telefone, pavimentação urbanizada, água tratada. As casas são casas com três quartos, dois banheiros; tem casa para cadeirante, inclusive, 65 metros quadrados.
Os terrenos receberam a escritura da casa, né? Então, é um trabalho maravilhoso. Tem um trabalho de acompanhamento social, tem feira, eles fazem trabalho, tem futebol social, tem alternativas econômicas, apoio a alternativas econômicas.
Enfim, foram montados vários equipamentos sociais, esses igarapés viraram um parque, já tá tudo urbanizado, eles foram desinfetados, a Anemia plantou árvores, tem uma pista de caminhada ali. Sabe, em Altamira, antigamente a gente andava e tinha urubu cheio de lixo; agora a cidade tá limpa. Enfim, tudo isso foi repassado, foi criado, foi construído um hospital regional que faz até microcirurgia neurológica.
Acho que tem umas 40 e tantas UBS que foram construídas, não só em Altaira, mas em cinco municípios afetados diretamente: Vitória do Xingu, Altaira, Brasil Novo. Enfim, eu sou meio suspeita para falar, porque eu vi tudo isso acontecendo, né? E a gente vê que ainda tem gente contrária, falando mal.
O que sai na mídia é só coisa ruim, inclusive internacional. Tem uma ONG muito importante que sempre bate, chamada. .
. tô tentando lembrar. .
. não sei qual é, River, né? Enfim, James era contra.
Bom, enfim, Avatar, né? Belo Monte tá aí, é uma realidade. Os estudos indicavam os impactos, ninguém enganou nada, nem dourou a pílula.
Mas existe ainda uma preocupação com relação ao trecho de vazão reduzida, né? Porque ali tem duas terras indígenas, tem 23 comunidades não indígenas. Então, foram feitos vários serviços, vários trabalhos alternativos para a manutenção daquelas populações, ali, alternativas econômicas.
Enfim, então, é realmente um empreendimento muito complexo, são muitos desafios os trabalhos. E aí eu fui empregada da Norte Energia, de 2010. Também com esse meu chefe, né?
Ele saiu da Eletronorte e virou diretor da Norte Energia, né? Foi emprestado, né? Ele me provocou, falou: "Que tal mudar a história do EIA e a gente fazer um bom trabalho?
" E aí ele me convidou para ir trabalhar com ele como superintendente dos projetos do meio físico e biótico. Eu já o conhecia há mais de 10 anos, daí eu falei: "Você tem certeza? Porque você me conhece, o pacote vai completo, né?
" Aí ele falou: "É isso que eu quero. " Porque, assim, a gente tem uma linha de atividade muito forte, né? A gente procura trabalhar com muita correção, com muita lisura, né?
Então, e muito baseado em questões técnicas, né? E aí, claro que dependendo da posição que você tá, você também tem que ter uma postura diplomática, né? E desenvoltura, outro aprendizado.
Professor, sim, sim. Existe também outro lado, né? Por exemplo, eu fiz uma viagem pelo Rio São Francisco uma ocasião.
Minha irmã morava em Sergipe e eu fui pelo Rio São Francisco, né? Naquela barca, que inclusive aparece na novela "O Velho Chico. " Então, eu fiquei quatro dias dentro dessa barca, né?
Subindo o rio. E eu vi ali, né, as populações ribeirinhas subindo na barca porque as casas deles estavam sendo invadidas pela água da represa de Sobradinho. Então, eu vi.
Eu senti isso de perto, sabe? Tem uma história até de uma senhorinha que foi muito dolorida, porque ela foi a última a sair da casa, porque a avó dela tinha nascido naquela casa. E, conforme a água foi subindo, a população foi embora.
Aí os filhos dela, todos os parentes falavam: "Vamos embora, vamos embora. " Ela falou assim: "Não, aqui não saio. " Só que, de repente, chegou um dia, né, que a água já tinha entrado dentro da casa.
Ela não tinha outra alternativa, porque não tinha nenhuma casa que ela pudesse ficar ali, e ela entrou. Daí, exatamente naquele dia, eu a vi, né, entrando na barca. Ela acabou.
Eu vi ela encolhidinha, baixinha, encolhida num cantinho dentro da barca. Foi na hora que eu fui até lá conversar com ela. E aí ela começou a me contar essa história, né?
E, inclusive, ela estava indo para uma cidade que ela não sabia nem onde era direito, não sabia onde os parentes estavam, sabe? Muito dolorido o sofrimento desse pessoal todo, né? E depois tem até um filme que vale a pena também assistir, né?
Relacionado a isso, que é "Os Narradores de Javé". Ele vai também contar um pouco dessa história da invasão da água nas vidas. Esse filme é lindo!
Assista. E quem estiver nos ouvindo, também é uma sugestão: "Narradores de Javé". É lindo, é de cortar, dolorido, mas é muito bonito esse filme.
Não, realmente, esses grandes empreendimentos de infraestrutura impactam. Como eu trabalho com semiótica, assim, a gente fica com um nó na garganta porque trabalhamos para a conservação, né? E, ao mesmo tempo, você também tem que dosar, avaliar muito bem, fazer um diagnóstico para nem pesar a mão e nem refrescar.
É difícil, porque o impacto socioeconômico tem dimensões, às vezes, intangíveis. Há uma ruptura do modo de vida, uma ruptura da memória afetiva daquela população. Muitos são populações tradicionais, muitos são ribeirinhos.
Eu também, durante o EIA, a gente ia nas ilhas. Tem a tal da dona Almira. Eu parei na casa da senhorinha; ela estava com o joelho enfaixado com pano empapado com óleo diesel.
Falei: "Dona, só tem no joelho? Ele tá meio inchado. " Daí falaram que enrolar num pano com óleo diesel melhora.
Falei: "Dona Almira, sei lá, o nome dela era parecido com o nome da cidade, a senhora não. . .
o pessoal da Funasa não vem aqui de barco? " Porque eu rodei muito a Amazônia, e a Funasa era a única instituição que chegava: Funasa e Ibama. Ah, eu fiz um trabalho na RDS Amanã e Mamirauá, que ficava lá em cima.
A gente alugou um barco regional, a estação ecológica de João A, que pegava a confluência do Rio Joamir e Japurá. Foi criado pelo secretário de Meio Ambiente da época, né? Dr Paulo Nogueira Neto.
E ali, realmente, a gente era atendido pela Funasa, que chegava, era Funasa, garimpeiro e Ibama. Então, eles eram os salvadores da pátria. A ilha onde essa senhora morava ficava a 15 minutos de barco a voadeira para Altamira.
Falei: "Ih, filha, não chega ninguém aqui não. " Aí minha filha já falou que a filha dela morava na cidade, mas eu não saio daqui. No fim, ela me deu cupuaçu porque eu adoro cupuaçu.
Fui tomar um café com ela; é uma graça, né? Eu sou louca por conviver com essa turma. Eu também acabei de voltar de um reconhecimento de campo.
A gente estava na equipe multidisciplinar com o Professor Roberto. Chegamos no porto de Altamira era umas seis horas da tarde. Eu vejo o funcionário da Funasa, o carro da Funasa, uma caminhonete, dirigindo com uma loira do lado, às seis e meia da tarde.
Então, tem dinheiro para rodar com caminhonete, mas não tem dinheiro para colocar o diesel lá, o combustível, para pegar uma voadeira e dar assistência para os ribeirinhos. Enfim. E como você encara a questão da transposição do Rio São Francisco?
Como está a situação atualmente? Eu não sei, Professor, porque eu, infelizmente, não tenho acompanhado. Acho muito complicado, assim, quaisquer ações de engenharia envolvendo recurso hídrico se você não toma as ações principais para proteger as margens, os mananciais, as nascentes.
Então, não adianta nada, né? Você sabe que é enxugar gelo. E nós temos, por exemplo, dentro desses reservatórios, dessas hidrelétricas e tal, você tem possibilidade de usar essa água, mas você tem que proteger os tributários e proteger principalmente a área de preservação permanente, que é aquela franja que fica no entorno dos reservatórios artificiais.
E as pessoas estão poluindo, estão destruindo, e estão desmatando, às vezes colocando pivô central, substituindo essas áreas que são áreas de recarga hídrica por lavoura e tal. Então, não adianta. A matemática não fecha.
Então vai chegar uma hora que você faz a transposição, mas se você não cuida dessa fonte renovável, das nascentes e da própria dinâmica e manutenção desses ambientes. . .
Porque, se não, vem lixivia, aumenta sedimentação, aumenta a evaporação, e você não tem a contribuição e a manutenção desses recursos hídricos. Então, eu confesso que não sei se está funcionando. Há um tempo atrás eu vi que tinha problemas sérios em alguns pontos do sistema.
Não estava funcionando, enfim. Possivelmente mais um elefante branco, mais um desperdício de recurso e mais sem tomar os cuidados necessários para a manutenção desses recursos hídricos. Outra coisa que me preocupa muito é a retirada do petróleo, né?
No mundo inteiro, a forma como está sendo feita: milhões de barris todos os dias e o que se coloca lá dentro, água. Então, eu vejo assim: está ficando um buraco lá dentro, né? E esses maremotos, terremotos, tudo que está acontecendo tem muito a ver também com isso, né?
O futuro tem muito a ver. Porque é poluição, é queimada, é desmatamento, e ninguém fala mais, né? Teve um negócio da camada de ozônio, mas as mudanças climáticas estão aí, e tem os negacionistas.
Por quê? Porque a indústria do petróleo tem um apelo gigantesco, né? A indústria da guerra tem um apelo gigantesco.
E a gente está vendo assim o ser humano, e nós estamos aqui enxugando gelo. Nós somos uma areia no oceano. Eu nem assisto muito à televisão; começo a ficar desesperada, né?
E eu assino uma. . .
News letter da ONU, mas eu passo os olhos, né? É que, para também não ficar muito alienada, mas o que a gente vê é que as mudanças climáticas estão aí, cada vez mais. E fala aí do estrago que a chuva fez.
Não, colega, é o estrago que o homem possibilitou a chuva fazer. O que aconteceu no Rio Grande do Sul? O Guaíba foi aterrado há 40 anos e tem sido aterrado o tempo todo por exploração imobiliária.
Eu conheço a região; eu coordenei o plano de manejo da APA do Delta do Jacuí, né? Em uma consultoria também. Quando é que foi isso?
Acho que em 2013 ou 2014. Não sei, porque aí eu fiquei na Nor Energia de 2010 até 2013, né? E eu morava em Brasília e tinha uma equipe em Brasília e uma equipe em Altamira que já estava começando as obras e tal.
Teve uma orientação da Nor Energia para que toda a equipe de Meio Ambiente fosse para Altamira, morar em Altamira, e meu marido já era aposentado. Ele falou: "Não vou; vai você" e tal. "Não quero impactar sua vida profissional.
" Eu não tenho filhos, né? Aí chega uma hora na vida da gente que você tem que decidir. Na verdade, toda hora você tem que decidir, né?
Mas aí você tem que pensar ou na tua carreira ou na tua vida pessoal, né? Então, qual era a proposta da empresa? Eu ia ficar em Altamira 40 dias, pegava um teco-teco de Altamira para Brasília, Baixada, né?
Eu voltava de Baixada, dois ou três dias depois, voltava para Altamira. Eu falei: "Eu não vou! " Nossa, até a faxineira da N.
Energia falou: "Dona Valéria, você tem que ir! Você é Belo Monte! " Porque eu estava no empreendimento há 13 anos, coordenei o EIA, coordenei o projeto, coordenei isso.
Era superintendente do físico-biótico, era substituto inclusive do diretor socioambiental, né? Eu que o representava. Então, eu tinha um cargo alto na empresa, né?
Não que ele tinha um aparato técnico, mas ele era mais institucional, né? Aí eu falei: "Não, não vou, não vou, vou ficar. " Daí eu fui demitida da Nor Energia, mas fui imediatamente contratada como consultora e lá estou até hoje, né?
Então, isso para mim é uma relação de confiança gigantesca. Eu trabalho em casa, né? Eu tenho uma certa carga horária.
E aí, o que que eu faço? Eu acompanho todo o desenvolvimento do atendimento das condicionantes do licenciamento e também do desenvolvimento dos projetos, né? E da resposta dos projetos para mitigar, compensar e controlar os impactos.
Então, isso desde a construção. Agora já está na etapa de operação, a plena carga; todas as turbinas estão funcionando, o hidrograma do TVR está sendo implantado. E aí esse é o desafio: a gente verificar se o hidrograma proposto no EIA é sustentável.
Nesse meio tempo, depois que eu saí, em 2013, eu retomei as minhas consultorias, né? Tanto é que eu não fechei minha empresa. Meu marido falou: "Não fecha a empresa, porque primeiro que eu tinha compromissos anteriores, além de Belo Monte, eu tinha outras consultorias.
" Então, ele falou para mim: "Você pode terminar essas consultorias, né? E desde que não atrapalhe de segunda a sexta. " Então, às vezes eu via e estava com esse projeto do Guaíba da APA, né?
Antes de entrar na Nor Energia, antes de ser funcionária, e eu sabia bem separar. Obviamente, eu não prestava consultoria para as empresas que prestavam consultoria para a Nor Energia, né? Eu tinha outras empresas, mas era pouca coisa.
Na verdade, eu já tinha esses trabalhos contratados. Então, eu terminei esses dois trabalhos. E um deles foi lá na APA, área de Proteção Ambiental do Guaíba, de novo coordenando oficinas de planejamento, coordenando planejamento.
E lá pelas tantas, uma das oficinas que a gente estava coordenando veio um representante das imobiliárias, porque lá tem de tudo. Tem as marinas, tem áreas de alto poder aquisitivo, como tipo na beira da represa do Rio Guaíba, da lagoa. Tem muitas propriedades, como tem no Lago do Paranoá.
Lá em São Paulo, bairros nobres, né? E eles estão ampliando cada vez mais. Então tem uma questão imobiliária muito importante.
Do outro lado da ponte, quando você passa na ponte, ali onde apareceu na televisão, né? Os carroceiros, é gente de baixíssima renda, né? Onde eles coletam lixo, levam para lá, papelão.
Na época, eles eram os excluídos. Ficavam, inclusive, abrigados embaixo da ponte. Quando eu vi na televisão, eu falei: "Meu Deus, é a turma!
" Tento lembrar o nome do bairro lá, né? Sapucaia, coisa assim. E então a gente reúne todos esses stakeholders na discussão, né?
Os representantes dos catadores de lixo, os representantes das diferentes entidades. Ali tem vários clubes, né? Ali da marina.
Então, é gente com poder aquisitivo que tem seu iate, seu jet ski, final de semana e tal, e esses proprietários também desses condomínios. E lá pelas tantas, um rapaz falou assim e a gente estava discutindo o zoneamento e tudo com base no diagnóstico, né? O pessoal da Secretaria de Meio Ambiente, que essa é uma MAP estadual, o pessoal da FURS, da Fundação da Universidade do Rio Grande do Sul.
Então, normalmente, 20 a 30 pessoas sentam em conjunto na mesma mesa e vão discutindo esse planejamento participativo. E a gente estava na oficina de zoneamento para propor zonas, né, para a APA. Então, dentro dessas zonas, tem as áreas que não devem ser mexidas, que devem ter mais cuidado.
Tem áreas que já permitem um certo uso. Aí ele chegou no intervalo, no cafezinho. Ó, você tem que mudar o curso dessa conversa, porque esse zoneamento proposto não é nada interessante para a gente.
Eu falei "oi", né? Falei: "Olha, a gente não muda nada. Meu papel aqui como moderadora é facilitar as discussões e apresentar as questões técnicas que vêm do diagnóstico, esclarecer.
" Então, ah, vai lá com o teu pleito lá com a Secretaria de Meio Ambiente, né? Que o que sair daqui, a gente vai fazer o nosso relatório. Inclusive, a gente tira foto, registra tudo, as tagarelas, tal, tal, tal.
Então, coloca isso na plenária. Ah, ele ficou quietinho, sabe? Ficou mudo, né?
Mas veio o chavequinho na minha orelha. Então, a gente convive com esse tipo de coisa há muito tempo, e aí chega na televisão, acontece um evento desse, chega na TV e fala assim: "Porque afetou, foi uma coisa horrorosa, né? " Uma coisa.
. . E esses eventos climáticos vão acontecer com mais frequência, com mais intensidade, tanto secas extremas quanto cheias extremas, né?
E tudo muito intenso. Isso é mudança climática, e o homem tá provocando isso há anos, desde a Revolução Industrial. Então, a poluição, o aumento do desmatamento.
. . Ah, enfim, são várias questões que estão, o uso inadequado, né?
Obras como essa de transposição de rio, só que sem cuidar dos recursos hídricos, sem cuidar, né, da conservação do solo. Então, quando chega e fala assim: "Ah, a chuva causou estrago", né? Não!
A chuva, só ela tá fazendo. . .
Ela tá chovendo, né? O problema é o ser humano que tá interferindo tanto, tá mexendo tanto, sem consequência. E aí ele mesmo tá provando do próprio veneno, né?
E aí os pobres coitados, né, que às vezes não têm. . .
Porque essas áreas impactou, inclusive áreas muito valorizadas, né? Não só em Porto Alegre, como em outras cidades, né? A gente viu casas na beira.
. . Então, você não vê nenhuma área de preservação permanente, você não vê nenhuma área de recarga, nenhuma área que possa.
. . Ou seja, ninguém quer ficar na beira ali, não tem nenhuma proteção.
E aí, claro, não tem para onde escapar. Mas não! Pri, longe!
Aqui em Sorocaba, o Parque das Águas. . .
Eu lembro quando começaram a vender naquele loteamento. Um irmão meu falou: "Ah, vou comprar um terreno. " Eu falei: "Onde?
" Ele falou: "Tá, o lugar. " Eu falei: "Você tá louco, por quê? " Falei: "Ali é abaixo do nível do rio, tá ao lado do rio, aquilo vai alagar tudo.
" Então, alguém da prefeitura liberou essa venda, entende? E hoje tá aí o problema, mas tem que ser resolvido. Não basta porque vai acabar alagando tudo aquilo.
Não adianta ficar colocando motor funcionando para tirar água, colocar um L para jogar água pro rio de novo. Vai voltar água, entende? Então, é evidente.
Então, precisa ter uma pessoa corajosa que chegue e vai fazer a transposição daquelas pessoas que moram naquelas casas e resolver o problema. Porque, e mais, a gente tem que fazer, não, professor? E além disso, a gente tem que fazer um trabalho de base com a população, porque a população esclarecida, ela ajuda a cobrar, né?
Ela não se submete. Tem muito inocente útil, mas tem muita gente que se aproveita e tem uma ausência do Estado, né? Tem uma ausência daquele que tem a governança e a obrigação de fazer.
Então, é uma conjunção de problemas. E a gente que trabalha com o meio ambiente, a gente vê constantemente a ignorância da população que acha que o meio ambiente é lá, né? Por exemplo, a história do combate à dengue.
Não adianta, o fumacê é ineficaz. Por que a Secretaria da Saúde do município faz o fumacê? Para acalmar a população, mas ele é ineficaz.
Ele já foi comprovado, ele polui o meio ambiente, a ele controla muito pouco o mosquito e ele acaba, eh, até envenenando a população, né? Mas aí a turma: "Ah, não, tá com fumacê, tá controlando. " E tá?
O controle é o foco. Esse é o controle. Controle do mosquito é controlar o foco e tem controles biológicos também.
Porque, com o fumacê, você mata os predadores naturais, né? Mata abelhas, mata insetos importantes. Então, enfim.
. . Mas é uma questão de política.
Hum, bom, querida, tá uma delícia conversar com você. Você tem tanto conteúdo. Quem está nos acompanhando tá percebendo quanto conteúdo você tem.
E você abraçou a sua profissão com uma paixão enorme, né? Vimos aqui você, em momentos, se emocionar, né? E chorar de verdade.
Então, é incrível a maneira como você tá dedicando a sua vida, né? Não é só se dedicou, dedica, continua dedicando, né? Mas você dedicou toda a sua vida até agora para isso, né?
Quer dizer, melhorar a condição de vida do ser humano. Então, eu queria que você falasse alguma coisa agora, para finalizar. O que você gostaria de falar que ainda você não falou?
Ah, na verdade, professora, assim, eu amo o que eu faço. Eu não sei fazer outra coisa, né? Por isso que eu me emociono, porque a minha vida é isso, né?
É, é, e eu espero ter colaborado, espero estar colaborando, né? E, na verdade, a minha maior preocupação são as outras espécies. Né, claro que a gente é ser humano, a gente pensa e tal, tal, tal, mas eu gostaria muito que o homem tivesse mais respeito pelas outras espécies, né?
Não fosse tão egocêntrico, né? Pensasse nas outras espécies. E essa é a base da biologia da conservação.
Por isso que me emociono. É esse amor à Biologia da Conservação. Ela tem uma filosofia por trás disso, não é?
Sabe, é você trabalhar. Então, eu lembro que dei aula de Biologia da Conservação para o NB. E você tem duas linhas, né?
Uma é você conservar pela essência, pela importância intrínseca daquelas outras espécies, e a outra é conservar pela necessidade, porque o homem depende, né? Então, para mim, esse é o primeiro. Esse é o primeiro, porque a gente tem também uma linha de pensamento divina, né?
Sim, de respeito. Com certeza, é de que nós estamos aqui para servir, para melhorar, para auxiliar e conviver, né? Então, a partir do momento que eu me coloco como superior, como "eu sou primeiro, eu depois, eu terceiro", eu perco toda essa conexão com o universo, né?
Então, eu acho que é uma mistura de amor, mas também uma mistura de propósito de vida, né? Então, não sei que fazer outra coisa. Aham.
E aí, amo o que eu faço. É assim, é com tanto prazer, com tanto amor, para ver que isso pode deixar alguma coisa, né? Até para os colegas, para estimular, para que as pessoas trabalhem com coração, com lisura, com seriedade.
Então, é por isso que eu acho que a gente deve fazer isso, independentemente se você vai catar lixo na rua ou se você vai rastelar, você tem que colocar tudo naquilo que você faz. Por isso que sou tão grata também a vocês que abriram o mundo para mim, dando tanto conteúdo maravilhoso, conteúdo de qualidade, conteúdo que traz coisas que viram mantra na tua vida, que viram reflexão, né? Como aquele que tem na minha dissertação de mestrado, que é o poema, né, do Fernando Pessoa: "Para ser grande, sê inteiro; nada de exagera ou exclui.
Você, toda em cada coisa, põe quanto és no mínimo que fazes. " Assim, em cada lago, a lua toda brilha. Porque, alta, alta, porque você é isso.
Você é isso. Desde que eu te conheci, você é assim, inteira no que você faz, né? Você foi uma aluna brilhante, uma ser humana brilhante, carinhosa.
Nunca se desligou de nós. Você sempre esteve presente de alguma maneira, e hoje, eu vendo você contar tudo isso, é tão lindo, sabe? Eu agradeço de coração, tá?
Por você, eu agradeço. Prof. , você é maravilhosa.
O seu trabalho, sua dedicação. . .
As pessoas, conforme ouvem o seu relato, você em nenhum momento falou nada de riscos que você correu para desenvolver o seu trabalho, para estar indo nesses locais todos. Quantos riscos você correu de saúde, né? E você tá aí por inteiro, né?
E continua. Ainda não parou, não quer parar, porque você é necessária para nós, tá? Então, em nome de todos nós, tá?
Todos os seus colegas que a amam tanto, seus amigos, né? E nós, né? E também professores.
O Marin vai ficar muito contente, né? O Marin vai ficar muito contente da sua fala. Matemática!
Quem deu aula para você também? Professor Elenice? A Maria José.
. . Maria José Masé.
A Biologia foi com o Professor João. Isso! O Marin, na parte de Física, era a Vera, né?
Isso, a Vera também é uma pessoa presente. Ela vai. .
. Com certeza. Inglês era.
. . A não, é a Maria José Badini que deu aula.
Você também deu aula, mas é. . .
E o Evaldo não chegou a dar, né? No colegial, não, né? Matemática, né?
Não. Então, mas olha, todos com certeza vão querer ouvi-la, e esse relato de vida, dedicação, é maravilhoso, viu? Muito obrigado!
Obrigado por essa confiança. Sinto muito orgulho de você, né? Mas é muito, muito orgulho, viu?
Manda meu abraço lá também pro seu querido irmão, inesquecível, sabe? Seu pai e mãe também, inesquecíveis, estavam presentes conosco, né? E você acompanhou tudo, inclusive, né?
Toda a questão da construção da biblioteca, né? Da infantil, de passos de leitura. Sônia também vai ficar muito feliz de ouvi-la.
Ai, queridíssima! Foi aquela que construiu a biblioteca, aquela escola maravilhosa, né? Quão importante foi a Escola Municipal de Primeiro e Segundo Grau durante Dr Getúlio Vargas nas nossas vidas, né?
Maravilhosa! Para mim, foi meu início de vida, e eu sou muito grata, muito grata a todos vocês. Muito obrigada!
Obrigado em nome deste país, porque você tem colaborado muito por este país, né? Quanta gente, né? E esses relatos.
. . Porque vai tornando pra gente mais claro aquilo que a gente ouve.
É muito fake o que existe hoje, né? Então, a gente ouve uma série de coisas, e de repente você mostra: "Não, não é bem por aí", né? Quer dizer, isso é muito importante, e você ajudou muito a mudar a história, né?
Aquela proposta ali de mudar a história, que tal, né? Mudar essa história? Você conseguiu mudar.
Deus abençoe você! Muito obrigado, e até breve, se Deus quiser! Muito obrigada pela oportunidade!
Obrigado! E a vocês que nos estão acompanhando, né? A nossa gratidão, e mais uma alma boa aqui, mais uma energia boa nessas nossas narrativas.
Fiquem todos com Deus. Gratidão, Valéria.